Successfully reported this slideshow.
Caminhos para a justificação moral
Bioética: ética aplicada às questões vivenciaishumanas, sobretudo no campo biomédico. Destemodo, caracteriza-se como pesqu...
Os temas relacionados à Bioética são variados ediversificados em sua própria base. No entanto, há trêsitinerários possívei...
Início da vida: as questões em torno das discussões sobre afase nascente envolvem os problemas da contracepção,esterilizaç...
Constitui o foco de análise e estudos de três classes distintas deindivíduos sociais: Acadêmicos: voltados (normalmente) ...
Históricamente, a dimensão e compreensão humana emtorno da saúde situam-na como elemento de fundamentalimportância para a ...
Alguns estudiosos utilizam a expressão “bioética defronteira”, para designar a área que trata especificamentedas descobert...
Os conflitos morais que se colocam frente as questõesbioéticas estão situados no campo da justificação dadecisão tomada di...
Uma vez que o discurso bioético se desenvolve ante aprática, os fatos, abertos à avaliação, ao questionamentomoral, então,...
A via essencialista parte da convicção de que o discursobioético precisa estar fundado em valoresbásicos, essenciais e abs...
Preocupa-se em encontrar soluções de caráter maisprático para os problemas concretos. Tem como objetivo adeterminação da a...
O Vitalista sempre se opõe às escolhas e posturas moraisque possam colocar em risco ou até mesmo negar a vidahumana, desde...
O sentido da transcendência, da sacralidade da vidahumana diz respeito à sua precedência e superioridade emrelação aos dem...
Para a visão Pragmática, a noção de sacralidade da vida éum princípio abstrato, indeterminado, que não responde demodo sat...
O critério para a avaliação da qualidade das ações tem seuponto de partida sobre aquilo que seja prioritário e fatual,isto...
Beneficiência: não causar danos, não causar malefícios.O fim primário da medicina é o de promover ativamenteo BEM;Autono...
O que marca a originalidade desse posicionamento é ofato de ter agregado à compreensão do valor da vida e doprincípio de b...
Segundo os liberais, a dignidade da pessoa humana estácentrada em sua liberdade.Deste modo, o que entra em jogo é a relaçã...
Grande parte das disputas ou discordâncias morais semanifesta como choque de pontos de vista divergentesentre si. Assim, a...
Segundo essa concepção, os termos pluralidade,divergência, conflito, estranhos morais/liberdade, acordo,consentimento e re...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Bioética

1,136 views

Published on

  • Be the first to comment

Bioética

  1. 1. Caminhos para a justificação moral
  2. 2. Bioética: ética aplicada às questões vivenciaishumanas, sobretudo no campo biomédico. Destemodo, caracteriza-se como pesquisa ética suscitada pelasciências biomédicas e biológicas.Trata-se de um mecanismo de coordenação e instrumentopara orientar o saber biomédico e tecnológico, em função deuma proteção cada vez mais responsável da vida humana.________________________________________________Bioética é uma ciência normativa com o objetivo específicode definir as normas, os princípios que regem a condutahumana no âmbito da vida e da morte.
  3. 3. Os temas relacionados à Bioética são variados ediversificados em sua própria base. No entanto, há trêsitinerários possíveis à discussão bioética:As fases da vida: diz respeito à fase nascente e à faseterminal da vida humana, isto é, às decisões pertinentes aocampo das decisões morais em torno da vida.O campo da bioética não esconde que o que causa conflitosmorais esteja relacionado à experiência da dor, dosofrimento, da doença, da falta de sentido para a vida, pelaexpectativa da saúde, da recuperação, do inconformismoperante um estado vegetativo, pela violência suicida,homicida, bélica, por uma política de saúde injusta etc.
  4. 4. Início da vida: as questões em torno das discussões sobre afase nascente envolvem os problemas da contracepção,esterilização, concepção assistida (inseminação artificial,fecundação in vitro), doação de sêmem ou de óvulo, de ovoou de embrião, mão de aluguel, seleção ou predeterminaçãodo sexo, eugenia, exâme pré-natal, aborto etc.Fase terminal: trata-se da perspectiva em torno da morte queenvolve a dimensão de pacientes terminais, eutanásia,distanásia, suicídio, homicídio, violência, violência bélica eterrorista, pena de morte, greve de fome etc.Fase intermediária: trata-se de questões que se colocam emredor à vida humana em seu cotidiano, como a questãoambiental, a drogadição, a fome, a experimentação em sereshumanos, a saúde, os transplantes de órgãos etc.
  5. 5. Constitui o foco de análise e estudos de três classes distintas deindivíduos sociais: Acadêmicos: voltados (normalmente) para as ciências humanastêm como foco teorizar e delimitar questões em torno daexistência humana concreta. Cientistas: voltados para as pesquisas científicas têm nodesenvolvimento da tecnologia o auxílio necessário para asexperimentações e práticas em relação à vida. Moralistas: embasados nas teorias das ciências humanas epartindo do desenvolvimento tecnológico, têm como finalidade adefinição entre a liceidade e iliceidade das ações humanas emtorno da vida.
  6. 6. Históricamente, a dimensão e compreensão humana emtorno da saúde situam-na como elemento de fundamentalimportância para a vivência humana.Se no passado histórico a “fé” servia de critério para adelimitação da fronteira entre o sadio e o doente (a doençaera vista como consequência do pecado), na atualidade aOMS (Organização Mundial da Saúde) vincula a saúde àideia de ausência de enfermidade.Na mesma proporção, atualmente, as questões pertinentes àsaúde do corpo humano se apresentam vinculadas erelacionadas à saúde do Meio Ambiente.
  7. 7. Alguns estudiosos utilizam a expressão “bioética defronteira”, para designar a área que trata especificamentedas descobertas e técnicas biomédicas aplicadas à fasenascente e à fase terminal da vida.Nesse sentido, as questões que gravitam em torno doproblema estão relacionadas ao progresso edesenvolvimento do campo científico, o que atribui aohomem um poder, até então, inimaginável. Assim se discuteos limites “possíveis” (permitidos) nos quais devem se fixaros marcos da intervenção humana frente ao surgimento e otérmino da vida (existência).
  8. 8. Os conflitos morais que se colocam frente as questõesbioéticas estão situados no campo da justificação dadecisão tomada diante de casos concretos.Nessa perspectiva, os caminhos que se apresentam tomama perspectiva “microbioética” aplicada a casos individuais eespecíficos, e a perspectiva “macrobioética” situada nohorizonte das questões que causam ou sofrem influênciassociais complexas, isto é, generalizadoras.
  9. 9. Uma vez que o discurso bioético se desenvolve ante aprática, os fatos, abertos à avaliação, ao questionamentomoral, então, a questão que se apresenta diz respeito asrazões que justificam as regras, os juízos morais diantedas situações e decisões concretas.Trata-se da justificação diante do que seja lícito ou ilícito,bem ou mal, segundo pontos de vistas distintos:Pragmáticos, Essencialistas, Liberais e Vitalistas.
  10. 10. A via essencialista parte da convicção de que o discursobioético precisa estar fundado em valoresbásicos, essenciais e absolutos. A base desta formulaçãosó pode ser a pessoa humana compreendida dentro deuma visão integral, totalizadora de suas dimensões. Trata-se da “natureza humana”, fundamento da dignidade e dacondição de ser da pessoa.1Assim, a ciência deve estar a serviço da pessoa, e não ocontrário. A pessoa é inviolável em sua condição por serportadora de uma dignidade natural.
  11. 11. Preocupa-se em encontrar soluções de caráter maisprático para os problemas concretos. Tem como objetivo adeterminação da ação boa ou a solução mais adequadadiante de um problema moral concreto.Trata-se de uma postura circunstancialista e quantitativistaque visa promover o maior benefício contra o menor malao indivíduo. Nessa perspectiva surge o aspectoproporcionalista da questão pragmática.
  12. 12. O Vitalista sempre se opõe às escolhas e posturas moraisque possam colocar em risco ou até mesmo negar a vidahumana, desde a concepção até seu ocaso natural (seutérmino).Isto pelo fato de entenderem a vida como um valorabsoluto e inestimável, dotada de uma sacralidade única.Assim, todas as demais questões, princípios, regras ounormas devem estar subordinados à sacralidade da vidahumana.
  13. 13. O sentido da transcendência, da sacralidade da vidahumana diz respeito à sua precedência e superioridade emrelação aos demais seres existentes.Assim, é natural ao ser humano sua condição de ser almae corpo num todo harmonioso que forma e confere suadignidade de pessoa.Desta forma, se compreende que a vida humana ésagrada a partir de si, digna em si mesma. Criada àimagem e semelhança de Deus, a pessoa humana ésagrada porque seu criador é Sagrado, é inviolável porqueseu criador é inviolável.A vida humana é no mundo manifestação da presença eexistência de Deus.
  14. 14. Para a visão Pragmática, a noção de sacralidade da vida éum princípio abstrato, indeterminado, que não responde demodo satisfatório às questões bioéticas concretas.Acreditam que a finalidade de toda regra moral é orientar aprática concreta da ação humana. Nesse sentido, partempara uma concepção mais prática e utilitária das decisõesmorais.Deste modo, a ideia que apresentam acerca do quecorresponda ao BEM constitui algo mutável e relativo àscircunstâncias de cada caso.
  15. 15. O critério para a avaliação da qualidade das ações tem seuponto de partida sobre aquilo que seja prioritário e fatual,isto é, a ação em conformidade com as circunstâncias nasquais ela é praticada.A qualidade da ação de acordo com as circunstânciaspode ser avaliada ou medida com base nos objetivos efins, nas consequências, na proporcionalidade dos efeitos,como também na relação custo/benefícios,vantagens/desvantagens, o aumento da felicidade, omáximo de bem/menor mal.Assim, fica evidente a razão pela qual a visão pragmáticatem dificuldade em conviver com a ideia da existência deuma verdade moral universal, expressa como norma válidapara todos.
  16. 16. Beneficiência: não causar danos, não causar malefícios.O fim primário da medicina é o de promover ativamenteo BEM;Autonomia: a auto-determinação do indivíduo (paciente).Liberdade de ação e opção, frente si mesmo, ante asinformações recebidas sobre seu quadro clínico;Justiça: obrigação de igualdade de tratamento a todos. Ajustiça está para o ato de garantir o direito à saúde(tratamento) a todas as pessoas de forma igualitária ejusta.
  17. 17. O que marca a originalidade desse posicionamento é ofato de ter agregado à compreensão do valor da vida e doprincípio de beneficência a questão da LIBERDADE e daAUTONOMIA. Critérios esses que são reflexos da própriasecularização da sociedade.Deste modo, a moral liberal não invoca a crença naexistência de um Deus, de princípios abstratos como Bem,felicidade, justiça, honestidade, honra etc.; parafundamentar suas escolhas morais. O mundo moralsecularizado pode “existir” mediante o livre arbítrio e aautonomia dos indivíduos.
  18. 18. Segundo os liberais, a dignidade da pessoa humana estácentrada em sua liberdade.Deste modo, o que entra em jogo é a relação Médico xPaciente. O primeiro tem por obrigação moral informar aosegundo as condições de tratamento, efeitospossíveis, consequências e prejuízos a que se está sujeito.A novidade está centrada no significado de “consentimentoinformado e livre”. Nesta perspectiva, uma ação de fato éautônoma, quando recebe este embasamento.
  19. 19. Grande parte das disputas ou discordâncias morais semanifesta como choque de pontos de vista divergentesentre si. Assim, a solução para as questões em conflitopassa pelo caminho do acordo entre aqueles que decidemcolaborar mutuamente para a solução de um problemadeterminado.Deste modo, a solução moral se apresenta como fruto deuma autoridade moral social, isto é, do acordo entreestranhos morais que decidem-se por colaborar para asoluções de problemas concretos.
  20. 20. Segundo essa concepção, os termos pluralidade,divergência, conflito, estranhos morais/liberdade, acordo,consentimento e respeito mútuo estão profundamenteinterligados.Autonomia, portanto, consiste na exigência por Liberalização.Desta forma, para a liberdade (no campo bioético) não podehaver restrições ou coerções. Os indivíduos são livres paraescolherem o que melhor lhes parecer, desde que ajam livree conscientemente ante a escolha que fazem.

×