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Função social da escrita eliane poster

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Função social da escrita eliane poster

  1. 1. FUNÇÃO SOCIAL DA ESCRITA: UM RELATO DE EXPERIENCIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Eliane Tramontin Silveira Moleta lelemoleta@ig.com.br Centro de Atenção a Criança e ao Adolescente Reitor Alvaro Augusto Cunha Rocha – Universidade Estadual de Ponta Grossa CAIC/UEPG GT01- Práticas de Ensino da Educação Infantil e Ensino FundamentalResumo Este relato de experiência vivenciado em dois mil e onze, na Escola Reitor AlvaroAugusto Cunha Rocha no Centro de Atenção a Criança e ao Adolescente no CAIC/UEPGcom a professora Eliane tramontin Silveira Moleta, professora do Pré I com crianças de 4Anos. Surgiu com a efetivação do Projeto Pedagógico sobre o símbolo do grupo que funcionacomo fio condutor, com atividades sistematizadas alicerces para a continuidade no processoda construção do conhecimento. Objetiva registrar a prática em sala de aula como professorada educação infantil num contexto da função social da escrita. Nesta perspectiva dodesenvolvimento desse conhecimento, iniciam um processo de descoberta, onde o papel doprofessor é fundamental nas intervenções adequadas para que se arrisquem nas hipóteses eavancem na construção do conhecimento. No decorrer das atividades, constatou-se que ascrianças acompanham a mudança que ocorrem no contexto em que vivem acabaminterferindo e se transformando com essas experiências. Nesse sentido evidencia-se que aconstrução da linguagem oral e escrita por situações distintas e estimuladoras, a criança pormeio do lúdico e interagindo com um adulto ou outra criança pode aprender brincando,favorecendo dessa maneira o desenvolvimento da linguagem oral e escrita com autonomia.Introdução Cada vez mais cedo, as crianças veem se aventurando na leitura e na escrita ocupandoparte de suas atividades diárias. Criar oportunidades que favoreceram o acesso a portadores detexto é fundamental para despertar a compreensão da função social da escrita e da leitura.
  2. 2. A escola neste contexto torna-se um ambiente propicio. Pois o convívio em grupo e apresença de outras crianças contribuem para um avanço significativo no desenvolvimento eaprendizagem dos alunos. Dentre muitas atividades para desenvolver essa percepção de como funciona a escritae a leitura, destaca-se atividades com os nomes que é o foco desse relato. A partir domomento em que as crianças emergem num ambiente letrado e começam o desenvolvimentodesse conhecimento, iniciam um processo de descoberta, onde o papel do professor éfundamental nas intervenções adequadas para que se arrisquem nas hipóteses e avancem naconstrução do conhecimento. Os nomes dos alunos, dos objetos e de tudo a sua volta,funcionam como um repertório de textos, palavras e letras, referenciando a possível aventurada escrita para as crianças fazendo com que se sintam seguras nesta exploração. Para a efetivação dessa aventura e com o intuito de alimentar o prazer dos futurosleitores, optou-se por desenvolver as atividades a partir de um projeto pedagógico sobre osímbolo do grupo que funciona como fio condutor, com atividades sistematizadas que sãoalicerces para a continuidade no processo da construção do conhecimento. Fundamentação Teórica: Em um contexto onde a criança é envolvida na construção do conhecimento, areflexão dos educadores sobre a própria prática é o que irá lhes permitirá entender osprocessos internos e as aquisições das crianças e poder optar pelo melhor caminho para queavancem em seu desenvolvimento como um todo. Vivemos em um contexto onde as crianças estão cada vez mais em contato com alíngua escrita se interessando por ela e aumentando sua curiosidade, nossaresponsabilidade enquanto educador é fazer com que todas as crianças, mesmo as quetiveram pouco contato com a escrita, se aproximem com cuidando para que seja umcontato prazeroso e eficaz ao mundo letrado. Valoriza-se o que a criança já tem antes deentrar na escola num processo contínuo contendo desafios que a criança com muitacriatividade e utilizando-se do lúdico irá superando, se desenvolvendo e avançando os seusconhecimentos e competências. Para Vygotsky (apud Oliveira, 1999, p. 68):
  3. 3. A escrita é uma função culturalmente mediada à criança que se desenvolve numa cultura letrada e está exposta aos diferentes usos da linguagem escrita e a seu formato, tendo diferentes concepções a respeito desse objeto cultural ao longo de seu desenvolvimento. A condição para que uma criança tenha possibilidades de entender adequadamente o funcionamento da língua escrita é descobrir que ela é um sistema de signos que não tem significado em si, mas que, dentro de um conjunto, ganha novos caracteres, expressões típicas da língua passando a constituir inúmeros signos lingüísticos. Vygotsky (apud Oliveira, 1999, p. 68). Então, a criança que experiência uma cultura letrada vivencia um processo dealfabetização que é mediado por um adulto ou por outras crianças. Faz-se necessário conhecere se apropriar desde cedo dos usos da língua escrita presente em seu mundo. As contribuições teóricas a respeito do desenvolvimento infantil possibilitamestabelecer uma relação entre as teorias de Vygotsky e Wallon. Os autores afirmam que oconhecimento e a aprendizagem são edificados a partir das experiências entre o sujeito e omeio e como acontece essa apropriação. Para tanto o desenvolvimento infantil écompreendido como um processo, [...] através do contato com seu próprio corpo, com as coisas do seu ambiente, bem como através da interação com outras crianças e adultos, as crianças vão desenvolvendo a capacidade afetiva, a sensibilidade e a auto-estima, o raciocínio, o pensamento e a linguagem. (CRAIDY e KAERCHER, 2001, p. 27). É indispensável entender a criança, enquanto sujeito social e histórico. Em cadaperíodo histórico, conforme aponta Craidy (2001), têm-se entendimentos caracterizados sobrea infância e do ser criança, então, “cada época tem a sua maneira própria de considerar o queé ser criança e de caracterizar as mudanças que ocorrem com ela ao longo da infância”.(CRAIDY, 2001, p. 17) Assim faz-se necessário respeitar a sua singularidade, seu sonho, sua fantasia, suaafetividade, sua brincadeira. Com experiência a serem vivenciadas com qualidades, conformeCRAIDY e KAERCHER (2001, p.21). [...] deve incluir o acolhimento, a segurança, o lugar para a emoção, para o gosto, para o desenvolvimento da sensibilidade; não pode deixar de lado o desenvolvimento das habilidades sociais, nem o domínio do espaço e do corpo e das modalidades expressivas; deve privilegiar o lugar para a curiosidade e o desafio e a oportunidade para a investigação. Para Vygotsky (apud OLIVEIRA, 2008, p.40) o fundamento do funcionamentopsicológico tipicamente humano é social e, portanto, histórico. Em todo o processo de
  4. 4. desenvolvimento, vão sendo apresentadas ao indivíduo formas culturais que sãointernalizadas, por isso a estimulação ambiental e a cultura são importantes para a criança econtribui em seu desenvolvimento. Neste contexto faz-se necessário a educação infantil lúdicae propiciadora da autonomia do pensamento e da linguagem. Sendo indispensável destacar a importância do papel do profissional da educaçãoinfantil, nesta perspectiva sociointeracionista coloca o adulto como agente fundamental, oqual tem o dever de propiciar experiências diversificadas e enriquecedoras, com o objetivo dedesenvolver as capacidades distintas nas crianças. Relato Uma das atividades realizadas com a turma de quatro anos são as Assembleias, ondeem roda conversamos, contamos as novidades e construímos as propostas do dia respeitando oplanejamento da professora de acordo com os objetivos da Matriz Curricular. Para trabalharatitudes de valores com as crianças, as normas comportamentais são construídas junto comelas a medida que vão surgindo. Assim sentem-se parte do processo e conseguem cumpri-las eentendem a sua importância. Nesta perspectiva de trabalho, aparecem questionamentos, as crianças elaboram suashipóteses, opinam, desenvolvem seu vocabulário expondo suas ideias, dúvidas, gosto e, assimdesenvolvem-se habilidades para a oralidade a qual é estimulada de maneira rica e prazerosa. Outro fator importante, é que nesse momento as crianças interagem umas com asoutras. Experiência situações desafiadoras, a qual aos poucos se sentem a vontade para contarhistória, cantar e relatar fatos. Assim enquanto educadora valorizo a individualidade dacriança como também a estimulação da construção do pensamento e da linguagem. Soares (1999, p.52) confirma a importância do aluno se envolver nas atividades. Ele não é mais um sujeito que aprende a escrever por imitação, por repetição, por associação, copiando e reproduzindo letras, sílabas, palavras, frases, mas um sujeito que aprende atuando “com” e “sobre” a língua escrita, buscando compreender o sistema, levantando hipóteses sobre ele, com base na suposição de regularidades. Soares (1999, p.52)
  5. 5. Segundo Ferreiro (1985, p.20) é necessário mudar nossa concepção sobre a aquisiçãoda linguagem oral e escrita, uma vez que afirmam. É preciso mudar os pontos por onde nós fazemos passar o eixo central das nossas discussões. Temos uma imagem empobrecida da língua escrita: é preciso re- introduzir, quando consideramos a alfabetização, a escrita como sistema de representação da linguagem. Temos uma imagem empobrecida da criança que aprende: reduzimo-na a um par de olhos, um par de ouvidos, uma mão que pega um instrumento para marcar e um aparelho fonador que emite sons. Atrás disso há um sujeito cognoscente, alguém que pensa que constrói interpretações, que age sobre o real para fazê-lo seu. Ferreiro (1985, p.20) Segundo a autora a criança tem a competência de pensar e condições de escrever desdemuito cedo devido à conscientização que ela tem sobre a escrita. Muitas crianças convivemcom pessoas ou lugar que promove situações de usos reais de leitura e escrita [...] nos meios urbanos, a grande parte das crianças, desde pequenas, estão em contato com a linguagem escrita por meio de seus diferentes portadores de texto, com livros, jornais, embalagens, cartazes, placas de ônibus etc., iniciando-se no conhecimento desses materiais gráficos antes mesmo de ingressarem na instituição educativa, não esperando a permissão dos adultos para começarem a pensar sobre a escrita e seus usos. Elas começam a aprender a partir de informações provenientes de diversos tipos de intercâmbios sociais e a partir das próprias ações. (BRASIL, 1998, v. 3, p. 122). Porém, não podemos confundir o processo de alfabetização e expor as crianças àescrita. Conforme BRASIL, (1998, v. 3, p. 151). É necessário considerar que expor ascrianças às práticas de leitura e escrita está relacionada com a oferta de oportunidades departicipação em situações nas quais a escrita e as leituras se façam necessárias, isto é, nasquais tenham uma função real de expressão e comunicação.
  6. 6. Umamaneira significativa realizada para essa situação de escrita com a participação das criançasfoi a de escrever textos coletivos tendo a professora como escriba, carta a outros grupos,bilhetes para os pais e para os amigos, escrever o nome dos brinquedos trazidos de casa,realizar a escrita da receita da massinha de trigo confeccionando junto com eles, realizar aleitura em voz alta de um recado deixado por outro professor na lousa, permitir a participaçãodos acontecimentos da sala de aula. O trabalho com o nome próprio possibilitou novas situações da aprendizagem dalíngua escrita. A criança sente-se motivada ao escrever o seu nome, quando menos espera jáestá descobrindo mais letras. Foi realizado na lousa escrita de lista dos nomes incluindo o seupróprio nome o da professora como também, montar nomes com o alfabeto móvel. Os alunosrealizam o registro do nome nas atividades da maneira que já pensavam da escrita do nome.Essa atividade além de ser muito significativa, informa as crianças sobre a quantidade, aposição e a ordem das letras, posteriormente permite o contato com diferentes sílabas ediferentes tamanhos de palavra, além de favorecer a aquisição da base alfabética.
  7. 7. Ao entender que o conhecimento das crianças começa com a exploração dos objetos,foi propiciado situações de jogos, experiências e manipulações de diferentes objetosrespeitando a idade dos alunos criando experiência apropriada. Segundo PIAGET (1969,p.13) “A criança conhece quando atua sobre os objetos, quando pratica ações sobre osobjetos”. A utilização da biblioteca da escola foi um momento muito prazeroso a esse grupo, láera o lugar onde escolhiam vários livros, mergulhavam em várias aventuras, conversavamcom a bibliotecária, pedindo livros que mais se identificavam, porém se utilizavam muitosdos livros da sala de aula, com certeza é uma maneira de estimulá-las a leitura e escrita.Assim, nesse sentido evidencia-se que a construção da linguagem oral e escrita por situaçõesdistintas e estimuladoras, a criança por meio do lúdico e interagindo com um adulto ou outracriança pode aprender brincando, favorecendo dessa maneira o desenvolvimento dalinguagem oral e escrita com autonomia. Desde o horário que a criança chega à escola até a hora de ir embora precisa serpensado, planejado com atividades diferenciadas que estimulem à imaginação, a criatividade,a experimentação de novas ações desenvolvendo as linguagens e possibilitando a interaçãocom outras pessoas. Considerações Finais Sabe-se que mediante as relações do dia a dia as crianças nessa faixa etária precisamestar em contato com atividades dinâmicas, devido a sua idade. A ação pedagógica é muito importante, sendo o papel fundamental do educador estaratento e observar, conhecer quem são seus alunos e, portanto, não deve esquecer ou ignorarque se o aluno apresentar uma base educacional satisfatória e competente, por conseguinte,
  8. 8. poderá ter um bom desenvolvimento. Nesta perspectiva, o professor é o principal agentecondutor, orientador e viabilizador da aprendizagem dos alunos. É o profissional mediadordas situações da aprendizagem da criança.REFERÊNCIASBRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental.Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Volumes 2 e 3, Brasília:MEC/SEF, 1998CRAIDY, C.; KAERCHER, G. E. (org.). Educação Infantil – pra que te quero? São Paulo:Artmed, 2001.DOURADO, Ione Collado Pacheco. PRANDINI, Regina Célia Almeida Rego. HenriWallon: Psicologia e Educação. Disponívelem:<http://www.anped.org.br/reunioes/24/T2071149960279.doc> Acesso em 10 de janeiro2012.FERREIRO, Emilia Reflexões sobre Alfabetização. São Paulo: Cortez/Autores Associados,1985.OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: Aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 2008PIAGET, Jean. Seis estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Forense, 1969.SOARES, Magda Becker. Aprender a escrever, ensinar a escrever: in: ZACCUR, Edwiges:A Magia da linguagem. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 1999.VYGOTSKY, L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo, Martins Fontes, 2009.

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