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Eduardo chaves aft - 20101126

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Slides da palestra que ministrei no Encontro Nacional dos Dinamizadores do Projeto Aula Fundação Telefónica em Monte Alegre do Sul, 26 de Novembro de 2010

Published in: Education, Technology
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Eduardo chaves aft - 20101126

  1. 1. Educação e Mudanças: De Reforma a Transformação Através da Inovação Eduardo Chaves Professor Titular, UNISAL (2007-presente) Membro, Conselho Consultivo, EducaRede (2004-presente) Professor Titular, UNICAMP (1974-2006/aposentado)
  2. 2. Stephanie Pace Marshall “The Vision, Meaning, and Language of Educational Transformation” (1995) http://www.stephaniepacemarshall.com/articles/SPM-Article8.pdf “Não há como reformar uma estrutura que está com a raiz rachada. Lagartas não se tornarão borboletas se lhes acrescentarmos asas. Ficarão, neste caso, apenas lagartas muito esquisitas e disfuncionais. Para que uma borboleta surja há necessidade, não de reforma da lagarta, mas de um processo que envolve sua transformação radical. Não sobra quase nada da lagarta.”
  3. 3. Educação e Mudanças • Consenso: a EDUCAÇÃO é a chave-mestra para o desenvolvimento (individual e social) • Busca-se (no mundo inteiro): uma educação de boa/melhor qualidade para todos • Reconhece-se (em especial no Brasil): a educação oferecida à maioria da população deixa muito a desejar • Logo, não haverá (no Brasil) uma educação de qualidade para todo sem MUDANÇAS
  4. 4. Pequena, parcial, gradual, superficial, incremental Grande, total, súbita, profunda, sistêmica Dentro do paradigma vigente: próxima da prática atual Subvertendo o paradigma: distante da prática atual REFORMA TRANSFORMAÇÃO Educação e Mudanças Adaptado de David Hargreaves, Education Epidemic – – + +
  5. 5. Três Atitudes • Atitude Conservadora: não mudar a educação (negar que a educação esteja tão mal, recusar inovações) • Atitude Reformadora: mudança NA educação (aceitar / propor mudanças e inovação, mas desde que seja dentro do paradigma) • Atitude Transformadora: mudança DA educação (buscar mudança do paradigma pela inovação)
  6. 6. A Tendência Brasileira • O discurso: • Proposta de mudanças • Elogio à inovação • Proposta de mudança de paradigma • MAS, na realidade e na prática: • Mudança apenas dentro do paradigma • Nenhuma inovação em relação ao paradigma
  7. 7. Ou vejamos ... - 1 • Alguém aqui seriamente acredita que: • Uma educação realmente transformadora se fará desescolarizando a sociedade e, portanto, SEM ESCOLAS? (Ivan Illich) • As pessoas aprendem a maior parte das coisas que lhes interessam e que realmente importam em suas vidas sem ser ensinadas, e, portanto, SEM PROFESSOR? (Oscar Wilde)
  8. 8. Ou vejamos ... - 2 • Alguém aqui seriamente acredita que: • Carl Rogers falava sério quando dizia, ao final de sua carreira de professor, que não havia ensinado nada a ninguém, e que, se por acaso o tivesse, o efeito havia sido nocivo? (Carl Rogers) • Ensinar alguma coisa a alguém é privar essa pessoa da alegria da descoberta e do sentido de realização e da autoestima que advêm da autoaprendizagem (ainda que não solitária)?
  9. 9. Ou vejamos ... - 3 • Alguém aqui seriamente acredita que: • Entre o ensino e a autoaprendizagem solitária está a aprendizagem colaborativa, em grupo, mas onde ninguém tem a função de ensinar e todos aprendem? • “Ninguém educa ninguém” – mas também não nos educamos a nós mesmos sozinhos. Por isso, a educação só acontece quando “nos educamos uns aos outros em comunhão”? (Paulo Freire)
  10. 10. Ou vejamos ... - 4 • Alguém aqui seriamente acredita que a melhor maneira de aprender é: • Observando os outros fazerem • Querendo fazer igual • Tentando fazer • Errando, buscando e recebendo apoio e ajuda • Tentando fazer de novo • Conseguindo fazer • Buscando formas de fazer melhor
  11. 11. Ou vejamos ... - 5 • Alguém aqui realmente acredita que: • Nós somos realmente diferentes um dos outros e, portanto, não precisamos nem devemos aprender todos as mesmas coisas? • O aluno deve ter liberdade para aprender (Carl Rogers), essa liberdade significando que ele pode e deve escolher o que quer aprender? • Na escola o aluno deve ser protagonista ou ator principal, e o professor cenógrafo, iluminador, maquiador, até mesmo figurante?
  12. 12. Um Novo Paradigma • Uma nova visão da educação • Um novo entendimento da aprendizagem • Novos ambientes de aprendizagem coerentes com esse entendimento
  13. 13. Bill Gates (Nascido 1955 / Microsoft 1975) Mark Zuckerberg (Nascido 1984 / Facebook 2004)
  14. 14. Bill Gates e Mark Zuckerberg • Eles tiveram ideias – ideias revolucionárias • Como eles vieram a ter essas ideias? • Onde e como descobriram o jeito de transformar essas ideias em realidade?
  15. 15. Certamente, não foi assim...
  16. 16. Anúncio do primeiro microcomputador comercializado: o Altair 8800, vendido em kit Foi esse anúncio que fez Bill Gates abandonar Harvard e se mudar para o Novo México, para fundar a Microsoft em 1975
  17. 17. Bill Gates • Milhares de pessoas viram e leram o anúncio • Apenas Gates enxergou nele uma oportunidade • Aprender a ler o que está escrito é relativamente fácil. Aprender a ler aquilo que não está escrito, é muito mais difícil... • Mas é isso que é esperado de uma educação de qualidade hoje... • Temos de preparar nossos alunos, hoje, para um mundo cujos contornos desconhecemos
  18. 18. Alan Kay “A melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo”
  19. 19. Robert Kennedy “Alguns olham ao que está aí e perguntam: ´Por quê?´ Outros sonham com o que não está aí e perguntam: ´Por que não?´” Como se inventa o futuro? • Visão (ver o que não está aí) • Autonomia • Motivação • Competência
  20. 20. Carlos Alberto Sicupira “O que uma pessoa tem de saber? Não tem de saber nada. As pessoas valem pelo que elas são capazes de fazer, e não por aquilo que elas conhecem. Algumas pessoas sabem de tudo, mas não conseguem transformar isso em nada”. Foco • Autonomia para imaginar • Saber fazer  competência
  21. 21. Seymour Papert (adaptado) “No dia de hoje não basta que os alunos aprendam bem o que a escola lhes ensina e consigam aplicar esse aprendizado no mundo do trabalho. Hoje se espera que os alunos consigam fazer coisas na vida que nunca lhes foram ensinadas, na escola ou fora dela.”
  22. 22. O Foco da Educação Hoje • Nos Ambientes mais Formais de Aprendizagem: • Aprender a Fazer  • Aprender Fazendo (através de Projetos) • Desenvolver Competências • Na Vida: • Saber Fazer  • Competência na Ação • Ação eficaz na solução de problemas (em especial os que ninguém sabe, hoje, como solucionar)
  23. 23. Um Desafio Especial • Ênfase: solução de problemas • Tipos de problemas • Rotineiros • Críticos • Intratáveis
  24. 24. Que Tipo de Problema? Há consenso sobre a definição do problema? Há consenso sobre o que seria uma solução? Tipo do problema Objetivo Abordagem Apud Chris Husbands, Institute of Education of the University of London
  25. 25. Problemas Rotineiros Há consenso sobre a definição do problema? Há consenso sobre o que seria uma solução? Tipo do problema Objetivo Abordagem SIM SIM ROTINEIRO Selecionar regras Aplicar regras Completar tarefa Racionalidade Gerenciamento Competência Apud Chris Husbands, Institute of Education of the University of London
  26. 26. ... não são fáceis, mas envolvem a aplicação de regras e procedimentos conhecidos
  27. 27. Problemas Críticos Há consenso sobre a definição do problema? Há consenso sobre o que seria uma solução? Tipo do problema Objetivo Abordagem SIM SIM ROTINEIRO Selecionar regras Aplicar regras Completar tarefa Racionalidade Gerenciamento Competência SIM NÃO CRÍTICO Restaurar a Normalidade Liderança Direção Coerção Apud Chris Husbands, Institute of Education of the University of London
  28. 28. ... exigem liderança pronta e decisiva e ação imediata para que se evite o caos
  29. 29. Problemas Intratáveis Há consenso sobre a definição do problema? Há consenso sobre o que seria uma solução? Tipo do problema Objetivo Abordagem SIM SIM ROTINEIRO Selecionar regras Aplicar regras Completar tarefa Racionalidade Gerenciamento Competência SIM NÃO CRÍTICO Restaurar a Normalidade Liderança Direção Coerção NÃO NÃO INTRATÁVEL Fazer boas perguntas Pensar “out of the box” Fazer progresso Criatividade Flexibilidade Resiliência Apud Chris Husbands, Institute of Education of the University of London
  30. 30. Problemas Meramente Intratáveis • A solução depende da definição do problema – mas a definição parece depender da solução que se imagina • Stakeholders têm mindsets diferentes que definem como vêem o problema • As condições limitantes do problema, os recursos disponíveis para solucioná-lo e a disposição das pessoas para solucioná-lo mudam com o tempo • O problema nunca é solucionado de forma definitiva • Pobreza vs desigualdade • Liberais vs Socializantes • Seguridade, pensões, aposentadoria • Pobreza, doença, ignorância
  31. 31. Problemas Altamente Intratáveis • O tempo parece estar acabando e não sabemos o que vai acontecer se não solucionarmos os problemas • Quem está tentando resolver os problemas às vezes os agrava (além de muitas vezes também ser quem os causa) • Nenhuma autoridade estabelecida consegue resolvê-los • O recurso tempo é limitado • Governos nacionais: solução? ou problema? • ONU? Há substituto?
  32. 32. Pode Haver Limites... Pode ser que tenhamos de aprender a conviver para sempre com alguns/vários desses problemas, minimizando o seu impacto, reajustando nossos valores e pressupostos, mudando nosso mindset Limites do tolerável? Na pobreza? Na doença? Na ignorância?
  33. 33. High Noon: 20 Global Problems 20 Years to Solve them Jean-François Rischard Leitura obrigatória
  34. 34. Três Categorias de Problemas • Naturais: Compartilhamento do Planeta • Sociais: Compartilhamento da Humanidade • Normativos: Definição de Regras e Procedimentos
  35. 35. Compartilhamento do Planeta 1. Aquecimento global e outras ameaças ao clima 2. Redução de florestas (desflorestamento) 3. Redução da biodiversidade e ecossistemas 4. Redução do estoque de peixes 5. Redução da quantidade de água potável 6. Poluição dos mares
  36. 36. Compartilhamento da Humanidade 1. Redução (eliminação?) da pobreza 2. Redução (eliminação?) da doença 3. Redução (eliminação?) da ignorância 4. Redução (eliminação?) da exclusão digital 5. Prevenção de conflitos, combate ao terrorismo 6. Prevenção de desastres naturais, mitigação de seus efeitos
  37. 37. Definição de Regras e Procedimentos 1. Sistema de taxação 2. Setor financeiro 3. Comércio, investimento, competição 4. Comércio eletrônico 5. Propriedade intelectual 6. Migração e trabalho internacional 7. Uso da biotecnologia 8. Uso de substâncias hoje controladas
  38. 38. Os Méritos da Questão de Rischard • Nacionalismos etc  perspectiva global • Preocupações singulares  agenda de múltiplos problemas verdadeiramente globais • Várias metodologias  uma metodologia geral de solução de problemas que, se bem sucedida, promoverá avanços em muitas frentes • Solução em governos  solução em redes (com componentes de diferentes tipos: governos, NGO, empresas, universidades, indivíduos)
  39. 39. O Grande Mérito da Metodologia • Pensar globalmente ... • Agir localmente ... • Mas através de redes voluntárias ... • Foco na educação  Mudança de paradigma • Mediadas pela tecnologia
  40. 40. Quem Fica de Fora? • ONU • Governos nacionais • Governos regionais • Governos locais de áreas muito grandes
  41. 41. John Naisbitt Mind Set! will transform the way you think about your future
  42. 42. Mindset • Conjunto de crenças, em geral tácitas, que definem como vemos as coisas, analisamos a realidade, formulamos e respondemos questões, formulamos e solucionamos problemas – ou seja, que definem como pensamos e agimos • Essas crenças ficam tão firmadas (set) na nossa mente que, se nos tornamos conscientes delas, deixamos de considerá-las abertas a discussão e as rotulamos de “postulados e axiomas”
  43. 43. Um Novo Mindset e a Educação • A única forma de resolver os problemas de Jean- François Rischard é através de um novo mindset • A única forma moral de desenvolver um novo mindset é através de uma nova educação • Uma nova visão / um novo conceito da educação • Um novo entendimento da aprendizagem • Ambientes de aprendizagem totalmente reinventados • E mindsets só se mudam no longo prazo e com grande apoio social à mudança
  44. 44. Um Pensamento com Muitos Donos “Insanidade: Fazer a mesma coisa, do mesmo jeito, e esperar que os resultados sejam diferentes”. (Pensamento atribuído a Benjamin Franklin, Albert Einstein, Rita Mae Brown, Rudyard Kipling, provérbio chinês, etc.)
  45. 45. J Allard, Ex-Vice-Presidente da Microsoft Business Week, 4 Dez 2006, p.64 “Para realmente mudar o mundo, precisamos imaginá-lo drasticamente diferente do que é hoje. Se, nessa visão, usarmos muito do conhecimento e da experiência que nos trouxeram até aqui, terminaremos exatamente onde começamos... Para ter um resultado diferente, temos de olhar as coisas de uma perspectiva radicalmente diferente.”
  46. 46. Obrigado! Eduardo Chaves eduardo@chaves.com.br Meu blog “Liberal Space”: http://liberalspace.net Fotos do Encontro: http://www.facebook.com/chaves

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