O FAZER CIÊNCIA EM UM AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM: A EMERGÊNCIA DE UM OLHAR OUTRO

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Artigo, já aprovado, e que será apresentado no VII Seminário Internacional Redes (http://www.seminarioredes.com.br/)
Resumo
A empiria da pesquisa intitulada “A Informática na Educação no ensino superior: do currículo em EAD para o currículo em educação on line” se deu no âmbito do curso semipresencial de licenciatura em Pedagogia (UERJ) em um ambiente virtual de aprendizagem, mais especificamente na disciplina informática na educação. O presente artigo pretende discutir/pensar o fazer ciência em um ambiente virtual de aprendizagem sob o olhar dos pressupostos epistemológicos da pesquisa nos/dos/com os cotidianos frente aos paradigmas da ciência moderna.

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O FAZER CIÊNCIA EM UM AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM: A EMERGÊNCIA DE UM OLHAR OUTRO

  1. 1. O fazer ciência em um ambiente virtual de aprendizagem: aemergência de um olhar outro.Cristiane Marcelino Sant´Anna1RESUMOA empiria da pesquisa intitulada “A Informática na Educação no ensino superior: docurrículo em EAD para o currículo em educação on line” se deu no âmbito do cursosemipresencial de licenciatura em Pedagogia (UERJ) em um ambiente virtual deaprendizagem, mais especificamente na disciplina informática na educação. O presenteartigo pretende discutir/pensar o fazer ciência em um ambiente virtual de aprendizagemsob o olhar dos pressupostos epistemológicos da pesquisa nos/dos/com os cotidianosfrente aos paradigmas da ciência moderna.O fazer ciência que aprendiNão se pode negar que concebemos, pelo menos inicialmente, o fazer ciência deacordo com nossas biografias. Dialogando com Oliveira (2007) olho para meu processoformativo levando em conta a noção de tessitura de conhecimento em rede, poisacredito também que todas as vezes que algo me provoca e vem de encontro ao que jáconheço devido às inúmeras biografias que encontrei em minhas itinerâncias, a esseconhecimento é atribuído novo significado.Por conta dessas redes formativas, disse ao iniciar esse texto que pelo menosinicialmente pensamos de acordo com o que aprendemos. O contato com o outro fazcom que a nossa certeza seja sempre provisória: afetamos e nos afetamos em contatocom o outro. Buscando pensar sobre esse “fazer ciência que aprendi” não pude deixarde olhar para minhas itinerâncias enquanto estudante e, portanto, para todas as redes queme formaram como professora pesquisadora.1Mestranda em Educação (PROPED-UERJ), tutora a distância da disciplina Informática na Educação(Pedagogia – UERJ/cederj) e mediadora tecnológica do NTERJ12 (SEEDUC-RJ). Produções e práticaspedagógicas em <www.docenciaonline.pro.br> e http://otcrismarcelino.blogspot.com.1
  2. 2. Tendo como formação acadêmica matemática, área classificada pertencente àsciências duras, estive mergulhada em um mundo de análises, algoritmos, provas,métodos e aproximações.Nos laboratórios de física de forma rotineira havia as repetições deexperimentos, a substituição das incógnitas das equações pelos valores obtidos, a buscapor uma regularidade para se entender dado fenômeno. Fenômeno esse já conhecido eprevisível e, portanto com resultados, após os experimentos, já esperados.Kurth (2011) ao falar sobre os conjuntos de regras criadas pela ciência modernaque acabam sendo ratificadas por elas mesmas, perpetuando assim seus paradigmas esua autoridade aponta queOs cientistas trabalham a partir de modelos adquiridos através daeducação ou da literatura a que são expostos subsequentemente,muitas vezes sem conhecer quais as características queproporcionaram o status de paradigma comunitário a essesmodelos. Por atuarem assim, os cientistas não necessitam de umconjunto completo de regras. A coerência da tradição de pesquisada qual participam não precisa nem mesmo implicar a existênciade um corpo subjacente de regras e pressupostos, que poderia serrevelado por investigações históricas ou filosóficas adicionais. Ofato do os cientistas usualmente não perguntarem ou debaterem arespeito do que faz um problema ou uma solução particular sejamconsiderados legítimos nos leva a supor que, pelo menosintuitivamente, eles conhecem as respostas (pg. 70).Muito se discute sobre a importância do não envolvimento entre o pesquisador eseu objeto de pesquisa. Alguns acreditam que tal envolvimento poderia acarretarmudanças significativas em resultados e assim invalidar a pesquisa.Em alguns testes em laboratório busca-se o isolamento do objeto a fim de obterum rigor nos resultados. No entanto não podemos esquecer que quem olha, descreve eregistra o experimento, apesar de seguir regras pré estabelecidas e algumas vezesuniversais, possui uma leitura de mundo. Sendo assim, uma mesma experiência dada adois especialistas da mesma área pode apresentar resultados próximos, contudodiferentes.Em um mesmo experimento de física utilizando, por exemplo, uma régua comoinstrumento de medida de comprimento e realizado por duas pessoas distintas, se osvalores encontrados forem números decimais existe a grande possibilidade de que sejamencontrados valores aproximados e, portanto diferentes. Ainda que sejam utilizados2
  3. 3. outros instrumentos mais precisos como paquímetro2que possibilitam aproximaçõescom duas casas decimais e seguindo as mesmas rotinas e procedimentos determinadospara obtenção de respostas, quem olha o instrumento e anota o que vê pode atribuirvalores para mais ou para menos, de acordo com seu critério, de acordo com suasformações.Percebe-se que todo o tempo, entre as rotinas, repetições e regras deaproximação a ciência tenta estabelecer uma ordem das coisas, evitando erros ebuscando a predição. Bronowski (s/d) ratifica essa ideia quando diz queO alvo da ciência é descrever o mundo numa linguagemordenada de tal sorte que, se possível, se prevejam os resultadosdessas alternativas de ação entre as quais estamos sempreoptando. A espécie de ordem inteiramente de conveniência. Onosso propósito é sempre a predição. É claro que é sobremodoconveniente encontrar uma ordem de causa e efeito quesimplifique a nossa escolha; mas não é essencial.Aquilo que procuramos na ciência, bem como na vida quotidiana,é um sistema de predição: é por assim dizer, um preditor. Ospincípios que guiam as nossas predições não são afinal mais doque passos de um cálculo. E a vida não é um exame: nãorecebemos notas por esses passos; o que importa é obter aresposta certa. (pg 94)Couto (2011) em um de seus ensaios conta um pequeno episódio em queespecialistas técnicos das Nações Unidas foram a uma comunidade de Moçambiquedesenvolver um trabalho de educação ambiental. Levaram consigo tecnologia e kitsesperando resolver todos os problemas de comunicação. Mesmo com a tradução não foipossível evitar maus entendidos entre a linguagem utilizada, linguagem que deverialevar em conta a cultura local. Ao se apresentarem como cientistas, a palavra foitraduzida como feiticeiros já que “cientista” não existe na língua local, o que causouenorme espanto entre os participantes. E o ensaio segue descrevendo os descaminhos daconversa iniciada pelos especialistas que nada mais fizeram do que utilizar umalinguagem científica dita universal.Até aqui os exemplos utilizados parecem só dizer respeito as ciências ligadas amatemática e a natureza. Exemplos que demonstram uma ciência que descreve, queobserva do alto de forma distante para não influenciar resultados, que despreza os erros,que aproxima valores em busca da previsão. É o que Maturana (1999) chama deobjetividade sem parênteses onde quem pesquisa se mantém distante, coletando dados2Instrumento usado para medir com precisão as dimensões de pequenos objetos. Trata-se de uma régua graduada,com encosto fixo, sobre a qual desliza um cursor. O paquímetro possui dois bicos de medição, sendo um ligado àescala e o outro ao cursor. Disponível em <http://paquimetro.reguaonline.com/>3
  4. 4. na empiria, baseando-se em um quadro teórico fechado. A pesquisa é sobre o campo enão com o campo.Contudo pesquisas nas ciências sociais enfrentam os mesmos desafios frente aosparadigmas da ciência moderna diante da complexidade das muitas variáveisenvolvidas. E isso demonstra que essa dicotomia entre as ciências naturais e as sociaisnão faça mais sentido (SANTOS, 2010).Em relação as pesquisas nos/dos/com os cotidianos é fato que todo o tempobusca-se junto a empiria, metodologias que dêem conta complexidade de elementos quese apresentam para além das práticas apreendidas com a ciência moderna.Concordo com Alves (2001) que é preciso fazer para saber. Nesse sentido, asvivências com o campo e não sobre ele fizeram com que pudesse repensar o fazerpesquisa frente aos modelos dominantes.O fazer ciência em um ambiente virtual de aprendizagem: vivências.A pesquisa “A Informática na Educação no ensino superior: do currículo emEAD para o currículo em educação on line” se deu no ambiente virtual de aprendizagemda disciplina Informática na Educação do curso semipresencial de Licenciatura emPedagogia, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).O curso é parte de uma série de outros cursos a distancia oferecidos peloConsórcio CEDERJ, consórcio entre as universidades públicas do Estado do Rio deJaneiro.De modo geral, suas disciplinas têm como pontos marcantes em seus processosde ensino aprendizagem característicos da chamada educação a distância clássica cujadinâmica se baseia nas teorias clássicas da comunicação, isto é, em práticasunidirecionais, de um para todos poisna teoria clássica a mensagem é um conteúdo informacionalfechado e intocável, uma vez que sua natureza é fundada naperfomance da emissão e transmissão sem distorções (Silva,2012, pg 134).França (2006) dialogando com Silva (2012) enfatiza que a posição ocupadapelos indivíduos nesse processo os definecomo emissores (função de produzir, codificar, emitir oureceptores (função de receber, decodificar, consumir.. A famosafórmula de Lasswell (“quem diz o quê, a quem...”) dividiu oselementos do processo comunicativo em áreas de estudos4
  5. 5. específicas e autônomas dentre deste esquema, emissor e receptorforam vistos e tratados separadamente (pg. 62).Dessa forma, com um currículo engessado, fundamentado em uma prática deemissão e recepção centralizada dos conteúdos, isto é, de um para todos, o ambientevirtual vem sendo utilizado apenas como repositório de conteúdos e retirada de dúvidaspelos tutores e coordenação.Esse processo é contrário as noções da chamada cibercultura, a cultura mediadapelo digital em rede e em mobilidade. Com o advento da cibercultura o polo de emissãoé então liberado e não há mais a dicotomia entre o emissor e o receptor. Todos setornam com isso autores em potencial , podendo produzir e compartilhar conteúdos e,assim, abrindo espaço para a produção de conhecimento em rede.A descentralização da emissão de conteúdos vem exigindo que o professor, antesconsiderado o detentor do saber, tenha uma nova postura de comunicação que rompacom os paradigmas de transmissão de conhecimentos. É preciso um maiscomunicacional (Silva, 2012) onde todos os envolvidos no processo aprendam mastambém ensinem. Segundo o autor interatividadeé a disponibilização consciente de um mais comunicacional demodo expressivamente complexo, ao mesmo tempo atentandopara as interações existentes e promovendo mais e melhoresinterações – seja entre o usuário e tecnologias digitais ouanalógicas, seja nas relações “presenciais” ou “virtuais” entreseres humanos (pg. 25).Pautada em princípios como a autoria e a interatividade, característicasfundamentais da cibercultura, a disciplina informática na educação, representada por suaequipe de tutores e coordenação vêm buscando fazer uso do digital e dos recursosdisponíveis no ambiente virtual de aprendizagem (AVA) para potencializar o processoensino aprendizagem construindo de forma colaborativa o currículo.Dentre os recursos comunicacionais existentes no ambiente (fórum, chat, email,sala de tutoria) destaca-se o fórum, onde são iniciadas as discussões de temas propostospela equipe. Os temas são alimentados por textos acadêmicos e por imagens que servemcomo base para que o debate seja iniciado.Todo o exercício de interação entre tutores, coordenação e alunos busca o maiscomunicacional, a interatividade, onde todos emitem, recebem, produzem conteúdos eportanto aprendem colaborativamente. Nessa dinâmica, portanto, o processo de ensino5
  6. 6. aprendizagem rompe com o modelo de Educação a distância Clássica. Isso porque nomodelo clássico o conteúdo é produzido por alguém (emissor) e todos os outrosenvolvidos (receptores) apenas “saqueiam” esse conteúdo hospedado em alguma mídia.Um exemplo desse tipo de modalidade são os antigos cursos do InstitutoUniversal Brasileiro (imagem 1). Nesses cursos os estudantes adquiriam o materialimpresso para estudos, realizavam as atividades e as mesmas eram enviadas pelocorreio.Imagem 1 - Antiga revista do Instituto Universal Brasileiro retirado dehttp://duduhamilton.blogspot.com.br/2011/06/recordando-propagandas-antigas-volume-1.htmlO suporte utilizado (revista) impossibilitava a interação entre os sujeitosenvolvidos e sobretudo a interatividade pois naperspectiva da interatividade é preciso que o suporteinformacional disponha de flexibilidade e disponibilizadisposições para a intervenção do usuário (Silva, 2012,pg 134).Com a entrada do digital e da internet esse modelo educacional a distância podeser diferente e mais potente. Santos (2005) chama de educação on line e afirma que amesmanão é apenas uma evolução das gerações da EaD, mas umfenômeno da cibercultura (pg 106).6
  7. 7. A empiria no ambiente virtual da disciplina tem buscado mapear ascontribuições geradas por esse processo de mudanças da Educação a distância Clássica,comumente utilizada em outras disciplinas, para Educação on line em uma dinâmica deconstrução colaborativa do seu desenho didático por atos de currículo3escritos portodos os praticantes culturais envolvidos.A escrita desse currículo praticado (Oliveira, ) se dá pelas narrativas dos fórunsde discussão.As falas dos praticantes trazem em si sons, silêncios, tensões, gestos e gritos quese traduzem não só por palavras, mas por imagens postadas nas mensagens. Nossodilema é pensar que metodologias serão capazes de captar sem encerrar, minimizar ouaté anular a diversidade presente nesse campo. Não é possível aqui quantificar,aproximar, desconsiderar e generalizar, práticas comuns da ciência moderna.Essas questões podem ser sintetizadas por alguns cases da pesquisa.Cases: “rotinas”, “zeros” e “excessos”.Os dois cases apresentados são recortes de uma pesquisa iniciada no 1º semestrede 2012 adentrando o segundo semestre.Nos dois semestres as primeiras discussões os fóruns são baseadas em vídeos etextos da série Cibercultura: o que muda na educação4tendo como praticantes além dostutores (cinco no total) e da coordenação, cerca de 10 pólos com uma média de 30alunos cada.Os debates costumam desencadear várias narrativas que indicam apotencialidade do digital como suporte flexível e capaz de possibilitar autoriascoletivas, o seu uso na educação, o perfil do docente em tempos de cibercultura e aquestão da inclusão digital.Nesse contexto estão Sandro e Vanessa.No emaranhado de postagens que pareciam rotineiras e repetitivas, Sandro noschamou atenção. Suas narrativas sempre em vermelho ou outras cores berrantespareciam gritar, mesmo não estando em caixa alta5. Suas falas eram polêmicas e3Atos de currículo, como noção, levando em conta a práxis curricular, são um conceito-chave, um gesto ético-político, um potente analisador da práxis curricular formativa (MACEDO, 2011).4Boletim sobre a série disponível em http://tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/212448cibercultura.pdf7
  8. 8. aparentavam a princípio apontar para um caminho contrário ao que discutíamos, masque na verdade ampliavam o debate.Re: Debate sobre programa 1por SANDRO ROCHA DE SOUZA Aluno(a) - UERJ - PLI - MAR - sábado, 25 fevereiro2012, 23:41Boa noite, meu nome é SANDRO ROCHA DE SOUZA, Matrícula n.º 10212080014,PóloMARACANÃ.Minha pespectiva acerca das mudanças ocorridas em virtude da Cibercultura sãorelacionadas a forma como poderemos incluir todas as camadas da sociedade emtão pouco tempo, já que a velocidade com a qual ela tem avançado por meio dosmais diversos caminhos, e assim adentrado a todos os instantes em nossos larese locais de trabalho, sem que ao menos tivessemos tempo de analisar suasconsequências as nossas relações, não só as educacionais mas também associais e até mesmo as familiares, uma vez que "todos" podem comunicar-se, fatoeste que origina minha maior dúvida: Como poderemos incluir de forma linear a"todos" os componentes da sociedade independente de sua colocação namesma?Acredito ser este o maior desafio para a democratização da Cibercultura e dautilização desta em todos os níveis escolares, sem que para isso tenhamos queexcluir uma parcela da população que além de analfabetos digitais, são tambémanalfabetos funcionais e por vezes analfabetos de "Pai e Mãe".Em nossos estudos deveriamos dar um enfoque preferêncial nesta condição deexclusão, visto que será de grande valia para o aprendizado dos componentesdesta jornada, a obtenção de uma visão mais clareada e amplificada do quantoestas mudanças tem afetado e ainda podem afetar não só trazendo benefícios quenos são obvíos, mas também por proporcionarem aos menos favorecidos a totalexclusão destes do "novo mundo" que já anuncia sua chegada.Sei que talvez tenha desvirtuado o enfoque principal deste texto, todavia faz-senecessário que estejamos dispostos a verificar todas as possibilidades para quecom isso estejamos comprometidos com a expansão de uma educação com finsna formação de cidadãos críticos e autônomos, além de totalmente capazes deinteragirem com seus pares em qualquer situação seja ela no campo fisico ouvirtual.Sandro Rocha de Souza. (Narrativa de Sandro no 1º fórum de discussão)5Existe um código de conduta usado na internet com recomendações para que não ocorram mal entendidos nacomunicação chamado netiqueta. Uma dessas recomendações alerta que em chats, emails ou fóruns letras maiúsculasindicam que se está gritando.8
  9. 9. Re: Debate sobre programa 2por SANDRO ROCHA DE SOUZA Aluno(a) - UERJ - PLI - MAR - terça, 28 fevereiro2012, 01:05Olá Colegas, Olá Prof.ª Edmea,Em minhas muitas viagens pelo Brasil e pelo mundo, tive a oportunidade de entrar emcontato com as mais variadas concepções de ensino, uma vez que em cada localesta depende das condições humanas, sociais, financeiras e políticas do lugar.Acredito que em relação a Docência Online para os cursos de graduação a experiêncianos tem sido deveras proveitosa,e tendo como seu maior expoente nos os alunosdo CEDERJ, que mesmo com as mais diversas dificuldades temos demonstradoatravés de nosso potencial a lidar com o mundo virtual e assim temos criado e-mails coletivos, chats de troca de ideias e blogs para uso entre os alunos,interagindo e conquistando um novo caminho não só nosso mas de toda uma novageração que já esta em nosso encalço.Também vemos que as redes sociais tem em muito favorecido para mantermos contatocom os demais colegas e tutores, seja via msn ou facebook, trocando fotos emesmo tirando dúvidas a todos os instantes em que estas surgem, já que viaonline tudo fica muito perto.Todavia uma dúvida não consegue calar-se em meu peito: Como iremos proporcionaruma educação com docência online de forma linear que possa e tenha por objetivoo acesso de toda a população aos meios tecnológicos se ainda temos umasociedade com grande parte de excuídos não só da informação, mas muitos atémesmo do acesso ao mais básico dos direitos humanos a sua própriaalimentação?Não estou com demagogia e sim com um enfoque diferenciado a esta questão quetanto me incomoda, pois, como frisei acima já tive acesso a outras culturas epovos, e com isso verifiquei a carência existente, em especial nas regiões maisdistantes das capitais uma miséria pulsante, e ali não consigo imaginar uma práticapedagógiaca que não seja com a ZDP (zona de desenvolvimento proximal) ou seja,do professor com o aluno e do aluno com o aluno e também deste para oprofessor, em uma troca intensa de conhecimento, na qual ainda não se verifica apresença da cibercultura.Temos que avançar e estruturar nossa docência online, no entanto sabenos que nãoserá fácil atingirmos aos patamares desejados, enquanto não solucionarmosnossos problemas básicos infraestrutura para os menos favorecidos.Em suma: As oligarquias tendem a impulsionar os estudos daqueles a quem a elesinteressa, e desprezar aos demais como tem sido durante toda a História daEducação no Brasil desde os tempos dos Padres Jesuítas, em virtude de agoraserem necessários para suprir o mercado de trabalho a formação urgente detécnicos e professores para estes técnicos, e a formação ainda de alguns cursossuperiores que não são de gosto das elites, e assim são direcionados para a classemédia e a uns poucos da classe baixa, aprofundando mais ainda as desigualdadessociais das classes D e E.Devemos manter os avanços das pesquisas, mas sem esquecer daqueles que nem aomenos podem ter acesso a esta nova era mundial.Não adianta que lhes demos os peixes, faz-se necessário que os ensinemos a pescar e9
  10. 10. urgentemente.Afirmo mais uma vez que a revolução social que ocorre tem benefícios diretos as elites,e a Docência Online tem um ótimo desempenho para os cursos de graduação epós graduação, mas tem um péssimo desempenho entre as camadas de menorpoder aquisitivo, o que impossibilita uma educação linear, com o acesso ilimitado atodos os componentes da sociedade sem exclusões.Será mesmo possível imagianrmos um educação em igualdade em um País como onosso? O falar dos Acadêmicos é fácil, mas o fazer do Educador frente a umaturma de 50 alunos, estudando sem nem ao menos terem carteiras e cadeiras, outerem realizado nem mesmo uma única refeição, isso sem contar com aorganização familiar destas mesmas crianças, lares destruídos, famíliasdilaceradas pelas drogas, será mesmo tão fácil como dizem os entendidos?Deixo estas perguntas para que vcs respondam, eu já tenho minhas respostas e vcs?Acredito que devemos ampliar esta discussão para entendermos um pensamento quenos remete a Paulo Freire: como entender o Mundo sem valorizarmos o seu, o meue o nosso conhecimento de Mundo, da PalavraMundo?(Narrativa de Sandro no 2º fórum de discussão)Re: Debate sobre programa 3por SANDRO ROCHA DE SOUZA Aluno(a) - UERJ - PLI - MAR - quarta, 29 fevereiro2012, 22:08Boa Noite,Felipe quando disse de forma LINEAR, não estava referindo-me a interatividadeque existe entre todos e sim a proporcionarmos a todos os alunos do Brasil, deforma igualitária, o acesso as novas tecnologias, e não somente a uns poucos queencontram-se nos grandes centros urbanos.Espero que desta maneira eu tenha conseguido expressar-me de forma a sermelhor entendido, muito obrigado.Sandro.(Narrativa de Sandro após mediação do tutor Felipe)Sandro nos chamava atenção quanto a emergência da inclusão social, algo maisamplo do que a inclusão digital como se as discussões indicassem que o computadorfosse a solução para todos os problemas de educação. Essas tensões foramdeterminantes para que repensássemos algumas questões: como pensar nossas práticasem tempos de cibercultura quando não há rede e em alguns casos nem o digital?10
  11. 11. Sandro, que parecia ser uma exceção e que talvez em outras pesquisas teria suascontribuições descartadas, nos afetou e se afetou pelas mediações, mais especificamentepor intermédio de uma produção de vídeo de um colega de curso.Re: Fórum dos Pólos PARACAMBI E MARACANÃ - Tutora Cristianepor SANDRO ROCHA DE SOUZA Aluno(a) - UERJ - PLI - MAR - sábado, 2 junho 2012,23:20Queridas Tutoras e Colegas,Ainda não consegui conter minhas emoções após visitar nosso blog e ter escolhido ovídeo do meu colega de pólo (Maracanã) Thiago Spinelli, confesso mais uma vez queaté agora estou totalmente anestesiado e postei o seguinte comentário no nosso blog:"Boa Noite,Fiquei fascinado com seu vídeo e confesso que meus olhos ficaram mareados, comtanta sensibilidade, e veja que emocionar um homem que viveu anos a viajar pelosmares de todo o Mundo não é uma tarefa das mais fáceis!!!! kkkkFoi um prazer imensurável ter tido esta oportunidade de apropriar-se por algunssegundos de sua rotina, e é por este motivo que escolhi ser um Educador.Relembrando um pensamento de SUN TZU (A Arte da Guerra):"Existem 3 tipos de homem:O 1º é o que planta grãos, este pensa a curto prazo (*não tem ambições);O 2º é o que planta árvores, este pensa a médio prazo (*é ambicioso, mas não muda omundo);E existe o mais importante dos homens que é aquele que ensina aos outroshomens(*Este com certeza muda toda a estrutura do Mundo)."Os asteriscos e as observações foram colocações minhas a respeito do meuentendimento acerca do Provérbio Chinês, supra citado.Sandro Rocha de Souza."Vou assim que tiver um pouco mais de tempo, devido as várias frentes em que estouenfrentando (Divórcio, Trabalho, Saúde, Provas APs, Seminário, estágio, Relatórios, eblá, blá, blá,...) planejar um Plano de Aula sobre este tema do Thiago, ao qual tenho queagradecer por ter conseguido me emocionar tanto. Obrigado. Sandro.(Narrativa de Sandro sobre a produção de um colega de curso)11
  12. 12. Vanessa é uma aluna cega. Nosso desafio era propiciar a ela um ambienteacessível em relação aos conteúdos e materiais disponibilizados assim como possibilitarsuas autorias.Contudo Vanessa não participava dos fóruns. Provavelmente em outraspesquisas sua não participação a descartaria do processo. Ao contrário seu silêncio fezcom que a equipe, buscasse meios, olhasse para o modo com que habitava o ambiente eo navegava, buscássemos softwares leitores de tela diferenciados.O silêncio de Vanessa nos afetou e a afetou já que pode produzir um vídeomostrando suas angústias e nos mostrando que devemos estar atentos em relação ae-acessibilidade.Informática na Educação (PED-LIC) - UERJ » Fóruns » Para se apresentar e conhecer colegas edocentes é só clicar aqui!Re: Boas Vindas!por VANESSA RODRIGUES DA SILVA Aluno(a) - sábado, 11 fevereiro 2012, 18:50Olá, amigos estudantes em geral.Sou Vanessa Rodrigues, deficiente visual do pólo Maracanã.Trabalho lecionandoInformática paradeficientes visuaisna biblioteca Digital do Colégio Pedro II em Realengo.Essa disciplina para mim, está sendo um grande desafio; pois o processo de desenvolvimento daacessibilidade da plataforma apenas está começando e eu uns necessito de autonomia paratrafegar por esse ambiente . Além do que, não há mais tutoria presencial desta disciplina; o quepara mim é essencial!!!!Como discente, continuo na rota do esforço compensando as necessidades de acessos eadaptações curriculares com auxilio de tutores voluntários e colegasde turma do pólo queenviam por email, alguns conteúdos didáticos. Sucesso para todos!!!!!Vanessa Rodrigues.Mostrar principal | ResponderVeja esta mensagem em seu contextoOlá,Sou Vanessa Rodrigues, deficiente visual total.Estou aqui novamente porque não poderia deixar de passar por aqui para contar-lhes que venci o grandedesafio de passar com êxito e com muita aprendizagem por essa disciplina que muito me encantou.Sou instrutora de informática para deficientes visuais na biblioteca do colégio Pedro II unidade Realengo,mas, pela inacessibilidade, tanto da plataforma quanto do curso, bem como dos materiais didáticos epela falta de alguém ao meu lado para descrever o que fosse necessário, vivi momentos muitodesagradáveis na disciplina Informática instrumental. Fui reprovada duas vezes; mesmo sabendo amatéria, sem alguém que me descrevesse, por exemplo, os botões que estavam desenhados em minhas12
  13. 13. provas, tudo era frustrante.Mas, dessa vez, tudo deu certo, nessa disciplina, porque tive o apoio essencial da Valeria, professora ecoordenadora pedagógica do Rompendo Barreiras.Sem ela, eu garanto que também não daria certo, pois nosso ambiente virtual de aprendizagem emateriais didáticos carecem de muita adaptação para cumprir o que o curso que estou inserida prega, umensino igualitário a todos.Na disciplina Informática na Educação, Valeria descreveu imagens e vídeos, converteu tabelas em textos,gravou, editou e postou no you tube meus vídeos, salvou textos inacessíveis em formatos acessíveis,adaptou minhas APs e também me ajudou a postar no fórum, pois para mim é impossível, via leitor detela (eu uso o NVDA) conseguir realizar as postagens; mas não foi só nesta disciplina que a Valeria vemmeajudando. Ela e os bolsistas do Rompendo Barreiras vêm me dando o suporte quenecessito para transpor as barreiras impostas pelo sistema.Muito obrigada professora Valeria de Oliveira!Deixo aqui o meu recado respeitosamente, a fim de que nenhuma pessoa com deficiência visual vivenciemomentos tão amargos quanto os que enfrentei.A vida não se restringe a um mero olhar ocular, a visão intelectual vai para além do que os olhos físicospodem ver! Eu acredito nisso e conto com todos que lerem essas palavras para lutarem por uma inclusãopara além das grades curriculares de cursos, Inclusão como ato político, Inclusão, gesto contínuo devida!!!!!Vanessa Rodrigues.Mostrar principal | ResponderVeja esta mensagem em seu contextoSuspender o recebimento de mensagens deste fórum via email(As duas únicas narrativas de Vanessa nos fóruns devido a problemas técnicos daplataforma. Valéria Oliveira faz parte da equipe de tutores)Apesar do impedimento técnico de participação no ambiente da disciplina,Vanessa deu sua contribuição ao elaborar um vídeo apresentando suas dificuldadescomo aluna de um curso a distancia, discutindo de forma legítima a questão da inclusão.O vídeo postado em um blog colaborativo6,fora do ambiente virtual, desencadeoucomentários dos colegas e tutores que demonstraram que aquela produção contribui, emuito, para a nossa formação, pois as narrativas de Vanessa trouxeram a visão sobreacessibilidade (um dos temas discutidos no ambiente e que Vanessa não pode participar)a partir da vivência de quem depende dela.6Todos os participantes podem postar, alterar e comentar as produções disponibilizadas.13
  14. 14. Imagem 2 – Produção de Vídeo, da aluna Vanessa) postada em um blog fora do ambiente virtual dadisciplina.7Maryrio2 de maio de 2012 07:46Olá Vanessa, adorei seu vídeo, ouvimos falar muito de acessibilidade e dasdificuldades que passa um portador de necessidades especiais, mas não temos umaideia concreta dos problemas. Vendo seu vídeo pude ter a ideia de como é aacessibilidade em informática e como mesmo tendo alguma acessibilidade, ainda hámuito o que se tornar acessível, falta ainda muita estrutura para os portadores denecessidade consigam alcançar plenamente todos os recursos que as TICs oferencem.Parabéns, você mostra muita força de vontade e muita dedicação, outros já poderiamter desistido ao se depararem com as inúmeras dificuldades que você encontra e quepudemos observar no vídeo.Abraços!Mariléa - Polo Paracambijuliana bechelli6 de maio de 2012 21:02Parabéns, Vanessa! Em poucos minutos de vídeo já dá para se ter noção dos desafiosque você precisa superar e de como a tecnologia é uma aliada importante.7Disponível em http://polosparacambiemaracana2012-1.blogspot.com.br/2012/05/video-da-aluna-vanessa-rodrigues-polo.html?showComment=1336363340818#c579941428387136417214
  15. 15. A emergência de um olhar outroDialogando com Santos (2010) sobre a emergência de um novo paradigma, olhopara meu campo de pesquisa de forma diferente. Assim as tensões geradas nos fóruns dediscussão por pessoas que discordam totalmente da filosofia da disciplina que buscamostrar o potencial do digital em rede em preocessos de educação não são vistas comoerros. São vistas como diversidade que amplia e enriquesse as discussões. Da mesmaforma percebo de forma diferente a ausência de um aluno, considerado “zero” emparticipação e interação com grupo. Esse silêncio virtual pode significar problemas nãodo aluno, mas da equipe que não soube convidar, ou problemas técnicos que nãoviabilizem a acessibilidade ao ambiente.São as vivências, o experienciar em ato que tornam possível a formação dopesquisador, preparando-o para um olhar que vê na dita rotina da pesquisa, novas rotas,novos sentidos, novas metodologias.Por isso não faz sentido o distanciamento e a não implicação desse pesquisadorjá que o campo o faz, o campo o forma.Enfim, o fazer ciência vivido e experienciado possibilitou que percebesse que oque já sabia eram hipóteses a serem negadas e jamais confirmadas com o fazer ciênciaque aprendi e acumulei (Alves, 2010).Referências BibliográficasALVES, N.Decifrando o pergaminho - o cotidiano das escolas nas lógicas das redescotidianas. In: OLIVEIRA, I. B;ALVES,N (Orgs.). Pesquisa no/do cotidiano dasescolas - sobre redes de saberes. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.BRONOWSKI. J. Introdução à atitude científica. Lisboa: Livros Horizonte, s/dCOUTO, M. E se Obama fosse africano?: e outras interinvenções. São Paulo:Companhia das Letras, 2011.FRANÇA, V. Sujeito da Comunicação, sujeitos em comunicação In: GUIMARÃES, C;FRANÇA, V (Orgs). Na mídia, na rua: narrativas do cotidiano. Belo Horizonte:Autêntica, 2006.KUHN, T. S., A estrutura das revoluções científicas, ed. Perspectiva, São Paulo, 201115
  16. 16. MACEDO, R.S.M. Compreender/mediar a formação. O fundante da educação.Brasília:Liber Livro Editora, 2010.MATURANA,H.Objetividade-sem-parênteses e objetividade-entre-parênteses. In:Emoções e Linguagem na Educação e na Política. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999,p.42-66OLIVEIRA, I.B. Reflexões acerca da organização curricular e das práticaspedagógicas na EJA. Educ. rev. [online]. 2007, n.29, pp. 83-100. ISSN 0104-4060.SANTOS, B. S . Um discurso sobre as ciências. Porto, Afrontamento: 2002.SANTOS, E.O. Educação online: cibercultura e pesquisa-formação na prática docente.Salvador, 2005. Tese de doutorado. FACED-UFBA [orientador prof. Dr. RobertoSidney Macedo].SILVA, M. Sala de Aula interativa: educação, comunicação, mídia clássica. São Paulo:Edições Loyola, 2012.16

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