08 a igreja e israel em rom. 9-11

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08 a igreja e israel em rom. 9-11

  1. 1. A IGREJA E ISRAEL EM ROMANOS 9-11 A doutrina da Igreja é de importância decisiva nodispensacionalismo. A igreja é considerada distinta de Israel e não umnovo Israel espiritual.1 Deus tem diferentes propósitos e programas paraIsrael e a Igreja "dentro de Seu plano geral." C. C. Ryrie afirmaclaramente: "A Igreja não está cumprindo em qualquer sentido aspromessas de Israel...A era da igreja não é vista no programa divino paraIsrael. Ela é uma intercalação".2 O Novo Testamento não "as relaciona[as promessas divinas a Israel] com a Igreja".3 "E tudo isso", afirma ele,"é construído sobre um estudo indutivo do uso de duas palavras ["Israele "igreja], não um esquema superposto na Bíblia.4 E conclui: O uso das palavras Israel e Igreja mostra claramente que no NovoTestamento o Israel nacional continua com suas próprias promessas, e aIgreja nunca é equacionada com um assim chamado "novo Israel", mas écuidadosa e continuamente distinguida como uma obra separada de Deusnesta geração.5 Podem essas asserções ser demonstradas a partir do NovoTestamento, usando o método exegético histórico-gramatical, como odispensacionalismo reivindica? Quais são as regras de tal exegese? O Papel do Contexto nas Distinções Bíblicas Um princípio básico de exegese, algumas vezes ignorado nasconstruções doutrinárias, é o papel determinante do contexto, permitindoque cada texto ou termo receba o seu significado literal a partir de seupróprio contexto imediato. Está sempre presente o perigo de que ointérprete superponha o significado de um termo em um contextohistórico sobre o mesmo termo em um contexto histórico diferente daEscritura. É claro que quando dois textos aparentemente se contradizem,cada um precisa ser compreendido a partir de seu próprio contextohistórico e literário (ver por exemplo, Romanos 3:28 e Tiago 2:24).
  2. 2. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 2 Assim, o termo "Israel" como usado na carta de Paulo aos Romanosdeve ser determinado pelo contexto deste livro e o seu uso do mesmotermo na carta aos Gálatas; deve ser compreendido pelo contexto deGálatas. Esses diferentes contextos históricos diferem consideravelmentee não podem ser ignorados ou negados por causa da uniformidade daconstrução doutrinária. Isso seria uma exegese forçada e dogmática quejá não está aberta às nuanças dos contextos bíblicos. "Israel" no Contexto de Romanos Parece evidente que em Romanos 9-11, Paulo está especialmentepreocupado com os seus compatriotas, "o povo de Israel" (9:3, 4). Alémde se referir com freqüência ao Israel étnico fora da Igreja, ele tambémdistingue entre os judeus crentes em Cristo e os gentios crentes dentro daIgreja (Romanos 11:5, 13). Porque essa distinção dentro da igreja deRoma? Será que ele fazia distinção entre Israel e os gentios sob oprincípio de que Deus tem duas espécies de povo, cada um com umadiferente promessa e destino escatológico? A evidência interna apontapara o contrário. Por exemplo, Paulo adverte as duas facções dentro daigreja de Roma, judeus e gentios, para não se ufanarem um contra ooutro quanto a alguma alegada superioridade ou prerrogativa (verRomanos 11:18, 25; 12:3).6 A diferenciação de Paulo de origens étnicasdentro da comunidade cristã não o levou a fazer distinção entre aspromessas do concerto para Israel e para os gentios. O caso é exatamenteo contrário. O objetivo da epístola de Paulo é lembrar a igreja dopropósito original da eleição de Israel: ser uma bênção para todos osgentios do mundo ao compartilhar com eles a luz salvadora de Deus e doMessias de Israel (Isaías 42:1-10; 49:6). Contra o pano de fundo desse plano divino, Paulo relata osurpreendente fato de "Que os gentio, que não buscavam a justificação,vieram a alcançá-la, todavia, a que decorre da fé [em Jesus comoMessias]; e Israel, que buscava a lei de justiça, não chegou a atingir essa
  3. 3. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 3lei" (Romanos 9:30, 31). O teste decisivo para permanecer na adequadarelação de concerto com Deus é, por isso, exercer fé em Cristo, agoracomo o Messias de Israel (Romanos 9:33). Apenas essa fé assegura asbênçãos do concerto. A Igreja não tem acesso a Deus através de outropacto a não ser o novo concerto prometido ao fiel remanescente de Israel(Romanos 9:24-29). Ellen G. White reconhece essa abertura fundamental do concertodivino com Israel para os gentios: As bênçãos assim asseguradas a Israel são, nas mesmas condições eno mesmo grau, asseguradas a toda nação e a cada indivíduo sob o vastocéu.7 Em Romanos 9-11, Paulo alcança o clímax de sua epístola8 em suaexposição de como os crentes gentios se relacionam ao Israel de Deus.Ele retrata a conversão de gentios a Cristo como o enxerto dos ramos daoliveira brava (gentios) no tronco da oliveira do Israel de Deus(Romanos 11:17-24). Dessa forma, ele visualiza a unidade espiritual e acontinuidade do concerto divino com Israel e o Seu novo concerto com aIgreja de Cristo. Através da fé em Cristo, os gentios estão legalmenteincorporados na oliveira, o povo do concerto de Deus, e partilham daraiz de Abraão (verso 18). A lição da parábola da oliveira cultivada emRomanos 11 é que a Igreja vive da raiz e do tronco do Israel do VelhoTestamento (Romanos 11:17-18). A preocupação especifica de Paulo em Romanos 11 é, contudo, arevelação de um "mistério" divino concernente ao Israel étnico: Porque não quero, irmãos, que ignoreis este mistério (para que nãosejais presumidos em vós mesmos): que veio endurecimento em parte aIsrael, até que haja entrado a plenitude [o pleroma] dos gentios. E, assim,[boutos, desse modo] todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá deSião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades (Rom. 11:25, 26). Muitos comentaristas concordam que Paulo aqui coloca a salvaçãodo Israel étnico em uma inter-relação dinâmica [boutos] com a salvaçãodos gentios. Ele antecipa uma interação entre a salvação de "todo Israel",ou sua "plenitude" (Romanos 11:26, 12) e a reunião da plenitude dos
  4. 4. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 4gentios com Cristo (Romanos 11:25). Paulo não sugere uma ordem desucessivas dispensações, mas vê muitos judeus respondendofavoravelmente à salvação de muitos gentios que se regozijam namisericórdia de Deus através de Cristo. Descreve o seu relacionamentomisterioso com uma perspectiva apocalíptica, embora reconheça tambéma necessidade de um cumprimento presente (três vezes: "agora"): Assim como vocês [cristãos gentios] que uma vez foram desobedientesa Deus, agora receberam misericórdia como resultado da desobediênciadeles [judeus que rejeitaram a Cristo], assim eles também têm agora setornado desobedientes, a fim de que possam agora receber misericórdiacomo resultado da misericórdia de Deus para como vocês. Pois Deuscolocou todos os homens sob desobediência para que tenha misericórdia detodos (Romanos 11:31, 32; NIV, ênfase acrescentada). Pode-se observar neste clímax admirável uma surpreendenteinterdependência da salvação dos judeus e dos gentios. Como um eruditoadequadamente afirma: "Deus não garante nenhuma misericórdia a Israelsem os gentios, mas nem o faz aos gentios sem Israel".9 Arrebatado por essa fantástica visão da fidelidade de Deus àspromessas de Seu concerto com Israel, a despeito da infidelidade deste –o chamado divino a Israel é "irrevogável" (11:29) – Paulo abre umasurpreendente perspectiva do propósito salvador de Deus para a raçahumana como um todo. A misericórdia divina fluiu de Israel para osgentios, a fim de que "todo Israel" fosse desperto para também ansiar amesma misericórdia que os gentios regozijam. Na visão de Paulo, Israelnão caiu além da recuperação. "De modo nenhum! Mas, pela suatransgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes"(Romanos 11:11; ênfase acrescentada). É a intenção de Deus trazer Israelde volta a Si por meio da Igreja de Cristo. Essa maneira de salvar muitosjudeus do Israel étnico para Cristo é parte do maravilhoso "mistério"divino. Apenas nessa interdependência entre Israel e a Igreja, o mesmoevangelho de salvação – justificação pela graça através da fé em Cristo –pode ser mantido para todos os homens. É necessário enfatizar:
  5. 5. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 5 Não há nenhuma indagação de outra conversão a não ser daquela queresulta da pregação do evangelho na história (cf. capítulos 10:14 vv; 11:11,14, 22) e da atividade presentemente chegada até eles a partir do mundogentílico crente (capitulo 11:31).10 Por essa razão a Igreja é chamada para estar ativamente envolvidano evangelho aos judeus. E. G. White encoraja os cristãos atestemunharem ao povo judeu e esperar as bênçãos divinas. É chegado o tempo de conceder luz aos judeus. O Senhor quer queencorajemos e sustenhamos os homens que labutarão nas vias correras poreste povo, pois deve haver uma multidão convencida da verdade que tomaráa sua posição ao lado de Deus. É chegado o tempo quando deve havertantos convertidos em um dia quanto ocorreu no dia de Pentecostes, depoisque os discípulos receberam o Espírito Santo.11 Como o dispensacionalismo conecta a esperança Paulina para oIsrael étnico com a pregação do evangelho da cruz de Cristo, quando oseu axioma afirma que "a glória de Deus deve ser realizada não apenasna salvação, mas também no povo judeu"?12 Como Israel será salvo, deacordo com a escatologia dispensacionalista? Esta pergunta éincisivamente feita por Bruce Corley: Devemos esperar por um milagre apocalíptico a ocorrer sete anosdepois que a "plenitude dos gentios" tenha sido arrebatada do mundo? Osjudeus virão por tratamento preferencial ou através da justificação pela fé? Aprimeira opinião fere o coração do evangelho Paulino.13 Paulo não admite outro caminho para "todo Israel" ser salvo, a nãoser através do qual todos os gentios são salvos: pela fé em Cristo, pelaconfissão do coração de que Jesus é o Senhor ressurreto de Israel (10:9,10). Ele explicitamente afirma as condições divinas para a salvação deIsrael: "Eles também, se não permanecerem na incredulidade, serãoenxertados; pois Deus é poderoso para os enxertar de novo" (11:23;ênfase acrescentada). O Israel étnico chegou a reivindicar amplamente aspromessas do concerto divino ao confiar no seu relacionamentoconsangüíneo com o pai Abraão e, dessa maneira, esperava as bênçãosescatológicas de Deus como uma garantia incondicional (ver Mateus3:7-9; João 8:33-34).
  6. 6. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 6 Contra essa atitude de ufanar-se na vantagem étnica de Israel (verRomanos 2:25-29), o apóstolo proclama urgentemente: Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é oSenhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todoaquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Romanos 10:12, 13; cf.3:22-24). O apóstolo remove toda a distinção teológica entre judeus e gentiosperante Deus, porque "Cristo é tudo em todos" (Colossenses 3:11; cf.Gálatas 3 :26-29). A atitude de Paulo de cortar as arestas do Israelnatural é devido ao fato de que a justiça própria da religião israelita, defazer reivindicação perante Deus enquanto rejeitando a Cristo e Seuevangelho do reino (Romanos 9:31-10:4), foi a própria causa de suaqueda e rejeição (Romanos 11:11, 15). Mas isso não significa que Deusrejeitou a Seu povo Israel (Romanos 11:11)! A Aplicação de Paulo da Teologia do Remanescente de Israel O apóstolo apela para as bem conhecidas promessas dos profetasisraelitas quanto ao "remanescente", para manter a sua tese de que aspromessas do concerto divino não falharam, embora Israel como umanação fracassou em aceitar a majestade de Jesus Cristo. "E não pensemosque a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são,de fato, israelitas" (Romanos 9:6). Assim, Paulo continua a distinçãoveterotestamentária de um Israel espiritual dentro da nação israelita. Osprofetas chamavam esse Israel espiritual de "o remanescente", e eledeveria ser o depositário das promessas do concerto divino. Noremanescente fiel, Israel continuou sempre como o povo de Deus nahistória da salvação. Deus proveu um remanescente fiel por Sua graçasoberana e assim mostrou que em cada julgamento sobre Israel Ele nãorejeitou aqueles que confiaram nEle e O obedeceram. As promessas doconcerto divino nunca podem ser usadas como reivindicações fora deuma vida de obediência por fé no relacionamento com o Senhor. As
  7. 7. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 7promessas divinas e a fé de Israel são inseparáveis e pertencem uma aoutra, como afirma Paulo, "Essa é a razão por que provém da fé, paraque seja segundo a graça" (Romanos 4:16). O dispensacionalismo aceita a natureza condicional das promessasdivinas para o israelita individual, mas insiste nas incondicionais para oIsrael nacional. Ryrie comenta sobre a distinção de Paulo entre o Israelespiritual e o natural em Romanos 9:6: Na passagem de Romanos, Paulo está lembrando aos seus leitoresque ser um israelita por nascimento natural não assegura a alguém a vida eo favor prometidos ao israelita crente que se aproximava de Deus pela fé.14 Ele afirma que na visão de Paulo, um israelita natural não temdireito de reclamar as promessas do concerto divino de "vida e favor"que Deus assegurou tanto no concerto abraâmico quanto no mosaico. Epor que não? Porque a fé no Senhor e no Seu Messias é a condiçãorequerida para receber as Suas bênçãos (ver Romanos 11:23). Contudo,deve-se reconhecer que essa condição de fé é também realizada emantida no remanescente de Israel, escolhido pela vontade soberana deDeus. Um comentarista de Romanos explica: Um "remanescente" não é simplesmente um grupo de indivíduosseparados, tirados de um povo fadado à deposição. É em si mesmo o povoescolhido, é Israel in nuce...No "remanescente" Israel continua sendo o povode Deus...A livre e soberana graça divina decide quem pertencerá ao"remanescente"... Mas de acordo com a eleição divina, o "remanescente"havia sido trazido para a fé em Cristo. Ele se achega a Deus semreivindicações. Sabe que é inteiramente dependente da graça divina. Porisso, como o Israel espiritual, ele agora recebe o cumprimento dapromessa.15 Paulo não opera com o contraste dispensacionalista dos israelitasindividuais versos o Israel nacional, no qual os indivíduos têm apenaspromessas condicionais e a nação apenas promessas incondicionaisdentro do mesmo concerto. Paulo continua a teologia de Hebreus de que"o remanescente é que será salvo" (Rom. 9:27; citando Isa. 10:22-23onde o remanescente de Israel retorna "ao Deus forte", verso 21). Amensagem de Paulo consiste em que Deus é fiel à Sua palavra porque
  8. 8. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 8mais uma vez proveu graciosamente de Israel um remanescente de fé, aigreja apostólica, através do poder criador de Sua promessa. "Assim,pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescentesegundo a eleição da graça" (Romanos 11:5). Os herdeiros legítimos doconcerto mosaico e abraâmico não são os descendentes descrentes enaturais de Abraão ("Israel segundo a carne", 1 Coríntios 10:18), masexclusivamente os seus filhos espirituais, aqueles que pertencem a Cristo. Isto é, estes filhos de Deus não são propriamente os da carne, masdevem ser considerados como descendência os filhos da promessa(Romanos 9:8). E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeirossegundo a promessa (Gálatas 3:29). O remanescente fiel de Israel no tempo de Paulo foi criado pela féna proclamação de que Jesus de Nazaré era o Cristo da profecia. Comoele escreve, "E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavrade Cristo" (Romanos 10:17). Não há superioridade étnica ou preferênciapor categoria no remanescente israelita, da maneira como Paulo ocompreendia.16 O nome "cristãos", (Atos 11:26) simplesmente significa"o povo messiânico", todos de Israel e dos gentios que são batizados emCristo (Gálatas 3:26-29). Por isso, Paulo aplica as promessas de Oséiasde restauração israelita à formação da Igreja de Cristo como um todo,pelo seu cumprimento escatológico (Romanos 9:25, 26; cf. Oséias 2:23;1:10). A Igreja agora ocupa o lugar do Israel étnico que rejeita a Cristo –os ramos podados de Romanos 11:17 – e por essa razão é dotado com oconcerto de Israel, as bênçãos e as responsabilidades, bem como asmaldições se ocorrer apostasia. A benção espiritual da presença de Deusentre Seu povo pretendia levantar o ciúme do Israel natural, porque ochamado divino e redentivo de Israel é irrevogável (Romanos 11:29).Paulo Esperava a Restauração da Teocracia de Israel na Palestina? As palavras de Paulo, "E, assim, todo o Israel será salvo" (Romanos11:26) podem ser entendidas na intenção de ensinar a restauração da
  9. 9. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 9teocracia israelita na Palestina? A New Scofield Reference Bible parecedizer isto em seu comentário sobre Romanos 11 :26, "De acordo com osprofetas, Israel, reunido de todas as nações, restaurado à sua própria terra econvertido, deverá possuir a sua maior exaltação e glória terrena" (p. 1226). Paulo apela ao Velho Testamento a fim de substanciar a suadesafiadora declaração: E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião oLibertador e ele apartará de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliançacom eles, quando eu tirar os seus pecados (Romanos 11:26-27). Através do testemunho vivo dos cristãos gentios, muitos judeus seachegarão à fé em Cristo e assim serão enxertados no verdadeiro Israelde Deus (Romanos 11:23). Dessa forma, Israel é salvo da mesmamaneira que os gentios ("assim", Romanos 11:26). Tal conversão dos judeus está de acordo com outras promessas doVelho Testamento. Por isso, Paulo apela para uma combinação depassagens de Isaías 59:20, 21; 27:9, e de Jeremias 31:34, que predizemuma renovação espiritual de Israel através do perdão divino de seuspecados. Essas passagens também expressam a condição dearrependimento e obediência para a restauração de Israel como teocracia.A promessa divina de redenção em Isaías diz na íntegra: O Redentor virá a Sião, aos que em Jacó se arrependerem dos seuspecados, declara o SENHOR (Isaías 59:20, NVI; ênfase acrescentada). Deus prometeu que viria como Redentor a "Sião" "aos que... searrependerem dos seus pecados". O arrependimento foi requerido deSião ou Israel por causa de suas injustiças sociais sistemáticas (Isaías59:2-8) que causou o exílio israelita entre as nações. O arrependimentojá havia sido afirmado por Moisés como condição para qualquer retornode Israel como teocracia à terra prometida (ver Deuteronômio 30:1-10).Conseqüentemente, Paulo enfatiza a natureza da redenção de Israel aochamá-la de uma redenção da "impiedade" e da remoção divina de "seuspecados" (Romanos 11:26, 27). Jeremias havia prometido a Israel uma "nova aliança" na qual cadaisraelita conheceria o Senhor pessoalmente no perdão de pecados
  10. 10. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 10Jeremias 31:31-34). Porém, mais uma vez a condição é afirmadainegavelmente: "Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também nocoração lhas inscreverei" (verso 33). Estas são as próprias bênçãos doevangelho que Cristo oferece tanto a judeus quanto a gentios através deSua morte, ressurreição e exaltação como Rei de Israel (Atos 5:31).Cristo é o Redentor divino que finalmente vem a Sião. O texto de Isaías59:20 afirma literalmente que o Redentor virá "a Sião". No grego daSeptuaginta se lê: "por causa de Sião". Paulo modifica esta frase deIsaías ao afirmar que o Libertador virá "de Sião" (Rom. 11:26), porqueagora Cristo vem de Israel. "De Sião se refere ao primeiro advento",comenta Lenski.17 A salvação vem do Messias judeu (João 4:22). Cristoainda vem a Israel através da pregação do evangelho, a fim de redimi-lode seu pecado da descrença e dureza de coração (ver Mat. 11:28). Dessamaneira, todos os israelitas crentes serão salvos (Rom. 11:26). A perspectiva de Paulo sobre o Israel natural em Romanos 11 é umadas esperanças e garantias de que ainda muitos – "a plenitude" dos –israelitas retornarão ao Deus do concerto através da fé em Cristo.Contudo, ele nada diz a respeito do retorno físico de Israel à terra daPalestina. F. F. Bruce observa que Paulo não fala "nada a respeito da re-instauração nacional na terra de Israel. O que ele visualizava para o seupovo era algo infinitamente melhor".18 Naturalmente, a melhor promessaé a de salvação do pecado e a garantia da aceitação de Deus. Ésignificativo a este respeito o testemunho do perito em NovoTestamento, Herman Ridderbos durante a "Conferência Sobre ProfeciaBíblica em Jerusalém" em 1971: Não consigo encontrar qualquer garantia escriturística para arestauração nacional e a glória de Israel como povo de Deus...Romanos11:26 proclama que todo Israel será salvo. Compreendo isso comosignificando aquele pleroma [plenitude] dos crentes em Israel. Pela graçade Deus, todos aqueles que crêem serão reunidos em Seu reino, juntocom o pleroma de todas as outras nações.19
  11. 11. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 11 Referências Bibliográficas: 1. Ryrie, Dispensacionalism Today, p. 154. 2. Ryrie, The Basis of the Premillenial Faith, p. 136. 3. Ryrie, Dispensacionalism Today, p. 96. 4. Ibid. 5. Ibid., p. 140. 6. W. D. Davis, "Paul and the People of Israel", NTS 24 (1978): 4-39,afirma, "Já sugerimos que em Romanos 9-11, Paulo enfrentou urna postura decrescente hostilidade entre os cristãos gentios para com os cristãos judeus e osjudeus; isto é, ele enfrentou um antijudaísmo. Essa atitude, ele rejeitou" (p.29). 7. White, Profetas e Reis (Santo André, São Paulo: Casa PublicadoraBrasileira, 1981), p. 480. 8. Ver K. Stendahl, ed., Paul Among Jews and Gentiles (Philadelphia:Fortress Press, 1976), pp. 78-96. 9. H. N. Ridderbos, Paul: An Outline of His Theology (Grand Rapids,Mich.: Wm. B. Eerdmans Pub. Co., 1975), p. 360. 10. Ibid., p. 358. 11. Em What Ellen G. White Says About the Jewish People (Washington,DC.: North American Mission Committee, General Conference of Seventh-day Adventists, 1976). Citação da Review and Herald, 29 de junho de 1905, p.8. 12. Ryrie, Dispensationalism Today, p. 104; cf. p. 155. 13. B. Corley, "The Jewish, the Future, and God" (Romans 9-11)",Southwestern Journal of Theology 19:1 (1976): 42-56; a citação é da p. 51,nota 44. Ver também, Ladd, A Theology of the New Testament, p. 539;Ridderbos, Paul: An Outline of His Theology, seção 58. 14. Ryrie, Dispensationalism Today, p. 138. 15. A. Nygren, Commentary on Romans (Philadelphia: Fortress Press,1978), pp. 393, 394. 16. M. Bourke, A Study of the Metaphor of the Olive Tree in Romans XI(Washington, D.C.: Catholic University of America Press, 1974), pp. 80-111. 17. R. C. H. Lenski, The Interpretation of St. Pauls Epistle to the Romans(Columbus, Ohio: Wartburg Press, 1945), p. 729.
  12. 12. A Igreja e Israel em Rom. 9-11 12 18. F. F. Bruce, The Epistle of Paul to the Romans, Tyndale NewTestament Commentary (Grand Rapids, Mich.: Wm B. Eerdmans Pub. Co.,1971), p. 221. Assim também, J. Murray, The Epistle of Paul to the Romans,NICNT, Vol. 2 (Grand Rapids, Mich. : Wm B. Eerdmans Pub. Co., 1977), p.99; C. E. B. Cranfield, The Epistle of Paul to the Romans, The InternationalCritical Commentary, Vol. 2 (Edinburgh: Clarke, 1979), p. 579. 19. Em Prophecy in the Making, ed. C. F. H. Henry (Carol Stream, Ill.:Creation House, 1971), p. 320.

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