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Aula 9c Estudos Culturais - Stuart Hall

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As velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno – até aqui visto como sujeito unificado.
Uma mudança estrutural está transformando as sociedades modernas do fim do século XX, fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que, no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais.

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Aula 9c Estudos Culturais - Stuart Hall

  1. 1. Teorias da Comunicação Estudos Culturais Ingleses – II Stuart Hall Prof. Ms. Elizeu Silva
  2. 2. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II IDENTIDADE CULTURAL NA PÓS-MODERNIDADE As velhas identidades, que por tanto tempo estabilizaram o mundo social, estão em declínio, fazendo surgir novas identidades e fragmentando o indivíduo moderno – até aqui visto como sujeito unificado.
  3. 3. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Uma mudança estrutural está transformando as sociedades modernas do fim do século XX, fragmentando as paisagens culturais de classe, gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que, no passado, nos tinham fornecido sólidas localizações como indivíduos sociais.
  4. 4. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Essas transformações estão mudando também as identidades pessoais, abalando a ideia que temos de nós próprios como sujeitos integrados. Esta perda de um “sentido de si” estável é chamada, algumas vezes, de deslocamento ou descentração do sujeito.
  5. 5. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II O duplo deslocamento – descentração dos indivíduos tanto de seu lugar no mundo social e cultural, como de si mesmos – constitui uma “crise de identidade” para o indivíduo. Kobena Mercer: “A identidade somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo que se supõe fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza”.
  6. 6. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Três concepções de identidade (Stuart Hall) • Sujeito do Iluminismo • Sujeito Sociológico • Sujeito Pós-moderno
  7. 7. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Três concepções de identidade (Stuart Hall) • Sujeito do Iluminismo: Concepção da pessoa humana como indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, de consciência e de ação, cujo “centro” consistia num núcleo interior que emergia quando o sujeito nascia e com ele se desenvolvia. • O centro essencial do EU era a identidade da pessoa. • Concepção individualista do sujeito e de sua identidade.
  8. 8. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Três concepções de identidade (Stuart Hall) • Sujeito Sociológico: Reflexo da crescente complexidade do mundo moderno e da consciência de que o núcleo interior do sujeito não é autônomo e autossuficiente, mas formado na relação de outras pessoas importantes para ele, que mediavam para ele os valores, sentidos e símbolos (a cultura) dos mundos por ele habitados.
  9. 9. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Três concepções de identidade (Stuart Hall) • Pela concepção sociológica, a identidade é formada a partir da interação entre o EU e a SOCIEDADE. • O sujeito mantém um núcleo interior considerado como seu “eu real”, mas este é formado e modificado num diálogo contínuo com os mundos culturais exteriores e as identidades que esses mundos oferecem.
  10. 10. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Três concepções de identidade (Stuart Hall) • A identidade do ser se coloca, portanto, no espaço entre o “interior” e o “exterior” – entre o mundo pessoal e o mundo público. • A identidade costura/sutura o sujeito à estrutura na qual ele está inserido, estabilizando tanto os sujeitos quanto os mundos culturais que eles habitam, tornando ambos reciprocamente mais unificados e predizíveis.
  11. 11. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Três concepções de identidade (Stuart Hall) São justamente essas relações do sujeito com os mundos culturais que agora estão mudando. O sujeito da identidade unificada e estável agora está se tornando fragmentado, abrigando não apenas uma, mas várias identidades – às vezes contraditórias e/ou não resolvidas.
  12. 12. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Três concepções de identidade (Stuart Hall) As paisagens culturais, por seu lado, estão entrando em colapso, como resultado de mudanças estruturais e institucionais. Os brancos americanos são maioria entre os norte-americanos que possuem idade superior a 65 anos (80% da população com idade superior a 65 anos). Entre os recém-nascidos, porém, outros grupos além dos brancos não-hispânicos (negros, latinos/hispânicos, asiáticos, etc.) predominam e já os ultrapassaram, de acordo com notícia divulgada em junho de 2011 [3], sendo a mesma tendência registrada para as crianças na faixa etária de 5 anos, conforme notícia recente, de 2013.[4]
  13. 13. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Três concepções de identidade (Stuart Hall) • Esse processo (sujeito fragmentado + colapso das paisagens culturais) produz o sujeito pós-moderno caracterizado pela ausência de identidade fixa, essencial ou permanente. • Na pós-modernidade, a identidade torna-se uma “celebração móvel”: formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados pelos sistemas culturais que nos rodeiam.
  14. 14. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Três concepções de identidade (Stuart Hall) • Na pós-modernidade o sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades estas não unificadas em torno de um EU coerente. • O sentimento de posse de uma identidade contínua desde o nascimento resulta de uma “narrativa do eu” cômoda que construímos e que nos dá estabilidade – no entanto, na pós- modernidade as identidades são continuamente deslocadas.
  15. 15. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II A identidade completamente unificada e segura é uma fantasia. Na medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam somos confrontados por uma multiplicidade de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente.
  16. 16. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II As sociedades modernas são, por definição, sociedades de mudança constante, rápida e permanente. Processo de globalização exerce profundo impacto sobre as identidades culturais. “Na medida em que áreas diferentes do globo são postas em interconexão umas com as outras, ondas de transformação social atingem virtualmente toda a superfície da terra – e a natureza das instituições modernas”.
  17. 17. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II CODIFICAÇÃO/DECODIFICAÇÃO • Apresentado por Stuart Hall como alternativa a uma visão do processo comunicacional como circuito linear emissor- mensagem-receptor (Teoria Matemática, Paradigma de Lasswell). Este modelo é criticado pela ausência de uma concepção estruturada dos diferentes momentos do processo comunicacional e da complexidade das relações entre emissor X receptor.
  18. 18. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • Processo comunicacional deve ser pensado como estrutura produzida e sustentada pela articulação de momentos distintos, mas interligados – produção, circulação, distribuição/consumo, reprodução – dos conteúdos comunicacionais.
  19. 19. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • Produção e recepção da mensagem televisiva não são, portanto, idênticas, mas estão relacionadas: são momentos diferenciados dentro da totalidade formada pelas relações sociais do processo comunicativo como um todo.
  20. 20. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • A produção da mensagem não é uma atividade transparente como pode parecer à primeira vista. • A mensagem constitui-se como estrutura complexa de significados. • A recepção não é algo aberto e perfeitamente transparente. • A cadeia comunicativa não opera de forma unilinear.
  21. 21. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • O fenômeno comunicacional ocorre num contexto de ARTICULAÇÃO entre codificação e decodificação, entre os momentos de produção e os momentos de consumo. Codificação e decodificação são práticas relacionadas que conectam momentos isolados. • Codificação/decodificação apresenta a comunicação como totalidade complexa e determinada.
  22. 22. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • A codificação busca uma leitura preferencial dos conteúdos difundidos. • Leitura preferencial: busca por decodificação/interpretação determinada. Parte do desejo de que os conteúdos sejam decodificados/recepcionados sob determinada forma. As decodificações ocorrem dentro do universo da codificação. • O próprio produtor é constrangido pelo contexto institucional no qual o conteúdo é produzido.
  23. 23. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • “À transparência entre o momento da codificação e da decodificação eu chamo de momento de hegemonia. Ser perfeitamente hegemônico é fazer com que cada significado que você quer comunicar seja compreendido pela audiência especificamente e somente daquela maneira pretendida. Trata-se de um tipo de sonho de poder”.
  24. 24. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • Na perspectiva da decodificação preferencial, o poder se infiltra no discurso, pois as mensagens não têm um único significado ou forma única de decodificação. • Contudo, essa tentativa de hegemonizar a audiência nunca é inteiramente eficaz. Nunca é inteiramente bem sucedida. Trata-se de um exercício do poder na tentativa de hegemonizar a leitura da audiência.
  25. 25. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • Três posições de decodificação: preferencial, negociada e de oposição. • Preferencial: Hegemonização do processo de decodificação pelo agente codificador. • Negociada: A decodificação não ocorre plenamente no contexto preferencial, tampouco representa oposição total ao texto. “A maioria de nós nunca está completamente dentro da leitura preferencial, ou totalmente a contrapelo do texto”.
  26. 26. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • Oposição: Decodificação a partir de um ponto oposicionista, que pode ou não ter entendido o sentido preferido na produção, mas que retira do texto exatamente o oposto do preferido. “Entende, por exemplo, o exercício da lei e da ordem como exercício de opressão, ou de resistência”.
  27. 27. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • Há que se falar ainda do preferencial no âmbito da decodificação, que é diferente do preferencial da codificação. O consumidor pode rejeitar a preferência do produtor, interpretando a partir de outra preferência – pois, tão logo nos damos conta de determinado texto, fazemos dele um tipo de leitura.
  28. 28. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • A inexistência de leitura preferencial configura-se como leitura objetiva dos conteúdos comunicacionais e da realidade circundante – o que é mera ilusão.
  29. 29. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Codificação/Decodificação (Stuart Hall) • As audiências são constituídas por grupos que compartilham referenciais de entendimento e interpretação. Nessa perspectiva, a decodificação, portanto, é compartilhada e possui uma expressão institucional. Relaciona-se com o fato do indivíduo estar ligado a determinada instituição. • Estão relacionadas à família na qual o ser foi criado, ao lugar onde trabalha, das instituições às quais pertence, de outras práticas que constituem o dia-a-dia do indivíduo.
  30. 30. ESTUDOS CULTURAIS INGLESES – II Bibliografia recomendada FRANÇA, Vera V.; SIMÕES, Paula G. Curso básico de teorias da comunicação. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2016. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. 11ª edição, Rio de Janeiro, Ed. DP&A, 2011 HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: Editora UFMG; Brasília: Representação da Unesco no Brasil, 2003. SANTOS, J. L. O que é cultura. São Paulo, Col. Primeiros Passos, 16ª edição, Ed. Brasiliense, 1996 WOLF, Mauro. Teorias da comunicação. Lisboa, Ed. Presença, 1999

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