Adopt dtv estudo-etnografico-anexos_out2011

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Relatório do projecto de investigação ADOPT-DTV

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Adopt dtv estudo-etnografico-anexos_out2011

  1. 1. 

 
 
 
 
 “ADOPT_DTV:
Barreiras
à
adopção
da
televisão
digital
no
contexto
da
 transição
da
televisão
analógica
para
o
digital
em
Portugal”

 (
PTDC/CCI‐COM/102576/2008)
 
 Relatório
do
Estudo
Etnográfico
‐
ANEXOS
 
Setembro
de
2011



 1

  2. 2. ÍndiceRelatório da visita a casa da família 1 (“Rosário”) .................................................................5 Transcrição da entrevista semi-estruturada ........................................................................... 10Relatório da visita a casa da família 2 (“Sobral”) ................................................................. 21 Transcrição da entrevista semi-estruturada ........................................................................... 25Relatório da visita a casa da família 3 (“Roda”) ................................................................... 31 Transcrição da entrevista semi-estruturada ........................................................................... 35Relatório da visita a casa da família 4 (“Pereira”) ................................................................ 40 Transcrição da entrevista semi-estruturada ........................................................................... 44Relatório da visita a casa da família 5 (“Santos”) ................................................................ 51 Transcrição da entrevista semi-estruturada ........................................................................... 55Relatório da visita a casa da família 6 (“Alves”) .................................................................. 61 Transcrição da entrevista semi-estruturada ........................................................................... 66Relatório da visita a casa da família 7 (“Pinto”)................................................................... 73 Transcrição da entrevista semi-estruturada ........................................................................... 77Relatório da visita a casa da família 8 (“Lopes”) .................................................................. 82 Transcrição da entrevista semi-estruturada ........................................................................... 86Relatório da visita a casa da família 9 (“Gaudêncio”) .......................................................... 93 Transcrição da entrevista semi-estruturada ........................................................................... 98Relatório da visita a casa da família 10 (“Graça”) .............................................................. 102 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 106Relatório da visita a casa da família 11 (“Assis”) ............................................................... 112 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 116Relatório da visita a casa da família 12 (“Marques”) ......................................................... 124 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 129Relatório da visita a casa da família 13 (“Andrade”) .......................................................... 137 2
  3. 3. Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 140Relatório da visita a casa da família 14 (“Freitas”) ............................................................ 145 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 148Relatório da visita a casa da família 15 (“Matos”) ............................................................. 156 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 162Relatório da visita a casa da família 16 (“Mendonça”) ...................................................... 171 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 175Relatório da visita a casa da família 17 (“Sousa”) .............................................................. 180 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 184Relatório da visita a casa da família 18 (“Fragoso”) ........................................................... 193 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 198Relatório da visita a casa da família 19 (“Baptista”) .......................................................... 211 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 213Relatório da visita a casa da família 20 (“Mendes”) .......................................................... 219 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 222Relatório da visita a casa da família 21 (“Costa”) .............................................................. 229 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 232Relatório da visita a casa da família 22 (“Guerreiro”) ........................................................ 238 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 241Relatório da visita a casa da família 23 (“Simões”) ............................................................ 249 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 254Relatório da visita a casa da família 24 (“Fonseca”) .......................................................... 260 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 262Relatório da visita a casa da família 25 (“Neves”) ............................................................. 268 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 269Relatório da visita a casa da família 26 (“Gomes”) ............................................................ 275 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 278 3
  4. 4. Relatório da visita a casa da família 27 (“Brito”) ............................................................... 285 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 286Relatório da visita a casa da família 28 (“Cardoso”) .......................................................... 293 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 298Relatório da visita a casa da família 29 (“Justino”) ............................................................ 309 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 313Relatório da visita a casa da família 30 (“Ribeiro”) ............................................................ 319 Transcrição da entrevista semi-estruturada ......................................................................... 322 4
  5. 5. Relatório da visita a casa da família 1 (“Rosário”)17 de Setembro de 2010NazaréAdelaide (mãe): 33 anos, professora.Carlos (pai): 37 anos, gerente de um bar.Crianças: 8, 4 e 2 anos.João (avô): 59 anos, marceneiro.Marta (avó): 53 anos, auxiliar de acção educativa.Este relatório apresenta uma síntese da sessão de observação e entrevista semi-estruturada realizada em casa da família “Rosário”, residente na Nazaré, no dia 17 deSetembro de 2010.O agregado familiar dos “Rosário” é composto por cinco pessoas: os pais, Adelaide eCarlos, de 33 e 37 anos, e os três filhos, de 8, 4 e 2 anos. Na entrevista estiveramtambém presentes os avós, Marta e João, de 53 e 59 anos, que apesar de constituíremum agregado familiar diferente (de quatro pessoas) participaram no questionário.A família “Rosário” tem por hábito reunir-se toda à hora do jantar. As três geraçõesjuntam-se à mesa e, muitas vezes, os motivos das conversas surgem como reacção àsnotícias do telejornal, «o único programa obrigatório» para a família. Na verdade, de Figura 1 - Família “Rosário” reúne-se à hora do jantar, depois de alguma insistência por parte da mãe em conseguir afastar as crianças do computador 5
  6. 6. acordo com Adelaide e Carlos, que afirmam ver cerca de uma hora de televisão pordia, o noticiário é um dos únicos conteúdos que os liga à televisão. «Preferências nãotenho… A única coisa que eu vejo mais é o noticiário. Esse sim é obrigatório e vemos Figura 2 - Na sala de estar, a televisão está ligada, mas ninguém presta atenção ao ecrãem conjunto», explica Carlos. Por sua vez, Adelaide lembra que quando vêem maistelevisão, optam por séries do AXN e da FOX, ou pelos documentários do NationalWild, da National Geographic. Adelaide é professora e Carlos gerente de um bar. Ocasal explica que, quando lhes sobra tempo entre o trabalho e os cuidados com osfilhos, não o aproveitam para ver televisão, privilegiando antes o computador e ainternet. «Quando tenho tempo livre não é para a televisão», revela Adelaide.«Quando arranjo um tempinho gosto de ler ou de ligar a net», completa o marido.No caso dos avós Marta e João, a rotina é bastante diferente. João assume-se o maiorconsumidor de televisão da família, assistindo a uma média de quatro horas por dia, Figura 3 - Enquanto faz o jantar, a avó, Marta, de 53 anos, vai ouvindo o telejornal 6
  7. 7. sobretudo durante a noite. A descrição que o marceneiro faz do seu dia-a-dia leva acrer que a televisão é um passatempo muito importante. «Todos os dias começorelacionado com a televisão. Começo às 06h00 da manhã, quando não é mais cedo, eligo logo a televisão (…) Vejo e revejo as notícias porque a SIC Notícias está, de hora ahora, a repetir. Quando acabam as notícias das 10 para as 8 é quando começa apublicidade e eu saio de casa. Devo ver para aí umas quatro horas de televisão (…) Tema ver com a estação do ano. Por exemplo, no Inverno, sou capaz de ver sete ou oitohoras de televisão por dia. Enquanto no Verão não… Passeia-se mais», descreve Carlos,que elege o canal Hollywood e a Eurosport como canais preferidos, a par da SICNotícias. Para Marta, a televisão funciona sobretudo como uma presença de fundo. «Émais como uma companhia. Se estiver em casa, gosto de pôr um canal que esteja a Figura 4 - Irmãos disputam acesso ao computador. O mais novo acaba por sair em desvantagem e começa a chorarouvir. Se estou a passar a ferro ou se ando de um lado para o outro, para não estar afixar os olhos, tenho a televisão naqueles programas da tarde. É-me indiferente… Ou éa SIC, ou a RTP, ou a quatro… Onde se esteja a ouvir a falar», explica, sublinhando quepara si tanto faz ter apenas os quatro canais, ou uma grelha mais variada depossibilidades. Quanto às crianças, estas dividem-se entre a Playstation, ocomputador, a Wii e a televisão. De acordo com Carlos, os filhos vêem mais televisãoao fim-de-semana, durante a manhã. Apesar de terem televisão no quarto, esta só éligada para ajudar a adormecer. 7
  8. 8. No que respeita ao conhecimento, atitudes e expectativas em relação à TV digital,houve claramente um elemento da família que se destacou por estar informado sobreo tema. Carlos assumiu prontamente que já tinha ouvido falar em TV digital. «A ideiaque eu tenho é que é um formato diferente, que tem a capacidade de transportar mais Figura 5 – A família “Rosário” afirmou já ter ouvido falar em televisão digital, nos noticiáriosinformação. O que permite uma série de funcionalidades. No imediato, uma melhorqualidade de imagem e de som. E depois uma série de funcionalidades que a TVnormal não permite», explicou. Todos os entrevistados afirmaram ter ouvido falar naTV digital, mas só Carlos é que espontaneamente relacionou o termo com o «apagão».A família explicou que ouviu falar do assunto no noticiário. Questionado sobre asvantagens que este tipo de transmissão televisiva poderá trazer, Carlos voltou asublinhar que a TV digital traz funcionalidades que até agora não existiam. «Porexemplo, utilizando o nosso cabo, a qualidade de imagem é notória. Permite-nos…Mas isso não sei se terá exactamente a ver com o digital… Permite-nos a gravação, vero programa à hora que bem entender… Uma série de funcionalidades». Quanto àsdesvantagens, Carlos apontou «a necessidade de adaptar o equipamento mais antigo»e, consequentemente, «os custos», como o principal problema.A família “Rosário” afirma ter televisão por cabo digital numa das televisões e explicouque as restantes recebem o sinal através da box ligada a essa televisão, na sala. Carlosafirma que a família não sente necessidade de ter uma box para cada televisão.Quanto ao conhecimento sobre o desligamento do sinal analógico de TV (P21.), todosafirmaram estar a par, mas apenas Carlos relacionou a questão com a palavra 8
  9. 9. “apagão”. Apesar de não saberem o nome que se dá ao processo, nem a data-limitepara o “switch-off”, Carlos considerou que a mudança está «para breve». Quando lhefoi pedido para apontar uma data específica, o nazareno respondeu: «Se não for esteano (2010), é já para o ano (2011). Acho que está assim para perto».Carlos teve de se ausentar da entrevista antes de esta terminar, por motivos detrabalho, mas Adelaide continuou a responder às questões sobre a TV digital. Aprofessora considera que esta não é mais complicada de utilizar do que a televisãoanalógica (P24.), não notando qualquer diferença a nível de utilização.Quando não sabem como funciona um dado equipamento electrónico (P23.),normalmente pai (João) e filha (Adelaide) recorrem às instruções e vãoexperimentando possíveis soluções para os problemas. Adelaide realça que, por vezes,é a internet que a auxilia, caso os equipamentos não tragam instruções. «Também nossuportamos na net. Por exemplo, eles têm consolas e, no outro dia, eu não sabia domanual das instruções da consola para sintonizar um comando e fui ver na net»,descreveu. João acrescenta que os mais novos têm mais facilidade em lidar com novas Figura 6 – Os membros mais jovens da família “Rosário” prevêem usar cada vez mais o computador e menos a TV, enquanto os avós imaginam-se a ver mais televisão daqui a 5 anostecnologias, por isso, pedir ajuda aos filhos também é uma boa solução. «Vai-seexperimentando, vai-se à procura. E vai-se esperando que algum filho chegue a casa eque comece a dominar (risos)».Questionados sobre se verão mais ou menos televisão daqui a 5 anos, João considerouque passará mais tempo em frente ao ecrã «de certeza absoluta». «Daqui a cinco anosjá tenho 65, já vou para a reforma e vou ter mais tempo livre», disse, acrescentando 9
  10. 10. que apenas a familiarização com os computadores e a informática lhe permitiriadesligar-se mais da televisão. Pelo contrário, Adelaide acha que «a tendência até vaiser o inverso»: ver cada vez menos televisão. «Acho que, por exemplo, há cinco anos,via bem mais televisão do que vejo hoje e vou substituindo gradualmente. Porque opouco tempo livre que tenho vou ocupando com a leitura, com a pesquisa de algumacoisa que precise, mesmo para o trabalho… Portanto, vou substituindo a televisão».No que toca ao futuro da televisão, João prevê que esta seja «bem mais evoluída». «Atelevisão daqui a dez anos é capaz de não se parecer com nada do que é hoje». Face àpossibilidade de a televisão passar a incorporar serviços de informação prática ligados,por exemplo, à saúde e ao emprego, a família demonstrou-se receptiva, mas mantémalgumas dúvidas, sobretudo porque a internet e a comunicação interpessoalsobressaem como as formas privilegiadas de obter este tipo de informação. «Esse tipode informação costumamos procurar na net (…) Eventualmente era interessante, maseu não sei se iria substituir a busca na net pela da televisão», refere Adelaide. «Achoque isso era mais vantajoso para os grandes centros. Agora para a gente aqui, quesomos mais pequenos, é mais fácil a pessoa rapidamente saber por alguém», concluiJoão. Transcrição da entrevista semi-estruturadaI – Televisão: posse, usos, preferências e atitudesP1. Quais os programas favoritos?Carlos: Preferências não tenho… A única coisa que eu vejo mais é o noticiário.Adelaide: Algumas séries…Carlos: Sim…Adelaide: Eu vejo o noticiário e algumas séries.As séries são dos canais portugueses?Adelaide: Não. São do AXN, da FOX…João: Eu é essencialmente as notícias… É a SIC Notícias, que está sempre a dar. Emtermos de filmes, é o canal Hollywood, e as séries é o AXN, a FOX… Ah e também oscanais de desporto.Francisco: Quando não estou a ver bonecos, vejo filmes… 10
  11. 11. P3. Que tipo de programas habitualmente vê?Adelaide: Costumamos ver os da National Wild, da National Geographic.Carlos: O único canal obrigatório cá em casa são as notícias.Marta: Eu no meu local de trabalho tenho só os quatro canais. E como faço turnos,durante a noite, vejo as séries para estar acordada. A uma certa altura, a SIC acaba dedar as novelas e as séries do CSI e eu viro para a dois, para ver aquelas entrevistas eassim…Então para si, ter apenas os quatro canais ou o serviço de canais temáticos é amesma coisa?Marta: Sim, para o João é que não é a mesma coisa, porque ele gosta de ver oHollywood.João: E desporto. Aquele canal… A Eurosport. Porque há uma parte que é falada ecomentada em português. Quando isso acontece eu estou sempre a ver.Gostava de ter mais programas legendados?João: Sim. Sinto a falta de se perceber o que se está a passar.P4. O que mais gosta de fazer nos tempos livres?Carlos: O difícil é ter tempos livres… Mas quando arranjo um tempinho gosto de ler oude ligar a net.Adelaide: Por acaso ia dizer que quando tenho tempo livre não é para a televisão.João: A mim é um bocado… É um bocado para a televisão… Os meus tempos livres sãoum bocado exíguos e depois têm que servir para ver tudo… Para ver um bocado denotícias, um bocado de desporto… Também sou um bocado adverso às telenovelas.Todas elas, sejam nacionais ou internacionais.Marta: Eu gosto de ver uma novela… Uma.Qual?Marta: É na SIC. Só vejo essa, mas se não vir também não há problema. É à noite.Então e como é que conjugam isso?João: Quando ela chega a casa e eu estou com tempo para ver qualquer coisa, tenhoque mudar para a telenovela.(risos)Marta: Não… Não é assim. Já estás a dormir… É quase à meia-noite que a novela dá. 11
  12. 12. Adelaide: Nós aqui não temos desses problemas (risos).P5. Conte como passa um dia normal de semana?Carlos: Amanhã, por exemplo, vou pôr a Adelaide à escola às 08h00, venho levantar osmiúdos, pequeno-almoço, vestir, levá-los à escola… Normalmente quando regresso delevá-los à escola, venho eu tomar o pequeno-almoço e consultar o e-mail. E depoistrabalho.João: Eu todos os dias começo relacionado com a televisão. Começo os dias às 06h00da manhã, quando não é mais cedo, acordo e ligo logo a televisão.Vê as notícias logo de manhã…João: Sim, vejo e revejo, porque a SIC Notícias está, de hora a hora, a repetir.Adelaide: Nós aqui também. Quando venho para baixo, antes de sair, ligo a SICNotícias. Entre o tempo de eles tomarem o pequeno-almoço e preparar as coisas parasair, vê-se.João: Quando acabam as notícias das 10 para as oito, que é quando começa apublicidade, é à hora que eu saio de casa. Trabalho, tenho o horário normal de almoçoe saio do trabalho, por volta das 18h30/19h00. E depois é isto assim. É um bocadinhode convivência com a família depois do jantar… E daqui a bocadinho está-se a ver outravez a SIC Notícias.Nunca substitui as notícias da televisão pelas da rádio?João: Dificilmente. Também tenho um bocadinho de dependência da rádio, mas éporque tenho uma oficina própria onde a rádio está sempre ligada.Lá não tem televisão?João: Não. É uma carpintaria/mercenária. Não posso ter mesmo televisão. E, muitasvezes, a rádio está ligada e passam-se horas em que ninguém consegue ouvir o que elaestá a transmitir. A música ouve-se, porque consegue-se ouvir com umas colunas boas,mas o noticiário nem sempre se consegue ouvir. É estranho chegar lá e a rádio estarapagada. Porque a primeira coisa que o rapaz faz quando chega à oficina é ligar arádio.E já experimentaram ouvir rádio através da televisão?Carlos: Sim, mas é só quando há uma entrevista qualquer que me interessa ouvir. Nãotenho por hábito fazer isso.Mas sabem como é que se faz…Carlos: Ah sim, sim.P7. Quantos dias por semana vê televisão (em média)? 12
  13. 13. Adelaide: Eu sinceramente acho que vemos pouca televisão. Ela acaba por estarligada, mas vemos pouco.Mas a televisão está ligada todos os dias?Adelaide: Sim, isso está.P8. Quantas horas de televisão vê por dia (em média)?Adelaide: Uma hora.Carlos: Sim, uma hora.João: Eu devo ver para aí umas quatro horas de televisão. Porque vejo-aessencialmente durante a noite.Marta: Eu se estiver em casa, gosto de pôr um canal que esteja a ouvir. Se estou apassar a ferro ou se ando de um lado para o outro, para não estar a fixar os olhos,tenho a televisão naqueles programas da tarde. É me indiferente… Ou é a SIC, ou aRTP, ou a quatro… Onde se esteja a ouvir… A ouvir falar.Então, tem a televisão ligada durante muitas horas. Não é? Enquanto está a fazer astarefas domésticas?Marta: Tenho, sim. Mas não estou a ver. É mais como uma companhia.P9. Vê mais ou menos TV ao fim-de-semana?Carlos: Os miúdos vêem mais, da parte da manhã.João: Tem a ver com a estação do ano. Eu, por exemplo, no Inverno, sou capaz de versete ou oito horas de televisão por dia. Enquanto no Verão não… Como eu vivo muitoperto da marginal, a gente sai mais no Verão, todos os dias. Passeia-se mais. NoInverno, como não estou habituado a sair, passo o dia a ver televisão.P11. Onde vê mais televisão?Carlos: Nós é aqui na sala. Temos televisão no quarto dos miúdos, para eles às vezesverem um filme ao fim-de-semana, ou para adormecerem… Mas normalmente vemosna televisão da sala.E eles têm autorização para irem ver televisão para o quarto, quando quiserem?Carlos: Sim. Mas normalmente, por hábito, ficam cá em baixo. Mas se, por acaso, estáa chegar às 22h00 e eles estão muito alerta, eu mando-os para o quarto, eles vêemqualquer coisa na televisão e adormecem. 13
  14. 14. João: Connosco é dividido. Muitas vezes, vemos uma parte da televisão no quarto eoutra parte na sala. Muitas vezes, está-se a ver qualquer coisa na sala, chega a hora dedeitar e continua-se a ver no quarto.Adelaide: Nós, por exemplo, temos televisão no quarto, mas nem costumamosacender.P10. Vê mais televisão sozinho/a ou com companhia?Carlos: Normalmente sentamo-nos para ver televisão. O que é obrigatório é onoticiário e aí estamos à mesa. Aí sim é obrigatório e vemos em conjunto. Depois só sefor sentarmo-nos um bocadinho depois do jantar, a conversar um bocadinho.Adelaide: Sim, e a ver qualquer coisa interessante…E sozinhos? Têm o hábito de ver algum programa sozinhos?Carlos: Não. Por exemplo, eu se vier para casa sozinho nem sequer ligo a televisão.Estou ali no computador…João: Eu gosto de ver sozinho. Até gosto mais de ver televisão sozinho. Acompanhadosinto-me distraído. Talvez seja também por ser muitos anos a ver televisão. Mas éassim, eu se estiver a ver um filme a meu gosto e tiver alguém que me distraia, percoum bocado o gosto. E com o futebol é a mesma coisa. Gosto de ver, no máximo, com afamília. Não sou capaz de ver um jogo de futebol no café ou numa esplanada… Nãoconsigo concentrar-me a ver. Perco o interesse.P12. (família) Quantos televisores têm em casa? Em que divisões? (Quantas divisõestem a casa?)Adelaide: Cinco. Nos três quartos, na sala e na cozinha. O do nosso quarto nunca éligado, o da cozinha muito raramente… E os quartos é quando os miúdos vão ver.Carlos: Também temos cinco porque entretanto fomos reformando os televisoresvelhos e pondo outros mais novos.João: Nós temos quatro televisões.P13. (família) Quando compraram o último televisor?Adelaide: Em Agosto ou Junho de 2010.Então foi há relativamente pouco tempo…Adelaide: Sim. 14
  15. 15. P14. (família) Estão a pensar comprar um televisor nos próximos 12 meses?Carlos: Não.P15. Usa teletexto? Em caso positivo, que tipo de informação procura?Carlos: Eu uso com pouca frequência. Só se for para ir à procura de algumainformação…E que tipo de informação procura?Carlos: Normalmente é para ver a programação da televisão, porque para outro tipode informação vou à net.João: Nós raramente usamos.II – TV digital: conhecimento, atitudes e expectativasP16. Já ouviu falar de TV digital?João acena com a cabeça afirmativamente.Que ideia é que têm do que é a televisão digital?Carlos: A ideia que eu tenho é que é um formato diferente, que tem a capacidade detransportar muito mais informação. O que permite uma série de funcionalidades. Noimediato, uma melhor qualidade de imagem e de som. E depois uma série defuncionalidades que a TV normal não permite.Todos já tinham ouvido falar?Sim.Carlos: No “apagão” (risos).Onde é que ouviram falar? Na televisão?Carlos: Sim, no noticiário.O Carlos já respondeu um pouco a esta questão, mas vamos colocá-la na mesmaporque podem surgir outras ideias. Que vantagens é que associam à TV digital?Carlos: Por exemplo, utilizando o nosso cabo, a qualidade de imagem é notória.Permite-nos… Mas isso não sei se terá exactamente a ver com o digital… Permite-nos agravação, ver o programa à hora que eu bem entender… Uma série defuncionalidades… 15
  16. 16. O serviço de Pausa TV, a rádio… Não é?Carlos: Exacto.P18. Que desvantagens associa à TV digital?Carlos: A haver desvantagem, será a necessidade de adaptar o equipamento maisantigo. O que também envolve custos…Mais alguma?Carlos: Não sei… Assim, honestamente, nunca pensei que desvantagens é que metraria a TV digital.E têm televisão digital aqui em casa?Carlos: Nós temos digital, sim. Este sinal que recebemos é digital. Temos Cabovisão.Em todas as televisões da casa?Carlos: Não. Temos só na sala. Nas outras temos o sinal analógico por cabo.Têm algum motivo especial para não terem televisão digital nas outras televisões?Carlos: Não… Não há motivo nenhum em particular. Eu presumo – e agora estou afalar um bocadinho de cor – que nós temos digital, porque esta caixa é digital. Mas nãosei… Porque o sinal que nós recebemos aqui é o mesmo sinal que é distribuído peloresto da casa. Nós temos é a caixa aqui.Estão a pensar em colocar televisão digital nas outras televisões?Carlos: Não. Não se coloca essa necessidade.P21. O sinal analógico de TV, com os 4 canais de TV gratuitos, vai ser desligado -sabia?Carlos: Sim.Adelaide: Sim, sabíamos.Carlos: O “apagão”.Sabem qual é o nome que se dá ao processo?Carlos: Não… 16
  17. 17. P24. Quando é essa data-limite: tem ideia?Carlos: Acho que está para breve. Não está?Podem apontar um ano?Carlos: Se não for este ano, é já para o ano. Acho que está assim para perto. Não está?É sucintamente explicado o processo de desligamento do sinal analógico detelevisão.(Carlos tem de abandonar a entrevista para ir trabalhar)P24. Instalar e usar TV digital é mais complicado que a TV analógica, em sua opinião?Adelaide: Acho que não.Não sente nenhuma diferença a nível de utilização?Adelaide: Não…P23. Quando não sabe como funciona um dado equipamento electrónico, comoresolve a situação?Adelaide: Ou por experimentação ou, se houver possibilidade de haver instruções,consultar. Mas normalmente é por experimentação. Nós aqui, por exemplo, a nível dasgravações, foi o que fizemos. Fomos experimentando e a ver como é que funcionava.E o João, em sua casa, como é que faz?João: Se houver alguma indicação, nas instruções, tudo bem. Senão vai-se tentando.Adelaide: E eu agora estava-me a lembrar que, às vezes, também nos suportamos nanet. Estava-me a lembrar porque, por exemplo, eles têm consolas e no outro dia eunão sabia do manual de instruções da consola para sintonizar um comando e fui ver nanet.João: Vai-se experimentar, vai-se à procura. E vai-se esperando que algum filho cheguea casa e que comece a dominar (risos). Eles estão mais virados para estas novastecnologias.P32. Daqui a 5 anos, acha que vai ver mais televisão, menos ou o mesmo tempo doque vê hoje em dia?João: Se for vivo, de certeza absoluta que vou ver mais televisão. 17
  18. 18. Porquê?João: Porque daqui a cinco anos já tenho 65 anos, já vou para a reforma e vou terportanto mais tempo livre (risos).Adelaide: Eu acho que não. Acho que a tendência, se calhar, é até ser o inverso.Acha que vai ter outros interesses?Adelaide: Sim, porque eu acho que, por exemplo, há cinco anos atrás, via bem maistelevisão do que vejo hoje e vou substituindo gradualmente. Porque o pouco tempolivre que tenho vou ocupando com a leitura, com a pesquisa de alguma coisa queprecise, mesmo para o trabalho… Portanto, vou substituindo a televisão.P33. Como imaginam que a televisão venha a ser daqui a 10 anos?João: Será, de certeza, bem mais evoluída. A televisão daqui a dez anos é capaz de nãose parecer com nada do que é hoje. É capaz de ser mais evoluída. A minha filha tocouagora numa situação que é eu ver muito mais televisão do que via há uns anos atrás,mas se, por exemplo, eu tenho seguido a evolução do manuseamento doscomputadores, se calhar hoje não via tanta televisão. Estava mais ao computador.Mas ainda vai a tempo de se dedicar ao computador…Adelaide: É! A gente vai pô-lo a experimentar.João: Já tenho experimentado uns cursozitos, mas eles nos cursos nunca ensinam tudoo que a gente quer. Mas isto também tem a ver com a idade, porque eu quando tinhaa vossa idade ia à procura do desconhecido e tentava saber, tentava conhecer… E coma passagem dos anos, para mim, isso perdeu um bocadinho o interesse. Porque, se nãofosse isso, se calhar não estaria a ver tanta televisão como vejo hoje.Outro tipo de serviços, como poderem procurar qual é a farmácia de serviço atravésda televisão, ou outros serviços de informação útil… O que é que gostavam de poderfazer através da televisão?Adelaide: Por acaso nunca tinha pensado nisso, porque normalmente esse tipo deinformação costumamos procurar na net.Acha que seria interessante ter serviços de procura de emprego, ou serviços ligados àsaúde na televisão?Adelaide: Eventualmente sim. Mas, por exemplo, no meu caso, não sei se iriasubstituir a busca na net pela da televisão. 18
  19. 19. João: Acho que isso era mais vantajoso para os grandes centros. Agora para a genteaqui, que somos mais pequenos é mais fácil a pessoa rapidamente saber por alguém.E se a televisão trouxesse agora um canal extra gratuito? Acham que seriaimportante ou não iria trazer nada de proveitoso?João: Acho que era mais um…Como já têm tantos canais, não iria fazer a diferença…Adelaide: Exacto.Apesar de terem muitos equipamentos de entretenimento, fazem um esforço paraterem momentos em família, em que não “ligam” aos media…Adelaide: Sim, principalmente à hora do jantar.João: Eu disse que via uma média de 6 horas de televisão, mas são horas nocturnas,em que eu estou meio a dormir, meio a ver televisão. Vejo metade, adormeço outrametade e depois tenho que esperar para ver o resto do que não vi…Caracterização de cada indivíduo da famíliaP36. IdadeAdelaide: 33 anosCarlos: 37 anos.Crianças: 8, 4 e 2 anos.João: 59 anos.Marta: 53 anos.P37. Localidade de residência/ Concelho de residência/ Distrito de residênciaNazaré.P38. Ocupação e ProfissãoAdelaide: Professora.Carlos: Gerente de um bar.João: Marceneiro.Marta: Auxiliar de Acção Educativa.P39. Habilitações académicasAdelaide: Licenciatura.Carlos: 12º ano. Está a frequentar uma licenciatura.João: 4º ano.Marta: 9º ano.P41. Nº de pessoas no agregado familiarEstavam dois agregados familiares presentes na entrevista. O de Adelaide e Carlos,com os três filhos (cinco pessoas) e o de João e Marta, com os dois filhos mais novos(quatro pessoas). 19
  20. 20. P42. Uso de telemóvel (S/N; if S, quantos anos de experiência ou nível decompetência?)Todos usam telemóvel, há mais de dez anos.P43. Uso de computador (S/N; if S, quantos anos de experiência ou nível decompetência?)Em casa de Adelaide e Carlos todos usam o computador, há cerca de 9 anos (atémesmo as crianças). Em casa de João e Marta, os dois filhos usam o computador e Joãoafirma que está a esforçar-se por aprender a usar.P44. Uso de internet (S/N; if S, quantos anos de experiência ou nível decompetência?)Os dois agregados familiares têm internet em casa há cerca de nove anos. Em casa deJoão e Marta, só os filhos é que usam a internet.P45. Equipamentos de entretenimento doméstico e pessoal (rádio, VCR, DVD, etc)Playstation, Wii, leitor de DVDs, rádio, leitor de CDs. 20
  21. 21. Relatório da visita a casa da família 2 (“Sobral”)17 de Setembro de 2010NazaréJosé (pai): 68 anos, reformado.Beatriz (mãe): 60 anos, gerente de loja.Laura (irmã): 70 anos, reformada.Este relatório apresenta uma síntese da sessão de observação e entrevista semi-estruturada realizada em casa da família “Sobral”, da Nazaré, no dia 17 de Setembrode 2010.A família “Sobral” é composta por três pessoas: o casal José e Beatriz, de 68 e 60 anos,e a irmã de José, Laura, de 70 anos. José e Beatriz têm três filhos, de 22, 37 e 38 anos,mas nenhum deles estava em casa no momento da entrevista, até porque já nãohabitam na vila, regressando apenas nalguns fins-de-semana. A visita teve início pelas23h00 e durou cerca de 1 hora e 15 minutos.O casal “Sobral” passa grande parte do dia a trabalhar no supermercado do qual é Figura 1 – Beatriz, de 60 anos, tem pouco tempo livre. Quando não está no supermercado de que é proprietária, aproveita para adiantar as tarefas domésticas e consegue ver um pouco de televisão ao mesmo tempo.proprietário. Neste momento, é Beatriz que faz a maior parte da gestão da loja e, porisso, sobra-lhe pouco tempo para o lazer. Nos tempos livres, Beatriz acaba por 21
  22. 22. aproveitar para fazer tarefas domésticas. No dia da entrevista, esteve num dosquartos, a passar a ferro, enquanto espreitava a programação na TV. Na verdade, estaimagem representa bem os hábitos de Beatriz relativamente à televisão. A lojistararamente está em frente ao ecrã, sem fazer outra coisa ao mesmo tempo. Quandoacontece, geralmente o cansaço fala mais alto e Beatriz acaba por adormecer. Aindaassim, a nazarena revela que entre os seus programas de eleição estão “o Malato(Quem quer ser milionário), e uma ou outra telenovela, que afirma nunca seguir aopormenor. No caso de José, a televisão ocupa um espaço muito mais relevante narotina. Enquanto a esposa não assiste a mais de uma hora de televisão por dia, Joséafirma ver cerca de duas horas de TV diariamente. No entanto, Laura garante que oirmão está sempre a ver televisão. Efectivamente, José liga a televisão logo pelamanhã, quando acorda, para se manter a par do que se passa no mundo. Depois, osprogramas de entretenimento da manhã servem «para estar em fundo» e só se algumtema lhe despertar interesse, segue a história com atenção. Mais tarde, quando vaipara a loja, José mantém a televisão ligada, mas diz que dificilmente presta atenção aoque está a emitir. De facto, José gostaria de ter a oportunidade de ver mais osprogramas de que gosta. Para além da falta de tempo, as questões técnicas impõem-sena hora de ver os programas favoritos. «Há programas como o National Geographic, oOdisseia, que eu tenho muita pena de não ver, porque gosto imenso deles. Mas estatelevisão não está bem sintonizada com alguns programas desses», explica. Josésublinha que outro dos motivos para ligar a TV é o futebol. «Gosto de ver futebol, masnão sou doente pelo futebol. Ultimamente até tenho ido ao café, porque deixei de tera Sport TV», conta. Já a irmã, Laura, de 70 anos, admite que é quem vê mais televisãona família: cerca de quatro horas diárias. No topo das suas preferências, estão osprogramas de humor. Ultimamente vê sem falhar o programa Cinco para a Meia-Noite,rejeitando a ideia de que este “talk show” interessa apenas aos jovens.A família “Sobral” tem três televisões em casa e normalmente vê mais televisão na salade estar. Quanto às funcionalidades da televisão, José e Laura explicam que nuncasentiram necessidade de utilizar o teletexto, nem sabiam como fazê-lo. No entanto,José considera que um serviço como o teletexto pode ser bastante útil a partir domomento em que se aprende a funcionar com ele. «Nunca percebi… Não é que não 22
  23. 23. tenha o seu interesse, para a gente ver aquilo que vai dar. Vermos os programasantecipadamente. Mas eu não consulto porque nunca me ensinaram a mexer nisso (…)Há muitas coisas destes comandos, que às vezes aparecem ali e ninguém sabe fazer.Eu nunca fui ensinado e também nunca me preocupei muito em procurar saber. Masque tem interesse, tem», considera.No que respeita ao conhecimento, atitudes e expectativas em relação à TV digital, foiJosé o membro da família que demonstrou ter mais noções sobre o tema. Questionado Figura 2 - Laura, de 70 anos, vê cerca de quatro horas de televisão, sobretudo à noite. Um dos seus programas preferidos é o Cinco para a Meia-Noite, da RTP2.sobre se já ouviu falar em TV digital, José respondeu afirmativamente, acrescentandode imediato que esta é uma tecnologia já em utilização e que ainda só lhe conheceuma vantagem. «Já ouvi falar. Já está em funcionamento… Mas tirando a qualidade daimagem, não sei o qual é o benefício que traz», comenta. Quanto às desvantagensdeste tipo de transmissão, José diz não conhecer o suficiente sobre ela para lheapontar pontos fracos. Por sua vez, Laura reporta para a questão dos preços. «Éconforme o custo dela…», avisa.Em casa dos Sobral, há televisão por cabo. Questionados sobre os motivos quelevaram a família a pagar uma assinatura de televisão, os Sobral discordam. EnquantoLaura considera que a família precisava de ter uma grelha de canais mais alargada,José conclui que não necessitava de mais do que quatro canais. «Bem vistas as coisas,eu não precisava de mais de quatro canais. Eu continuo a usar os canais portugueses.Não quer dizer com isso, que não tragam vantagens aqueles que eu não vejo. Gostaria 23
  24. 24. de ver. Ainda não vejo porque há alguns que não estão sintonizados e precisava detrazer aqui uma pessoa não para desfazer o que está, mas para organizar os canais. Agente fica sempre com a impressão de que são poucos os quatro canais. Mas, quandonós olhamos para trás, vemos que, na maioria dos casos, nós só usamos os quatrocanais. Se me perguntarem o que é que eu vi ontem, ou no resto dos dias, foi osquatro canais», reflecte.No que toca ao conhecimento acerca do “switch-off”, José afirmou estar a par doprocesso. Apesar de não conhecer a data-limite para o “apagão”, o lojista suspeita que«não vai estar muito tempo sem isso acontecer», acreditando que desligarão o sinal Figura 3 - A família “Sobral” não precisa de se preocupar em adaptar as suas televisões, pois tem um serviço de televisão paga. No entanto, José estava a par do apagão analógico.ainda em 2011. Por sua vez, Laura admitiu já ter ouvido falar, «mas não ligou» aoassunto.A família “Sobral” não prevê que as suas rotinas relativamente à televisão mudem nospróximos cinco anos. Laura imagina que passará o mesmo tempo em frente ao ecrã, eJosé demonstra-se sem opinião sobre o assunto. A verdade é que, de acordo com estesirmãos, a televisão seria muito mais interessante se apostasse nos conteúdos maisligados à cultura e ao espectáculo. Para José, regressar aos tempos do teatro natelevisão tornaria a programação mais apelativa. «Gostava que houvesse teatro natelevisão, como antigamente. Os teatros na televisão eram muito bonitos», sugere.Por fim, a partir da questão “Como imagina que a televisão venha a ser daqui a 10anos?”, José anteviu televisores cada vez mais finos, com mais qualidade e ao mesmo 24
  25. 25. preço que os televisores tradicionais. «Ultimamente, a tendência tem sido aparelhosfininhos. E estou convencido de que não vamos sair daí. Este televisor (aponta para oseu televisor da sala) pesa 70 quilos. Têm que ser dois homens com força para otransportar. De maneira que temos que esperar que venham outras coisas mais leves.Estou convencido de que será esse o caminho. Não os vejo agora a voltarem outra vezatrás. Quanto ao custo que podia impedir as pessoas de comprar, o plasma já estáquase ao mesmo preço do que um televisor vulgar. Aparelhos plasma, que ninguémpensava poder comprar há uns anos atrás, estão ao mesmo preço que um televisornormal. O caminho é serem mais leves, ao mesmo preço», prevê. Transcrição da entrevista semi-estruturadaI – Televisão: posse, usos, preferências e atitudesP1. Quais os programas favoritos?Laura: Todos (risos). A partir das notícias, a minha preferência não é assim muitogrande. Gosto de coisas cómicas, gosto de um bom programa de fado… Gosto denotícias na televisão, que me deixem mais esclarecida, entrevistas…Laura assiste também diariamente ao programa “5 para a meia-noite”, da RTP2. Esteé um dos seus programas preferidos no momento.Então vê mais programas portugueses ou também vê coisas estrangeiras?Laura: Mas o que é que eu percebo de estrangeiro?Programas que tenham legendas…Laura: Com legendas sim. Vejo, mas não tenho assim muito tempo nem disposiçãopara estar a ver um filme, por exemplo. Não tenho paciência para ver a mesma série,do princípio ao fim.E a Beatriz?Beatriz: Gosto de ver o programa do Malato.Laura: Ah esse programa está muito interessante…Beatriz: Gosto de ver uma novela… Vejo uns bocadinhos de vez em quando, mas nãovejo ao pormenor.E o José?Beatriz: O futebol…José: Eu agora não me lembro quais são, mas gosto de muitos programas. Gosto de verfutebol, mas não sou doente pelo futebol. Ultimamente até tenho ido ao café, porquedeixei de ter a Sport TV. Depois há programas como o National Geographic, o Odisseia,que eu tenho muita pena de não ver, porque gosto imenso deles. Mas esta televisãonão está bem sintonizada com alguns programas desses.P4. O que mais gosta de fazer nos tempos livres? 25
  26. 26. Beatriz: Eu nunca tenho tempo livre, estou sempre a trabalhar.José: Não há tempos livres.Mas quando têm um tempinho livre, o que fazem?José: Vamos à Pederneira.P7. Quantos dias por semana vê televisão (em média)?José: Todos.Beatriz: Todos.Laura: TodosP8. Quantas horas de televisão vê por dia (em média)?Laura: Não sei. É incerto…Cinco ou seis horas de TV por dia?Laura: Eia não… Acho que não.Quatro horas?Laura: Talvez. Por aí…E o senhor José?Laura: Ele está sempre a ver televisão (risos).José: Eu vejo televisão quando acordo, aí às 08h00/08h30. Gosto de pôr logo atelevisão a trabalhar para ver o que se passa no mundo. Depois vêm as notícias. Depoissou capaz de adormecer um bocadinho. Hoje adormeci um bocadinho mais do que aconta. Quando me levantei, era já tarde. Depois também vejo um bocado do programada manhã da RTP, umas vezes com atenção, outras só para estar em fundo. Vou-meinteressando por aquilo que eles às vezes lá põem.Então quantas horas vê de televisão por dia? Quatro horas?José: Não. Duas horas. Não vou dizer que quando vou para baixo, a televisão não estáligada. Mas não estou com a mesma atenção. Está a televisão a trabalhar, e quandovejo que há alguma coisa que me interessa, chego-me ao pé. Quando não interessa,recuo.E ao fim-de-semana?José: Ao fim-de-semana é a mesma coisa.Beatriz diz que nunca tem tempo para si, está sempre a trabalhar. Por isso, tambémnão tem tempo para a televisão. 26
  27. 27. P10. Vê mais televisão sozinho/a ou com companhia?Laura: É quase sempre sozinhos… A maioria do tempo… A gente tem que sedesenvencilhar.Vira-se para o irmãoLaura: Então e tu não gostas do “5 para a meia-noite”?José: Já tenho visto… Não é nada do outro mundo.Laura: É engraçado.P10. Vê mais televisão sozinho/a ou com companhia?José: É-me indiferente.P11. Onde vê mais televisão?José: É aqui (na sala).P12. (família) Quantos televisores têm em casa? Em que divisões? (Quantas divisõestem a casa?)Laura: Três. Na sala e em dois quartos.P13. (família) Quando compraram o último televisor?Laura: Há cerca de cinco anos.P14. (família) Estão a pensar comprar um televisor nos próximos 12 meses?Laura: A ver se não…José: Eu quero ver se sim. Eu preciso de uma televisão maiorzinha para o meu quarto.E eu compre duas, aqui há tempo, para as minhas filhas e têm o tamanho ideal.P15. Usa teletexto? Em caso positivo, que tipo de informação procura?Laura: Não.José: Não. Nunca percebi… Não é que não tenha o seu interesse, para a gente veraquilo que vai dar. Vermos os programas antecipadamente. Mas eu não consultoporque nunca me ensinaram a mexer nisso.Laura: Nunca foi preciso…José: Há muitas coisas destes comandos, que às vezes aparecem ali e ninguém sabefazer. Eu nunca fui ensinado e também nunca me preocupei muito em procurar saber.Mas que tem interesse, tem.II – TV digital: conhecimento, atitudes e expectativasP16. Já ouviu falar de TV digital? 27
  28. 28. José: Já ouvi falar. Já está em funcionamento… Mas tirando a qualidade da imagem,não sei o qual é o benefício que traz.Portanto, a única vantagem que conhecem da TV digital, é o facto de trazer melhorqualidade de imagem. Certo?José: Sim, sim.P18. Que desvantagens associa à TV digital?José: Também não conheço o suficiente para saber se há desvantagens.Laura: É conforme o custo dela…Tem televisão digital aqui em sua casa?Laura: Não…José: É capaz… Aqui em casa… Essa é uma boa pergunta. Eu não sei se esta tem ou nãotem, mas é capaz de não ter.P19. (família) Que tipo de TV tem em casa?José: Temos Cabovisão.Porque é que têm este serviço de televisão paga?José: Bem vistas as coisas, eu não precisava de mais de quatro canais.Laura: Precisavas…José: Eu continuo a usar os canais portugueses. Não quer dizer com isso, que nãotragam vantagens aqueles que eu não vejo. Gostaria de ver. Ainda não vejo porque háalguns que não estão sintonizados e precisava de trazer aqui uma pessoa não paradesfazer o que está, mas para organizar os canais. A gente fica sempre com aimpressão de que são poucos os quatro canais. Mas, quando nós olhamos para trás,vemos que, na maioria dos casos, nós só usamos os quatro canais. Se me perguntaremo que é que eu vi ontem, ou no resto dos dias, foi os quatro canais.P21. O sinal analógico de TV, com os 4 canais de TV gratuitos, vai ser desligado -sabia?José: Sei, sei.P22. Quando é essa data-limite: tem ideia?José: Não sei. Isso não perguntei.Sabem se será este ano, para o ano, daqui a vinte anos?José: Não, não. Estou convencido de que será daqui a um ano ou assim.Em 2011? 28
  29. 29. José: Julgo que sim. Acho que não vai estar muito tempo sem isso acontecer.E sabem como se chama esse processo?Laura: Eu já ouvi falar, mas não liguei.É sucintamente explicado o “switch-off”P32. Daqui a 5 anos, acha que vai ver mais televisão, menos ou o mesmo tempo doque vê hoje em dia?José: Não sei.Laura: Eu sou capaz de ver a mesma coisa.P31. O que gostaria de ver / aceder através da TV digital?José: Em termos de conteúdos, gostava que houvesse teatro na televisão, comoantigamente. Os teatros na televisão eram muito bonitos.Laura: Sim, era muito interessante!P33. Como imagina que a televisão venha a ser daqui a 10 anos?José: Ultimamente, a tendência tem sido aparelhos fininhos. E estou convencido deque não vamos sair daí. Este televisor (aponta para o seu televisor da sala) pesa 70quilos. Têm que ser dois homens com força para o transportar. De maneira que temosque esperar que venham outras coisas mais leves. Estou convencido de que será esse ocaminho. Não os vejo agora a voltarem outra vez atrás. Quanto ao custo que podiaimpedir as pessoas de comprar, o plasma já está quase ao mesmo preço do que umtelevisor vulgar. Aparelhos plasma, que ninguém pensava poder comprar há uns anosatrás, estão ao mesmo preço que um televisor normal. O caminho é serem mais leves,ao mesmo preço.Caracterização de cada indivíduo da famíliaP36. IdadeJosé: 68 anos.Beatriz: 60 anos.Laura: 70 anos.P37. Localidade de residência/ Concelho de residência/ Distrito de residênciaNazaréP38. Ocupação e ProfissãoJosé: reformado.Laura: reformada.Beatriz: gerente de loja.P39. Habilitações académicasJosé: 4ª classe.Laura: 4ª classe. 29
  30. 30. Laura: 4ª classe.P41. Nº de pessoas no agregado familiarQuatro pessoas.P42. Uso de telemóvel (S/N; if S, quantos anos de experiência ou nível decompetência?)José: Usa de vez em quando. Há seis meses.Laura: Sim. Há dois ou três anos.P43. Uso de computador (S/N; if S, quantos anos de experiência ou nível decompetência?)Não usam.P44. Uso de internet (S/N; if S, quantos anos de experiência ou nível decompetência?)Não usam.P45. Equipamentos de entretenimento doméstico e pessoal (rádio, VCR, DVD, etc)Rádio, VCR, DVD. 30
  31. 31. Relatório da visita a casa da família 3 (“Roda”)11-10-2010Famalicão, NazaréMargarida (mãe): 35 anos, auxiliar de Acção Educativa.Jacinto (pai): 40 anos, pedreiro.Célia (filha): 20 anos, doméstica.Sandra (filha): 18 anos, doméstica.Fátima (filha): 15 anos, estudante.Henrique (filho): 14 anos, estudante.Este relatório apresenta uma síntese da sessão de observação e entrevista semi-estruturada realizada em casa da família “Roda”, residente em Famalicão, no concelhoda Nazaré, no dia 11 de Outubro de 2010.A família “Roda” é composta por 8 elementos: um casal com cinco filhos – quatroraparigas e um rapaz – e um neto recém-nascido. A mãe tem 35 anos e o pai 40. Asraparigas têm 20, 18, 15 anos e 19 meses e o rapaz tem 14 anos. Margarida é auxiliarde acção educativa e o marido pedreiro. As filhas de 20 e 18 anos já não estudam e sãodomésticas. Figura 1 – O televisor na sala da família “Roda” foi encontrado pelo pai, que o mandou arranjar e o levou para casa 31
  32. 32. Figura 2 – A mãe, Margarida, aproveita os tempos-livres para trabalhar em casa, remodelando o quarto de uma das filhasA visita teve início às 18h00 e durou cerca de 40 minutos. A televisão tem lugar centralna sala desta família. Entre alguma confusão decorrente dos trabalhos de remodelaçãoda casa, que a própria Margarida leva a cabo, a televisão está acesa, com som, masninguém está a ver. Célia, de 20 anos, cuida da filha recém-nascida num dos quartos ea irmã Sandra faz-lhe companhia. Só mais tarde vão para a sala ver um pouco de Figura 3 – Célia teve um filho há pouco tempo e passa muitas horas em frente ao ecrã. As telenovelas são o seu género televisivo de eleiçãotelevisão. Célia senta-se no sofá com o bebé ao colo e assiste ao novo programa daFátima Lopes, na TVI. A irmã Sandra junta-se a ela e divide a atenção entre o televisore a sua irmã mais nova, de 19 meses, com quem vai brincando. Mais tarde, mudam decanal, de forma a poderem ver a novela brasileira que têm seguido, na SIC, ao fim datarde. Margarida está ocupada com as tarefas domésticas e não se interessa pelo que 32
  33. 33. passa na TV. O único televisor da casa está na sala há cerca de cinco meses. O maridode Margarida encontrou-o e mandou arranjá-lo. A família recebe mais de quatrocanais, mas não pagam assinatura. Margarida não sabe «se é TV Cabo ou Cabovisão».Na entrevista, não estiveram presentes o pai, de 40 anos, nem o filho de 14 anos. Esteúltimo é o único elemento da família que passa mais tempo ao computador do que aver televisão. De acordo com a mãe, o jovem entretém-se a “jogar”. Entre asentrevistadas, Célia e Sandra passam a maior parte do dia em casa pois já não estudame não estão empregadas. Sandra, de 18 anos, explica que para além das tarefasdomésticas, vê “mais de cinco horas por dia” de televisão, elegendo as telenovelas, as Figura 4 – Sandra, de 18 anos, está desempregada e, no tempo que sobra das tarefas domésticas, vê TV, sobretudo telenovelas e programas da MTVséries e os programas da MTV como os seus predilectos. Só o domingo difere do restoda semana, pois Sandra prefere “sair” a ver televisão. Normalmente “irmãos e primos”vêem televisão juntos, já que há apenas um televisor na casa. É unânime que nenhumarapariga na casa gosta de ver programas sobre desporto. Célia vê “novelas e algumasséries” e, tal como a irmã Sandra, passa grande parte do dia em frente ao ecrã. JáFátima, que ainda estuda, vê menos televisão do que as irmãs, não ultrapassando ascinco horas diárias. A jovem de 15 anos prefere ver a «SIC, a SIC Mulher, a MTV e aMTV Portugal», não perdendo os programas sobre «moda e remodelação de casas». Jáa matriarca, Margarida, gosta de ver as telenovelas e séries do canal AXN. «Vejo umasquatro ou cinco horas de TV por dia. Chego do trabalho às 17h00, faço o jantar, mascostumo ver a novela das 19h00 às 20h00 e depois vou-me deitar». Desde que tem a 33
  34. 34. nova televisão, não usa o teletexto. «Eu usava muito, mas como esta televisão não temcomando… O comando que usamos é o da TV Cabo e não tem teletexto». Figura 5 – A mãe, Margarida, explica que a família só tem o comando da TV Cabo, por isso, não consegue aceder ao teletexto, um serviço que antigamente utilizavaQuando questionadas acerca da televisão digital (P16. “Já ouviu falar da TV digital?”),apenas Margarida e Fátima respondem afirmativamente. Margarida diz ter ouvidomencionar o assunto no telejornal, enquanto Fátima explica que o que vê é «em casadas amigas». No entanto, nenhuma conseguiu mencionar vantagens ou desvantagensdesta tecnologia. Célia e Sandra afirmaram que nunca ouviram falar em TV digital enenhuma das entrevistadas estava a par do desligamento do sinal, nem faziam ideia dadata-limite deste processo. Margarida demonstrou saber vagamente o que as pessoassem TV digital têm que fazer para continuarem a receber os quatro canais gratuitos deTV em casa: «Ouvi falar que tem que se comprar um aparelho para adaptar àtelevisão». Fátima «não fazia ideia». Nenhuma das entrevistadas conhecia os custosenvolvidos para quem não tem TV Digital continuar a ter TV em casa. Questionadasobre «quanto estaria disposta a pagar para continuar a ter TV», Margarida referiu,rindo-se: «Alguma coisa vai ter que se pagar… Nunca dão nada de graça».Margarida considera que, daqui a 5 anos, vai ver menos televisão do que actualmente.«Cada vez temos que trabalhar mais para ter alguma coisa (risos). E os programascomeçam a ser desinteressantes. Estão a repetir muito os programas e uma pessoacomeça a perder o interesse na televisão por isso», explica. Fátima partilha da mesmaopinião. «São sempre os mesmos programas, sempre a mesma coisa. Torna-se 34
  35. 35. repetitivo». Ao ouvir falar de serviços interactivos como a possibilidade de ver quais sãoas farmácias de serviço na sua zona ou de procurar emprego através da televisão, a mãeolha para a filha Sandra e acena com a cabeça dizendo que “sim”, é útil. «A pessoa nãoter que sair de casa para ir à procura de emprego ou saber onde está uma farmácia ondepossa ir buscar um medicamento era muito bom». Por outro lado, há serviços que atelevisão permite que não são alheios a esta família, como a rádio. Margarida explica queouve «muitas vezes» rádio através da televisão porque gosta de ouvir a RDP África. Porfim, as entrevistadas têm dificuldade em expressar a forma como imaginam a televisãodaqui a 10 anos e apenas Margarida lança algumas ideias, considerando que «o aparelhovai ser mais fininho, mas cada vez maior». Transcrição da entrevista semi-estruturadaP1. Quais os programas favoritos?Margarida (mãe): Novelas e séries do AXN.Célia (filha): Também gosto de ver novelas e algumas séries. A novela é a da SIC,“Caras e Bocas”.Sandra (filha): Vejo as mesmas coisas e também gosto de ouvir música na televisão(MTV). Mas o que vejo mais é a telenovela e filmes. A minha série preferida é o CSI.Fátima (filha): Vejo a SIC, a SIC Mulher, a MTV e a MTV Portugal. Na SIC Mulher vejoprogramas de moda, remodelação de casas…P2. Quais os programas dos quais não gosta?Margarida: Futebol (risos)Fátima: Programas de desporto.P4. O que mais gosta de fazer nos tempos livres? Usa o computador?Sandra: Uso o computador dos meus irmãos.Margarida: Elas vêm mais televisão do que usam o computador, mas o irmão usa maiso computador do que a televisão, para jogar e ouvir música.P5. Conte como passa um dia normal de semana?Sandra: De manhã estou em casa, limpo as coisas, faço o almoço para o meu irmão,depois vou buscar a minha mãe. É sempre assim. 35
  36. 36. P7. Quantos dias por semana vê televisão (em média)?Sandra: Todos os dias. Vejo mais de segunda a sábado porque ao domingo costumosair.Fátima: Vejo todos os dias.P8. Quantas horas de televisão vê por dia (em média)?Sandra: Mais de cinco horas por dia.Margarida: Vejo umas quatro ou cinco horas de TV por dia. Chego do trabalho às17h00, depois é fazer jantar, mas costumo ver a novela das 19h00 às 20h00 e depoisvou-me deitar.Célia: Vejo mais ou menos o mesmo que ela (Sandra).Fátima: Acho que não vejo mais de cinco horas por dia.P10. Vê mais televisão sozinho/a ou com companhia?Sandra: Vejo com os meus primos e os meus irmãos.Fátima: Vejo com as minhas irmãs.P12. (família) Quantos televisores têm em casa? Em que divisões? (Quantas divisõestem a casa?)Margarida: Um. Na sala.P13. (família) Quando compraram o último televisor?Margarida: Este televisor foi o meu marido que encontrou e o mandou arranjar. Temo-lo há cerca de cinco meses.P14. (família) Estão a pensar comprar um televisor nos próximos 12 meses?Margarida: Não.P15. Usa teletexto? Em caso positivo, que tipo de informação procura?Margarida: Não. Eu usava muito o teletexto, mas como esta televisão não temcomando…O comando que usamos é o da TV Cabo e não tem teletexto.P16. Já ouviu falar de TV digital?Margarida: Eu já ouvi falar, no telejornal.Célia: Nunca ouvi falar.Sandra: Eu também não.Fátima: Já ouvi falar. 36
  37. 37. P17. Que vantagens associa à TV digital?Margarida: Não. Eu ouvi falar, mas como não eram daquelas coisas que me estavam ainteressar, não liguei muito.Fátima: O que vejo é em casa das minhas amigas.P19. (família) Que tipo de TV tem em casa?Margarida: Não sei se é TV Cabo se é Cabovisão. Temos mais de quatro canais.P21. O sinal analógico de TV, com os 4 canais de TV gratuitos, vai ser desligado -sabia?Margarida: Não.P22. Quando é essa data-limite: tem ideia?Margarida: Não.P25. Sabe o que as pessoas sem TV digital têm que fazer para continuarem a receberos 4 canais gratuitos de TV em casa?Margarida: Ouvi falar que tem que se comprar um aparelho para adaptar à televisão.Fátima: Não fazia ideia.P26. Sabe se há custos envolvidos para continuar a ter TV em casa?Margarida: Não sei.P27. Quanto estaria disposto/a a pagar para continuar a ter TV em casa?Margarida: Alguma coisa vai ter que se pagar… Nunca dão nada de graça (risos).P31. O que gostaria de ver / aceder através da TV digital?Margarida: Basicamente o que vemos agora. As séries, as novelas…Às vezes lá vemosuns programas sobre os modelos ou remodelações de casas…P32. Daqui a 5 anos, acha que vai ver mais televisão, menos ou o mesmo tempo doque vê hoje em dia?Margarida: Menos. Isto cada vez temos que trabalhar mais para ter alguma coisa(risos). E também os programas começam a ser desinteressantes. Estão a repetir muitoos programas e uma pessoa começa a perder o interesse na televisão por isso.Fátima: Menos. São sempre os mesmos programas, sempre a mesma coisa. Torna-serepetitivo.P32.1 Se, por exemplo, a televisão proporcionasse serviços como poderem ver quaissão as farmácias de serviço na vossa zona ou poderem procurar emprego através datelevisão, isso seria útil para vocês? 37
  38. 38. Margarida: (Olhando para a filha Sandra e acenando com a cabeça) Sim.Sandra: Era bom.Margarida: A pessoa não ter que sair de casa para ir à procura de emprego ou saberonde está uma farmácia onde possa ir buscar um medicamento era muito bom.P32.2 Ouvem rádio na televisão?Margarida: Oh, muitas vezes.P32.3 Porquê?Margarida: Porque gosto de ouvir a RDP África.P33. Como imagina que a televisão venha a ser daqui a 10 anos? Acha que vai serigual?Margarida: Não. Vão acabar com estas televisões. Agora é tudo LCDs e plasmas. Oaparelho vai ser mais fininho, mas vai ser cada vez maior.P33.1 O que acham dos serviços de vídeo-on-demand e pausaTV?Fátima: Acho bom. Dá jeito.Caracterização de cada indivíduo da famíliaP36. IdadeMargarida (mãe): 35 anos.Jacinto (pai): 40 anos.Célia (filha): 20 anos.Sandra (filha): 18 anos.Fátima (filha): 15 anos.Henrique (filho): 14 anos.P37. Localidade de residência/ Concelho de residênciaFamalicão, Nazaré.P38. Ocupação e ProfissãoMargarida: Auxiliar de Acção Educativa.Jacinto: Pedreiro.Célia: Doméstica.Sandra: Doméstica.Fátima: Estudante.Henrique: Estudante.P39. Habilitações académicasMargarida: 9º ano.Jacinto: 4ª classe.Célia: 9º ano.Sandra: 9º ano.P42. Uso de telemóvelMargarida: Sim. 38
  39. 39. Jacinto: Sim.Célia: Sim.Sandra: Sim.Fátima: Sim.Henrique: Sim.P43. Uso de computadorMargarida: Não.Jacinto: Não.Célia: Não.Sandra: Sim. O do irmão.Fátima: Sim. O do irmão.Henrique: Sim.P44. Uso de internetMargarida: Não.Jacinto: Não.Célia: Não.Sandra: Não.Fátima: Não.Henrique: Não.Nota: Os restantes elementos da família são um recém-nascido e uma criança de 19meses. A caracterização dos elementos da família que não estavam presentes naentrevista foi fornecida pela mãe. 39
  40. 40. Relatório da visita a casa da família 4 (“Pereira”)15-11-2010Valado dos Frades – NazaréIsabel (mãe): 73 anos, reformada.João (pai): 77 anos, reformado.Este relatório apresenta uma síntese da sessão de observação e entrevista semi-estruturada realizada em casa da família “Pereira”, residente em Valado dos Frades, noconcelho da Nazaré, no dia 15 de Novembro de 2010.O agregado familiar dos “Pereira” é composto por um casal: Isabel, de 73 anos, e João,de 77 anos. Os dois têm ritmos muito diferentes. Apesar de reformada, Isabel aindatrabalha - é proprietária de uma retrosaria no rés-do-chão da casa - enquanto João semantém em casa. A visita teve início pelas 14h00 e durou cerca de 90 minutos. Joãoalmoça mais cedo que Isabel, mas faz companhia à esposa, tal como a televisão,sempre ligada em casa dos “Pereira”. No ecrã passa o programa As Tardes da Júlia, naTVI, mas o que os fez escolher aquele canal foi o noticiário, que não gostam de perder.Quem liga a televisão é quase sempre Isabel. Mesmo não estando atenta às imagens, Figura 1 – À hora do almoço, Isabel, de 73 anos, aproveita para ver um pouco de televisão, pois valoriza muito o telejornal 40
  41. 41. «num ou noutro canal», à hora do almoço, tem sempre a emissão nas notícias. «Tudoem português, para poder lidar e ouvir. Às vezes até tenho a televisão muito alta, paraouvir e fazer outras coisas. Quando estou atrasada, já não pode ser nada, tenho queapagar. Porque levamos sempre mais tempo a fazer as coisas quando estamos a vertelevisão». Isabel afirma escolher os programas tendo em conta os momentos do dia eo seu estado de espírito. «Durante o dia tem que ser coisas de acção para medespertar (risos). Lamechices vejo à noite», explica a comerciante, concluindo que vêcerca de quatro horas de televisão por dia, principalmente ao serão. «A televisãofunciona sempre em casa, porque não gosto do silêncio. Muitas vezes não estou aolhar para ela, mas está a funcionar». No trabalho, Isabel não tem televisão, para nãose distrair, e só ouve rádio. No entanto, se lhe tirassem o ecrã do quotidiano, seriadramático. «Ai não. Era difícil. Eu às vezes não sou capaz de adormecer sem vertelevisão. Mas isto também tem a ver com a idade», explica depois de admitir que, emtempos, «já viu outro tipo de programas, mais responsáveis», e que agora só vê TVpara se “distrair” e não para «se meter em assuntos rigorosos».Já para João, a ausência da televisão não faria muita diferença. «Depois de ter optado Figura 2 – Nos últimos anos, João tem visto cada vez menos TV, pois passa a maior parte do tempo na internetpelo computador deixei a televisão», afirma, explicando que liga a televisão à hora dolanche, porque gosta de ver o fórum da SIC Notícias, mas que até o futebol deixou dever na TV para seguir na Internet. «Cheguei a ver muitas horas de televisão. Agora não.Cerca de 45 minutos à hora do almoço e mais um pouco ao lanche». O mundo dosblogues foi o que levou João a «fugir da televisão» e a correr para o computador. Aos 41
  42. 42. 76 anos, criou o seu primeiro blogue e não tardou até idealizar o segundo, que hojeactualiza com a colaboração do genro. «O primeiro blogue foi criado em 2009. Eu nãosabia mexer em computadores, andava à procura das teclas. Todos os dias tinhaproblemas naquilo porque não percebia nada até que dois alunos da escola onde aminha filha dá aulas vieram fazer um estágio à biblioteca do Valado e ensinaram-nos amexer em computadores. (…) Agora o blogue tornou-se o meu vício. E eu era contra aInternet!». João sublinha que a sustentação dos dois blogues lhe exigem horas, masainda tem tempo para «outras pesquisas». «Também tenho que dar resposta aos e-mails que me enviam (…) E à noite, por exemplo, a última coisa que faço é ir àsnotícias. Não vou muito aos jornais, mas vou às notícias isoladas que me interessam.Por exemplo, se vejo que na Nazaré houve um temporal, vou lá clicar para ler anotícia». Isabel faz questão de mencionar que foi ela a dar a ideia de comprar umcomputador portátil e aderir à Internet: «Para fazer pesquisas, que é tão interessante.Pensei que, com o portátil, ele saía de casa e ia para “cascos de rolha” fazer os seustrabalhos. Afinal não. Enfiou-se em casa com o portátil, é impressionante. É capaz deestar horas, horas e horas ao computador».Apesar de estar cada vez mais afastado da televisão, João continua a ter uma opiniãosobre esta. «Sabe o que é que eu tenho contra a televisão? É nós não nos podermosmanifestar em cima do acontecimento porque estão os telefones sempre impedidos(…) As pessoas que falam na televisão muitas vezes falam partidariamente ou“clubisticamente”. Nós (cidadãos) devíamos poder dar sugestões para ajudar».Também Isabel, que gosta de fazer “rally de canais”, considera que os conteúdostelevisivos poderiam melhorar. Questionada sobre a possibilidade de ter um canalsobre a região Oeste, a valadense considerou que «a televisão ganhava muito» comisso. «Pelo menos um canal que fosse mais dedicado a Portugal. Nós temos coisaslindíssimas, buraquinhos lindíssimos. Se houvesse um canal português que sededicasse a esse tipo de conteúdos, se calhar teríamos muito mais turistas do quetemos. A Galiza nesse aspecto é muito mais esperta. Mostra aquilo tudo». Tanto Isabelcomo João sabem utilizar as possibilidades que a sua televisão oferece. Isabel, porexemplo, utiliza o teletexto para ver os números da lotaria. Já João procura conteúdossobre desporto, nomeadamente os resultados e classificação das equipas. 42
  43. 43. No que respeita ao conhecimento, atitudes e expectativas em relação à TV Digital,Isabel e João afirmam já terem ouvido falar nesta (P16), mas Isabel confessa «nãoestar assim muito por dentro» do assunto. Questionado sobre as vantagens deste tipode transmissão, João afirma que ouviu dizer que é «muito melhor», mas revela-se umpouco confuso quanto ao avanço das tecnologias ligadas à televisão. «Agora ainda vaiaparecer outra, não é? Eu, como não estou muito virado a aderir a estastransformações, ou porque nos telefonam ou porque temos lido que vai haver umanova tecnologia, às vezes não aprofundo e não sou capaz de, como agora sugere,explicar o que é». João e Isabel, que têm TV Digital há uma semana, estãoconstantemente a ser contactados, através do telefone fixo, por empresas que osinformam dos novos serviços de televisão, Internet e telefone no Mercado. Foi numdesses telefonemas que João ouviu falar, pela primeira vez, na TV Digital. «Outro diafoi através da oferta de um novo serviço, prestado pela Cabovisão, outras vezes é poroutras empresas, que telefonam a perguntar se já temos os serviços ou se estamossatisfeitos com o trabalho que nos é fornecido e a dizer que têm agora um pacote e“tal”. Depois, numa altura qualquer, foi-nos dito que este sistema que temos é umacoisa efémera e relativamente perto vai acabar». O casal explica que colocou a TVDigital «mais por causa do telefone» pois «vinha tudo junto». Isabel realça que notoudiferença «na cor» e gostou da imagem, para além de o pacote que lhes ofereciam ser“bom”. De acordo com a valadense, a nova caixa que tem por cima da televisão trazserviços com os quais ainda não aprendeu a lidar, mas sabe que existem. «Gravar umprograma enquanto estamos a ver outro. Mais ainda não aprendi, ainda não tivetempo». João e Isabel dizem estar a par do desligamento do sinal analógico de TV(P21), mas desconhecem a data-limite para o processo. «Já falaram sobre isso, masnão liguei assim muita importância».João e Isabel estão a pensar comprar uma televisão nova nos próximos tempos. «Umplasmazinho pequenino. Não pode ser muito grande senão depois é exagero», dizIsabel. João até prevê que, se começar a ter problemas de mobilidade, acabará por terdificuldades em mexer no computador e passará a adormecer a olhar para a televisão.Para o casal, o futuro da televisão é “imprevisível”, mas a evolução é “imparável”. «Euacho que o futuro passa mais pelo telemóvel completo do que propriamente pela 43
  44. 44. televisão. Desde que me conheço, até aos dias de hoje, a evolução é impensável.Nunca me tinha passado pela cabeça as coisas que foram vindo», exclama Isabel. Transcrição da entrevista semi-estruturadaA primeira parte da entrevista fez-se ainda na fase que deveria ser apenas deobservação, tendo em conta as dificuldades em realizar a observação não-participante. Aproveitou-se a altura para se falar sobre o consumo que a família fazde outros media, como o computador, tendo o tema surgido espontaneamente.João: Eu tenho dois blogues. Veja lá que até tenho dois blogues com esta idade!(risos). Um, durou um ano, ainda o tenho e depois fiz um segundo blogue em que eusou o fornecedor do material e o meu genro faz a paginação. Eu só tenho a 4ª classe.Como ele tem muito mais capacidades, faz a contextualização da informação e apaginação. Por exemplo, se quero falar da terra da abóbora, ele vai fazer uma pesquisae vai escrever que a abóbora veio da América, etc. Ou seja, faz o complemento àsminhas informações. Ontem houve Crisma e eu fiz fotografias e, passado uma hora, játinha no blogue parte delas. Tenho é alguma dificuldade no sentido em que tenho naminha cabeça uma orientação e depois sai ao contrário porque o blogue é aocontrário. A primeira coisa que pus vem no fim. Eu procuro orientar-me nesse aspectoporque a nível de datas, etc. aquilo é uma miscelânea que não tem pés nem cabeça. Oblogue que o meu genro organiza já não é assim. Está tudo impecável porque ele osabe paginar. O primeiro blogue foi criado em Agosto de 2009, quando tinha 76 anos.Eu não sabia mexer em computadores, andava à procura das teclas. Todos os diastinha problemas naquilo porque não percebia nada até que, em Julho de 2009, doisalunos da escola onde a minha filha dá aulas vieram fazer um estágio à biblioteca doValado e ensinaram-nos a mexer em computadores. (…) Agora o blogue tornou-se omeu vício. E eu era contra a internet!Isabel: Eu é que lhe dei a ideia de ele comprar um portátil e pôr internet, para fazerpesquisas, que é tão interessante. Pensei que, com o portátil, ele saía de casa e ia paracascos de rolha fazer os seus trabalhos. Afinal não. Enfiou-se em casa com o portátil, éimpressionante. E é capaz de estar horas, horas e horas ao computador. Por mim tudobem! Ele antes era contra a internet. Dizia que era muito viciante e perigoso. Afinal sãohoras e horas…João: A sustentação de dois blogues, a busca de fotografias e a organização por temasexigem horas. Depois também tenho que dar resposta aos e-mails que me enviam.Quando se chega a noite, vou lá ver e já lá tenho trinta coisas para ir abrir. Algunsdizem-me assim “Ah eu nem os abro, mando-os para o lixo”, mas eu respondo “Epá, eupara saber se são bons ou se não prestam tenho que os abrir!”. E os que me conhecemsabem que há coisas que para mim não têm interesse e podiam ter um bocadinho decuidado em não enviar esses mails. 44
  45. 45. Isabel: (Explica ao marido) Mas as pessoas quando acham alguma coisa interessanteenviam para a lista toda de contactos. É isso que eles fazem. Mas o João não enviaassim, o João faz a escolha.João: (…) Em relação às outras buscas. Por exemplo, à noite, a última coisa que faço éir às notícias. Não vou muito aos jornais, mas vou às notícias isoladas, que meinteressam. Por exemplo, se vejo que na Nazaré houve um temporal, vou lá clicar paraler a notícias. Em relação a compras ou sites de outros países, não vou muito. No mail,faço categorias para todos os temas “Católicas, Maliciosas, Amizade”, etc. Se meenviam e-mails sobre a América ou as Cataratas do Niágara ponho-as numa pasta egosto, mas não sou de ir procurar esses temas.E a Isabel, também usa a Internet?Isabel: Não. Só quando ele me chama para ver alguma coisa. Nem tinha tempo!João: Ela é mais televisão…Isabel: Há uma coisa muito importante. Mesmo que eu (olham um para o outro eriem-se) quisesse ou me disponibilizasse para ir à Internet não podia porque estásempre ocupada! Mas não tenho essa necessidade porque tenho o dia muito ocupadoe à noite fico cansada e vejo um bocadinho de televisão. Mas já vi outro tipo deprogramas, mais responsáveis e assim…Agora não, agora vejo para me distrair, nãovou para me meter em assuntos rigorosos. Também sou capaz de ver, mas vejo maistelevisão para me distrair. Por exemplo, vou muitas vezes à “Travel”, que tem coisasmuito engraçadas e eu gosto de ver, mas é preciso estar bem. De manhã tenho umhábito tremendo de acender a televisão e de ver parte das notícias, nem que seja aparte dos jornais (Revista de Imprensa). Estou sempre à espera que eles apareçam.Eles dão os cabeçalhos dos jornais e fico mais ou menos a saber o que é que se passa.Porque, muitas vezes, chego aqui à hora do almoço e já passou da uma e as notícias jáavançaram. Mas estou sempre nas notícias. Num ou noutro posto (canal), estousempre nas notícias. É tudo em português, que é para eu poder lidar e ouvir. Às vezesaté tenho a televisão muito alta, para ouvir e fazer outras coisas. Às vezes, quandoestou muito atrasada, já não pode ser nada, tenho que apagar. Porque levamossempre mais tempo a fazer as coisas quando estamos a ver televisão porque semprenos distraímos. Se há uma ou outra novela que me interesse – o que é raro acontecer –até vejo. Ultimamente até tenho visto uma no primeiro canal depois de almoço – das14h30 às 15h00 - mas não quer dizer que veja sempre. É muita acção, eu gosto muitode acção. Lamechices vejo à noite. Durante o dia tem que ser coisas de acção para medespertar (risos).P8. Quantas horas de televisão vê por dia (em média)?Isabel: À noite vejo bastantes. Cerca de 4 horas por dia. A televisão funciona sempreem casa, porque não gosto do silêncio. Muitas vezes não estou a olhar para ela, mas atelevisão está a funcionar. Não estou a olhar, mas estou a ouvir, porque é português.Se for estrangeiro não, porque tenho que estar a olhar para as legendas.Mas também vê facilmente programas com legendas? 45
  46. 46. Isabel: Vejo muito. Filmes principalmente.Gostava que esses filmes fossem dobrados em português?Isabel: Não, não. Eu penso que, a partir do momento em que a televisão portuguesadeixar de legendar filmes, vai haver muitos mais analfabetos em Portugal. Porquequem gosta de ver um bom filme e não sabe falar inglês, italiano ou até mesmo oespanhol, se vir um filme dobrado deixa de saber definir as línguas. Eu posso nem estara olhar, mas sei que é um filme inglês que está a dar. Aprende-se qualquer coisinha,sabemos como é que os actores falam, sabe-se isso tudo. E se for dobrado emportuguês não tem graça. Mas durante o dia não vejo televisão. No trabalho não tenhotelevisão, só ouço rádio. Quando vêm clientes, baixo um pouco o volume, mas quandoestou sozinha aumento o som porque não gosto de estar em silêncio. Na casa dacostura ainda tenho outra coisa – o meu marido perguntou-me porque é que eu acomprei – que é um leitor de CDs. E quando estou sozinha, a passar a ferro ou a fazerqualquer coisa para mim, e preciso de descansar a cabeça e não estar nervosa, ponhoos meus “cdzinhos”.João: Rádio temos por todo o lado, se for preciso ligá-los. Como na retrosaria nãotemos televisão, ela tem o rádio todo o dia aberto. No leitor de CDs lá ouve a AnaMoura…Isabel: É engraçado, porque eu não era muito de ouvir fados, mas é o que tenho lámais.O facto de usarem tanto o computador e o rádio quer dizer que, se vos tirassem atelevisão do dia-a-dia, não seria dramático?Isabel: Ai não. Era difícil. Eu às vezes não sou capaz de adormecer sem ver televisão.Mas isto também já tem a ver com a idade.Então, mesmo utilizando outro tipo de media, a televisão continua a ser central parasi?Isabel: Para mim é.E para o João?Isabel: Para ele não…João: Depois de ter optado pelo computador deixei a televisão. Vejo sempre à hora dolanche, por volta das 17h00, ligo a SIC Notícias porque gosto de ver o fórum. Vejo umbocado de futebol, mas até deixei de ver o futebol na televisão (risos). Quando dá naSport TV, já não vou ao café ver, vejo na Internet. Cheguei a ver muitas horas detelevisão. Agora não. Cerca de 45 minutos à hora do almoço e mais um pouco aolanche.Isabel: Ele foge da televisão. Ele ultimamente foge da televisão. Mas isso, pelo que eume apercebo, quase todas as pessoas que têm o computador e a internet vêem poucatelevisão. 46
  47. 47. João: Quase não vejo televisão.Substituiu o consumo de televisão pelo consumo do computador e internet?João: Um bocado.Isabel: Ainda em relação à televisão. E gosto de fazer rally de canais também. Gosto docanal 2. Acho que tem coisas muito giras. Tem aquele programa, perto da meia-noite(Bairro Alto), com um rapazinho – esqueci-me do nome dele, às vezes não sei osnomes – muito simples, mas conhecedor. Gosto daquela maneira de entrevista. E égiro porque ele leva lá muita gente nova e falam sobre música, sobre isto e sobreaquilo e vê-se muito bem. Também via o “5 para a Meia Noite” porque achava piada. Egosto das séries inglesas. Eu sou diversificada nesse aspecto.P2. Quais os programas dos quais não gosta?Isabel: Sei lá, quando eles ralham muito não me apetece ver. Debates malcriados. Àsvezes ainda ficava a ver para depois falar sobre isso, mas depois pensava assim “Ai nãoestou para te aturar”. Já gostei mais do que gosto daquele debate da segunda-feira(Prós e Contras). Acho que a apresentadora, quando não lhe agrada aquilo que o outroquer dizer, corta muito. E eu não gosto muito dela. Também não gosto muito da JuditeSousa.Acha que esses programas prestam serviço público?Isabel: Não presta tanto serviço como eles podem pensar. É um debate de alerta, masnem todos os portugueses estão preparados para esse tipo de debate. Ouvem, masnão entendem. Por isso é que eles dizem todos: “Ah, fala-se nisto e fala-se naquilo masnunca se resolve nada”. Nem tem que se resolver. É para alertar o problema. Mas jáouvi mais esses programas. Às vezes fazem muito barulho.João: Sabe o que é que eu tenho contra a televisão? É nós não nos podermosmanifestar em cima do acontecimento porque estão os telefones sempre impedidos.Acham que os programas de televisão deviam ser mais interactivos?João: Eu acho que sim. As pessoas que falam na televisão muitas vezes falampartidariamente ou clubisticamente. Nós (cidadãos) devíamos poder dar sugestõespara ajudar.Se a televisão tivesse mais canais regionais, que mostrassem mais Portugal, issoagradar-vos-ia?Isabel: Era. Porque, por exemplo, no canal “Travel” há, de facto, um português masnão é à hora boa para mim.Se houvesse, por exemplo, um canal sobre a região oeste, acham que erainteressante?Isabel: Ai eu acho que sim. A televisão ganhava muito. Ou pelo menos um canal quefosse mais dedicado a Portugal. Nós temos coisas lindíssimas, buraquinhos lindíssimos. 47
  48. 48. Se houvesse um canal português que se dedicasse a esse tipo de conteúdos, nós secalhar teríamos muito mais turistas do que temos. A Galiza nesse aspecto é muito maisesperta. Mostra aquilo tudo.P12. (família) Quantos televisores têm em casa? Em que divisões?Isabel: Agora só temos duas. Já tivemos três. Uma na sala e outra na cozinha.P11. Onde vê mais televisão?Isabel: Eu vejo mais na sala.João: Eu é mais na cozinha.P13. (família) Quando compraram o último televisor?Há uns cinco, seis anos.P14. (família) Estão a pensar comprar um televisor nos próximos 12 meses?Isabel: Eu acho que sim (risos). Esta (da cozinha) voltará para o quarto porque épequenina. Vai uma nova para a sala, assim mais direitinha, destas agora novas. Umplasmazinho pequenino, não pode ser muito grande senão depois é exagero.P15. Usa teletexto? Em caso positivo, que tipo de informação procura?Isabel: Utilizo o teletexto para ver os números da lotaria.João: Eu é o desporto. Para ver as classificações, o resultado dos jogo.Isabel: E às vezes também vou procurar páginas e leio alguma coisa q acheinteressante. E quando não sei muito bem e estou intrigada sobre uma notícia vouprocurar a notícia e vejo. Isso sou capaz de fazer, mas não sou capaz de fazer muitascoisas.II – TV digital: conhecimento, atitudes e expectativasP16. Já ouviu falar de TV digital?João: Ouvir falar já ouvi…Isabel: Pois, mas não estou assim muito por dentro…P17. Que vantagens associa à TV digital?João: São uns ladrões (risos) porque eu tinha um aparelho que via a SportTV e elesvieram tirá-lo. Quando nós não tínhamos televisão digital comprámos um aparelho –havia quem vendesse - que era ligado à televisão, e a gente via a SportTV.Isabel: Oh João, mas isso era pirata… Estavas sempre aflito. Ele até a utilizava e, àsvezes, ficava com medo.João: Depois veio a digital e o aparelho deixou de ter funcionalidade. Mas isto é um“entre-aspas”. Ouço dizer que a TV digital é muito melhor. Agora ainda vai aparecer 48
  49. 49. outra, não é? Eu, como não estou muito virado a aderir a estas transformações, ouporque nos telefonam ou porque temos lido que vai haver uma nova tecnologia, àsvezes não aprofundo e não sou capaz de, como agora sugere, explicar o que é.Onde é que ouviram falar na TV digital?João: Outro dia foi através da oferta de um novo serviço, prestado pela Cabovisão,outras vezes é por outras empresas, que telefonam a perguntar se já temos os serviçosou se estamos satisfeitos com o trabalho que nos é fornecido, a dizer que têm agoraum pacote “tal”. E depois, numa altura qualquer, foi-nos dito que este sistema quetemos é uma coisa efémera e relativamente perto vai acabar.P20. Porque razão têm TV digital?João: Foi mais por causa do telefone. Vinha tudo junto.Isabel: Para mim teve mais influência a cor. Gostei da imagem. E como o pacote foibom…Quando é que aderiram a este pacote de TV digital?João: A semana passada. Porque acabou o outro pacote que tínhamos.Isabel: E isto traz coisas que ainda não aprendi, mas sei que tem, que é gravar umprograma enquanto estamos a ver outro. Mas ainda não aprendi, ainda não tivetempo.P21. O sinal analógico de TV, com os 4 canais de TV gratuitos, vai ser desligado -sabia?Sim.P22. Quando é essa data-limite: tem ideia?Já falaram sobre isso, mas não liguei assim muita importância.P25. Daqui a 5 anos, acha que vai ver mais televisão, menos ou o mesmo tempo doque vê hoje em dia?Isabel: Eu acho que enquanto tivermos capacidade para ver e compreender, vamos vertelevisão. Se estivermos doentes não apetece porque cansa. Mas se calhar vamos vermenos.João: Eu, se calhar, é o contrário. Começo a ter dificuldades em mexer no computadore deixa-me adormecer a olhar para a televisão (risos). Digo eu, mas isso é no caso deperder a mobilidade, etc.Isabel: É a presença. Eu não gosto muito de estar só.P26. Como imagina que a televisão venha a ser daqui a 10 anos? 49
  50. 50. Isabel: Da maneira como as coisas estão a avançar, hoje é de uma maneira, amanhã éde outra… É rápido. Isso aí faz-me pensar.João: É imprevisível dizer o que é amanhã, quanto mais daqui a anos… É uma coisaimpressionante o que o telemóvel hoje faz. É imparável de tal forma que suponho queum dia isto ainda vai ser destruído porque infelizmente está na mão do Homem e nacapacidade dele poder destruir ou destruir-se.Isabel: Eu acho que o futuro passa mais pelo telemóvel completo do que propriamentepela televisão. Desde que me conheço, até aos dias de hoje, a evolução é impensável.Nunca me tinha passado pela cabeça as coisas que foram vindo.Caracterização de cada indivíduo da famíliaP36. IdadeIsabel: 73 anos.João: 77 anos.P37. Localidade de residência/ Concelho de residência/ Distrito de residênciaValado dos Frades, Nazaré, Leiria.P38. Ocupação e ProfissãoAmbos reformados, mas Isabel ainda trabalha numa retrosaria.P39. Habilitações académicasAmbos possuem a 4ª classe.P40. Nível de rendimento da família (Se tivesse de se enquadra num escalão derendimento com 3 níveis: baixo, médio, alto. Em qual se enquadraria?)P41. Nº de pessoas no agregado familiar2 pessoas.P42. Uso de telemóvel (S/N; if S, quantos anos de experiência ou nível decompetência?)Sim.P43. Uso de computador (S/N; if S, quantos anos de experiência ou nível decompetência?)Sim. João usa desde 2009. Isabel só usa quando o marido a chama para ver algumacoisa.P44. Uso de internet (S/N; if S, quantos anos de experiência ou nível decompetência?)Sim. João utiliza a Internet diariamente.P45. Equipamentos de entretenimento doméstico e pessoal (rádio, VCR, DVD, etc.)Duas televisões e rádios. 50
  51. 51. Relatório da visita a casa da família 5 (“Santos”)19 de Outubro de 2010AlenquerCatarina: 73 anos, reformada.Este relatório apresenta uma síntese da sessão de observação e entrevista semi-estruturada realizada em casa da família “Santos”, residente em Alenquer, no dia 19de Outubro de 2010. Figura 1 – Catarina, reformada de 73 anos, usa um televisor antigo, que já não funciona, como base para outro, de modo a que este ultimo fique mais altoA família “Santos” é composta por apenas um elemento: Catarina, de 73 anos,reformada desde os 35. A entrevista teve início pelas 15h00 e durou cerca de 90minutos. Catarina mostra o quarto onde vê televisão. Em cima da cómoda tem doistelevisores, um em cima do outro, mas apenas um funciona. «Esta televisão quandoveio para cá já não trabalhava. Trouxe-a para pôr a outra em cima dela, porque senãoficava muito baixa», explica. É deitada na cama que vê mais televisão. Quando não saide casa, vê televisão quase todo o dia. «Levanto-me às 07h00 e ligo a televisão só paraver o tempo que vai fazer. Depois fico a ver as notícias e só depois é que costumomudar de canais à procura daquilo que mais gosto», descreve Catarina, acrescentandoque vê sempre, pelo menos, cinco, seis horas de televisão por dia. «Passo muito temposozinha», refere, quando lhe pedem para descrever um dia 51

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