64 bits para o Povo

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Reportagem de 2002 quando a plataforma de 64 bits estava entrando no mercado

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64 bits para o Povo

  1. 1. 64 bits para o povo! 08/08/2002 11:30:30 Mário Nagano, PC World Para muitos de nós, os sistemas de 64 bits não são diferentes de notas de cem Reais, ou seja, todos sabem que elas existem, sabem do seu valor, mas poucos viram uma de verdade. Voltada inicialmente para uso em servidores e estações de trabalho de alto desempenho, a tecnologia de processamento de 64 bits ainda parece algo longe da realidade dos usuários de PCs de mesa. Entretanto, essa não é a opinião da AMD, que acredita que a demanda por aplicações de 64 bits – mesmo entre usuários finais – está bem mais próxima do que a maioria imagina. Por esse motivo, a fabricante está empenhada em tornar essa tecnologia disponível para os computadores de mesa em um curto período de tempo. O primeiro resultado concreto do trabalho da AMD nessa área é sua nova família de processadores de oitava geração, conhecida pelo codinome Hammer. Além da versão para servidores – o SledgeHammer, cujo nome comercial será Opteron, haverá outra especialmente voltada para computadores de mesa chamada ClawHammer, que trará consigo a promessa de levar o poder de processamento de 64 bits para o público em geral. Por dentro e por fora do Hammer Ambos os processadores de 64 bits da AMD vão adotar uma plataforma de hardware totalmente nova, formada por placas-mãe e chip sets que deverão estrear junto com o ClawHammer ou, na melhor das hipóteses, até o final deste ano. Para isso, a AMD conta com o apoio de várias empresas de tecnologia como a AMI e Phoenix (BIOS), Ali, ATI, VIA, NVidia (chip sets gráficos), 3Dlabs, Matrox, ATI, Micron (memórias), Foxconn, Molex e Tyco (soquetes) e mais de 20 fabricantes de placas-mãe, entre elas a AsusTek, MSI, FIC, Legend, Soyo, Biostar, etc. Por causa dessas inovações, as novas CPUs deixarão de ser compatíveis com o soquete tipo A (também conhecido como Socket A) usado pelos atuais Athlon XP e Duron. Este último, por sinal, deverá sair de linha até o final do ano, época em que será substituído por versões do Athlon de menor velocidade, na mesma faixa de preço. O nome comercial do ClawHammer ainda não foi anunciado oficialmente. Tudo que se sabe é que também se chamará Athlon e que algum sufixo poderá ser adicionado para diferenciá-lo das versões de 32 bits. Os melhores palpites citam nomes até meio óbvios, como Athlon 64 ou Athlon XP 64. Nas apresentações da AMD, o chip está sendo chamado simplesmente de Athlon de oitava geração. A principal diferença entre os processadores Hammer e seu principal concorrente, o Itanium da Intel, é a capacidade do chip da AMD de executar as atuais aplicações de 32 bits em modo nativo – ou seja, sem a perda de desempenho –, além das aplicações de 64 bits criadas a partir do novo conjunto de instruções que a AMD batizou de x86-64. Como o próprio nome sugere, a fabricante adicionou novos comandos ao velho e conhecido conjunto de instruções do x86, para manipular informações de 64 bits. Segundo Otto Stoeterau, gerente de marketing da AMD Brasil, durante o processo de inicialização de um PC com Hammer, o processador é capaz de identificar o tipo de sistema operacional que vai ser carregado, reorganizando internamente seus registradores para torná-lo compatível com o modo de trabalho em 32 bits ou 64 bits. Essa informação acaba com um velho mito de que o
  2. 2. Hammer seria formado por dois núcleos. Stoeterau explicou que essa idéia serviu mais como uma analogia para ajudar a entender o funcionamento do Hammer. Para que 64 bits? Segundo a visão da AMD, muitas das aplicações que estão em voga nos dias de hoje possuem algo em comum: precisam manipular, endereçar e processar grandes quantidades de dados no menor intervalo de tempo possível. Entre vários exemplos que se encaixam nesse caso, estão as transações financeiras seguras, a criptografia de dados, detecção de fraudes, biometria, CRM, ERP, reconhecimento de voz, modelagem de dados, manipulação de vídeo e até jogos com suas simulações de realidades alternativas. Seguindo esse raciocínio, pode-se afirmar que qualquer programa manipulando grandes quantidades de dados, que precisam ser processados e transferidos rapidamente sem nenhuma interrupção, podem tirar proveito da arquitetura de 64 bits. Apesar de todo o confete em cima dessa tecnologia, fato é que a maioria dos atuais usuários de PC ainda não tira ou está aprendendo a tirar proveito de todo o potencial oferecido por esse novo modelo. De qualquer modo, alguns usuários avançados e entusiastas também poderão ser atraídos para o ClawHammer por causa de outras características muito interessantes, como sua capacidade de tirar o máximo proveito do seu novo rápido sistema de memória do PC. Ao contrário do Athlon XP, que acessa com a memória principal por meio do barramento FSB (Front Side Bus), o ClawHammer se comunica diretamente a memória por meio de um controlador já integrado ao núcleo do chip. Desse modo, elimina-se um gargalo, ajudando a melhorar o desempenho geral do sistema. A plataforma do ClawHammer também será compatível com o novo padrão AGP 8X, o que permitirá o uso de placas gráficas ainda mais velozes. Apoio do sistema operacional Em abril deste ano, na mesma época em que divulgou o nome comercial Opteron, a AMD também anunciou que a Microsoft concordou em desenvolver uma versão específica do Windows de 64 bits para o Hammer. Na ocasião, o endosso da Microsoft levantou algumas questões curiosas, pois Jerry Sanders, presidente da AMD, testemunhou no caso antimonopólio da Microsoft a pedido da acusada. O advogado dos Estados que processam a Microsoft tentou mostrar que Sanders concordou em ser testemunha em troca do apoio da Microsoft ao Hammer. Apesar de já contar com o apoio do Linux, a AMD acredita que o Windows é uma peça-chave para o sucesso de seu produto — principalmente do Opteron que deve estar no mercado em meados de 2003. Por ser um processo ainda em andamento, até o fechamento desta matéria, nenhum dos executivos da AMD consultados passou uma idéia clara de como será a nova versão do Windows e se as aplicações de 32 bits e 64
  3. 3. bits poderão conviver lado a lado na mesma área de trabalho. Mesmo que o Windows para Hammer seja somente uma versão de 64 bits e que seja avessa às aplicações de 32 bits, do mesmo modo que o Windows NT era avesso às aplicações de 16 bits, trata-se se uma grande oportunidade de negócios para a Microsoft, já que a plataforma Hammer abre um novo mercado de produtos e serviços baseados na plataforma x86-64. Em outras palavras, será mais fácil para o pessoal de Redmond tentar vender um sistema novo para um usuário que não tem nada, do que tentar convencer alguém que já tem um SO (e que às vezes está muito feliz com ele) a trocá-lo, como aconteceu com a oferta do Windows XP. Além disso, se os computadores de 64 bits oferecerem todo o ganho de desempenho anunciado pela AMD, o investimento na renovação do sistema operacional e dos aplicativos e utilitários até poderia ser justificado, dependendo do caso. Brincando de Lego Outra inovação trazida pelo Hammer é o HyperTransport, um novo tipo de barramento de dados de alto desempenho, flexível, com capacidade de crescimento, que permite adicionar recursos à placa-mãe simplesmente acrescentando novos módulos de circuito como em um brinquedo Lego. Junto com o Hammer, a AMD anunciou uma nova linha de chip sets lógicos da série 8000: o 8151 (AGP 3.0 Graphics Tunnel), o 8131 (PCI-X Tunnel) e o 8111 (I/O Hub). No geral, o HyperTransport pode ser comparado a uma supervia de dados que liga a CPU aos vários subsistemas do computador (com exceção da memória principal). Na sua configuração mais simples, o HyperTransport pode conectar o processador ao AMD 8111 que faz o mesmo papel do chip set Southbridge, gerenciando praticamente todos os sistemas de entrada e saída do PC, como slots PCI, portas IDE, som, rede, entre outros. Para adicionar, por exemplo, um recurso como um barramento AGP ou PCI-X, basta adicionar os chips 8151 e/ou 8131 no mesmo barramento que liga a CPU ao 8111. A analogia com um túnel é apropriada nesse contexto, já que a via do HyperTransport passa pelos chips sets 8151 e 8131, como uma estrada passa por túneis no seu caminho. De acordo com Stoeterau, assim como acontece com o PCI-X e o AGP 8X, nada impede na teoria, que outros tipos de barramentos, entre eles o 3GIO (atual PCI Express), possam ser incorporados à arquitetura do Hammer na forma de túneis. Entretanto, a beleza do HyperTransport vem da possibilidade de também ser utilizado para adicionar outros recursos e até interligar vários processadores no mesmo sistema. O Opteron, para citar um caso, possui três saídas HyperTransport que podem ser usadas, por exemplo, uma para o 8111 (Southbridge), outra para o 8151 (AGP 3.0) e a terceira entrada para se conectar com outro Opteron. Desse modo, teríamos uma estação de trabalho bi-processada, com o máximo desempenho gráfico oferecido pelo barramento AGP 8X.
  4. 4. Olhando para o futuro Segundo alguns cronogramas apresentados pela AMD durante a última edição da PC-Expo, em junho na cidade de Nova York, além da confirmação da morte do Duron, até o fim do ano devem ser lançados a versão de 0,13 mícron do Athlon MP (codinome Thoroughbred MP) e um novo Athlon XP (codinome Barton). Entre o final de 2002 e o início do próximo ano, o Athlon de oitava geração (ClawHammer) também será lançado. O ano de 2003 verá as primeiras versões do Opteron para sistemas de até dois (ClawHammer MP) e oito processadores (SledgeHammer). Lá pela metade do ano que vem, poderá surgir o primeiro ClawHammer para portáteis; a primeira versão de 0,09 mícron para PC de mesa do ClawHammer deve aparecer até final de 2002. Outra programação mostra que o Athlon XP de 32 bits deve durar até o final de 2004, época em que o Athlon de oitava geração cobrirá todos os segmentos do mercado. Em relação ao posicionamento dos chips, o Athlon XP compete diretamente com o Pentium 4. Já o ClawHammer – que aparecerá em meados de 2003 –, até o momento, não possui um competidor direto, principalmente no modo de 64 bits, já que o Opteron competirá com o Xeon no modo de 32 bits e com o Itanium no modo de 64 bits. É de se estranhar o fato de a Intel ainda não ter divulgado nenhum produto para competir diretamente com o ClawHammer, principalmente se as vendas do novo processador da AMD forem impulsionadas pelo futuro Windows de 64 bits baseado na arquitetura x86. Ou seja, a AMD e a Microsoft poderão ganhar dinheiro em um novo nicho de mercado, para o qual a Intel não teria nenhuma solução a oferecer, pois só contará com seus chips de 32 bits e o Itanium que usa um Windows de 64 bits baseado em uma arquitetura pura. Nessa visão, por mais veloz, eficiente e elegante que seja, o Pentium 4 corre o perigo de se tornar um “antiquado” chip de 32 bits, enfrentando um novíssimo chip de 64 bits, algo que os profissionais de marketing da Intel não veriam com bons olhos. Para sair dessa sinuca, a Intel teria que dispor de uma solução que a fabricante nega possuir. No início deste ano, o jornal San Jose Mercury News publicou uma notícia afirmando que a Intel estaria trabalhando secretamente em um projeto conhecido como Yamhill – uma extensão de comandos que tornaria o Pentium 4 compatível com aplicações de 64 bits. Entretanto, a mesma notícia informou que esse recurso estaria, em princípio, dormente dentro do chip e seria ativado no caso de alguma mudança de planos. O primeiro chip com essa tecnologia se chamaria Prescott, uma versão do atual Pentium 4 (codinome Northwood), de 0,09 mícron, com vários extras voltados para aumentar seu desempenho, como caches maiores e a tecnologia HyperThreading, que simula multiprocessamento dentro de uma CPU. O complicado dessa história é que, caso o ClawHammer entregue, de fato, todos os benefícios que a AMD promete – o que deixaria a Microsoft também muito feliz, por ter mais uma plataforma de hardware para quem vender seus sistemas –, a Intel pode-se ver forçada a entrar no segmento de x86-64. Essa ação, contudo, deixaria a gigante numa saia justa, pois poderia prejudicar outra prata da casa, o Itanium, cujas vendas ainda não decolaram. Para proteger sua plataforma Itanium, seria até lógico a Intel afirmar que o Yamhill realmente não existe. Mas, por outro lado, seria insensatez ainda maior não ter um plano alternativo para reações inesperadas do mercado. O futuro é dinâmico e as coisas nem sempre acontecem do modo que as pessoas esperam. A AMD se prepara para uma grande virada tecnológica e mercadológica que pode definir seu destino
  5. 5. nos próximos anos. Ao mesmo tempo, não se deve ignorar o poder, tanto econômico quanto tecnológico da Intel, que não é a líder nesse segmento por acaso. É nos momentos difíceis que algumas empresas realmente mostram sua capacidade criativa, seja na forma de um produto inovador que supere a concorrência, seja na forma de uma ótima justificativa para não tê-lo. Quem viver verá.
  6. 6. nos próximos anos. Ao mesmo tempo, não se deve ignorar o poder, tanto econômico quanto tecnológico da Intel, que não é a líder nesse segmento por acaso. É nos momentos difíceis que algumas empresas realmente mostram sua capacidade criativa, seja na forma de um produto inovador que supere a concorrência, seja na forma de uma ótima justificativa para não tê-lo. Quem viver verá.

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