Como queremos ser tratados por nossos pais separados

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PL 117 GUARDA COMPARILHADA

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Como queremos ser tratados por nossos pais separados

  1. 1. COMO QUEREMOS SER TRATADOS POR NOSSOS PAIS SEPARADOS Não estamos falando de direitos, mas de afetos! Nós, crianças de pais que estão se separando ou terminaram o seu relacionamento, merecemos um tratamento justo e honesto por parte de cada um de vocês. Pedimos que vocês nos considerem enquanto tantas mudanças estão acontecendo em nossa família. Para que vocês saibam o que passa em nossas mentes e facilite a sua compreensão, nós, filhos de pais separados, concordamos em algumas coisas que achamos que vocês deveriam levar em conta, ao invés de nos abandonarem nas mãos de promotores, advogados, peritos e juízes... Sabemos que temos muitos direitos legais, mas, na verdade, o que queremos é vivermos uma vida legal. Chega de tantos direitos; queremos apenas viver direito! A primeira coisa que precisam entender e aceitar é que :Somos seus filhos e amamos vocês dois: igual! E não podemos ser divididos em dois! Estamos inteiros com vocês dois. 1. Precisamos que vocês dois amem esse Ser inteiro, não importa o que venha acontecer com o relacionamento de vocês. Se vocês estiverem juntos, nos amem; se vocês se desentenderem ou se separarem, queremos continuar a ser amados e cuidados e conviver com os dois. Não temos nada a ver com separação, mas com união! 2. Merecemos ser tratados como pessoas normais com nossas próprias ideias, sentimentos, vontades e NÃO como propriedade ou moeda de troca nas suas negociações. Isso é um absurdo: vocês não estão nos vendo como seres humanos, mas como armas e mercadoria! “Gente grande”
  2. 2. chama a isso de MANIPULAÇÃO, ALIENAÇÃO! Vocês não ganham nada; e a gente é quem perde em tudo! 3. Queremos que vocês nos expliquem sobre as mudanças que estão acontecendo com nossa família, com respeito, carinho e compreensão de nossas idades e sentimentos. Não nos faz bem e nem entendemos quando vocês tentam nos explicar botando a culpa ou a responsabilidade ou chingando um ao outro. Ou nos envolvem com a justiça que só vê o que está escrito e não os nossos sentimentos. E a justiça é tão devagar que se esquece que criança vira adulto lesado! 4. Queremos achar o que quisermos sobre cada um de vocês e sermos livres para amar os dois sem importar com o que um pensa e fala do outro. Não precisamos ser convencidos e nem de torcida! Vocês não precisam ganhar pontos: não estamos participando de um jogo! Nesse jogo mesquinho dos ressentimentos, todos perdem! 5. Queremos saber sobre os seus sentimentos, interesses e alvos em relação à nossa pessoa. Queremos que vocês dois sejam muito felizes, que casem de novo e se amem e tenham filhos. Mas, por favor, não nos atrapalhem! Nãos nos deixem órfãos ! 6. Não nos faz bem sermos bombardeados com perguntas que não têm nada a ver com a gente, que não temos condições de responder. Não nos encurralem e nos forcem a tomar partido por um de vocês. Nunca vamos tomar partido; quando tomamos, é apenas porque nos sentimos acuados. Pais amorosos não amedrontam seus filhos! 7. Não queremos ser o pombo correio para levar mensagens de um para o outro. Não somos pontes; somos filhos que estão dos dois lados, unidos pelo lado do amor de vocês dois por nós.
  3. 3. 8. Não queremos que nos peçam para sermos espiões e nem nos encurralar para responder sobre coisas que acontecem na casa do outro nosso pai (mãe). 9. Não nos faz bem termos de tomar posição um contra o outro. Estamos sempre dos dois lados; lidamos apenas com afeto e respeitamos a dor dos dois. Respeitem também a nossa dor. . EXPRESSÃO DE AMOR 1. Queremos continuar a ter os cuidados e a orientação de vocês dois; ser educados em nossas mentes, alimentados em nossa alma e desenvolvidos em nosso corpo, em um ambiente de amor incondicional. 2. Queremos continuar a se relacionar bem e amar aos dois e nos deixarem amar vocês dois. Vocês estão separados, mas nós continuamos unidos! 3. Queremos continuar a amar nossos avós e parentes e nos relacionarmos com eles como nos velhos tempos. 4. Queremos que as fotos de nossos pais e nossa família continuem pendurados onde estavam. 5. Queremos que não fiquem tristes quando ficarmos com o outro. Estamos em casas separadas, mas continuamos a amar a vocês dois onde estivermos.
  4. 4. BEM-ESTAR 1. Precisamos que vocês pais continuem a fazer o melhor que faziam pelos nossos interesses o tempo inteiro, sem medir esforços e sem medir com aquilo que acham que o outro faz. Não somos contabilidade! 2. Precisamos nos sentir seguros como nos lares normais e sermos protegidos dos perigos normais da vida. 3. Precisamos gastar tempo de qualidade com cada um de vocês, nossos pais, sem que o outro se intrometa fazendo planos para nós, nos seduzindo com outras coisas ou nos ameaçando castigar por achar que fizemos errado indo com o outro, ou concordando com o outro. 4. Temos o direito de ser crianças felizes e tranquilas e não fazer parte em conflitos, problemas e brigas de nossos pais. A vida podia ser bem melhor e será. Por que não cantam com a gente e o Gonzaguinha: Eu fico com a pureza das respostas das crianças: É a vida! É bonita e é bonita! Viver e não ter a vergonha de ser feliz, Cantar, A beleza de ser um eterno aprendiz Eu sei Que a vida devia ser bem melhor e será, Mas isso não impede que eu repita: É bonita, é bonita e é bonita!
  5. 5. LIBERDADE DE ESCOLHER 1. Precisamos que vocês nos digam, claramente, que não temos nada a ver com a separação de vocês. Vocês é que decidiram assim. 2. Precisamos ser agasalhados quando nos sentimos com medo com o que está acontecendo com nossa família. E não estamos entendendo nada. 3. Precisamos ter a liberdade de viver com cada um de nossos pais pelo período de tempo que as situações permitam e que seja conveniente para nós e para vocês. 4. Precisamos ser livres para decidir a continuar nos esportes e outras atividades que gostamos sem causar problemas para nossos pais. COISAS PRÁTICAS 1. Queremos ter o direito de ter um espaço legal na casa da mamãe e do papai igual ao que a gente tinha em nossa casa. 2. Queremos ter uma rotina diária e semanal e programa que possamos entender e fazer e viver sem atropelos e que possamos dar conta. 3. Queremos que vocês não nos encham com deveres e responsabilidades de adultos. Não podemos fazer mais do que damos conta. Mas queremos ser ajudados com a orientação de vocês. 4. Queremos privacidade. Queremos comunicar com nossos pais em particular sem ser vigiados, orientados ao que falar ou não falar e sermos gravados ou escutados na extensão. Isso é muito feio e nos sentimos invadidos e desrespeitados! 5. Quando forem nos levar para a casa do outro, não nos passem ao outro como um pacote. Se não conseguirem convidar o outro para entrar por um instante para que conversem sobre a gente, sejam pelo menos amáveis e educados.
  6. 6. 6. Quando forem nos buscar na casa de nossos avós, na escola ou na casa de amigos, se vocês não puderem suportar o olhar do outro, não briguem na minha frente. Finjam ser educados como vocês seriam com outras pessoas, do jeito que vocês nos educaram. 7. Não nos contem coisas que ainda não conseguimos entender. Conversem sobre isso com outros adultos, mas não com a gente. 8. Deixem que a gente leve os nossos amigos um na casa do outro. É importante pra gente que eles conheçam vocês dois e saibam que somos amados e cuidados pelos dois.Sejam simpáticos com eles. 9. Concordem sobre o dinheiro. Não comprem tudo pra gente quando estamos com vocês e nem nos encham de presentes. Não tente nos comprar, já somos seus! Queremos ter uma vida normal. Não importa se um tem mais dinheiro que o outro; queremos apenas ficar à vontade e felizes com os dois. 10. Quando a gente estiver no convívio de um dos pais, não tentem ficar sempre ativos e fazendo coisas e levando a gente para lugares e fazendo atividades. Não invente! A nossa vida continua normal Bom para gente é estar com vocês, na rotina da casa. Quando estou na casa da mamãe, estou na minha casa; quando estou na casa do papai, estou na minha casa. 11. Se puderem, deixem o máximo de coisas idênticas na nossa vida, como estavam antes da separação. Comecem com o meu quarto, depois com as pequenas coisas que eu fiz sozinho com meu pai ou com minha Mãe. 12. Procurem ser gentis com o novo parceiro um do outro. Preciso também me entender e relacionar bem com essas pessoas. E elas comigo. Afinal, vamos nos tornar uma nova família. Não tenham ciúme um do outro. O ideal seria vocês dois encontrarem um novo parceiro para amar. Mas se demorar, não fiquem chateados ou com inveja. Esse sentimento acaba voltando para mim e eu é que tenho de aguentar a raiva de vocês.
  7. 7. DESENVOLVIMENTO 1. Merecemos que nossos pais discutam nosso desenvolvimento e estejam interessados em como estamos indo em todas as áreas. 2. Precisamos que nos deixem discutir nossos sentimentos e emoções do jeito certo contando com a compreensão e amor deles. 3. Precisamos de pais que saibam escutar nossos problemas e preocupações, assim como nossos sonhos e desejos. TEMPO E INFORMAÇÃO 1. Precisamos ter condições de nos comunicar com qualquer um de nossos pais tanto quanto necessário. 2. Precisamos desfrutar o tempo suficiente e acesso (incluindo visitas) com cada um de nossos pais que vão estar à disposição de nossas necessidades. 3. Precisamos conhecer os nossos pais, do jeito que são e não do jeito que nos informam. 4. Precisamos ter uma comunicação clara (ainda que seja apenas escrita) sobre nossos tratamentos médicos, terapias, assuntos de educação e profissão, acidentes, doenças e outras coisas importantes sobre nós e nossos pais. E precisamos que todo mundo que faz parte de nosso mundo do desenvolvimento informem sempre aos nossos pais, não importa com quem estamos. É assim que manda a lei! 5. Precisamos ter fronteiras definidas e com nexo na casa de cada um de nossos pais, principalmente se as regras e o jeito de cada casa for muito diferente da outra. 6. Precisamos saber antes sobre decisões como mudança de casa, férias e outras coisas que fogem da rotina. Mas acima de tudo, precisamos de pais que ajam com maturidade, afeto e responsabilidade em relação à nossa nova estrutura de família.
  8. 8. Mas, acima de tudo, queremos viver parte igual de nossa vida com nosso pai e sua família e com nossa mãe e sua família. Queremos o convívio dividido (guarda compartilhada). Se eles fossem crianças e passem pela mesma situação, saberiam o que estamos passando e sentindo e não achariam que estamos querendo muito, a não ser ser compreendidos, amados, respeitados e defendidos como filhotes. O tempo é hoje. Seu nome é hoje (Gabriela Mistral) Somos culpados de muitos erros e faltas; mas o nosso pior crime é o abandono das crianças, negando-lhes a fonte da vida. Muitas das coisas de que necessitamos podem esperar. A criança não pode. Agora é o momento em que seus ossos estão se formando seu sangue também o está e seus sentidos estão se desenvolvendo A ela não podemos responder “amanhã” Seu nome é hoje. +++ A chance está nas suas mãos, Senadores! Não se furtem ao dever, ao sentimento, aos direitos das crianças! PL 117 WWW.criancaemrede.org/aindasemmeupai

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