Diário(prática de port. 1)

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Diário(prática de port. 1)

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO DEPARTAMENTO DE LETRASDiário de Observação em Sala de Aula Trabalho realizado pela aluna Elannia C. I. Lins, referente à disciplina Prática de Português para avaliação da Professora Márcia Mendonça. Recife 2001
  2. 2. 1. Informações gerais da escola onde foi realizada as observações Estas informações foram retiradas do Boletim Oficial do Colégio 1.1.Dados de Identificação da Instituição do Ensino Escola: Colégio de Aplicação Contexto em que se situa: Escola pública, situada em um bairro de classe média, na periferia do Recife, ensina crianças e adolescentes. Grau de ensino: Fundamental e Médio Número de Turmas: 14 Número de Professores: 51 Número de Alunos: 421 Horário de Funcionamento: 2 turnos (manhã / tarde) 1.2 A Estrutura Organizacional do Colégio Administrativos: Pleno do Colégio, Conselho Técnico-administrativo, Coordenadora Geral, Secretaria, Serviço disciplinar. Técnicos: Área de Estudos, Coordenadora do 1º e 2º graus, Conselhos de Classe, Serviço de Orientação Educacional, Biblioteca Juvenil. Física:  Térreo: Portaria, Recepção, Coordenação, Vice-Coordenação, Secretaria, Almoxarifado, 5 salas de aula (2º grau, recuperação e Artes), 5 Laboratórios (Biologia, Química/Física, Informática e Línguas - Teoria e Prática), Sala de Projeção, 2 Vestiários, Copa/Cozinha, Xerox, 4 WCs.  1º Andar: Laboratórios (Matemática e Estudos Sociais), 8 salas de aula (1º grau), Sala dos Professores, Sala dos Professores de Português, audiovisual, Sala de Reuniões, 4 WCs.  Recreio Coberto: Sala de Música, Sala de Instrumentos, 2 Camarins, Palco, Área Coberta, 2 WCs.  Quadra: 3 Gabinetes (Médico, Oftalmológico e Odontológico), Sala de Enfermagem, Sala dos Professores de Educação Física, almoxarifado de Educação Física, Almoxarifado Geral do Colégio, Grêmio Estudantil, Sala de Dança, Sala de Ginástica, Recepção Geral. 1.3. Objetivos do Colégio  Formar alunos leitores e produtores de textos pela prática de um trabalho funcional com a Língua Portuguesa, inserindo-os no universo particular dos textos.  Desenvolver a capacidade argumentativa dos alunos a fim de que possam expressar com criatividade e persuasão as suas ideias. 1.4. Avaliação Realizada através da avaliação processual, pois não contempla só a prova e sim a participaçãoem classe, a realização das leituras e pesquisas, seminários e trabalhos escritos. 1.5. Profissionais Existentes na Escola Diretora, Coordenadora, Vice-coordenadora, Supervisora de Classe, Porteiro, Secretária,Psicólogo, Pedagogo, Bibliotecário, Cozinheira, Zeladores, Médico, Enfermeira e Professores.
  3. 3. Diário de Observação em Sala de Aula ESTÁGIO GERAL1. Primeiro Encontro 1.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA INGLESA Professora: Cristina Turma: 6ª A - Ensino Fundamental Horário: 13:10 às 15:10 Número de Alunos: +- 25 alunos ( 13 meninos - 18 meninas) Faixa Etária: 11 a 13 anos Ambiente Físico: Sala pequena, com vídeo, TV, ar condicionado, 1 quadro branco, 20 cadeiras em bom estado de conservação. Data: 14.03.2001 1.2. Comentários sobre a observação A observação foi realizada em uma classe da 6ª série do Ensino Fundamental, de turno diurno doColégio Aplicação. A professora é pontual, chega às 13:10, entra na sala falando em inglês com osalunos e eles demonstram segurança, firmeza e intimidade com a língua. A primeira atividade é feitacom o auxílio do livro didático. O exercício é feito em conjunto entre a professora e os alunos. Cadapergunta, feita pela professora, é direcionada para um aluno que responde tranquilamente sem muitasdificuldades. Os alunos observam o que a professora está falando, assimilam e automaticamenterespondem as questões. Tudo muito rápido e dinâmico. A aula é ministrada com um senso crítico-reflexivo, com consciência e sensibilidade social. Estaconstatação ficou clara principalmente na segunda atividade quando a professora exibe o filme com otítulo "Instinto". A mensagem deste filme é orientada para os objetivos da proposta educativacomprometida com a transformação social. O conteúdo é apropriado para o objeto de ensino, que é alíngua inglesa, pois os alunos escutam os próprios nativos falando em inglês e ao mesmo tempo têmcontato com a língua portuguesa, porque o filme é legendado. O conteúdo do filme é bastanteeducativo: trabalha com o comportamento humano, com a multiculturalidade, com os valores sociais, osinteresses e as necessidades do ser humano. Enquanto os alunos estão assistindo ao filme, a professora escreve no quadro 4 questões quevalorizam as habilidades sócio-intelectuais tanto quanto os conteúdos do filme. Nesta aula não foipossível ver todo o filme, o tempo foi insuficiente. A professora decide marcar a discussão das 4questões na próxima aula.
  4. 4. 2. Segundo Encontro 2.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: HISTÓRIA Professora: Tatiane Turma: 6ª A - Ensino Fundamental Horário: 07:20 às 09:00 Data: 15.03.2001 2.2. Comentários sobre a observação A professora entra na sala e pergunta por "Ulisses" e o "Paraíso". Esses dois termos utilizadospela professora significam o trabalho e a redação sobre o que eles acham sobre o paraíso e como seria oparaíso de cada um deles. Ao mencionar a redação, os alunos ficam eufóricos e a maioria faz questão deler o seu texto para todos ouvirem. Neste momento, a professora pede silêncio e chama um de cada vezpara ir para frente e ler o que escreveu. Os textos elaborados pelos alunos têm coesão, coerência e abordam temas em comum, como porexemplo, amor, liberdade, prosperidade, igualdade, diversão, violência, paz, alegria, felicidade,natureza, moradia, alimentação. A maioria dos alunos descrevem os direitos básicos e a minoria abordao consumismo atual. Quando todos terminam de ler, a discussão gira em torno de alguns alunos quedescreveram um paraíso individualista sem considerar os direitos básicos de todos. Um outro grupo nãoconcorda com esta visão e começa a debater sobre esse assunto até que uma aluna intervém e coloca oseu ponto de vista, que é a de respeitarmos a opinião geral. A partir disso, a professora começa a contaro papel da história neste contexto geral: "Em toda a história o homem sempre almejou um paraíso, sóque as características são diferentes, de acordo com a cultura do povo, a raça, esse paraíso pode seregoísta ou coletivo e vocês se pronunciaram de acordo com o mundo atual de vocês". Palavras daprofessora. Após esta pequena introdução, a professora faz referência no que está no livro e pede paraalguns alunos lerem. No livro há três textos com três paraíso diferentes retratando épocas distintas. Eleslêem em voz baixa e depois a professora pede para que eles observem 2 figuras que estão no livro eanalisem em que contexto estão inseridas. Enquanto eles fazem esta tarefa, a professora faz a chamada.Ao terminar, ela solicita que cada aluno mencione o que conseguiu absorver nas figuras e a tarefa écumprida sem problemas. Porém, o último aluno quando faz sua análise, alguns colegas não concordamcom ele. Este aluno fica envergonhado e diz que não responde porque a sua resposta não é correta. Aprofessora pede para ele repetir sua análise e diz em voz alta para todos que a sua opinião é válida, deveser aceita e não pode ser considerada como errada. O aluno fica em silêncio. Antes de terminar a aula, aprofessora pede para que os alunos leiam em casa a próxima página do livro. As duas atividades da professora usadas nesta turma foram bem satisfatórias. A línguaPortuguesa foi contemplada de forma objetiva e eficaz, partindo da produção de texto, da leitura, dacapacidade dos alunos de comporem. Explorou o lado questionador dos alunos e buscou oconhecimento deles para depois adentrar no seu objeto de ensino, que é a História. Fez o aluno refletir eperceber o conhecimento de forma interdisciplinar, propondo pontes de relações entre eles e atribuindosignificados próprios aos conteúdos.
  5. 5. 3. Terceiro Encontro 3.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: ARTES Professora: Beatriz Turma: 6ª A - Ensino Fundamental Horário: 09h:00 - 11h:00 Ambiente Físico: Sala grande, 1 quadro branco grande, algumas mesas grandes próprias para trabalhar com a arte. Data: 15.03.2001 3.2. Comentários sobre a observação Na sala de aula, os alunos têm todo o material disponível para trabalhar com a arte(lápis de cor,papel, retratos, livros,etc). Logo no início da aula, a professora pede para que os alunos completem astarefas anteriores que não foram terminadas. Enquanto isso, ela fica conversando com um colega de trabalhoe não acompanha os alunos. A tarefa que eles têm que concluir refere-se a fazer alguns retratos do seu colega queestá na sua frente, um retrato de alguém da família, de uma paisagem externa do colégio e por último umasilhueta. Depois de alguns minutos a professora encerra a tarefa e diz que eles não vão ter maisoportunidade para fazê-la. Por conta disso, todos param de fazer a tarefa e ela começa a fazer algumasperguntas do tipo: o que é espaço, volume, profundidade, dimensão, largura e também se há algumarelação entre geografia e artes plásticas. Para responder essas perguntas, a professora se dirige a cadaaluno da sala. Cada um responde da sua forma. A partir das respostas, a professora utiliza o quadro paradar algumas explicações. Ela parte do princípio de não responder tudo logo de imediato; primeiro buscado aluno o seu conhecimento prévio do assunto e depois o esclarece na medida do possível. Quando a professora vai ao armário em busca de um retrato para dar uma explicação sobre oassunto em questão, uma aluna se pronuncia e diz que a professora só traz problemas . A professoraresponde tranquilamente que esse é o objetivo da disciplina. Imediatamente a garota contestadeclarando que a professora tem que resolver os problemas e não trazer problema para a turma. Diante desse acontecimento, podemos observar que a prática docente da professora não é aquelaem que o professor é a principal fonte de informação e procura ter todas as respostas prontas para seusalunos. O seu ponto de partida é valorizar a curiosidade, o questionamento exigente e a incerteza doaluno. Isso, ficou bem claro durante a sua perfomance em sala. Uma das tarefas nesse dia foi dividir a turma em grupos e entregar a cada aluno um retrato paraque eles analisassem o espaço, profundidade etc. Aparentemente, o seu objetivo com esta atividade épreparar o aluno para o processo mental da busca da criatividade e da crítica. Além disso, prepará-lopara inovar e exercitar o problema. A professora explica para os estagiários, em particular, que afinalidade do conteúdo e do programa nesta fase é justamente fazer com que os alunos descubram suasdificuldades e preocupações. A próxima atividade exige que os alunos expliquem o que eles conseguiram abstrair das figuras;dois componentes da equipe vão para frente mostrar o que entenderam. Cada um se coloca de formaespontânea e segura do que pensam e acreditam. A medida que eles vão falando, a professora aprofundao assunto e conta os detalhes de cada retrato. Neste ritmo, observa-se uma interação mútua de ensino eaprendizagem concebida sem repetição, sem reprodução das palavras, textos e experiências do professor. Dando continuidade ao conteúdo, a professora pergunta que percepção e noção os alunos têm deespaço. A resposta é imediata: "da cabeça, da visão, da MENTE". Era esse o ponto que a professoraqueria chegar e os próprios alunos se pronunciaram com a ajuda indireta dela. Depois ela faz
  6. 6. comentários sobre opressão, ansiedade e discute com a turma a importância de deixar os alunos livrespara criarem o seu mundo e o seu próprio conhecimento.4. Quarto Encontro4.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: MATEMÁTICA Professor: José Carlos Turma: 6ª A - Ensino Fundamental Horário: 11h:00 - 12h:40 Data: 15.03.20014.2. Comentários sobre a observação Antes do professor chegar a sala, uma aluna faz o seguinte comentário: "essa é a aula que passacem anos em 50min." O professor entra na sala, diz bom dia e ressalta que todos já passaram pelobebedouro, banheiro, por isso não vão mais sair. De repente, um aluno bate a cadeira com muita força, oprofessor reclama com ele e deixa claro que o aluno não está em casa. O estudante fica quieto e seresguarda no canto da parede. Passando estes contratempos, a aula inicia. O assunto é número múltiplo/divisor. A primeirapergunta é: o que é número múltiplo? O professor exige que cada aluno responda de forma diferente e aturma faz barulho com conversas paralelas e o professor pede silêncio. A primeira atividade é exposta no quadro. Uma questão é colocada para a turma resolver. Atítulo de ilustração, vejamos o problema: "vai ter eleição em 2056? (1994 - 1998 § 2056?). Apósapresentar o problema, o professor pede para que os alunos venham responder no quadro. Alguns vãoaté o quadro, mas não dão respostas satisfatórias e o professor insiste para que alguém vá ao quadro emostre o verdadeiro resultado. Um aluno se prontifica a dar o resultado final. Então o professor pedepara que ele vá ao quadro e mostre para os seus colegas. A princípio o aluno não gosta da idéia e dizque não quer ir, o professor não respeita a escolha do menino e insiste para que ele vá ao quadro. Ogaroto não gosta, mas resolve ir. Antes disso, ele diz que o professor é "burro". A resposta do professoré que não pode fazer nada e está aqui para aprender. Destaca-se, nesse particular, a incidência forte da palavra "burro" que os alunos usamconstantemente durante esta aula. É importante ressaltar que a matéria em estudo é exata e exigeexatitude nas respostas dos alunos. Talvez essa concepção os deixe apreensivos e inseguros. Depois de quinze minutos, o professor pede para a turma abrir o livro e resolver os exercícios.Os alunos vão respondendo, mas demonstram pouca confiança no que estão fazendo. Ao resolver umexercício, um aluno utiliza uma regra diferente do padrão e o professor pergunta ao aluno se esta regra éválida e o mesmo se aprofunda de tal maneira no assunto que o professor diz que ele não entendeu apergunta e vai fazê-la de novo. Mas não dá uma resposta satisfatória ao aluno sobre o assunto abordado. Para finalizar, convém destacar que o tempo todo os alunos perguntam quanto tempo falta paraacabar a aula e reclamam do horário.
  7. 7. 5. Quinto Encontro 5.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: EDUCAÇÃO FÍSICA Professor: Marcelo Turma: 6ª A - Ensino Fundamental Horário: 07h:20 - 09h:00 Espaço Físico: Uma sala pequena dentro da quadra de esportes própria para fazer ginástica. Data: 16.03.2001 5.2. Comentários sobre a observação O professor chega 20 minutos atrasado e justifica o atraso para a turma informando que estava aserviço da instituição. Meninos e meninas fazem ginástica juntos, usam uniforme apropriado para aeducação física. Ao entrar na sala de ginástica, o professor tem dificuldades para iniciar o exercício com a turma.O professor discute com os alunos o que vai ser feito em sala, mas alguns alunos atrapalham a aula, oprofessor reclama e chama atenção deles. Ao terminar de falar sobre a atividade, outro aluno perguntaao professor o que vai ser feito. O professor responde que já falou a respeito e que o aluno "estava nomundo da lua". O assunto é sobre eixo equilibrado em especial a coluna. O professor solicita aos alunos que elesformem um círculo para explicar a teoria e depois eles irão para a prática. Enquanto ele fala, os alunosgritam, falam ao mesmo tempo; ficam agitados querendo brincar e falam muito alto. As horas passam edepois de 40 minutos o professor consegue explicar o primeiro exercício. Após a explicação feita no quadro, a primeira a atividade exige que os alunos se dividam empequenos grupos espalhados nos colchões. Os grupos não ficam bem distribuídos e o professor maisuma vez tem dificuldades de orientar a turma para iniciarem os exercícios. Os gritos começam outravez.. O problema é o espaço que não é suficiente para todos. Mas uma aluna vai ao quadro e demonstracomo poderia ser formado os grupos. O professor aceita e recomeça tudo de novo. Os grupos sãoformados e a tarefa começa a ser executada. Os alunos fazem exercício que trabalham o equilíbrio.Cada grupo apresenta o seu exercício de um tipo de equilíbrio físico. O mais interessante é que oprofessor não fez o exercício de alongamento com os alunos e o tempo todo demonstrava falta decontrole com a turma, prejudicando o seu possível objetivo.
  8. 8. 6. Sexto Encontro 6.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: PORTUGUÊS Professora: Euna Turma: 6ª A - Ensino Fundamental Horário: 10h:10 - 11h:50 Data: 16.03.2001 6.2. Comentários sobre a observação Esta aula foi uma revisão da assunto visto na aula anterior. O assunto é Processo de Formaçãode Palavras. A professora discute o exercício que trata dos dois processos: derivação e composição. Aexplicação é feita no quadro e os alunos participam e relembram o conteúdo. Após essa breveexplanação, a professora entrega um exercício para a turma. Ela faz a leitura em voz alta e uma alunapede para que a professora deixe eles resolverem sozinhos, mas ela diz que é melhor ela ir lendo eperguntando ao mesmo tempo para todos que estão presentes. A professora lê muito rápido e a turmareclama. Logo, ela diminui o ritmo. Uma das questões elaboradas pedia para que o aluno formasse uma palavra parassintéticaatravés da palavra já existente: "castelo". Seguindo a seqüência das outras palavras, como por exemplo:"castelo" era "encastelar". Essa palavra não faz parte do vocabulário da turma que logo questionou aexistência da mesma e perguntam à professora qual o significado desta palavra. Ela responde sem muitasegurança. Passando este episódio, a professora explica o Processo de Formação de Palavras (criação denovas palavras), fala sobre abreviação vocabular (moto - motocicleta) e também abreviatura(Dr. , Obs.Etc.). A próxima atividade contempla a leitura de um texto em que há a presença de onomatopéia e aprofessora pede para que um aluno leia. Durante a leitura, os alunos tem dúvidas se a palavra CD éabreviatura ou sigla. A professora não sabe responder com exatidão e deixa em aberto para a próximaaula. O clima da aula gira em torno de alguns alunos que conversam e brincam sem prestar atençãona aula. Algumas meninas passam papéis para identificar o menino mais bonito da sala. A próximaatividade é feita individualmente. O assunto é "Oração" também uma revisão sobre sujeito, predicado,substantivo etc. A professora explica que todos estes assuntos foram vistos na série anterior, ou seja, na5ª série e esta revisão ajudará a descobrir se eles ainda têm dúvidas sobre o assunto. O exercício pede para que os alunos formem orações com os verbos em destaque. Ela faz umaressalva para que não passem além do que está sendo pedido. No final da aula, a professora pede paraque todos entreguem o trabalho que ela pediu para ser feito em casa.
  9. 9. Diário de Observação em Sala de Aula ESTÁGIO ESPECÍFICO : LÍNGUA PORTUGUESA1. Primeiro Encontro 1.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Ynah Turma: 3ª B Horário: 09:00 às 11:00 Número de Alunos: +- 25 alunos ( 13 meninos - 18 meninas) Faixa Etária: 15 a 20 anos Ambiente Físico: Sala pequena, 1 quadro branco, 27 cadeiras. Data: 23.03.20011.2. Comentários sobre a observação Dando sequência as observações no Colégio de Aplicação, o presente diário traz informaçõessobre o ensino de Língua Portuguesa em três turmas: 5ª, 1ª e 2ª B. Antes de apresentar os dadosobservados nestas três turmas, farei alguns comentários sobre a turma da 6ª A e também do 3ª B queobservei antes da orientação oficial da professora de Prática de Português 1 - Márcia Mendonça. A professora entra na sala de aula às nove horas em ponto. Apresenta para os alunos um livro delíngua portuguesa; esclarece as características, as formas e o conteúdo do livro; fala da importânciadeste livro para a disciplina e mostra que o livro acompanha um jornal com a história da língua. Após essa breve exposição do livro, a professora inicia a aula com uma proposta de redação, quetem por objetivo analisar a situação da linguagem, discutindo as principais questões envolvidas nesteassunto. A professora entrega aos alunos um texto sobre linguagem e para avaliar as condições deprodução da turma, ela entrega um plano, contendo algumas perguntas referentes ao texto. Trata-se deum amplo grupo de elementos que constituem a redação, envolvendo o tema, delimitação do tema,objetivo, banco de idéias, conclusão. Essas perguntas constituem o Plano das Idéias do TextoDissertativo. O acompanhamento do modo e da postura da professora e dos alunos diante da tarefa exigida foipossível registrar o seguinte: Enquanto os alunos faziam a redação, a professora lia uma revista; Um aluno pergunta se pode consultar. A professora responde: "acho que entrei na turma errada. Vou matar quem fez esta pergunta." Outro lado pergunta se pode mudar o tema que está no texto. A professora responde: " na hora da prova da COVEST, você pode fazer isso? Então a sua resposta é não"; Alguns alunos não mantém silêncio na hora de produzir o seu texto. A professora reclama e pede para eles ficarem calados; A professora lembra aos alunos o tempo que deve ser gasto para fazer a redação; Ocorre algumas interferências dos alunos com relação as regras exigidas pela COVEST no momento de fazer a redação. Eles têm dúvidas e não demonstram segurança no que estão fazendo.
  10. 10. Por conta disso, a professora fica indignada e pede para que cada um se dirija a ela para esclarecer as dúvidas. O que se pode perceber claramente nesta atividade é que o desempenho dos alunos tem como objetivo o vestibular. Toda a construção e a produção textual dos estudantes estão remetem a um único fim: a redação do vestibular.2. Segundo Encontro 2.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professor: Jonatan Turma: 6ª B Horário: 07:20 às 09:00 Número de Alunos: +- 35 alunos ( 15 meninos - 20 meninas) Faixa Etária: 11 a 13 anos Data: 30.03.20012.2. Comentários sobre a observação O professor chega 20 minutos atrasado. Diz bom dia. Pede para os alunos formarem grupos. Oprofessor apresenta vários livros e os colocam em cima do birô para que um dos componentes de cadagrupo escolha dois livros didáticos e façam uma leitura rápida e depois observem o título, autor, editora,edição, apresentação, folha de rosto e biografia do autor. Na concepção do professor essa investigaçãoajudará a eleger o livro. Durante essa exposição, um aluno chega atrasado e pede para entrar, o professor informa que elechegou atrasado e por isso não pode entrar e encaminha o menino para a Coordenação. Passa algunsminutos e outro aluno chega atrasado e o mesmo professor o deixa entrar. Passado estes episódios, o professor explica a atividade. Cada componente do grupo deverá ler olivro e falar em voz alta porque escolheu tal livro. A explicação dele não fica clara e alguns alunosentenderam que era para copiar o título, o tema etc. O professor explica de novo e pergunta seentenderam. Uma aluna responda: "agora sim". Ele diante desse impasse toma uma atitude muitaconstrangedora para todos que estavam presentes na sala. Dirige-se para os estagiários, perguntando setodos haviam entendido a sua explicação. Obviamente todos respondem que haviam entendido. Pouco a pouco, os alunos escolhem os livros que aparentemente são os mais finos paraanalisarem. As duas aulas resume-se apenas nesta atividade. No final da aula, cada grupo devolve olivro e entrega o trabalho escrito e o professor faz a chamada.3. Terceiro Encontro 3.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professor: Juarez Turma: 2ª B Horário: 09:00 às 11:00 Ambiente: Laboratório de Informática Data: 30.03.20013.2. Comentários sobre a observação
  11. 11. A aula é de Literatura e a atividade é realizada no Laboratório de Informática; trata deapresentações de equipes que abordam o tema do Classicismo(escola literária que representa o estiloclássico). A primeira equipe se apresenta com dificuldades, porque dependem do material usado nolaboratório, mas o mesmo não estão em boas condições de uso. Um dos componentes do grupo explicaa situação e comenta o objetivo do trabalho. Diante desses contratempos, o professor fica sentado aguardando a equipe se preparar paraapresentar o trabalho. A idéia da equipe era abordar o assunto através do computador e também doscomentários de cada componente do grupo. A intenção do uso do computador era para ilustrar o queestava sendo apresentado pela equipe. O seminário é bem dinâmico. Parte do grupo fala sobre humanismo e o resto mostra nocomputador o que os colegas estão apresentando. A equipe se apresenta com tranquilidade, confiança,segurança e demonstram ter facilidade para trabalhar dessa forma. No final da apresentação, o professor pede para que o grupo faça uma auto análise do que foiexposto. Um dos componentes da equipe responde que a intenção do grupo era juntar o visual (ocomputador), que é bastante moderno e chama atenção dos colegas, além disso eles poderiam levar paracasa o assunto trabalhado em sala. Mas, infelizmente a situação do laboratório não contribuiu muitopara este fim. O professor esclarece que não é fácil avaliar o aluno e pede para que todos façam a suaavaliação, depois ele dará a dele. Na sua opinião, ele justifica que não dá para diagnosticar quem sabe equem não sabe, porque cada um se comporta de maneira diferente. Durante a apresentação, algunsficam nervosos, outros desinibidos e assim por diante. Por isso, na hora de avaliar o professor deveutilizar critérios convenientes com o contexto que cada aluno está inserido.4. Quinto Encontro 4.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Ynah Turma: 1ª B Horário: 07:20 às 09:00 Data: 04.04.2001 4.2. Comentários sobre a observação A professora é bastante pontual. Entra na sala e cumprimenta a turma. Depois que todos seacomodam, ela escreve no quadro o roteiro e o seu planejamento de aula durante o semestre. Oplanejamento está centrado, basicamente, na busca pelo prazer da leitura. Os alunos deverão ler os livros Boca do Inferno, Calabar , Ladeira da Saudade, A Moreninha,Iracema, O Guarani, Lucíola, Senhora e Escrava Isaura. Além da literatura, os alunos devem tambémler revistas, jornais etc. Trata-se de um amplo grupo de leituras que alunos deverão cumprir para seremavaliados através de uma chamada oral. Cada texto lido em revistas ou jornais deverá ficar exposto nomural para que os outros colegas tenham acesso. No que diz respeito a leitura de reportagens emrevistas e jornais, a professora esclarece que eles podem ler qualquer coisa, menos a vida alheia dosartistas. A professora passa a lista de leitura para a turma e deixa claro que trabalhará pouco exercício emuita leitura. Alguns alunos reclamam e diz que é muita coisa. A professora diz que não é. A primeiraatividade refere-se a uma xerox que a professora entrega a cada aluno para prepará-los na hora de ler eanalisar os livros mencionados anteriormente.
  12. 12. Esta ficha de leitura contém bibliografia, resumo de enredo, personagem, tempo, espaço, foconarrativo, estilo, verosimilhança, movimento literário e conclusão. A proposta da professora pauta-se naperspectiva dos alunos fazerem uma ponte entre os dois livros, tendo em vista também as peculiaridadesde cada um. Essa finalidade, ela deixa bem claro para o grupo. O próximo assunto refere-se a linguagem. A professora pergunta o que foi visto sobre esse temaem sala. Ninguém responde. Ela insiste e diz que foi visto dois textos que falavam sobre isso e pedepara que leiam de novo o mesmo texto. A partir daí, o assunto começa a ser discutido. O texto falasobre a linguagem, a comunicação, a interação e a alienação. A professora remete o poder da linguagemna mídia atual: as novelas, a música. Todos se animam com o tema e cada um quer dar a sua opinião sobre o assunto. Mas aprofessora entrega uma proposta de redação para que todos se posicionem com argumentos e objetivos.A proposta de redação traz dois temas para que eles escolham apenas um. Enquanto os alunos fazem aredação, a professora faz a chamada. Antes de terminar a aula, a professora escreve no quadro as próximas atividades que serãoabordadas na sala. Em cada atividade, ela coloca a data e o que vai ser trabalhado. Por exemplo: leiturados capítulos de literatura; avaliação escrita e individual do livro; gramática reflexiva(compreensão detextos, conteúdos gramaticais, literatura).5. Quinto Encontro 5.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Euna Turma: 5ª B Horário: 07:20 às 09:00 Data: 06.04.2001 5.2. Comentários sobre a observação A professora entra na sala e fica sabendo que tem um aluno que está aniversariando. Ela pedepara todos cantarem parabéns para ele. Ela é bastante educada, deseja felicidades, paz, saúde para ele epergunta a sua idade. Passado esse momento, a professora começa a aula e marca a data da leitura do livro: "OMistério das Cinco Estrelas". Ela esclarece que os grupos terão que apresentar uma maquete com olivro. A atividade resume-se assim: sorteará um aluno para ele falar sobre o livro e o resto ficaráobservando. Haverá um sorteio de 10 alunos para apresentarem a maquete. Depois dos comentários da apresentação, a professora faz o sorteio dos 10 alunos queaparentemente não gostaram de ser sorteados. Mas aceitam. Neste momento, a professora temdificuldades para conter os alunos. Eles fazem perguntas ao mesmo tempo, alguns dizem que nãoquerem apresentar o trabalho na frente dos colegas. A professora pede silêncio e explica que eles devemler e falar na frente de todos e se não souber o assunto, toda a turma será prejudicada. A bagunça continua e a professora procura cada aluno sorteado para saber se eles realmentequerem participar. Apenas um disse que não estava interessado. O grupo fica fechado com nove alunos. A próxima atividade tem como suporte os classificados de jornal. A tarefa é que todos observemos verbos mais comuns que aparecem nos classificados e também mostrem as características própriasdeste meio de comunicação e formulem frases, seguindo o modelo dos classificados. A professoraesclarece que o assunto sobre verbos(vende-se, compra-se) já foi visto na aula anterior e por isso não
  13. 13. terão dificuldades em fazer o exercício. Enquanto os alunos fazem a atividade, a professora faz achamada. Depois que cada aluno fez o seu texto, a professora pede para alguns deles lerem o queescreveram. Mas os alunos começam a bagunçar de novo e a professora explica que foi discutido noConselho de Classe o barulho que esta turma faz e todos estão preocupados com os critérios deavaliação como ler, escrever e ouvir. Ao terminar de transmitir o recado, a professora segue a atividadee os alunos começam a ler o texto que fizeram. De acordo com a leitura dos textos elaborados pelosalunos, eles escreveram anúncios do tipo: "vende-se casa, vende-se uma cadela e procura-se empregada,aluga-se, troca-se". Durante a leitura dos anúncios, um aluno chega atrasado e a professora o recebe comafetividade. Pede para ele sentar e explica o atividade que os colegas estão fazendo. O aluno usava umcolete para coluna. Ele não estava com problemas na coluna. Entre os textos elaborados havia um quefalava sobre Porto de Galinhas. A professora pergunta se eles sabem porque é Porto de Galinhas.Alguns alunos respondem que é por causa dos escravos e a professora acrescenta algo mais sobre oassunto. O próximo exercício está no livro. É sobre classificado poético e classificado de jornal. Aprofessora pergunta a diferença, mas ninguém sabe responder. Ela explica a diferença e depois lê otexto que está no livro e pede para todos fazerem a compreensão de texto em grupo. A aula termina e aresolução desta tarefa fica para a próxima aula.6. Sexto Encontro 6.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professor: Juarez Turma: 2ª B Horário: 09:00 às 11:00 Data: 06.04.2001 6.2. Comentários sobre a observação Esta aula é continuação da apresentação dos seminários de Literatura. O assunto éTrovadorismo. Antes de iniciar a apresentação, o professor pede para cada componente se apresentar.Os seminários ocorrem no Laboratório de Informática. O primeiro grupo aborda o tema com clareza esegurança, utiliza algumas xerox para eles consultarem. O segundo grupo fala sobre as cantigas deamor, amigo, escárnio e maldizer. Uma das componentes do grupo expõe uma transparência paraexplicar o assunto e declara que está muito nervosa. O professor a tranqüiliza, dizendo para ficar àvontade porque todos estão torcendo por ela. O grupo é bastante criativo, utiliza música para mostrar as cantigas. No final da apresentação, oprofessor pede para que o grupo dê uma conclusão do trabalho. Eles desabafam e comentam quetiveram dificuldades para encontrar o material. Antes de encerrar os seminários, o professor faz algumascomentários sobre a atividade e diz que gostou muito. Ao voltarem para a sala, o professor aplica uma prova em dupla para a turma. A prova é paraanalisar o livro "O Mulato". O professor explica cada questão do teste. O conteúdo dessa análiseresume-se em: Caracterizar a sociedade da época, os personagens Quais os obstáculos que os personagens sofreram
  14. 14.  Narrar os episódios Explicar a atitude e o destino das 3 mulheres da narrativa Quais as mazelas sociais que o autor denuncia em seu texto Porque tal personagem assassinou o outro Faça um comentário sobre o que representou estes três fatos: a morte de tal personagem, o aborto e o casamento. Esta foi a última atividade. Antes de terminar a aula, os alunos entregam a prova ao professor e elediz que trará na próxima aula.7. Sétimo Encontro 7.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Ynah Turma: 1ª B Horário: 11:10 às 12:40 Data: 06.04.2001 7.2. Comentários sobre a observação A professora põe no quadro o roteiro visto na aula anterior sobre as atividades do semestre:chamada oral de Literatura, gramática reflexiva, avaliação escrita do livro "Boca do Inferno", outraavaliação escrita e individual com os assuntos de compreensão, textos, gramática e literatura. Alémdisso, ela agendou para as quartas-feiras chamada oral das leituras de jornal, revista etc. A professora brinca com os alunos para que eles tragam ovo de páscoa para ela, já que a provaserá depois da comemoração. Logo após, ela diz que é melhor parar com isso se não o conselho declasse vai informar que a professora faz chantagem com os alunos. Para iniciar a aula, a professora mostra um mapa com as correntes filosóficas que esta turmaverá durante o ano. São elas: Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, e Romantismo. No intuito de exploraros conhecimentos dos alunos, a professora pergunta o que é Literatura. A turma não sabe responder efica em silêncio. Como ninguém responde, ela expõe no quadro alguns dados sobre literatura erealidade. Com base nisso, ela pergunta novamente o quer expressa a literatura e a turma começa a semanifestar. Logo a seguir, a professora pede para os alunos lerem uma poesia do livro. Leitura oral. Empoucos minutos, ela pergunta se terminaram e diz que se eles continuarem lendo neste ritmo, devagar,não chegar na frente. Enquanto os alunos estão lendo, a professora não para de falar e atrapalha a leituraoral dos alunos. Quando terminam de ler, ela quer saber primeiro toda a referência da poesia, como porexemplo publicação etc. Depois ela pede para alguém ler a poesia em voz alta. Ninguém se pronuncia.Então ela escolhe um número da chamada e justifica, já que não tem voluntário é por livre e espontâneapressão. Quando o aluno escolhido termina de ler, ela quer saber o que o autor quis dizer e que épocaele está retratando. O aluno se posiciona e a professora explica que a marca importante da poesia é aantítese. Para que os alunos compreendam o significado desta palavra, a professora divide a palavra eexplica cada parte. Por exemplo: antí n tese Contra teoria/idéias É possível perceber que a cada assunto abordado, a professora busca primeiro o conhecimentodo aluno para depois explicar ou acrescentar alguma coisa quando necessário. O próximo texto lido fala
  15. 15. sobre manifestação artística. De repente, a turma começa a falar sobre o preconceito aos baianos,dizendo que eles não prestam e só gostam de axé. Diante disso, a professora se pronuncia e repete umvelho ditado da época da sua mãe:" a língua fala e a outra parte paga." Ela diz que não pode falar tudoporque é pornográfico. A próxima leitura também está no livro. Eles devem ler as 2 páginas e depoiscomentar sobre o que leram. Neste momento, a professora se dirige a um aluno e pede para ele explicaro 2º cap. O aluno explica e ela pergunta se alguém tem algo a declara, a acrescentar, se tem dúvidas.Outro aluno responde que "a arte é a mentira que revela a verdade". A professora pergunta a todos o quequer dizer isso e eles respondem que é muito abstrato. O outro texto do livro fala sobre os vários Quixotes, a professora pergunta o significado disso.Neste instante, um aluno que senta atrás fala um palavrão bem baixinho, mas a professora escuta e dizque não gosta; eles podem falar lá fora, mas aqui dentro ela prefere a linguagem formal. No final daaula, a professora coloca um CD com a poesia do livro(poeta português) e depois explica o conteúdo doCD8. Oitavo Encontro 8.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Ynah Turma: 1ª B Horário: 07:20 às 09:0 0 Data: 18.04.2001 8.2. Comentários sobre a observação A professora é bastante pontual. Entra na sala brincando com os alunos, informando que seráprova e a turma fica apreensiva e diz que ela não avisou. Ela insiste com a brincadeira e diz que erasegredo, por isso não comunicou. A aula inicia-se com comentários da professora sobre o resultado das redações que os alunosfizeram na aula anterior. A medida que ela chama o aluno para entregar a prova, ela conversa com ele eapresenta os seus erros, dificuldades ou deficiências. Ela diz que "vai puxar a orelha de cada um eapertar a orelha". Logo em seguida, comunica que vai modificar o estilo da avaliação do livro "Boca deInferno". Ela prefere que seja uma avaliação oral e justifica que prefere este meio porque possibilitauma visão geral e específica do livro, já que o mesmo trata de assuntos históricos e de grande valor paraa história. O próximo passo da professora é investigar a leitura dos alunos. Ela pergunta o que eles leram ecada um responde que leram reportagens nas revistas e jornais. Ao mesmo tempo, ela quer saber quetipo de assunto eles gostam de ler. Um aluno responde que sente atração por reportagens que falamsobre guerras(EUA e Palestina). Ao terminar de falar, a professora pergunta se ele gosta da partepolítica ou da guerra. O aluno responde que um pouco dos dois. As leituras e os assuntos são bem variados e abordam temas atuais e às vezes trazem reflexõessobre o antigo e o novo, como por exemplo: uma aluna fala sobre festividades, uma reportagem darevista veja, de imediato a professora fala que as pessoas esqueceram um pouco do sentido das festas.Os hábitos hoje são diferentes. O consumismo apagou o significado real de algumas coisas. Ela falamuito rápido sobre isso, mas depois retorna a leitura e exige que todos digam a referência completa doartigo que leu: fonte, data, autor, ano etc. Essa exigência é importante porque os alunos não se dão contadisso e ao iniciar a leitura não mencionam esses dados. Para eles o importante é apenas o conteúdo. A medida que os alunos falam, a professora registra no caderno. Depois que terminam de ler, elapergunta o que acharam do assunto. Os temas são os mais variados possíveis. Através da leitura, elestêm aula de política, economia, literatura, valores sociais e português. Há um dado interessante, ela faz
  16. 16. questão que leiam em desses jornais de circulação matérias que falem sobre dicas de português. Outrofato interessante é que ela pede para que leiam e deixem exposto o texto lido no mural para que oscolegas tenham acesso depois. Toda semana há um texto diferente no mural. Sobre a leitura de dicas de português, apenas um aluno leu e comenta sobre o conteúdo dareportagem. O assunto é sobre análise de um comentarista feita na seguinte oração: "Toda Terça, noobservatório da Impressa, Alberto Dimes comenta os fatos da mídia." O problema é que a autora dizque a expressão "toda terça" é igual "qualquer". A maioria não concorda e começam a discutir sobre oassunto. A professora escreve no quadro a oração e começam a debater. Ela aproveita esta oração parafalar sobre análise sintática. Pergunta porque as vírgulas aparecem depois de "toda terça". Ela diz quequer a resposta de acordo com as regras da gramática. Uma aluna responde que tem haver com a ordemindireta da oração. A professora diz "exatamente" e fala sobre o papel do adjunto adnominal. A mesmareportagem fala sobre o hífen . Dando continuidade as outras leituras que falam sobre eutanásia, sobre o acidente com o cantorHerbert Viana e a partir disso a professora pede para fazerem um paralelo entre a eutanásia e o estadodo cantor Herbert Viana. Sobre esse assunto as opiniões são bem variadas. Após as leituras, a próximaatividade está na Gramática Reflexiva de Willian Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães. Aprofessora faz a apresentação da gramática e mostra o assunto que está no primeiro capítulo e fala sobrea língua formal(Língua padrão de Portugal diferente do Brasil). A professora procura sempreexemplificar as diferenças da línguas com o vocabulário bem atual dos jovens. O próximo capítulo tratada língua, linguagem e interação social. Neste capítulo há presença de figurinhas e a professora explicao significado do desenho; fala da história da língua, a compreensão, o sentido e o domínio e tambémpede a opinião da turma. Antes terminar a aula, a professora conta algumas piadas, considerando oassunto visto em sala.9. Nono Encontro 9.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Euna Turma: 5ª B Horário: 07:20 às 09:0 0 Data: 20.04.2001 9.2. Comentários sobre a observação A professora chega 15 minutos atrasada. Ao chegar, refere-se logo a apresentação da maquete,mas os alunos responsáveis não estavam preparados para apresentar. Ela pede para conversar com ogrupo no final da aula para eles colocarem as suas dificuldades para fazer o trabalho. Logo em seguida,a professora entregue os trabalhos anteriores que os alunos fizeram e explica o motivo da entrega, éporque os pais exigiram que ela entregasse. O trabalho é sobre produção de texto e a ela elogia toda aturma pelos bons resultados, inclusive os pais gostaram muito. Para a primeira atividade, os alunos utilizam a gramática de Magda Soares - Português atravésde Textos. O assunto é sobre verbos no imperativo e o exercício pede para que eles formulem frasesneste tempo verbal. Quando terminarem, irão ler as frases para os colegas. A professora selecionaalguns alunos para lerem e depois pergunta se mais alguém fez uma frase interessante no imperativo.Uma das frases selecionadas fala sobre o seguinte: "porque você não vai trabalhar?". Em virtude doconteúdo desta frase, a professora pergunta ao aluno o que o mendigo responderia. O aluno responde
  17. 17. que tem muitos mendigos que não querem trabalhar. Outra aluno fala que é porque não tem empregopara eles. Continuando a leitura das frases, o livro pede para formular frases também interrogativas eexclamativas. Na hora de falar as frases exclamativas, os alunos ficam eufóricos e todos querem ler aomesmo tempo. De repente, a aula é desviada para o novo milênio e a profecia de que o mundo ia seacabar. A professora conta um fato do seu aluno que escreveu um texto sobre esse assunto, desejandopaz, amor nesse novo milênio, e na entrada do ano ele morreu. Ela fica emocionada e diz que guardoueste texto até hoje. Pouco tempo depois, ela retorna a gramática. O próximo exercício é sobre ortografia.Os alunos vão ao quadro para escreveram o maior número possível de palavras com letras diferentesque têm o mesmo som. Por exemplo: palça, palsa, pauça, cepala, sepala etc. Para ler um texto sobre ortografia que está no livro, a professora pergunta quem quer ler. Amaioria se candidata. Depois da leitura, ela quer saber o que facilita a boa escrita, o que é importantepara ler e escrever bem? Todos respondem que é a leitura que facilita estes caminhos. Outro momento,ela pede para que eles comentem sobre episódios que seus pais vivenciaram na época escolar deles.Alguns contam os seus depoimentos e outros, ao mesmo tempo, interrompem com conversas paralelas.A professora chama atenção e diz que o objetivo não está sendo alcançado. Ela pergunta qual o objetivonaquele instante: eles respondem que é ouvir e param de falar. A professora fala da importância dessaatividade que servirá de apoio para a entrevista - próximo tarefa para ser feita em casa. A próximapergunta é: quais as diferenças existentes entre a época dos pais dos alunos e a fase em que eles estãovivendo hoje. Mais um motivo para todos quererem falar ao mesmo tempo. Essa atividade e deixa osalunos bastante motivados para participar da aula. Essa investigação é uma espécie de introdução para o texto que está no livro e fala sobre omundo antigo. O título é: "Lembrando do Mundo Antigo" de Carlos Drummond de Andrade. Aprofessora lê o texto e fala um pouco sobre o autor. Logo após comenta sobre a tarefa de casa. Osalunos devem ler a página do livro que fala sobre linguagem oral e fazer uma entrevista com umapessoa idosa para ela descreve como era o mundo antigo na visão dela. A professora escreve no quadroo que deve ser feito. Trazer um objeto antigo (moeda, foto) e entrevistar os avôs ou uma pessoa bemvelhinha na rua deles. No momento em que a professora pergunta quem tem avô ou avó, todos gritamao mesmo tempo e a professora tem dificuldade para mantê-los quietos. Voltando a leitura do texto de Drummond, a professora pede para uma aluna ler e pergunta aocolega ao aluno qual a opinião dele sobre o texto. O que ele achou. Depois se dirige ao resto da turmapara saber se o mundo de Drummond é o melhor. Os alunos respondem que não havia violência, porisso era melhor. Para evidenciar mais este aspecto, a professora fala da estatística atual em Recife, que éa 3ª mais violenta do Brasil. Os alunos se mostram interessados no assunto. Para finalizar a aula, elapede para que eles contemplem na entrevista o Rio Capibaribe antigamente e reúne o grupo da maquetepara falar sobre a apresentação.10. Décimo Encontro 10.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professor: Juarez Turma: 2ª B Horário: 09:00 às 11:0 0 Data: 20.04.2001 10.2. Comentários sobre a observação
  18. 18. O professor entra na sala e encontra os alunos agitados, falando alto e continuam no mesmoritmo mesmo com a presença do professor. Depois de alguns minutos eles se acalmam e escutam o queprofessor tem a dizer sobre a primeira atividade, que é para formar duplas e fazer um exercício sobre asescolas literárias(do Barroco ao Modernismo). As perguntas do exercício resume-se em: Diferenças entre as escolas Explicar, destacar e citar as principais personagens do livro tal Características de tal escola Em que o autor tal não foi superado Qualificar os estilos dos autores em destaque Quais os problemas sociais que o autor expõe no livro Quando e como se inicia as escolas literárias em destaque Quais os principais temas das obras do autor tal Antes de fazerem o exercício, o professor entrega as provas feitas na aula anterior em dupla. Depoisele lê cada questão e discute a resposta com a turma. Antes de iniciar a leitura, ele informa que secorrigiu uma questão errada, ele pode mudar o conceito desde que o aluno tenha um bom argumento.Isso ocorre, porque alguns alunos têm dúvida numa questão que menciona as palavras voluntário,involuntário, atitude mecânica e reflexiva e os alunos não entenderam. O professor tenta explicar maisnão consegue ser objetivo. Na prova há interpretação de texto e a cada questão lida, ele pergunta sealguém tem dúvidas. Numa outra questão explorada na prova deixa os alunos insatisfeitos e indecisos. A pergunta é sea visão do autor do texto é reflexiva ou pessimista. Os alunos dizem que há a presença dos dois termos.Mas, o professor insiste em defender que é primeiramente reflexiva. Aparentemente, a sua justificativafoi pouco convincente e com pouco fundamento, porque a maioria não aceitava a sua explicação. Um dado interessante dessa prova refere-se a uma questão em que o professor expôs umaredação de um aluno, possivelmente colega deles, para que cada um corrigisse e depois desse uma nota.No final da aula, o professor lembra que será a leitura do livro "Ateneu". A leitura será através desorteio.11. Décimo Primeiro Encontro 11.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Ynah Turma: 1ª B Horário: 11:00 às 12:40 Data: 20.04.2001 11.2. Comentários sobre a observação A professora chega atrasada 5min e encontra na sala apenas quatro alunos. Ela reclama porque aturma não estava completa e o motivo dessa evasão foi o passeio que o seu colega de trabalho, oprofessor de história, fez com a turma para irem a Católica visitar o museu. Ela não se conforma com aatitude do professor e também da turma, porque foram sem comunicar e neste dia seria a prova oral daleitura do livro "Boca de Inferno". No intuito de não atrasar o programa, ela resolve fazer a prova com os que estão presentes ereúne os quatro em círculo para comentarem sobre o livro. Antes, entrega um papel com algumasperguntas e pede para que cada um escolha o tema que quer falar. Enquanto os alunos estão escolhendo,
  19. 19. os outros colegas vão chegando aos poucos. Em tom um pouco autoritário, ela avisa para eles irembeber água, fazer xixi porque depois será chamada oral. Eles chegaram 20min atrasados. A proposta dessa avaliação pauta-se em algumas perguntas a respeito do conteúdo do livro. Mas,a professora não se prende apenas as perguntas do papel, mas ela improvisa de acordo com o andamentoda interação. Uma das perguntas que ela faz a todo o grupo é o que eles gostaram mais no livro. Aatividade torna-se bem descontraída e proveitosa. Primeiro o aluno se posiciona depois a professora fazos seus comentários sobre o livro e o que seria uma avaliação pesada transforma-se numa dinâmicainterativa. O contexto do livro remete a fatos passados e a professora procura relacionar sempre com opresente. Esse método utilizado por ela cabe a todos os grupos. No total foram formados 5 gruposavaliados com o mesmo critério de formar um círculo, escolher uma das perguntas do texto elaboradaspela professora e por último descrever a leitura que fizeram do livro "Boca de Inferno".12. Décimo Segundo Encontro 12.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Ynah Turma: 1ª B Horário: 07:20 às 09:00 Data: 25.04.2001 12.2. Comentários sobre a observação A professora é pontual. Chega na hora exata. Há poucos alunos na sala. Ela brinca com o grupopresente, dizendo que trouxeram muito material para a aula. De imediato, faz comentários sobre acharge do Diário do Dia e pede para que eles observam. Ela faz questão de falar sobre o jornal e falatambém do programa "Casseta e Planeta", mas isso acontece bem rápido. A primeira atividade é saber o que os alunos leram em casa. Ela chama cada um para fala sobreo que leu. Um dos alunos chamados mostra uma das revistas do mercado e fala sobre a reportagem"fora do rebanho". O conteúdo da reportagem trata do preconceito. Mais uma vez os temas são os maisvariados possíveis. No caso da reportagem da AIDS, dois alunos leram sobre o mesmo assunto, porémem fontes diferentes. Quando um termina de ler, ela pergunta se o outro quer acrescentar alguma coisaou destacar o que gostou mais, já que duas pessoas leram o mesmo assunto. Nesta aula, um aluno leu uma reportagem sobre a região de Pernambuco em uma revistadesconhecida por quase todos que estavam presentes. A primeira revista é Continente e a Segunda éCaros Amigos. A professora diz que não conhecia a primeira. Sobre a Segunda ela tem conhecimento efala sobre a qualidade, o preço, produto e a divulgação. Sem dúvida, esse tipo de leitura sempre trazdiscussões sobre política, economia, sociedade, consumo etc. A próxima leitura veio de uma reportagem lida na Internet - Diário de Pernambuco -. O assuntoé "redação". A reportagem informa que os alunos não devem ter medo porque isso faz parte do nossocotidiano. Escrevemos bilhetinhos para os colegas e isso é redação. Antes da aluna termina areportagem, a professora diz que essa idéia é perigosa, porque entra em jogo as diferenças entre a fala ea escrita e se aprofunda brevemente neste assunto. Outra leitura que feita na sala refere-se a reportagem
  20. 20. sobre Gugu Liberato na revista Veja. Através dessa reportagem, ela denuncia o poder da escrita e dalinguagem. Na sua concepção o texto é muito maldoso. Ela tenta explicar pontos da gramática, comoadjetivo e substantivo, neste texto. Quando os alunos têm dúvidas sobre o significado das palavras, eles perguntam sem cerimônia ea professora responde com muita boa vontade. Com certeza uma das reportagens muito interessante lidana sala foi sobre o cacófato. A reportagem é de Rita Lee que menciona as expressões e o tipo delinguagem atual usada principalmente pelos jovens: "tipo assim, com certeza, tá, fui, enfim, veja bem,vem cá, legal, maior barato, valeu etc. Outro dado muito interessante observado nesta turma é que a professora não gosta quando osalunos usam o vocabulário pobre na sua opinião, como por exemplo: "é um negócio, é uma coisa". Paraela, os alunos devem evitar este tipo de vocabulário. Além disso, há outro momento que a professorachama atenção. Quando os alunos começam a falar da reportagem que leu, alguns não param de repetirmarcadores do tipo "aí". Ela não perdoa e corrige. Esses detalhes não passam despercebidos pelaprofessora. No final das leituras, alguns reportagens são colocadas no mural. Passando para a próxima atividade, a professora entrega um texto com o título "Que mulher éessa?". Os alunos devem ler com atenção para fazer um trabalho. Este texto fala da discriminação damulher e ocorre uma espécie de comparação entre o sexo masculino e feminino, porém levantamaspectos a partir da definição que o Aurélio traz da mulher e do homem. São concepções totalmentediferente. Após a leitura, os alunos devem responder um plano de aula entregue pela professora que seapresenta da seguinte forma: Plano da Idéias Tema delimitação do tema objetivo banco de idéias conclusão A professora escreve no quadro este esquema e responda estas questões com os alunos. Elatambém analisa as ilustrações do texto e transmite o recado de que isso é importante e também faz partedo texto. Trabalha a parte das conjunções, marcadores no texto e comenta que isso é fundamental paradar argumentar. Sobre o plano da forma, ela fala das definições, leitor, proposta, e conclusão. Tudo issoé trabalhado em conjunto. Antes de terminar a aula, ela informa que a próxima aula será sobrecompreensão de texto.13. Décimo Terceiro Encontro 13.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Euna Turma: 5ª B Horário: 07:20 às 09:00 Data: 27.04.2001 13.2. Comentários sobre a observação A professora atrasa 10min. Entra na sala e diz que a primeira pergunta é uma cobrança. Cadê amaquete? Ela demonstra preocupação com esse trabalho porque a maioria ainda não fez. Na suaopinião, ela não ajudará porque afetará o futuro dos alunos. Iniciando a aula, ele pede a leitura da entrevista feita com pessoas mais velhas para mostrar asdiferenças do antigo e o novo. Cada um deverá ler na frente para todos ouvirem. A primeira entrevista
  21. 21. fala sobre o pau de arara. A professora pergunta se alguém sabe o significado, mas ninguém responde,então ela explica, que é um caminhão de transporte de pessoas. As outras entrevistas contemplam:brincadeiras antigas como amarelinha, boneca de pano etc. Todos se encantam com as leituras e aprofessora sempre tem algo a destacar e acrescenta neste período vividos pela maioria que escreveu. Emtodas as entrevistas, a violência em excesso foi o ponto em comum. Todas falaram desse malcontemporâneo. No papel de educadora, a professora demonstra afeto e preocupação com os alunos efazem questão de enfatizar os problemas sociais de forma bem leve. Além desse assunto, as entrevistastambém descrevem as vestimentas femininas, a fome, as drogas, ladrão de galinha, reunião familiar, arigidez e os castigos das escolas antigamente, falta de amor ao próximo, a liberdade, a saúde e o méritoda tecnologia hoje que muito avançada diferentemente do passado. Neste ponto, a professora fala docaso específico da tuberculose que matava as pessoas muito cedo e hoje com o avanço da medicina otratamento tornou-se possível. Durante as leituras, ocorre um episódio diferente, uma aluna não quer ler a sua entrevista , mastodos insistem inclusive a professora. Com tanta pressão, a menina começa a chorar; duas colegas sualêem a sua entrevista e pedem para ela parar de chorar. Ao terminar as leituras, a professora faz achamada e anota quem leu a entrevista e marca para a próxima aula, aqueles que não leram. A próxima atividade refere-se a leitura do texto "Era uma vez..." que está no livro dos alunos. Aprofessora pede para um aluno ler a introdução que fala sobre os contos de fada. Ela quer saber adiferença entre o antes e o hoje. A resposta é que encontramos várias versões. Cada aluno lê um poucodo conto "O Chapeuzinho Vermelho". Ela acompanha a leitura ao lado do aluno que está lendo. Nofinal, ela pede para as meninas fazerem a voz de Chapeuzinho e os meninos a voz do Lobo Mal. Depois analisam as diferenças entre o conto antigo e este atual. Cada um decifra as diferençasque são muitas. Um aluno pede para ler a moral da estória e quando termina, a professora pergunta oque ele entendeu. Para o aluno, a lição deste conto é que não se deve ir pela cabeça dos outros. Dessaresposta, a professora prossegue no interrogatório sobre quais os lobos de hoje. Ela mesma respondeque é as drogas. Ela pergunta porque Chapeuzinho se deu mal, os alunos respondem porque eladesobedeceu. A ânsia pela leitura é tanta que uma aluna pede para ler o vocabulário. Antes de acabar a aula, a professora entrega as provas dos alunos e explica no quadro o seucritério de avaliação: NA - não atingiu o objetivo; AP - atingiu parcialmente; A - atingiu. Cada alunoobserva o resultado da prova e depois entrega de volta a professora porque ela não corrigiu todas.14. Décimo Quarto Encontro 14.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Juarez Turma: 2ª B Horário: 09:00 às 11:00 Data: 27.04.2001 14.2. Comentários sobre a observação O professor chega na hora exata e faz alguns comentários sobre os trabalhos feitos na aulapassada e depois pergunta se alguém já ouviu um discurso político. Os alunos respondem que paraenrolar o povo. O assunto da aula será sobre dissertação. O professor escreve no quadro a seguintefrase: devemos votar aos 16 anos? As opiniões são bastante variadas. Alguns concordam, outros não.Alguns alunos declara o seguinte:
  22. 22.  A questão não é se pode ou não, mas o importante é criar desde pequeno uma consciência política, ou uma educação política. A educação brasileira não é direcionada para a política. O brasileiro só tem consciência política no carnaval, no São João e nos enfeites de Natal. Nas outras épocas nem se lembram que a política existe. O assunto chama atenção dos alunos e todos se envolvem com o debate. O professor organiza a vezde cada um para falar e depois escuta atentamente. Antes de terminar a aula, o professor encerra adiscussão e dá sua opinião a respeito do assunto. Ela explica que a redação é isso que cada um fez, ouseja, expôs sua idéias, opiniões e mostra uma consciência sobre tal assunto. Sem esquecer de colocar osseus argumentos para convencer as pessoas no que você acredita. O professor faz referência aospolíticos que falam, prometem, argumentam e as vezes ganham, porque convenceu. Para o professor,esse debate feito em sala pode ser considerada uma dissertação. A aula termina, o professor sai da sal eos alunos continuam falando sobre o assunto.15. Décimo Quinto Encontro 15.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Ynah Turma: 1ª B Horário: 07:20 às 09:00 Data: 27.04.2001 15.2. Comentários sobre a observação Infelizmente não foi possível observar esta aula neste dia, porque a professora Ynah nãocompareceu a aula.16. Décimo Sexto Encontro 16.1. Informações sobre a Sala de Aula: Disciplina: LÍNGUA PORTUGUESA Professora: Ynah Turma: 1ª B Horário: 07:20 às 09:00 Data: 02.05.2001 15.2. Comentários sobre a observação A professora não chega atrasada, entra na sala e imediatamente pede para um grupinho seseparar porque vai atrapalhar a aula. Depois pergunta se trouxeram algum texto para leitura. De início,ela chama aqueles que estão em débito com esta atividade. O esquema é o mesmo das aulas anteriores.Assuntos diversos são abordados. Ela corrige o vocabulário dos alunos. Escreve no quadro detalhesrelevantes da leitura que trará benefícios para os alunos. Discute cada leitura e pergunta o que elesacham do que leram e qual a utilidade dessas leituras e informações. As leituras dessa aula foram as seguintes: O jogo RPG nas salas de aula. Este jogo está sendo adotado em todas as matérias Desemprego. Uma jovem de 24 anos mostra sua opinião sobre esse assunto e a professora escreve no quadro os argumentos que essa jovem usa para defender a sua concepção sobre o assunto O homossexualismo no Rio Grande do Sul
  23. 23. A próxima tarefa da professora é apresentar para os alunos os elementos textuais. Para isso, ela usaas transparências. Ela mostra os seguintes elementos: apresentação, esquema de construção do texto,conteúdo, Toda esta explanação é para explicar a redação do vestibular. Ela explica as questõesdiscursivas, fala das notas. Na transparência também há os elementos lingüísticos, correção lingüística:vocabulário, pontuação, padrões morfossintáticos e convenções ortográficas. Durante a explicação, a professora conta piadas sem fugir do tema. Continuando a aula através datransparência, há a ênfase sobre o título, legibilidade, introdução, desenvolvimento, conclusão, além decoerência, argumentatividade e organização. A professora mostra uma reportagem do repórter ZecaCamargo no episódio "No Limite" em que um dos participantes escreveram o nome Sávio com "l",ficando assim "Sávil". De acordo com a professora, provavelmente esta pessoa conhece o processoortográfico, mas não conhece a norma culta. No final da aula, ela entrega as redações que eles fizeramna aula anterior e também pede para que leiam um dos capítulos do livro.No primeiro nível se enfatiza a mera assimilação do texto (reprodução do lido); no segundo, o espaçoaberto ao leitor para sua interpretação (intertextualidade) e no terceiro busca-se incentivar a elaboraçãoe produção de algo novo, a partir do que o texto transmite. Verificou-se que os textos dos livros de têmuma estruturação que prestigia e fortalece o primeiro nível de leitura, exigindo somente a assimilação ereprodução do texto. Os livros de trabalham com o primeiro e o terceiro nível, cobrando a reproduçãodos textos contidos no livro e a reprodução de novos textos com base no que o livro procurou transmitir;e , finalmente, os de exigem a atuação da criança quase que exclusivamente no terceiro nível, exigindo aaplicação do conhecimento transmitido pelo livro e produção de conhecimento novo. À luz dosresultados pouco favoráveis para os livros de , a autora critica a baixa contribuição dadas por esseslivros ao processo de formação do leitor, já que não fortalecem o processo de exploração do texto.(diário)Realizar uma reflexão profunda sobre as raízes, o funcionamento e o efeito do livro didático, pararedirecionar uma política que durante os últimos 50 anos não foi capaz de superar dois grandesproblemas da sociedade brasileira: o analfabetismo e - entre os alfabetizados - a falta do hábito deleitura.

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