Copia-me o livro

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O presente documento de investigação é um objecto de consciencialização crítica sobre o download legal e ilegal de música e uma análise acerca do comércio da indústria fonográfica, mais especificadamente a empresa CDgo – loja de música da cidade do Porto.

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Copia-me o livro

  1. 1. INTRO “Copia-me” O presente documento Esta contribuição é um projecto com de investigação do Design relevância social, é um objecto de Comunicação cultural e comercial, de consciencialização não surge de uma que pretende criar crítica acerca desta solicitação da empresa, debate sobre problemática mas de um resultado o download legal e uma análise sobre de percepção do e ilegal de música, o comércio mercado, de modo numa sociedade da indústria a responder de forma de consumo fonográfica, mais original e sustentada, e de disseminação especificadamente revelando uma da informação. a empresa CDgo – loja atenção peculiar de música da cidade como Designer do Porto. e como Música. Graciela Coelho
  2. 2. ÍNDICE copia-me o projecto 5 copia-me o postal 9 copia-me a opinião 13 copia-me no facebook 29 copia-me no wordpress 39 copia-me o notebook 43 copia-me o livro 63
  3. 3. COPIA-ME COPIA-ME o projecto o projecto A CDgo teve início em 1978, numa Para assegurar o seu Surgem novos media, 5 loja do Centro Comercial de Cedofeita, sucesso e fidelizar como o mp3, mp4, ou o público, a CDgo mesmo o iPod, e o CD no Porto, com a designação de JoJo’s investe neste canal torna-se obsoleto. Music, transferindo-se em 1999 para de comercialização, A compra a Rua de Cedofeita – instalações actuais introduz novas de música online – num edifício tradicional do século xx funcionalidades, tem movimentado de três pisos, com auditório, uma sala e dispõe títulos o mercado na Internet. difíceis de encontrar A Apple, desenvolveu vintage, e a respectiva loja. em empresas um software de concorrentes. reprodução de áudio, Os produtos disponibilizados desde o início o iTunes, compatível da sua fundação, no comércio de música, foram A diversificação com computadores os discos de vinil e cassetes, e mais tarde os CDs, decorre, também, pela de sistemas DVDs e SACDs. Para além da loja de música, aposta em actividades operacionais Mac a empresa, em 1998, pensou em desenvolver complementares, OS x e Windows. um site de comércio electrónico – www.jojomusic. como a organização de O iTunes contém com. Só em Dezembro de 2003 foi lançada exposições e concertos, um componente, a marca CDgo, em simultâneo com a apresentação e pela oferta adicional o iTunes Store, da 3ª versão do site. Nesta época, a componente de livros e revistas. pelo qual os usuários de vendas online ultrapassou a das vendas na loja, podem comprar e, assim, a empresa transitou de um mercado Contudo, com arquivos digitais, local para um mercado nacional e, recentemente, a crescente utilização como músicas. internacional. A CDgo preocupa-se em apresentar de tecnologias digitais um site como um instrumento de fácil navegação e com a Internet, os Nesta era da mobilidade e pesquisa, pela grande quantidade de informação modos de distribuição da informação, que já disponível – oferta de produtos e serviços. e consumo de música não está fechada num são, maioritariamente, suporte material, de acesso directo perde-se um símbolo e utilizado cultural, digno de de forma ilegal. menção, como o Vinil.
  4. 4. Note-se que o disco de Vinil não é um formato que estimula a pirataria e, para Estas transformações além disso, é uma “Este álbum o projecto COPIA-ME exercem influência peça gráfica agradável, na opinião em relação considerada um artigo contém músicas ao download de música de luxo/colecção – que podem ser na Internet. Opiniões, capas com um grande estas, diferentes volume de informações duplicadas ou 6 entre consumidores, sobre o álbum, reproduzidas músicos, editoras, os pormenores entre outros. A verdade da ilustração, livremente é que cada vez mais fotografia, tipografia. existe uma tendência Autorizado pelo de disponibilização Após esta análise, Decreto-lei n.º do trabalho do próprio pensou-se na edição artista, para conseguir de um Vinil como 63/85, de 14 introduzir-se objecto de motivação de Março. no mundo da música. para o debate sobre esta problemática. Artigo 31º)”. Reflectiu-se que, adoptando novamente o Vinil como formato principal de distribuição de música, seria uma adequada aposta comercial e uma forma de revivalismo e valor à música enquanto Existem músicas que suporte material. já não têm direitos de autor, nem de reprodução. Refere o artigo que “o direito de autor caduca, 70 anos após a morte do criador, mesmo que a obra só tenha sido publicada ou divulgada postumamente”.
  5. 5. COPIA-ME o projecto 7 Num objecto O design desta O álbum seria posteriormente, que significa, edição em vinil foi distribuído no auditório da loja, intelectualmente, desenvolvido, gratuitamente, a nível com músicos, editoras, o incopiável, de forma manual, nacional, com o apoio críticos, entre outros. o conteúdo pode ser em papel milimétrico, da CDgo, não apenas copiado. Copiar o que para que possa para criar discussão “Copia-me!” já é de todos revela ser reproduzido e reflexão sobre a ironia pretendida facilmente. As cores o download legal para debate. foram alteradas para e ilegal de música, o seu inverso, de forma mas também a obter mais contraste promover um debate e robustez. a ser realizado,
  6. 6. Apostou-se na divulgação do projecto, o projecto COPIA-ME com a criação de um blogue – no serviço WordPress.com – e de uma página comunitária na Rede Social Facebook, de forma a obter proveito sobre “O Poder do Efeito Viral”. 8 O projecto foi proposto na CDgo, no dia 22 de Maio de 2010, onde foram detectados alguns contratempos. Era possível, apenas, a reprodução de um exemplar do Vinil. Visto que a edição seria distribuída gratuitamente, implicava alguns gastos monetários não oferecendo consideráveis vantagens à CDgo. Após a verificação deste obstáculo, pensou-se em desenvolver o livro “Copia-me” que reúne um conjunto de testemunhos e expressões individuais – sobre a pirataria, os direitos de autor, a disponibilização gratuita de músicas pelos próprios autores, e o retorno do vinil como uma estratégia comercial, visto que o cd já não contempla – com um artigo de opinião e com a pro-actividade do público que aderiu ao projecto na Rede Social Facebook. Para além de ser um livro que não exige grande dispêndio na sua reprodução, torna-se um objecto de divulgação da empresa CDgo, de consciencialização sobre esta problemática, (que serve como guia de alguns aspectos/opiniões a ter em consideração no dia do debate) funcionando, também, como notebook.
  7. 7. COPIA-ME o postal COPIA-ME o postal 9
  8. 8. COPIA-ME 10 o postal
  9. 9. COPIA-ME o postal Deverão as pessoas ter acesso a uma COPIA-ME obra como forma o postal de conhecimento e participação activa, cultural e crítica 11 na sociedade? “Sou filosoficamente contra o próprio conceito de direito de autor em qualquer arte. Aceito receber direitos de autor porque é a única forma possível, embora desviada, de a comunidade me permitir usar o meu tempo a inventar mais canções. Mas, salvo em casos de utilizações comerciais, ou para fins lucrativos privados, nunca me servi dos direitos de autor para autorizar ou deixar de autorizar. As minhas canções saem de casa como os filhos, e vão à sua vida.
  10. 10. Usem-nas como quiserem, as acções ficam para quem as pratica, a comunidade que assuma a crítica.” José Mário Branco Este postal foi desenvolvido com base na opinião de José Mário Branco, em que refere que “as canções são como filhos: o postal COPIA-ME geram-se, nascem, crescem e depois vão à sua vida.” Quis-se representar na ilustração, o poder 12 e velocidade da reprodução – os filhos, mais rebeldes, que querem rapidamente sair de casa e aqueles que se apaixonam, casam e têm filhos, e assim por diante. A vantagem dos postais é que dispensam do uso do envelope tornando a correspondência simples e barata, e, por esse motivo, foi escolhido como suporte gráfico para difusão de informação. O postal será distribuído em locais públicos adequados para o efeito, como escolas, cafés e salas concerto.
  11. 11. COPIA-ME a opinião Os testemunhos que prestaram opinião, foram seleccionados conforme o seu perfil – formação e trabalho – e, na maioria dos casos, pela adesão ao projecto COPIA-ME Copia-me na Rede a opinião Social Facebook, sendo, de igual forma, analisado o seu perfil. Durante o processo 13 de comunicação com os testemunhos, surgiram algumas dificuldades pela pouca disponibilidade em desenvolver um artigo de opinião.
  12. 12. Foram comunicados, via email, cerca de 50 possíveis testemunhos, individuais e colectivos, 12 responderam ao contacto. a opinião COPIA-ME Dentro do prazo estipulado, apenas 5 deram opinião. Foi pertinente 14 e fundamental o trabalho de campo, com o intuito de recolher e ter conhecimento de diversas opiniões críticas, de modo a obter uma reflexão sobre a problemática analisada neste projecto.
  13. 13. “VIVEMOS NUMA SOCIEDADE CAPITALISTA.” “A minha opinião seria apenas a de uma pessoa que ouve música, não estou de forma alguma envolvida no processo de produção musical. No fundo, sou aquilo a que gostam de chamar de consumidor - embora não perceba bem essa visão utilitária do objecto cultural e artístico. Existem músicos com visões bastante COPIA-ME interessantes sobre esse tema: Adolfo Luxúria a opinião Canibal (dos Mão Morta) e José Mário Branco. O download tido como ilegal não considero YOURI PAIVA como um problema. Problema é existir cada vez mais aquilo a que chamamos de produtos Download 15 Idade culturais, como se a cultura e a arte fossem mero 25 anos entretenimento e que, como todo e qualquer Referências Naturalidade Roterdão, Holanda produto, deve-se pagar para se usufruir dele Adolfo Luxúria Canibal; Localização actual (eu acho que pagar seja o que for é um mau José Mário Branco. Lisboa, Portugal princípio, mas vivemos numa sociedade Karl Marx. capitalista e entrar com demasiado Marx Formação faria com que entrássemos no campo Licenciatura em História do hipotético - e a CDgo quer lá saber do Marx na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; para alguma coisa). Ora bem, a arte – como Curso de Fotografia objecto que reflecte uma necessidade de um autor no Ar.Co - Centro de Artes mudar qualquer coisa neste mundo – não pode e Comunicação Visual; Curso de Fotografia ser encarada como produto para consumo, mas no MEF - Movimento sim como algo que é fundamental, necessário Expressão Fotográfica. e, por isso mesmo, deve estar totalmente disponível para toda a população. Ocupação Fotógrafo e Estagiário No fundo, não me interessam novas formas na Associação Casa da Achada – Centro de explorar o mercado. Interessa-me Mário Dionísio. que deixe de existir mercado.”
  14. 14. “ESTA SITUAÇÃO ENVOLVE UMA MUDANÇA DO PARADIGMA DA INDÚSTRIA MUSICAL.” ARTUR MOREIRA a opinião COPIA-ME Idade “Como me parece fácil 26 anos de perceber, para o Naturalidade Porto, Portugal autor é extremamente Localização actual vantajoso ver a sua 16 Amesterdão, Holanda obra difundida de maneira a conseguir Formação chegar (ou seja, Licenciatura ser efectivamente em Engenharia Civil; Certificado em Estudos ouvida) a um público de Jazz – New England à escala mundial, Conservatory, Boston. como contrapartida vê-se despido de Ocupação remuneração por parte Eng. Civil e Músico da pessoa que entra em contacto com a sua criação. Não fosse o facto desta escolha não poder ser feita pelo autor (apesar de algumas vezes o ser) e esta situação não me pareceria tremendamente injusta.
  15. 15. COPIA-ME a opinião Por outro lado, que de outra maneira de arte é vista dentro dos agentes seriam impossíveis, e remunerada. envolvidos, o que compensam o pouco Pela minha parte Download soma mais perdas que já recebia com creio que é muito será a parte das a venda dos Cds. mais uma mudança 17 editoras que vêm de paradigma...” os seus lucros Tendo isto em mente Comprar muitíssimo minorados acho que convém sem a existência reflectir sobre de nenhuma se esta situação contrapartida, envolve uma mudança ao contrário do autor do paradigma da que vê a difusão indústria musical da sua obra aumentar (de direcção inversa de tal maneira à mudança introduzida que muitas vezes quando a música os lucros provenientes começou a ser dos concertos, difundida de maneira física pelas editoras) ou se realmente existe um retrocesso em relação à maneira como a autoria de uma obra
  16. 16. COPIA-ME 18 a opinião
  17. 17. “FONTE DE PROGRESSO E GLOBALIZAÇÃO” MIGUEL QUEIRÓS “Há alguns anos atrás de lucros em si e ir buscá-lo podíamos gravar astronómicos a serviços associados. Idade programas de TV montado e se recusam Enquanto as editoras 31 anos para ver mais tarde, a actualizá-lo. não mudarem Naturalidade Vale de Cambra, Portugal podíamos gravar O sistema de venda de atitude, a ‘guerra’ COPIA-ME Localização actual as nossas músicas de música tradicional vai continuar, ainda a opinião Vila Nova de Gaia, Portugal para ouvir no ‘faliu’, é um facto, há mais que os piratas walkman, e isso que acordar! não sentem que Formação era normal. Agora, estejam a cometer Licenciatura chama-se pirataria! As editoras têm nenhuma ilegalidade em Arquitectura na Escola Superior de deixar de ver devido aos lucros 19 Artística do Porto (ESAP). Ao invés do que nos a pirataria como astronómicos obtidos querem fazer crer, um inimigo, pelas editoras Ocupação a ‘guerra’ da pirataria e olhá-la como que não chegam Arquitecto na internet não é fonte de progresso aos artistas, na EVA | evolutionary architecture. travada entre os e de globalização. e medidas como artistas e os ‘piratas’, É facilmente a do governo francês é uma guerra entre observável que que visam penalizar as editoras e os o valor de um artista os internautas ‘piratas’. A questão ‘aumenta’ graças que não controlem fulcral da pirataria, à difusão que obtém o acesso de terceiros é uma questão com a pirataria, aos seus computadores, de comodismo, porque não só servem para exaltar de falta de querer rentabilizar esse os ânimos.” acompanhar valor acrescentado a evolução tecnológica em concertos, e social por parte merchandising, entre das editoras que outros, descentrando Download têm o seu sistema a fonte de lucro de obtenção principal do produto
  18. 18. “ANEXO DE CAUSALIDADE” TIAGO ESTEVES Idade 31 anos Naturalidade Barcelos, Portugal Localização actual Londres, Reino Unido Formação Licenciatura em Direito a opinião COPIA-ME na Universidade de Coimbra; Licenciatura em Música Comercial na Universidade 20 de Westminster. Ocupação Membro e fundador do projecto Katzgraben e do projecto The Sound of Places (TSOP).
  19. 19. “Poder-se-ia aqui não físico acabou por Pouco relevante será discutir infindáveis se tornar a referência discutir legalidades de tópicos sobre aquilo de praticabilidade partilhas de ficheiros, que mais ‘preocupa’ e o alimento de um inventar ‘perseguições a indústria musical novo objecto – o a piratas’ de forma mundial e os seus leitor de mp3 ou ipod. repressiva e ineficaz, alicerces já corroídos Por outro lado, essa criar novas leis que e enferrujados. mesma ‘revolução’ venham preencher É uma indústria em digital veio trazer lacunas impossíveis. crise, em decadência estúdios caseiros para Toda a gente sabe (ou visível, a espingardar dentro dos quartos deveria saber) que os mecanismos inócuos e uma corda para o direitos de autor são sobre direitos de autor, pescoço das grandes de uma complexidade pirataria e o milagre editoras, grandes única, até que por do aparecimento produtoras, grandes para a sua existência de um novo formato estúdios. Tudo se imaterial precisam que venha consentir tornou mais acessível de visibilidade, tacto, o ‘controlo’ que o e mais democrático. de um suporte físico digital vulgar mp3 Não vale a pena tentar qualquer que venha não permite. O mais analisar aqui todos dar-lhes relevância COPIA-ME impressionante é que os pormenores. Seria não só jurídica mas a opinião ainda não percebeu tarefa impossível para também cultural, (ou não quer perceber) tão poucas palavras. O artística e social. que a era digital já que importa dizer aniquilou um negócio é que se vive hoje uma de décadas, leitmotiv mudança inevitável 21 da globalização de formas de ouvir, da música pop, editar, gravar e e termómetro partilhar música. de estratégias comerciais que de artístico têm muito pouco. Nada que não fosse previsível. Primeiro, veio o CD, o formato perfeito, que destruiu o supremo vinil, o último prazer analógico. Depois, após inúmeras tentativas de encontrar um formato áudio ainda mais perfeito (blu-ray, dvd- audio, etc), o formato
  20. 20. Colocam-se hoje inúmeras questões: Existe realmente Existe uma efectiva Será justo impedir Será realmente eficaz a opinião COPIA-ME um nexo de oferta de um formato uma democratização uma ‘perseguição’ causalidade físico com valor, isto é, cultural em prol do à tal pirataria (uma entre downloads será justa a cobrança valor da propriedade pirataria que nem (supostamente) de determinados sobre direitos de autor? é pirataria pois ilegais e a descida valores por uma mera nela não existem 22 das vendas caixa de plástico com ambições de copiar fonográficas? um CD dentro? e revender um produto) para benefício da divulgação artística?
  21. 21. O músico é a peça fundamental deste xadrez. COPIA-ME Possui toda a liberdade de disponibilizar a opinião a sua própria música ao preço que quiser, Download e sob o formato que considere mais apropriado. É também a ele que se pede a tomada de consciência relativa aos seus direitos como criador (o direito de autor existe Comprar 23 a partir do momento em que a obra é criada) e o desprendimento de ‘indústrias lucrativas’ de pseudo-sociedades que se dizem protectoras. Essa tomada de consciência deve estender-se também a todos os âmbitos de produção artística. Com determinação e sem hipocrisias. Talvez seja esta uma perspectiva que parte de um certo diletantismo, mas tal não é justificação para dar azo à desconfiança ou à confusão de interesses antagónicos. O músico deve ser soberano para que perdas de autoria na hierarquia de uma indústria caduca não se repitam. E à célebre discussão sobre a eventual ilegalidade de partilha de ficheiros deve ser acrescentada uma valente dose de pragmatismo. Antes perder a fonte de lucro do que vender a alma ao diabo.”
  22. 22. “NOVA ORDEM” NUNO CATARINO Idade 30 anos Naturalidade Esposende, Portugal Localização actual a opinião COPIA-ME Lisboa, Portugal Formação Licenciatura em Publicidade e Marketing na Escola Superior 24 de Comunicação Social; Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Ocupação Assessor para a Comunicação e Marketing na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima; Crítico de Jazz no Público; Colaborador da Jazz.pt e do Bodyspace.
  23. 23. “Além de ter alterado A partir de 2003 pelo próprio de forma definitiva a indústria da música consumidor) a forma como começou a dar provas e deixando são percepcionados, da sua capacidade a possibilidade consumidos de reinventar o seu ao utilizador de pagar e comercializados negócio, criando 10 USD pelo envio diversos dispositivos novas áreas de uma edição física. culturais, a internet de negócio, Estes novos modelos revolucionou de forma especificamente de negócio, ainda que notória o negócio através da internet pouco comuns, são da música. Se ao longo (online music) já representativos da história, a indústria e do telemóvel da emergência uma se habituou (mobile music). nova era no mundo a diversas evoluções, da música. O próprio nomeadamente Em 2007 o grupo Girl Talk utiliza como quando se assistia britânico Radiohead método de trabalho à substituição do disponibilizou o seu a recolha de samples paradigma do principal disco ‘In Rainbows’ de outros artistas, suporte, essa evolução de forma gratuita, numa técnica COPIA-ME acabou por acontecer, deixando ao utilizador ‘copy-paste’, que a opinião de uma maneira geral, a possibilidade apesar de derivar de uma forma pacífica. de pagar o que da cultura ‘mash Se entre 1980 e 2002 entendesse pelo up’ lhes acrescenta sempre se assistiu download, vendendo elementos de inovação a um crescente volume posteriormente uma – os seus discos ‘Night 25 de vendas de música edição especial Ripper’ (2006) e ‘Feed em formato físico do disco com vários the Animals’ (2008) (inicialmente vinil, extras – a acção foram casos de depois CD de forma traduziu-se num enorme popularidade hegemónica). Essa sucesso a dois e, simultaneamente, evolução da facturação níveis, pelo número de aclamação crítica. do CD nos EUA, Europa de downloads e pela O artista/DJ americano e Japão, começou facturação económico é um ícone deste novo a decair em 2002, pela venda da edição sistema de produção com a generalização física do disco. O e distribuição, de uma do consumo americano Greg Gillis, cultura emergente de música através mais conhecido pelo que transcende do de formatos digitais. pseudónimo Girl próprio acto criativo A partir de 2003 somos Talk, teve um gesto para o modelo de confrontados com a semelhante, ao editar negócio, como atestam quebra da hegemonia em 2008 o seu disco os documentários do formato CD, rumo ‘Feed the Animals’, ‘Good Copy Bad Copy’ à multiplicação dos disponibilizando (2007) e ‘RIP: A Remix formatos e à afirmação o download de forma Manifesto’ (2008). do formato digital gratuita (ou pelo online e móvel. um preço definido
  24. 24. Numa era em que Não é a primeira o mp3 (MPEG-1 vez que a indústria audio layer 3) musical enfrenta e outros formatos mudanças digitais (como o FLAC) significativas devido se tornam no meio à introdução de primordial de consumo inovações tecnológicas, da música, os formatos mas é a mudança CD e DVD (musical) que mais dificuldades perdem mercado, de adaptação criou e as empresas não ao negócio da música. conseguem equilibrar Nesta ‘nova ordem o negócio através musical 2.0’, dos formatos digitais, a noção de consumo uma vez que a de conteúdos acessibilidade gratuita musicais deve ser aos conteúdos quase entendida como se “institucionalizou”, uma prática cultural pelo menos de uma dinâmica, que remete a opinião COPIA-ME forma informal. para valores, atitudes Através de blogs e sites e apropriações de partilha (como múltiplas. Estes novos RapidShare, SendSpace padrões de consumo ou Megaupload) são no entanto ainda 26 ou torrents, a partilha condicionados pelos de música banalizou- media tradicionais, se, tornando acessível que continuam em poucos cliques a funcionar milhares de horas como mediadores de música, desde importantes – gravações históricas a cultura musical de clássicos até 2.0 não está desligada à música popular da rádio, da televisão mais universal. (generalista e canais temáticos de música) ou da imprensa (suplementos culturais, revistas especializadas e fanzines).
  25. 25. No entanto, Aos artistas e aos Referências complementa-se agentes da indústria, Radiohead; Greg Gillis. com as fontes de que na maior parte Download informação online: dos casos não sabem Documentários webzines (como o site ainda reagir a este “Good Copy Bad Copy”, 2007; “RIP: A Remix Manifesto”, 2008. de referência Pitchfork), novo paradigma, blogs (focados na cabe o papel de Comprar Tecnologias informação/notícias, procurar encontrar RapidShare; SendSpace; de crítica especializada formas de reverter Megaupload. ou até com a simples as enormes função de partilha/ potencialidades Informação online distribuição de mp3) das novas ferramentas Pitchfork; Amazon. e outras fontes disponíveis de informação ao seu favor.” online - as críticas da Amazon, feitas pelos utilizadores/clientes acabam por vezes por ter mais COPIA-ME relevância crítica do a opinião que um texto crítico publicado num jornal. Enquadrado num novo sistema, moldado por novas regras (ainda 27 maleáveis), o mercado sente ainda os efeitos de uma crise que já se traduz no início de uma nova era, no novo tempo da música digital. Entre iPods, blogs, podcasts, MySpace e mp3, o modelo de negócio da música foi reconfigurado numa adaptação ao conceito do ‘global’.
  26. 26. COPIA-ME 28 no facebook
  27. 27. COPIA-ME no facebook no facebook COPIA-ME 29
  28. 28. Portugal, Reino Unido, França, Brasil, Espanha, Luxemburgo, Roménia, Estados Unidos, Argentina, Canadá, Suíça, Alemanha e Lituânia são os países dos quais fazem parte os fãs A página comunitária do Copia-me. Em Portugal, as cidades de maior do Copia-me na Rede aderência são Lisboa, Vila Nova de Famalicão, Social Facebook foi Amadora e Porto. criada no dia 23 de Maio de 2010, Desde a sua criação até ao dia 6 de Junho pretende divulgar de 2010 houveram 20 publicações do público, o projecto e, sem incluir as publicações do próprio criador interactivamente, da página. Entre elas, foram reveladas estabelecer um 8 opiniões sobre o download legal e ilegal espaço de discussão de música – 6 pessoas a favor do download e opinião, através de ilegal e 2 em oposição. textos, vídeos e/ou no facebook COPIA-ME imagens sobre o tema. Foram seleccionadas apenas 5 opiniões, para serem apresentadas neste livro. A página reúne 461 fãs no total, sendo 53% público masculino 30 e 45% feminino, de idade compreendida entre os 13 e os 60 Download (6) anos, porém o público que revela maior adesão está entre os 18 e 24 anos Comprar (2) de idade.
  29. 29. 461 FÃS 8:00 pm 445 FÃS 8:00 pm 406 FÃS 8:00 pm 343 FÃS 8:00 pm no facebook COPIA-ME 126 FÃS 31 8:00 pm 0 FÃS 23 MAIO 30 MAIO 6 JUNHO 13 JUNHO 20 JUNHO domingo domingo domingo domingo domingo TOTAL DE FÃS no facebook
  30. 30. GÉNEROS no facebook 53% PÚBLICO no facebook COPIA-ME masculino 45% PÚBLICO feminino 32 2% PÚBLICO outros
  31. 31. IDADES no facebook 53% PÚBLICO no facebook COPIA-ME masculino 24% 18 – 24 anos 45% PÚBLICO 33 feminino 26% 18 – 24 anos 2% PÚBLICO outros
  32. 32. 25 MAIO às 0:22 OPINIÃO I Teixeira Moita “A Net e os downloads Já ando nisto há ilegais estão a matar muitos anos e reparo o autor. Tudo isto que existe um porque existe essa interesse crescente vontade política por parte dos jovens de acessibilidade e imprensa pela gratuita e ilimitada música pop dos 80 aos conteúdos, que e 90 e até pela Música parte do princípio Experimental dessa de que, se eu posso época. E querem no facebook COPIA-ME criar uma música saber porquê? e colocá-la na Internet, Porque neste momento sou um artista igual é praticamente a um ‘profissional’. impossível Isto interessa ao encontrarmos uma 34 sistema político proposta interessante porque... envolve e inovadora nessas as pessoas áreas. O ‘Copy Paste’ numa atmosfera domina na criação aparentemente e já poucos arriscam ‘democrática’, o que a via profissional as afasta da política ou se dedicam activa que deve ser as outras actividades.” questionada todos os dias. Comprar
  33. 33. 25 MAIO às 1:15 OPINIÃO 2 Buga Daz Coubz “O ‘problema’ dos Quantas foram artistas porem as as bandas portuguesas suas próprias músicas que REALMENTE online, é que deixam conseguiram tocar de ter que se submeter no estrangeiro, sem à ditadura das ser para os emigrantes, grandes (e pequenas) antes da ‘pirataria’ empresas, essas sim, na net! Alguma que se apropriam editora apostava dos direitos de autor no estrangeiro? no facebook COPIA-ME de quem assinam... isso é ROUBAR quem Hoje em dia existem criou algo! E se uma bandas que tâm banda quer meter a mais sucesso no sua música disponível estrangeiro do que cá... gratuitamente? garanto, que não foi 35 nenhuma editora que tornou possível, mas sim a livre circulação das músicas...” Download
  34. 34. 27 MAIO às 2:45 OPINIÃO 3 André Simão “É claro que se Acho que chegamos Como é óbvio, a maior pode disponibilizar a um limbo irracional parte das bandas gratuitamente. em que os músicos que oferecem os É claro que há mais são negociantes seus álbuns estão, acesso à informação de mercado indirectamente, e cultura. É claro paralelo, altruistas a oferecer os seus que as bandas podem e obrigatoriamente concertos. talvez ganhar visibilidade desinteressados, no novo paradigma e capitaliza-la as editoras são o se venha a passar vendendo espectáculos. bicho papão (todos exactamente isso: no facebook COPIA-ME Mas isto são efeitos esqueceram a Blue a música deixa colaterais de uma Note, 4AD, Mute, ECM, de ser um bem questão que, quanto só para enumerar as transacionável, passa a mim, se esgota nela pontas dos respectivos a ser exclusivo de própria: se um artista icebergs) e os piratas amadores, altruistas 36 ou editora investem são heróis e desinteressados. capital próprio na de contra-cultura, Não me parece produção de um álbum cultos, informados, mal. mas que há-de então quem o copia arautos da democracia. demover muitos e bons fá-lo indevidamente autores, isso há-de.” e CONTRA a vontade Uma coisa é falar-se do autor. Ou seja, de um novo paradigma. temos um dado Outra é achar-se que objectivo e só por o velho pode coexistir Comprar milagre rebatível: certo com esse novo que tipo de autor e autoria ainda não existe perdem força. num mundo florido de anarquia e altruísmo.
  35. 35. 4 JUNHO 6 JUNHO às 19:09 às 18:15 OPINIÃO 4 OPINIÃO 5 Melissa Oliveira Tiago Gonçalves “A pirataria é uma “Alguma vez roubaria forma de partilha um carro? Não. e se não houvesse Mas se pudesse downloads ilegais fazer cópias do meu não tínhamos acesso carro, ficar com ele a tanta coisa boa! e partilhar as cópias Ter um CD original com outras pessoas, nas mãos também fá-lo-ia. As associações é precioso e eu anti-pirataria nem própria invisto sequer se dão no facebook COPIA-ME nisso quando ao trabalho de usar posso e quero. argumentos que façam sentido... Só querem É preciso ouvir é dinheiro, querem e partilhar muita o preço exagerado música para conhecer de 15€ por cada CD 37 um pequeno pedaço quando 90% daquilo das tantas obras que que produzem é lixo existem no mundo!” sonoro e só os outros 10% valem realmente esse dinheiro.” Download Download
  36. 36. COPIA-ME 38 no wordpress
  37. 37. COPIA-ME no wordpress http://copiame.wordpress.com no wordpress COPIA-ME 39
  38. 38. Este blogue foi criado No dia 27 de Maio No dia 31 de Maio Desde a sua criação no dia 24 de Maio foi publicado o post foi criado o post até ao dia 20 de 2010. Pretende “O Vinil”, onde foi “As canções, para de Junho de 2010, também dar explicada a origem mim, são como filhos”, o blogue conseguiu a conhecer o projecto, do nome do projecto onde foi publicada 157 visualizações. e ser um espaço de – 32 visualizações. a ilustração do postal no wordpress COPIA-ME debate sobre o tema. sobre a opinião de José Mário Branco e colocada a pergunta existente no mesmo – 15 visualizações. 40
  39. 39. 157 VIS. 8:00 am 149 VIS. 8:00 am 128 VIS. 8:00 am 85 VIS. 8:00 am no wordpress COPIA-ME 9 VIS. 41 8:00 am 0 VIS. 24 MAIO 31 MAIO 7 JUNHO 14 JUNHO 21 JUNHO segunda segunda segunda segunda segunda TOTAL DE VISUALIZAÇÕES no wordpress
  40. 40. COPIA-ME o notebook
  41. 41. COPIA-ME o notebook
  42. 42. COPIA-ME o notebook
  43. 43. COPIA-ME o notebook
  44. 44. COPIA-ME o notebook
  45. 45. COPIA-ME o notebook
  46. 46. COPIA-ME o notebook
  47. 47. COPIA-ME o notebook
  48. 48. COPIA-ME o notebook
  49. 49. COPIA-ME o notebook
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  60. 60. COPIA-ME o livro O livro é encadernado com argolas, com o intuito de não exigir grande dispêndio. 1 Retire as argolas do livro. 2 Coloque as folhas de forma acertada na fotocopiadora. Este livro encontra- se disponível para download – em www. slideshare.net/copiame – e pode ser duplicado livremente. (Leia atentamente as instruções que se seguem). COPIA-ME o livro 3 Programe o número 4 Carregue no botão “Copiar”. de cópias que pretende. 63

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