Contribuições epistemológicasdo e mbodiment na ergonomia cognitiva

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Contribuições epistemológicasdo e mbodiment na ergonomia cognitiva

  1. 1. £¡$2) £©©$ £ ¡£¡©§¥¡£¡  4 ) 6 5 4 0 3 # 1 0 ) ( % # % # # ! ¨ ¤ ¨ ¨ ¨ ¦ ¤¤ ¢   FAF hEY FAtsAtyBARptyxwS FeFAbc¥Fcts@ R¥FFApFFS Ag FfBeFcbBFVS FIRWVTRBFIG FD ABA97 8 Y G E q Gr@ 8ri P i 8 Sr8v C X u S a ` GC D 8r E 8C q S i S D h E Y Q P d S a ` P Y C X G 8 U S Q 8 P H E C 8 @ 8 Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007 CONTRIBUIÇÕES EPISTEMOLÓGICAS DO “EMBODIMENT” NA ERGONOMIA COGNITIVA E NAS TEORIAS DA AÇÃO Gilbert Cardoso Bouyer (UFOP) gilbertcb@uol.com.br Giovanni Costa Santos (UFOP) learn10@uol.com.br Gustavo Ferreira Mello (UFOP) mjbirro@terra.com.brEste texto relata que a ergonomia, em seus estudos sobre as indústriasde processos contínuos (IPC), alcançou algo bem semelhante ao queneste texto denominaremos por “embodiment” ao analisar alinguagem dos operadores e até mesmo os verboss que são utilizadosna interação lingüística destes com a área. Nas atividades deabstração estão presentes, de modo enfático, verbos que traduzem o“embodiment” e os “image-schemata”, como “sentir, visualizar,checar, observar, perceber, manobrar, mexer, operar”. O que severifica é que a “atividade intelectual” do operador, ao contráriodaquela do engenheiro, apóia-se, em larga escala, no “embodiment”:sua incorporação no contexto do trabalho, sua ação situada, seutrabalho sustentado pela mobilização de esquemas incorporados(“embodied-schemata”) e metáforas ou padrões recorrentes (“image-schemata”) aos quais correlacionam-se mapas neurais de base cortical(córtex cerebral responsável pela atividade sensório-motora) baseadasnas experiências sensorial e perceptual, ambas corporalmenteadquiridas em sua vivência direta na área. Esta experiência, histórica,hoje permite controlar de modo eficaz e eficiente o processo produtivo,devido à ação incorporada ou “embodied action”, via “embodiment”dado na história de incorporação de “corpo e mente” na atividade detrabalho. Afasta-se tal abordagem da noção de representação mentalpara ceder espaço à de atuação/incorporação (“embodiment”).Palavras-chaves: cognição; ação; mente incorporada
  2. 2. ©k§‰‰§…T‰f7 ‰©‰‰V‰‰FT‰pe‰ƒ©e$§’e‰©¡V…ƒ©©€ h 7 j i • h d g – • e d 7 ™ — – ˜ — – – • ” “ † ˆ‚ ‡ “ † ˆ ‘  † ˆ ‡ † „ ‚‚  € W~c ‚q{ cw¥tw¥xcsyx… ˆyw cbW~u~r Ww¥yn ym cW~Wcw ~ W€ccc~~WcWw W£yBt£Wur cp scw9l m { r q „ r…n m…ƒ t ƒ m w m‡ o z † w } | o p m… q o „ w ƒ w p ‚ q { v t  w } | t { o z r m xw v m t s q o m n m Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 20071. IntroduçãoDesde que a Ergonomia Francesa propôs que o homem em atividade de trabalho não seresume a um sistema de estímulos e respostas e que, também, não pode ter seucomportamento explicado inteiramente pelas leis das ciências biológicas e físicas de modoisolado (fisiologia do trabalho, antropometria, etc), abriu-se um espaço para a compreensãomais ampla das características antropológicas do homem em atividade.Mas, qualquer que seja a abordagem ergonômica que se busque avaliar, de uma maneira ou deoutra, ela faz referência ao que neste texto denominamos por “embodiment”.Nos trabalhos de Wisner (1987), a discussão da interseção entre as cargas física, psíquica ecognitiva da atividade tem, perpassando em sua essência, a questão do “embodiment”: Quecorpo é este que atua e, ao atuar – no sentido de atuação: agir numa situação de trabalhocomo agente situado, acoplado na atividade, sob os efeitos da incorporação ao contexto(“embodiment”) que absorve e afeta os fenômenos da cognição (neste enfoque, atrelados aoconceito de ação conforme Johnson Rohrer (2006)) em atividade de trabalho; gerafenômenos que entrelaçam as dimensões física, psíquica e cognitiva do ser em atividade?Quem está a exercer uma atividade de trabalho não está a envolver, a si mesmo, emcomplexos processos que agem no corpo, na mente, no espírito? É agindo que se cria a redede fenômenos que “surgem” e desaparecem sem deixar rastro, como que um mundo criado naação, pela ação e “reluzente” apenas enquanto dura a ação. Em diversos trabalhos, sem que sedenominem os conceitos e filosofias do corpo que age, os autores já fazem referência ao“embodiment”.“Embodiment”, na Ergonomia, remete aos cheiros, ruídos, vibração, cor, temperatura, sinal...são todos elementos que apenas os “embodied-schemata” (JOHNSON, 1990) podem tratar;elementos que requerem uma espécie de competência incorporada para serem “processados” –visto que na realidade eles não são e jamais foram “processados” mas sim incorporados e re-criados na interioridade dos operadores, em ação, em atuação. Na atividade de trabalho.O que existe de encadeamento lógico e representacionista na ação possui uma baseincorporada e experiencial. Em particular, essa base se aloja na forma de “image-schemata”que contêm inferências e conferem racionalidade / inteligibilidade à ação. Ou seja, há umaestrutura interna atuante no trabalho que pode ser traduzida em algo mais formal mas que, narealidade, não deixa de ser uma estrutura incorporada de ação que possibilita toda atividade deabstração necessária ao processo de trabalho, inclusive o entendimento das próprias relaçõesformais sobre conceitos e proposições: a “dimensão conceitual do modelo operatório”(RABARDEL PASTRÉ, 2005, p. 103). Os esquemas incorporados são a chave para queeste nível conceitual se torne inteligível aos agentes e permita um ajustamento da açãoconforme a situação de trabalho. O esquema mais geral que permite ao operador lidar comvariadas classes de situações está apoiado sobre uma base perceptivo-gestual de ajustamentoda ação (RABARDEL PASTRÉ, 2005, p. 102-106).A compreensão conceitual ou a abstração do operador ocorre como uma metáfora dacompreensão do próprio movimento deste no trabalho (JOHNSON ROHRER, 2006) – Osconceitos e proposições na mente são como que metáforas de movimentos e atos provenientesdo corpo que atua no processo de trabalho. Esta espécie de sistema metafórico muito bemexplicado por Johnson Rohrer (2006) e por Johnson (1990) projeta-se na linguagem e naação do trabalho enquanto meios de raciocinar, de planificar a ação e de gerar compreensão 2
  3. 3. ©k§‰‰§…T‰f7 ‰©‰‰V‰‰FT‰pe‰ƒ©e$§’e‰©¡V…ƒ©©€ h 7 j i • h d g – • e d 7 ™ — – ˜ — – – • ” “ † ˆ‚ ‡ “ † ˆ ‘  † ˆ ‡ † „ ‚‚  € W~c ‚q{ cw¥tw¥xcsyx… ˆyw cbW~u~r Ww¥yn ym cW~Wcw ~ W€ccc~~WcWw W£yBt£Wur cp scw9l m { r q „ r…n m…ƒ t ƒ m w m‡ o z † w } | o p m… q o „ w ƒ w p ‚ q { v t  w } | t { o z r m xw v m t s q o m n m Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007para inúmeras situações no trabalho. A compreensão de uma proposição no trabalho envolveestar situado, contextualmente, atuante (incorporado, en-agido) em um espaço definido. Estaratuante, “ser-no-mundo”, “estar-na-ação”, sob certos limites dados na materialidade de tempo(temporalidade do processo de produção) e do espaço (no qual se desencadeiam os atos, osgestos do corpo físico e os modos operatórios). Os esquemas que operam nesta atuação-incorporação o fazem de modo a tornar o mundo da produção (ou o “mundo de cada um”(RABARDEL PASTRÉ, 2005, pág. 102), que contém a organização da ação comoestrutura da situação e como fruto da experiência) passível de inteligibilidade e compreensão;passível, também, de intercompreensão com outros agentes aí acoplados, situados e atuantesnuma mesma rede, também, de intersubjetividade e “cognição compartilhada”.2. O problema de pesquisaEssas “categorias conceituais”, ou conceitos pragmáticos para a ação em um “modèleopératif”, que permitem articular as propriedades da ação – invariância e adaptabilidade – demodo a torná-la eficaz (RABARDEL PASTRÉ, 2005, pág. 102-103) são, sob determinadoponto de vista, “categorias metafóricas” ou comportamentos solicitados a todo momento naação. O operador compreende o processo de produção por meio dessas metáforas em suaexperiência diária. Daí surgem as possibilidades de um encadeamento baseado na lógica dasproposições, das cadeias simbólicas e representações.O que nos diz a via empírica da realidade quanto ao modelo da representação mental? Omesmo que nos tem dito a via teórica e epistemológica. As “Dimensões do Embodiment”(ROHRER, 2006) estão presentes no controle do processo contínuo – A presença do corpo edos esquemas incorporados de ação, em atuação, são o que configuram a “representação” parao controle de processo. E o respaldo teórico, epistemológico e filosófico para esta abordagemdo universo empírico de uma “ausência de representação” é tão ampla que Peschl (2000)prefere utilizar o termo “representação sem representação” para se referir ao processo de“conhecer” e de gerar conhecimento como mecanismos de transformação sensoriomotora nocórtex cerebral. Longe da representação como algo “desincorporado”, este autor diz que a“representação” não é determinada pelo ambiente mas pela organização, estrutura e restriçõesreferentes a um sistema sensoriomotor embebido num dado contexto social e cultural esimultaneamente encarnado no corpo por via dos esquemas e metáforas de ação o “embodied-schemas” (JOHNSON, 1990).Ora, mas no lugar da representação, tem-se as construções incorporadas resultantes deesquemas incorporados construídos pela história de inserção de “corpo presente” num dadoprocesso de trabalho. Estas construções funcionam, quando numa necessidade de atividademental, atividade abstrata, tomada de decisão, construção e ou “planificação da ação”, como“metáforas” ou “imagens metafóricas” que se apóiam na experiência com o mundo físico daação para, daí, tornarem-se construções para o mundo abstrato da representação: O que naliteratura recebe o nome de “Image Schemata” (ROHRER, 2005; ROHRER, 2006;JOHNSON, 1990; JOHNSON ROHRER, 2006).“Nós, humanos, pensamos com atos e nós agimos como modo (meio) de construir pensamento(“representação”) – Cognição é ação” (JOHNSON ROHRER, 2006).O mesmo vem sendo comprovado na inteligência artificial, na qual os robôs inteligentesnecessitam “agir com o corpo de robô para poderem pensar” (ZIEMKE, 2002).Os “image-schemas” são efetivados como padrões de ativação em mapas neurais topológicosdo sistema nervoso. Um mapa neural contém padrões de ativação sensoriomotora ou “image- 3
  4. 4. ©k§‰‰§…T‰f7 ‰©‰‰V‰‰FT‰pe‰ƒ©e$§’e‰©¡V…ƒ©©€ h 7 j i • h d g – • e d 7 ™ — – ˜ — – – • ” “ † ˆ‚ ‡ “ † ˆ ‘  † ˆ ‡ † „ ‚‚  € W~c ‚q{ cw¥tw¥xcsyx… ˆyw cbW~u~r Ww¥yn ym cW~Wcw ~ W€ccc~~WcWw W£yBt£Wur cp scw9l m { r q „ r…n m…ƒ t ƒ m w m‡ o z † w } | o p m… q o „ w ƒ w p ‚ q { v t  w } | t { o z r m xw v m t s q o m n m Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007schemas”. As capacidades conhecidas como funções psíquicas superiores – significação,compreensão, imaginação, pensamento proposicional e o sentido de “self” – são todasconstruídas sobre a base incorporada de estruturas experienciais. Há uma capacidade emtomar a informação recebida pela modalidade sensorial e convertê-la em mapas neurais e“image-schemas”.“Abstract representations” não são inerentemente espelhos de objetos e coisas externas, massão os moldes compostos por estruturas perceptivas e sensoriomotoras que tomam o lugar darepresentação: Moldes incorporados e temporalmente situados (história de atuação)denominados por “image schemas”. É freqüente a transmissão de informação do sistemavisual para o sistema sensoriomotor, e tudo passa a ser convertido num mapeamentotopológico, em mapas neurais; eles são padrões sensoriomotores da experiência, os quais sãoinstaurados e coordenados entre outros mapas neurais unimodais. Cada experiênciasensoriomotora pode se converter em seu próprio mapa neural incorporado.3. Os método de análise do problemaFoi empregada a Análise Ergonômica do Trabalho (WISNER, 1987), em paralelo às análisespropostas por Peschl (2000), Rohrer (2005), Johnson (1990), Johnson Rohrer (2006) eRohrer (2005). Estas últimas são análises no campo da linguagem, sobretudo das estruturassemânticas aí presentes. São métodos que instruem sobre como avaliar a linguagem dosagentes e, mediante análise do uso de verbos, enunciados, estruturas semânticas e articulaçõesdestas com as ações adotadas, identificar e caracterizar a presença dos “embodied-schemata”e dos “image-schemata” como elementos estruturantes e determinantes da atividade abstrata,da própria linguagem, das funções cognitivas-psíquicas superiores e, no presente caso, dasatividades abstratas e cognitivas relacionadas ao controle de processo nas indústrias deprocesso contínuo.Não se trata de afirmar que se deva analisar o substrato material do cérebro e suas leis vistoque estes não explicam o fenômeno da “representação sem representação” (PESCHL, 2000).O “embodiment” está na interseção entre o universo biológico e o universo social e, por isso,as análises envolveram tanto o domínio biológico (mapas mentais corticais incorporadosdisparados pelas demandas das situações específicas de trabalho) quanto o domínio social ehistórico (a vivência incorporada na área e os intercâmbios com outros atores da produção).O corpo é uma entidade que atua em dois mundos distintos: O mundo social e o mundobiológico, e um esquema incorporado foi analisado nestes dois mundos, como uma unidadeque se forma na ontogênese do organismo, o que implica em modificações nas estruturasbiológicas que interagem no universo social ora investigado em detalhe.As análises da atuação do agente envolveram avaliar seu corpo no trabalho não como umaparelho biológico, mas como um corpo também interligado com o mundo social eintersubjetivo; um corpo que é, de fato, o mediador entre o universo biológico e o universosocial; corpo que se desdobra pelas vias dos esquemas nele armazenados para a ação eficaz.O “embodiment” vai justamente solicitar o caráter mais multidisciplinar da Ergonomia,lembrando que nas palavras do próprio Wisner, em seu texto sobre epistemologia, “ela é,principalmente, multidisciplinar. Ela cobre um largo espectro de conhecimentos; agrupa oengenheiro, o fisiologista, o médico, o psicólogo. É uma disciplina de síntese, convocadapara fornecer as bases de ação em um campo, onde a parte ocupada pelos fatores nãocontrolados ou não controláveis é importante” (WISNER, 2004).Ora, mas na medida em que estas disciplinas evoluem, que avançam em seu trajeto histórico 4
  5. 5. ©k§‰‰§…T‰f7 ‰©‰‰V‰‰FT‰pe‰ƒ©e$§’e‰©¡V…ƒ©©€ h 7 j i • h d g – • e d 7 ™ — – ˜ — – – • ” “ † ˆ‚ ‡ “ † ˆ ‘  † ˆ ‡ † „ ‚‚  € W~c ‚q{ cw¥tw¥xcsyx… ˆyw cbW~u~r Ww¥yn ym cW~Wcw ~ W€ccc~~WcWw W£yBt£Wur cp scw9l m { r q „ r…n m…ƒ t ƒ m w m‡ o z † w } | o p m… q o „ w ƒ w p ‚ q { v t  w } | t { o z r m xw v m t s q o m n m Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007de desenvolvimento epistemológico, de amadurecimento científico, coube, aos métodos deanálises ora descritos, inserirem-se no universo metodológico da Ergonomia, absorver estasevoluções das disciplinas que a nutrem e, junto com elas, construir um novo modo deobservar, de analisar e de compreender a atividade de trabalho cognitiva e a ação humananesta atividade.A ciência cognitiva vem amadurecendo de modo vertiginoso na recente história doconhecimento humano. Como não incorporar, na Ergonomia, e no presente trabalho depesquisa, as evoluções metodológicas e epistemológicas daí decorrentes, visto ser aErgonomia Cognitiva uma disciplina que deve, segundo Wisner (2004), nutrir-se das ciências,i.e. ciências cognitivas? Se as ciências cognitivas adquiriram evolução tal que, hoje,contestam a existência de uma suposta representação enquanto espelhamento do mundoobjetivo pelo sistema nervoso, coube às análises do presente trabalho trazer para a ErgonomiaCognitiva os métodos e teorias que já comprovadamente foram eficazes em desmistificar aidéia de representação mental. Pelo uso deles, caiu por terra a idéia de existência derepresentações mentais cartesianas construídas, pelos operadores, como espelhamento domundo pela cognição em atividade.Ao invés da representação, os métodos da ciência cognitiva ora empregados na análise dalinguagem dos operadores, e de sua ação, levaram ao encontro da atuação, da menteincorporada e dos esquemas-imagem e/ou esquemas incorporados. Na Ergonomia Cognitiva,muitos pesquisadores já vinham percebendo as incoerências da representação e elucidando omodelo da atuação sem, entretanto, disporem de uma bagagem conceitual e teórica que ospermitisse melhor compreender o que, de fato, se passa no centro de um “processo derepresentação mental” na atividade de trabalho.4. Dados, análises e discussõesQuanto ao controle de processo contínuo, observemos o que diz um operador de destilação depetróleo:“Ninguém sabe o que se passa dentro desta torre de destilação. Isso aí é um buraco negro. Eunão penso, eu simplesmente faço e faço com o que eu sei, e não sei como, que é o certo e quedá certo. (...) Não entendo nada deste negócio e olha que estou aqui já faz mais de 15 anos.(...)Ninguém entende nada desta torre. Ela é um mistério. (...) O que eu faço aqui na sala decontrole deve fazer acontecer alguma coisa lá fora, mas eu não sei o que. (...) Eu só sei quequando passo no ônibus e vejo a torre da janelinha, eu penso: não sei como eu ainda nãoexplodi esse negócio sem querer porque eu não sei nem o que é isso daí” (Operador derefinaria de petróleo).Eis a “representação” que o operador elabora quando em atividade de controle automatizadode processo contínuo de destilação de petróleo numa refinaria.O operador não representa o processo e não o controla por representação. Na realidade, a“inteligência” que controla o processo não está no sistema nervoso do operador da Indústriade Processo Contínuo (IPC), mas sim no corpo que vivenciou a experiência da “área” e nocorpo que, a todo momento, se mantém em contato com a área. Neste trabalho de pesquisa, osdados indicam que os operadores que “sofreram na carne a experiência de trabalharem comopeões da área” (fala de um operador que controla a IPC por sistema automatizado) possuem“representações” de qualidade superior às “representações” dos operadores que começaramdiretamente na “sala de controle” da IPC. Vejamos:Os que possuem “image-schemata”, “embodied-schemata” ontogeneticamente corporificados 5
  6. 6. ©k§‰‰§…T‰f7 ‰©‰‰V‰‰FT‰pe‰ƒ©e$§’e‰©¡V…ƒ©©€ h 7 j i • h d g – • e d 7 ™ — – ˜ — – – • ” “ † ˆ‚ ‡ “ † ˆ ‘  † ˆ ‡ † „ ‚‚  € W~c ‚q{ cw¥tw¥xcsyx… ˆyw cbW~u~r Ww¥yn ym cW~Wcw ~ W€ccc~~WcWw W£yBt£Wur cp scw9l m { r q „ r…n m…ƒ t ƒ m w m‡ o z † w } | o p m… q o „ w ƒ w p ‚ q { v t  w } | t { o z r m xw v m t s q o m n m Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007pela história de contato com a planta, pela “aculturação” e “socialização” ao universoconcreto da planta e puderam “incorporar” o processo produtivo em seus corpos na forma deesquemas para ação ou esquemas incorporados – estes operadores possuem uma “embodied-competency” ou competência incorporada que torna sua ação mais eficiente que a ação doscolegas que iniciaram a experiência trabalho diretamente no painel de controle ou no sistemaautomatizado atualmente em uso.Quais diferenças esta pesquisa detectou? Os agentes que estiveram incorporados na planta: a)Planificam a ação (LEPLAT, 1997, 1999) com mais eficiência; b) controlam o processo commenor variação e com menos oscilações; c) mantêm o processo por um tempo maior dentrodos níveis esperados de normalidade quando comparados como os operadores que jamaistrabalharam na área; d) tomam decisões mais eficazes; e) gastam menos tempo nesta tomadade decisão; f) possuem um vocabulário repleto de imagens metafóricas herdadas do tempoque trabalhavam na área (“image-schemata” – (JOHNSON, 1990; ROHRER, 2005), as quaispermitem uma “intercompreensão” (ZARIFIAN, 1999) mais ágil, rápida e eficiente com osdemais atores da produção e um estabelecimento de comunicação que é bem mais eficaz nasolução de problemas inesperados, imprevistos, eventos, panes, quebras, desvios denormalidade do processo, desvios e variações na qualidade da matéria-prima, etc); g)conseguem retornar o processo aos parâmetros de normalidade com maior rapidez e facilidadeque os demais; h) solucionam problemas com maior rapidez e sem necessidade de re-correções; i) Demonstram menos conhecimento teórico, menor atividade de abstração e deraciocínio analítico e estratégias e planificação de ações muito pouco baseadas em regras(visto que os outros operadores, cuja história se iniciou no “controle” do processo, apegam-semais às normas e procedimentos prescritos da IPC...).É como se o corpo do operador, seus músculos, seus nervos e estruturas aferentes e sensoriaisse estendessem por toda a planta, por meio de recursos diferenciados de comunicação extra-sala de controle, os quais, de fato, tornam o operador como um “corpo estendido e situado”sobre a refinaria, sobre a fábrica de cimento, sobre a usina – corpo que reconstrói e reorganizaos sinais do processo a todo momento e os reformula numa função de re-enquadramentosegundo sua estrutura e sua organização interna formada por esquemas incorporados para aação e “image-schemata” adquiridos em sua história de área, história carnal na planta. Vemdesta história de carne, de seus elementos concretos, o que agora o observador imagina tratar-se puramente de raciocínios, imagens e estratégias mentais para a ação eficaz sobre oprocesso. Eis a representação.Incrível é observar como “mapas tão precisos” e representações “tão fortes” possam ocorrersem a participação do corpo que experimenta, no “mundo da carne”, a atividade de trabalho.A ciência cognitiva atual mostra que a “representação” é o resultado de uma atuação, de umahistória de inserção da carne, do corpo, num processo de trabalho específico, numa atividadeespecífica, permitindo o desenvolvimento de esquemas incorporados que, estes sim, ao invésdas “representações” puramente idealistas e abstratas, permitem “abrigar cada vez mais arealidade e melhorar a qualidade e a adequação dos cursos de ação”, conforme os trechos dacitação anterior. Ao invés de “representações para a ação”, é mais coerente com o novoparadigma das ciências cognitivas falar de “esquemas incorporados para a ação” ou“embodied-schemata” (JOHNSON, 1990).Engenheiro e operador atuam em domínios operacionais distintos ou diferentes ontologias darealidade. Não usam os mesmos índices, visto que o operador se apóia mais largamente emseus “embodied-schemata” que o engenheiro não possui e talvez não adquira jamais. Se a 6
  7. 7. ©k§‰‰§…T‰f7 ‰©‰‰V‰‰FT‰pe‰ƒ©e$§’e‰©¡V…ƒ©©€ h 7 j i • h d g – • e d 7 ™ — – ˜ — – – • ” “ † ˆ‚ ‡ “ † ˆ ‘  † ˆ ‡ † „ ‚‚  € W~c ‚q{ cw¥tw¥xcsyx… ˆyw cbW~u~r Ww¥yn ym cW~Wcw ~ W€ccc~~WcWw W£yBt£Wur cp scw9l m { r q „ r…n m…ƒ t ƒ m w m‡ o z † w } | o p m… q o „ w ƒ w p ‚ q { v t  w } | t { o z r m xw v m t s q o m n m Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007análise ergonômica da atividade é a análise do sistema homem-tarefa, que homem é este queage na atividade? Um homem ideal, processador de informação, no qual o corpo nãoparticipa do saber ou um homem dotado de um saber incorporado?O que significa “deixar sua marca” no trabalho senão materializar, nele, algo de si, algo desua estrutura interna, de sua função-incorporação? O que torna um objeto significativo paraum operador; o que torna a ação dotada de sentido é o “embodiment”, não a representação, e aErgonomia afirma isso, a todo momento, embora não o explicite em termos conceituais eteóricos específicos:Ao que encontramos a resposta justamente na investigação das estruturas de junção entre ofisiológico e o psicológico, ou os “embodied-schemata” que permitem compreender com maisclareza o funcionamento do sistema de trabalho em sua interioridade, a interioridade que aErgonomia busca adentrar em seus estudos e investigações sobre o homem em atividade detrabalho.Uma questão intrigante que surge é sobre a validade do “embodiment” nas indústrias deprocessos contínuos (IPC’s) e nas indústrias de produção discreta ou mesmo nos processos deserviços. Ora, uma visão tão abrangente não pode jamais ser enquadrada em algum modoespecífico de processo de produção, visto que ela refere-se à ontogênese mesma dotrabalhador num recorte de algo que é fomentado, gerado, pela própria atividade de trabalhoem suas estruturas cognitivas, psíquicas, incorporadas – seus esquemas... Os “embodied-schemas”.Quanto às milhares de variáveis que o controle de processo coloca sob o controle cognitivo dooperador, jamais seria possível com elas lidar sem que houvesse, também, a ativação dos“embodied-schemata” que, em vários casos, são resultantes ontogeneticamente da vivência deatividade de trabalho na “área” (chão de fábrica) e não no painel de controle. Por que osoperadores que iniciaram sua história no “chão-de-fábrica” possuem uma capacidade deabstração e de elaboração de estratégias para a planificação da ação de modo mais eficiente emais eficaz que os operadores que iniciaram diretamente no painel de controle?A resposta é dada na noção de “embodiment” e na noção histórica de aquisição de esquemasincorporados que moldam a competência incorporada do agente de processo contínuo.Alguém pode questionar que ele não se movimenta no processo, logo, tudo o que foi ditosobre o movimento do corpo perde sentido para os operadores de controle das IPC. Ledoengano. O movimento é aquele armazenado na história do operador, armazenado e ativadopor esquemas que permanecem vivos num outro tempo, numa outra duração que a todomomento faz emergir os movimentos do tempo de “área”, do tempo de “chão de fábrica”.As “milhares de variáveis que se inter-relacionam e evoluem no tempo”, com elas não seriapossível planificar a ação e elaborar uma estratégia de intervenção no sistema automatizadode controle sem que se incluir, na discussão, a noção de atuação. A noção de representaçãofalha ontológica e epistemologicamente (e também filosoficamente...) na explicação do“como” o operador coordena, em sua dimensão de atividade mental, essas milhares devariáveis no controle do processo.As abordagens de habilidades e competências para controle de processo em IPC’s, cruciaispara a Ergonomia Cognitiva e para a Teoria da Ação, estariam “mancas” se não estivessemrespaldadas pelo novo paradigma das Ciências da Cognição: O paradigma da “MenteIncorporada” (“Embodied Mind”...). O “embodiment” tem andado junto com a Ergonomia, demodo tênue e discreto, e agora pode-se, sob o respaldo das ciências da cognição, explicitar 7
  8. 8. ©k§‰‰§…T‰f7 ‰©‰‰V‰‰FT‰pe‰ƒ©e$§’e‰©¡V…ƒ©©€ h 7 j i • h d g – • e d 7 ™ — – ˜ — – – • ” “ † ˆ‚ ‡ “ † ˆ ‘  † ˆ ‡ † „ ‚‚  € W~c ‚q{ cw¥tw¥xcsyx… ˆyw cbW~u~r Ww¥yn ym cW~Wcw ~ W€ccc~~WcWw W£yBt£Wur cp scw9l m { r q „ r…n m…ƒ t ƒ m w m‡ o z † w } | o p m… q o „ w ƒ w p ‚ q { v t  w } | t { o z r m xw v m t s q o m n m Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007isso e estender o seu alcance epistemológico e ontológico para diversos trabalhos práticos.Não é representando a matéria que o homem a experimenta ou vivencia o mundo material,mas é comungando com a matéria, sendo matéria, estando matéria que o homem pode criar,sonhar, imaginar, abstrair... O único modo de abstrair-se do mundo é estando nele pelamatéria:“Este modelo operativo não constitui necessariamente uma representação no sentido que éhabitualmente dado a este termo, ou seja, uma figuração consciente da situação”(RABARDEL PASTRÉ, 2005, pág. 104, trad. nossa).Nos processos contínuos, em especial no processo de controle de refinarias de petróleo, aconfiguração das telas para diferentes situações de ação (que reduz a sobrecarga de memóriade curto prazo, favorecendo o diagnóstico das panes) envolve conhecer este trabalho que,hoje, as ciências cognitivas demonstram envolver o “pensar com o corpo”.Boa parte de sua “elaboração mental” eficiente e eficaz vem do corpo e da mente queexperimentaram o processo no tempo do painel analógico e mesmo as duras rotinas dotrabalho da área. Os operadores por aí “instrumentalizados”, (na acepção deinstrumentalização conferida por Rabardel (1995) e por Rabardel Pastré (2005) enquanto oque permite a ação eficaz por um sujeito capaz e por intermédio de seu corpo) são maiscompetentes que os operadores iniciados no controle digital. Por que?Ora, as ciências cognitivas respondem com clareza a esta questão. Que tipo de instrumentosdispõem os operadores que realizam as “ melhores representações” e que controlam oprocesso com mais eficiência e eficácia? São os intrumentos incorporados conhecidos como“embodied-schemata” e “image-schemata”.Um “mapa mental” não surge do nada, mas sim com base no “image schemata” (JOHNSON,1990) que possui uma base neural como uma ativação dinâmica de padrões que ligam-se aocórtex sensoriomotor (ROHRER, 2005). Ou seja, a linguagem e o pensamento abstrato, nocontrole de processo contínuo dependem de uma “neurological body-part” do córtexsensoriomotor que asseguram a compreensão semântica do processo como uma espécie demetáfora do corpo em ação (“embodied-image”). Áreas integradas do córtex sensoriomotordesempenham importante função de produção de funções esquemáticas ou “image-schemata”.5. Considerações finaisSe o controle de processo é algo esquemático e abstrato, não há no processo mental aíenvolvido nada que seja puramente mental. O corpo se faz presente a todo momento, pelasregiões do cérebro que controlam funções sensoriomotoras. As atividades cognitivasconhecidas como funções superiores, inclusive a linguagem (VYGOTSKY, 2004) sãofunções, na atividade de trabalho, apoiadas nas experiências sensoriomotoras do corpo. Asatividades de abstração do processo de controle automatizado de uma planta industrialenvolvem processos mentais fomentados pela atividade espacial, visual e tátil do corpo quepassou pela experiência carnal do processo.Até as expressões lingüísticas dos operadores, os seus jargões (“boneco de neve”, “chiado davirada do material”, “rio vermelho correndo solto...”, etc.) são expressões que evidenciam“padrões dinâmicos de experiência corporal recorrente” (JOHNSON, 1990; ROHRER, 2005)denominados por estes autores de “image schemata”. Estes esquemas metafóricos talhadosontogeneticamente pela experiência corporal na atividade mental são profundamentearraigados na experiência incorporada dos operadores (agentes). 8
  9. 9. ©k§‰‰§…T‰f7 ‰©‰‰V‰‰FT‰pe‰ƒ©e$§’e‰©¡V…ƒ©©€ h 7 j i • h d g – • e d 7 ™ — – ˜ — – – • ” “ † ˆ‚ ‡ “ † ˆ ‘  † ˆ ‡ † „ ‚‚  € W~c ‚q{ cw¥tw¥xcsyx… ˆyw cbW~u~r Ww¥yn ym cW~Wcw ~ W€ccc~~WcWw W£yBt£Wur cp scw9l m { r q „ r…n m…ƒ t ƒ m w m‡ o z † w } | o p m… q o „ w ƒ w p ‚ q { v t  w } | t { o z r m xw v m t s q o m n m Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007Um esquema-imagem é um padrão recorrente que confere estabilidade às ações dosoperadores, oriundos do universo incorporado de percepção e sensório-motricidade. Essespadrões emergem como estruturas de significação vindas mesmo de um nível primário demovimentos do corpo no espaço, da manipulação de objetos e das interações perceptivas nomundo material. Portanto, a atividade de “controle”, altamente abstrata e imaterial, estáassentada numa base incorporada dada pela estrutura dos “image-schemata”.A experiência que os origina vem da experiência de modalidade tátil-perceptiva, com umconteúdo físico que vai ser o sustentáculo da atividade mental abstrata de caráter não tátil, nãofísico, não perceptivo, não-proposicional (JOHNSON ROHRER, 2006).Ora, vem dos ergonomistas mesmos a comprovação destes fatos presentes no cotidiano dosprocessos contínuos de controle automatizado. Ainda Duarte Santos afirmam-no, aodemonstrarem que os operadores acabavam tendo de conhecer o sistema não por umaabstração fornecida nos cursos e treinamentos, mas sim por tentativa e erro.Um operador elabora mapas organizados com base na fase cortical, em sua capacidadesensoriomotora. Operadores abstraem da experiência concreta e lidam com símbolos nosistema de controle de uma IPC devido a estes padrões recorrentes organizados comoexperiências visuais, auditivas e sensoriomotoras. Estes mapas conferem coerência e mantêmem equilíbrio as funções psíquicas superiores necessárias ao controle do processo por meio desímbolos abstratos.“Seus corpos estão em suas mentes, no sentido em que os mapas sensoriomotores fornecem abase para a atividade de conceitualização e raciocínio (...) imaginação e razão sãoconstituídas por estes padrões de ativação dados nestes mapas neurais” (JOHNSON ROHRER, 2006).Mapas incorporados e fabricados pela ação do corpo em atividade de trabalho.Eles são a prova viva das estruturas não-representacionais de significação, compreensão eraciocínio. Estes mapas incorporados são a base material, corporificada, para a experiência nomundo. Eles são indissociáveis da experiência sensoriomotora no mundo. Ainda, conforme osautores:“a palavra representação está baseada numa analogia filosófica incorreta, assim como aidéia de linguagem do pensamento pela qual o estado mental se liga ao mundo como umapalavra supostamente se representa um objeto ou estado do mundo” (JOHNSON ROHRER, 2006).Os “image-schemas” são então parte do modo não representacional do operador lidar com aatividade. Estruturas do tipo “image-schemas” são a base do entendimento de todos osaspectos da atividade perceptiva e motora nos diferentes processos de trabalho.ReferênciasJOHNSON, M. The body in the mind: bodily basics of meaning, imagination and reason. Chicago: ChicagoUniversity Press, 1990.JOHNSON, M. ROHRER, T. We are live creatures: embodiment, american pragmatism and the cognitiveorganism In: ZLATEV, J.; ZIEMKE, T.; FRANK, R. RENÉ, D. (Eds.). Body, Language and Mind . Berlin:Mouton de Gruyter, 2006.LEPLAT, J. Regards sur l’activité en situation de travail. Paris: PUF, 1997.LEPLAT, J. L’Analyse du travail en psychologie ergonomique. Paris: Octares, 1999. 9
  10. 10. ©k§‰‰§…T‰f7 ‰©‰‰V‰‰FT‰pe‰ƒ©e$§’e‰©¡V…ƒ©©€ h 7 j i • h d g – • e d 7 ™ — – ˜ — – – • ” “ † ˆ‚ ‡ “ † ˆ ‘  † ˆ ‡ † „ ‚‚  € W~c ‚q{ cw¥tw¥xcsyx… ˆyw cbW~u~r Ww¥yn ym cW~Wcw ~ W€ccc~~WcWw W£yBt£Wur cp scw9l m { r q „ r…n m…ƒ t ƒ m w m‡ o z † w } | o p m… q o „ w ƒ w p ‚ q { v t  w } | t { o z r m xw v m t s q o m n m Foz do Iguaçu, PR, Brasil, 09 a 11 de outubro de 2007PESCHL, M. Understanding representation in the cognitive science. New York: Kluwer Academic, 2000.RABARDEL, P. Les activités avec instruments. Paris: A. Colin, 1995.RABARDEL, P. PASTRÉ, P. Modèles du sujet pour la concepcion. Paris: Octares, 2005.ROHRER, T. Image Schemata in the Brain In: HAMPE, B. GRADY, J. (Eds.). From perception tomeaning: image schemas in cognitive linguistics. Berlin: Mouton de Gruyter, 2005.ROHRER, T. The body in space: dimensions of embodiment In: ZLATEV, J.; ZIEMKE, T.; FRANK, R. RENÉ, D. (Eds.). Body, Language and Mind . Berlin: Mouton de Gruyter, 2006.VYGOTSKY, L. Teoria e método em psicologia. 3.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.WISNER, A. Por dentro do trabalho; ergonomia: método e técnica. São Paulo: FTD-Oboré, 1987.WISNER, A. Questões epistemológicas em ergonomia e em análise do trabalho. In: DANIELLOU, F. (Org). AErgonomia em busca de seus princípios. São Paulo: Edgard Blücher, 2004.ZARIFIAN, P. Objectiv Compétence. Paris: Liasons, 1999.ZIEMKE, T. Robosemiotics and embodied enactive cognition. Skövde: DCC-University of Skövde, 2002. 10

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