Belmiro barbosa de almeida

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Belmiro barbosa de almeida

  1. 1. BELMIRO Barbosa de Almeida (1858-1935). Nascido em Serro (MG) e falecido em Paris.Após breve passagem pelo Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, matriculou-se em 1877na academia Imperial de Belas Artes, tendo sido aluno de Souza Lobo, Agostinho José da Motae Zeferino da Costa. Começou a trabalhar na imprensa, como caricaturista, naquele mesmoano de 1877, fazendo publicar, na Comédia Popular, sua primeira charge. Trabalharia maistarde para O Binóculo, O Diabo da Meia Noite, O Diabo a Quatro, A Bruxa e outros órgãos, deduração mais ou menos efêmera, que se editavam no Rio de Janeiro.Conservador da pinacoteca da Academia em 1883, foi contemplado com medalha de prata naExposição Geral de 1884. Em 1888, concorrendo ao prêmio de viagem, é derrotado por OscarPereira da Silva. Amoedo, que o julgou injustiçado, promoveu campanha para angariar fundosque lhe possibilitassem a viagem à Europa, graças à qual ele partiu, no mesmo ano, para Paris,ali freqüentando as aulas de Jules Lefebvre, que exerceria grande influência sobre o seu estilo,sendo lícito ver, nos corpos de adolescentes pintados pelo brasileiro, algo da linearidadesensual e elegante do autor de La Verité.A partir dessa primeira viagem a Paris, Belmiro irá alternar sua carreira entre o Brasil e aFrança, "aqui cavaqueando sempre, trabalhando às vezes, e obtendo encomendas; lá,realizando obras mais sérias, aprimorando a técnica, aguçando o espírito" (Celso Kelly). Em1890, no Rio, num barracão do Largo de São Francisco transformado em Ateliê Livre, realizasua primeira exposição. No ano seguinte pinta para a Intendência Municipal uma fracaApoteose ao 15 de Novembro, deixando perceber claramente não ser a pintura histórica oseu gênero de predileção. Escolhido por Rodolfo Bernardelli para substituir Pedro Weingärtnercomo professor de desenho, leciona na Escola Nacional de Belas Artes entre 1893 e 1896, ede novo em 1916, agora como professor de modelo vivo. Mas, perdendo para Fiuza Guimarãeso concurso para o provimento da cátedra, abandona de vez o professorado, para o qual, aliás,nunca teve maior inclinação, e de novo embarca para a França, tão logo findo o conflito de1914-18. Naquele mesmo ano de 1916 fundara, com outros, o Salão dos Humoristas, aberto noLiceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro com a participação de, entre outros, Raul, Calixto, J.Carlos, Helios Seelinger e Di Cavalcanti, com apenas 19 anos.No Salão de 1906, Belmiro expôs uma de suas melhores obras - Dame à la Rose, que causaemoção; no mesmo ano expõe Amuada, um óleo executado com brilho e vigor. Paralelamente,participa do Salon parisiense e vê certa feita recusado, como imoral, um nu, hoje no MuseuNacional de Belas Artes. O governo francês chegou a lhe encomendar um quadro sobre aRevolução de 1789, no qual retratou, entre os revolucionários, alguns brasileiros de passagempor Paris, como o poeta José Albano, o caricaturista Luís Peixoto e o pintor e diplomataNavarro da Costa.Durante sua última permanência no Brasil, é um dos fundadores, em 1930, do Sindicato dosArtistas, do qual foi o primeiro presidente. Afasta-se do cargo pouco depois, para retornar aParis, onde falece a 12 de junho de 1935, legando boa parte de seus bens à Escola Nacionalde Belas Artes, para serem aplicados em obras de amparo a artistas desprovidos de recursos.Desenhista excepcional, ótimo colorista, Belmiro possuía sensibilidade e inteligência abertas atodas as tendências. Em certas paisagens executadas em Dampierre, pouco antes da Guerrade 1914, praticou o Pontilhismo à maneira de Seurat; e chegou mesmo a flertar, embora porpura blague, com o Futurismo, no famoso Mulher em Círculos, de 1921. Amava o carnaval e,como tantos de nossos melhores artistas da época - Bernardelli, os dois Timóteos, ambos osChambellands, Fiuza Guimarães, Seelinger -, executou estandartes para clubes e cordõescarnavalescos, e "tinha garbo em dizer que os pintava", como escreveu Luís Edmundo.Escultor, é de sua autoria uma das mais belas esculturas existentes em logradouros públicosdo Rio de Janeiro - o Manequinho, interpretação livre do célebre Maneken-pis de Bruxelas.Caricaturista, chegou a colaborar com brilho no Assiette au Beurre de Paris, e preencheu comseu talento décadas de brilhante colaboração em dezenas de periódicos brasileiros, de ASemana ao Fon-Fon e de O Malho ao João Minhoca. Foi contudo como pintor que mais sedestacou, tendo se revelado excelente figurista, embora praticasse praticamente todos osgêneros.
  2. 2. Consta ter representado Gonzaga Duque nos traços do marido que, em Arrufos - um de seusquadros mais célebres, pintado em 1887 - discute com a mulher, em meio a luxuoso ambiente.O crítico, por sua vez, retratá-lo-ia no personagem Agrário, do seu romance Mocidade morta,de 1899. Sempre preocupado com as algibeiras, tinha no negociante e grande amigo AntônioRibeiro Seabra um mecenas e administrador atento de todas as suas economias, que fezgrandemente prosperar. Como escreveu João Luso, "tirante a sua arte - quando a ela seentregava -, a única coisa que tomava a sério era aquela vigilância, aquela tutela, aquelecuidado permanente de o não deixarem empobrecer. Tudo o mais lhe parecia poucorespeitável e bastante cômico, a principiar pela sua pessoa. Como artista, achava a própriafisionomia - em que tudo parecia desenhar-se para dentro, menos o nariz, enristado como umaríete numa carranca de navio - extremamente mal-amanhada e grotesca. Ninguém lhe fez tãoimplacavelmente a caricatura como ele mesmo". Já Gonzaga Duque, que o conheceu namocidade, dele traçou um perfil famoso, em Arte brasileira, ao comentar justamente sua obra-prima, Arrufos:- É um mineiro que possui a verve, a sagacidade de um parisiense bulevardeiro. Na rua, de pésobre a soleira de uma porta, no Café Inglês ou na Casa Havanesa, o seu tipo pequeno, forte,buliçoso, destaca-se da multidão. Quando solteiro foi um boêmio desregrado, um perfeito tipo àMurger. Entre camaradas, na Rua do Ouvidor, com o narizinho arrebitado e atrevido farejandopacatos burgueses para lhes agarrar o ridículo, tinha na cabeça um cento de assuntos parapintar e em casa um cento de quadros para concluir. A sua predileta musa era a que inspirou eimortalizou Daumier e Gavarni e, a bem da verdade, deve-se dizer que depois deBorgomainerio e Bordalo Pinheiro ninguém tem feito, no Brasil, melhores caricaturas. Só depoisde casado e depois de viajado; depois de ter visto de perto quanto trabalho e quanta dedicaçãosão precisos para o artista conquistar um nome foi que ele abandonou a boêmia, de uma vezpara sempre. A única coisa que ele jamais abandonará é a toilette. O vestuário é para Belmiroo que foi para Honoré de Balzac e para Alphonse Karr, o que é para Daudet e para Carolus-Duran, o que é para Leon Bonnat e Rochegrosse: uma feição artística, um sintoma de bomgosto e de asseio, ou como lhe chama o mestre, Sr. Ramalho Ortigão, a expressão gráfica,pessoal, de uma filosofia. Namoro do guarda, óleo s/ madeira, 1904; 0,35 X 0,27, Museus Castro Maya, RJ. Rua da Itália, óleo s/ tela, s/ data; 0,32 X 0,27, Pinacoteca do Estado de São Paulo. Dois meninos, óleo s/ tela; 0,30 X 0,40, Museu de Arte de São Paulo.

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