Negócios de moda sob a perspectiva do turismo de negócios

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Negócios de moda sob a perspectiva do turismo de negócios

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Instituto de Geociências Departamento de Geografia Curso de Graduação em Turismo GABRIELA CARNEIRO REIS Negócios de Moda sob a perspectiva do Turismo de Negócios Belo HorizonteBacharelado em Turismo da Universidade Federal de Minas Gerais 2011
  2. 2. Gabriela Carneiro Reis Negócios de Moda sob a perspectiva do Turismo de Negócios Belo HorizonteBacharelado em Turismo da Universidade Federal de Minas Gerais Dezembro de 2011 2
  3. 3. Gabriela Carneiro Reis Negócios de Moda sob a perspectiva do Turismo de Negócios Monografia apresentada ao Curso de Turismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) como requisito parcial para a obtenção do título de turismólogo. Área de concentração: Turismo Orientador: Prof. Allaoua Saadi Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Belo HorizonteBacharelado em Turismo da Universidade Federal de Minas Gerais Dezembro de 2011 3
  4. 4. BANCA EXAMINADORA Allaoua Saadi Márcia Maria Lousada 4
  5. 5. AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar a Deus pela oportunidade de concluir o meu trabalho e por atender às minhas orações me dando força, esclarecimentos e concentração. À minha família, vó, vô, Edmar, tios, tias e primos, pela compreensão por eu nãoparticipar dos momentos de confraternização familiar. Em especial, à minha mãe pelosincentivos, mesmo que em excesso, e por toda a paciência do mundo por me aturar nosmomentos de estresse. À minha irmã, por conseguir ser privada por alguns dias do usodo computador e por tornar o meu texto mais claro, coeso e menos repetitivo. Ao meu tio Márcio por dispor de horas do seu tempo me ajudando a encontrar os caminhos a serem seguidos.Agradeço ao Leo por aceitar a minha ausência e o meu egoísmo durante esses meses e à sua família pela paciência e carinho constantes. A todos os Consultores que responderam ao questionário e, em especial, a Dauro Andrade por sempre me atender. A Angela Sampaio por me receber e ao Wagner Vinício pela disponibilidade. As informações que vocês forneceram foram cruciais para a concretização desse trabalho. À Patrícia Apê Las-Cazas pela oportunidade de assistir ao meu primeiro desfile de moda e à sua família pela ótima manhã de conversa.Ao professor Allaoua Saadi pela confiança e pela “liberdade” oferecida com que pude conduzir o meu trabalho. E aos meus amigos cujos encontros foram mais virtuais do que pessoais e porentenderem isso! Aos novos amigos do curso de Design de Moda. Adorei conhecê-los!E aos meus companheiros de monografia do turismo por compartilharem e tornarem os momentos de angústia mais engraçados e menos perturbadores! 5
  6. 6. “Considero mais corajoso aquele que supera seus própriosdesejos do que aquele que conquista seus inimigos, porque a vitória mais dura é sobre nós mesmos.” Aristóteles 6
  7. 7. SUMÁRIO1) INTRODUÇÃO..........................................................................................................91.1) Turismo, uma atividade de alcance..........................................................................91.2) O Turismo de Negócios..........................................................................................131.3) Os Negócios de Moda............................................................................................162) UM POUCO SOBRE MODA..................................................................................172.1) Antes da moda, o Vestuário...................................................................................172.2) A Moda...................................................................................................................222.2.1) A Moda e seus desdobramentos..........................................................................252.2.2) Termos que devem ser esclarecidos....................................................................312.3) A Moda em Belo Horizonte, passado e presente...................................................343) O TURISMO DE NEGÓCIOS COM FOCO NOS NEGÓCIOS DE MODA:configuração, investimentos e negócios........................................................................413.1) A Indústria Têxtil no Brasil....................................................................................413.2) O contexto mineiro.................................................................................................433.2.1) Minas Trend Preview..........................................................................................504) METODOLOGIA....................................................................................................544.1) Esclarecimentos acerca dos caminhos da pesquisa.............................................544.1.2) Esclarecimentos acerca da análise dos dados obtidos através dosquestionários..................................................................................................................595) OS CONSULTORES E O PRADO.........................................................................605.1) Os Consultores em Negócios de Moda..................................................................605.1.2) O bairro Prado.....................................................................................................626) AS ORGANIZAÇÕES............................................................................................646.1) As organizações de BH.........................................................................................646.1.1) Dauro Andrade e Equipe – Consultores em Negócios de Moda.......................656.1.2) Associação dos Consultores em Negócio de Moda (ACNM)...........................676.1.3) Cooperativa de Trabalho dos Profissionais em Negócios de Moda do Estado deMinas Gerais – Coopermoda.........................................................................................68 7
  8. 8. 6.2) Uma rede que se forma..........................................................................................697) POR QUE E COMO O TURISMO DE NEGÓCIOS RELACIONADO À MODAEM BELO HORIZONTE SE CONFIGURA?............................................................727.1) Análise dos questionários......................................................................................728) O TURISMO DE NEGÓCIOS DE MODA: reflexões e considerações.................828.1) O Turismo de Negócios de Moda..........................................................................828.1.2) Reflexões sobre o Turismo de Negócios de Moda.............................................838.1.3) Considerações finais sobre o Turismo de Negócios deModa..............................................................................................................................859) BIBLIOGRAFIA......................................................................................................889.1) Sites Consultados...................................................................................................90ANEXOS.......................................................................................................................92 8
  9. 9. 1) INTRODUÇÃO1.1) Turismo, uma atividade de alcance O turismo é uma atividade que apresenta diferentes formas e meios de serrealizada, além dos diversos desdobramentos que pode gerar. Nesse sentido, se renovaou se re-adapta em função do contexto em que se insere, seja no âmbito local ou global,sob aspectos econômicos, sociais, ambientais e culturais. Movimenta a economia,pessoas e uma estrutura que envolve meios de transportes, serviços de alimentação,hospedagens, atrativos, iniciativa pública e privada, dentre outros. É capaz de gerarempregos, renda, oportunidades de educação, contato com diferentes culturas e com anatureza. E pode provocar, também, impactos negativos. As motivações dos viajantesdeterminam o destino escolhido, os serviços e os equipamentos turísticos a seremutilizados, os custos e os possíveis gastos. Assim, o turismo oferece inúmeraspossibilidades de interpretações, de estudos, de práticas, e a possibilidade de associá-loa outras atividades que podem envolvê-lo diretamente. A partir do século XX, o turismo passa a ser reconhecido como uma prósperaatividade socioeconômica, capaz de movimentar diversos setores da economia e criarnovos mercados. Após a Segunda Guerra, apresenta expressivo crescimento numcontexto cada vez mais globalizado. Sob esse aspecto, no que se refere à globalizaçãona sociedade e as especificações do turismo, essa pode ser considerada como umfenômeno de “convulsão mundial”, como um “feixe intricado de elementos que mantêmrelações dinâmicas entre si nas esferas política, social, econômica e cultural dasociedade contemporânea” RODRIGUES (1999, apud Pimentel, 2005, p. 9). Nesse contexto, as empresas surgem como centros de poder cujas influências podem ir além daquelas exercidas pelo poder dos Estados-nação. Esses novos centros de poder surgem devido a fatores como a descontinuidade territorial expressa nas relações econômicas de tais empresas, bem como a evolução da ciência, tecnologia e da informação – ingredientes chave na manutenção do funcionamento da máquina global capitalista. (RODRIGUES, 1999 apud PIMENTEL, 2005, p. 9). A globalização, desse modo, desencadeou tal “convulsão mundial” representadapela pluralidade e complexidade das relações que se desencadearam até os dias atuais.Os “novos centros de poder” surgiram, e ainda surgem, configurando e re-configurandoo panorama atual estabelecendo e criando novos elementos do “feixe”, ampliando e 9
  10. 10. ‘complexificando’ as “relações dinâmicas”. Desde modo, Pimentel (2005), a partir dascontribuições de Rodrigues (1999), apresenta considerações relevantes a respeito daatividade turística nesse contexto: Tal fenômeno tem se desdobrado e servido de catalisador a uma pluralidade de relações socioeconômicas e culturais nas sociedades contemporâneas, dentre elas, o surgimento de novos produtos, de novas práticas socioculturais econômicas, novas formas de produção e consumo, etc. Conseqüentemente surgem novos profissionais habilitados a desempenharem a função de desenvolverem tais produtos e serviços, como por exemplo, os turismólogos desenvolvendo funções da atividade turística. (PIMENTEL, 2005, p. 10). A respeito da análise de Pimentel (2005) é possível refletir sobre o contexto emque a atividade turística teve seu maior crescimento (após a Segunda Guerra). Destemodo, o turismo pode ser entendido como prática econômica e social na sociedadeatual, sob circunstâncias em que a abrangência dos mercados levou às especificações daatividade turística, dos serviços e equipamentos a ela relacionados. Igualmente, percebe-se sua complexidade e abrangência. Ao evidenciá-las, é possível o melhor entendimentodas abordagens possíveis, isto é, pode-se explicitar algumas das atividades econômicase serviços que o turismo envolve, a fim de perceber sua amplitude. Para tanto, Beni (2001) analisa o turismo sob uma perspectiva sistêmica. Antes,porém, cabe esclarecer que a abordagem sobre sistemas, neste momento do trabalho, éempregada para demonstrar a complexidade do turismo, suas relações com outrossetores e atividades. Não será realizada nenhuma discussão a respeito dessa definição,nem se pretende questionar o turismo concebido como um sistema. Deste modo, o autordefine sistema como: (...) um conjunto de partes que interagem de modo a atingir um determinado fim, de acordo com um plano ou princípio; ou conjunto de procedimentos, doutrinas, idéias ou princípios, logicamente ordenados e coesos com intenção de descrever, explicar ou dirigir o funcionamento de um todo. (BENI, 2001, p. 23) Beni (2001), sobre esse assunto, apresenta a conceituação de sistemas naperspectiva de Miller1 que o define como “(...) um conjunto de unidades com relaçõesentre si”, e, neste conjunto “(...) as unidades possuem propriedades comuns”, sendo que“o estado de cada unidade é controlado, condicionado ou dependente do estado dasoutras unidades”. Segundo as considerações de Miller, Beni (2001, p. 23) reflete que “o1 J.G. Miller, “Living systems: basic concepts”, Behavioral Science, 10, 1965. 10
  11. 11. conjunto encontra-se organizado em virtude das inter-relações entre as unidades, e seugrau de organização permite que assuma a função de um todo que é maior que a somade suas partes”. Assim, a partir da contribuição dos autores a respeito de sistemas, pode-sepensar o turismo como um conjunto de partes que, ao se unirem, interagirem efuncionarem em conjunto gera, dentre outras finalidades, a viagem, que será definida eacontecerá conforme as motivações e interesses que movem o indivíduo. Entretanto,para que a viagem ocorra, são necessários serviços e equipamentos que permitam odeslocamento do indivíduo e sua permanência em outro local diferente de onde reside.Para Beni (2001, p. 38) os serviços turísticos “são destinados à satisfação dasmotivações, necessidades e preferências do turista”. Podem ser classificados da seguinteforma, conforme o autor: 1 – receptivos (atividades hoteleiras e extra-hoteleiras); 2 – de alimentação; 3 – de transporte (da residência à destinação turística e no centro receptor); 4 – públicos (administração turística, postos de informações, etc.); 5 – de recreação e entretenimento na área receptora. (BENI, 2001, p. 38) Nesse sentido, os serviços de transportes estão associados a outros serviços eenvolvem infra-estrutura, políticas e incentivos para sua constante melhoria edesenvolvimento. Os serviços de alimentação e de hotelaria possuem dinâmicaspróprias. Ou seja, cada estabelecimento possui seu sistema de funcionamento que podese relacionar a outros sistemas, como os transportes, por exemplo. Estes, por sua vez, serelacionam aos serviços públicos que provêm subsídios para seu funcionamento. Logo,podem existir partes, sistemas que possuem dinâmicas próprias, coexistem e serelacionam de forma independente ou não, o que evidencia a complexidade das relaçõesinerentes às atividades turísticas. Sob esse enfoque, essa atividade utiliza equipamentos e serviços “turísticos”que, por sua vez, necessitam de vários outros serviços e equipamentos, sendo que amotivação da viagem irá interferir na escolha dos mesmos, assim como dos destinos.Cabe ressaltar a importância dos transportes (que implicam em deslocamento) para oturismo. Nesse sentido, Beni (2001) conceitua o Turismo da seguinte forma: 11
  12. 12. Tenho conceituado Turismo como um elaborado e complexo processo de decisão sobre o que visitar, onde, como e a que preço. Nesse processo intervêm inúmeros fatores de realização pessoal e social, de natureza motivacional, econômica, cultural, ecológica e científica que ditam a escolha dos destinos, a permanência, os meios de transporte e o alojamento, bem como o objetivo da viagem em si para a fruição tanto material como subjetiva dos conteúdos de sonhos, desejos, de imaginação projetiva, de enriquecimento existencial histórico-humanístico, profissional, e de expansão de negócios. Esse consumo é feito por meio de roteiros interativos espontâneos ou dirigidos, compreendendo a compra de bens e serviços da oferta original e diferencial das atrações e dos equipamentos a ela agregados em mercados globais com produtos de qualidade e competitivos. (BENI, 2001, p. 37) A definição proposta por Beni (2001) considera desde a motivação à formacomo a viagem será concebida, a “globalidade dos mercados” em relação aos produtosofertados, os serviços e equipamentos, além de considerar outras atividades associadasao turismo. Nesse sentido, destaca sua complexidade e amplitude no que diz respeito atoda a estrutura utilizada, e à possibilidade de ser realizado por variadas motivações,assim como de se associar a outros setores da economia. O autor também contempla osnegócios, uma das diversas motivações para que uma viagem aconteça, cujos objetivospodem variar entre fechar um negócio, conquistar novos mercados, estabelecerparcerias, dentre outros. Sob esse aspecto, o ato de se fazer negócios, ou realizar umnegócio, pode se relacionar com o turismo e configurar-se no “Turismo de Negócios”. Assim exposto e evidenciado o caráter dinâmico e abrangente do turismo, énatural surgirem motivações específicas que impulsionam determinadas práticas eatividades, como o Turismo de Negócios. No que concerne às motivações que levam à“realização do Turismo de Negócios” no contexto de Belo Horizonte e do presentetrabalho, a moda mineira é responsável pela entrada e permanência de lojistas na cidade.Dessa forma, o Turismo de Negócios será analisado com foco nos Negócio de Modarecorrentes, os quais mobilizam os serviços e equipamentos turísticos a partir da entradae permanência de compradores lojistas de outras cidades, estados e países na cidade econtribuem para a capital e para o estado, no que se refere à visibilidade e àmovimentação das economias da moda e do turismo. Para tanto, uma abordagem a respeito do Turismo de Negócios se faz relevantepara o balizamento dos temas aqui tratados. O objetivo desta revisão é esclarecer sobreesse segmento do turismo, no sentido em que pode oferecer suporte para os assuntosrelacionados aos Negócios de Moda no contexto de Belo Horizonte. 12
  13. 13. 1.2) O Turismo de Negócios Conforme Silva e Freitas (2003), o turismo baseado no deslocamento espaçotemporal surgiu e sempre esteve associado à necessidade de comércio com outrospovos. Dessa forma, conforme as duas primeiras autoras, os fenícios teriam sido os quedesenvolveram o turismo baseado no conceito moderno de viagem, já que a Fenícia erauma região pobre para a agricultura, fazendo as pessoas partirem em busca de meios desubsistência, através do comércio internacional com a China, Índia e a Pérsia, por voltade 1000 anos (a.C). Sob tais fatos históricos, essas autoras consideram que o turismo denegócios poderia ter antecedido o turismo de lazer. Segundo a contribuição das mesmas, observa-se nesses deslocamentos a buscapela sobrevivência que, ao mesmo tempo, co-existe com um comércio internacional,estruturado na medida em que gera movimentação de pessoas e mercadorias articuladaspor diversos interesses, como a sobrevivência e o acesso a artigos procedentes, apenasde determinados locais, além das fronteiras nacionais. Nesse sentido, as motivaçõescomerciais sempre foram razões de deslocamentos, mesmo que, em alguns momentoshistóricos, não tenham sido o principal objetivo de viagem. Parte-se, então, do pressuposto de que os deslocamentos eram condicionadospelos contextos e conjunturas locais. No percurso do tempo o que mudou, ou pelomenos foi evidenciado ou ampliado, foram as motivações pelas quais as viagensocorrem. O desenvolvimento dos transportes, sob esse contexto, modifica a intensidadee a agilidade desses deslocamentos, da mesma forma que o incremento da tecnologia ea expansão dos mercados os influenciam. Sobre a história da evolução do turismo segundo Ruschmann (2001), a OMT(Organização Mundial de Turismo) considera que a evolução do turismo é condicionadapor forças de mercado como demanda, oferta, distribuição e variáveis exógenas. Taisforças podem interferir de uma maneira ou de outra nos fluxos turísticos. A mesmaautora destaca as variáveis mais importantes: as demográficas, a evoluçãosocioeconômica, as oscilações políticas e de legislação de cada país ou governo, oprogresso tecnológico, evolução comercial; a infra-estrutura de transportes e asegurança das viagens. Dessa forma, “as variáveis econômicas seriam suficientes parainterpretar e explicar o surgimento e a mudança de fluxos turísticos entre as diversas 13
  14. 14. regiões ao longo do tempo, servindo inclusive para determinar possíveis cenários deconfiguração da atividade para o futuro” PIMENTEL (2005, p. 43). A consideração feita por essa autora se torna relevante no que toca o objeto deestudo desta pesquisa e no entendimento do turismo como uma atividade complexa,cujas motivações que levam à realização de uma viagem estão relacionadas aoscontextos pela oferta de produtos e serviços. Essa consideração é importante na medidaem que o Turismo de Negócios acontece a partir da entrada e permanência de lojistasem Belo Horizonte para comprar roupas fabricadas pelas grifes mineiras (uma variávelde cunho econômico e comercial) o que configura essa modalidade de turismo nacapital e alimenta projetos e investimentos relacionados ao ramo da moda. Tais projetose investimentos incentivam essas viagens possibilitando futuros cenários, tanto para aatividade turística quanto para a moda. Relativo às segmentações de mercado, essas ocorreram, e ainda ocorrem, numcontexto globalizado e favorável para o surgimento de novas profissões e demandas demercado. O turismo não ficou de fora, já que atualmente (séc. XXI) existem inúmerasespecificações para essa atividade como: Ecoturismo, Turismo Religioso, Turismo GLS,etc. Distinguir uma forma da outra no turismo se torna útil para fins comerciais, para odirecionamento do produto final turístico a um público específico, juntamente com acontribuição do marketing, para fins estatísticos, de pesquisas, dentre outros. Nesse sentido, o Turismo de Negócios tem na sua essência o deslocamentorealizado para a concretização de transações comerciais que acontecem sob diferentescontextos e interesses, fazendo com que os empresários e os envolvidos nessa atividade,busquem por produtos, serviços e acordos, os quais possam acrescentar valor, tantofinanceiro quanto simbólico, ao seu negócio ou à entidade pra qual trabalha. Ruschmann (2001) por sua vez, aborda uma perspectiva positiva em relação aosegmento Turismo de Negócios. A autora afirma que para o turismo mundial, essesegmento encontra-se em ampla expansão e tem superado os índices de crescimento emrelação a outros mais tradicionais, como o ecoturismo. Nesse sentido, o turismo denegócios revela-se uma das áreas mais promissoras do turismo no futuro, pois analistasconsideram que com o estreitamento das distâncias e a diminuição do tempo gasto nosdeslocamentos existe a tendência na intensificação do fluxo de negócios e das atividadescomerciais em âmbito mundial, levando ao aumento do turismo de um modo geral. 14
  15. 15. Sob esse aspecto, é valido, então, abordar uma definição a respeito do segmentodo turismo de negócios de modo a delinear o assunto aqui tratado. Para tanto seráutilizada a definição proposta por BENI (2001, p. 423): Deslocamentos de executivos e homens de negócio, portanto turistas potenciais, que afluem aos grandes centros empresariais e cosmopolitas a fim de efetuarem transações e atividades profissionais, comerciais, e industriais, empregando seu tempo livre no consumo de recreação e entretenimento típicos desses grandes centros, incluindo-se também a freqüência a restaurantes com gastronomia típica e internacional. Essa definição, no contexto deste trabalho, sugere que os “homens de negócio”após a realização das atividades relacionadas ao seu negócio podem e utilizam osserviços, equipamentos e atrativos do local onde se encontram temporariamente. É umadefinição ampla, pois possibilita o olhar sobre o “homem de negócio” como potencialturista e amplia as perspectivas sobre o lugar visitado na medida em que os serviços,equipamentos e atrativos podem ser estruturados e trabalhados para atender a todos ostipos de turistas. Contudo, cabe ressaltar que os atrativos, serviços e equipamentos nãodevem ser melhorados somente para aqueles que vêm de fora, mas também para osmoradores do local, pois a valorização do turismo deve acontecer de dentro para fora.Proporcionar melhorias visando apenas o turismo é desvalorizar o que o local oferece.Faz-se referência a esse aspecto, pois a forma como o próprio belo-horizontino vê acapital foi alvo de questionamentos em algumas entrevistas realizadas para essetrabalho. Transferindo essa modalidade para contexto do Brasil e de Minas Gerais, Lamos(2003), em conformidade com os dados apresentados por Boiteux e Werner (2002),evidencia que o que motiva os estrangeiros a visitar o país é, em primeiro lugar, a buscapor oportunidades de lazer – o Turismo de Lazer - com 50,01% das intenções. Nasegunda posição, estão as motivações decorrentes das possibilidades para realização denegócios - o Turismo de Negócios - com 23,40% do total. Assim, o Turismo de Negócios se manifesta bastante representativo entre asmotivações de deslocamento das pessoas em direção aoBrasil. Para Lamos (2003), esta percepção evidencia, sobretudo, uma falta deperspectiva econômica e visão empreendedora de alguns estados da Federação, em que 15
  16. 16. o turismo poderia ser vinculado a atrativos naturais e pouco se faz no sentido dapromoção dos mesmos. Este mesmo autor, ainda a respeito dessa falta de empreendedorismo, pontua oque ele mesmo chama de “oportunismo mineiro” (LAMOS, 2003, p. 27), onde MinasGerais apresenta maior participação no turismo de negócios, se comparado ao EspíritoSanto e ao sul (exceto pelo Estado do Paraná). Tal oportunismo refere-se ao caráterempresarial, principalmente em Belo Horizonte, “e a não utilização dos recursospotencialmente turísticos de forma ampla”. Dessa forma, evidenciado o aspectoempresarial de Belo Horizonte para o Turismo de Negócios, a modalidade seráanalisada com foco nos Negócios de Moda.1.3) Os Negócios de Moda Os Negócios de Moda em Belo Horizonte consistem nas compras realizadas porlojistas de outras localidades para adquirirem peças do vestuário das confecções dasmarcas mineiras. Devido a esse movimento, surgiram associações, escritórios ecooperativas que dispõem de Consultores em Negócios de Moda. Esses recebem oslojistas, providenciam os serviços de reserva de hospedagem e passagens, traslados,oferecem atendimento especializado durante a realização das compras, selecionam,embalam e despacham mercadorias. Pode-se observar a expansão do leque de motivos relacionados aosdeslocamentos originados pelos negócios de moda ao longo do tempo. Tal alargamentoprovocou a expansão dos serviços turísticos apropriados e arranjados para receber essemovimento. Os hotéis, por exemplo, estabelecem parcerias com as diversasorganizações de consultores, demonstrando a postura desse serviço em relação a essaatividade. Fica, então, evidente que, no caso de Belo Horizonte, existe o Turismo deNegócios relacionado à moda, originado pelos produtos e serviços que são ofertados nacapital. 16
  17. 17. 2) UM POUCO SOBRE MODA2.1) Antes da moda, o Vestuário Os deslocamentos ocorriam por diferentes interesses em que a necessidade desobrevivência era um dos motivos da realização das viagens. A utilização devestimentas também foi resultado da necessidade de adaptação na evolução do homem.Ambos os setores sofreram influências diante das transformações ocorridas nasociedade no percurso histórico, até se configurarem nas concepções atuais de moda eturismo, os quais abrangem e movimentam diversos setores. Apresentadas considerações importantes a respeito do turismo e da modalidadede Turismo de Negócios sob a ótica dos Negócios de Moda, nesse capítulo evidenciam-se alguns aspectos sobre o vestuário e a moda, com o intuito de esclarecer suasimplicações na história das sociedades, já que a concepção atual de “moda” foiconstruída no percurso do tempo conforme as transformações e evoluções do vestuário edos modos de vida. É válido destacar que não se pretende expor a história completa do vestuáriotanto no que se refere às suas transformações quanto de todos os processos deconstrução da concepção atual sobre “moda”, mesmo porque não é o objetivo dapesquisa e seria necessário despender de muito tempo, haja vista a quantidade dematerial disponível sobre o assunto. Entretanto, selecionar e evidenciar alguns traçosdessa evolução permite entender um pouco mais sobre o desenvolvimento daindumentária, uma vez que reflete as características sociais, econômicas e culturais dedeterminada época, além de fornecer subsídios que esclarecem a relação entre homem evestes, logo, homem e moda, e todas as implicações que provocam no que tange àsesferas do consumo e das indústrias aos estudos e cursos acadêmicos de moda. Sob uma perspectiva histórica, Braudel (1995) aborda a “vasta trama dascivilizações” e o que está inserido nela, desde a alimentação, passando pelo vestuário àorganização das cidades, entre os séculos XV e XVIII. Sobre o vestuário o autor iniciasua discussão afirmando que a história das roupas “levanta todos os problemas, os dasmatérias-primas, dos processos de fabrico, dos custos de produção, da fixidez cultural,das moedas, das hierarquias sociais”, BRAUDEL (1995, p. 281). Nesse sentido,assevera que o traje denuncia posições sociais, pois “ninguém resistia ao desejo de usar 17
  18. 18. a roupa, que no Ocidente, é sinônimo de promoção social, em que os governos nuncaimpediram a ostentação do luxo pelos abastados da nobreza”. Dessa maneira, tem-se o vestuário, entre os séculos XV e XVIII, como aprincipal afirmação social, distinguindo aqueles que pertencem a classes sociais nobres,possuidores de riqueza e prestígio social, dos mais pobres. A roupa pode denunciarpoder, superioridade e o pertencimento a uma classe social prestigiada. O luxo e aostentação são observados nos trajes, nos sapatos, perucas, jóias, dentre outros artefatos.Como resultado, “até mesmo no mercado de uma cidade basta uma olhadela paradistinguir burgueses de gente do povo”, BRAUDEL (1995, p. 281). Em contrapartida, Braudel (1995) expõe que se a sociedade fosse estávelhaveria poucas mudanças no vestuário ao longo dos anos. É o caso da China, cujo trajetípico mandarim, pouco antes do século XV, permanece igual no século XVIII. NoOriente, as variações e modificações nos trajes são quase que imperceptíveis comorelatado pelo mesmo autor: Na China, a forma da roupa raramente muda por moda ou por capricho. O vestuário que convém ao estado de um homem e à estação do ano em que o usa é sempre feito da mesma maneira. As próprias mulheres não têm modas novas, a não ser no arranjo das flores e outros ornamentos que põem na cabeça. Também o Japão é conservador [...]. Ei-lo durante séculos fiel ao quimono, roupa de vestir em casa pouco diferente do atual. (BRAUDEL, 1995, p. 282) As roupas das classes mais baixas não possuem muitas variedades. A roupacotidiana, para o trabalho, não tem beleza, mas a de festa sim. Muitas vezes étransmitida de pai para filho. No contexto do Oriente, da África e das Américas, onde asroupas não apresentaram modificações constantes no decorrer dos séculos, os trajes decamponeses, índios, das classes menos abastadas em geral, eram simples e a matéria-prima utilizada era o algodão, na maioria dos casos. Na Europa, os pobres não contamcom variações nas vestimentas no decorrer dos anos, se comparados às vestimentasburguesas. A partir da observação de quadros na pinacoteca de Munique, Braudel (1995)conclui que os trajes diferenciam humildes vendedores ou pescadores dos grupos deburgueses, visitantes e transeuntes. Referindo-se ao traje camponês BRAUDEL (1995,p. 284) acrescenta que: 18
  19. 19. É certo que, semelhante na sua aparência, o traje camponês, no entanto, muda em certos pormenores importantes. No século XIII começa a usar-se roupa interior, na França e em outros países. Na Sardenha, no século XVIII, é de regra, em sinal de luto, conservar a mesma camisa durante um ano: quer pelo menos dizer que o camponês usa a camisa e que deixar de trocá-la é um sacrifício. Ora, sabemos que outrora, no século XVI, segundo tantos quadros conhecidos, ricos e pobres dormiam nus nas suas camas. Esse trecho demonstra a relação entre a sociedade e seus estilos de vida e asvestimentas. São importantes, pois evidenciam o papel do vestuário no decorrer dosanos: como era empregado e atribuído, tanto no meio social quanto no íntimo do lar. Em contraste ao mundo dos pobres, a Europa dos ricos e das modas, segundoBraudel (1995), é permeada por caprichos responsáveis por uma pequena parcela dasociedade. A “loucura das mudanças” tardou a se instalar. Contudo, BRAUDEL (1995,p. 286) assevera que a moda “não é apenas abundância, quantidade e profusão. Consisteem mudar tudo a qualquer momento, uma questão de estação, de dia e de hora.” O“império” da moda aplica sua severidade após 1700, em que seu sentido é atribuídoàquilo que está na atualidade, ou seja, seguir o que é considerado atual, novo. Logo, apartir de 1700 pode-se inferir que a moda, tal como hoje é atribuída de seu aspectoefêmero, revelador de tendências e de consumo, começa a delinear-se. Ainda hoje (Séc. XXI) artigos do vestuário, sejam roupas, calçados, bolsas, etc.,de determinadas marcas são consumidos e, muitas vezes, utilizados para indicar acapacidade de compra, ou seja, o quanto o indivíduo pode gastar. Isso lhe confere certopoder e “superioridade” perante o outro e ao círculo social de convivência, além depoder servir de subsídio para alimentar a auto-estima. Há também aqueles queconsomem artigos de luxo, de marcas consagradas no mercado devido à qualidade queapresentam no acabamento, qualidade do tecido, exclusividade, durabilidade ecaimento. Retomando o contexto europeu, BRAUDEL (1995, p. 288) revela que“preponderante desde o século XVII a moda francesa só se afirma soberana no séculoXVIII. Nos quatro cantos da Europa das Luzes, a moda é lançada, a partir de Paris, porbonecas manequins que cedo aparecem”. Em contrapartida ao glamour da moda, essa“apresenta suas reticências” conforme o autor, pois “à margem, fica a imensa inérciados pobres”. 19
  20. 20. Boucher (2010) por sua vez, aborda a evolução do vestuário a partir das suasfunções, mas sem considerá-lo isoladamente das condições materiais, dos aspectosculturais, políticos, de religião, econômicos, sociais e ambientais. Segundo o autor, “éindubitável que, desde a origem, a roupa deve ter correspondido a outras funções quenão à simples utilidade, particularmente no que se refere ao seu papel mágico”,BOUCHER (2010, p. 13). Dessa forma, inicia sua análise desde o homem pré-histórico,em que o mesmo, sob o papel mágico da indumentária, utiliza de atributos que ocobrissem de um poder confiscado de outras criaturas e o defendessem de influênciasmaléficas. Nesse sentido, além de proteção aos seus órgãos genitais e contra o climasevero de determinadas regiões, as vestes também satisfaziam um desejo derepresentação. “Enfeitar-se com adornos era identificar-se a outra criatura: animal, deus,herói ou homem”, BOUCHER (2010, p. 13). Assim como Braudel (1995), Boucher (2010, p. 14) corrobora com a concepçãode que as roupas correspondem também a um desejo de exprimir autoridade, sendo quepara um chefe, são atributos que lhe conferem poder; para um guerreiro é obter umelemento que beneficiará e exaltará seu corpo. Boucher (2010) afirma que as funções dovestuário acompanharam a evolução das civilizações, que por sua vez determinava a dovestuário. O aparecimento dessas funções acontece devido aos elementos essenciais dascivilizações, surgidos por meio de forças sejam elas por ação da vanguarda, por reação aessa ou até mesmo pela estabilidade. A respeito da consideração anterior, ao traduzi-la para o contexto atual, nota-seseu valor já que, atualmente a tecnologia tem possibilitado o desenvolvimento de roupasprovenientes de materiais recicláveis como a garrafa pet. Esse fato demonstra aexigência da sociedade pela utilização de produtos desenvolvidos a partir de umprocesso que contribua de forma positiva com o meio natural, em vista das discussões arespeito da sustentabilidade, reciclagem e preservação do meio ambiente, que por suavez, envolvem as esferas políticas, econômicas e culturais. Dessa forma, BOUCHER (2010, p. 15) contribui afirmando que: A evolução do vestuário deve ser associada ao conjunto dos fenômenos paralelos de cada época, em que as “dominantes” diferem no tempo e no espaço. Esse exame comprova que não é nem a raça nem o tipo étnico nem o regime político nem o talento artístico que, isoladamente, acarretam as diferenças no vestuário, mas sim a natureza da civilização e o estilo de vida. 20
  21. 21. Sob essa perspectiva, o autor ainda afirma que se a evolução do vestuário tivessede ser simplificada, seria dividida em três partes. A primeira fase corresponderia aoperíodo da Antiguidade ao século XIV, em que a roupa, em grande parte dascivilizações não sofre muitas mudanças, não há caráter nacional e é uniforme em todasas classes. A segunda fase estender-se-ia do século XIV, quando as roupas tornam-seajustadas e mais curtas devido, ao intenso desenvolvimento industrial no século XIX.Nessa fase, o vestuário adquire aspectos pessoais e nacionais, passa por constantesmodificações e destaca-se o surgimento inédito da moda, no sentido moderno dapalavra. Além disso, passa a depender cada vez mais do contexto no que se refere àorganização política e comercial, desvincula-se completamente de qualquer vestígioreligioso e cada nação forma seu estilo de roupa, sendo que o indivíduo a adapta ao seugosto. Por fim, a terceira fase, que tem início em meados do século XIX com odesenvolvimento da civilização moderna até os dias atuais. Tal fase é marcada por umvestuário cada vez menos pessoal e mais internacional, influenciado pelo maquinismogerador da confecção e do expansionismo europeu. Ocorre o surgimento da alta-costurae os “imperativos de uma moda cada vez mais efêmera ao privilégio de uma classe emque o senso do luxo tradicional e o poder do dinheiro dominam as diferenças sociais”,BOUCHER (2010, p. 17). Desse modo, o mesmo autor conclui a respeito dessas fasesque: É a sucessão dessas predominâncias – inicialmente, a das influencias religiosas e místicas, depois, a dos esforços de liberação espiritual e social e, por fim, a das concentrações de interesses econômicos – que deve constituir o arcabouço de todo estudo histórico do vestuário. (BOUCHER, 2010, p. 17). Calanca (2008), por sua vez, descreve a evolução da moda pelo viés da históriasocial. No que concerne aos aspectos que remetem à sexualidade e a aparênciarelacionadas às vestes, revela que as modificações das estruturas das vestimentasmasculinas e femininas se fixam a partir do século XIV, o que representa traços daestética e da sedução, pois a roupa feminina, diferente da masculina, sexualiza aaparência. Com efeito, nota-se que, desde o século XIV, as roupas passam a ter umaconotação sexual que perdura até os dias de hoje. A respeito dessa característicaatribuída às vestimentas, pode-se considerar que nela se desdobram aspectos 21
  22. 22. psicológicos, na medida em que incita os imaginários masculinos e femininos eestimulam a auto-estima dos indivíduos. Dessa maneira, tem-se nas transformações e na evolução do vestuário aspectosda sociedade e dos modos de vida no percurso do tempo, em que a roupas inicialmentede aspecto utilitário, passam a representar status, luxo e sexualidade, em contraste aoperíodo em que não havia distinções entre as roupas femininas e masculinas. Logo, amoda passa a compor uma indústria que movimenta a economia em âmbito global, geraempregos, dita tendências e é alimentada pela Indústria Cultural. É a partir da evoluçãoda indumentária que são observadas características de determinada época e aimportância que as contribuições de autores, como os citados acima, trazem acercasobre o que realmente significa “moda” e o seu principal instrumento, o vestuário.Novamente tem-se a evidência de um setor complexo e amplo.2.2) A Moda Calanca (2008) analisa a moda pelo viés da história social, o que permite maiorassimilação dos contextos histórico-sociais e sua influência na construção da concepçãode moda atual. Nesse sentido, para a autora alguns termos da linguagem correnteelucidam realidades sociais difusas que, por sua visibilidade e dimensão de massa,contribuem para o entendimento das “experiências de sociedade no seu conjunto”. Otermo “moda”, “usado em múltiplos contextos, oferece um quadro comum de referênciae de reflexão para uma série de aspectos da vida social”. Evoca, em primeiro caso, “umadicotomia entre o velho e o novo, entre o passado e o presente, imobilidade emobilidade. É a experiência das aparências que pressupõe objetos nos quais semanifestar; é função e conteúdo estético”, CALANCA (2008, p. 11). Similarmente a essa perspectiva, VOLLI 2 (1988, apud Calanca, 2008, p. 11)afirma que moda entende-se especificamente como “o fenômeno social da mudançacíclica dos costumes e dos hábitos, das escolhas e dos gostos, coletivamente validado etornado quase obrigatório”. Os desfiles, as revistas e os meios de comunicação em geralcontribuem para a validação dos gostos e a aprovação das vestimentas, além deinfluenciar sobre o que deve ser usado.2 U. Volli, Contro La moda (Milão: Feltrinelli, 1988), p.50. Cf. Grande dizionario della língua italianamoderna, vol. III (Milão: Garzanti, 1999). 22
  23. 23. De acordo com Calanca (2008), reportando ao termo “costume”, embutido nocontexto de uma sociedade e relacionado à moda, representando um hábito recorrente epermanente determinante de comportamentos e modos de ser de um grupo social, este éremetido ao conceito de sistema. Representa um conjunto de vários elementosrelacionados entre si, sendo que, apreciados isoladamente, estão privados de valor, masno momento em que são conectados por um conjunto de normas e valores coletivos,assumem um significado: Nesse sentido, o costume é essencialmente um fenômeno de caráter axiológico, isto é, refere-se a uma escala de valores ideais aos quais os membros de um determinado contexto histórico-social e cultural tendem a assemelhar-se ao máximo. Ora, quando a “paixão” pelo novo, pelo recente, pelo requinte, pela elegância, etc., e a renovação das formas tornam-se um valor, quando a mutabilidade dos feitios e dos ornamentos não constitui mais uma exceção, mas se torna uma regra estável, um hábito e uma norma coletiva – isto é, um costume – então se pode falar em moda. Desse ponto de vista, a moda é sempre um fenômeno de costume. (CALANCA, 2008, p. 11) Sob esse ponto de vista, evidencia-se o aspecto efêmero da moda, na medida emque a “paixão” pelo novo, pelo recente, se transforma em hábito, um costume agregadode significados e de valores. Segundo a autora supracitada, desde que se pôdereconhecer a ordem típica da moda como um sistema, que inclui suas “metamorfoses einflexões”, a moda conquistou todas as esferas da vida social, influenciando ideias,gostos, artes, comportamentos e linguagem. No que diz respeito ao termo “moda”, sua etimologia é latina: vem de modus(modo, maneira), logo, entra no italiano com empréstimo do tremo francês “mode”, emmeados do século XVII, Calanca (2008, p. 13). O uso do termo foi amplo na Itália doséculo XVII, pois remete ao aspecto mutável, da busca pela elegância por uma classeprivilegiada, em relação às roupas, convenções sociais, decoração, modos de pensar,escrever e agir, ditados, também, pela literatura da época. Já na França, o termorepresenta um conjunto de atividades humanas, relacionadas entre si, cuja essência é areprodução de um ser que muda freqüentemente de aparência. Decerto a moda na modernidade passa a ser expressa largamente sobre osdiferentes objetos, comportamentos e pensamentos utilizados e expostos publicamente,o que remete à ideia de afirmação de identidade, de status e de poder perante o outro.Embora os diversos âmbitos da sociedade estivessem envolvidos, as roupas, 23
  24. 24. historicamente, puderam exprimir e traduzir o proceder da moda. De acordo comCalanca (2008) o vestuário se apresenta como: Um fenômeno completo porque, além de propiciar um discurso histórico, econômico, etnológico e tecnológico, também, tem valência de linguagem, na acepção de sistema de comunicação, isto é, um sistema de signos por meio do qual os seres humanos delineiam a sua posição no mundo e a sua relação com ele. (CALANCA, 2008, p. 16) Logo, a veste torna o “corpo significante”, em que o “ato de vestir transforma ocorpo, e essa transformação não se refere a um único significado biológico, fisiológico,mas a múltiplos significados, que vão daquele religioso, estético, àquele psicológico”CALANCA (2008, p. 17). Ademais, torna-se quase impossível pensar em moda sem, em seguida, vir àmente o consumo. ROCHE3 (1995, apud Calanca, 2008, p. 102) observa que a “históriados comportamentos em relação aos objetos e às mercadorias na nossa sociedadeaparece como fundamental”. Logo, CALANCA (2008, p.102) complementa que a“relação entre o indivíduo e o ambiente social passa pela reificação. Nesse sentido, ahistória do consumo permite evidenciar a correspondência entre material e simbólico, onexo entre representações simbólicas e a realidade concreta”. Sob essa perspectiva, KarlMarx (1996) já afirmava a respeito do aspecto fetichista da mercadoria, ou seja, o poderde “encanto” que a mercadoria exerce sobre o indivíduo fazendo-o ignorar as relaçõesde trabalho que estão por trás da produção da mercadoria. O consumo nunca está desvinculado da profunda ligação que se estabelece entre o mundo e a pessoa, é um fato social de comunicação, que traduz também as transformações da cultura, da sensibilidade, das técnicas, as capacidades dos produtores e as respostas dos consumidores, (CALANCA, 2008, p. 107). Assim, a autora conclui a respeito do consumo, no que tange à relação entre osindivíduos e os objetos, que se configura numa relação de satisfação das necessidades,sejam elas naturais, de luxo, de opinião, de ostentação e comodidade e que, assim,estruturam-se grande parte das relações socioeconômicas e culturais, Calanca (2008, p.115).3 D.ROCHE, Storia delle cose banali (Bolonha: Clueb, 1995), p. 13. 24
  25. 25. 2.2.1) A Moda e seus desdobramentos Expostas as considerações no que se refere à sua magnitude e alcance da moda,tanto nas implicações que geram sobre um indivíduo quanto num contexto mais amplo,nacional ou internacional, é importante esclarecer sobre outros aspectos que compõem asua atual configuração. Para tanto, Calanca (2008, p.130) contribui afirmando que, arespeito de sua concretização particular, a moda, num período de duzentos anos,transforma-se de um fenômeno sociocultural de elite em um fenômeno comercial demassa e complementa com a seguinte passagem de Puglisi 4: A sua dimensão massificada, a capitalização de suas riquezas, a globalização de seu sistema produtivo e comercial transformaram o que para Voltaire era apenas um luxo e um prazer em um dos mais prósperos impérios financeiros de dimensão planetária, de Milão a Tóquio, de Nova York a Roma, de Paris a Los Angeles (CALANCA, 2008, p. 130). A partir da Revolução Industrial mudanças decisivas ocorrem na sociedade.Transformações de cunho social, econômico, ambiental e cultural, as quais foramaceleradas pelo desenvolvimento da tecnologia e dos transportes, fundamentais para oseu avanço. Dessa maneira, a Revolução Industrial foi um marco na história da humanidade,transformando as relações sociais em todos os seus aspectos: a relação do indivíduocom o mundo, a forma como passa a conceber o ambiente à sua volta; as relações detrabalho, produção e poder, pois o trabalho passa a ser assalariado e há um aumento namobilidade social. Ocorre a “divisão do trabalho” e as relações entre indivíduo e objetoperpassam pela reificação da mercadoria. O setor têxtil, neste contexto, é onde severifica primeiro as transformações. CALANCA (2008, p. 137) afirma que: Há uma mudança nos modelos de consumo induzidos tanto pelos hábitos de vida urbana como pela introdução de novos métodos de distribuição de mercadorias no varejo. Nesses decênios se desenvolvem as grandes lojas de departamento e as redes de lojas com todas as estratégias para atrair os consumidores, das confecções estandalizardas aos descontos, das exposições à publicidade.4 G. Puglisi, I modi della moda (Palermo: Sellerio, 2001), p. 26. apud Calanca (2008, p.130) 25
  26. 26. A partir do século XIX, as novas máquinas como cinema, rádio, fotografia emais tarde a televisão, foram responsáveis por mudanças nas convenções quepredominavam pela exaltação da expressividade e beleza do corpo, Calanca (2008,p.138). No século XX, o cinema revela estrelas símbolos de sensualidade, erotismo,transgressão e fascínio. É o caso de Greta Garbo, Marlene Dietrch e Bette Davis. Nessasituação o vestuário é crucial. A partir da década de 1920, saem dos estúdios deHollywood as grandes estrelas produtos da convergência de fenômenos diversos como avisão de mundo sexista e o desejo de afirmação de muitas mulheres, configurando opapel relevante do vestuário, como pode ser observado a seguir: É esse o período no qual foram realizados, pela primeira vez, os figurinos cinematográficos. Os vestidos tornam as atrizes parte integrante da narrativa, de um conjunto no qual vestuário e linguagem do corpo estão em harmonia. Os figurinos enfatizam o caráter, o comportamento e as emoções que o autor ou a atriz devem comunicar. A filmadora torna-se cada vez mais uma máquina que impõe novos tipos e novos rostos. Os filmes oferecem lições “práticas” de moda, maquiagem e comportamento, o cinema reforça a cultura-mercado da beleza. O que se oferece aos olhos de todos é o modelo da mulher moderna “estilo americano”. (CALANCA, 2008, p. 148) No que se refere à era pós-industrial, Calanca (2008) corrobora com a concepçãode que abordar a moda sob um único ponto de vista é uma missão difícil e complementacom a seguinte passagem: Nos deparamos com um quadro geral da moda que perdeu a sua imagem de sistema unitário e circunscrito, para se despedaçar em pequenos fragmentos. Um fenômeno que já tinha começado na primeira metade dos anos 1980, mas que agora parece ter sido elevado à enésima potencia, com um crescimento exponencial de trends, na maioria das vezes, em declarada antítese entre si, que produzem um clima de incerteza geral, no qual fica realmente difícil se orientar e distinguir um fio condutor comum5. Sob essa perspectiva a moda perde sua capacidade de ser medida mediante asinúmeras formas de moda. A fragmentação dos padrões e estilos exprime valores como:“ironia, juventude, cosmopolitismo, etc.” e com a tendência de que tudo é positivo, nãotem-se apenas uma moda, mas sim modas, Calanca (2008, p. 190). Nesse contexto, aarte e a moda estão mais livres. “O excesso, a desmedida quantitativa e qualitativa, o5 S. Grandi, A. Vaccari & S. Zannier, La moda nel secondo dopoguerra (Bolonha: Clueb, 1992), p. 164.Ver também, A. Grassi, “Moda frantumata, em Gap, março de 1988, p. 77; G. Borioli, “10 annidi moda.1980 -1990. Cronache-tendenze-protagonisti”, suplemento de revista Donna, abril de 1990, apudCalanca (2008, p.189); 26
  27. 27. virtuosismo, a transgressão presentes em muitas tendências da moda são hoje aceitastanto esteticamente como socialmente e, por isso, tornam pouco claros os limites quehoje determinam o gosto”, CALANCA (2008, p.190). A fragmentação da moda relaciona-se a um fenômeno histórico, o pós SegundaGuerra. Logo, as “antimodas” surgem contrariando o contexto que se dá após os doisgrandes conflitos. A recessão e a escassez de matérias primas são realidades nessemomento. Dessa maneira, a “antimoda” tem na sua essência a referência a ideais evalores. São movimentos identitários que se opõem aos padrões vigentes, reivindicandouma identidade que se expressa em estilos de vida, de música, de comportamento e,claro, nas roupas. Dentre esses movimentos, também chamados de movimentos decontracultura, que marcaram o pós-guerra, modificaram valores e padrões antesvigentes, estão: os Rockers, os Mods, Hippies e os Punks. Imagem I - Rockers Fonte: Disciplina - Panorama do Vestuário Moderno e Contemporâneo (2011/2) – Professor Augustin de Tugny. 27
  28. 28. Imagem II - ModsFonte: Disciplina - Panorama do Vestuário Moderno e Contemporâneo (2011/2) – Professor Augustin de Tugny 28
  29. 29. Imagem III – Hippies 66 Imagens, de autoria desconhecida, retiradas dos sites, na ordem em que aparecem, da esquerda para a direita.:Fashion Bubbles. Disponível em: <http://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/tribos-urbanas-movimento-hippie>. Acesso: 20/10/2011;Muito tudo Blog. Disponível em: <http://fabyandrade.spaceblog.com.br/1360731/Hippies/> Acesso: 20/10/2011;Acesso Jovem. Disponível em: <http://www.acessojovem.com.br/hippies.html > Acesso: 20/10/2011;Inspire Bohemia. Disponível em: <http://inspirebohemia.blogspot.com/2010/01/hippies-bohemians-gypsies-and-fashion.html> Acesso: 20/10/2011. 29
  30. 30. Imagem IV – PunksFonte: Sharemyplaylists. Disponível em: <http://sharemyplaylists.com/playlist-reviews-subculture- punks> Acesso: 20/10/2011 Como pode ser observado nas imagens I, II, III e IV as roupas são totalmentediferentes das comumente usadas na época. No caso dos punks, as vestes, os acessórios,a maquiagem e o cabelo, são, de certa forma, agressivos, utilizados para chocar asociedade. O comportamento, ou seja, os modos de agir, os etilos e as músicascompõem esses movimentos de identidade, de contracultura, onde a vestimenta tempapel fundamental na diferenciação do indivíduo que reivindica outros valores ecompactua com ideais diversos. Dessa forma, o pós guerra foi um período de transformações em todas as esferasda sociedade e, claro, a moda expressara tais transformações, empregada para impornovas identidades, valores e conceitos, os quais questionavam os padrões e a ordemvigente. A globalização nesse período começa a adquirir suas proporções atuais. A fragmentação dos estilos e a inexistência de regras estéticas que caracterizama moda atual, segundo Calanca (2008, pgs. 203 e 204) tem sua máxima expressão com osurgimento do prêt-à-porter que unifica as indústrias e a moda, dissemina pelas ruasestilos e gostos, “estetizando a moda industrial e massificando a grife.” Com aestilização, a roupa industrial de massa adquire novo status, torna-se um produto demoda. Nos atuais dias, segundo Calanca (2008, p. 205) a tendência é considerar ascriações do prêt-à-porter “como a parte mais viva da moda”. Logo, as contribuições a respeito dessas transformações que influenciaramdiretamente na criação e na comercialização da moda são importantes, pois oferecem 30
  31. 31. esclarecimentos que possibilitam visualizar a moda na atualidade e todas as implicaçõese setores afetados. Antes os artigos da moda eram adquiridos apenas pela elite social.Hoje as roupas são produzidas em larga escala e podem ser adquiridas por todas asclasses sociais devido ao mercado globalizado, a importação de artigos de baixo custo,as facilidades de compra, como o crediário, e o surgimento do micro-empresário quemovimenta a economia e encontra “espaço” no mercado pela oferta de produtos, namaioria das vezes, diferenciados. A moda acompanha essas transformações e firma-seno mercado.2.2.2) Termos que devem ser esclarecidos Para melhor entendimento acerca dos assuntos tratados nesse trabalho, algunstermos e abordagens utilizados ao se referir a moda serão apresentados. Isso se deve aofato de que o presente trabalho é pré-requisito para a formação no Curso de Turismo daUniversidade Federal de Minas Gerais, cujo tema aborda o setor de moda. Pelo fato dosassuntos relacionados a esse setor não serem do domínio do pesquisador, recorreu-se areferências bibliográficas para esclarecimentos, no intuito de realizar análises maisprecisas sobre o tema. Dessa forma, Treptow (2007) colabora com a elucidação de alguns tópicos damoda e inicia sua discussão abordando os “ciclos da moda”, o qual compreende asseguintes fases: lançamento, cuja origem pode estar na coleção de um estilista, numgrupo de jovens ou em um detalhe expresso por um figurinista numa novela ou filme; aaceitação, que corresponde à aceitação do público em geral que irá ‘seguir a moda’,pois a “moda é um fenômeno sociológico”; o consumo e a massificação correspondemdesde a divulgação da imprensa e a reprodução de marcas independentes, à valorizaçãodo estilo pela mídia, o qual será copiado pelas redes de lojas e marcas que atuam emmercados mais populares, com preços mais acessíveis. Por fim, o desgaste que, aoassumir altos níveis de consumo, a moda perde seu diferencial, já que todos vestem omesmo estilo que logo passa a ser considerado obsoleto, Treptow (2007, p. 29). A autora também diferencia tendência de moda e estilo. O primeiro, segundoCarol Garcia, citada por Treptow (2007, p. 29), refere-se a “um conjunto de itens dovestuário considerados como conceito de bem vestir. A tendência de moda écaracterizada pela temporalidade e pela massificação”. Já o ‘estilo’ esse “não rompe 31
  32. 32. abruptamente com o passado, antes, busca ali, referências que legitimem o novo comocontinuidade e identidade”, o estilo, então, se torna algo pessoal. A produção e comercialização de moda, segundo a autora supracitada, podemser feitas de duas maneiras: a alta costura, que se caracteriza por ser uma confecçãoartesanal e o prêt-à-porter, em que as roupas são produzidas em escala industrial, cujaquantidade varia conforme o tipo de mercado para o qual a peça será distribuída. Há,também, o prêt-à-porter de luxo, “com tiragens mínimas e limitadas por modelo e oextremo, de produção em massa para a distribuição nacional ou mundial”, TREPTOW(2007, p. 38). Assim, a produção prêt-à-porter pode ser classificada em três categorias:fabricantes, atacadistas e faccionistas. O confeccionista fabricante é aquele que coordena todas as operações, como a compra de matéria-prima, criação ou compra de desenhos para os modelos, manufatura das peças e venda [...]. Os confeccionistas atacadistas realizam as operações de criação, compra de matéria-prima, modelagem e planejamento de corte, vendas e distribuição. Todavia a etapa de costura das peças é feita em empresas menores subcontratadas: as facções. [...] A terceira categoria são os faccionistas, e esses podem ser divididos ainda em dois grupos: o primeiro, apenas realiza as operações de costura, acabamento e embalagem a partir dos cortes recebidos de confecções atacadistas. Este tipo de indústria muitas vezes utiliza de mão-de-obra familiar e depende das vendas de clientes para ter o que produzir. [...] O segundo tipo são as confecções que possuem uma equipe de criação que desenvolve modelos para diversas marcas. Quando um modelo é aprovado, o faccionista o produzirá com a etiqueta da marca cliente. [...] Nesse caso não são desenvolvidas coleções, mas peças avulsas ou famílias de produtos conforme o perfil da marca que as irá distribuir. (TREPTOW, 2007, pgs. 39 e 40)A maioria das confecções de Belo Horizonte abordadas nesse trabalho caracterizam-secomo confeccionistas fabricantes. A definição de coleção, para GOMES (1992, apud Treptow, 2007, p. 43)corresponde à “reunião ou conjunto de peças de roupas e/ou acessórios que possuamalguma relação entre si”, sendo que “a relação normalmente está centrada no temaescolhido para a coleção, que deve ser condizente com o estilo do consumidor e com aimagem da marca”, complementa Treptow (2007). O tamanho de uma coleçãodependerá da estratégia de comercialização da empresa, em que uma confecção quevende para lojas multimarcas poderá trabalhar com poucas peças se comparada a umaempresa que possui lojas próprias. Em relação às vendas dos produtos essas podem ser feitas por atacado ouvarejo. Conforme a mesma autora, as vendas por atacado de uma coleção podem ser 32
  33. 33. realizadas por pedidos ou pelo sistema de pronta entrega. Por pedidos, “as vendas sãofeitas a partir do mostruário completo e as peças serão produzidas e entregues conformea solicitação do comprador”. Já pelo sistema de pronta-entrega, “as vendas podem serrealizadas a partir de um mostruário parcial, composto pelas peças disponíveis emestoque”. Dessa forma, tem-se que as vendas de pedidos acontecem na seguintedinâmica: O cliente é informado sobre as opções de cores e tamanhos de cada referência, preço e prazo de entrega. O pedido é anotado em um formulário que indica a referência do modelo, cor (ou cores) escolhida, quantidade de peças por tamanho, preço unitário por referência e condições negociadas (prazo de entrega, prazo de pagamento, descontos, forma de transporte da mercadoria, e observações). A venda por pedido é realizada no show room da fábrica (sala destinada a demonstração de produtos e atendimento), nos stands de feiras, escritório de representação, ou através da visita do representante comercial. (TREPTOW, 2007, p.195) Para as vendas de pronta-entrega, o cliente é informado sobre as cores etamanhos das peças disponíveis no estoque. Ele pode observar as referências das peçasque estão no mostruário, porém levará outras, de embalagens fechadas e com as mesmasreferências. Esse tipo de venda é efetuado na fábrica, em lojas de fábrica ou feiras depronta entrega, Treptow (2007, p. 195). As vendas a varejo, por sua vez, são realizadas no sistema de pronta-entrega,exceto por empresas que atuam como atelier, as quais confeccionam, sob medida, um oumais modelos escolhidos pelo cliente. Esse tipo de venda acontece nas lojas dasempresas, feiras com venda direta ao consumidor e em franquias. Os desfiles de moda também são relevantes no segmento de moda. SegundoCoutinh (2009, apud Piroutek, 2010, p.12) correspondem ao momento mais importantede todo o processo de criação da coleção, em que o estilista apresenta ao público suasideias. São os desfiles que geram os grandes eventos de moda, tanto internacionais,como as semanas de moda em Milão, quanto eventos nacionais como o Fashion Rio,Dragão Fashion, em Fortaleza e o São Paulo Fashion Week. São nos desfiles que astendências de moda para a próxima estação são apresentadas. 33
  34. 34. 2.3) A Moda em Belo Horizonte: passado e presente Pode-se iniciar tal discussão a respeito da moda mineira com a seguinte passagemde Fernando Sabino7:“...mineiro não dá ponto sem nó. Ser mineiro é ser diferente, é ter marca registrada, éter história.” Não é difícil de entender a citação já que o mineiro possui característicaspeculiares na hospitalidade e no artesanato, ao mesmo tempo, que é moderno etradicional, aprecia valores de família e aquilo que é de qualidade. Há quem diga que“se a moda pegou em Minas Gerais, irá pegar no resto do Brasil”! Se “pegou” então,provavelmente porque é “coisa boa”, já que mineiro “não dá ponto sem nó”. É por esses aspectos que Minas Gerais é reconhecida, não só pelo “jeitocaracterístico do mineiro”, mas, pela cultura, pela gastronomia, arquitetura e pelamoda. Evidenciar informações sobre a história da moda mineira com a finalidade deesclarecer sobre as particularidades adquiridas no decorrer do tempo até o destaque nomercado atual de moda torna-se, então, apropriado. A moda em Belo Horizonte teve início nos primórdios da fundação da capital.Segundo NOUVEAU (1997, apud Silveira, 2002, p. 17), conforme um anúncioextraído do jornal a Gazeta de 1905, a produção de moda é expressa da seguinte forma: Um hábil contra-mestre com longa prática de diversos ateliers não só na Europa como no Rio de Janeiro, que se acha habilitado a satisfazer a maior exigência de sua arte, desde o mais simples paletó à mais fina e elegante casaca, para o que disponho de colossal sortimento de casemiras, flanelas, brins de todas as qualidades...a roupa feita é cortada pelos melhores e mais elegantes figurinos. (NOUVEAU, 1997, p. 2) Este trecho permite perceber a técnica da mão de obra existente em BeloHorizonte no início do século XX e a influência da moda do Rio de Janeiro, já que aexperiência do contra-mestre não foi adquirida somente na Europa, berço da modacomo visto anteriormente, mas também nessa outra cidade. Essa passagem pode ilustrarcomo o público da capital exige qualidade na confecção de suas roupas, “desde o maissimples paletó à mais fina casaca”.7 Citação extraída do site: SpicyBh. Disponível em:http://www.spicybh.com.br/2010/09/09/modamineira/. Acesso: 10/10/2011. 34
  35. 35. Em 1897 (fundação de Belo Horizonte) e com bases nos jornais da épocaNOUVEAU (1997, apud Silveira, 2002, p. 17) relata que haviam 500 casas dentre elasresidenciais, comerciais e industriais. Logo, após 50 anos, em 1947, segundo a RevistaSocial Trabalhista, “sabe-se que, dos seus dois mil estabelecimentos industriais, maisde 10% deles eram diretamente ligados à moda: alfaiatarias e ateliers, bolsas, cintos,luvas, peles, chapéus, sombrinhas, bengalas, guarda-chuvas, ourivesarias, relojoarias,perfumarias, sabonetes, sapatos, óculos e pince-nez”. Em 1920 o Parc Royal, localizado na Rua da Bahia no número 894, demonstraaspectos do comércio de moda na cidade. Esse estabelecimento contava somente comoutra filial no Rio de Janeiro e comercializava artigos provenientes de Paris, para umpúblico de senhoras, homens e crianças além de artigos para a casa, Silveira (2002, p.17). Conforme o depoimento colhido de D. Yedda, 8 o Parc Royal era uma espécie degaleria onde as pessoas freqüentavam, não só para compras, realizadas porconsumidores com boas condições financeiras, era, também, um local onde as pessoas“mostravam-se” umas para as outras. Nouveau (1997, apud Silveira, 2002, p. 17)complementa que além dos artigos de luxo vendidos no Parc Royal, a decoração e oarrojo das vitrines atraiam os consumidores de Belo Horizonte. Durand (1988) afirma que o progresso e a urbanização nessa época contribuírampara o crescimento do número de costureiras. Nouveau (1997, apud Silveira, 2002, p.18) por sua vez, acrescenta afirmando a existência da representação da Singer SewingMachine, desde 1912, em Belo Horizonte.8 Informações cedidas por Yedda Terezinha Carneiro, avó da presente pesquisadora, a qual freqüentouo Parc Royal, foi costureira nessa época e presenciou o desenvolvimento da moda na capital. 35
  36. 36. Imagem V – Máquina de costura Singer Sewing Machine - Século XIX Fonte: Acervo pessoal O comércio de moda foi sendo definido em alguns espaços na capital como podeser observado a partir da contribuição de Nouveau (1997, apud Silveira, 2002, p. 18): A dispersão das casas de moda nos primeiros anos da Capital Mineira foi se seguindo a definição dos espaços públicos pela espacialidade do seu comércio: os armarinhos e lojas de tecidos na Rua Caethés e Avenida do Commércio (hoje, Avenida Santos Dumont); a Avenida Affonso Penna com suas relojoarias sapatarias; as toilettes masculinas e femininas comercializadas na Rua da Bahia. (NOUVEAU, 1997, p. 1): Os jornais da época anunciavam as casas que ofereciam cursos de corte e costuracomo observa Nouveau (1997, apud Silveira, 2002, p. 18) na Folha Pequena de 1904:“D. Altina Dollabela Teixeira ensina desenho, trabalhos em lã, bordados, flores e bemassim cortar vestidos sob figurino”. Porém, com as restrições impostas pela criseeconômica da década de 30 e pela Segunda Guerra Mundial as importações de artigos eroupas de luxo foram bloqueadas, o que forçou a reprodução local dos vestidos de luxocontribuindo para o desenvolvimento do mercado nacional têxtil e de confecção,Durand (1988, p.71). Conforme Silveira (2002), já na década de cinqüenta existiam na cidade lojascomo a Sibéria, localizada na esquina da Av. Afonso Pena e Rua Espírito Santo, AVantajosa – Modas e peles na Carijós, Antonieta Modas na Rua da Bahia e a Sloper naAv. Afonso Pena. Todas ofereciam ao consumidor roupas prontas do Rio de Janeiro e 36
  37. 37. de São Paulo e atendiam a uma clientela específica, representada pelas mulheres da altasociedade da capital, em vista dos altos preços das peças. Contudo, segundo Guerra (1997, apud Silveira, 2002, p. 19) a existência dessaslojas em Belo Horizonte não significou a desvalorização das costureiras. Emdecorrência dos vários eventos que movimentavam a sociedade, realizados noAutomóvel Club, Iate Clube Pampulha e no Minas Tênis Clube, as mulheres queparticipavam dos mesmos tinham o hábito de encomendar os vestidos às costureirasmais renomadas e informadas sobre as últimas tendências. Logo, GUERRA (1997,apud Silveira, 2002, p. 19) completa afirmando que: É nesse contexto que a moda dos anos 50 se enquadra. A confecção doméstica de roupas era uma prática comum e as mulheres não estavam habituadas a comprar roupas prontas. A maioria do vestuário era assim concebido – quando não copiado, pelo menos inspirado – baseado nas tendências ditadas pela Alta Costura Francesa. (GUERRA, 1997, p. 171) No que concerne à essa passagem as roupas produzidas em Belo Horizonteatualmente são, constantemente, consideradas como peças artesanais, conferindoexclusividade à moda mineira. Pode-se dizer então, que essa característica é observadanas casas de costura existentes na capital na década de 50 e que, desde essa época, asociedade mineira valoriza a confecção das roupas produzidas artesanalmente pelascostureiras de outrora. Já na década de sessenta Nouveau (1997, apud Silveira, 2002, p. 20) asseveraque a reformulação do centro da cidade e o surgimento das galerias dão início a outraconcepção de comércio da moda a partir da “conveniência de diferentes serviços emum mesmo espaço respondendo às novas necessidades de consumo e comportamentodos belo-horizontinos”. Segundo Guerra (1997, apud Silveira, 2002, p. 20) no jornal Estado de Minas de1964 aparecem reportagens que ensinavam como fazer compras nas boutiques cariocas,já que com o desenvolvimento da classe média houve significativo aumento nascompras das roupas confeccionadas no Rio de Janeiro. Tais reportagens evidenciam osurgimento, no cenário de moda na capital, de mulheres que importam roupas prontasde grife. O interesse das mineiras pela moda carioca pode ser explicado, segundoDurand (1988, apud Silveira, 2002, p.20) pelo estilo despojado condizente com o perfilda carioca o que, de certa forma, simboliza essa década, marcada pela emancipação da 37
  38. 38. mulher. Contudo, somente em 1968 e 1969 é que surgem as primeiras boutiques, asquais copiavam a moda do Rio de Janeiro, Guerra (1997, apud Silveira, 2002, p. 20). Primeiramente as boutiques localizavam-se no centro da cidade. Logo,transferem-se para a Savassi. Nesse sentido, “a Savassi torna-se lócus da moda belo-horizontina, perdendo a denominação de bairro residencial”, Nouveau (1997, apudSilveira, 2002, p. 20). Segundo LEMOS (1988, p. 339) nos anos setenta e oitenta naAv. Getulio Vargas encontram-se as boutiques sofisticadas: Nessa avenida, ficam algumas das boutiques mais sofisticadas da Savassi, acompanhadas de famosas lojas de calçados. Tanto umas quanto as outras são conhecidas pelo nome e se instalaram na Savassi, ainda nos anos setenta. Quem, na Zona Sul, não conhece a Via Láctea, a Pecado Original, a Z 14, a Chicletes com Banana, a Betina, o Foto Elias, a Isnard, etc...? Nos anos 80, vieram a Zak, a Marco Aurélio, a Equipage, a Yes Brasil, a República dos Gatos, a Zoomp e muitas outras. Circular pela avenida, para os consumidores do lugar, é viver em estado de deslumbramento com as vitrines de neon, que atingem o máximo de sedução na exposição da moda, nos mais variados estilos up-to-date. Por sua vez, o ir e vir dos nobres consumidores representa uma outra exibição de moda, ‘bom gosto’, ‘estilo’, reforçado pelo estatuto das grifes famosas. O percurso destes freqüentadores converte o lugar numa ‘passagem’ a céu aberto, uma vez que eles mesmos se transformam em vitrines, regidos pela magia do fetiche. A contribuição desse autor demonstra o comportamento dos belo-horizontinosem relação à moda. Desde o Parc Royal as pessoas transitam nesses espaços decompras exibindo as roupas e os acessórios que, conforme a citação, remetem às‘passagens’ de Paris descritas por Walter Benjamin, as quais eram galerias comerciaiscobertas onde os parisienses realizavam compras e exibiam os artefatos da últimamoda. De acordo com Silveira (2002) o surgimento das boutiques mineiras surtiuefeitos sob as roupas feitas sob medida. Há um declínio na confecção das roupasencomendadas às costureiras e aumento nas vendas de peças prontas. Uma curiosidade é que a Betina, citada no trecho acima e fundada em 19649,atualmente possui lojas além da Savassi, nos bairros: Caiçara, Cidade Jardim e na RuaEspírito Santo no centro da cidade. Anos depois, em 1978, a criação da Amicon (Associação Mineira dosConfeccionistas) confirma a iniciativa dos confeccionistas mineiros em se unir em prol9 Informação extraída no site Betina. Disponível em: http://www.betina.com.br/. Acesso: 25/10/2011 38
  39. 39. do desenvolvimento da moda em Minas Gerais, tendo Belo Horizonte como centroregional e um dos pólos da moda nacional. A criação da Amicon demonstra aexistência e a relevância das confecções na capital, assim como a demanda por seusserviços. GUERRA (1997, apud Silveira, 2002, p. 21) afirma que “este é, portanto ummomento para a consolidação do campo da moda em Minas Gerais. Momento em queos produtores e criadores de vestuário começavam a investir em moda, a levá-la asério”. Segundo Nouveau (1997, apud Silveira, 2002, p. 22) em virtude da consolidaçãode um mercado competitivo de moda no Brasil, cria-se em 1982, em Belo Horizonte, oGrupo Mineiro de Moda cujos objetivos são: “atrair para Minas os compradores,profissionalizar a indústria de roupas com estilo, conseguir melhores condições nacompra de matéria-prima e conquistar espaço na mídia especializada”. Conforme o siteUOL Estilo, entre os integrantes do Grupo Mineiro de Moda está o estilista, hojereconhecido nacionalmente, Renato Loureiro, o qual apresenta em suas criações traçosdo artesanato regional. É nessa mesma década que a cidade começa a receber lojistasde outras localidades para a realização de compras nas lojas de Belo Horizonte. Ainda na década de 1980 “realiza-se no Hotel Brasilton a primeira feirarelacionada ao setor de confecções a FITEC”, GUERRA (1997, apud Silveira, 2002, p.22). DURAND (1988, p.76) complementa afirmando que a presença de feirasfinanciadas por expositores “atesta que o setor atingiu um mínimo de diferenciaçãointerna e que existem condições mínimas para certo padrão de cooperação entreempresas concorrentes e/ou complementares”. Para Silveira (2002) a consolidação da capital como centro de referência damoda nacional tornou-se realidade com a inauguração em 1987 do Curso de Extensãode Estilismo e Modelagem do Vestuário na Escola de Belas Artes na UniversidadeFederal de Minas Gerais. A partir dos anos 90 Belo Horizonte se integra no circuito damoda nacional. A participação dos estilistas Ronaldo Fraga e Renato Loureiro, ascoleções da grife mineira Patachou no evento de moda São Paulo Fashion Week em2002 e as constantes exposições à mídia especializada transportam Belo Horizonte parao cenário da moda nacional. Logo, os shoppings se instalaram na capital fomentando omercado do consumo de moda. Conforme PIROUTEK (2010, p. 4) no século XXI a moda já fazia parte do dia-a-dia dos mineiros. “No Festival Minas Cult, em 2005, estilistas mineiros provaram que 39
  40. 40. a moda no Estado era uma das que não copiava o exterior, Rio de Janeiro e São Paulo”.Em 2007 ocorreu a primeira edição do Minas Trend Preview, o primeiro evento queantecipa as coleções a serem lançadas que, conforme o site Sistema FIEMG 10 atraiu,nos três dias de evento, 3,5 mil pessoas dentre elas compradores nacionais einternacionais que circularam entre os desfiles, debates e as 90 grifes participantes nos6,5 mil metros quadrados montados para o evento. O evento foi realizado pelo SistemaFIEMG e teve como patrocinadores da primeira edição a empresa de telecomunicaçõesOi, o SEBRAE, o SENAI Nacional, a AngloGold Ashanti e Codemig – Governo doEstado de Minas Gerais; e o apoio de Abicalçados, Apex (Agencia Brasileira dePromoção de Exportações e Investimentos) e Abit (Associação Brasileira da IndustriaTêxtil). Segundo o mesmo site: O evento alcançou resultados significativos, confirmando a vocação do Estado para o negócio da moda. Segundo os expositores, o crescimento de aproximadamente 30% em relação aos negócios gerados na última coleção trouxe novo ânimo ao setor. Com a estratégica de antecipar tendências e gerar oportunidades de negócios, a primeira edição do Minas Trend Preview deu uma nova cara à moda. Segundo Piroutek (2010) o evento introduziu Minas Gerais no CalendárioBrasileiro da Moda além de evidenciar a valorização da cultura mineira nos desfilespromovidos pelas grifes participantes. Atualmente o evento acontece duas vezes porano antecipando as coleções de outono/inverno e primavera/verão.10 Informações extraídas do site Sistema FIEMG. Disponível em:<http://www.fiemg.org.br/Default.aspx?tabid=7198> Acesso: 10/10/2011. 40
  41. 41. 3) O TURISMO DE NEGÓCIOS COM FOCO NOS NEGÓCIOS DE MODA: configuração, investimentos e negócios 3.1) A Indústria Têxtil no Brasil A indústria têxtil corresponde à transformação de fibras como o algodão em linho, depois em fios e finalmente em tecidos. Esses por sua vez poderão resultar em peças do vestuário, de cama, mesa ou banho. Segundo informações extraídas do site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior11, “a cadeia produtiva têxtil e de confecções inicia-se na agropecuária (fibras naturais) ou na indústria química (fibras manufaturadas), passando pelo fio, tecidos, beneficiamento, confecção e termina no consumidor final”. Essa cadeia é heterogênea no que se refere às matérias-primas utilizadas, os processos produtivos e estratégias empresariais. O setor têxtil se torna representativo para a economia nacional, pois, conforme o site, é o segundo maior gerador do primeiro emprego e o segundo maior empregador da indústria de transformação. No ano de 2010 foram registrados 1,7 milhões de empregados, dos quais 75% são constituídos pela mão de obra feminina, representa 3,5% do PIB total do Brasil, além de possuir um volume de produção com a confecção de 9,8 bilhões de peças. De acordo com o site da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) 12, fundada em 1957 e uma das mais importantes entidades do setor econômico do país, o Brasil possui auto-suficiência na produção de algodão e está entre os 10 mercados mundiais da indústria têxtil. Devido à sua diversidade cultural e extensão territorial, cada região do país atua de forma diferenciada, inovando os meios de produção e o tratamento dos tecidos. Dessa forma, a ABIT em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) criaram o programa Texbrasil (Programa de Exportação da Indústria da Moda Brasileira) em 2001, com intuito de ajudar as empresas nacionais a se desenvolverem nacionalmente e internacionalmente. 11 Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Disponível em: < http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=2&menu=316>. Acesso: 20/10/11; 12 Representa a força produtiva de 30 mil empresas instaladas por todo o território nacional, empresas de todos os portes que empregam mais de 1,7 milhão de trabalhadores e geram, juntas, um faturamento anual de US$ 47 bilhões. Fonte: ABIT. Disponível em: <http://www.abit.org.br/site/navegacao.asp?id_menu=1&id_sub=3&idioma=PT>. Acesso: 20/10/11 41
  42. 42. A missão do programa é apoiar e preparar as empresas do setor para apresentar, de maneira organizada, os produtos brasileiros no mercado internacional. Utilizando diversas ferramentas e ações, o Texbrasil objetiva o aumento da plataforma de empresas brasileiras exportadoras, incentivando a inserção das mesmas no mercado globalizado. (ABIT. Disponível em: <http://www.abit.org.br/site/navegacao.asp?id_menu=1&id_sub=3&idioma= PT>. Acesso: 20/10/11) Em 23 de junho de 2009 foi criado o Sistema Moda Brasil (SMB) durante oevento de moda São Paulo Fashion Week, com a coordenação da Secretaria deDesenvolvimento da Produção (SDP), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria eComércio Exterior (MDIC) e em parceria com diversas associações ligadas à moda edesign. O SMB é instrumento de articulação entre as cadeias produtivas relacionadas aosetor da moda: têxtil e de confecções, gemas, jóias, couro, calçados e artefatos,conforme o site Comunidade Design Brasil. Os objetivos do SMB têm foco nodesenvolvimento de projetos que valorizem a indústria da moda, busquem a soluçãoconjunta dos problemas, do incentivo ao cooperativismo e associativismo, além defomentar a inteligência competitiva. O Sistema Moda Brasil faz parte da Política de Desenvolvimento Produtivo(PDP), lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 12 de maio de 2008 e temcomo integrantes os ministérios da Cultura, Ciência e Tecnologia e RelaçõesExteriores, a ApexBrasil, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI),BNDES, SENAI, SENAC e SEBRAE, segundo o site Comunidade Design Brasil. A partir dessas informações observam-se os esforços, a nível nacional, para odesenvolvimento da cadeia produtiva de moda através de iniciativas e projetos comadesão de entidades de expressão política e nacional como os Ministérios. Esses, porsua vez, representam as empresas que compõem o setor, as quais são responsáveis porgerar empregos e divisas para o país. A realização de eventos que fomentam e valorizam a produção da moda nacionale promovem a divulgação internacional, a fim de atrair investimentos e favorecer aeconomia são realizados em todo o país, além de contarem com o apoio do governo.Nesse contexto, os meios de comunicação como as revistas de moda, os jornais e atelevisão, auxiliam na divulgação e promoção da moda nacional. A expansão dessesetor num mercado competitivo demanda, cada vez mais, a profissionalização que, porsua vez, incentiva a criação de novos cursos superiores e/ ou técnicos, assim como 42
  43. 43. estimula o profissional a recorrer aos mesmos. Os eventos, as feiras, as confecções deestilistas renomados atraem investidores e demandam serviços e equipamentos deoutros setores, como o turismo.3.2) O contexto mineiro O contexto de Belo Horizonte demonstra que existe Turismo de Negóciosrelacionados à moda. Todavia, torna-se pertinente averiguar as razões pelas quais BeloHorizonte vêm sendo escolhida por lojistas de todo o Brasil e do mundo, para“levarem” peças do vestuário produzidas em solo mineiro, haja vista a proximidadecom as capitais paulistas e cariocas, as quais possuem pólos industriais têxteis, Pereira(2010). Segundo o Censo 2010 (IBGE) Belo Horizonte possui uma população de2.375.151 de habitantes. O PIB do Estado de Minas Gerais, no ano de 2008, foi de R$282.522 milhões, sendo que o Estado mineiro possui uma participação na estruturaindustrial brasileira de 10, 96%, o Rio de Janeiro, 12,72% e o estado de São Paulo,33,89%, segundo dados apresentados no Painel Regional da Indústria Mineiraelaborado pelo Sistema FIEMG13. Boriello e Martorelli (2011), em matéria publicada no portal eletrônico RevistaCostura Perfeita, em conformidade com os dados de 2010 apresentados pelo Ministériodo Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Instituto de Estudos de Marketing Industrial(IEMI) num estudo feito pelo Departamento de Economia da Associação Brasileira daIndústria Têxtil e de Confecção (ABIT), o Estado de Minas Gerais ocupa o terceirolugar no PIB da Cadeia Têxtil e de Confecção, o equivalente a 11,741% darepresentação nacional, sendo que no ano de 2011 foram criados 2.084 empregosformais. Olavo Machado Junior, presidente da Federação das Indústrias do Estado deMinas Gerais (FIEMG) diz que:13 O caderno Painel Regional da Indústria Mineira – Outubro 2011 foi adquirido pelo portal eletrônicoFIEMG. Disponível em: <http://www5.fiemg.com.br/Default.aspx?tabid=13427> Acesso: 05/10/11; 43

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