EsperançA

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EsperançA

  1. 1. Meu temporal seria renitente que nem dor de dente; SEMPRE VEM A BONANÇA QUANDO A ALMA TEM ESPERANÇA Arco-iris só no derradeiro dia do ano e pintado na caixa de A noite preta e estéril deixa de teimosia lápis de cor. Quando é penetrada pela lua branca nua . (se passasse de ano, não matasse nambú e não bulinasse rapariga..) A travessia desolada dos dias de Natal deixa de teimosia Quando o Deus menino acena do jumento Minhas noites de insônia se espichariam que nem tripa. e convida para dentro. Nem a espivitada Sônia, buchuda quase por parir, pra me acudir. O temporal renitente deixa de teimosia Quando o arco-iris colore o céu de ingênua poesia. Minhas mágoas entupidas virariam piçarro no estio do sertão, Ainda que Afrodite com seus amassos e sarros e sem- A noite parada das insônias deixa de teimosia vergonhice de língua desentupisse! Quando a ansiedade recosta no peito da alvorada. Minha cara sisuda e carracunda não teria cura, O pranto contido das mágoas difusas deixa de teimosia Quando rende-se aos doces afagos do amante descontraído. visse o que visse de belezura: nem garrote sendo parido na braquiária verde, A cara amarrada dos que padecem calados deixa de teimosia nem bando de maritaca zunindo no céu azul de abril, Quando a risada da criança sufocada sai livre e desembestada. nem jacú crepitando na panela de barro, nem banho de córgo depois de fazer amor debaixo da paineira, Sempre vem a bonança quando a alma tem esperança. nem festança e dança e comilança de dia de reis, nem arroz com pequi e ora pro nobis, Sem ela minhas noites seriam banguelas e peladas de euforia, nem cachaça com siriguela, e o pó cintilante das estrelas estabanadas só pra piorar minha alergia . nem bicho-de-pé no vão do mindinho comixando que nem sexo na ribanceira, nem curau no tacho, nem marmita com canjiquinha, Meus dias seriam desolados que nem o repicar do sino , sem convite e sem aceno do Deus menino. nem noite de São João com quentão e rabo de saia... Aposto que não me daria nem uma volta na garupa do seu jumento, Oh, bicho esperança, ainda que eu não te dê um vintém, pra todo mundo me notar e poder me cartear: visse! gruda no meu peito e faz de mim o teu refém! Sempre vem a bonança quando a alma tem esperança. Ela chegou; ela Claudia de mãos dadas com a bonança! GIL

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