Biblioteca da escola - Direito de Ler

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Biblioteca da escola - Direito de Ler

  1. 1. MINISTÉRIO DA CULTURA Fundação BIBLIOTECA NACIONAL Programa Nacional de Incentivo à Leitura MINISTÉRIO DA CULTURA FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONALPROGRAMA NACIONAL DE INCENTIVO À LEITURA - PROLER - BIBLIOTECA DA ESCOLA - DIREITO DE LER - Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil Seção brasileira do International Board On Books for Young People - IBBY
  2. 2. Presidência da RepúblicaFernando Henrique CardosoMinistério da Cultura – MinCFrancisco WeffortFundação Biblioteca Nacional - FBNEduardo PortellaPrograma Nacional de Incentivo à Leitura – PROLERComissão Coordenadora do PROLERElizabeth D’Angelo Serra – FNLIJEmir José Suaiden – UNBJane Paiva – NUEC?UFFKátia de Carvalho – UFBAMônica Messenberg – FNDE/MECCoordenação e supervisãoElizabeth D’Angelo SerraTextos e ProduçãoElizabeth D’Angelo SerraPedagogaSecretária Geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJCoordenadora da Comissão Nacional do ProlerMaraney Freire CostaBibliotecáriaChefe do CEDOP/FNLIJRevisãoElda NogueiraM.F.J.DinizApoioCynthia RodriguesMaria Amélia BarbozaEsta obra foi realizada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para o Programa Nacional de Incentivo à Leitura, da FundaçãoBiblioteca Nacional – PROLER/FBN. Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (Brasil)F977 Biblioteca da escola: direito de ler. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional: Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER, 2002. 70 p. 21 cm. 1.Biblioteca escolares. 2.Leitura. I.Título CDD 027.8 Rio de Janeiro, 2002
  3. 3. SUMÁRIOApresentação1. Introdução ............................................................................................................... ..................................... 52. A leitura e a Escrita na Escola ......................................................................................................................73. Por que a Biblioteca da Escola? ..................................................................................................................104. O lugar para a Biblioteca da Escola ............................................................................................................135. Planejamento o espaço da Biblioteca da Escola .........................................................................................145.1 Mobiliário .............................................................................................................. ...................................155.2 Fichário, arquivo e outros suportes ..........................................................................................................165.3 Acessórios diversos ..................................................................................................................................175.4 Equipamentos eletrônicos ................................................................................................ .........................186. Seleção de livros / Títulos ............................................................................................................ ..............207. Aquisição do acervo .............................................................................................................................. ....258. O Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE .................................................................................269. Processamento Técnico – a importância ....................................................................................................349.1 O registro do livro ..................................................................................................... ..................... .. ......369.2 Organização do catálogo ou fichário ..................................................................................................... ..389.3 Classificação do acervo ................................................................................................. ...........................429.3.1 De livros de literatura ou juvenil ...........................................................................................................439.3.2 De outros livros .....................................................................................................................................459.4 Organização dos livros nas estantes .........................................................................................................4710. Preparando o acervo para o empréstimo ..................................................................................................4810.1 Ficha do leitor – usuário ou Ficha de empréstimo ................................................................................4810.2 Ficha de devolução .............................................................................................................. ..................4910.3 Diário do Leitor .....................................................................................................................................5211. Biblioteca em uso ....................................................................................................... .............................5312. Como se prepara uma bibliografia ..........................................................................................................5613. Bibliografia recomendada pela FNLIJ sobre Leitura; Literatura; Biblioteca .........................................5714. Bibliografia consultada ...........................................................................................................................6215.Anexo............................................................................................................................64
  4. 4. APRESENTAÇÃO Esta publicação foi elaborada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJpara o Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER, da Fundação BibliotecaNacional – FBN.A FNLIJ foi criada em 1968, no Rio de Janeiro. É a seção brasileira do International Boardon Books for Young People – IBBY. Seus objetivos, institucionais são os de promover aleitura e divulgar o livro de qualidade para crianças e jovens, visando a orientar e apoiareducadores e bibliotecários, bem como todos aqueles adultos comprometidos com a tarefade contribuir para formar leitores críticos como direito do cidadão. Nesse contexto, o usoda biblioteca da escola é instrumento básico da cultura contemporânea para umaeducação democrática e de qualidade. Os textos aqui apresentados foram criados a partir de publicações anterioresproduzidas por especialistas da FNLIJ para outros projetos dos quais a Fundaçãoparticipou, tais como Ciranda de Livros, Viagem da Leitura e Projeto Recriança, cujosobjetivos eram também promover a importância e a necessidade de bibliotecas quepossibilitem desenvolver o contato com livros, variados e de qualidade, para o exercício daprática da leitura e da escrita e, como conseqüência, contribuir para orientar o caminho doencontro permanente com o conhecimento artístico e científico. A FNLIJ se sente honrada em dispor a sua experiência e conhecimento para mais umaparceria com a FBN, por meio do PROLER, a fim de ampliar e fortalecer a rede brasileirade leitura.Esperamos que essa publicação possa contribuir para a valorização da biblioteca naescola, modificando o eixo do projeto pedagógico da escola brasileira. Elizabeth D’Angelo Serra
  5. 5. 1. INTRODUÇÃO A participação crítica do cidadão, o desenvolvimento e o fortalecimento da democraciadependem de uma educação de qualidade para todos, assim como do livre e ilimitadoacesso ao conhecimento, aos bens culturais e à informação.Entretanto, isto não corresponde à nossa realidade, em que somente poucos têm acesso àvariedade dos saberes e experiências acumulados pela humanidade. Para que a maioria da população exerça, efetivamente, uma atuação crítica em relaçãoà realidade e tenha condições de nela interferir, buscando melhorar as condições de vidade todos, é absolutamente necessário garantir a cada cidadão o contato constante com avariedade de conhecimentos existentes, por meio das publicações disponíveis e de outrossuportes modernos para notícias e informações.Ao mesmo tempo, é necessário promover a conscientização desta necessidade, junto àpopulação , como reivindicação importante de ordem social, como um bem culturalpoderoso. Conhecimento e informação são instrumentos básicos para novas e melhoresperspectivas de vida. Uma das mais graves conseqüências da ação conservadora eindividualista das elites brasileiras é a histórica ausência de políticas que, de fato, criemcondições para que se democratizem as oportunidades de acesso ao saber acumulado eorganizado pela humanidade. Essa ausência pode ser constatada pelo reduzidíssimonúmero de bibliotecas escolares e públicas, em nosso país, apesar de serem elas básicaspara a formação educacional e cultural e o exercício da cidadania.Outro fato denunciador dessa situação é não haver obrigatoriedade legal da bibliotecapara o Ensino Fundamental, excluindo-se assim a maioria dos alunos do Brasil (já que, porenquanto, só um grupo menor consegue ingressar no Ensino Médio) do aprendizado e daconvivência com a instituição Biblioteca, morada democrática dos livros.
  6. 6. Nesse sentido, a biblioteca da escola deve atuar não só como pólo de dinamização dainformação e como um centro de incentivo à busca de conhecimento que lhe é próprio,mas principalmente para formar leitores e futuros usuários de bibliotecas públicas. Abiblioteca pública deve garantir a qualquer pessoa o direito a uma educação permanentebem como as condições para o seu desenvolvimento cultural. E isto deve ser transmitido,ensinado e valorizado durante o período escolar. Portanto, urge a necessidade de se instalar uma política integrada de criação debibliotecas nas escolas, a fim de se ampliar o número de pólos dinamizadores doconhecimento e da informação, desde cedo, na escola básica. A democracia necessita deuma forte rede articulada de bibliotecas escolares e públicas. Apesar de o número debibliotecas públicas ter aumentado nos últimos sete anos e também a consciência sobre aimportância de criar-se bibliotecas nas escolas, é necessário um planejamento estratégicopara realizar essa ação. Pois, bibliotecas enquanto espaço físico, por si mesmas, sem umamissão institucional clara, não resolvem o problema. É necessário que os envolvidos noscursos de formação de professores se conscientizem da importância e da função social dabiblioteca, que diretores de escola, supervisores, professores e pais compreendam a suafunção educativa, que a biblioteconomia valorize esse setor e que os governos criem umapolítica de valorização do bibliotecário na escola e na biblioteca pública, por meio de umaintegração no campo da educação e da cultura, buscando fortalecer seus pontos deinterseção. A equipe docente da escola e também os pais devem, pois, travar juntos essa discussãona perspectiva de que a biblioteca seja considerada o lugar mais importante da escola e ocentro físico para o desenvolvimento do projeto pedagógico. Promover a leitura e aescrita, unir livro-biblioteca-leitor-escritor, são ações básicas para a formação de cidadãosparticipativos. Anexamos a este texto quatro documentos importantes sobre a biblioteca da escola e apública, para estudo e discussão quanto à sua importância no contexto histórico atual.
  7. 7. O primeiro é o “Manifesto da Biblioteca Pública”, da Unesco, publicado, no Brasil, pelaprimeira vez, no informativo mensal Notícias, da FNLIJ, em março de 1995. O segundodocumento é o “Manifesto da Biblioteca Escolar”, também da Unesco, divulgado pelaFNLIJ, no Notícias de janeiro de 2001. O terceiro e o quarto documentos são as duasPortarias do Ministério da Educação sobre o Programa Nacional Biblioteca da Escola –PNBE. A primeira Portaria, de 28 de abril de 1997, institui o PNBE e a segunda reconhece anecessidade de proporcionar material escrito didático-pedagógico voltado para acapacitação permanente do docente; institui ainda que o programa responsável por estatarefa é o PNBE, tendo a Secretaria do Ensino Fundamental como responsável peladefinição do acervo. A Portaria de 1997, que cria o PNBE, restringe-se à função de compra de acervos que oMEC fazia até então, sob diversas nomenclaturas. Ao assumir o nome Biblioteca daEscola, o MEC, pela primeira vez, reconhece a sua importância na escola. Este é o pontoque queremos enfatizar e valorizar, para ser usado como instrumento legal na criação dabiblioteca da escola ou, caso ela já exista, buscar junto à diretoria da escola e à Secretariade Educação apoio para torná-la o espaço mais importante da escola. Além desses anexos, estamos apresentando uma bibliografia para o aprofundamentodo tema e aperfeiçoamento da equipe da escola quanto aos argumentos para reivindicar aexistência de uma biblioteca que possa atender, também, à comunidade. Esperamos queesta publicação venha contribuir para aumentarmos a corrente que vem se formando, noBrasil, há mais de 30 anos, para a construção de uma sociedade brasileira que domine,com fluência, a língua portuguesa. 2. A LEITURA E A ESCRITA NA ESCOLA O acesso à escola básica brasileira, até o final dos anos 1950, era restrito a umaminoria de crianças. Com o processo de democratização da sociedade, a partir dos anos
  8. 8. 1960, o número de escolas aumentou, abrindo as portas do ensino formal àquelascrianças que estavam alijadas das oportunidades da socialização e do contato diário com oconhecimento. A presença de um novo contingente de crianças na escola explicitou, muito tempodepois, o caráter elitista do projeto educacional brasileiro. As escolas e seus professoresnão estavam preparados para orientar e ensinar a grupos sociais diferentes daqueles aque pertenciam. A escola brasileira até então era freqüentada, em sua imensa maioria, por criançascujas famílias tinham poder aquisitivo mínimo para comprar livros, revistas, jornais, alémde um entorno cultural que valorizava a arte. Ler e escrever, para essas famílias, era umbem cultural que fazia parte de seu cotidiano, era valorizado em suas casas. Surgiram então, várias teorias e práticas novas, a partir da preocupação e do estudosobre os inúmeros fracassos constatados na escola. Entre acertos e erros, muitasdescobertas e conquistas foram trazidas para essa nova clientela, embora ainda persistamalguns vícios discriminatórios e preconceituosos que dificultam o processo democrático desocialização do conhecimento humano. Ensinar a ler, escrever e contar, como meta pedagógica, sempre sintetizou o trabalhodos professores da escola básica, porém esta tarefa envolve uma diversidade de objetivose metas que variam de acordo com as condições sócio-econômicas e o universo culturalda família e da escola. Até os anos 50, os métodos para ensinar a ler e escrever eram relativamente eficientes.O motivo, em nossa opinião, é que as crianças que freqüentavam a escola viviam, em suamaioria, entre famílias que tinham acesso ao livro e convivência com o texto escrito e osprofessores vinham da mesma camada social que as crianças. Depois dos anos 60, a necessidade de mão-de-obra para o trabalho exigia operáriosque soubessem escrever e ler, sem maiores competências. Isto fez do complexo e rico
  9. 9. processo de alfabetização uma redução empobrecida de apropriação do texto escrito, doaprender a ler e escrever. Nesse processo, a leitura, principalmente de textos literários, foi mutilada e suautilização serviu somente para explicar fatos gramaticais, isolando-se o contexto artísticoda narrativa. A essência do ato de ler foi, então, abandonada, desprezada pela escola e seusprofessores, premidos pelas exigências de administradores insensíveis e elitistas e dasfamílias pouco esclarecidas sobre o assunto. Entre inúmeras justificativas para o mau desempenho da maioria dos alunos e a buscade diversas soluções, felizmente começaram a surgir novas práticas pedagógicas quepassaram a trabalhar com a devida atenção e preparo o núcleo da leitura e da escrita,visando a atingir a qualidade na educação formal. Sem oferta de leituras variadas, sem contato com bons livros e sem oportunidades parapraticar a escrita, não há como oferecer uma educação de qualidade. Esta conclusão diz respeito não só ao aprendizado dos alunos mas, também, àformação dos professores. Há que se enfatizar, nas Escolas de Formação de Professores, que a formação leitora eescritora dos novos profissionais, por meio da leitura literária e da prática da escrita livre ecriadora, é a base sólida da sua prática profissional. É importante lembrar que Monteiro Lobato já nos deixou as diretrizes básicas para umaeducação de qualidade, que não é devidamente apreendida na Formação de Professores.Sua obra, com livros de ficção, didáticos, informativos, mitologia e clássicos internacionais,sintetiza as leituras básicas e necessárias para formar leitores.Além disto, ao ler Lobato, o professor aprende a melhor didática a ser trabalhada com ascrianças.
  10. 10. Se você ainda não leu Lobato, comece agora e descubra o grande educador que ele foi,além de grande escritor. Se você já leu Lobato, promova um grupo de estudos sobre ele em sua escola, abrindoo debate sobre a importância da leitura literária na escola. Que este seja o início de uma boa convivência com nossos maravilhosos escritoresnacionais e com os clássicos da literatura internacional. Nesse contexto de valorização da leitura e da escrita é que se insere a necessidade e aimportância da biblioteca da escola. Descubra a função social da biblioteca e lute para torná-la realidade em sua escola. 3. POR QUE A BIBLIOTECA DA ESCOLA? Segundo Wilson Martins, no livro A palavra escrita: a história do livro, da escrita e dabiblioteca, “as escolas foram bibliotecas cercadas de salas de aula”. Este retrato dabiblioteca escolar é o ideal, mas, infelizmente, não retrata a nossa realidade, em que asbibliotecas escolares existentes são fechadas e seus espaços ocupados para outrasfinalidades. Algumas escolas públicas, argumentando que necessitam de mais salas paraoutras atividades, foram capazes de encerrar as atividades da biblioteca, em umademonstração do total desconhecimento sobre seu valor e importância para a educação.“É impossível imaginar que a formação do aluno, a construção dos seus conhecimentos,aconteça apenas com o que é visto em sala de aula. Não podemos conceber, de outraparte, que o professor possa planejar as suas aulas sem uma fonte de consultasrepresentada, no caso, pela biblioteca escolar”. O educador deve ter a preocupação permanente de associar informação,conhecimento, leitura e escrita com a biblioteca da escola, para a formação de umacidadania plena. A constituição de um cidadão livre, no seu sentido mais estrito, ou seja,
  11. 11. com autonomia de decisões, compreende um processo complexo, cultural e educacionalpermanente. Uma biblioteca da escola atuante é aquela que tem como objetivo contribuircom varias ações que venham a fortalecer esse processo como, Por exemplo, contribuirpara desenvolver o interesse das crianças pela leitura desde bem pequenas; criaroportunidades para o desenvolvimento critico pessoal e coletivo; estimular a criação e acapacidade criadora de crianças e jovens; promover a conscientização da herança cultural,a apreciação das artes, das realizações cientificas e inovações tecnológicas; forneceracesso a expressões culturais em todas suas manifestações artísticas; servir de espaço deconsulta e estudo para os professores. E para que isto ocorra é necessário que a bibliotecada escola faça parte do projeto pedagógico dessa escola, integrando-se a ele. O projeto pedagógico da escola deve valorizar e revelar para seus alunos a funçãosocial da leitura e da escrita, contemplando tanto seus aspectos pragmáticos quantolúdicos, pois a leitura é a principal porta de entrada para as abordagens crítica e criadorado conhecimento e da informação. Em nossa sociedade, conhecimento e informação significam poder, por estaremexpressos, principalmente e cada vez mais, através do registro escrito. A escola tem,portanto a responsabilidade de apresentar essa evidencia e proporcionar aos seus alunose professores as condições para que eles possam se apropriar do texto escrito, comcompetência. O caminho é a leitura permanente dos textos que estão nos livros eatualmente nos computadores. A biblioteca da escola, ou a pública, é o espaço onde esses suportes de textos, quetrazem conhecimento, arte e informação, são organizados para que possam sersocializados e conhecidos por muitas pessoas. Se as bibliotecas cumprissem suas papeis de difusoras do saber acumulado pelahumanidade, se pudessem ser locais de encontros e discussões de idéias, espaço ondefosse possível aproximar-se, ao mesmo tempo, do conhecimento registrado e do mundoda fantasia e se a população fosse educada conhecendo o papel social das bibliotecas, não
  12. 12. seria necessário substituir a nomenclatura biblioteca da escola por sala de leitura, comoocorreu e ainda ocorre entre nós. A fim de enfrentar os entraves, corporativos e burocráticos, para se criar bibliotecas nasescolas, introduziu-se, na década de 80, o termo sala de leitura.Se, por um lado, ele representou a forma de enfrentar os problemas para se valorizar oespaço dos livros e da leitura dentro das escolas, por outro lado, ao difundir-se o nomesala de leitura perdeu-se a oportunidade de valorizar, no momento da educação formal dacriança, o conceito da biblioteca. Em alguns casos, o resultado foi o enfraquecimento dasua dimensão criada na escola. Passou a ser um lugar triste e pouco atraente, onde oaluno vai buscar respostas imediatas para questões curriculares ou executar uma pesquisaescolar. Há escolas que mantem os dois espaços separados, onde a “biblioteca” é oespaço da pesquisa e do castigo e a “sala da leitura” é o espaço do livro de literatura,logo, da leitura, do lúdico. Isto fortalece uma posição antagônica entre dois espaços. O“novo” é a sala de leitura, enfraquecendo e desvalorizando o conceito da biblioteca noimaginário de crianças e jovens, quando, ao contrario, seu uso deveria ser introduzido evalorizado como pratica diária para a formação da cidadania. O que ocorre, porem, é que, ao terminarem sua formação escolar básica, crianças ejovens não encontram “salas de leitura” para dar continuidade ao convívio com os livros e,tampouco, foram educados para freqüentarem as bibliotecas. Não estamos nos referindo auma minoria de crianças e jovens privilegiados que possuem livros em suas casas, mas aquase totalidade de crianças e jovens brasileiros que, alem de não terem livros, jornais erevistas em casa, não podem adquiri-los por falta de recursos, ficando sem opção paradesenvolverem a prática de leitura necessária para suas vidas, tanto no que diz respeitoaos aspectos profissionais quanto pessoais. Portanto, urge que nas escolas brasileiras, desde a educação infantil, a biblioteca daescola seja uma realidade: urge também fortalecer o conceito que a biblioteca éinstituição básica necessária para alimentar o exercício democrático.
  13. 13. Anísio Teixeira sintetizou essa importante união entre e educação e cultura ao afirmar que“as bibliotecas são instituições básicas da educação, que antecedem, em verdade, àescola”. 4. LUGAR PARA BIBLIOTECA DA ESCOLA Se a escola não possui, ainda, uma biblioteca, o primeiro passo é organizar umareunião com a equipe docente para apresentar o problema. Não se espante.Comece assim mesmo, reunindo todos para discutir por que na escola não há umabiblioteca. Quase sempre a dificuldade que se apresenta primeiro é o espaço. Onde criar umabiblioteca se não há espaço sobrando? Mas, se há clareza, por parte da equipe, quanto asua importância e necessidade, o espaço e as pessoas nela trabalharem surgirão, por meiode um replanejamento dos demais espaços da escola.Por exemplo, liberando uma das salas para a biblioteca e as turmas usarem, em sistemade rodízio, o mesmo espaço. Esta foi uma experiência que tivemos em uma pequenaescola particular de ensino fundamental, no Rio de Janeiro e que deu muito certo. Anecessidade gera soluções inimagináveis. Se o grupo efetivamente quiser, certamenteencontrará o espaço para a biblioteca. E se houver condições, por que não planejar a construção da biblioteca ampliando oprédio ou mesmo construindo-a como anexo da escola? O importante é ter consciência de sua necessidade e lutar por ela, transformado-a emum projeto de todos para todos. Sugerimos, também, que a discussão seja ampliada, incluindo os pais; assim, a idéiaganhará mais força.
  14. 14. Procure a secretaria da educação em sua cidade, ou as delegacias de educação, parase inteirar das novidades que já existem sobre o assunto, em nosso país. 5. PLANEJANDO O ESPAÇO DA BIBLIOTECA DA ESCOLA O importante é começar, nem que seja em uma sala pequena, pois quanto mais abiblioteca for sendo utilizada e valorizada, mais a comunidade escolar perceberá anecessidade de ampliá-la e buscará soluções necessárias. Para calcular as dimensões da biblioteca ideal, no caso da construção, deve-se levar emconsideração o numero aproximado de leitores que ia utilizá-la, o número de livros jáexistentes na escola, o ideal e o possível de ser adquirido, prevendo sempre seucrescimento. Por exemplo, a área ideal para uma biblioteca que atenderá a uma escolacom 1000 alunos é de 120 m². Isto não significa que ela não pode ser menor, no caso dereaproveitarem o espaço já existente de acordo com a decisão da equipe sobre ondeinstala-la. Já para uma escola pequena, com 100 alunos, o espaço será aquele que forpossível. A biblioteca deverá estar sempre em lugar acessível a todos. Ela deve ser clara earejada, explorando a incidência de iluminação natural. Mas, não sendo possível, deve-seusar lâmpadas dispostas uniformemente para que a claridade, recomendada e necessária,esteja garantida. Embora existam no comercio moveis próprios para biblioteca, eles podem serfabricados ou mesmo adaptados, conseguindo-se montar excelentes bibliotecas a partir derecursos alternativos que podem dar um toque original e particular a cada biblioteca. Afalta de recursos financeiros para aquisição do mobiliário ideal não deve se tornarimpedimento. É importante ter como meta a atingir que a biblioteca disponha de acervo de gêneros eassuntos variados e de qualidade e, quando possível, assinatura de jornais e revistas,
  15. 15. gibis, fitas cassetes e de vídeos, CD-ROMs e outros suportes de leitura que contribuampara o processo ensino-aprendizagem e para a formação cultural de alunos e professores. A seguir, apresentamos o detalhamento do mobiliário básico e dos acessórios que abiblioteca deve ter, para que sua escola possa fazer um planejamento para construir e/ouadquirir o que é necessário. O importante é fazer um projeto do qual todos, ou pelomenos a maioria, participem, para que a biblioteca se torne uma realidade. 5.1 MOBILIÁRIO Além de ter bons livros, a biblioteca pode e deve ser como todos os lugares quegostamos de estar: um local agradável, convidativo, com mobiliário adequado ouadaptado para melhor atender os leitores-usuários, alunos, professores, funcionários efamiliares. Listamos aqui alguns moveis necessários para a instalação da biblioteca da escola, bemcomo sugestões para torná-la atraente: Escrivaninha ou balcão de empréstimo – esse móvel é básico para a organização efuncionamento da biblioteca. O balcão de empréstimos é para o atendimento ao leitor, ainscrição, o registro do empréstimo domiciliar e é onde ficam localizados os fichários deempréstimos. Uma escrivaninha ou mesa de escritório pode substituir o balcão, quandonão for possível adquiri-lo ou enquanto ele não estiver pronto. Estantes – Devem ter alturas variadas. As estantes baixas são para facilitar o acesso emanuseio de livros pelos menores. A altura recomendável pe de pelo menos 1,50m.Devem ter prateleiras moveis que possam ser ajustadas de acordo com a dimensão doslivros e de preferência, que sejam coloridas. As estantes mais altas, com cerca de 1,80m a2m, são recomendadas para os livros juvenis e livros de referencia que, normalmente sãoutilizados por jovens e professores.
  16. 16. Expositores verticais – De fácil confecção. É importante ter expositores verticaisinclinados onde os livros possam ficar expostos de frente. A produção de livros paracrianças no Brasil é de excelente qualidade e suas capas atraem a garotada.Por isso é muito importante ter pelo menos um desses moveis para colocar as novidadesou, por exemplo, apresentar os livros separados por determinado tema.Existem no mercado estante própria com prateleiras inclinadas, mas podem também serconfeccionada por encomenda. Mesas redondas – As mesas redondas, de 1 m a 1,20 m de diâmetro são indicadaspara trabalho em grupo. As mesas escolares individuais também servem para leituras e,colocadas juntas, podem formar mesa para grupos. 5.2 FICHÁRIOS, ARQUIVOS E OUTROS SUPORTES Arquivos – A biblioteca da escola necessita ter, pelo menos, um arquivo com pastassuspensas para organizar os documentos administrativos, relatórios, planos e projetos.Portanto se for possível um arquivo com quatro gavetas, para iniciar, é o ideal. Fichários ou catálogos – são pequenos moveis estruturados com diversas gavetas,utilizados para guardar as fichas catalograficas que reúnem as notas bibliográficas de cadaobra, onde estão descritos os elementos para facilitar sua recuperação. As gavetas, quemedem aproxidamente 7,5 x 12,5 cm (tamanho da ficha padrão), São identificadas com aindicação do tipo de ficha que guardam. Por exemplo, fichário de AUTOS, de TITULO, deASSUNTO, de SERIE ou COLEÇÃO e TOPOGRAFICO. É neste ultimo fichário que as fichassão arquivadas pelo numero de classificação. Fichários de empréstimos – podem ser utilizados os fichários de mesa, de acrílico ouaço, ou ainda, confeccionados por encomenda. São necessários dois fichários: o primeiro,para guardar as fichas de inscrição, em ordem alfabética. No caso da escola pode-sedividir por turmas. Desta forma fica mais fácil a busca das fichas dos alunos. O segundo,que pode ser geral para todas as turmas, é onde são colocadas as fichas dos leitores que
  17. 17. estão com livros emprestados. Quando o leitor devolver o livro, a ficha retornará para oprimeiro fichário. Murais – A biblioteca necessita dispor de quadros murais, colocados em locais visíveispor todos, de fácil acesso, onde se divulgue a programação da biblioteca, nova livrosrecebidos, avisos de exposições. Pode-se expor também os trabalhos de alunos e noticiasde interesse da comunidade escolar, que também são um ótimo atrativo pra despertar ointeresse pela leitura dos murais. Toda a divulgação deve ser afixada em altura que facilitesua leitura. Porta folhetos – uma das maneiras mais simples e atraente de incentivar o interessepelo acervo da biblioteca é criar folhetos feitos em papel colorido, com bibliografiastemáticas de interesse dos leitores.Para conhecer o interesse dos leitores, sugerimos fazer uma caixa de sugestões, ou umcaderno onde os leitores possam expressar livremente suas opiniões e curiosidades. 5.3 ACESSÓRIOS DIVERSOS Caixotes coloridos - estes caixotes servem para separar determinados acervos maismanuseados ou que não fiquem bem acondicionados nas estantes convencionais, como asrevistas em quadrinhos, os livros de pano e qualquer tipo de acervo que necessite ficar emevidencia. Por exemplo, em geral, no mês de agosto, há muita procuro por livros defolclore; então, separa-se este acervo para facilitar a busca. Facilmente encontrados nomercado. Palco – o palco tem a finalidade de contribuir para dar asas à imaginação dos leitores.Assim, as crianças podem teatralizar ou dramatizar historias lidas, ouvidas ou criadas porelas. Uma cadeira, um cabide para chapéus, lenços pode motivar as crianças e jovens aeste tipo de atividade. Alem disto o, o palco pode ser usado para outras finalidades comoleitura em voz alta ou apresentações em festas, entrega de prêmios etc.
  18. 18. Plantas, enfeites e móbiles – Esses tipos de abjetos de decoração, assim comooutros que você imaginar e criar, contribuem para tornar o ambiente da biblioteca maisacolhedor. Tapetes e almofadas – Se houver espaço, tapetes – de preferência de borracha, porserem de fácil limpeza e antialérgicos – e almofadas podem formar um outro canto deleitura, possibilitando a descontração bem ao gosto dos jovens leitores. Varal – O varal é utilizado para pendurar livros que queremos dar destaque por umperíodo de tempo. Pode-se, por exemplo, incentivar as crianças a colocarem no varal oslivros que elas gostaram, elas estarão indicando leituras para colegas.Um lembrete importante: Este não é o local ideal permanente para livros, mas sim umsuporte, temporário, para livros sobre os quais se quer chamar atenção. 5.4 EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS Computador – Somos a favor dos computadores na escola, por uma questão dedireito. Todas as pessoas devem ter acesso a bens materiais que facilitam o estudo e otrabalho e que podem contribuir para melhorar sua vida e a da comunidade. Porem, denada adiantara uma biblioteca da escola, com computador, se nelas não estiveremleitores. O computador é um instrumento importante e necessário, mas não é o principal.A maquina não é mágica e depende de inteligência para ser bem utilizada. Atualmente, o computador e uma linha telefônica são equipamentos necessários emuma biblioteca, pois agilizam os serviços administrativos, possibilitam o controle do acervode forma mais rápida e eficiente, além da internet ser um grande suporte que poderáauxiliar os alunos e os professores, junto com os livros, a encontrarem informaçõesatualizadas sobre os mais diversos assuntos.
  19. 19. É importante ressaltar que, apesar da possibilidade de tratar os livros em fichascomputadorizadas na biblioteca da escola, facilitando o trabalho, recomendamos amanutenção do uso do fichário manual afim de que o processo de tratamento do livro –que possibilita o seu uso coletivo – possa ser melhor compreendido e, conseqüentemente,valorizado pelas crianças. Equipamentos audiovisuais – Embora não sejam essenciais para criar umabiblioteca, é importante ter como meta à aquisição de equipamentos audiovisuais, como:projetor de slides, gravador/toca-fitas, retroprojetor, videocassete, televisor, aparelho deDVD e máquina fotográfica e/ou filmadora para registrar os momentos de leitura e outrasatividades. Eles podem ser adquiridos aos poucos, a partir de um planejamento. Cabe destacar aqui a importância da televisão e do videocassete ou DVD pois, nomercado, há filmes e desenhos de muita qualidade que estimulam o gosto pela leitura,para compra e locação. Um exemplo é a serie premiada, Livros Animados, produzida peloCanal Futura, em parceria com a FNLIJ, a partir de livros selecionados, os AltamenteRecomendáveis e os Premiados da FNLIJ. O programa Livros Animados é veiculado peloCanal Futura aos sábados, às 14:00 horas e reprisado aos domingos às 09:00 horas. Hátambém as séries específicas sobre Leitura e Literatura. Citamos as séries do Salto para oFuturo, da TV Escola, a série Literatura Infantil, da MultiRio.Do Canal Futura, há a série Literatura Infantil e o programa Tirando de Letra, veiculado àsterças-feiras (às 23h), às sextas-feiras (às 23h 30min), aos sábados (às 20h) e aosdomingos (0h 30min). Os horários das programações dos canais podem ser alterados,portanto, sugerimos o contato com o Canal Futura através do telefone (21) 3232-8800;com a TV Escola, (21) 3475-0012 e com a MultiRio, (21) 2537-0205, para maioresinformações sobre a programação.
  20. 20. 6. SELEÇÃO DE LIVROS Como já abordamos anteriormente, a biblioteca da escola deve ser um espaço atraente,com orientação e organização biblioteconômicas, mas é a qualidade do acervo que faz adiferença, e a atuação dos seus responsáveis. Para uma seleção de livros de qualidade, é necessário que os professores que irão fazera seleção sejam leitores e conhecedores de um número considerável de livros (e nãolimitem a poucos gêneros ou a poucas editoras). É na diversidade de leituras que se apuraa qualidade. Porém, estar atualizado quanto a autores, gêneros e editores não é fácil, poisexige tempo para leitura e dinheiro para comprar livros, além de ser difícil acompanhar aimensa produção editorial brasileira. Portanto, para fazer uma boa escolha, é necessário que os responsáveis pela bibliotecabusquem informações em jornais, revistas, conversando com professores, fazendo contatocom os cursos de Letras e Pedagogia, enfim, procurando conhecer várias opiniões. Hoje, felizmente, já existem inúmeras experiências em seleção de acervos de qualidadeno país, como o Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE, do MEC (a seleção foifeita pela FNLIJ e pode ser acessada em http://www.fnlij.org.br), e mesmo nos estados,como o programa Cantinho da Leitura – de Minas Gerais, que organizou uma Feira deLivros para Biblioteca Escolar, para aquisição, com recursos do Estado e do BancoMundial, de livros de literatura, para organização dos Cantinhos de Leitura e dasbibliotecas da rede escolar. O Governo do Estado de São Paulo também elaborou umManual de Orientações para a Escolha de Livros, para o Programa Nacional do LivroDidático – PNLD de São Paulo que, desde 1995, é descentralizado, com a compra de livrosfeita pela Secretaria de Estado de Educação, o que permite a oferta de livros didáticos, deficção e de não-ficção. O Programa de Bibliotecas das Escolas Estaduais, de Goiás, é outroprojeto que se inspirou no projeto do “Cantinho”, de Minas Gerais e organizou feira delivros e manual de instruções para as escolas adquirirem livros para as bibliotecas
  21. 21. escolares. Procure conhecer as experiências existentes e, se você faz parte de uma delas,partilhe a sua experiência com outra escola. Para que a educação para todos, no Brasil, tenha qualidade, é urgente estabelecer umforte movimento em torno do direito de ler para vencer a barreira da mesmice e da faltade originalidade. Considerando a enorme extensão territorial do nosso país, o número de escolaspúblicas (180.000), o número de alunos do Ensino Fundamental (15.506.442), as enormescarências que vão determinar limitados recursos financeiros para compra de livros e,levando em conta a enorme produção brasileira, a seleção de títulos para compre de livrospara a biblioteca da escola deve ser rigorosa quanto ao critério da qualidade. A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, pioneira no trabalho depromoção da leitura e da divulgação do livro de qualidade, seleciona, desde 1974, aprodução anual brasileira e concede menções e prêmios para os melhores livros paracrianças e jovens, nas seguintes categorias: Crianças, Jovem, Imagem, Informativo,Poesia, Tradução (criança, jovem e informativo), Teatro, Teórico e Reconto. Essa seleçãoé feita por uma comissão de aproximadamente quarenta votantes – especialistasespalhados por todo o Brasil. Por isto, é importante ter acesso à lista que a FNLIJ divulgatodos os anos, no seu boletim mensal para sócios, Notícias para subsidiar o trabalho deseleção de livros para a biblioteca. A FNLIJ foi responsável pelo projeto “Ciranda de Livros” que, entre 1982 e 1985,distribuiu, pela primeira vez, às escolas públicas de todo o país, literatura para crianças. Oprojeto foi uma parceria com a Fundação Roberto Marinho, Financiado pela Hoescht. AFNLIJ selecionou os livros, criou os quatro manuais que acompanharam as quatro coleçõescom a orientação pedagógica para a utilização dos livros. Há escolas que ainda possuemlivros “Ciranda” e os manuais. Caso você saiba de alguma escola ou professora queconheça ou tenha o material da “Ciranda”, tente recuperá-lo pois ele poderá ser umexcelente material de apoio para você conhecer a literatura para crianças e jovens.
  22. 22. A lista da FNLIJ visa atender, com prioridade, ao público infantil e juvenil, porconsiderar que a formação do leitor e do escritor criativo e crítico está diretamente ligadaàs oportunidades de contato com as expressões escritas de qualidade artística, presentesna literatura e nos livros informativos. Isto não significa que a FNLIJ não valoriza outras formas de apresentação do textoescrito, como enciclopédias, dicionários e revistas, necessários e igualmente importantespara a aprendizagem de novos conhecimentos e que têm, também, a função de alimentara curiosidade infantil e juvenil. Portanto, uma biblioteca da escola, para crianças e jovens,tem obrigação de oferecer a seus alunos e professores uma grande diversidade demateriais escritos. Mas, “(...) é, sem dúvida, a literatura, o texto de ficção de autores renomados, quealimenta o imaginário humano com prioridades únicas pois não tem limites para o pensar,o imaginar, o criar. O contato com um vocabulário rico, variado, com estruturas originais,rompendo, muitas vezes, com as regras gramaticais, enriquece a expressão oral e escritade alunos sem os enfadonhos exercícios que, na maioria das vezes, não apresentamnenhum significado para a formação da leitura e da escrita em crianças e jovens e, porconseqüência, não contribuem para sua autonomia de pensar, de dizer e fazer.” Portanto, o acervo da biblioteca da escola deve buscar contemplar, além dos livros deLiteratura Infantil e Juvenil, para o Ensino Fundamental (1ª a 8ª séries) e para o EnsinoMédio, os livros de consulta, teóricos e de literatura para o professor, de referência eperiódicos – jornais e revistas. Portanto, ao escolher os livros para a biblioteca da sua escola, procure referências empublicações especializadas, como o Notícias e consulte a página da FNLIJ na internet.Converse com seus colegas, freqüente as livrarias e vá às bibliotecas a que você pode teracesso para saber com a bibliotecária quais são as novidades do mercado editorial. Ao participar de feiras de livros, não se deixe seduzir pelas aparências e pelos atrativosde grandes descontos e preços baixos. É claro que se deve procurar um preço menor mas,
  23. 23. quando se trata de educação e, em particular, da educação pública, a Qualidade e aVariedade devem estar garantidas. Outras publicações que podem ser utilizadas para se conhecer a produção editorial sãoos catálogos enviados pelas editoras às escolas. Crie o hábito de recolhê-los em feiras ousolicitá-los às editoras, leia-os atentamente, com olhar questionador de consumidor quenão se deixa seduzir pelas propagandas enganosas. Lembre-se de que é necessárioprestigiar os diversos gêneros e temas que a literatura oferece para contemplar, aomáximo o gosto dos leitores. Há os que preferem a poesia, outros gostam de históriaspoliciais; há os leitores de aventura, humor, contos de fadas. Enfim, quanto maiordiversidade de temas a biblioteca possuir, mais leitores atingirá. Organize um fichário ou uma pasta de “aquisições”. Nela você deve inserir artigos derevistas que citam títulos de livros de interesse da biblioteca. E também fichas ou páginascom referências retiradas dos catálogos ou a partir dos pedidos dos alunos, pais eprofessores. A leitura dos suplementos literários dos grandes jornais e de revistas de cultura como aCult, sobre literatura, da Editora 17, ou a Bravo, com panorama das várias expressõesartísticas, da editora Primeira Leitura e D’Avila Editora, também são muito importantespara você ficar a par do que é publicado e dos novos lançamentos. Outra sugestão é consultar sites de instituições que tratam de leitura, literatura eeducação para saber das novidades da área no Brasil e no exterior. Além do site da FNLIJ,citamos o da Associação de Leitura do Brasil – ALB, http://www.alb.com.br e o doInstituto de Ensino da Linguagem – IEL, http://www.alb.com.br/iel. Um excelente siteestrangeiro é o da Fundação Germán Sánchez Ruiperez, http: //www.fundaciogsr.es - umcentro de referência internacional para o livro infantil e juvenil, na Espanha. Com certezalá você encontrará artigos e sugestões atualizadas para auxiliar o seu trabalho. Emboraseja em espanhol, é fácil de ser lido.
  24. 24. Para subsidiar a reunião de estudos de sua escola, você pode encontrar uma seleção delivros e textos sobre o tema leitura, elaborados por excelentes escritores e especialistas,no site do PROLER, http: //www.proler.bn.br. Com relação à aquisição de obras clássicas internacionais, procure comprar as melhorestraduções que, em geral, são aquelas feitas por escritores brasileiros de literatura. Osclássicos nacionais também não podem faltar em uma boa biblioteca da escola. MonteiroLobato é o ponto de partida. O acervo do PNBE/98 é uma excelente referência. Para os pequenos, escolha livros de imagens de qualidade, com pouco texto e que nãotenham ilustrações estereotipadas, comuns, que já esteja, presentes na vida das criançasatravés dos meios de comunicação, principalmente da televisão e dos gibis. Quanto aos textos, procure livros com narrativas provocadoras, instigantes, comconstruções originais. Lembre-se de que a boa literatura para crianças e jovens também éapreciada pelos adultos. Reiterando, os livros de consulta e referência são básicos para qualquer processoeducacional. São as enciclopédias, dicionários, Atlas e revistas que compõem um entornocultural imprescindível para uma boa biblioteca da escola. Os livros informativos são muito importantes também. Eles são diferentes dos didáticos,pois, não se destinam ao uso formal em sala de aula ou a uma série específica. Sem ocompromisso didático-pedagógico, mas comprometido com a informação correta e o textobem construído e agradável, o livro informativo é mais atraente, uma vez que não traz aproposta de medir conhecimentos adquiridos após a sua leitura. É claro que esta propostadependerá de um professor leitor que concorde com este conceito de partilharinformações, não exigindo do aluno o que o autor do livro não propõe. Os jornais são, hoje, fonte de informação necessária para formular conceitos, opiniões,saber da vida em sociedade. Assim, é importante garantir a assinatura de um jornal. Hájornais que facilitam esse acesso para as escolas públicas. O jornal, que tem vida curta
  25. 25. mas informação atualizada, é também excelente fonte de material de pesquisa. Portanto,a biblioteca da escola deve buscar oferecer um bom jornal a seus leitores professores, deonde possam retirar matérias interessantes para os alunos. Ao lado do tratamento técnico eficiente e do atendimento feito por pessoas preparadas,é a variedade e a qualidade do acervo o que caracteriza uma boa biblioteca. 7. AQUISIÇÃO DO ACERVO A seleção do acervo é a etapa mais importante da estruturação da biblioteca da escolaporque é ela que vai definir a sua qualidade. Portanto, a aquisição desse acervo é sempreuma grande responsabilidade, pois sabemos como é difícil conseguir que as comprassejam feitas com regularidade, o que permitirá que ele esteja sempre atualizado e prontopara atender às necessidades e desejos dos leitores. A compra dependerá da disponibilidade de recursos financeiros, mas é necessário estaratento para não optar por adquirir um número maior de livros sem qualidade gráfica ouliterária, em detrimento de melhores obras, apenas pelo preço baixo. Lembre-se de que aqualidade da leitura a ser disponibilizada é muito mais importante do que a quantidade. As campanhas de doações podem ser uma maneira de ampliar o acervo. Mas é precisoatenção, pois é comum as bibliotecas receberem livros desatualizados, livros didáticos,revistas velhas, entre outros materiais sem qualidade que só ocupam espaço e nãocontribuem para melhorar o acervo. Apesar disto, podem ocorrer doações de obras dequalidade. No caso de doações, aconselha-se documenta-la por meio de um Termo deDoação que possibilite fazer uma seleção daquilo que interessa à biblioteca da escola,podendo desfazer-se do restante, doando a outras bibliotecas escolares ou públicas,fazendo permutas, ou vendendo para usar o lucro no investimento em livros novos. Outra forma de “garimpo” de bons livros é a visita a “sebos” – que é um tipo de livrariaque só vende livros usados – onde é possível encontrar preciosidades com preços muito
  26. 26. abaixo dos do mercado, observando-se, evidentemente, o seu estado de conservação.Mas em casos de obra muito importante, pode-se até relevar esse aspecto e investir narecuperação ou restauração do livro. 8. O PROGRAMA NACIONAL BIBLIOTECA DA ESCOLA - PNBE Jamais a escola pública brasileira colocou à disposição de seu público tantos livros deliteratura. O MEC, o maior comprador de livros do país, distribuiu dois excelentes acervos paramais de 30.000 escolas públicas, um, em 1998, o outro, em 1999. A lista dos títulos podeser encontrada em http: //www.fnlij.org.br. Para apoiar o trabalho com esses títulos, também foram publicados dois livros: oHistórias e Histórias e o Livronauta, distribuídos pelo MEC em 2001 e 2002, Dando continuidade à política de levar literatura às escolas públicas, os estados deMinas Gerais, Goiás e São Paulo também desenvolveram programas promovendo a leituraliterária e a distribuição de bons livros, aumentando, assim, a oportunidade de lerliteratura nesses estados. Também o município do Rio de Janeiro tem realizado comprasexpressivas de livros de literatura para suas escolas e bibliotecas públicas. Em 2001 o MEC, por meio do PNBE, instituiu o Literatura em Minha Casa, o primeiroprograma nacional destinado a levar literatura para a casa das crianças, criando aoportunidade de envolver a família no processo de formação do leitor, pois é a família oprincipal elo de fortalecimento e desenvolvimento do interesse e da prática de ler eescrever. Foi visando integrar os espaços educacionais e culturais, escola e família, emprol da qualidade da educação, que a professora Iara Prado, Secretária de EducaçãoFundamental do MEC, criou o programa Literatura em Minha Casa.
  27. 27. O MEC assumiu formalmente a necessidade, na prática, do investimento na formaçãodo leitor por meio da literatura, desde cedo. Assim, depois da compra de livros deliteratura em 1999, o PNBE alarga suas fronteiras; se a escola pública no Brasil é o localque tem garantido o acesso democrático ao livro, a família também deve partilhar dessaconquista. Trata-se da maior compra de livros de literatura, para distribuição gratuita, já feita noBrasil. São seis coleções, composta, cada uma, de cinco livros que compreendem osgêneros de poesia, conto, novela, clássico universal, teatro e/ou folclore. Em 2002, cadacriança matriculada nas 4a. e 5a. Séries do Ensino Fundamental das escolas públicas detodo o país recebeu uma coleção para levar para casa e partilhar com os outros membrosda família e com os amigos. Enfim, surge entre nós uma semente de biblioteca familiar ede valorização da leitura literária. São oito milhões e meio de crianças e famílias a ganharcinco livros de qualidade de uma só vez! Além das crianças, as escolas receberam quatro exemplares de cada uma das seiscoleções completas, possibilitando uma ponte entre o trabalho da escola e a casa dascrianças, e também a leitura dos professores e o seu aprimoramento profissional.Mais de quarenta milhões de livros de literatura chegaram às casas brasileiras através daescola pública. Ao todo, e, 2001, o programa Literatura em Minha Casa adquiriu60.000.000 de livros! Os editores, convocados por edital público, apresentaram coleções confeccionadasespecialmente para o projeto. O formato, a capa e o miolo em uma cor forampredeterminados pelo MEC, considerando-se a disponibilidade orçamentária. Cada editorapodia apresentar somente uma coleção e cada coleção deveria conter uma obra de poesiaou antologia de poesias; de contos ou antologia de contos; uma novela; um clássiconacional ou internacional e um livro de teatro ou tradição popular. Depois de uma triagem, quando foram analisados os aspectos gráficos e técnicosexigidos no edital, trinta e seis coleções foram selecionadas para serem avaliadas por umaComissão Técnica, instituída de acordo com a portaria do Ministro da Educação, Paulo
  28. 28. Renato Souza, em agosto de 2001, composta por representante do Conselho Nacional deSecretários Estaduais de Educação – CONSED, da União Nacional de DirigentesMunicipais de Educação – UNDIME, da Associação de Leitura do Brasil – ALB, da FNLIJ,e mais quatro técnicos especialistas nas áreas de leitura.A Comissão Técnica foi presidida pela Secretaria de Educação Fundamental eCoordenadoria Geral do Ensino Fundamental do MEC. A Comissão Técnica participou do processo de formatação da proposta da professoraIara Prado, com relação à importância do projeto, à definição dos critérios, à confecçãodos elementos básicos para o edital, á ficha de avaliação e á descrição dos itens deavaliação que orientaram a seleção final. Superados todos os problemas, principalmente os de ordem burocrática, reuniu-se emSão Paulo, de 20 a 23 de dezembro de 2001, para a seleção final das coleções, umColegiado, instituído pelo Ministro da Educação, constituído da Comissão Técnica e maisum representante do CONSED e um representante UNDIME de cada estado daFederação. E esta foi à parte que julgamos mais importante de todo o processo e que,como membro da Comissão Técnica e do Colegiado, fazemos questão de citar, pela lisura,seriedade e profissionalismo com que o trabalho foi realizado, provando que ahonestidade existe na relação entre órgãos públicos e sociedade civil, mesmo em setratando de milhões de reais, que era o valor em dinheiro envolvido no projeto. Em meio a tantas denúncias de corrupção, que a mídia faz questão de generalizar, éimportante ressaltar que o Colegiado, em nenhum momento, sofreu qualquer tipo depressão para escolher este ou aquele autor, esta ou aquela editora. Queremos deixar, aqui, o testemunho de quem teve a honra de participar dessaseleção histórica, realizada por meio de um processo transparente, competente edemocrático, que está proporcionando, por meio da escola brasileira, o acesso ao livro deliteratura para mais de 30 milhões de pessoas, se considerarmos que em cada casa há,em média, quatro pessoas. As coleções selecionadas foram as seguintes:
  29. 29. Editora Ática. Palavra de Poeta – Henriqueta Lisboa, José Paulo Paes, Mário Quintana e Vinícius deMoraes. De conto em conto – Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Ivan Ângelo, LuizVilela, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Marcos Rey, Pedro Bandeira e WanderPiroli. A árvore que dava dinheiro – Domingos Pellegrini. A ilha do tesouro – Robert Louis Stevenson. Bazar do Folclore – Ricardo Azevedo (tradição popular) Editora FTD. A bailarina e outros poemas – Roseana Murray. Quem conta um conto? – Ana Maria machado, Cristina Porto, Flávio de Souza, RuthRocha, Sylvia Orthof. Carta errante, avó atrapalhada, menina aniversariante – Mirna Pinsky. Os miseráveis – Victor Hugo. O fantástico mistério de Feiurinha – Pedro Bandeira Editora Moderna. Palavras de encantamento – Manoel de Barros, Elisa Lucinda, Elias José, RoseanaMurray, Pedro Bandeira, Mário Quintana, Luiz Gama, Olavo Bilac, José Paulo Paes, FerreiraGullar. Historinhas pescadas – Ângela Lago, Artur Azevedo, Bartolomeu Campos Queirós,Christiane Gribel, Eva Furnari, Machado de Assis, Moacyr Scliar, Pedro Bandeira, RosaAmanda Strausz, Ruth Rocha. Bisa Bia, Bisa Bel – Ana Maria Machado
  30. 30. . A formiguinha e a neve – João de Barro. O macaco malandro – Tatiana Belinky Nova Fronteira. Meus primeiros versos – Manuel Bandeira, Cecília Meirelles, Roseana Murray. Meus primeiros contos – Leo Cunha, Hebe Coimbra, Luiz Raul machado, Machado deAssis e Sylvia Orthof. Vida e paixão de Pandonar, o cruel – João Ubaldo Ribeiro. Histórias de fadas – Oscar Wilde. Hoje tem espetáculo: no país dos Prequetés – Ana Maria Machado Companhia das Letrinhas. A Arca de Noé – Vinícius de Moraes. Era uma vez um conto – Moacyr Scliar, José Paulo Paes, Milton Hatoum, Marcelo Coelhoe Drauzio Varella. Minhas memórias de Lobato – Luciana Sandroni. Odisséia – Ruth Rocha. Pluft, o fantasminha – Maria Clara Machado Objetiva. Cinco Estrelas – Chico Buarque, Henriqueta Lisboa, Olavo Bilac, Carlos Drumond deAndrade, Gonçalves Dias. O Santinho – Luís Fernando Veríssimo. Uma história de futebol – José Roberto Torero. Um assassinato, um mistério e um casamento – Mark Twain
  31. 31. . Eu chovo, tu choves, ele chove – Sylvia Orthof Em 2003, o programa Literatura em Minha Casa, do PNBE, estará novamente levandoás crianças das 4as. Séries oito novas coleções. O processo de seleção, compra edistribuição para as escolas ocorreu ainda em 2002. São as seguintes as coleções: Companhia das Letrinhas. Conta que eu conto – Ana Maria Machado, Angela Lago, Daniel Munduruku, HeloísaPrieto, Roger Mello. O irmão que veio de longe – Moacyr Scliar. Pinóquio – Carlo Collodi. O rapto das cebolinhas – Maria Clara Machado Bertrand Brasil. A poesia dos bichos – Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros, Thiago de Mello. Histórias Fantásticas – José J.Veiga. O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – Jorge Amado. O velho e o mar – Ernest Hemingway. Folclore vivo – Herberto Sales Nova Fronteira. Poemas que contam a História – Gonçalves Dias, Olavo Bilac, Castro Alves, ManuelBandeira, Cecília Meirelles, João Cabral de Melo Neto. Em família - Artur Azevedo, Marina Quintanilha Martinez, Ana Maria machado, Ziraldo,João Guimarães Rosa, Clarice Lispector. A Casa da madrinha – Lygia Bojunga Nunes
  32. 32. . Animais encantados – Irmãos Grimm. Zé vagão da Roda Fina e sua mãe Leopoldina – Sylvia Orthof Editora Ática. Varal de Poesia – Fernando Paixão, Cecília Meirelles, José Paulo Paes, Mário Quintana. Deixa que eu conto – Fernando Sabino, Dalton Trevisan, Ignácio de Loyola Brandão,Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Domingos Pellegrini, Machado de Assis, CarlosDrummond de Andrade.. Do outro mundo – Ana Maria Machado. Ali Babá e os quarenta ladrões – Luc Lefort. Histórias que o povo conta – Ricardo Azevedo Objetiva. Toda criança do mundo – Ruth Rocha, Samir Meserani, Fagundes Varella, SérgioCapparelli. Contos de Estimação – Sylvia Orthof, Silvio Romero, Érico Veríssimo, Adriana Falcão, RuyCastro. A bolsa amarela – Lygia Bojunga Nunes. O Máscara de Ferro – Alexandre Dumas. Histórias de Aladim e a lâmpada maravilhosa – Patativa do Assaré Martins Fontes. Poesias – Sidónio Muralha, Cecília Meirelles, Fagundes Varella, Menotti Del Picchia,Casimiro de Abreu, Olavo Bilac, Gonçalves Dias, Braguinha e Alberto Ribeiro, Cartola,Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, Marino Pinto e Paulo Soledade
  33. 33. . Conto – Sylvia Orthof, Marina Colasanti, Paulo Mendes Campos, Machado de Assis,Afonso Arinos.. Tem fantasma no porão – Elias José. As aventuras de Alice no País das maravilhas – Lewis Carroll. Um saci no meu quintal – Mônica Stahel Record. Simplesmente Drummond – Carlos Drummond de Andrade. Meninos, eu conto – Rachel de Queiroz, Ruben Braga, Antonio Torres, Leo Cunha, ZéliaGattai, Jorge Amado, Marco Túlio Costa, Fernando Sabino, Malba Tahan. A terra dos meninos pelados – Graciliano Ramos. O mágico de Oz – L.Frank Baum. Histórias de lenços e ventos – Ilo Krugli Global. Pé de poesia – Cecília Meirelles, Ferreira Gullar, Mário Quintana, Cora Coralina, OlavoBilac, Henriqueta Lisboa, Manuel Bandeira, Sidónio Muralha. Faz de conto – Mário Quintana, Ignácio de Loyola Brandão, Sylvia Orthof, Luís daCâmara Cascudo, Cora Coralina, Sidónio Muralha, Marina Colassanti. A vaca voadora – Edy Lima. O rouxinol e o imperador da China – Hans Christian Anderson. Os saltimbancos – Chico BuarqueEsperamos que o próximo governo mantenha e amplie esta histórica de se ter valorizado edemocratizado a literatura para crianças e jovens, entendendo-a como um direito e comofundamental para a formação de leitores.
  34. 34. 9. PROCESSAMENTO TÉCNICO – A IMPORTÂNCIA É preciso que nossas crianças e jovens sejam convidados pelos professores afreqüentarem tanto a biblioteca da escola quanto à pública – lugar do livro, da leitura. Lauro de Oliveira Lima definiu a escola como “uma biblioteca cercada de alunos eprofessores por todos os lados”. Entretanto, a biblioteca da escola, entre nós, ainda nãofoi entendida e valorizada como o principal local do projeto pedagógico. A ela devemrecorrer não só os alunos, mas também os professores, para alimentarem –se de idéias einformações como subsídios para desenvolverem, com originalidade, seus planejamentos,mensais, bimestrais, semanais e diários.Outros profissionais que trabalham na escola devem buscar igualmente a biblioteca parase informarem, esclarecerem dúvidas ou para leitura por interesse pessoal. Uma sala com estantes e livros não é necessariamente uma biblioteca. Para ser umabiblioteca onde várias pessoas diferentes, com interesses variados e distintos encontremos livros que buscam, é necessário que eles estejam organizados, sob critérios técnicos,nas estantes. É essa organização técnica que irá possibilitar a recuperação rápida do livro, da revista,da informação que se quer. Em geral, este tipo de serviço não é valorizado por ser vistosomente como uma “arrumação dos livros”; muitas pessoas não percebem que essa“arrumação” é a organização especializada, destinada a tornar possível o uso dosmateriais por muitas pessoas. Portanto, ao falarmos em contato permanente com a leitura, em acesso democrático aolivro, estamos considerando que esse acesso deve estar garantido, desde a fase inicial daescolarização, na biblioteca da escola, cuja organização deve ser compreendida evalorizada pelo professor e, como tal, ser transmitida aos alunos.É o processamento técnico do acervo que vai permitir que várias pessoas encontrem olivro que buscam em um local onde há vários livros.
  35. 35. “O profissional que recebe a incumbência de organizar ou reorganizar uma biblioteca,ou seja, um prédio com uma coleção bibliográfica e um conjunto de serviços, deveempenhar-se, antes de tudo, no processo de planejamento, estabelecimento dos objetivosa serem alcançados e das ações necessárias para atingi-los.” Por isso, o acervo deve ser processado tecnicamente com fichas de autor, título,assunto e série (coleções), no mínimo com a descrição do livro feita, com referênciasbibliográficas sinalizando nome do autor, título, assunto, ilustrador, local, editora, data,paginação (quando houver) e nome da coleção. A organização da biblioteca confere independência ao leitor, permite que ele busquesozinho um livro de determinado autor, título ou assunto. Sem uma organização técnicado acervo, os livros ficarão dispersos e o leitor estará sempre dependendo da memória doprofissional responsável pela biblioteca para auxilia-lo em suas buscas. Quando a escola puder contar com o serviço de internet, o tratamento técnico doacervo pode ser facilitado. A maioria dos livros publicados no Brasil já está tratada,tecnicamente, pela Biblioteca Nacional e encontra-se disponível na Biblioteca Virtual. Bastaacessar http: //www.bn.br, selecionando no menu, que fica no quadro á esquerda dapágina, o item “Biblioteca Digital”, clicar em “catálogos on line” (que vai apresentar váriostipos de catálogo) e selecionar o de TÍTULOS. Depois, clicar em “livros” e procurar pelotítulo, autor, ilustrador, assunto, entre outros dados, o livro desejado e tirar as dúvidas.Entretanto, se isto não for possível, deve-se buscar a ficha catalográfica, no verso dafolha-de-rosto do livro, que traz as descrições que facilitam a busca das informações. A fim de tornar mais clara a importância do tratamento técnico de uma biblioteca,citamos algumas situações de um acervo sem esse tratamento. Vejamos:. Como encontrar um livro de um determinado autor, se a biblioteca não possui umfichário e os livros nas estantes estão organizados somente pelo título?. Como auxiliar um grupo em uma pesquisa de um determinado assunto, se os livros dabiblioteca não estão classificados por assunto?
  36. 36. . E no momento do empréstimo? A maioria das bibliotecas das escolas ainda controla oempréstimo domiciliar anotando em cadernos. Este processo é muito complicado pois,como saber quem não devolveu determinado livro ou como conhecer o perfil dos leitorespara melhorar o atendimento, se o empréstimo é feito dessa maneira? Portanto, o tratamento técnico dos livros é a base principal para os serviços dabiblioteca que tenha como objetivo atender cada vez mais e melhor a seus alunos eprofessores. É muito importante também que o professor conheça o tratamento técnico utilizado noslivros para valoriza-los e explica-los aos seus alunos para que, no futuro, eles possamfazer uso da biblioteca pública, com segurança e sem medo, pois conhecerão a sua formade organização. Para entender cada passo do tratamento técnico dos livros e para facilitara execução do serviço, é necessário que o processo seja dividido em etapas, comoveremos a seguir: 9.1 O REGISTRO DO LIVRO O registro do livro na biblioteca é como o registro de nascimento de uma criança.Portanto, todo livro que entra na biblioteca deve ter um registro próprio, pois é por meiodele que se controla o patrimônio bibliográfico. Pode-se saber, imediatamente, quantoslivros a biblioteca possui, saber qual foi o período em que mais se adquiriram livros e sealguns livros foram eliminados do acervo. Por isso, selecionado o acervo da biblioteca da escola, ou quando são adquiridos novoslivros, o primeiro passo para o tratamento técnico é o registro do livro, que compreendeduas etapas: uma é o registro no livro de tombo e a outra, o carimbo de registro nopróprio livro. O número de registro é o número de ordem de entrada do livro na biblioteca,anotado no livro de tombo, que vai do no. 1 ao infinito, seguido do ano em que a obra foiintegrada ao acervo. Quando uma obra for composta de vários volumes, como asenciclopédias, cada volume recebe um número de registro diferente.
  37. 37. 1ª etapa: REGISTRO NO LIVRO DE TOMBO OU CADERNO DE REGISTRO No livro de registro ou livro de tombo (que pode ser adquirido em papelariasespecializadas ou ser utilizado um caderno horizontal em tamanho A4), coloca-se onúmero segundo a ordem crescente em que os livros vão sendo registrados, seguido deoutros dados essenciais para a identificação da obra, em colunas: autor, título, ilustrador,editora, data de publicação do livro (é diferente da data de registro) e observações (esteespaço servirá para dar baixa no livro ou colocar qualquer tipo de observação que se façanecessária).Veja a seguir o modelo da página do livro de tombo e os seus diversos itens. MODELO DE CADERNO DE REGISTRO OU LIVRO DE TOMBONo. e data é os que vão figurar nocarimbo do livro ANONo. DATA AUTOR TÍTULO ILUSTRADOR LOCAL EDITORA PUBL. OBSERVAÇÕES01 2/9/01 Rocha, Ruth O reizinho Walter Ono São Paulo Quinteto 1978 mandão02 4/9/01 Tenê O conjunto Tenê São Paulo Ática 1978 Baixa por extravio03 4/9/01 Aizen Naumim Era uma vez Patrícia Rio de EBAL 1986 6. ed. duas avós... Gwinner Janeiro2a. Etapa: Registro por Meio de Carimbo no Livro O carimbo no livro tem a função de transportar o próprio livro o seu número deregistro.
  38. 38. O verso da folha-de-rosto do livro (que é a folha que se encontra logo no início do livro,antes do texto propriamente dito, onde estão os dados essenciais à identificação edescrição do livro: autor, título, editora, data etc.0, usa-se um carimbo, confeccionadopara o registro, e nele coloca-se o número de ordem que o livro recebeu.O carimbo pode ser encomendado em papelarias ou loja de carimbos. Em alguns livros para crianças, o texto começa logo no verso da capa; portanto, essasobras não possuem folha-de-rosto. Neste caso, você deve procurar um lugar para ocarimbo que não prejudique a leitura do texto. Os dados a serem informados/escritos no carimbo de registro no livro são: nome daescola, nome da biblioteca, no. do registro e data do registro no livro de tombo. Observe omodelo de carimbo. Modelo de carimbo de registro no livro (usado na parte inferior do verso da folha-de-rosto) Nome da Escola ........... NOME DA BIBLIOTECA No. REG.: ............. DATA: ____/____/____ 9.2 ORGANIZAÇÃO DO CATÁLOGO OU FICHÁRIO O fichário tem a função de organizar as fichas dos livros, visando a facilitar o acesso ásobras nas estantes, com maior rapidez. É através dos agrupamentos a que chamamos de
  39. 39. entradas – normalmente, por autor, título ou assunto – que se organizam as fichas nofichário. O catálogo é uma espécie de lista, com fichas dos livros, que visa a facilitar arecuperação das obras catalogadas na biblioteca. Com um catálogo atualizado e eficiente,o leitor não necessitará procurar em todo o acervo para encontrar o livro ou documentoque lhe interessa ou, ainda não dependerá da boa memória do encarregado pelabiblioteca para localiza-lo. É o catálogo, ou fichário, que dá autonomia ao leitor. A ficha principal é a ficha do autor e é nela que se apresentam os dados de descriçãoda obra. Os elementos essenciais que servem de descrição, do ponto de vista dacatalogação, são: o autor, o título, o ilustrador, a cidade onde o livro foi editado, o nomeda editora, o ano em que foi publicado, o número de páginas e, se for o caso, o título dacoleção ou série. Os dados de descrição do livro serão anotados em uma ficha, encontrada empapelarias, que se chama ficha catalográfica e mede 7,5 x 12,5 cm. É importante manter amedida padrão, mesmo que se tenha um acervo pequeno e o fichário seja feito de caixade sapatos forrada, ou de madeira, pois este deve ser o início de um registro que serápermanente. O que se pretende é que a biblioteca da escola cresça e, quando for possívela aquisição de fichários de aço, próprios para bibliotecas, as fichas já prontas possam sercolocadas neles, tendo obedecido esta medida. Junto da descrição bibliográfica, a ficha recebe, no canto á esquerda, um númeroconhecido como número de chamada. Este número é formado pelo número declassificação dado ao livro – como veremos no próximo capítulo – e pelas três primeirasletras do último sobrenome do autor. Este número de chamada é o mesmo que o livrorecebe na etiqueta colocada em sua lombada. Lembre-se de que estas informações são técnicas simplificadas para orientar otratamento do acervo já que, na sua grande maioria, as escolas não possuem profissionalqualificado em biblioteconomia para executar essas tarefas (o bibliotecário). O professorque assumirá os serviços técnicos da biblioteca deve, portanto, orientar-se pelas
  40. 40. informações seguintes, pois elas são importantes para a elaboração das fichascatalográficas:. Os dados devem, preferencialmente, ser retirados da folha-de-rosto do livro;. Pode-se fazer a descrição com uma referência bibliográfica simplificada, o que vaifacilitar o entendimento do aluno. Segundo a Norma Técnica de Elaboração deReferências, NBR 6023, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), Referênciabibliográfica é o conjunto padronizado de elementos descritivos de documentos impressosou registrados em diversos tipos de suportes, permitindo sua identificação – no todo ouem parte. Assim, um conjunto de indicações pertinentes á natureza, á forma deapresentação e ao conteúdo de um documento é que constitui a essência de umareferência;o nome do autor deve ser escrito na ficha pelo último sobrenome, em caixa alta(maiúscula) para destacá-lo, facilitando na alfabetização – separado do prenome por umavírgula;. O título da obra deve ser colocado em seguida, em maiúscula e minúscula, sublinhadoou em itálico;. Quando a obra não tiver referência de autor, a referência bibliográfica deve iniciar pelotítulo, por exemplo: 574 ESPÉCIES em extinção: guia ecológico. Trad. Maria ESP Esther Lins. São Paulo: Ed. Nóbrega, 1996. 25p. Obs.: Como se pode observar, a primeira palavra do título vem em maiúsculas.. A ficha principal do autor deve conter todos os elementos de identificação do livro, comojá foi visto, enquanto nas fichas secundárias (de título, ilustrador e de assunto) bastacolocar o nome do autor e o título da obra, além do número de chamada;. Como se pode observar nas fichas catalográficas que se encontram no verso da folha-de-rosto do livro, as informações numeradas que são colocadas na parte inferior da ficha(que se chamam pistas) auxiliam nos desdobramentos das fichas secundárias;
  41. 41. A partir da ficha catalográfica do livro Receitas de Olhar, de Roseana Murray, da editoraFTD, que reproduzimos abaixo, fizemos os modelos de ficha de autor, título e assunto. FICHA DE AUTOR (PRINCIPAL) 81 MURRAY, Roseana. Receitas de olhar. Ilustrado Nº de MUR por... . São Paulo: FTD, 199... 34p. chamada 7,5 cm Pista 1. Poesia Infantil. I. Título. 12,5 cm FICHA DE TÍTULO Esta é uma das fichas secundárias, onde se destaca o título do livro; quando ordenadasalfabeticamente, essas fichas formarão o catálogo de título. Receitas de olhar 81 MUR MURRAY, Roseana. Receitas de olhar 7,5 cm 12,5 cm
  42. 42. FICHA DE ASSUNTO Esta também é uma das fichas secundárias, onde se destaca o assunto do livro;quando ordenadas alfabeticamente, essas fichas formarão o catálogo de assunto. POESIA INFANTIL 81 MUR MURRAY, Roseana. Receitas de olhar 7,5 cm 12,5 cm 9.3 CLASSIFICAÇÃO DO ACERVO Classificar é distribuir em classe e/ou em grupos, segundo sistema ou método declassificação e, em bibliotecas, o sistema mais conhecido e utilizado internacionalmente éo CDD – Código Decimal de Dewey. Melvil Dewey, criador do método que tem o seunome, foi bibliotecário, nasceu em 1851 e aos 21 anos foi trabalhar na Biblioteca doAmherst College, nos Estados Unidos. Lá, interessou-se pelo assunto quando começou ase dar o livre acesso do leitor às estantes, o que exigia uma melhor sistematização daordenação das obras. Dewey tomou como base para desenvolver o sistema que idealizouas características de memória, imaginação e razão, formando assim as classes principais. Eledividiu o conhecimento humano em dez grandes classes, cada uma delas com subdivisões,todas representadas por números, que servem para caracterizar assuntos específicos.Desta forma, todos os livros que tratam de um mesmo assunto estarão reunidos nummesmo lugar, já que este número indicará o lugar que o livro irá ocupar nas estantes,através do agrupamento das classes numéricas.
  43. 43. 9.3.1 DE LIVROS DE LITERATURA INFANTIL OU JUVENIL O número utilizado para Literatura é o 80; portanto, o número para literatura infantil ejuvenil deverá estar dentro da grande classe 800. Para o livro infantil e juvenil, aclassificação deve ser simplificada, pois o objetivo é de que as crianças possam se utilizar,desde cedo, do sistema de organização da biblioteca, conforme ressaltamos naintrodução. O sistema de cores pode ser introduzido junto aos números, para melhor identificaçãopelas crianças, como foi feito no sistema de classificação simplificado usado para aorganização das bibliotecas infantis orientadas pela FNLIJ, por exemplo, as da Casa daLeitura, sede do PROLER, no Rio de Janeiro. Cabe ressaltar que este código foi adaptadodo CDD, por nós, da FNLIJ, e pode ser modificado de acordo com cada comunidadeleitora. Como este livro não foi impresso em cores, substituímos as cores por padrões gráficosque as representem (tabela a seguir). As cores (como os padrões) são aleatórias, nãoseguem nenhum modelo. Entretanto, para facilitar o trabalho, deve-se procurar cores queexistam em fita adesiva colorida (Durex) ou em papel tipo Contact, pois as cores daclassificação serão as mesmas que irão na lombada do livro, acima da etiqueta com o nºde chamada. Por exemplo, todos os livros de poesia poderão ter etiquetas amarelas e onúmero 81 na lombada. O que irá diferencia-los será o código do autor. As etiquetasdevem ser colocadas na mesma posição em todos os livros pois, esteticamente, noconjunto de livros, fica mais bonito, além de facilitar a visualização. Mesmo que se adote a classificação de cores, deve-se usar junto o código numéricoque é utilizado em qualquer biblioteca. Repetimos que a nossa proposta é de que abiblioteca da escola estará formando leitores que serão usuários, no futuro, da bibliotecapública. Por isto, é importante que o aluno se habitue desde cedo, na fase escolar, àsconvenções biblioteconômicas para que, mais tarde, ele possa se sentir à vontade em umabiblioteca pública, encontrando ali um ambiente que lhe é familiar. Assim, quando
  44. 44. terminar a escola básica, ele poderá buscar e encontrar com muito mais segurança osconhecimentos e informações de que necessitar, para sua vida pessoal e profissional, nabiblioteca pública. MODELO DE CLASSIFICAÇÃO PARA LIVROS DE LITERATURA INFANTIL E JUVENILBASEADO NA CATALOGAÇÃO DE DEWEY E CÓDIGO DE CORES ULTILIZAÇÃO PELA CASA DA LEITURA -RIO81 POESIA TEATRO82 CONTOS/JOVENS8384 HISTÓRIAS INFANTIS85 CONTOS DE FADA86 LIVROS DE IMAGEM87 QUADRINHOS88 PRIMEIRAS LEITURAS89 FICÇÃO CIENTÍFICA
  45. 45. 9.3.2 DE OUTROS LIVROS Conforme já explicamos, a biblioteca da escola deve ter na literatura infantil e juvenilde qualidade a sua principal riqueza, mas não será uma biblioteca da escola se nãocontemplar a variedade de gêneros da produção editorial. Assim, outros livros que compõem o acervo da biblioteca deverão ser tratados,utilizando-se a classificação bibliográfica geral de Dewey (CDD), que aqui apresentamosmuito resumidamente e que pode ser utilizada em pequenos acervos como o da bibliotecada escola que se inicia. Se a biblioteca possuir um grande acervo, de mais de 2.000títulos, recomenda-se a contratação de um bibliotecário para fazer e orientar o tratamentotécnico adequado. O ideal é que a biblioteca da escola possa comprar o livro que contém a ClassificaçãoDecimal de Dewey, com as explicações e informações necessárias.CLASSIFICAÇÃO DECIMAL DE DEWEY CONDENSADA000 – GENERALIDADES010 – Bibliografias e Catálogos020 – Biblioteconomia030 – Dicionários e Enciclopédias050 – Periódicos060 – Museologia070 – Jornalismo
  46. 46. 080 – Coleções090 – Manuscritos e Obras Raras100 – FILOSOFIA E DISCIPLINAS RELACIONADASClassificar aqui: Teologia, Psicologia, Esoterismo, Auto-Ajuda, Filosofia, Ética, etc.200 – RELIGIÃO300 – CIÊNCIAS SOCIAISClassificar aqui: Ciências Políticas, Legislações, Economia, Folclore e disciplinas afins.O livro didático é classificado em Educação sob o nº 371.32, podendo-se identificar asdisciplinas comas iniciais de cada uma, abaixo do número de classificação.Ex: para um livro de MATEMÁTICA 371.32 MAT400 – LINGUAGEMLingüístico Latim, Gramática, Língua Portuguesa e Língua Estrangeira.500 – CIÊNCIAS PURASClassifique aqui: Matemática, Astronomia, Física, Química, Geologia, Biologia,Antropologia, Botânica e Zoologia.600 – TECNOLOGIA – CIÊNCIAS APLICADASMedicina, Engenharia, Agricultura, Economia Doméstica (culinária, nutrição),Comunicação, Processamento de Dados, etc.
  47. 47. 700 – ARTESClassifique também: Arquitetura, Escultura, Artes Plásticas, Decoração, Pintura, Fotografia,Artes Gráficas, Recreação – Televisão, Shows, Rádios, Teatro, Balé, Jogos, etc.800 – LITERATURAPoesia, HQ (História em Quadrinhos), Drama, Novela, Contos, Literatura Infantil e Juvenil,Humor, Cartas, etc.900- GEOGRAFIA E HISTÓRIABiografias, Viagens e História e Geografia Geral e de específicos continentes, países,estados, cidades, etc. 9.4 ORGANIZAÇÃO DOS LIVROS NAS ESTANTES Após todo o serviço técnico realizado, deve-se etiquetar os livros, com o mesmonúmero de chamada atribuído, a cada um, na classificação, para ordena-los nas estantes.A etiqueta utilizada normalmente é a nº Q1824, da marca Pimaco, que deve ser colocadana lombada dos livros. Estes devem ser ordenados nas estantes seguindo a seqüência donúmero de chamada. Se você optar por utilizar, para os livros de literatura infantil, ascores, junto com o número de chamada, procure colocar a fita adesiva colorida acima daetiqueta. Como já foi dito, para que os livros fiquem esteticamente arrumados nasestantes e também para facilitar a visualização e o manuseio, deve-se colocar todas asetiquetas na mesma altura da lombada dos livros (cerca de 2 cm acima da base dalombada). O melhor suporte para a sustentação e apoio dos livros nas prateleiras é o bibliocanto,em formato de L, que pode ser comprado em papelarias especializadas.Deve ser adquirido pelo menos um para cada prateleira.
  48. 48. Os livros devem ser organizados nas prateleiras de cima para baixo, e da esquerda paradireita, descendo até o final de cada estante. Só depois de a estante estar completa, éque se inicia a organização da seguinte, seguindo o mesmo sistema.É recomendável deixar espaço livre de cerca de 20 cm em cada prateleira para que novoslivros possam ser introduzidos. 10. PREPARANDO A BIBLIOTECA DA ESCOLA PARA EMPRÉSTIMO Na biblioteca da escola, comprometida coma formação de leitores, todo material deveestar preparado e organizado de modo que o leitor possa, ele mesmo, localizar facilmenteo livro que procura, ter acesso aos catálogos e às estantes. Com os livros tratados daforma que orientamos aqui pode-se, também, efetivar o empréstimo domiciliar, pois nãopodemos emprestar um livro que não está devidamente tratado e cadastrado porque nãohá como controlar sua saída e entrada.É preciso controlar o que é emprestado e, para isso, é necessário fazer algumas anotaçõesque permitam saber, a qualquer instante, o que está emprestado, com quem está equando deve ser devolvido. Para isto são necessários dois tipos de fichas: as de inscriçãodo leitor ou de empréstimo e as fichas de devolução. 10.1 FICHA DE INSCRIÇÃO DO LEITOR OU FICHA DE EMPRÉSTIMO Esta ficha é preenchida no momento da inscrição do leitor como usuário da biblioteca.Ela deve conter os dados pessoais do leitor e nela será anotado cada livro que ela levar. Aficha será o “retrato” do leitor, com seus dados e suas leituras (veja modelo a seguir). Esta ficha será guardada em um fichário em ordem alfabética. No caso da escola, pode-se dividi-lo por turma e, depois, em ordem alfabética de nomes dos alunos. Quando o
  49. 49. leitor levar um livro emprestado, a ficha irá para outra coluna, que pode ser geral paratodas as turmas. Quando o leitor devolver o livro, a ficha retornará para as colunas dasturmas. Desta forma, serão necessários dois fichários de empréstimos (que podem serconfeccionados com caixas de sapato forradas): um, com as fichas dos leitores inscritos nabiblioteca e o segundo, com as fichas dos leitores que estão com os livros emprestados. 10.2 FICHA DE DEVOLUÇÃO É uma papeleta que deve ser recortada de uma folha de papel almaço pautado, namesma medida da ficha cartográfica (7,5 X 12,5 cm), ou ser adquirida em papelaria.Deverá ser colada levemente no final do livro. Ela é dividida em duas colunasverticalmente em colunas e cada coluna servirá para anotar, a cada vez que o livro foremprestado, a data que deverá ser devolvido a biblioteca.
  50. 50. FICHA DE EMPRÉSTIMOBIBLIOTECA INFANTIL LIVRO REG. DEVOLUÇÃO FUNDAÇÃO NACIONAL DO LIVRO INFANTIL E JUVENILTURMA: DATA:NOME:END.: CONCORDO EM RESPEITAR AS NORMAS E REGULAMENTOS DA BIBLIOTECA.ASSINATURA:Livro REG. Devolução - FRENTE - - VERSO -
  51. 51. FICHA DE DEVOLUÇÃOEste livro deverá ser devolvido na última data assinalada
  52. 52. 10.3 DIÁRIO DO LEITOR Uma maneira atrativa e nova de conhecer o perfil do leitor, seus interesses epreferências e, para os mais organizados e estudiosos, aproveitar esses conhecimentoscomo material de análise e avaliação do atendimento da biblioteca, é confeccionar o diáriodo leitor. Ele consiste em um caderno (que se pode fazer com folhas tamanho oficio dobradas oumandar imprimir) para cada aluno que retirar livros para ler. A primeira pagina deveconter as informações sobre os alunos e todas as outras páginas serão reservadas paraque ele registre suas impressões sobre os livros lidos. Em cada pagina, a historia da leitura de um livro, por um leitor. Ao final, a história deum leitor. Que tal tentar? Depois nos escreva contando o resultado das suas observações. Modelo de Capa Modelo de página de conteúdo do diário do leitor Título:........................................ Diário do Leitor Autor:........................................ Escola ..................................... Ilustrador:.................................. Biblioteca ................................ Editora:...................................... O que achei do livro: ................................................. ................................................. ................................................. ................................................. Leitor ........................................ ................................................. ................................................. Endereço .................................. ................................................. ................................................. Série ......................................... ................................................. ................................................. Idade ........................................
  53. 53. Importante: O diário do leitor não deve ser retirado da biblioteca e é lá que deveocorrer o seu preenchimento. Ele é um instrumento de pesquisa e avaliação da biblioteca. 11. BIBLIOTECA EM USO Várias atividades podem ser desenvolvidas a fim de otimizar o uso da biblioteca, torna-la um espaço atraente e interessante, onde todos da escola queiram estar. Aqui vãoalgumas sugestões:  pesquisa escolar orientada;  leitura de historias;  desenhos, motivados por leituras;  dramatização, teatro de sombras; de varas; fantoches;  realização de cursos e oficinas;  confecção de jornais;  registro de memória local;  concursos de contos, de poesia e exposições;  exposições sobre o acervo;  palestras;  conversas sobre autores e livros. A biblioteca da escola deve ser um espaço onde o pequeno e os jovens leitores possam além de ter acesso a livros, participar, compreender o seu funcionamento para poderem desfrutar o Maximo de suas potencialidades. Mas também o professor deverá fazer dela o apoio mais importante para suas pesquisas, leituras e estudos para a criação e planejamento das suas aulas. Num país como o nosso, em que há uma enorme carência de bibliotecas, a biblioteca da escola deve servir toda a comunidade escolar: aos funcionários não docentes e também aos pais e demais familiares, que devem usar a biblioteca para suas leituras pessoais, para buscar informações e para seus estudos, temporários ou permanentes.
  54. 54. As escolhas individuais de leitura devem ser respeitadas e todos encorajados amostrar o que pensam, o que sentem, que se revela após cada leitura coletiva. Deveprevalecer o sentimento de que todos têm os mesmos direitos. Uma profunda trocaentre a equipe da biblioteca e os leitores devem ser promovidos. Cada pessoa tem suavez e voz na biblioteca da escola e os que nela trabalham aprendem muito com osusuários. Atividades como “É conversando que a gente se entende”, quando crianças eadultos se sentam juntos para trocar idéias e experiências em torno do livro, sãosempre envolventes, fortalecendo a tolerância e o respeito. Ter sempre alguém lendohistorias, inclusive crianças, e dias reservados para a dramatização, artes plásticas emusica é igualmente importante para conquistar leitores. Pode-se também somas as experiências de cada um. Uma idéia é colocar à vistauma caixa de sugestões, da qual se aproveitem as idéias dos leitores, principalmenteindicações para novas aquisições para o acervo (de livros, gibis, fitas de vídeo, entreoutros). O atendimento a ser prestado aos usuários da pesquisa escolar tem que serassegurado, com amplas oportunidades de obter as informações necessárias. O responsável pela biblioteca, ou o bibliotecário, deve estabelecer umrelacionamento estreito com os professores e a direção da escola, por meio departicipação em reuniões pedagógicas para conhecer o planejamento dos professores.Sua ida às salas de aula também é importante, para convidar alunos e professores avisitarem a biblioteca e para divulgar suas atividades. Assim, o professor poderá sesentir mais motivado, não só a orientar seus alunos a freqüentarem a biblioteca, mas autilizá-la ele próprio. Inúmeras atividades poderão ser desenvolvidas em colaboraçãoentre a biblioteca e a sala de aula, por meio de uma relação produtiva e profissionalentre bibliotecários e professores, reconhecida e valorizada pelos alunos.

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