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EXPEDIENTE
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Presidente do Conselho Diretor:...
Sumário

             04   Apresentação

Capitulo 1   05   A Imprensa como Aliada

Capitulo 2   13   Construindo Estratégi...
Apresentação
Este guia de referência integra uma série de estratégias desenvolvidas pela Agência de Notícias dos
Direitos ...
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    Mídia ou imprensa?
    Entenda a diferença

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     Agenda de Comunicação
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ouvidas – de ambos os lados – pessoas que possuam um ...
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• Caráter inédito.                                   lificadas sobre...
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• Deve-se evitar o excesso de releases (su-          ...
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Pauta exclusiva                                       • Ao fazer de...
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   ao jornalista e se colocar à disposição para escla...
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      Gerenciamento de crises

     A relação com a imprensa não é...
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    O uso de jargões ou de expressões técni-     a im...
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Cuidados com imagens                                 ...
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  1. 1. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES Guia de RefeRência para o Diálogo com a míDia Realização: ANDI Parceria estratégica: Childhood Brasil
  2. 2. Guia de RefeRência para o diálogo Com a mídia EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES Realização: ANDI Parceria estratégica: Childhood Brasil
  3. 3. EXPEDIENTE ANDI – AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DOS DIREITOS DA INFÂNCIA Presidente do Conselho Diretor: Oscar Vilhena Vieira SDS – Ed. Boulevard Center – Bloco A – sala 101 Secretário Executivo: Veet Vivarta CEP: 70391-900 – Brasília/DF Secretária Executiva Adjunta: Ely Harasawa Tel: (61) 2102-6508 / Fax: (61) 2102-6550 Gerente do Núcleo de Mobilização: Carlos Ely Site: www.andi.org.br FICHA TÉCNICA Guia de Referência para o Diálogo com a Mídia Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (ISBN: 978-85-99118-15-3) Realização Parceria Estratégica ANDI Childhood Brasil Supervisão Editorial Projeto Gráfico, Diagramação e Capa Veet Vivarta Viviane Barros Texto Impressão e Acabamento Marília Mundim. Colaboração: Ana Flávia Flôres Pancrom Indústria Gráfica Edição Tiragem Adriano Guerra e Marília Mundim 5.000 exemplares Revisão de Texto São Paulo, novembro de 2008 Maria do Socorro Novaes de Senne Advertência: o uso de linguagem que não discrimine nem estabeleça a diferença Análise de Mídia entre homens e mulheres, meninos e meninas é uma preocupação deste texto. O uso genérico do masculino ou da linguagem neutra dos termos criança e Railssa Alencar e Diana Barbosa adolescente foi uma opção inescapável em muitos casos. Mas fica o entendimento de que o genérico do masculino se refere a homem e mulher e que por trás do Produção termo criança e adolescente existem meninos e meninas com rosto, vida, histórias, Tainá Frota desejos, sonhos, inserção social e direitos adquiridos.
  4. 4. Sumário 04 Apresentação Capitulo 1 05 A Imprensa como Aliada Capitulo 2 13 Construindo Estratégias de Comunicação Capitulo 3 21 Fontes de Informação: Papel Central na Notícia Capitulo 4 39 Por Dentro da Redação Capitulo 5 51 Violência Sexual na Pauta da Imprensa Brasileira Capitulo 6 65 Mídia em Foco
  5. 5. Apresentação Este guia de referência integra uma série de estratégias desenvolvidas pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e pela Childhood Brasil com o objetivo de contribuir para a qualificação da cobertura jornalística oferecida às temáticas relacionadas ao universo de crianças e adolescentes brasileiros – especialmente no que se refere à exploração sexual. Atentos ao fato de que o processo de aprimoramento do trabalho da imprensa nesse campo vai além da capacitação de jornalistas e demais profissionais da comunicação, ANDI e Childhood focalizam na presente obra outro agente fundamental nesse âmbito: as fontes de informação. Organizações sociais, pesquisadores, agentes públicos, membros da academia e demais atores ligados à temática da Explora- ção Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes (ESCCA) constituem, portanto, o público-alvo deste material. A proposta é estimular e preparar esses profissionais para um diálogo mais articulado e pro- dutivo com os veículos de comunicação. Para isso, ao longo da publicação são apresentadas, em detalhes, as dinâmicas de funcionamento da mídia: a lógica da notícia, o processo de construção da pauta jornalística, como se dá a elaboração de uma reportagem nos diferentes meios e outras especificidades da área. Com mais esta iniciativa, ANDI e Childhood Brasil esperam contribuir diretamente para o fortaleci- mento do jornalismo investigativo com foco na ESCCA – capaz de informar, pautar e fiscalizar as inicia- tivas públicas do setor. O objetivo fundamental é potencializar a atuação da imprensa como aliada estra- tégica nos processos de mobilização da sociedade e do poder público para o enfrentamento desse grave problema que atinge meninos e meninas de todo o país. Ana Maria Drummond – Diretora Executiva Childhood Brasil Veet Vivarta – Secretário Executivo ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância
  6. 6. A Imprensa A liberdade de imprensa é um preceito de qualquer sociedade democrática. Thomas Jefferson, terceiro pre- como Aliada1 sidente dos Estados Unidos, disse que entre um governo sem imprensa e uma imprensa sem governo, não tinha dúvida em escolher a segunda alternativa. O comentário de Jefferson, um dos fundadores da democracia estadu- nidense, constitui uma defesa intransigente da capacida- de da mídia em exercer um efetivo controle social sobre o Estado e os governantes – um dos princípios inegociá- veis em qualquer sistema democrático de governo. 1 Parte do conteúdo deste capítulo foi baseada em trechos da publicação Orçamento Público, Legislativo e Comunicação – três eixos estratégicos para incidência nas políticas públicas, editada pela ANDI em parceria com o Instituto Ágora, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), o Instituto Telemig Celular, a Fundação Avina, a Fundação Vale e a Oficina de Imagens – Comunicação e Educação.
  7. 7. 6 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia No Brasil, não por acaso, a liberdade de Ainda que possa ser freqüente a presença imprensa foi uma importante bandeira dos de tal tratamento nos meios brasileiros, essa movimentos contra a ditadura. Hoje, ain- está longe de ser uma regra aplicável a todos os da que não possamos afirmar que essa é uma veículos ou profissionais. Assim como ocorre questão superada para a sociedade brasileira em outros segmentos, é importante aqui saber – haja vista os casos ainda registrados de co- diferenciar o bom jornalismo do mau jornalis- erção, de agressão e até mesmo de assassinato mo. Precisamos, portanto, aprender a analisar de profissionais da imprensa –, certamente mais detalhadamente a produção da imprensa, contamos com um contexto político de maior identificando os vários parâmetros que podem abertura e com melhores condições para o contribuir para uma cobertura de qualidade. exercício de nossas liberdades. Nesse âmbito, é fundamental que as avalia- Mesmo que ninguém duvide da relevância ções que costumamos fazer sobre o trabalho dos de uma imprensa livre e plural, também é ver- veículos passem a levar em consideração os as- dade que os meios noticiosos são alvo constan- pectos de ordem técnica – e não sejam pautados te de críticas endereçadas por variados atores apenas por abordagens genéricas ou com base sociais. Isso porque o noticiário muitas vezes no senso comum. Cabe aos grupos organizados repercute os principais temas presentes na da sociedade o papel de monitorar o trabalho esfera pública sem levar em conta os diferen- jornalístico, partindo de parâmetros objetivos, tes ângulos e visões existentes na sociedade. capazes de diagnosticar, por exemplo, falhas e Da mesma forma, são comuns críticas avanços na cobertura. questionando a abordagem dada por alguns Estudos sobre a função do jornalismo em veículos de imprensa a temas como violência sociedades democráticas, sistematizados em e direitos humanos de crianças e adolescen- pesquisas recentes da ANDI, apontam para três tes. Não é raro ouvir de representantes dos importantes características de um tratamento movimentos sociais comentários do tipo: “os editorial qualificado dos temas sociais: jornalistas distorcem tudo que eu falo quando dou entrevistas”, “os noticiários só querem • Prover a sociedade com informação con- mostrar sangue e crimes”, “a mídia só traz no- fiável e contextualizada – de forma a tícias ruins”. empoderar cidadãos e cidadãs, que assim
  8. 8. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 7 podem melhor conhecer seus direitos e as campanhas de vacinação, os períodos de ma- passar a exigi-los. trícula escolar ou os direitos do consumidor – é um bom exemplo de como a mídia noticiosa • Introduzir questões relevantes na agenda pode apoiar o exercício da cidadania. pública de debates, de forma plural – ou A oferta de informação qualificada está tam- seja, a mídia pode não ter o poder de nos bém no cerne do que chamamos de jornalismo dizer “como” devemos pensar, mas define preventivo, que busca antecipar ameaças – tais fortemente sobre “o que” pensamos. como enchentes ou epidemias –, apontando • Exercer controle social sobre os represen- medidas capazes de evitar crises futuras ou tantes do governo e as políticas públicas, minimizar seus impactos. Além de disseminar assim como sobre os demais atores sociais. orientações relativas a ações mais imediatas, um jornalismo preventivo eficiente encoraja Qualidade das informações cidadãos e cidadãs a participarem ativamente A primeira das importantes contribuições do combate ao problema e a cobrarem medidas que a imprensa pode oferecer ao processo de objetivas por parte das autoridades públicas. consolidação das sociedades democráticas é informar sobre os temas de interesse público Agendamento de maneira qualificada. Uma cobertura jorna- Um segundo papel relevante dos veículos de lística contextualizada fortalece a cidadania e imprensa diz respeito à sua capacidade de a construção de capital social, contribuindo influenciar a construção da agenda pública. para reduzir a assimetria de informação que Em outras palavras, isso significa dizer que tradicionalmente existe entre os governantes os temas abordados pela mídia serão, quase e a população – a qual, ao conhecer seus direi- sempre, também aqueles priorizados pelos tos, pode também passar a exigi-los. governos – e pelos atores sociais e políticos de Embora ainda deva superar desafios nesse maneira geral –, no momento de definir suas campo, a imprensa brasileira registra impor- linhas de atuação. Por outro lado, os assuntos tantes avanços no que se refere à disponibiliza- “esquecidos” pelos jornalistas dificilmente ção de informações de qualidade. O tratamento conseguirão receber atenção da sociedade e, dado a questões de amplo alcance – tais como conseqüentemente, dos decisores públicos.
  9. 9. 8 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Mídia ou imprensa? Entenda a diferença É preciso ter em mente que muitas vezes se usa Já o entretenimento está relacionado ao lazer e à os termos “meios de comunicaçäo” ou “mídia” diversão: filmes, novelas, desenhos animados, revistas como se fossem sinônimos para o jornalismo. Na em quadrinhos e programas de humor são algumas verdade, tais termos abarcam também outras for- das atrações que se enquadram nessa categoria. mas de conteúdo midiático além da imprensa. De O Jornal Nacional, por exemplo, é um programa maneira geral, podemos apontar três categorias jornalístico, ao passo que o Domingão do Faustão é mais comuns, no que se refere a estes conteúdos: uma atração da grade de entretenimento da TV Glo- jornalísticos, de entretenimento e publicitários. E bo. Essa diferenciação também pode ser encontrada todos eles podem ser veiculados nos mais diver- nos veículos de mídia impressa: existem os espaços sos tipos de mídia, como jornais, revistas, rádio, jornalísticos e os que têm como foco o divertimento televisão ou internet. dos leitores (horóscopo, quadrinhos e palavras cru- O jornalismo – foco de nosso interesse – con- zadas são alguns dos exemplos). siste na divulgação de acontecimentos e informa- Já a publicidade consiste em anúncios de pro- ções sobre a realidade. Nesse sentido, os profissio- dutos ou serviços, geralmente veiculados no intervalo nais dessa área da comunicação atuam na coleta, dos programas, nas mídias eletrônicas (rádios e tevês) redação, edição e publicação de informações sobre e ao lado das reportagens, nos veículos de mídia im- eventos atuais e de interesse público. pressa (jornais e revistas).
  10. 10. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 9 É a chamada Teoria do Agendamento (ou na expressão em inglês, agenda-setting). Essa talvez seja a característica da mídia Imprensa e mais comumente reconhecida pelas pessoas. Ninguém estranha quando se diz que “o que desenvolvimento não está na mídia não é importante”. Apesar de conter um certo exagero, tal expressão é Da mesma forma que mantém uma relação di- uma tradução popular para o que afirmam os reta com os mecanismos que contribuem para estudiosos da Teoria do Agendamento. a consolidação da democracia, a imprensa tam- Reconhecer e entender tal característica bém desempenha um papel central quando estão da imprensa é um passo importante para que em debate as políticas de desenvolvimento de os movimentos e organizações sociais pensem um país. Ao observarmos o trabalho jornalístico nos jornalistas como aliados estratégicos e a partir desta perspectiva, fica claro porque seu não como adversários. Estabelecer um diálo- impacto nas sociedades contemporâneas vem go ético e construtivo com esses profissionais sendo estudado, cada vez, mais por especialistas pode contribuir para aumentar a visibilidade de um novo campo de conhecimento, chamado de temas e causas sociais que normalmente de “comunicação para o desenvolvimento”. recebem pouca atenção da sociedade. Trata-se de um conceito abrangente, no Vale destacar, no entanto, que a presença de qual estão abrigadas as mais diversas mani- um assunto na imprensa não representa a única festações comunicacionais, quando buscam condição para que ele seja considerado por go- incidir em aspectos sociais, culturais, econô- vernos e parlamentos. O trabalho de incidência micos e de sustentabilidade ambiental, para política, por exemplo, costuma favorecer gran- citar alguns exemplos. Nesse sentido, pode-se demente esse processo. Da mesma forma, é ne- afirmar que os níveis de democratização e de cessário considerar que questões com impacto liberdade de expressão e de imprensa de uma mais direto na vida das pessoas – como saúde nação são também fatores determinantes para e educação – sempre serão foco de atenção de seu processo de desenvolvimento. governantes e parlamentares, independente- mente de estarem presentes na mídia.
  11. 11. 10 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia É o que afirma, por exemplo, o ex-presidente Infância e adolescência do Banco Mundial, James D. Wolfensohn: “uma im- Quando observamos o debate sobre mídia e desenvol- prensa livre não é um luxo. Ela está no núcleo do vimento a partir de um de nossos campos de interesse desenvolvimento eqüitativo. Os meios podem expor a – os direitos de crianças e adolescentes –, um exem- corrupção. Podem se manter vigilantes em relação às plo chama a atenção: a contribuição oferecida pela políticas públicas, lançando luz sobre as ações gover- imprensa brasileira a essa agenda, a partir dos anos namentais. E permitem às pessoas exprimir suas di- de 1990. Desde a aprovação do Estatuto da Criança ferentes opiniões sobre governança e reformas, além e do Adolescente (ECA), a atividade jornalística passou de contribuir para os consensos públicos necessários a ocupar um papel central tanto na disseminação dos às mudanças”. princípios estabelecidos pela nova legislação quanto na Não por outra razão, o indiano Amartya Sen, Prê- discussão sobre os progressos e deficiências das polí- mio Nobel de Economia e um dos formuladores do ticas públicas direcionadas a essa população. conceito de Desenvolvimento Humano, enfatiza: “a li- Essa constatação não significa que a cobertura berdade de imprensa exige a nossa mais forte defesa, nessa área não continue apresentando limites. Mas o entretanto a imprensa tem tanto obrigações quanto fato é que o interesse da imprensa sobre a tema cres- direitos. Na verdade, a liberdade de imprensa define ceu vertiginosamente – e com repercussões muito po- ambos – um direito e um dever – e nós temos boas sitivas. O registro deste processo vem sendo feito, ano razões para lutar pelos dois”. a ano, pelas metodologias de monitoramento e análise Entre as funções que cabem à mídia, no âm- de mídia desenvolvidas pela ANDI – Agência de Notí- bito do desenvolvimento, vale relembrar aquelas cias dos Direitos da Infância (veja mais no Capítulo 5). que abordamos anteriormente: produção de infor- mações contextualizadas no campo da cidadania; Fonte: Orçamento Público, Legislativo e Comunicação – três eixos agendamento de temas sociais relevantes na pauta estratégicos para incidência nas políticas públicas (Oficina de da agenda de debates; e controle social das institui- Imagens / ANDI / Ágora / Inesc / Fundação Avina / Fundação Vale ções públicas. do Rio Doce / Instituto Telemig Celular)
  12. 12. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 11 Cão de guarda tar a sociedade sobre equívocos e, também, Ao mesmo tempo em que influencia a cons- acertos dos governos. trução da agenda pública, a imprensa pode Nesse sentido, o acompanhamento, não exercer outra importante função: fiscalizar apenas do lançamento oficial de projetos, mas de a atuação do Estado e dos governantes. Para sua continuidade, da idoneidade em sua execu- diversos estudiosos da comunicação, a liber- ção e de seus resultados é – ou deveria ser – uma dade de imprensa assegura aos profissionais das responsabilidades centrais dos jornalistas. da notícia uma voz independente e a capaci- Existem casos clássicos, com repercussão dade de monitorar as instituições públicas mundial, que ilustram claramente esse papel nos mais diversos campos. desempenhado pelos meios de comunicação – Esse papel exercido pelos meios de co- como o Watergate, que acarretou na renúncia municação foi chamado pelos especialistas de Richard Nixon, então presidente norte- de “cão de guarda” (ou watchdog, em inglês). americano, e o impeachment do ex-presidente O termo indica o potencial da mídia em aler- brasileiro Fernando Collor de Mello. Impeachment na Presidência Os meios de comunicação estiveram no centro do único processo de afastamento legal de um presidente da República no Brasil: o impeachment de Fernando Collor de Mello, ocorrido em 1992. O escândalo que marcou a história política brasileira começou a tomar corpo quando a revista Veja publicou entrevista com Pedro Collor de Mello, irmão do então presidente, trazendo graves acusações sobre corrupção e tráfico de influência no governo. Com a denúncia, o Con- gresso Nacional instaurou uma comissão de inquérito para investigar a veracidade e abrangência do crime. Durante todo o processo, a mídia esteve engajada em levar ao público os principais desdobramentos da questão, contribuindo na mobilização da sociedade (nesse âmbito, o movimento mais representativo foi o dos “caras pintadas”), que passou a exigir das autoridades respostas à crise no governo. Menos de cinco meses após a denúncia veiculada pela revista, Fernando Collor foi julgado pelo Senado Federal e condenado à perda do cargo de presidente e a uma inabilitação política de oito anos.
  13. 13. 12 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia No entanto, não apenas em situações com a cobertura de fatos negativos é exagerada, e essas proporções, verificamos a imprensa exer- 64% disseram que raramente encontram na cendo sua função de “cão de guarda”. Em 2004, grande mídia as informações que gostariam por exemplo, o governo federal enviou para o de obter. Congresso Nacional uma proposta orçamentária Apesar do resultado aparentemente negativo, prevendo o corte de 80% dos recursos desti- a pesquisa Trust in the Media – que ouviu mais de nados ao Programa de Erradicação do Trabalho 10 mil pessoas em dez países, sendo mil delas Infantil (Peti). O jornal Folha de S.Paulo teve de nove regiões metropolitanas brasileiras – acesso ao documento e denunciou a intenção concluiu que a credibilidade da imprensa ainda do governo. A repercussão gerada pela matéria, é maior que a dos governos, especialmente nas associada à mobilização e à articulação do movi- nações em desenvolvimento. Em nosso país, mento social de defesa dos direitos da criança e o percentual de credibilidade é de 45% para a do adolescente, fez com que o governo recuasse mídia contra 30% para o governo (a íntegra da logo em seguida. pesquisa, em inglês, pode ser acessada em: www. globescan.com/news_archives/bbcreut.html). Credibilidade da imprensa Já a pesquisa Trust Barometer, divulgada Seria exagerado afirmar que todo o conteú- em janeiro de 2008 pela empresa de rela- do publicado nos meios de comunicação está ções públicas Edelman (www.edelman.com/ correto ou vira tema de interesse da socie- trust/2008), revelou que a mídia é a institui- dade. Entretanto, como vimos, não há como ção mais confiável para 64% dos brasileiros negar a forte influência e a credibilidade que formadores de opinião, seguida por empresas a imprensa possui junto a públicos distintos, (61%), ONGs (51%), instituições religiosas como gestores públicos, empresários e a po- (48%) e governo (22%). O levantamento ou- pulação em geral. viu 150 pessoas no Brasil e permite fazer um Estudo realizado em 2006, a pedido da comparativo com outras 17 nações que tam- BBC, da Reuters e de The Media Center, reve- bém foram pesquisadas. Na Suécia, na Ho- lou que 55% dos brasileiros não confiam nas landa e na Bélgica, por exemplo, onde o poder informações obtidas por meio dos veículos público está mais presente, os governos fica- jornalísticos. Além disso, 80% afirmaram que ram mais bem classificados.
  14. 14. Construindo Qualquer no debate público não poderá ignorar a ator social que busque incidir de forma mais ampla Estratégias de relevância da imprensa na definição do foco das dis- cussões, independente do cenário ao qual estejamos Comunicação nos referindo: político, econômico, social, ambien- tal ou cultural. Hoje, já não é possível imaginar, por exemplo, uma organização que tenha como foco a mo- bilização social em torno dos direitos da criança e do adolescente que não conte com uma eficiente – ainda que simples – estrutura de comunicação. Para manter uma incidência mais sistemática na de- finição dos temas da agenda pública, o contato com a im- prensa deve ser feito de forma constante e profissional. Para isso, é desejável que a instituição possua uma polí- tica comunicacional bem definida, ou seja, com orienta-
  15. 15. 14 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia ções bastante claras, tanto para a comunicação a instituição pode contar com a contribuição interna (dentro da organização) quanto para a de profissionais voluntários; desenvolver par- externa (parceiros, público-alvo e imprensa, cerias com universidades (algumas possuem por exemplo). Esse processo pode ser inicia- agências juniores que prestam serviço à co- do com uma reflexão simples: “o que eu quero munidade); ou contratar jornalistas freelances informar e para quem eu quero informar?”. O para ocasiões nas quais a demanda é maior. fundamental, porém, é que a estratégia de co- O diálogo com os profissionais e veículos municação adotada esteja pautada nos princí- de imprensa também pode ser buscado por pios e valores éticos da instituição, bem como meio de parcerias com os sindicatos de jorna- na sua missão, visão e objetivos. listas (cada estado tem o seu) e com organiza- Para isso, um passo inicial é a construção ções não-governamentais que atuem na área de de um plano de comunicação – documento que comunicação. O importante é que instituições define objetivos, metas e estratégias da organi- que trabalhem para promover os direitos de zação, tendo em vista a visibilidade de seus pro- crianças e adolescentes – entre as quais estão jetos bem como da temática sobre a qual traba- incluídas aquelas que lidam com o enfren- lha. Para que esse plano seja eficiente, é preciso tamento da Exploração Sexual Comercial de estruturá-lo cuidadosamente. De preferência, Crianças e Adolescentes (ESCCA) – não fiquem ele deve estar acompanhado de uma planilha de de fora do debate público agendado pela cober- ações a serem desenvolvidas, na qual constem tura jornalística. Com criatividade e parcerias, informações como o responsável pela ação, o é possível superar as dificuldades financeiras e público-alvo, o objetivo, as metas e o prazo de estruturais e desenvolver iniciativas capazes de execução (veja modelo na página 17). dar visibilidade para a pauta da violência sexual O ideal é que o trabalho de comunicação que tem como vítimas meninos e meninas. fique nas mãos de um comunicador habilitado para isso (seja jornalista, seja relações públi- A imprensa e o combate à ESCCA cas). No entanto, nem todas as organizações Como vimos até aqui, a capacidade de informar, possuem condições de arcar com um profis- pautar e fiscalizar as iniciativas públicas faz da sional com dedicação exclusiva. Nesse senti- imprensa uma aliada estratégica nos processos do, algumas alternativas podem ser pensadas: de mobilização social e de monitoramento das
  16. 16. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 15 políticas públicas, especialmente quando es- as especificidades que cercam o intrincado tamos falando de um fenômeno multifacetado universo da Exploração Sexual Comercial de como a violência sexual contra crianças e ado- Crianças e Adolescentes. lescentes. Do mesmo modo, os meios de co- Outro fator que dificulta o trabalho dos municação são parceiros fundamentais para o jornalistas – e que deve ser suprido na medida esclarecimento da população sobre o tema, in- do possível pelas fontes – é a quantidade limi- clusive no que se refere ao papel de cada pessoa tada de dados e estatísticas oficiais, em parte na prevenção e na erradicação do problema. resultante da própria característica criminosa Vale destacar, contudo, que a tarefa de for- do fenômeno. Esse obstáculo pode ser supe- talecer a relevância do assunto entre as reda- rado por meio da sugestão de novas formas de ções não é exclusiva dos jornalistas já sensíveis abordar a temática, apresentando-lhes olha- ao problema. Pelo contrário, as fontes de infor- res e enfoques sobre a questão que tenham mação especializadas também são peças fun- sido pouco abordados pela imprensa de sua damentais para a inserção da problemática da região. Por exemplo, o impacto na vida social ESCCA no noticiário veiculado por jornais, si- da criança ou adolescente explorado, a pouca tes, rádios, revistas e tevês de todo o país. Mais visibilidade dada ao cliente ou a quantidade de do que isso, especialistas na área desempe- projetos de leis sobre o tema que tramitam nas nham um papel estratégico na qualificação dos casas legislativas do país sem que sejam apro- conteúdos disponibilizados para a população. vados e colocados em prática. Certamente, não estamos falando aqui No diálogo com os profissionais da im- de uma temática simples de se abordar no prensa, é preciso tomar cuidado, porém, para noticiário, pois sabemos das complexidades não exigir atitudes que vão além da sua capa- que permeiam essa grave questão: trata-se de cidade/responsabilidade. Não é certo querer um tema delicado e cercado de preconceitos. que a imprensa resolva sozinha os problemas Sendo assim, cabe a especialistas e fontes de do Brasil, entre os quais a questão da ESCCA. informação a missão de repassar os dados, Não podemos transferir para ela demandas e conceitos e reflexões de forma clara e preci- ações que são do escopo do poder público e da sa para os jornalistas, certificando-se de que sociedade civil organizada – como a elaboração compreenderam exatamente a amplitude e e a apresentação de propostas de enfrentamen-
  17. 17. 16 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Agenda de Comunicação Como vimos, a elaboração de uma Agenda de • Também é possível identificar, entre as enti- Comunicação – ou de ações mobilizatórias – é dades parceiras, a programação de eventos importante para garantir a presença de um tema organizados em cada uma delas e articular na mídia. Nesse sentido, seguem algumas orien- uma agenda de acordo com as atividades tações para garantir a efetividade desse instru- previstas. Exemplos: lançamentos de pes- mento de trabalho: quisas e estudos, campanhas, atividades es- pecíficas com a mídia (como a elaboração e • A agenda deve incluir várias estratégias e envio de artigos de opinião para publicação), sua elaboração precisa ser articulada com atividades de mobilização (panfletagem, se- diversos setores. Umas das formas de se minários), articulação com empresários, etc. compor a Agenda de Comunicação é por meio da criação de ações locais e nacionais • Uma outra possibilidade é traçar uma lista de a partir das datas de mobilização – como o temas relevantes e, a cada mês, organizar Dia Nacional de Combate ao Abuso e Explo- atividades no contexto do assunto estabe- ração Sexual de Crianças e Adolescentes (18 lecido – educação, direitos, saúde, etc. Por de maio), Dia do Aniversário do Estatuto da exemplo, se em determinado mês o tema é Criança e do Adolescente (13 de julho) e o saúde, a discussão pode se dar em torno da Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil vulnerabilidade de crianças e adolescentes (12 de junho). Ou ainda aproveitar grandes vítimas de Exploração Sexual de Crianças e eventos nos quais o tema “Direitos da Crian- Adolescentes a doenças sexualmente trans- ça” possa ser difundido. missíveis, como a Aids (veja ao lado modelo
  18. 18. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 17 de tabela a ser preenchida pelo conjunto de instituições mobiliza- AGENDA DE COMUNICAÇÃO das no tema). Atividades • Ao lançar um livro ou estudo, focar Período Instituição a divulgação em dois ou três temas, Responsável Tema Janeiro Fevereiro Março pois informação em muita quanti- dade não é assimilada de imediato – seja porque existe pouco espaço Saúde na imprensa, seja porque a opinião pública não consegue digeri-la. Nesse sentido, sugere-se utilizar os temas do estudo para pautar a Educação mídia ao longo de um período que pode se iniciar antes do lançamen- to e perpetuar-se por meses após o Direitos Humanos mesmo –, sempre fornecendo um enfoque ou leitura diferenciados de um determinado aspecto, ou en- Inclusão tão priorizando um dado ainda não muito explorado do mesmo estudo.
  19. 19. 18 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Palavra de fonte to ao fenômeno. Os meios de comunicação precisam ser vistos como mediadores do debate público e aliados na luta por um país mais justo e igualitário – e não como os agentes “Entre os erros mais comuns cometidos responsáveis por fazer esse desejo se concretizar. pela imprensa destaca-se o uso de cha- vões ou conceitos equivocados sobre o tema ou sobre aspectos relacionados a Espaço aberto ele. Um exemplo bem atual está na discus- Está claro que o trabalho de divulgação das estratégias são sobre os pedófilos. Existe uma grande de enfrentamento da Exploração Sexual Comercial de confusão sobre a situação da pedofilia e a Crianças e Adolescentes não deve se resumir ao período situação de abuso sexual. Uma não pres- do 18 de maio e a outras datas relevantes. Nesses mo- supõe a outra, mas via de regra as ma- mentos, entretanto, é importante uma intensificação na térias reforçam o entendimento contrário. tarefa de sugerir pautas para os meios de comunicação, Cabe a nós (fontes de informação) tentar pois há, espontaneamente, maior abertura para assun- esclarecer essas confusões conceituais e tos dessa natureza (veja mais informações sobre sugestões torná-las compreensíveis não só para os de pauta no Capítulo 4). jornalistas, mas para o público em geral. Nessas ocasiões, vale aproveitar para discutir de forma Os papéis precisam estar muito claros. A nós, das organizações, cabe oferecer fonte mais aprofundada os avanços conquistados, apresentar ex- de consulta, dados, conceitos e reflexões periências exitosas e, se for o caso, denunciar a omissão do sobre o tema. E aos jornalistas cabe utili- poder público ou a falta de articulação e/ou mobilização das zar dessas informações para elaborar ma- instâncias responsáveis por combater os casos de ESCCA. térias de qualidade que estejam de acordo Por outro lado, é preciso tomar cuidado para que a questão com a pauta definida e que respeitem a não seja banalizada. Lembre-se de que todas as informa- linha editorial do veículo. Não podemos ções passam por um amplo processo de seleção nas reda- extrapolar nosso papel e querer escrever o ções – e somente as mais interessantes e/ou impactantes texto pelo jornalista, ou definir como deve ganham espaço no noticiário. ser a foto que ele vai utilizar”. A ocorrência de casos que naturalmente geram grande Carolina Padilha, coordenadora de programas da Childhood Brasil. visibilidade também abre espaço nos meios de comunica- ção. Por um lado, crimes de violência sexual contra meni- nos e meninas geralmente comovem a opinião pública e
  20. 20. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 19 impulsionam maior mobilização da imprensa cas para a área. Aqui segue uma breve lista de para o debate sobre as causas e as políticas para formas pelas quais o trabalho da imprensa pode a área. Por outro, em momentos assim se acen- contribuir na erradicação do problema: tua a tendência a um enfoque mais sensacio- nalista. O importante em tais situações é que as • Denunciar situações de Exploração Sexual fontes de informação estejam atentas para co- Comercial sempre que estas forem identi- laborar no sentido de que a cobertura da mídia ficadas e cobrar medidas efetivas para re- evite adotar estes comportamentos. solver o problema. Um outro aspecto é que, ao contrário das • Conscientizar a população sobre a impor- datas consagradas, situações de denúncia tância de denunciar. costumam surgir repentinamente e deman- dam um posicionamento imediato das orga- • Pressionar o Legislativo para a aprovação nizações que atuam no combate a esse tipo de leis que garantam a proteção integral de de violência. Por isso, é fundamental que elas meninos e meninas, especialmente no que estejam preparadas para agir em contextos de diz respeito à Exploração Sexual Comercial. emergência. Assim, não perderão a oportuni- dade de dar maior visibilidade ao tema, colo- • Cobrar do Executivo a elaboração e a im- cando-o na agenda de discussões da sociedade plementação de políticas públicas de en- de forma consistente e responsável. frentamento da questão. Contribuições da imprensa para • Monitorar a dotação e a execução orça- o fim da ESCCA mentária dos projetos de combate à vio- A essa altura, já deve estar evidente que os lência sexual. meios de comunicação são peças-chave no es- • Questionar a ausência de dados e estatísti- clarecimento da população sobre as questões cas sobre o problema. que envolvem o universo da Exploração Sexu- al Comercial de Crianças e Adolescentes. Da • Divulgar ações e estratégias desenvolvidas mesma forma, a mídia é central no acompa- pelo movimento social focadas na Explo- nhamento e monitoramento de políticas públi- ração Sexual Comercial.
  21. 21. 20 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Critérios para uma boa reportagem Embora o processo de avaliação de uma matéria jor- • Pesquisar o que está por trás do fenômeno, como nalística não tenha a objetividade de uma equação valores culturais, questões de gênero e raça/etinia. matemática, existem fatores que auxiliam na identi- • Discutir o sistema de recuperação de agresso- ficação de um bom trabalho. Mais do que o espaço res e de assistência às vítimas. oferecido pela imprensa, é preciso levar em consi- deração outros importantes critérios. Vale apontar • Acompanhar o inquérito policial e atualizar a alguns dos parâmetros a serem observados: população sobre os desdobramentos do caso. • Oferecer ao público um conteúdo de qualidade, • Não tratar suspeitos ou acusados como crimi- com análise crítica da questão. nosos. Vale lembrar que a lei brasileira prevê que o acusado só será considerado culpado • Ouvir todos os lados da história, com opiniões e em casos de flagrante, confissão ou após o pontos de vista divergentes. julgamento. • Buscar informações que levem à prevenção do • Evitar identificar a vítima e pessoas da família. fenômeno e à punição dos agressores. • Evitar identificar parentes do agressor. • Oferecer serviços (como denunciar, indicar ins- tituições que oferecem apoio, etc.). • Evitar utilizar tarjas pretas nos rostos de crian- ças e adolescentes, bem como fotos que exi- • Tratar a criança e/ou o adolescente vítima de ex- bam as crianças na rua ou em trajes íntimos. ploração sexual como sujeito de direito, respeitan- do sua condição de pessoa em desenvolvimento. • Fugir da cobertura baseada nos BOs (boletins de ocorrência). • Produzir a reportagem pautada pelo discurso éti- co e contextualizado, com linguagem acessível. • Evitar o sensacionalismo.
  22. 22. Fontes de Csimplesmente responderdeàsinformação feitasmaisum que umprir o papel de fonte perguntas exige por do Informação: jornalista. Esta, aliás, é somente a etapa final do processo de atuação de uma fonte comprometida com a qualidade Papel da notícia. A produção de uma boa reportagem envolve Central na um processo longo que passa pela contribuição direta de especialistas, agentes do poder público, de representantes Notícia de organizações não-governamentais e da população afe- tada pela questão em foco – enfim, todos os que, de alguma forma, podem apontar uma visão relevante ao debate. Quem domina ou trabalha com questões de inte- resse coletivo, como é o caso daqueles que lidam com o fenômeno da ESCCA, assume também uma função estratégica na produção de conhecimento e no debate público. A atuação das fontes de informação pode ser
  23. 23. 22 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Palavra de fonte central, por exemplo, ao oferecer uma perspectiva mais contextualizada sobre as temáticas em pauta e sugerir di- ferentes elementos de pesquisa, dados atualizados ou no- “Um especialista no tema, seja soció- logo, psicólogo, advogado etc., precisa mes de especialistas capazes de trazer análises comple- ter consciência de que nada sabe sobre mentares e até mesmo divergentes em relação a um certo as técnicas do jornalismo. O seu papel é aspecto. Quando a fonte consegue estabelecer um diálogo explicar ao repórter o conteúdo temático. mais qualificado com o jornalista, o resultado é visível na É preciso respeitar o papel e o trabalho densidade do conteúdo final. do jornalista, reconhecendo-o naquele Não por outro motivo, o relacionamento com a impren- momento como o principal parceiro no sa precisa, cada vez mais, ser pensado de forma estratégica enfrentamento dessa causa. E com di- pelas instituições, tanto em ações e campanhas específicas plomacia, cabe ao especialista mostrar como no dia-a-dia. O diálogo deve ser sistematicamente ao repórter a importância de proteger fortalecido, seja a partir de iniciativas internas – criação de os direitos dos vitimados, de seus fami- um mailing de mídia, por exemplo –, seja pela articulação liares e dos agressores sexuais, não os expondo a situações constrangedoras, de atividades voltadas especificamente para as redações, seja em palavras, seja em imagens. É como uma oficina de capacitação sobre um tema relevante. importante, também, sensibilizar os jor- nalistas para que não tratem o agressor Mas o que se entende por fonte? como culpado, pois quem julga é o sis- De modo geral, podemos dizer que fonte de informação tema legal”. é toda pessoa ou documento (livros, enciclopédias, si- Marlene Vaz, tes, boletins, jornais, revistas, etc.) que fornece dados consultora em Violência Sexual e/ou emite opinião para uma reportagem, de forma a Contra Crianças e Adolescentes. contextualizá-la, esclarecer fatos ocorridos ou refletir sobre o tema abordado. No universo da imprensa, as fontes consideradas mais confiáveis são os documen- tos oficiais e os especialistas renomados. A possibili- dade de haver o repasse de alguma informação equivo- cada é considerada pequena nesses casos. Já quando se trata de pessoas diretamente envolvidas com o aconte-
  24. 24. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 23 cimento, o cuidado com a checagem das informações Direto da redação tende a ser maior – não por se tratar de fontes pouco qualificadas, mas por estarem emocionalmente envol- “O grande problema de muitas fontes é vidas com o fato. querer aparecer mais do que a notícia. São consideradas fontes “oficiais” aquelas ligadas ao Mais importante do que ter o nome es- poder público, nas três esferas de governo (federal, esta- tampado no jornal é criar um laço de dual e municipal) e nos três níveis de Poder (Executivo, confiança com o jornalista, que possivel- Legislativo e Judiciário). No entanto, especialistas e ato- mente fará outras entrevistas e, aí sim, res sociais engajados no assunto a ser abordado pela ma- poderá fazer menção às fontes com mais téria também são considerados fontes particularmente segurança. Outro problema é esperar qualificadas pelos veículos de comunicação. A diferença é que tudo se resolva com a publicação/ que não falam em nome do Estado, mas da sociedade civil veiculação de uma reportagem. Há que organizada – a qual, muitas vezes, serve como contrapon- se compreender que a imprensa tem li- mites no seu campo de atuação”. to à perspectiva governamental apresentada. Mauri Konig, Gazeta do Povo (PR), Diversidade necessária vencedor da 2ª edição do Concurso Tim Lopes Vamos imaginar que, ao final do seu contato com o jorna- de Investigação Jornalística, lista, ele lhe peça para indicar outras fontes de informa- categoria Jornal. ção, a fim de repercutir diferentes pontos da questão ou apresentar argumentos opostos ao seu. Isso significa que o conhecimento aportado não satisfez às necessidades da matéria, donde você não é uma boa fonte, certo? Errado. Se uma situação como a descrita acima acontecer é porque você está diante de um bom profissional, comprometido com a ética e a qualidade do produto jornalístico. Reza a cartilha da imprensa que o conteúdo deve ser imparcial e isento de qualquer julgamento. Para isso, o profissional precisa apresentar ao leitor os diferentes la- dos de uma determinada história – ou seja, os vários ato-
  25. 25. 24 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Palavra de fonte res envolvidos no fato em questão devem ter direito à voz. Desta forma, o público terá condições de fazer sua avalia- ção e tirar as próprias conclusões sobre o acontecimento “Um jornalista hoje sai da redação com três retratado na reportagem. pautas para cumprir: uma sobre violência Entretanto, a atual situação das redações – quadro re- sexual, outra sobre uma feira de automóveis duzido de jornalistas, profissionais sobrecarregados e com e outra sobre problemas de saneamento da cidade. Pode parecer um exemplo grotesco, formação acadêmica deficiente, etc. – não tem favorecido mas não está longe da realidade. Ele não que esta prática seja comum na rotina de jornais, revistas, tem condições de saber dos conceitos; da rádios, tevês e sites de todo o país. O que ocorre com certa diferença entre abuso e exploração sexual; freqüência é um jornalismo superficial, baseado no depoi- da Convenção Internacional sobre os Di- mento de uma ou duas fontes, quando muito – as quais, reitos da Criança; de o Brasil ter um Plano não raro, corroboraram a tese previamente definida pelo Nacional de Enfrentamento; das parcas jornalista. Por isso, é importante que as fontes de informa- rubricas orçamentárias para esta política; ção estejam atentas às oportunidades de colaborarem na das limitações do Direito Penal brasileiro; de produção da notícia, sugerindo ao repórter outras pessoas que nós queremos denunciar o crime, mas e documentos que possam contribuir para a construção de queremos cobrar atendimento de qualidade conteúdo mais contextualizado e abrangente. às vítimas. As escolas profissionais formam para o mercado e não para estes temas. É nossa responsabilidade oferecer um reper- Princípio do contraditório tório conceitual e existencial que aquele Conforme vimos, na cobertura jornalística é sempre jovem profissional não teve. Oferecer-lhe importante haver pessoas que repercutam o assunto de forma didática (mas não simplista) este sob diferentes pontos de vista. Embora a diversidade repertório é responsabilidade pública”. de fontes seja essencial, ela deixa de ter fundamento Renato Roseno, se todos os atores ouvidos defenderem exatamente o advogado, é ex-coordenador do Cedeca Ceará, mesmo argumento. da Anced e ex-conselheiro do Conanda. Atualmente assessora organizações e Em uma matéria sobre orçamento da educação, por movimentos de direitos humanos. exemplo, espera-se encontrar tanto leituras críticas a res- peito dos recursos destinados para a área quanto as razões dos gestores governamentais. O importante é que sejam
  26. 26. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 25 ouvidas – de ambos os lados – pessoas que possuam um Direto da redação discurso qualificado e bem fundamentado. Assim, serão oferecidos subsídios ao fortalecimento do debate público em torno das políticas para o setor. “Uma boa fonte na área de Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adoles- Embora a pauta da Exploração Sexual Comercial de centes, ou em qualquer outro tema, deve Crianças e Adolescentes não seja polarizada entre os que falar a verdade. Ser transparente. Não são contra e os que são a favor do enfrentamento da ques- pode ficar se escondendo atrás da legis- tão – já que hoje trata-se de um crime inaceitável perante lação para não revelar dados. Pode pedir a opinião pública –, o princípio do contraditório pode (e sigilo e discrição para proteger a si e a deve) ser observado por meio da discussão sobre a eficácia outros envolvidos, mas jamais negar uma de determinada política pública ou do método de atendi- informação pública. Repórter e fonte têm mento de uma unidade de ressocialização, por exemplo. o mesmo objetivo, embora os caminhos Além disso, a matéria deve buscar garantir espaço aos ato- possam ser diferentes”. res que representem os diferentes aspectos daquela ques- Nelcira Nascimento, tão: o explorador, o poder público, psicólogos, familiares, Rádio Gaúcha (RS), vencedora da 1ª edição do Concurso Tim Lopes entidades de atendimento às vítimas, etc. de Investigação Jornalística, categoria Rádio. Valor-notícia Um dilema freqüente de instituições que dialogam com a imprensa é definir o que deve ser repassado para os meios de comunicação. Quais dados e informações po- dem interessar aos jornais, revistas, rádios, tevês ou sites? Por que alguns acontecimentos são notícia e ou- tros não? Para ser considerado “notícia” o fato deve possuir algumas características básicas, também chamadas, nos estudos sobre o jornalismo, de “valores-notícia”. Entre os principais estão:
  27. 27. 26 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia • Caráter inédito. lificadas sobre a ESCCA, especialmente no • Atualidade. que se refere ao monitoramento das políticas públicas na área. • Impacto que pode exercer sobre as pessoas e sobre suas vidas. Relacionamento com as redações • Curiosidade que desperta. Além de reconhecer os meios de comunicação • Grau de imprevisibilidade e/ou improba- como potenciais aliados estratégicos, as fontes bilidade. de informação precisam estar atentas a aspec- tos simples, mas fundamentais, para o forta- • Proximidade com o acontecimento. lecimento de sua relação com as redações. Vale • Nível de importância dos envolvidos. apontar algumas dicas gerais: Sendo assim, não faz sentido tentar em- • O tempo de fechamento dos conteúdos placar nos meios jornalísticos uma pauta de- jornalísticos é escasso. Não faz sentido satualizada, desgastada ou que desperta pouco querer ser perfeccionista ao extremo e interesse no público daquele veículo ou local. É demorar para dar o retorno ao repórter. preciso que organizações e fontes de informa- Por isso, procurar saber o prazo que ele ção repensem suas estratégias comunicacionais tem para concluir a matéria deve ser uma com freqüência, buscando aprimorar a forma preocupação constante da fonte. Nos casos de apresentar os fatos aos órgãos de imprensa em que não for possível disponibilizar as – de tal maneira que aumentem a possibilidade informações em tempo hábil, é indispen- de serem considerados “notícia”. sável fazer um primeiro atendimento e ex- As organizações devem sempre ter em plicar a situação ao jornalista. foco que o diálogo com a imprensa, mais do • Deixar de dar retorno a uma consulta da que garantir espaço para suas agendas ins- redação é uma situação ainda mais deli- titucionais, é uma oportunidade para a pro- cada se foi sua organização que mobilizou moção de um debate mais amplo sobre a te- a imprensa. Nesse caso, é essencial ga- mática. Por isso, é fundamental que estejam rantir espaço na agenda para responder preparadas para aportar informações qua- às demandas.
  28. 28. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 27 • Deve-se evitar o excesso de releases (su- ângulo ou o enfoque que considerem mais gestões de pautas) encaminhados à im- apropriados para a reportagem, com o ob- prensa. Trata-se de um recurso a ser jetivo de facilitar o trabalho jornalístico. utilizado somente em situações que justi- Entretanto, a palavra final é sempre do re- fiquem a mobilização dos meios de comu- pórter ou do editor. nicação. Encher as caixas de e-mail dos jornalistas com sugestões de pautas sobre • Pedir para ver o texto ou a reportagem an- assuntos de pouca importância geralmen- tes de ser publicada ou ir ao ar demonstra te provoca resistência dos profissionais que a fonte não confia naquele profissio- em relação àquela instituição/fonte (veja nal que a entrevistou. Além disso, o ato mais sobre releases no Capítulo 4). pode ser visto pelo repórter como forma de intimidá-lo ou de interferir no seu • Objetividade é fundamental no relacio- trabalho. A melhor maneira de evitar namento com a imprensa. É importante essas situações é certificar-se de que o que as fontes de informação busquem jornalista compreendeu bem o conteúdo responder ao que lhes foi perguntado. repassado durante a conversa. Ser prolixo, além de não facilitar o traba- lho do jornalista, pode abrir espaço para • Ao constatar ter feito repasse de dados in- interpretações amplas e distorcidas da corretos, é dever da fonte informar o jorna- mensagem que realmente se deseja pas- lista o mais rápido possível. Além de evitar sar. Mas atenção: isso não significa que a publicação de uma informação inverídica, a fonte não possa contribuir para a am- esta atitude revela o comprometimento e a pliação e o enriquecimento da cobertura, preocupação da fonte com a qualidade da contextualizando, por exemplo, dados e reportagem, gerando, inclusive, mais con- estatísticas sobre o problema. fiança por parte do repórter. • Não cabe à fonte interferir na edição da • Fazer insinuações sobre aspectos que não matéria, dizendo ao repórter o que deve se deseja ou não se possa mencionar aber- e o que não deve constar no texto. O que tamente abre espaço para que o jornalista fontes qualificadas podem fazer é sugerir o possa fazer interpretações equivocadas.
  29. 29. 28 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Pauta exclusiva • Ao fazer declarações para qualquer veículo de comu- nicação, é importante que a fonte de informação não se afaste dos conceitos e convicções defendidas pela A idéia da pauta exclusiva é que a pu- blicação da informação cause grande instituição a qual representa. impacto entre a população e possa gerar • Discriminar um veículo de comunicação qualquer por repercussões em toda a mídia, além de este não se enquadrar no grupo dos chamados “gran- provocar o posicionamento das autorida- des” é um erro que não pode ser cometido por fontes des públicas em relação ao problema em de informação qualificadas. O mesmo se aplica em foco. Nesses casos, deve-se manter um contato telefônico inicial com o repórter relação a possíveis posicionamentos políticos ou ide- e, em seguida, estabelecer encontros ológicos dos veículos. para que sejam repassados todos os • Os meios alternativos de comunicação – como rá- detalhes, com o intuito de garantir um dios e televisões comunitárias e jornais de bairro melhor aproveitamento da informação. – atingem grande público, principalmente nas co- Embora a pauta exclusiva seja uma es- tratégia importante de comunicação, é munidades populares. Firmar parcerias com esses sempre importante avaliar com cuidado veículos é uma forma interessante de ampliar o raio se a exclusividade é a melhor forma de de ação das entidades do Terceiro Setor na missão divulgação de uma determinada pauta de educar a sociedade para prevenir e denunciar a de impacto. Dependendo do assunto, faz violência sexual. mais sentido disponibilizá-lo para vários ou todos os veículos de comunicação. • Repassar uma informação com exclusividade para determinado veículo faz parte da estratégia de co- municação e divulgação de qualquer instituição. No entanto, é preciso tomar cuidado para que haja rodí- zio entre meios e profissionais, de modo a garantir que o diálogo não esteja focado em um grupo muito restrito (veja mais na nota ao lado). • Quando não se sentir qualificada ou não quiser tra- tar de um assunto, a fonte deve dizer isso claramente
  30. 30. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 29 ao jornalista e se colocar à disposição para esclare- Identidade resguardada cimentos futuros sobre outros temas. Além disso, é importante indicar para o repórter fontes de in- No Brasil, é garantido ao jornalista o di- formação que possam responder à demanda que ele reito de não revelar a sua fonte de in- possui no momento. formação. Geralmente este recurso é • Quando o assunto é Exploração Sexual Comercial de utilizado em situações complexas, nas Crianças e Adolescentes, muitos profissionais não quais a integridade física ou moral da fonte pode ser violada. Mas também querem dar entrevistas, temendo represálias por ocorre quando a fonte não quer aparecer parte das pessoas envolvidas no crime. É importan- por outras razões, sejam elas pessoais te saber que o jornalista tem meios para resguardar a ou profissionais. Nesses casos, ninguém identidade da fonte (veja mais na nota ao lado). pode obrigar o jornalista a dizer quem foi • É importante buscar estratégias para estreitar o re- a pessoa ou o órgão que lhe forneceu a informação. Assim, alguém que tenha lacionamento com a redação. Dar telefonemas ou algo importante a revelar pode sentir-se enviar cartas aos jornalistas, quando publicam ma- seguro a fazê-lo, em segredo. térias de qualidade, são exemplos de ações nesse sentido. As críticas também devem ser feitas, mas em tom ponderado, apresentando argumentos e in- dicando caminhos para o repórter melhorar o enfo- que em outras oportunidades. • Uma boa estratégia de comunicação deve buscar man- ter uma relação não só com os repórteres. É impor- tante buscar acesso também a editores e diretores de redação, pois esses profissionais são os responsáveis pelo foco editorial das matérias, com poder para alte- rar o ponto de vista da cobertura. • Organizações governamentais e não-governamen- tais podem e devem estabelecer parcerias com os
  31. 31. 30 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Gerenciamento de crises A relação com a imprensa não é uma via de mão • Ignorar a demanda gerada pela imprensa não única. Da mesma forma que as organizações é a melhor estratégia nunca. Atenda a todas as da sociedade civil buscam acessar os meios de solicitações de explicação/informação e, se ne- comunicação, estes também demandam delas cessário, convoque uma coletiva de imprensa. informações e posicionamentos. No entanto, • Não responda no susto. É importante sempre nem sempre este é um diálogo amistoso. Podem avaliar o melhor momento para dar as expli- também ocorrer situações de conflito, nas quais a cações e somente oferecê-las quando todos demanda gerada por um lado não corresponde à os posicionamentos institucionais estiverem resposta oferecida pelo outro. E, geralmente, em bem definidos. momentos assim as bases desse relacionamento ficam estremecidas. • Por outro lado, o tempo da imprensa é curto; Ter habilidade para gerenciar crises – como não faz sentido estender em demasia o prazo denúncias de maus-tratos em instituições de in- para apresentar respostas eficazes. ternação, ou de mau uso de recursos públicos, • É importante saber o quê e para quem falar, por exemplo – revela maturidade e clareza quanto atendendo às especificidades de cada tipo de à atuação pública exigida de instituições sérias e mídia (rádio, tevê, impresso, internet). comprometidas com a qualidade e a transparência • Busque fazer uso de linguagem clara e de das suas ações. fácil compreensão. O que vem a seguir são algumas dicas de como as organizações devem agir diante de fatos e acon- • Manter o equilíbrio emocional é fator essen- tecimentos inesperados: cial nessas situações.
  32. 32. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 31 veículos de comunicação e com as faculdades de jornalismo, estimu- lando discussões sobre o tema com o qual trabalham. Isto pode ocorrer por meio da realização de cursos es- • Estar atento para não falar nada que não pecíficos de curta ou média duração, deva ser publicado ou que não possa ser ple- palestras, seminários e grupos de de- namente esclarecido. bates. Essa é uma forma de conscien- tizar os atuais e futuros profissionais • Não faz sentido mascarar o problema. Ser a trabalhar o assunto com a sensibili- verdadeiro é o caminho mais eficiente para dade necessária, objetivando reper- resolver a situação da melhor forma possível. cussão positiva junto ao público. • Procure não privilegiar este ou aquele veícu- lo. Em momentos de crise o conteúdo trans- Diálogo pedagógico mitido à imprensa deve ser igual para todos. Como já reiteramos até aqui, a respon- sabilidade pela qualidade da informação • É necessário eleger um representante da institui- pública veiculada em jornais, revistas, ção para atuar como o porta-voz da crise. Essa rádios, tevês e sites de todo o país não é pessoa deve ser segura e conhecer a fundo to- atribuição exclusiva dos jornalistas. A dos os detalhes do que está sendo questionado. produção cada vez mais “generalista” da • Se necessário, busque a ajuda de um espe- imprensa praticamente não permite que cialista. Existem no mercado profissionais repórteres e editores se especializem capacitados para agir em crises de imagem. em uma ou outra temática. Com exceção das editorias consideradas “nobres” pe- Fonte: A era do escândalo: lições, relatos e bastidores los veículos de comunicação – tais como de quem viveu as grandes crises de imagem, Mário política, economia e internacional –, a Rosa. São Paulo: Geração Editorial, 2003. tendência é que os assuntos sejam cober- tos por profissionais capacitados apenas na prática jornalística em si. Lamenta-
  33. 33. 32 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Direto da redação velmente, com freqüência este é o caso das temáticas da agenda social – incluindo a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. “O prazo das redações é sempre mínimo Tal realidade certamente não representa o contexto e com pouca negociação. Para esse tipo de trabalho ideal ou desejado pelos jornalistas. Trata- de matéria (ESCCA), no entanto, é sem- se de uma distorção provocada, em grande parte, por pre necessário o maior cuidado possível. Checar, rechecar, cruzar e voltar a bater uma herança cultural perversa – em um dos países com as informações, para que nada saia do maiores índices de desigualdade do planeta, a temáti- prumo. Qualquer falha pode virar uma ca social não é entendida como pauta prioritária. Esse acusação leviana. As fontes precisam ter contexto termina agravado por questões mercadológi- noção de que geralmente os prazos são cas relacionadas, inclusive, à própria sobrevivência dos curtíssimos, mas que existem casos em veículos de comunicação – que operam, como vimos, que a denúncia precisa ser apurada ao com redações cada vez mais enxutas. No entanto, algu- máximo, para que a redação se resguar- mas experiências no sentido de superar esse formato de de processos judiciais e problemas têm sido desenvolvidas em redações brasileiras, parte similares. É preciso perceber esses tem- delas motivadas pelo fortalecimento da agenda social pos diferentes”. registrado no âmbito do governo de Luiz Inácio Lula da Cláudio Ribeiro, O Povo (CE), vencedor da 3ª edição do Silva. Ainda assim, esta é uma lógica de trabalho que Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística, precisa ser revista em muitos dos veículos de comuni- categoria Temática Especial. cação do país. Nesse cenário, não é excessivo sublinhar que a atu- ação das fontes de informação torna-se fator muito im- portante para um bom resultado final da reportagem. Uma fonte bem preparada – e consciente do seu papel nesse processo – sabe que está diante de um profissio- nal da área de comunicação e não de um especialista na temática X ou Y. Por isso, conforme temos destacado, é fundamental que a questão seja apresentada da manei- ra mais simples, prática e objetiva possível.
  34. 34. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 33 O uso de jargões ou de expressões técni- a imprensa. São cursos de curta duração, que cas, por exemplo, não facilita em nada a com- repassam dicas e orientações sobre como dia- preensão da mensagem que se quer passar. logar melhor com os meios de comunicação, Pelo contrário, além de dificultar o entendi- como se sair bem em entrevistas para os dife- mento, pode gerar um distanciamento entre rentes tipos de mídia e como agir em situações fonte e repórter – capaz de comprometer não de crise ou comoção. só a qualidade do material, mas a inclusão No entanto, além de não serem, na daquela abordagem no texto a ser publicado. maioria das vezes, elaborados para insti- Ter paciência e explicar o assunto quan- tuições da sociedade civil, respeitando suas tas vezes forem necessárias é outro indi- singularidades, esses cursos – chamados de cativo de uma boa fonte de informação. media training – costumam apresentar um Dificilmente um jornalista coloca um dado custo alto. Para capacitar cinco pessoas, por equivocado na matéria de propósito. Qua- exemplo, certas empresas chegam a cobrar se sempre o erro é resultado da pressa, que até R$ 20 mil, quantia fora do orçamento leva à má compreensão durante o processo da maior parte das organizações brasileiras de captação das informações. Por isso, é com foco social. importante certificar-se de que o conteúdo Uma forma de superar essa dificuldade é repassado foi compreendido em toda a sua buscar parcerias com organizações não-go- amplitude, sem espaço para interpretações vernamentais que atuam com foco na inter- dúbias ou equivocadas. Não se furtar a repe- face mídia–direitos humanos. Algumas de- tir uma informação sempre que for preciso las não só oferecem material de orientação pode ser o fator determinante para uma re- sobre como dialogar de forma mais eficien- portagem de melhor ou pior qualidade. te com a imprensa, como também realizam cursos de capacitação para atores sociais a Capacitação para o relacionamento preços bem mais acessíveis. De resto, se- com a mídia guir algumas dicas simples, ter bom senso e Atualmente, existem diversas empresas espe- buscar dominar amplamente o assunto a ser cializadas em oferecer treinamento com o ob- abordado são fatores que tendem a facilitar jetivo de preparar para o relacionamento com muito essa relação.
  35. 35. 34 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia Especificidades loque em contato com crianças vitimadas. A apresentação de um caso real traz o proble- da ESCCA ma mais para perto de quem acessa a notícia e causa um impacto maior junto à opinião pú- blica como um todo. Apontar que milhares de De modo geral, a conduta a ser adotada pelas crianças e adolescentes brasileiros sofrem com fontes de informação requer os mesmos cui- a ESCCA não tem o mesmo peso, do ponto de dados para toda e qualquer área de atuação. vista da sensibilização do público, que relatar No entanto, quando o assunto em pauta é a em detalhes a história de uma menina de 16 Exploração Sexual Comercial de Crianças e anos que começou a ser explorada aos 13 e pas- Adolescentes, alguns aspectos exigem aten- sou por toda a sorte de problemas e desrespei- ção redobrada. tos. “Via de regra os jornalistas buscam retratar Além da escassez de dados quantitativos um lado bem cruel das situações de violação de sobre o problema (os quais facilitariam a in- direitos de crianças e adolescentes, ainda se- terlocução com os meios de comunicação), guindo a lógica de que o que choca a sociedade especialistas em violência sexual cometida deve servir como instrumento para a mobili- contra meninos e meninas lidam com um zação”, lembra Carolina Padilha, coordenadora conjunto amplo de questões bastante delica- de programas da Childhood Brasil. das. Podemos mencionar como exemplo os Qual deve ser, portanto, a postura da aspectos culturais e legais envolvidos, além fonte diante desse tipo de solicitação? Será da necessidade de orientar a mídia quanto aos que sempre dizer não é a melhor solução? De riscos de exposição indevida e revitimização acordo com a consultora em violência sexu- da criança ou adolescente explorado sexual- al contra crianças e adolescentes, Marlene mente. Trata-se, portanto, de uma temática de Vaz, o ideal é que o especialista, de forma difícil manejo. didática, ajude o jornalista a compreender a razão pela qual os vitimados não devem ser Busca por personagens expostos. Ao mesmo tempo, caberia a ele Geralmente, ao produzir uma matéria sobre oferecer dicas de quem pode ser entrevista- ESCCA, o jornalista solicita à fonte que o co- do e/ou fotografado.
  36. 36. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 35 Fontes que atuam em instituições de atendimento às Direto da redação vítimas podem identificar mais facilmente aqueles ga- rotos ou garotas mais bem preparados para falar sobre o assunto. Vale lembrar que, no processo de entrevista, “A boa fonte sobre Exploração Sexual possivelmente a vítima reviverá muito do sofrimento ex- Comercial de Crianças e Adolescentes é aquela que tem formação e sensibilidade perimentado durante o tempo em que foi explorada. É por para repassar informações ao jornalista isso que só devem ser indicados meninos ou meninas que dentro dos critérios de respeito aos di- já tenham passado por um amplo processo de acompa- reitos humanos. Ela não utiliza as vítimas nhamento e tratamento psicológico. como ‘troféu’ para coroar o seu trabalho, Não dá para esquecer, porém, que embora a impren- ou seja, não expõe crianças e adolescen- sa desempenhe um papel importante no enfrentamento tes para dizer que fez o seu papel. Além a este problema, algumas vezes a cobertura pende para o disso, está sempre disposta a contribuir viés sensacionalista. Por isto, é importante que um pro- com as reflexões levantadas nos meios fissional da instituição discuta com o jornalista a pauta de comunicação e indica aos jornalistas da conversa, de forma a definirem juntos as melhores pautas novas e interessantes”. perguntas a serem feitas. Além disso, ele deve acompa- Ana Quezado, TV Verdes Mares (CE), nhar o repórter durante toda a entrevista. vencedora da 1ª edição do Concurso Tim Lopes Em resumo, cabe à instituição checar o nível de com- de Investigação Jornalística, preensão do profissional de imprensa sobre o assunto e categoria Televisão. suas intenções/propostas em relação àquela cobertura. A mídia precisa entender que proteger a criança ou o adolescente violentado deve ser prioridade e que nem sempre a entrevista é a única ou a melhor alternativa. Muitas vezes uma descrição bem feita e sensível pode ser tão esclarecedora quanto um depoimento. De qual- quer forma, em último caso, é mais sábio não permitir que a entrevista seja realizada. Afinal, é menos grave perder a reportagem do que revitimizar um menino ou uma menina.
  37. 37. 36 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia “Estamos falando de uma violência com que o autor da matéria seja capaz de, sem ser conseqüências muito complexas. Uma reda- piegas ou sensacionalista, descrever que há ção fria e desprovida de sensibilidade não al- elementos muito profundos da subjetividade cança a magnitude do problema. Redigir sobre humana envolvidos. Reconhecer esta subje- violência sexual não é a mesma coisa que redi- tividade é chave, inclusive, para compreender gir sobre outras formas de violência como, por porque é melhor não forçar um depoimento”, exemplo, um assalto a banco ou mesmo sobre sintetiza Renato Roseno, assessor de organi- um problema no sistema de transportes. Exige zações e movimentos de direitos humanos. Tribunal midiático: as fontes de informação e o julgamento precipitado Diante de crimes bárbaros – como os de violência sexual contra crianças e adolescentes – é comum que o desejo de responsabilização e justiça imediata tome corpo na sociedade. Via de regra, essa ânsia punitiva – que também se reflete na imprensa – se mostra de duas diferentes formas: a responsabilização da vítima ou o julgamento precipitado do agressor. Como sabemos, não são raras as reportagens sobre ESCCA que estampam vítimas – especialmente meninas – sob ângulos que tendem a reforçar uma imagem de sedução e consentimento. Esse é um equívoco perigoso e diante do qual as fontes de informação devem sempre estar atentas. É importante esclarecer aos profissionais da notícia que crianças e adolescentes são suscetíveis a serem manipulados, induzidos ou pressionados a consentir relacionamentos, atividades e contratos e que, acima de tudo, meninos e meninas são indivíduos em processo de desenvolvimento, donde precisam ter seus direitos fundamentais garantidos. Outro deslize ao qual as fontes de informação devem estar alertas diz respeito a prejulgamentos do agressor. Por vezes, a cobertura da imprensa tende a ganhar um caráter policialesco, reforçando julgamentos precipitados e de apelo punitivo – que em nada contribuem para o debate acerca da solução para o problema em seu aspecto mais amplo. Uma contribuição que as fontes podem oferecer para tornar essa cobertura mais equilibrada é ressaltar junto ao jornalista a importância de uma abordagem esclarecedora e educativa, e que também assegure ao agressor o direito de receber o tratamento judicial legalmente determinado pelas instâncias competentes.
  38. 38. EnfrEntamEnto à Exploração SExual dE CriançaS E adolESCEntES 37 Cuidados com imagens fia ou imagem eletrônica para veicular nos Um dos desafios de quem atua na interface mí- meios de comunicação. Embora a fonte de dia e violência sexual é administrar o uso de fo- informação não tenha ingerência sobre o tos e vídeos em jornais, revistas, tevês e sites. processo de edição da reportagem, é papel Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente dela alertar o jornalista para os cuidados ne- seja claro – em seu artigo 17 – com relação à in- cessários nessa área, esclarecendo dúvidas e violabilidade da integridade física, psíquica e orientando o profissional a agir segundo as moral da criança e do adolescente, abrangen- diretrizes estabelecidas no ECA. Confira a do a preservação da imagem e da identidade de seguir algumas sugestões: meninos e meninas, ainda é intensa a demanda • Orientar o jornalista a não utilizar tarjas dos meios de comunicação por fotografias ou pretas nos rostos das crianças. Além de não imagens eletrônicas de garotos e garotas víti- garantir a proteção da identidade da vítima, mas das mais diferentes formas de violação de que pode ser identificada por meio de ou- direitos, inclusive a exploração sexual. tras partes do corpo ou até mesmo por rou- Esta demanda tem relação direta com a pas e objetos pessoais, esses recursos ten- prática jornalística em si. Quem nunca ouviu dem a reforçar estereótipos e passar uma dizer que uma imagem vale mais do que mil imagem negativa do menino ou da menina. palavras? Nos meios de comunicação im- pressos – jornais e revistas –, a utilização de • Há uma outra prática com relação à pre- imagens funciona como um chamariz para o servação da vítima que precisa ser in- texto. Já no caso da mídia televisiva, a função corporada ao fazer jornalístico: evitar a da imagem vai além: ela representa a própria identificação de crianças e adolescentes razão de ser do veículo de comunicação. Em explorados por meio do uso das iniciais ambos os casos, a imagem ajuda a reforçar a dos nomes. Além de fortalecer um as- idéia que se quer passar sobre o assunto em pecto pejorativo construído ao longo dos discussão e pode, se mal utilizada, contribuir anos, se associado a outras informações para disseminar estereótipos e preconceitos. contidas no texto, esse dado pode per- Por isso, é preciso que se tenha muito mitir facilmente a identificação da vítima cuidado na hora de selecionar uma fotogra- por parentes, conhecidos ou vizinhos.
  39. 39. 38 Guia de RefeRência paRa o diáloGo com a mídia • Não adianta preservar o nome da vítima e, • Recursos técnicos como a contraluz, a ao mesmo tempo, estampar uma foto ou distorção da voz e o desfocar a imagem da mencionar nomes de parentes ou fornecer criança ou do adolescente podem ser uti- o endereço do local onde a criança mora. lizados pelos meios de comunicação no Embora pareça impensável, esta ocorrên- sentido de preservarem a identidade e a cia é mais comum na cobertura jornalísti- integridade de meninos e meninas vio- ca do que se imagina. lentados sexualmente. Abusos por parte dos meios de comunicação Como visto, os profissionais da imprensa estão sujeitos a incorrer em equívocos na cobertura jornalística cotidiana, espe- cialmente quando abordam temáticas mais complexas – como é o caso da violência sexual contra meninos e meninas. Nesses casos, uma atitude proativa das fontes de informação é buscar um diálogo franco com o jornalista, esclarecendo as especificidades da questão e os caminhos para uma cobertura mais qualificada. Esse, inclusive, pode ser um caminho importante para a construção de uma relação profícua com aquele repórter. Nem sempre, no entanto, esse diálogo propositivo alcança o resultado esperado. Como em todas as áreas, o jor- nalismo também está sujeito a profissionais pouco éticos e que, deliberadamente, utilizam o espaço midiático como palco para desrespeitos de direitos. Para esses casos, é importante saber que a sociedade dispõe de instrumentos legais para coibir abusos por parte dos meios de comunicação. Em novembro de 2005, por exemplo, uma decisão judicial inédita tirou do ar por 60 dias o programa Tarde Quen- te, exibido pela Rede TV! e que tinha à frente o apresentador João Kléber. A suspensão foi determinada pelo Poder Judiciário, que atendeu a denúncias sobre a constante violação de direitos humanos cometida pela atração Durante mais de um mês, a Rede TV! foi obrigada a exibir, no horário antes ocupado por João Kleber, o Direitos de Respos- ta – série de 30 programas produzidos em conjunto por seis entidades da sociedade civil organizada, entre elas o Intervozes, que abordava temas como direitos humanos, diversidade sexual e direitos da infância e adolescência.
  40. 40. Por Dentro C onhecer bem os processos de trabalho por trás da produção da notícia constitui estratégia central para da Redação aqueles que pretendem dialogar mais sistematica- mente com os meios de comunicação. Além de saber discernir os diferentes papéis que cabem à imprensa e às fontes de informação nas dinâmicas que viabili- zam a inserção de uma determinada temática no de- bate público, é também necessário entender quais os recursos adequados para alcançar os diferentes meios existentes. Os procedimentos podem variar não so- mente de acordo com o tipo de mídia: jornal, revista, rádio, tevê ou internet. Cada veículo de comunicação possui lógica própria de trabalho, o que demanda das fontes uma abordagem que leve em conta tanto suas características positivas quanto suas limitações.

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