6 Do mesmo modo que recebestes Cristo Jesus, o Senhor,continuai a caminhar nele:                          7               ...
Nosso olhar dirige-se agora para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em Madri, no mêsde agosto de 2011....
Meios ao disporCirculares, Encontros de formaçãoSemeando, Retiro espiritual, Dia de DesertoFormação BíblicaSubsídios para ...
Enraizados e                     Jornadas16 a 21 de                            edificados em                    Em sintoni...
ABRAÃO, O HOMEM DO «EIS-ME, SENHOR»                                                       1AmbientaçãoInicar a reunião com...
A aventura de AbraãoNas origens do povo de Israel, houve um homem que soube viver assim, na presença de Deus.Abraão sai à ...
MOISÉS, O HOMEM QUE CARREGOU COM UM POVO                                                  2AmbientaçãoIniciar a reunião fa...
O segredo de MoisésDe onde tirava Moisés aquela força misteriosa, aquela capacidade para seguir em frente sem secansar com...
DAVID, UM CORAÇÃO PARECIDO COM O DE DEUS                                                 3AmbientaçãoImaginar o coração de...
Mas ao fazer o balanço da sua vida, Samuel dá a seguinte avaliação: «O Senhor procurou alguém como coração semelhante ao s...
RUTE, A MULHER QUE SOUBE SER FIEL                                                     4AmbientaçãoInciar o encontro tentan...
profundas, como uma presença de estabilidade fiel, de permanência inamovível. É essa qualidadeque melhora o amor ou a amiz...
JEREMIAS: UM PROFETA CONFLITIVO                                                        5AmbientaçãoConversar, no início da...
escuros e que exige também uma total certeza de que ele é um companheiro misterioso nessecaminho. Jeremias lutou com esse ...
MARIA, A MELHOR DISCÍPULA                                                            6AmbientaçãoComeçar o encontro faland...
Para reflexão pessoal e de grupoLê em Mt 13,1-51 as parábolas do Reino que encerram grande parte da sabedoria do Evangelho...
JOÃO: SABER-SE AMADO                                                                   7AmbientaçãoIniciar o encontro fala...
Para reflexão pessoal e de grupoComo exprimirias com palavras tuas estas frases de João:- «Se alguém tem sede, venha a Mim...
MULHER TRANSFORMADA                                                                   8AmbientaçãoComeçar a renuão falando...
Para reflexão pessoal e de grupoA figura da pecadora perdoada mostra o respeito de Jesus pelas mulheres que a sociedade de...
BARTIMEU COMEÇA A VER                                                                    9AmbientaçãoComeçar o encontro di...
Para reflexão pessoal e de grupoTambém nós somos como que mendigos sentados à beira do caminho. Torna-te consciente das tu...
ZAQUEU: PERDER PARA GANHAR                                                     10AmbientaçãoIniciar o encontro discutindo ...
Para reflexão pessoal e de grupoA narração do encontro continua aberta. A porta da casa onde se celebra o banquete está ab...
O SAMARITANO: TORNAR-SE PRÓXIMO                                                  11AmbientaçãoComeçar a reunião com todos ...
definitivamente, próximo: «No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo:‘Trata bem dele e, o q...
A VIÚVA POBRE: ENTREGA TUDO                                                     12AmbientaçãoComeçar o encontro partilhand...
Para reflexão pessoal e de grupoLede este poema de R.Tagore e comentai-o a partir da vossa experiência:«Andava eu a mendig...
Neste espaço apresentamos vários tipos de subsídios que podem ser utilizados pelos grupos nasreuniões ou em outro tipo de ...
MENSAGENS DO PAPA                                                                                       A                 ...
é um contrassenso pretender eliminar a Deus para que o homem viva. Deus é a fonte da vida; eliminá-lo equivale aseparar-se...
minhas palavras e as pratica [...] é semelhante ao homem que, edificando uma casa, cavou bem fundo e pôs os alicercessobre...
ver, escutar e tocar ao Senhor, em quem Deus saiu ao nosso encontro para se deixar conhecer. De fato, Jesus mesmo,aparecen...
comunidades religiosas, associações e movimentos eclesiais que estão trabalhando com generosidade na preparaçãodeste event...
OS “DEUSES” EM QUE NÃO CREIO                                                           BGostava de fazer-te uma pergunta a...
Recuso-me a acreditar no deus catedrático, um deus complicado que só está ao alcance deinteligentes e estudiosos, com quem...
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Firmes na fé   reuniões
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Firmes na fé reuniões

1,552 views

Published on

Published in: Spiritual
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
1,552
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
6
Actions
Shares
0
Downloads
24
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Firmes na fé reuniões

  1. 1. 6 Do mesmo modo que recebestes Cristo Jesus, o Senhor,continuai a caminhar nele: 7 enraizados e edificados nele, firmes na fé, tal como fostes instruídos, transbordando em acção de graças. (Col 2) Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 2
  2. 2. Nosso olhar dirige-se agora para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em Madri, no mêsde agosto de 2011. Já em 1989, alguns meses antes da histórica queda do Muro de Berlim, a peregrinação dosjovens fez uma parada na Espanha, em Santiago de Compostela. Agora, no momento em que a Europa temque voltar a encontrar suas raízes cristãs, fixamos nosso encontro em Madri, com o lema: "Enraizados eedificados em Cristo, firmes na fé" (cf. Col 2, 7). Convido-vos a este evento tão importante para a Igreja naEuropa e para a Igreja universal. Além disso, gostaria que todos os jovens, tanto os que compartilham nossa féquanto os que hesitam, duvidam ou não creem, pudessem viver esta experiência, que pode ser decisiva para avida: a experiência do Senhor Jesus ressuscitado e vivo, de seu amor por cada um de nós. (Papa Bento XVI)TEMA - "Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé" (Col 2,7)OBJECTIVO GERALDescobrir na vida do Povo de Israel o caminho de fé que conduz a CristoObjectivos específicosConhecer a caminhada de fé de alguns personagens bíblicos.Reconhecer a fé como dom divinoAderir a Jesus Cristo como projecto de vidaAssumir na vida pessoal e social as exigências da féCritérios de acçãoEncontro de formação: irmãs, animadores e outros.Dia de desertoEncontro vocacionalVisitas aos gruposFormação bíblicaParticipação nas Jornadas Mundiais da Juventude Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 3
  3. 3. Meios ao disporCirculares, Encontros de formaçãoSemeando, Retiro espiritual, Dia de DesertoFormação BíblicaSubsídios para as Reuniões de gruposSubsídios para as Jornadas Mundiais da JuventudeCALENDARIZAÇÃOData Acçao Tema Local Notas Enraizados e Encontro de edificados em Levar a Bíblia, caderno de30 de Outubro Mirandela Abertura Cristo, firmes na fé. apontamentos e almoço. (Col 2,7) Grupos de: Macedo (D.13 de Novembro C. D. Abílio Abílio), Macedo (Cidade) Pereira, Mirandela Grupos de: Ligares, Freixo 1º Ciclo de O meu projecto de Freixo de de E. à Cinta, Sendim,20 de Novembro visitas aos vida: aderir a Jesus Espada à Cinta Miranda do Douro, grupos Cristo. Bragança Grupos de: Loivos. Vilar de04 de Dezembro Celhariz, Vilar de Nantes Nantes Braga Encontro de As parábolas de Levar a Bíblia, caderno de15 de Janeiro formação/ Mirandela Jesus na minha vida apontamentos e almoço. animadores Grupos de: Macedo (D.12 de Fevereiro Pereira Abílio), Macedo (Cidade) Pereira, Mirandela Grupos de: Ligares, Freixo 2º Ciclo de Assumir na vida Miranda do de E. à Cinta, Sendim,19 de Fevereiro visitas aos pessoal e social as Douro Miranda do Douro, grupos exigências da fé Bragança Grupos de: Loivos.26 de Fevereiro Loivos Celhariz, Vilar de Nantes Braga Dia de A fé que me Tempo de trabalho5 de Março Sr. do Campo Deserto transforma individual Encontro de Participação nos8 e 15 de Maio Visitadores encontros de zona Levar a Bíblia, caderno de Rezar com os10 e 11 de Junho Retiro Mirandela apontamemtos e saco- Salmos cama Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 4
  4. 4. Enraizados e Jornadas16 a 21 de edificados em Em sintonia com a Mundiais da MadridAgosto Cristo, firmes na fé. Diocese juventude (Col 2,7)SÍMBOLO A PERCORRER PELOS GRUPOS– Vela, presença de fé. Escolher e escrever uma frasebíblica relacionada com a fé.CATEQUESES PARA OS GRUPOS 1. Abraão, o homem do «Eis-me, Senhor» 2. Moisés, o homem que carregou com um povo 3. David, um coração parecido com o de Deus 4. Rute, a mulher que soube ser fiel 5. Jeremias: um profeta conflitivo 6. Maria a Melhor discípula 7. João; saber-se amado 8. Mulher transformada 9. Bartimeu começa a ver 10. Zaqueu: perder para ganhar 11. Samaritano: tornar-se próximo 12. A viúva pobre: entrega tudoEstrutura das reuniões a) Ambientação – Acolhimento dos jovens. Actividades de acolhimento e abertura do tema. b) Palavra de Deus – Passagem bíblica que pode ser apresentada de várias formas e lida com uma vela acesa. Os jovens devem levar a Bíblia para as reuniões. c) Meditação – Partilhas para estudo e meditação da Palavra apresentada. Diálogo sobre o tema. d) Para reflexão pessoal e de grupo – Propostas de trabalho individual e/ou de grupo. e) Oração – Oração proposta que pode ser rezada de diferentes formas. f) Compromisso – Proposta de compromisso para viver a Palavra até ao próxmo encontro.Nota: Nas reuniões ou noutros momentos de formação/oração podem ser utilizados os materiais deapoio que estão na segunda parte deste dossier.Contactos:Ir. Emília Seixas – 278461112 - cunsp@portugalmail.ptIr. Conceição Borges – 273300200 - conceicaoborges@gmail.com Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 5
  5. 5. ABRAÃO, O HOMEM DO «EIS-ME, SENHOR» 1AmbientaçãoInicar a reunião com os olhos fechados e partilhar as sensações que se vivenciaram.Palavra de Deus1 Após estas ocorrências, Deus pôs Abraão à prova e chamou-o: «Abraão!» Ele respondeu: «Aquiestou.» 2Deus disse: «Pega no teu filho, no teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à região deMoriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar.» 3 No dia seguinte de manhã, Abraão aparelhou o jumento, tomou consigo dois servos e o seu filhoIsaac, partiu lenha para o holocausto e pôs-se a caminho para o lugar que Deus lhe tinha indicado. 4 Ao terceiro dia, erguendo os olhos, viu à distância aquele lugar. 5Disse então aos servos: «Ficai aquicom o jumento; eu e o menino vamos até além, para adorarmos; depois, voltaremos para junto devós.» 6 Abraão apanhou a lenha destinada ao holocausto, entregou-a ao seu filho Isaac e, levando na mão ofogo e o cutelo, seguiram os dois juntos. 7 Isaac disse a Abraão, seu pai: «Meu pai!» E ele respondeu: «Que queres, meu filho?» Isaacprosseguiu: «Levamos fogo e lenha, mas onde está a vítima para o holocausto?» 8Abraão respondeu:«Deus proverá quanto à vítima para o holocausto, meu filho.» E os dois prosseguiram juntos. 9 Chegados ao sítio que Deus indicara, Abraão construiu um altar, dispôs a lenha, atou Isaac, seu filho,e colocou-o sobre o altar, por cima da lenha. 10 Depois, estendendo a mão, agarrou no cutelo, para degolar o filho. 11Mas o mensageiro do Senhorgritou-lhe do céu: «Abraão! Abraão!» Ele respondeu: «Aqui estou.» 12O mensageiro disse: «Nãolevantes a tua mão sobre o menino e não lhe faças mal algum, porque sei agora que, na verdade,temes a Deus, visto não me teres recusado o teu único filho.» 13Erguendo Abraão os olhos, viu entãoum carneiro preso pelos chifres a um silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, emsubstituição do seu filho. l 14Abraão chamou a este lugar: «O Senhor providenciará»; e dele aindahoje se diz: «Na montanha, o Senhor providenciará.» 15 O mensageiro do Senhor chamou Abraão do céu, pela segunda vez, 16e disse-lhe:«Juro por mim mesmo, declara o Senhor, que, por teres procedido dessa forma e por não me teresrecusado o teu filho, o teu único filho, 17abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como asestrelas do céu e como a areia das praias do mar. Os teus descendentes apoderar-se-ão das cidadesdos seus inimigos. 18E todas as nações da Terra se sentirão abençoadas na tua descendência,porque obedeceste à minha voz.» 19 Abraão voltou para junto dos servos, e regressaram juntos a Bercheba, onde Abraão fixouresidência. (Gen 22)Eis-me, SenhorMuitos homens e mulheres ao longo da história viveram numa atitude de «eis-me aqui» diante deDeus, mas nalguns essa disponibilidade foi marcada a fogo: são aqueles que souberam manter o seu«Eis-me, Senhor» até nos momentos terríveis em que os pés bordejam o abismo do desespero.Nessas ocasiões, nem todos são capazes de aguentar a pé firme e de esperar contra toda aesperança; aqueles que se atrevem a fazê-lo, encontram debaixo dos pés a rocha sólida que sustém asua fidelidade. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 6
  6. 6. A aventura de AbraãoNas origens do povo de Israel, houve um homem que soube viver assim, na presença de Deus.Abraão sai à procura de uma terra e de uma descendência. Deus chama-o, Abraão não vacila eacredita no impossível. Escuta o Senhor e põe-se em marcha e a sua fé é recompensada pelonascimento de Isaac. Mas chega a prova decisiva. O sacrifício do seu próprio e único filho. Este relatoquer transmitir-nos a grandeza e o valor da atitude de disponibilidade, abandono e confiança. Abraãoestá sempre aberto à escuta, disposto sempre a obedecer e a caminhar na presença do seu Deus comabsoluta integridade.Seguindo as pegadas de AbraãoAbraão não nos é apresentado para brilhar por si mesmo nem para ser modelo absoluto: o únicoMestre e Senhor a quem seguimos é Jesus. Mas todos os que, de alguma forma, se foram parecendocom ele, mesmo sem o conhecer, deixaram as suas pegadas no caminho para que nos seja maisacessível. Seremos hoje capazes de dizer a Deus: «Eis-me, Senhor», seguindo as pegadas de Abraão?Para reflexão pessoal e de grupoRecorda algumas situações de perturbação, insegurança, resistência, medo…?É-te fácil ou difícil estar todo no que fazes e aberto aos outros, à vida e, portanto, a Deus que techama através de tudo isso? Porquê?Desenhar numa folha grande a expressão «Eis-me, Senhor»,de forma que ela exprima de um modográfico como é que cada um vive a atitude de disponibilidade para com Deus e para com os outros.Escrever uma carta pessoal a Abraão, contando-lhe as reacções que teve ao conhecer/recordar a suahistória, a sua maneira de agir e de responder a Deus, fazendo-lhe perguntas, etc. Podem ler-se ascartas em voz alta e comentar.Oração final – Sl 1191 Felizes os que seguem o caminho da rectidãoe vivem segundo a lei do Senhor. 2 Felizes os que cumprem os seus preceitose o procuram com todo o coração, 3 que não praticam o mal,mas andam nos caminhos do Senhor. 4 Promulgaste os teus preceitospara se cumprirem fielmente. 5 Oxalá os meus passos sejam firmesno cumprimento dos teus decretos. 6 Então não terei de que me envergonhar,se observar os teus mandamentos. 7 Poderei louvar-te de coração sincero,instruído pelos teus justos juízos. 8 Hei-de cumprir as tuas leis;não me abandones mais!CompromissoEscolher uma frase ou expressão da oração e meditá-la ao longo da semana. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 7
  7. 7. MOISÉS, O HOMEM QUE CARREGOU COM UM POVO 2AmbientaçãoIniciar a reunião falando de cargos de responsabilidade na Igreja e na sociedade. Aspectos positivos enegativos dos mesmos.Palavra de Deus4 O Senhor viu que ele se adentrava para ver; e Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!»Ele disse: «Eis-me aqui!» 5Ele disse: «Não te aproximes daqui; tira as tuas sandálias dos pés, porque olugar em que estás é uma terra santa.» 6E continuou: «Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, oDeus de Isaac e o Deus de Jacob.» Moisés escondeu o seu rosto, porque tinha medo de olhar paraDeus. 7O Senhor disse: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamordiante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. 8Desci a fim de o libertar damão dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra quemana leite e mel, terra do cananeu, do hitita, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu. 9Eagora, eis que o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e vi também a tirania que os egípciosexercem sobre eles. 10E agora, vai; Eu te envio ao faraó, e faz sair do Egipto o meu povo, os filhos deIsrael.» 11Moisés disse a Deus: «Quem sou eu para ir ter com o faraó e fazer sair os filhos de Israel doEgipto?» 12Ele disse: «Eu estarei contigo. Este é para ti o sinal de que Eu te enviei: quando tiveresfeito sair o povo do Egipto, servireis a Deus sobre esta montanha.» (Ex 3)Um encontro decisivoMoisés tenta recuar ante a imensidade da tarefa que lhe é encomendada:«Quem sou eu?»Ele procurava sacudir dos ombros aquela enorme responsabilidade e refugiava-se no terreno da suaprópria incapacidade. Mas Deus não cedeu e Moisés teve de acabar por aceitar e “carregar” comaquela tarefa. A saída não foi fácil. O Faraó não podia tolerar que se lhe escapasse mão-de-obra tãobarata. Na outra margem está o deserto:um clima duro, falta de água, uma terra ingrata; avivam-seas tensões entre clãs e famílias. Queixam-se, protestam, querem voltar para trás… Moisés, noentanto, aguenta serenamente as queixas, procura sanar as divergências, luta contra a dispersão.A força de um homem tímidoPor vezes, Moisés, sente-se no limite das suas forças e desabafa com Deus, falando-lhe como a umamigo: «Que faço deste Povo? Por pouco não me apedrejam…»(Ex 17,4). Quando parece que é Deusquem perde a paciência com aquele Povo (Ex 32,10), Moisés reage com uma valentia e uma audáciainesperada: …«Se achei graça a Teus olhos, digna-te caminhar no meio de nós, embora sejamos umpovo teimoso…»(Ex 34, 8-9). Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 8
  8. 8. O segredo de MoisésDe onde tirava Moisés aquela força misteriosa, aquela capacidade para seguir em frente sem secansar com aquele povo tão teimoso e tão rebelde?Todos os dias, «Moisés saía em direcção à “tenda do encontro”… e quando ele entrava, a nuvemdescia e ficava à entrada da tenda, enquanto o Senhor falava com Moisés como um amigo fala com oseu amigo… e o seu rosto estava radiante porque tinha falado com o Senhor»(Ex 33,8.1; 34,29)Talvez invejemos esta familiaridade, esta relação tão estreita e tão fiel. Era daquele encontro comDeus que Moisés tirava a sua força para manter a fidelidade à sua missão, como também era a suadecisão de permanecer fiel ao compromisso com aquele povo e a defendê-lo acima de tudo o que opunha em sintonia com Deus e o preparava para se encontrar com Ele.Para reflexão pessoal e de grupoOlha as responsabilidades que tens: familiares, de trabalho, sobre alguma pessoa ou grupo…Como as vives? Cansas-te e queixas-te com frequência?Como reages quando não vês resposta? Desanimas facilmente?Acreditas que é possível manter uma atitude parecida com a de Moisés neste ponto?Procura traços de Moisés em alguns homens ou mulheres de hoje. Explica no teu grupo o porquê datua escolha.Oração final – Sl 11949 Lembra-te da palavra que deste ao teu servo,pois nela me fizeste colocar a minha esperança.50 É esta a consolação na minha angústia:que a tua palavra me dê vida!51 Os soberbos zombaram de mim,mas não me afastei da tua lei.52 Recordo-me dos teus decretos de outrora;neles encontro consolação, ó Senhor.53 Fico indignado à vista dos ímpios,que rejeitam a tua lei.54 Os teus preceitos são o motivo dos meus cânticosna terra do meu peregrinar.55 Durante a noite lembro-me do teu nome, Senhor,e penso muito na tua lei.56 Só isto conta para mim:obedecer às tuas instruções!CompromissoProcurar ter uma experiência profunda com Deus no início da semana, retirando daí coragem e forçapara o restantes dias. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 9
  9. 9. DAVID, UM CORAÇÃO PARECIDO COM O DE DEUS 3AmbientaçãoImaginar o coração de Deus e desenhar numa cartolina.Palavra de DeusDeus escolhe os pequenos1 O Senhor disse a Samuel: «Até quando chorarás Saul, tendo-o Eu rejeitado para que não reine emIsrael? Enche o teu chifre de óleo e vai. Quero enviar-te a Jessé de Belém, pois escolhi um rei entre osseus filhos.» Samuel respondeu: «Como hei-de ir? Se Saul souber, irá tirar-me a vida.» 2O Senhordisse: «Levarás contigo um novilho e dirás que vais oferecer um sacrifício ao Senhor. 3ConvidarásJessé para o sacrifício e Eu te revelarei o que deverás fazer. Darás por mim a unção àquele que Eu teindicar.» 4Fez Samuel como o Senhor ordenara.Ao chegar a Belém, os anciãos da cidade saíram-lhe ao encontro, inquietos, e disseram: «É de paz atua vinda?» 5 Ele respondeu: «Sim. Venho oferecer um sacrifício ao Senhor; purificai-vos e acompanhai-me para osacrifício.» Ele mesmo purificou Jessé e os filhos e convidou-os para o sacrifício. 6 Logo que entraram, Samuel viu Eliab e pensou consigo: «Certamente é este o ungido do Senhor.» 7 Mas o Senhor disse a Samuel: «Que te não impressione o seu belo aspecto, nem a sua alta estatura,pois Eu rejeitei-o. O que o homem vê não importa; o homem vê as aparências, mas o Senhor olha ocoração.» 8 Jessé chamou Abinadab e apresentou-o a Samuel, que disse: «Não é este o que o Senhor escolheu.» 9 Jessé trouxe-lhe, também, Chamá. E Samuel disse: «Ainda não é este o que o Senhor escolheu.»10 Jessé apresentou-lhe, assim, os seus sete filhos, mas Samuel disse: «O Senhor não escolheunenhum deles.» 11E acrescentou: «Estão aqui todos os teus filhos?» Jessé respondeu: «Resta ainda omais novo, que anda a apascentar as ovelhas.» Samuel ordenou a Jessé: «Manda buscá-lo, pois nãonos sentaremos à mesa antes de ele ter chegado.» 12Jessé mandou então buscá-lo. David era louro,de belos olhos e de aparência formosa. O Senhor disse: «Ei-lo, unge-o: é esse.» 13Samuel tomou ochifre de óleo e ungiu-o na presença dos seus irmãos. E, a partir daquele dia, o espírito do Senhorapoderou-se de David. E Samuel voltou para Ramá. (1 Sam 16)A balança de DeusNa bíblia encontramos as características da “balança de Deus” que avalia e “pesa” a vida das pessoas.O que interessa a Deus não é tanto que a pessoa seja inatacável, mas sobretudo generosa,magnânima, autêntica, humilde, mesmo que se tenha enganado muitas vezes.Uma personalidade complexaSe não nos acostumarmos a este tipo de balança, dificilmente poderemos entender algo da figura deDavid. A sua personalidade é complexa e cheia de ambiguidades; sensível, vulnerável, poeta, capazde grandes amizades e de habilidades e astúcias de político. Corajoso e valente, é também débil e cainos pecados mais desprezíveis. A sua história está cheia de equívocos e acertos, de fracassos e deêxitos, de pecado e de graça. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 10
  10. 10. Mas ao fazer o balanço da sua vida, Samuel dá a seguinte avaliação: «O Senhor procurou alguém como coração semelhante ao seu e encontrou David» (1Sam13,14). Esta semelhança está nas qualidadesde espírito que o poderiam caracterizar: a magnanimidade, a transparência, a capacidade de amar.Conhecendo mais David, chegamos a conhecer melhor como é o coração de Deus.Para reflexão pessoal e de grupoQue palavras do Evangelho se podiam aplicar a David?Se pudésseis conversar com ele, que perguntas lhe faríeis?Se quisésseis simbolizar a sua personalidade com uma paisagem, qual escolheríeis?Oração final – Sl 572 Tem compaixão de mim, ó Deus, tem compaixão,porque em ti me refugioe me abrigo à sombra das tuas asas,até que passe o perigo.3 Clamo ao Deus Altíssimo,ao Deus que faz tudo por mim.4 Que Ele me envie do céu a sua ajudae me salve dos que procuram destruir-me;que Ele envie do céu o seu amor e fidelidade.5 Encontro-me rodeado de leões,dispostos a devorar os seres humanos;os seus dentes são como lanças e flechas,e a sua língua, como uma espada afiada.6 Ó Deus, revela nas alturas a tua grandeza,e, sobre toda a terra, a tua glória.7 Armaram um laço para os meus péspara me fazerem cair;cavaram um fosso diante de mim,mas foram eles que lá caíram.8 O meu coração está firme, ó Deus,o meu coração está firme;quero cantar e salmodiar.9 Ó minha alma, desperta! Despertai, lira e cítara!Quero despertar a aurora!10 Hei-de louvar-te, Senhor, entre os povos,hei-de cantar-te salmos entre as nações.11 O teu amor é tão grande que chega aos céuse até às nuvens se estende a tua fidelidade.12 Ó Deus, revela nas alturas a tua grandeza,e, sobre toda a terra, a tua glória.CompromissoColocar coragem nos momentos mais difíceis do dia-a-dia.Acreditar que Deus olha mais às nossas vitórias que às derrotas. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 11
  11. 11. RUTE, A MULHER QUE SOUBE SER FIEL 4AmbientaçãoInciar o encontro tentando encontrar definições para fidelidade.Desenhar a fidelidade.Palavra de Deus8 Booz disse a Rute: «Já ouviste, minha filha. Não vás respigar noutro campo; não te afastes deste ejunta-te às minhas servas. 9Repara no campo por onde vão a ceifar e vai atrás delas. Pois ordenei aosmeus servos que não te incomodem. E se tiveres sede, vai à bilha e bebe da água que eles tiveremtrazido.» 10Rute, prostrando-se por terra, disse-lhe: «Porque encontrei tal bondade da tua parte,tratando-me como natural, a mim que sou uma estrangeira?» 11Replicando, Booz disse-lhe: «Já mecontaram tudo o que fizeste pela tua sogra, depois da morte do teu marido: como deixaste o teu pai,a tua mãe e a terra onde nasceste e vieste para um povo que há bem pouco nem conhecias. 12OSenhor te pague por todo o bem que fizeste; que o Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas teacolheste, te dê a recompensa merecida.» 13Ela respondeu: «Que eu encontre sempre bondade datua parte, meu senhor, pois me reconfortaste e falaste ao coração desta tua escrava, embora nãoseja digna de vir a ser sequer uma das tuas escravas.» (Rut 2, 8-13)9 Booz disse aos anciãos e a todo o povo: «Sois hoje testemunhas de que comprei, da mão de Noemi,tudo o que pertencia a Elimélec, a Quilion e a Maalon. 10Com isto adquiro, igualmente, por mulherRute, a moabita, viúva de Maalon, para conservar o nome do defunto, sobre a sua herança e paraque este nome não seja eliminado de entre os seus irmãos e da porta da sua cidade. Vós sois, hoje,testemunhas disso.» 11Então, todo o povo que estava junto da porta respondeu com os anciãos:«Somos testemunhas! O Senhor torne essa mulher, que entra na tua casa, semelhante a Raquel e aLia, que juntas fundaram a casa de Israel! Que sejas próspero em Efrata e o teu nome seja famoso emBelém! 12Seja a tua casa como a casa de Peres, filho que Tamar deu a Judá, pela posteridade que oSenhor te der por esta jovem.» 13Booz tomou, pois, Rute, que se tornou sua mulher. Juntou-se a ela eo Senhor concedeu-lhe a graça de conceber e dar à luz um filho. 14As mulheres diziam a Noemi:«Bendito seja o Senhor, que não te recusou um parente de resgate, neste dia. Que o seu nome sejaproclamado em Israel. 15Ele te dará a vida e será o arrimo da tua velhice, porque nasceu um meninoda tua nora, que te ama e é para ti mais preciosa do que sete filhos.» 16Noemi recebeu o menino ecolocou-o no seu regaço, tornando-se a sua ama. 17As suas vizinhas, congratulando-se com ela,diziam: «Nasceu um filho a Noemi.» E deram-lhe o nome de Obed. Este foi pai de Jessé e avô deDavid. (Rut 4, 9-17)O provisórioPertencemos a uma civilização em que nos rodeia mais o efémero do que o duradoiro. A publicidadeinculca-nos uma mentalidade de «usar e deitar fora». Quando podemos mudamos de penteado, detelemóvel… procuramos o novo e o diferente. Tudo o que dura muito aborrece-nos. A sociedadeleva-nos a interrogar-nos sobre a própria possibilidade de uma vinculação que dure para sempre: omatrimónio indissolúvel, a profissão perpétua num instituto religioso, são consideradas como opçõesde vida do passado porque – dizem-nos – «deve-se viver dia-a-dia». Neste elogio do provisório, doplástico, apela-se para o espontâneo, reivindica-se uma falsa liberdade. Mas também encontramosoutras pessoas cuja existência é-nos oferecida como uma grande árvore de raízes grossas e Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 12
  12. 12. profundas, como uma presença de estabilidade fiel, de permanência inamovível. É essa qualidadeque melhora o amor ou a amizade. Comunica uma segurança, uma solidez em que nos podemosapoiar, uma fidelidade onde nos acolhermos.RuteA fidelidade de Rute atraiu sobre ela a protecção e o amor de um homem justo. No relato aparecemfome, miséria, morte, solidão, tristeza, amargura, medo do futuro, incerteza. Mas a força de Deusactua quando os homens são fiéis. Filhos de uma cultura em que a fidelidade está desvalorizada,temos esta chamada urgente para descobrir esse valor que nos torna tão parecidos com o próprioDeus porque nos faz oferecer aos outros o que ele nos oferece: uma rocha sólida em que nosapoiemos, umas asas debaixo das quais nos possamos sentir seguros.Para reflexão pessoal e de grupoDivide uma folha de papel em duas colunas e, depois de ler o livro de Rute (tem apenas quatrocapítulos e pode ser atribuído um capítulo a cada grupo), anota na coluna da esquerda tudo o quesão situações negativas (fome, …); na da direita, as situações positivas (fidelidade, acolhimento, etc.).14 Elas choraram novamente em alto pranto. Entretanto, Orpa beijou a sua sogra e retirou-se, mas Rute permaneceu nasua companhia. 15Noemi disse-lhe: «Vês, a tua cunhada voltou para o seu povo e para os seus deuses. Vai tu também coma tua cunhada.» 16Mas Rute respondeu:«Não insistas para que te deixe, pois onde tu fores, eu irei contigo e ondepernoitares, aí ficarei; o teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus. 17Onde morreres, também eu queromorrer e ali serei sepultada. Que o Senhor me trate com rigor e ainda o acrescente, se até mesmo a morte me separar de 18ti.» Vendo que ela estava assim decidida, Noemi não insistiu mais com ela. (Rut 1)Actualiza estas palavras de Rute. A quem as dirias?Oração final – Sl 911 Aquele que habita sob a protecção do Altíssimo e mora à sombra do Omnipotente,2 pode exclamar: «Senhor, Tu és o meu refúgio,a minha cidadela, o meu Deus, em quem confio!»3 Ele há-de livrar-te da armadilha do caçadore do flagelo maligno.4 Ele te cobrirá com as suas penas;debaixo das suas asas encontrarás refúgio;a sua fidelidade é escudo e couraça.5 Não temerás o terror da noite,nem da seta que voa de dia,6 nem da peste que alastra nas trevas,nem do flagelo que mata em pleno dia.14 «Porque acreditou em mim, hei-de salvá-lo;hei-de defendê-lo, porque conheceu o meu nome.15 Quando me invocar, hei-de responder-lhe;estarei a seu lado na tribulação,para o salvar e encher de honras.CompromissoRepetir e rezar a frase de Rute, atribuindo-a a tua relação com Deus: «onde tu fores, eu irei contigo». Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 13
  13. 13. JEREMIAS: UM PROFETA CONFLITIVO 5AmbientaçãoConversar, no início da reunião, sobre as queixas mais comuns dos jovens e da sociedade. Apontarpossíveis causas.Palavra de DeusUm homem que perguntaPorque alcançam os maus tanto sucesso e os pérfidos vivem tranquilos na sua malvadez? (Jer 12, 1-3)18 Porque se tornou perpétua a minha dor, e não cicatriza a minha chaga, rebelde ao tratamento?Ai! Serás para mim como um riacho enganador de água inconstante? (Jer 15,18)Um homem que se queixa7 Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir! Tu me dominaste e venceste.Sou objecto de contínua irrisão, e todos escarnecem de mim.9 A mim mesmo dizia: «Não pensarei nele mais! Não falarei mais em seu nome!»Mas, no meu coração, a sua palavra era um fogo devorador, encerrado nos meus ossos.Esforçava-me por contê-lo, mas não podia. 14Maldito seja o dia em que eu nasci!18 Porque saí do seu seio? Somente para contemplar tormentos e misérias, e consumir os meus diasna confusão? (Jer 20, 7-17)Um home que denuncia 9 Roubais, matais, cometeis adultérios, jurais falso, ofereceis incenso a Baal e procurais deuses quevos são desconhecidos; 10e depois, vindes apresentar-vos diante de mim, neste templo, onde o meunome é invocado, e exclamais: Estamos salvos! Mas seguidamente voltais a cometer todas essasabominações. 11Porventura, este templo, onde o meu nome é invocado, é a vossos olhos, um covil deladrões? Ficai sabendo que Eu vi todas estas coisas - oráculo do Senhor. (Jer 7, 1-11)Jeremias escolhidoUm dos maiores problemas da nossa vida cristã é o de fabricarmos um Deus à nossa medida. Amelhor prenda que Deus nos pode dar é fazer os nossos deuses em pedaços e dar-se-nos a conhecercomo Aquele que é sempre maior que qualquer imagem que possamos fazer dele.Jeremias procura evitar o peso do chamamento, da responsabilidade, da missão. Pensa que talvezpossa convencer Deus com os seus argumentos e manejar os seus planos com as suas razões. Mas ainsistência de Deus é peremptória (Jer 1,7-10). O silêncio de Jeremias foi a sua primeira rendiçãodiante daquele que verificara ser mais forte.A tarefaA tarefa é dura: antes de construir ou criar algo de positivo, tinha de arrancar tudo o que em Israeleram falsas raízes de segurança e de confiança, derrubar os muros da injustiça e derreter os gelos dasinfidelidades. E para esse trabalho tão ingrato, uma só garantia: «Eu estarei contigo».Jeremias lança-se com coragem, mas nada do que diz é do agrado do povo. A reacção do rei e dossacerdotes foi fulminante e Jeremias acaba preso. Experimenta amargamente a incompreensão, asolidão, a hostilidade, o fracasso. E é no fundo desse abismo que faz a experiência mais profunda deDeus. Um Deus que não admite resistências quando envia, que arrasta para caminhos perigosos e Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 14
  14. 14. escuros e que exige também uma total certeza de que ele é um companheiro misterioso nessecaminho. Jeremias lutou com esse Deus: protestou, queixou-se… mas Deus entrou na vida deJeremias e cumpriu a sua promessa. Ao observarmos a vida de Jeremias, não nos encontramos comas histórias de um herói, mas com a história de um homem que se rendeu ao poder desse amor.Para reflexão pessoal e de grupoEstas seis imagens pertencem à missão deJeremias. Ampliai-as num cartaz e escrevei,em cada uma, as situações da vossa vida,do vosso grupo ou do vosso mundo, queprecisam dessa acção.Talvez também tenhais queixas ou perguntasque não tendes coragem de fazer. Reconheceie exprimi os vossos sentimentos. Tentai depoischegar a uma atitude mais profunda deadoração silenciosa diante de Deus,cujo mistério nos inunda…Construí uma oração onde reflictais oque sentis diante de Deus Amor.São lidas as orações dos grupos apósa oração proposta e antes do compromisso.Oração - Sir 36 1 Tem piedade de nós, ó Senhor, Deus de todas as coisas;olha para nós e espalha o teu temor sobre todas as nações.4 Que reconheçam, como também nós reconhecemos,que fora de ti, Senhor, não há outro Deus.5 Renova os teus prodígios, faz novos milagres,glorifica a tua mão e o teu braço direito.10 Reúne todas as tribos de Jacob,toma-as como tua herança, como no princípio.11 Tem piedade, Senhor, do teu povo,que foi chamado pelo teu nome,e de Israel, que trataste como filho primogénito.12 Tem piedade da cidade do teu santuário,de Jerusalém, lugar do teu repouso.13 Enche Sião do louvor das tuas maravilhas,e o teu povo com a tua glória.CompromissoDebruçar-me sobre qual será a missão que Deus me propõe e ir colocando-a em prática.Confiar que, mesmo na tribulação, Deus está. Repetir até ao próximo encontro esta certeza: «Euestarei contigo». Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 15
  15. 15. MARIA, A MELHOR DISCÍPULA 6AmbientaçãoComeçar o encontro falando sobre presentes especiais que cada um recebeu e a forma que costumautilizar para agradecer.Palavra de Deus46 Maria disse, então:«A minha alma glorifica o Senhor 47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.Porque pôs os olhos na humildade da sua serva.De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49 O Todo-poderoso fez em mim maravilhas.Santo é o seu nome. 50 A sua misericórdia se estende de geração em geraçãosobre aqueles que o temem. 51 Manifestou o poder do seu braçoe dispersou os soberbos. 52 Derrubou os poderosos de seus tronose exaltou os humildes. 53 Aos famintos encheu de bense aos ricos despediu de mãos vazias. 54 Acolheu a Israel, seu servo,lembrado da sua misericórdia, 55 como tinha prometido a nossos pais,a Abraão e à sua descendência, para sempre.» (Lc 1, 46, 55)Maria, a grande discípulaO Magnificat é o hino de louvor que o evangelho de Lucas põe na boca de Maria na visita a sua primaIsabel (Lc 1,46-56). O que o Magnificat nos oferece, mais que um conjunto de palavras possivelmenteproferido por Maria, é a canção profunda da alma de Maria, a melodia com que ela conseguiu entrarem harmonia com a música de Deus.O louvor de Maria sobe para Deus com a velocidade de uma flecha, convidando-nos a lançarmo-nosno espaço aberto da admiração, do assombro, do agradecimento transbordante por Deus ser como ée por nos amar como nos ama.Maria educa o nosso olhar para o dirigir para a glória de Deus: ensina-nos também a deixarmo-nosobservar por ele. Ajuda-nos a perceber que sobre a nossa pequenez gravita a imensa ternura deAlguém que nos ama, precisamente porque somos pequenos e não se cansa de fazer em nós coisasmaravilhosas, se consentirmos a sua acção.Maria converte-nos também em educadores e ensina-nos a comunicar a todos a alegria de sermosolhados assim, pelo olhar de um Deus-Mãe que nos encoraja e de um Deus-Artista que se alegra coma sua obra. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 16
  16. 16. Para reflexão pessoal e de grupoLê em Mt 13,1-51 as parábolas do Reino que encerram grande parte da sabedoria do Evangelho paraquem queira tornar-se discípulo de Jesus. Lê devagar cada uma delas, procurando imaginar como éque Maria as ouviu e viveu, ou melhor, deixa que seja ela, que as conservou no seu coração, arecordar-tas.Como nas ladainhas que fazem parte da tradição da Igreja, podes dirigir-te a Maria invocando-a:«Maria, terra boa que acolheste a semente da Palavra e deste cem por um, roga por nós.»Continua as invocações a Maria, a partir das parábolas em Mt 13, 1-51.Oração – 1Sam 2«Exulta o meu coração de júbilo no Senhor.Nele se ergue a minha fronte,a minha boca desafia os meus adversários,porque me alegro na tua salvação. 2 Ninguém é santo como o Senhor.Não há outro Deus fora de ti,ninguém é tão forte como o nosso Deus. 3 Não multipliqueis as vossas palavras orgulhosas.Não saia da vossa boca a arrogância,porque o Senhor é um Deus de sabedoria.Só Ele sabe descobrir as vossas acções. 4 O arco dos fortes foi quebradoe os fracos foram revestidos de vigor. 5 Os saciados tiveram que ganhar o pãoe os famintos foram saciados.Até a estéril foi mãe de sete filhose a mulher que os tinha numerosos, ficou estéril. 6 O Senhor é que dá a morte e a vida,leva à habitação dos mortos e tira de lá. 7 O Senhor despoja e enriquece, humilha e exalta. 8 Levanta do pó o mendigo e tira da imundície o pobre,para os sentar com os príncipes e ocupar um trono de glória;porque são do Senhor as colunas da terrae sobre elas assentou o mundo. 9 Ele dirige os passos dos seus santos,mas os ímpios perecerão nas trevas;porque homem algum vencerá pela sua própria força. 10 Tremerão diante do Senhor os seus inimigos,trovejará do céu sobre eles.O Senhor julga os confins da terra!Ele dará o império ao seu rei,e exaltará o poder do seu ungido.»CompromissoCultivar um coração agradecido a Deus e aos irmãos, e praticar a palavra «obrigado». Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 17
  17. 17. JOÃO: SABER-SE AMADO 7AmbientaçãoIniciar o encontro falando e tentando definir a amizade. Escolher três frases que resumam o que sediscutiu.Palavra de Deus1 O que existia desde o princípio,o que ouvimos,o que vimos com os nossos olhos,o que contemplámos e as nossas mãos tocaramrelativamente ao Verbo da Vida,2 de facto, a Vida manifestou-se; nós vimo-la, dela damos testemunhoe anunciamo-vos a Vida eterna que estava junto do Pai e que se manifestou a nós3 o que nós vimos e ouvimos, isso vos anunciamos,para que também vós estejais em comunhão connosco.E nós estamos em comunhão com o Paie com seu Filho, Jesus Cristo.4 Escrevemo-vos isto para que a nossa alegria seja completa. (1 Jo, 1-4)Saber-se amadoQuem é o homem que escreve estas coisas? Ao lê-las temos a impressão de que no seu autor há umagrande certeza de serenidade, e que quer transmitir uma mensagem que é a conclusão de umaexperiência única. É alguém que se chama a si mesmo «o discípulo que Jesus amava». No seuevangelho realça a sua condição de discípulo e o que constitui o núcleo mais profundo da suaexperiência crente: saber-se amado por Jesus.João deixou-se amar por Jesus e o seu conhecimento do Mestre leva a marca desse amor. João foratestemunha privilegiada de que o mistério do amor recíproco de Jesus e do Pai nos está aberto, nos éoferecido e entregue.Um Jesus a descobrirNo tempo que passou com o Mestre, João foi testemunha da humanidade tão próxima de um Jesusque se cansa de caminhar e tem sede (Jo 4,6), que chora pela morte de um amigo (Jo 11,33), que seangustia perante a iminência da sua paixão (Jo 12,27).Jesus dissera:12 É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. 13Ninguém tem maisamor do que quem dá a vida pelos seus amigos. (Jo 15)E João fará deste mandamento o motivo quase único da sua pregação:7 Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceude Deus e chega ao conhecimento de Deus. 8Aquele que não ama não chegou a conhecer a Deus, poisDeus é amor. (1 Jo 4) Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 18
  18. 18. Para reflexão pessoal e de grupoComo exprimirias com palavras tuas estas frases de João:- «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba» (Jo 7,17)- «Vim para que as minhas ovelhas tenham vida e vida em abundância» (Jo 10,10)João é o único evangelista que narra a cena do lava-pés onde os outros evangelistas colocam o relatoda instituição da Eucaristia. Que significado te parece ter isto?Ser discípulo é ter um encontro pessoal com Jesus.Ser discípulo é sentir-se amado, é confiar a própria vida segundo a Palavra de Jesus.(Continua a definição de discípulo)Oração – Sl 632 Ó Deus, Tu és o meu Deus! Anseio por ti!A minha alma tem sede de ti;todo o meu ser anela por ti,como terra árida, exausta e sem água.3 Quero contemplar-te no santuário,para ver o teu poder e a tua glória.4 O teu amor vale mais do que a vida;por isso, os meus lábios te hão-de louvar.5 Quero bendizer-te toda a minha vidae em teu louvor levantar as minhas mãos.6 A minha alma será saciada com deliciosos manjares,com vozes de júbilo te louvarei.7 Lembro-me de ti no meu leito,penso em ti, se fico acordado,8 porque Tu és o meu auxílio,e à sombra das tuas asas eu exulto.9 A minha alma está unida a ti,a tua mão direita me sustenta.10 Os que procuram a minha ruína,cairão nas profundezas do abismo.11 Eles morrerão à espadae serão transformados em pasto de chacais.12 Mas o rei há-de alegrar-se em Deus,cantarão louvores os que juram por Ele,enquanto a boca dos mentirosos será fechada.CompromissoColocar em prática o mandamento do Senhor:12 É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 19
  19. 19. MULHER TRANSFORMADA 8AmbientaçãoComeçar a renuão falando do que mais se condena na sociedade e porquê?Como reagem quando se vêem perante alguma condenação?Palavra de Deus40 Então, Jesus disse-lhe:«Simão, tenho uma coisa para te dizer.»«Fala, Mestre» - respondeu ele.41 «Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta.42 Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?»43 Simão respondeu: «Aquele a quem perdoou mais, creio eu.»Jesus disse-lhe: «Julgaste bem.»44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão:«Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para os pés; ela, porém, banhou-me ospés com as suas lágrimas e enxugou-os com os seus cabelos. 45Não me deste um ósculo; mas ela,desde que entrou, não deixou de beijar-me os pés. 46Não me ungiste a cabeça com óleo, e ela ungiu-me os pés com perfume. 47Por isso, digo-te que lhe são perdoados os seus muitos pecados, porquemuito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama.»48 Depois, disse à mulher: «Os teus pecados estão perdoados.»49 Começaram, então, os convivas a dizer entre si: «Quem é este que até perdoa os pecados?»50 E Jesus disse à mulher: «A tua fé te salvou. Vai em paz.» (Lc 7, 40-50)A mulher pecadoraO retrato da mulher pecadora é pintado pelo evangelista Lucas como um perfil luminoso sobre umfundo de sombras: a figura do fariseu.O perfil do fariseu é feito de lei, correcção, equilíbrio, ponderação, compostura, digna severidadeperante o pecado… Convidou Jesus, mas não deve conceder excessivas gentilezas àquele galileu queconvive com a gentalha. E diante dele, a mulher: um exagero de esbanjamento, perfume derramado,beijos e lágrimas. Ela nem sequer fala, mas os seus gestos gritam o enorme perdão que lhe foiconcedido. Estava perdida à beira do mal e alguém lhe deitou a mão.A novidade que apreendemos na vida desta mulher é para nós um factor invisível, mas éprecisamente isso que chama a atenção de Jesus e lhe causa admiração. «Coração contrito ehumilhado», essa consciência de valer pouco e não merecer nada, mas ser imensamente amado porDeus; esse agradecimento entusiasmado por ter sido perdoado e refeito e acolhido de novo numarelação de amizade. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 20
  20. 20. Para reflexão pessoal e de grupoA figura da pecadora perdoada mostra o respeito de Jesus pelas mulheres que a sociedade desprezaorgulhosamente. Perante ela ressalta a frieza do fariseu, alguém que se crê justo, mas que «amapouco porque pouco lhe foi perdoado».À luz deste texto, façamos uma revisão da nossa vida:- Considero-me «pecador» ou «justo?- Sou capaz, sem necessidade de muito esforço, de recordar algumas experiências de ter sidoperdoado?- Qual é a minha maneira concreta de exprimir a alegria de ter sido perdoado?- Uma boa maneira de tomar consciência da nossa verdade seria escrever ou repensar graficamente anossa história de amor com Deus, essa história em que pusemos tudo o que é turbulento e negativo,pobreza e incapacidade, mas Jesus interrompeu nela com toda a sua misericórdia torrencial, com asua capacidade de perdão que supera os nossos cálculos. Tenta então escrever ou repensargraficamente a tua história de amor com Deus, depois de uns momentos de oração.Oração – Sl 432 Como suspira a corça pelas águas correntes,assim a minha alma suspira por ti, ó Deus.3 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!Quando poderei contemplar a face de Deus? 5 A minha alma estremece ao recordarquando passava em cortejo para a Casa do Senhor,entre vozes de alegria e de louvorda multidão em festa.6 Porque estás triste, minha alma, e te perturbas?Confia em Deus: ainda o hei-de louvar.Ele é o meu Deus e o meu salvador.7 A minha alma está abatida:por isso, penso muito em ti,desde as terras do Jordão e dos montes Hermon e Miçar. 9 Durante o dia, o Senhor há-de enviar-me os seus favores,para que eu reze e cante, à noite, ao Deus que me dá vida.12 Porque estás triste, minha alma, e te perturbas?Confia em Deus: ainda o hei-de louvar.Ele é o meu Deus e o meu salvador.CompromissoExperimentar o perdão de Deus na oração pessoal.Praticar o perdão na vida do dia-a-dia. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 21
  21. 21. BARTIMEU COMEÇA A VER 9AmbientaçãoComeçar o encontro dialogando sobre os vários tipos de cegueira que podem existir.O que nos pode impedir de ver os outros?Palavra de Deus46 Chegaram a Jericó. Quando ia a sair de Jericó com os seus discípulos e uma grande multidão, ummendigo cego, Bartimeu, o filho de Timeu, estava sentado à beira do caminho. 47E ouvindo dizer quese tratava de Jesus de Nazaré, começou a gritar e a dizer: «Jesus, filho de David, tem misericórdia demim!» 48Muitos repreendiam-no para o fazer calar, mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David,tem misericórdia de mim!» 49Jesus parou e disse: «Chamai-o.» Chamaram o cego, dizendo-lhe:«Coragem, levanta-te que Ele chama-te.» 50E ele, atirando fora a capa, deu um salto e veio ter comJesus. 51Jesus perguntou-lhe: «Que queres que te faça?» «Mestre, que eu veja!» - respondeu o cego.52 Jesus disse-lhe: «Vai, a tua fé te salvou!» E logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.(Mc 10, 46-52)Bartimeu, o crenteBartimeu é descrito com uns traços comovedores que fazem com que nos identifiquemosespontaneamente com a sua situação: é mendigo, é cego e está sentado, envolvido no seu manto, àbeira do caminho.Ele é quem tem a iniciativa de chamar e consegue que seja essa mesma gente, que antes o tinhaimpedido, que se converta agora em transmissora da sua palavra: «Coragem, levanta-te que Elechama-te.»E, sob o impulso dessa chamada, Bartimeu lança fora o seu manto, como se fosse uma pele velha, ecorre alegremente ao encontro de Jesus. Mendicidade e panos ficaram para trás. Continua cego, masagora está a caminho para a luz. Aproximou-se de Jesus que lhe faz uma pergunta estranha, quasesurpérflua: «Que queres que te faça?»Bartimeu tinha gritado antes: «Jesus, filho de David, tem misericórdia de mim!», mas já não repete,porque se sente envolvido agora pela onda de compaixão que a proximidade de Jesus irradia sobrequem dele se aproxima. Agora só lhe falta ver com os seus próprios olhos esse homem que parou e omandou chamar.«Mestre, que eu veja!»Bartimeu sente-se discípulo, começa a reconhecer a palavra de Jesus como caminho e verdade e estáseguro de que essa palavra é também a luz que pode tirá-lo da sua noite.«Vai, a tua fé te salvou».E uma maré de luz sobe aos olhos de Bartimeu e desperta-o das trevas. Talvez só houvesse uma trocade olhares, porque Jesus retoma imediatamente a caminhada para Jerusalém. Atrás dele, quasepisando as suas pegadas, vai um novo discípulo, alguém que começou a ver o mundo à sua maneira,alguém que não parece ter medo de seguir Jesus. Bartimeu aprendeu que ver é escolher e olhar comintensidade uma só coisa: a vontade de Deus. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 22
  22. 22. Para reflexão pessoal e de grupoTambém nós somos como que mendigos sentados à beira do caminho. Torna-te consciente das tuaszonas escuras, das tuas cegueiras, daquilo que não te deixa ver a vida em profundidade, os outros eDeus em tudo isso. Enumera algumas.Também nos são dirigidas essas palavras de Jesus que têm a mesma força criadora do Deus doGénesis: «Coragem, levanta-te!». Em que momentos já sentiste este imperativo?A pergunta de Jesus: «Que queres que te faça?» é uma mão estendida em direcção a ti, para começarcontigo um diálogo. É um convite para que ponhas diante dele a tua cegueira e a tua pobreza e quedeixes que ele te cure e te devolva a luz e a possibilidade de o seguires pelo caminho. Coninua odiálogo imaginando que Jesus te pergunta: «Que queres que te faça?».Oração – Como o cego do caminhoEstou aqui, Senhor, como o cego do caminho.Passas ao meu lado e não te vejo.Tenho os olhos fechados à luzE sinto neles como duras escamas que me impedem de ver.Ao sentir os teus passos, ao ouvir a tua voz,Sinto em mim um manancial a nascer,Como uma ave que foge, a voar,Como uma vida que grita por ti.Procuro-te, desejo-te, preciso de tiPara atravessar tantos caminhos na minha vida.Senhor, cegam-me tantas coisas.É a vida com as suas luzes de cores.É o prazer com a sua força irresistível.É o dinheiro com as suas cadeias que acorrentam.Sinto em mim uma luta dura e sem piedade.Senhor, abre-me os olhos da tua vida.Quero pôr os meus olhos nos teusE ler neles a tua amizade.Quero ver o teu rosto, abrir os meus olhos à luz do Evangelho.Quero olhar a vida de frente e com sentido.Quero que a fé seja farol no meu caminho.Quero ver em cada homem um irmão.Quero procurar em tudo as tuas pegadas.Como o cego do caminho, assim te procuro.CompromissoOlhar a vida com os olhos de Deus. Dar valor às coisas mais simples. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 23
  23. 23. ZAQUEU: PERDER PARA GANHAR 10AmbientaçãoIniciar o encontro discutindo sobre aquilo de que cada um sente mais falta.Palavra de Deus1 Tendo entrado em Jericó, Jesus atravessava a cidade. 2Vivia ali um homem rico, chamado Zaqueu,que era chefe de cobradores de impostos. 3Procurava ver Jesus e não podia, por causa da multidão,pois era de pequena estatura. 4Correndo à frente, subiu a um sicómoro para o ver, porque Ele deviapassar por ali. 5Quando chegou àquele local, Jesus levantou os olhos e disse-lhe: «Zaqueu, descedepressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.» 6Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus, cheio dealegria. 7Ao verem aquilo, murmuravam todos entre si, dizendo que tinha ido hospedar-se em casa deum pecador. 8Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: «Senhor, vou dar metade dos meus bens aos pobres e,se defraudei alguém em qualquer coisa, vou restituir-lhe quatro vezes mais.» 9Jesus disse-lhe: «Hojeveio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão; 10pois, o Filho do Homem veioprocurar e salvar o que estava perdido.» (Lc 19, 1-10)ZaqueuAs pessoas vêem em Zaqueu um homem rico, de negócios duvidosos, colaborador dos romanos,chefe de publicanos. Olham para ele tal como era fisicamente: pequeno de estatura, como se o seufísico fosse a expressão da sua condição íntima.Esse Jesus itinerante e incansável atravessa Jericó a caminho de Jerusalém e o povo acotovelava-separa o ver passar. Zaqueu também tentava, mas era inútil, pois entre ele e a comitiva que passavalevantava-se uma muralha de gente. Só lhe restavam duas possibilidades: ou voltar para casa ou subirpara aquela árvore à beira do caminho.Na árvoreDecidiu-se a ficar e subir. No meio da poeira aproximava-se Jesus, que Zaqueu queria conhecer e queia passar mesmo ali. Mas o que Zaqueu não esperava era que Jesus se detivesse inesperadamentepara o procurar. Os olhos de Zaqueu abriram-se como enormes janelas por onde entrou umassombro infinito: era para ele que Jesus olhava! Era o seu nome que pronunciava! Era a ele que sedirigia: «Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa.»Um novo ZaqueuO resto da narração descreve uma cena luminosa a destacar-se sobre um fundo sombrio: amurmuração dos que se empenham em continuar a ler a vida de Zaqueu como sempre fizeram. E acrítica rancorosa inclui também Jesus, o homem das «más companhias».Sobre estas sombras briha calorosamente a atitude de Zaqueu: a sua pressa jubilosa, a sua alegria, aexplosão da sua generosidade.Jesus devolveu a Zaqueu o código secreto da sua identidade. A palavra de Jesus vence uma vez mais eZaqueu renasce, graças a ela. O olhar de Jesus tranformou o olhar sedento de Zaqueu. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 24
  24. 24. Para reflexão pessoal e de grupoA narração do encontro continua aberta. A porta da casa onde se celebra o banquete está abertapara que entremos. Tens coragem de entrar e fazer tua a sua experiência?Revê as «tuas riquezas», a tua «pequena estatura». De que forma estes elementos da tua vidatornam difícil o acesso a Jesus?Descobre que situações, ideias, atitudes, talvez pessoas, representam um obstáculo para o teuencontro com Jesus.Qual a árvore, isto é, aquilo que na tua vida é meio para te encontrares com Jesus?Lês a vida dos outros olhando as aparências ou com profundidade, com os olhos de Jesus?Oração – Sl 143Escuta, Senhor, a minha oração;pela tua fidelidade, atende as minhas súplicas;responde-me, pela tua justiça.2 Não chames a contas o teu servo,pois ninguém é justo na tua presença.3 Os meus inimigos perseguiram-mee deitaram-me por terra;obrigaram-me a viver nas trevas,como os que já morreram há muito tempo.4 O meu espírito desfalece dentro de mim,gelou-se-me o coração dentro do peito.5 Recordo os dias de outrora,medito em todas as tuas obrase penso nas maravilhas que realizaste.6 Ergo para ti as minhas mãos;como terra seca, a minha alma está sedenta de ti.7 Senhor, responde-me depressa;estou prestes a desfalecer!Não escondas de mim a tua face,pois seria como os que descem à sepultura.8 Faz que eu sinta, desde a manhã, a tua bondade,porque é em ti que eu confio.Mostra-me o caminho a seguir,porque para ti elevo a minha alma.9 Livra-me, Senhor, dos meus inimigos,porque em ti me refugio.10 Ensina-me a cumprir a tua vontade,pois Tu és o meu Deus.Que o teu espírito bondosome conduza pelo caminho recto.CompromissoRepetir e actualizar a seguinte expressão:6 Ergo para ti as minhas mãos; como terra seca, a minha alma está sedenta de ti. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 25
  25. 25. O SAMARITANO: TORNAR-SE PRÓXIMO 11AmbientaçãoComeçar a reunião com todos os elementos o mais separados possível uns dos outros e partilhar oque sentem nessa posição.Palavra de Deus25 Levantou-se, então, um doutor da Lei e perguntou-lhe, para o experimentar: «Mestre, que hei-defazer para possuir a vida eterna?» 26Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?» 27O outrorespondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todasas tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.» 28Disse-lhe Jesus:«Respondeste bem; faz isso e viverás.»29 Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?» 30Tomandoa palavra, Jesus respondeu:«Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de odespojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto.31 Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo.32 Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante.33 Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão. 34 Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própriamontada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. 35No dia seguinte, tirando dois denários, deu-osao estalajadeiro, dizendo: ‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.’ 36Qualdestes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?»37 Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também omesmo.» (Lc 10, 25-37)O samaritanoOs juízos de Jesus sobre as pessoas coincidem tão pouco com as nossas reacções espontâneas…Jesus entra em provocação, ao escolher a terceira personagem que, só de nomeá-la, já despertavarejeição e prevenção receosa. Nenhuma consideração sobre as virtudes deste samaritano é dada,apenas uma referência à sua sensibilidade. Na bíblia as funções essenciais do homem e da mulhersão designadas pelos seus órgãos corporais (coração, boca, mãos…).Os olhos do samaritano: estava um homem ferido na valeta e o samaritano «viu-o». Também «oviram» o sacerdote e o levita, mas tinham passado adiante. A particularidade do olhar do samaritanofoi a sua «conexão» com o coração: «viu-o e teve compaixão». Mas não vai ficar num merosentimento de pena. Agora o seu coração põe-se em «conexão» com os pés, que o conduzem para ohomem da valeta: «aproximou-se». É nesse momento que o samaritano começa a tornar-se«próximo».As mãos do samaritano põem-se agora em acção: «fez os curativos», derramando azeite e vinho nasferidas; e sentando-o na sua montada, levou-o a uma pensão e tratou dele. Finamente vai ser a suaboca, a sua palavra, a comprometer-se até ao fim com a sorte do homem de quem se tornou Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 26
  26. 26. definitivamente, próximo: «No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo:‘Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.’»O nome do samaritano ficou no anonimato. Não recebeu agradecimentos nem felicitações deninguém, seguiu o seu caminho. Mas foi o homem que conseguiu cumprir todos os mandamentos daLei e os Profetas, ser próximo.A medida do cristão é a da sensibilidade, pôr em estado alerta todo o seu ser, para responderafectivamente às chamadas que lhe vêm do concreto e ser próximo.Para reflexão pessoal e de grupoLede em grupo a parábola e actualizai-a, mudando para hoje as suas personagens e circunstâncias.Que propostas concretas faríeis aos cristãos da vossa comunidade, no sentido de serem na sociedadede hoje os «bons samaritanos»?Já alguma vez vos aconteceu fazer de «bom samaritano»? Comentai essa experiência em grupo.Oração – Sl 1199 Como poderá um jovem manter puro o seu caminho?Só guardando as tuas palavras.10 Eu procuro-te com todo o coração;não deixes que me afaste dos teus mandamentos.11 Guardo no meu coração as tuas promessas,para não pecar contra ti.12 Bendito sejas, Senhor!Ensina-me as tuas leis.13 Anuncio com os meus lábiostodos os decretos da tua boca.14 Alegro-me mais em seguir as tuas ordens,do que em possuir qualquer riqueza.15 Meditarei nos teus preceitose prestarei atenção aos teus caminhos.16 Hei-de alegrar-me com as tuas leis;não esquecerei as tuas palavras.17 Concede ao teu servo uma longa vidae eu cumprirei as tuas palavras.18 Abre os meus olhospara que eu veja as maravilhas da tua lei.19 Sou um peregrino nesta terra;não me escondas os teus mandamentos.20 A minha alma suspira sem cessar,desejando conhecer os teus juízos.24 Os teus preceitos são as minhas delícias;são eles os meus conselheiros.CompromissoFazer o compromisso de ajudar alguém necessitado, tornar-se próximo de alguém. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 27
  27. 27. A VIÚVA POBRE: ENTREGA TUDO 12AmbientaçãoComeçar o encontro partilhando as experiências surgidas do compromisso da reunião anterior.Palavra de Deus1 Levantando os olhos, Jesus viu os ricosdeitarem no cofre do tesouro as suas ofertas.2 Viu também uma viúva pobredeitar lá duas moedinhas 3e disse:«Em verdade vos digo que esta viúva pobredeitou mais do que todos os outros;4 pois eles deitaram no tesouro do que lhes sobejava,enquanto ela, da sua indigência,deitou tudo o que tinha para viver.» (Lc 21, 1-4)OstentaçãoJesus está sentado diante do lugar onde se depositam as oferendas. As pessoas importantes vão-seaproximando para cumprir o dever da esmola e fazem-no com solenidade. Têm de se comportarcomo verdadeiros cumpridores da Lei. Jesus vê e guarda silêncio.SimplicidadeDepois, quase que uma sombra, chega uma mulher. O seu modo de vestir revela a sua condição deviúva (nenhuma ajuda, nenhum apoio, todas as dificuldades). Leva na mão tudo o que tem e, sejaqual for a sua oferta, será demasiado para as suas posses. Mas…não deixou apenas uma parte dotudo, deixou cair tudo o que guardava e perdeu-se na multidão.Quando o muito é poucoJesus deixou-a seguir o seu caminho, não a felicita, Ele sabe que o nome da mulher já está escrito nocoração do Pai. Contentou-se com um comentário sóbrio de admiração dirigido aos seus discípulos:«Esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros; 4pois eles deitaram no tesouro do que lhessobejava, enquanto ela, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para viver.»Mais uma vez o mestre exige uma mudança de critérios, de sentimentos, de juízos.A explicação de Jesus é também dirigida a cada um de nós. É um convite a uma avaliação diferente, apreferir outros critérios, a inclinar o coração para outra maneira de viver, que não a ostentação.Quem alguma vez fez a experiência de dar tudo, sabe que entra no caminho de uma alegria queninguém pode arrebatar, pois só Deus basta. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 28
  28. 28. Para reflexão pessoal e de grupoLede este poema de R.Tagore e comentai-o a partir da vossa experiência:«Andava eu a mendigar de porta em porta, pelo caminho do povoado, quando apareceu à distância oteu carro dourado como um sonho brilhante. Fiquei maravilhado, perguntando-me quem seria esserei dos reis. Cresceram bem alto as minhas esperanças e pensei com os meus botões que os meus diasmaus tinham acabado; e fiquei à espera das esmolas dadas sem ser pedidas e de um monte deriquezas espalhadas pelo chão.O carro deteve-se ao meu lado. Olhaste-me e desceste com um sorriso nos lábios. Senti que, por fim,tinha chegado a sorte à minha vida. De repente estendeste a mão direita, dizendo:- Tens alguma coisa que me dês?Que gesto de realeza tão estranho o teu de estender a palma da mão para pedir a um mendigo! Euestava confuso e fiquei indeciso. Depois, lentamente, tirei do meu saco um grãozinho de milho e dei-to. Mas qual não foi a minha surpresa quando, no fim do dia, esvaziei o meu saco no chão e encontreium grãozito de ouro no meio do pobre monte.Como chorei amargamente e como desejei ter tido coração para te dar tudo o que sou!»Comentários ao poema.Ligações com a vida real.Que lições tirar do poema à luz da passagem evangélica.Construir uma oração de entrega ao Senhor.Oração – Sl 231 O Senhor é meu pastor: nada me falta.2 Em verdes prados me faz descansare conduz-me às águas refrescantes.3 Reconforta a minha almae guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome.4 Ainda que atravesse vales tenebrosos,de nenhum mal terei medoporque Tu estás comigo.A tua vara e o teu cajado dão-me confiança.5 Preparas a mesa para mimà vista dos meus inimigos;ungiste com óleo a minha cabeça;a minha taça transbordou.6 Na verdade, a tua bondade e o teu amorhão-de acompanhar-me todos os dias da minha vida,e habitarei na casa do Senhorpara todo o sempre.CompromissoAnalisar a caminhada feita até ao momento e oferecer ao Senhor tudo o que poderei ainda dar.Perante a caminhada de fé realizada, elaborar um projecto de vida para o próximo ano. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 29
  29. 29. Neste espaço apresentamos vários tipos de subsídios que podem ser utilizados pelos grupos nasreuniões ou em outro tipo de eventos: celebrações, encontros paroquiais, etc.A – Mensagens do PapaB – Os “deuses” em que não creioC – Um lago chamado “FÉ”D – Acreditar em DeusE – A fé “desfeinada”F – Os cinco sentidos da féG – Crer e querer…H – Lectio DivinaI – Para que os jovens rezemJ – Bíblia, uma longa históriaK - MariaL - Credo Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 30
  30. 30. MENSAGENS DO PAPA A MENSAGEM DO SANTO PADRE BENTO XVI PARA O DIA MUNDIAL DA JUVENTUDE XXVI 2011 " arraigados e fundados em Cristo, na fé " (cf. Col 2:07)Queridos amigos,Penso com frequência na Jornada Mundial da Juventude de Sidney, em 2008. Ali, vivemos uma grande festa da fé, na qualo Espírito de Deus agiu com força, criando uma intensa comunhão entre os participantes, vindos de todas as partes domundo. Aquele encontro, como os precedentes, produziu frutos abundantes na vida de muitos jovens e de toda a Igreja.Nosso olhar dirige-se agora para a próxima Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em Madri, no mês de agostode 2011. Já em 1989, alguns meses antes da histórica queda do Muro de Berlim, a peregrinação dos jovens fez umaparada na Espanha, em Santiago de Compostela. Agora, no momento em que a Europa tem que voltar a encontrar suasraízes cristãs, fixamos nosso encontro em Madri, com o lema: "Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé" (cf. Col 2,7). Convido-vos a este evento tão importante para a Igreja na Europa e para a Igreja universal. Além disso, gostaria quetodos os jovens, tanto os que compartilham nossa fé quanto os que hesitam, duvidam ou não creem, pudessem viver estaexperiência, que pode ser decisiva para a vida: a experiência do Senhor Jesus ressuscitado e vivo, de seu amor por cadaum de nós.1. Nas fontes de vossas maiores aspiraçõesEm cada época, também em nossos dias, numerosos jovens sentem o profundo desejo de que as relações interpessoaissejam vividas na verdade e na solidariedade. Muitos manifestam a aspiração de construir relações autênticas de amizade,de conhecer o verdadeiro amor, de fundar uma família unidade, de adquirir uma estabilidade pessoal e uma segurançareal, que possam garantir um futuro sereno e feliz. Ao recordar minha juventude, vejo que, na verdade, a estabilidade e asegurança não são as questões que mais ocupam a mente dos jovens. Sim, a questão do lugar de trabalho, e com ela a deter o futuro assegurado, é um problema grande e premente, mas ao mesmo tempo a juventude segue sendo a idade naqual se busca uma vida maior. Ao pensar em meus anos de então, simplesmente, não queríamos perder-nos namediocridade da vida aburguesada. Queríamos o que era grande, novo. Queríamos encontrar a vida mesma em suaimensidão e beleza. Certamente, isso dependia também de nossa situação. Durante a ditadura nacional-socialista e aguerra, estivemos, por assim dizer, "encerrados" pelo poder dominante. Por isso, queríamos ir para fora, para entrar naabundância das possibilidades do ser homem. Mas creio que, em certo sentido, este impulso de ir mais além do habitualestá em cada geração. Desejar algo mais que a cotidianidade regular de um emprego seguro e sentir o desejo do que érealmente grande faz parte do ser jovem. Trata-se somente de um sonho vazio que desaparece quando uma pessoa setorna adulta? Não, o homem, na verdade, está criado para o que é grande, para o infinito. Qualquer outra coisa éinsuficiente. Santo Agostinho tinha razão: nosso coração está inquieto, até que não descanse em Ti. O desejo da vidamaior é um sinal de que Ele nos criou, de que levamos sua "marca". Deus é vida, e cada criatura tem a vida; de um modoúnico e especial, a pessoa humana, feita à imagem de Deus, aspira ao amor, à alegria e à paz. Então, compreendemos que Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 31
  31. 31. é um contrassenso pretender eliminar a Deus para que o homem viva. Deus é a fonte da vida; eliminá-lo equivale aseparar-se desta fonte e, inevitavelmente, privar-se da plenitude e da alegria: "sem o Criador, a criatura se dilui" (ConcílioEcumênico Vaticano II, Constituição Gaudium et Spes, 36). A cultura atual, em algumas partes do mundo, sobretudo noOcidente, tende a excluir a Deus, ou a considerar a fé como um ato privado, sem nenhuma relevância na vida social.Embora o conjunto dos valores, que são o fundamento da sociedade, provenha do Evangelho – como o sentido dadignidade da pessoa, da solidariedade, do trabalho e da família -, constata-se uma espécie de "eclipse de Deus", umacerta amnésia, mais ainda, uma verdadeira rejeição do cristianismo e uma negação do tesouro da fé recebida, com o riscode perder aquilo que mais profundamente nos caracteriza.Por esse motivo, queridos amigos, convido-vos a intensificar vosso caminho de fé em Deus, Pai de nosso Senhor JesusCristo. Vós sois o futuro da sociedade e da Igreja. Como escrevia o apóstolo Paulo aos cristãos da cidade de Colossos, évital ter raízes e bases sólidas. Isso é verdade, especialmente hoje, quando muitos não têm pontos de referência estáveispara construir sua vida, sentindo-se assim profundamente inseguros. O relativismo que se difundiu, e para o qual tudo dáno mesmo e não existe nenhuma verdade, nem um ponto de referência absoluto, não gera verdadeira liberdade, masinstabilidade, desajuste e um conformismo com as modas do momento. Vós, jovens, tendes o direito de receber dasgerações que vos precedem pontos firmes para fazer vossas opções e construir vossa vida, do mesmo modo que umaplanta necessita de um apoio sólido até que cresçam suas raízes, para se converter em uma árvore robusta, capaz deproduzir fruto.2. Enraizados e edificados em CristoPara ressaltar a importância da fé na vida dos crentes, gostaria de deter-me em três termos que São Paulo utiliza em:"Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé" (cf. Col 2, 7). Aqui, podemos distinguir três imagens: "enraizado" evoca aárvore e as raízes que a alimentam; "edificado" refere-se à construção; "firme" alude ao crescimento da força física oumoral. Trata-se de imagens muito eloquentes. Antes de comentá-las, é preciso assinalar que no texto original as trêsexpressões, desde o ponto de vista gramatical, estão no passivo: quer dizer, que é Cristo mesmo quem toma a iniciativade enraizar, edificar e tornar firmes os crentes.A primeira imagem é a da árvore, firmemente plantada no solo por meio de raízes, que lhe dão estabilidade e alimento.Sem as raízes, seria levada pelo vento, e morreria. Quais são nossas raízes? Naturalmente, os pais, a família e a cultura denosso país são um componente muito importante de nossa identidade. A Bíblia mostra-nos outro mais. O profetaJeremias escreve: "Bendito quem confia no Senhor e coloca no Senhor sua confiança. Será uma árvore planta junto áágua, que junto às correntes lança suas raízes. Quando chega a estiagem, não a sentirá, sua folha estará verde; no ano daseca, não se inquieta, não deixa de dar fruto" (Jer 17, 7-8). Enraizar, para o profeta, significa voltar a colocar sua confiançaem Deus. DEle vem nossa vida. Sem Ele, não poderíamos viver de verdade. "Deus nos deu a vida eterna e esta vida estáem seu Filho" (1 Jo 5, 11). Jesus mesmo apresenta-se como nossa vida (cf. Jo 14, 6). Por isso, a fé cristã não é somentecrer na verdade, mas, sobretudo, é uma relação pessoal com Jesus Cristo. O encontro com o Filho de Deus proporcionaum dinamismo novo a toda a existência. Quando começamos a ter uma relação pessoal com Ele, Cristo revela-nos nossaidentidade e, com sua amizade, a vida cresce e realiza-se em plenitude. Existe um momento na juventude em que cadaum se pergunta: qual sentido tem minha vida, que finalidade, que rumo devo lhe dar? É uma fase fundamental que podeperturbar a mente, às vezes durante muito tempo. Pensa-se em qual será nosso trabalho, as relações sociais que devemse estabelecer, que afetos devem se desenvolver... Neste contexto, volto a pensar em minha juventude. De certo modo,logo percebi que o Senhor me queria sacerdote. Mas, mais adiante, depois da guerra, quando no seminário e nauniversidade me dirigia até essa meta, tive que reconquistar essa certeza. Tive que me perguntar: é esse, de verdade,meu caminho? É, de verdade, a vontade do Senhor para mim? Serei capaz de permanecer-lhe fiel e estar totalmente àdisposição dEle, a Seu serviço? Uma decisão assim também causa sofrimento. Não pode ser de outra maneira. Mas,depois, tive a verdade: está certo! Sim, o Senhor me quer, por isso me dará também a força; Escutando-lhe, estando comEle, chego a ser eu mesmo. Não conta a realização de meus próprios desejos, mas sim Sua vontade. Assim, a vida torna-seautêntica.Como as raízes da árvore a mantém plantada firmemente na terra, assim os alicerces dão à casa uma estabilidadeperdurável. Mediante a fé, estamos enraizados em Cristo (cf. Col 2, 7), assim como uma casa está construída sobre osalicerces. Na história sagrada, temos numerosos exemplos de santos que edificaram sua vida sobre a Palavra de Deus. Oprimeiro: Abraão. Nosso pai na fé obedeceu a Deus, que lhe pedia que deixasse a casa paterna para encaminhar-se a umpaís desconhecido. "Abraão creu em Deus e isto lhe foi tido em conta de justiça, e foi chamado amigo de Deus" (Tg 2, 23).Estar enraizados em Cristo significa responder concretamente ao chamado de Deus, confiando-se a Ele e colocando emprática Sua Palavra. Jesus mesmo repreende a seus discípulos: "Por que me chamais Senhor, Senhor! e não fazeis o quevos digo?" (Lc 6, 46). E recorrendo à imagem da construção da casa, complementa: "Todo aquele que vem a mim ouve as Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 32
  32. 32. minhas palavras e as pratica [...] é semelhante ao homem que, edificando uma casa, cavou bem fundo e pôs os alicercessobre a rocha. As águas transbordaram, precipitaram-se as torrentes contra aquela casa e não a puderam abalar, porqueela estava bem construída" (Lc 6, 47-48).Queridos amigos, construí vossa casa sobre a rocha, como o homem que "cavou bem fundo". Tentai também vós acolhera cada dia a Palavra de Cristo. Escutai-o como ao verdadeiro Amigo com quem compartilhar o caminho de vossa vida.Com Ele ao vosso lado, sereis capazes de afrontar com valentia e esperança as dificuldades, os problemas, também asdesilusões e os fracassos. Continuamente apresentar-vos-ão propostas mais fáceis, mas vós mesmos percebereis que serevelam como enganosas, não dão serenidade nem alegria. Somente a Palavra de Deus mostra-nos o caminho autêntico,somente a fé que nos foi transmitida é a luz que ilumina o caminho. Acolhei com gratidão este dom espiritual que haveisrecebido de vossas famílias e esforçai-vos para responder com responsabilidade ao chamado de Deus, convertendo-vosem adultos na fé. Não creiais nos que dizem que não necessitais dos outros para construir vossa vida. Apoiai-vos, aocontrário, na fé de vossos entes queridos, na fé da Igreja, e agradecei ao Senhor por tê-la recebido e tê-la feito vossa.3. Firmes na féEstai "enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé" (cf. Col 2, 7). A carta, da qual foi tirado esse convite, foi escrita porSão Paulo para responder a uma necessidade concreta dos cristãos da cidade de Colossos. Aquela comunidade, de fato,estava ameaçada pela influência de certas tendências culturais da época, que afastavam os fiéis do Evangelho. Nossocontexto cultural, queridos jovens, tem numerosas analogias com o dos colossenses de então. Com efeito, há uma fortecorrente de pensamento laicista que deseja afastar Deus da vida das pessoas e da sociedade, lançando as bases etentando criar um "paraíso" sem Ele. Mas a existência ensina que o mundo sem Deus converte-se em um "inferno", ondeprevalece o egoísmo, as divisões nas famílias, o ódio entre as pessoas e os povos, a falta de amor, alegria e esperança. Aocontrário, quando as pessoas e os povos acolhem a presença de Deus, Lhe adoram em verdade e escutam Sua voz,constrói-se concretamente a civilização do amor, onde cada um é respeitado em sua dignidade e cresce a comunhão, comos frutos que isso implica. Há cristãos que se deixam seduzir pelo modo de pensar laicista, ou são atraídos por correntesreligiosas que lhes afastam da fé em Jesus Cristo. Outros, sem deixar-se seduzir por elas, simplesmente deixaram que seesfriasse a sua fé, com as inevitáveis consequências negativas no plano moral.O apóstolo Paulo recorda aos irmãos, contagiados pelas ideias contrárias ao Evangelho, o poder de Cristo morto eressuscitado. Esse mistério é o fundamento de nossa vida, o centro da fé cristã. Todas as filosofias que o ignoram,considerando-o "loucura" (1 Co 1, 23), mostram seus limites antes as grandes perguntas presentes no coração dohomem. Por isso, também eu, como Sucessor do apóstolo Pedro, desejo confirmar-vos na fé (cf. Lc 22, 32), Cremosfirmemente que Jesus Cristo se entregou na Cruz para oferecer-nos Seu amor; em sua paixão, suportou nossossofrimentos, carregou nossos pecados, alcançou-nos o perdão e reconciliou-nos com Deus Pai, abrindo-nos o caminho davida eterna. Deste modo, fomos libertados do que mais paralisa nossa vida: a escravidão do pecado, e podemos amar atodos, inclusive aos inimigos, e compartilhar este amor com os irmãos mais pobres e em dificuldade.Queridos amigos, a cruz geralmente provoca medo, porque parece ser a negação da vida. Na verdade, é o contrário. É o"sim" de Deus ao homem, a expressão máxima de seu amor e a fonte de onde emana a vida eterna. De fato, do coraçãode Jesus aberto na cruz brotou a vida divina, sempre disponível para quem aceita olhar ao Crucificado. Por isso, queroconvidar-vos a acolher a cruz de Jesus, sinal do amor de Deus, como fonte de vida nova. Sem Cristo, morto e ressuscitado,não há salvação. Somente Ele pode libertar o mundo do mal e fazer crescer o Reino da justiça, paz e amor, ao que todosaspiramos.4. Crer em Jesus Cristo sem vê-LoNo Evangelho, é-nos descrita a experiência de fé do apóstolo Tomé quando acolhe o mistério da cruz e ressurreição deCristo. Tomé, um dos doze apóstolos, seguiu a Jesus, foi testemunha direta de suas curas e milagres, escutou suaspalavras, viveu o espanto ante sua morte. Na tarde da Páscoa, o Senhor aparece aos discípulos, mas Tomé não estápresente, e quando lhe contam que Jesus está vivo e apareceu a eles, diz: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, enão puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei" (Jo 20, 25).Também nós gostaríamos de poder ver a Jesus, poder falar com Ele, sentir mais intensamente ainda sua presença. Muitoshoje acham difícil ter acesso a Jesus. Muitas das imagens que circulam de Jesus, e que se fazem passar por científicas, lhetiram sua grandeza e a singularidade de sua pessoa. Por isso, ao longo de meus anos de estudo e meditação, fuiamadurecendo a ideia de transmitir em um livro algo de meu encontro pessoal com Jesus, para ajudar de alguma forma a Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 33
  33. 33. ver, escutar e tocar ao Senhor, em quem Deus saiu ao nosso encontro para se deixar conhecer. De fato, Jesus mesmo,aparecendo novamente aos discípulos depois de oito dias, diz a Tomé: "Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos.Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé" (Jo 20, 27). Também para nós é possível ter umcontato sensível com Jesus, colocar, por assim dizer, a mão nos sinais de Sua Paixão, os sinais de seu amor. NosSacramentos, Ele vem até nós de uma forma particular, entrega-se a nós. Queridos jovens, aprendei a "ver", a"encontrar" a Jesus na Eucaristia, onde está presente e próximo até entregar-se como alimento para nosso caminho; noSacramento da Penitência, onde o Senhor manifesta sua misericórdia oferecendo-nos sempre seu perdão. Reconhecei eservi a Jesus também nos pobres e enfermos, nos irmãos que estão em dificuldade e necessitam de ajuda.Iniciai e cultivai um diálogo pessoal com Jesus Cristo, na fé. Conhecei-O mediante a leitura dos Evangelhos e do Catecismoda Igreja Católica; falai com Ele na oração, confiai nEle. Nunca vos trairá. "A fé é, antes de tudo, uma adesão pessoal dohomem a Deus; é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o assentimento livre a toda a verdade que Deus revelou"(Catecismo da Igreja Católica, 150). Assim, podereis adquirir uma fé madura, sólida, que não se funda unicamente em umsentimento religioso ou em uma vaga recordação do catecismo de vossa infância. Podereis conhecer a Deus e viverautenticamente dEle, como o apóstolo Tomé, quanto professou abertamente sua fé em Jesus: "Meu Senhor e meuDeus".5. Sustentados pela fé da Igreja, para ser testemunhasNaquele momento, Jesus exclama: "Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!" (Jo 20, 29).Pensava no caminho da Igreja, fundada sobre a fé das testemunhas oculares: os Apóstolos. Compreendemos agora quenossa fé pessoal em Cristo, nascida do diálogo com Ele, está vinculada à fé da Igreja: não somos crentes isolados, massim, mediante o Batismo, somos membros desta grande família, e é a fé professada pela Igreja que assegura nossa fépessoal. O Credo que proclamamos a cada domingo na Eucaristia protege-nos precisamente do perigo de crer em umDeus que não é o que Jesus nos revelou: "Cada crente é, assim, um elo na grande cadeia dos crentes. Não posso crer semser amparado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo também para amparar os outros na fé" (Catecismo da IgrejaCatólica, 166). Agradeçamos sempre ao Senhor pelo dom da Igreja; ela nos faz progredir com segurança na fé, que nos dáa verdadeira vida (cf. Jo 20, 31).Na história da Igreja, os santos e mártires tiraram da cruz gloriosa a força para serem fiéis a Deus até a entrega de simesmos; na fé, encontraram a força para vencer as próprias debilidades e superar toda a adversidade. De fato, como dizo apóstolo João: "Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" (1 Jo 5, 5). A vitóriaque nasce da fé é a do amor. Quantos cristãos foram e são um testemunho vivo da força da fé que se expressa nacaridade. Foram artífices da paz, promotores da justiça, animadores de um mundo mais humano, um mundo segundoDeus; comprometeram-se em diferentes âmbitos da vida social, com competência e profissionalismo, contribuindoeficazmente para o bem de todos. A caridade que brota da fé lhes levou a dar um testemunho muito concreto, com apalavra e as obras. Cristo não é um bem somente para nós mesmos, mas é o bem mais precioso que temos paracompartilhar com os demais. Na era da globalização, sejais testemunhas da esperança cristã no mundo todo: são muitosos que desejam receber esta esperança. Ante o sepulcro do amigo lázaro, morto há quatro dias, Jesus, antes de voltar achamá-lo a vida, diz a sua irmã Marta: "Se credes, vereis a glória de Deus" (Jo 11, 40). Também, vós, se credes, sesouberdes viver e dar, a cada dia, testemunho de vossa fé, sereis um instrumento que ajudará a outros jovens como vós aencontrar o sentido e a alegria da vida, que nasce do encontro com Cristo.6. Rumo à Jornada Mundial de MadriQueridos amigos, vos reitero o convite a participar da Jornada Mundial da Juventude em Madri. Com profunda alegria,espero a cada um pessoalmente, Cristo quer assegurar-vos na fé por meio da Igreja. A escolha de crer em Deus e segui-Lonão é fácil. Vê-se obstaculizada por nossas infidelidades pessoais e por muitas vozes que nos sugerem vias mais fáceis.Não vos desanimeis, buscai o apoio da comunidade cristã, o apoio da Igreja. Ao longo deste ano, preparai-vosintensamente para o encontro de Madri com vossos bispos, sacerdotes e responsáveis da pastoral juvenil nas dioceses,nas comunidades paroquiais, nas associações e movimentos. A qualidade de nosso encontro dependerá, sobretudo, dapreparação espiritual, da oração, da escuta em comum da Palavra de Deus e do apoio recíproco.Queridos jovens, a Igreja conta convosco. Necessita de vossa fé viva, vossa caridade criativa e o dinamismo de vossaesperança. Vossa presença renova a Igreja, rejuvenesce-a e lhe dá um novo impulso. Por isso, as Jornadas Mundiais daJuventude são uma graça não somente para vós, mas para todo o Povo de Deus. A Igreja na Espanha está preparando-seintensamente para acolher-vos e viver a experiência gozosa da fé. Agradeço às dioceses, paróquias, santuários, Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 34
  34. 34. comunidades religiosas, associações e movimentos eclesiais que estão trabalhando com generosidade na preparaçãodeste evento. O Senhor não deixará de abençoá-los. Que a Virgem Maria acompanhe este caminho de preparação. Ela, noanúncio do Anjo, acolheu com fé a Palavra de Deus; com fé consentiu que a obra de Deus se cumprisse nele.Pronunciando seu "fiat", recebeu o dom de uma caridade imensa, que a impulsionou a se entregar inteiramente a Deus.Que Ela interceda por todos vós, para que na próxima Jornada Mundial possais crescer na fé e no amor. Asseguro-vosminha recordação paterna na oração e vos bendigo de coração.Dado no Vaticano, aos 6 de agosto de 2010, Festa da Transfiguração do Senhor. ANGELUS Domingo, 5 de Setembro de 2010Queridos irmãos e irmãs!Quero apresentar brevemente a minha Mensagem - Publicada nos últimos dias - para os jovens domundo para XXVI Jornada Mundial da Juventude, a ser realizada em Madrid, entre menos de um ano.O tema que escolhi para esta Mensagem tem uma expressão de Carta aos Colossenses ApóstoloPaulo: " Enraizados e fundados em Cristo, na fé " ( 2.7). É definitivamente uma proposta contra acorrente! Quem , por exemplo, agora oferece aos jovens a " raiz "e "equilíbrio" ? Em vez disso, eledestaca a incerteza , mobilidade, volatilidade ... que reflectem uma cultura de indecisão sobre osvalores básicos, princípios pelos quais a orientar e regular a sua vida. Na verdade, eu, pela minhaexperiência e contactos que tenho com os jovens , sei que cada geração , na verdade cada pessoa sóé chamada a fazer novamente o caminho de descobrir o sentido da vida . E é precisamente por issoque eu queria repetir uma mensagem, de acordo com o estilo bíblico, evoca imagens da árvore eacasa. Para o jovem é como uma árvore crescente necessidade de desenvolver boas raízes profundas ,que , em caso de tempestades de vento, manter firmemente plantados no solo. Assim, a imagem doprédio em construção, recorda a necessidade de uma base sólida, porque a casa é sólida e segura.E aqui é o coração da Mensagem: É na expressão "em Cristo" e " fé ". A maturidade da pessoa, a suaestabilidade interna, têm suas raízes na relação com Deus, uma relação que passa pelo encontro comJesus Cristo. A relação de confiança profunda amizade, o verdadeiro com Jesus pode dar a um jovemque eles precisam para enfrentar a boa vida, serenidade e luz interior, a capacidade de pensarpositivamente, a amplitude da mente para outros, a disponibilidade pessoalmente a pagar para ajustiça , o bem e a verdade. Por último, mas muito importante: para se tornar um crente , o jovem ésustentada pela fé da Igreja , e se nenhum homem é uma ilha, muito menos que a Igreja Cristã emdescobrir a beleza da fé compartilhada e testemunha de outro em companheirismo e serviço dacaridade.Minha Mensagem à juventude é datada de 06 de Agosto, festa da Transfiguração do Senhor . Que aluz do rosto de Cristo brilha no coração de cada jovem! E a Virgem Maria, acompanhada de suamaneira de proteger a comunidade e grupos de jovens para a assembleia geral Madrid 2011. Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 35
  35. 35. OS “DEUSES” EM QUE NÃO CREIO BGostava de fazer-te uma pergunta antiga: acreditas em Deus? E depois deixar-te a pensar…Mas, antes de te deixar a pensar, ou talvez a conversar com Ele, deixa-me despertar a tua atençãopara um perigo: andam por aí muitos ídolos e falsos deuses de quem se fala. Não porque haja muitosdeuses, mas sim porque há muitas imagens distorcidas de Deus. É que ninguém espreita pelo buracoda fechadura do Céu para ver quem é Deus. A única hipótese que temos de o conhecer é Ele revelar-se por Amor a nós, gratuitamente.Sem esta Revelação de Deus, a religião não é mais do que a construção de imagens de Deus, quenada têm de Boa Notícia. O Homem põe-se a imaginar Deus à sua imagem e semelhança, elevando-oao infinito para o melhor e para o pior. Por isso, o cristianismo é antes de mais a revelação de Deusem Jesus Cristo, como plenitude do Seu Projecto de Amor para todos os homens. Esta é a Fé queprofessamos, este é o Deus que conhecemos, o revelado em Jesus de Nazaré.Infelizmente, temos muitas vezes transformado esta Fé viva e vivificante no Deus Amor de JesusRessuscitado, numa religiosidade vazia de vida, própria de figuras de cera feitas por encomenda eimagens de santos com um ar adoentado.Precisamos de acordar a Fé dos cristãos que adormeceram na religião das piedades fáceis e daspromessas descartáveis.Precisamos de fazer renascer a Igreja para a sua missão profética no mundo de anúncio da Boa-Novade Jesus, sempre inquietante e provocadora para os corações abertos à Vida.Precisamos de renascer nós, ao nível do Coração, porque esta Igreja, Corpo vivo de profetas, somosnós.O mundo precisa de ti, para se tornar um lugar mais habitável. O mundo precisa de Deus, para que avida ganhe sentido, nos horizontes largos, infinitos, plenos do Seu Amor. Sim, é verdade: o mundoprecisa de Deus, mas daquele que se revelou no Profeta incómodo de Nazaré. Por isso, se alguém tevoltar a perguntar, um dia destes, se tu acreditas em Deus, responde-lhe assim:“Perguntas-me se acredito em Deus?Diz-me primeiro por qual Deus me estás a perguntar, e eu te direi se acredito ou não.”Porque andam por aí muitas caricaturas… É importante termos claro em quem não acreditamos! Éfundamental conhecer os rostos distorcidos a quem nos recusamos chamar “nosso Deus”!Vou partilhar contigo as imagens de Deus nas quais eu me recuso a acreditar.Recuso-me a acreditar no deus todo-poderoso, um deus que tem poder para fazer absolutamentetudo, diante do qual a atitude sensata a ter é jogar à defesa e domesticá-lo com oferendas, cultos ebons comportamentos, não vá ele virar-se contra nós…Recuso-me a acreditar no deus merceeiro, um deus que tira o lápis de detrás da orelha e fazpermanentemente anotações no seu caderninho de deve-haver em que todos os nomes estãoregistados e do qual todas as dívidas serão saldadas, mais tarde ou mais cedo…Recuso-me a acreditar no deus bombeiro, um deus de emergência que só serve quando a vida noscomeça a arder, aquele que não interessa nada a ninguém em nenhum momento mas se tornaimprescindível quando já ninguém sabe como há-de resolver os problemas…Recuso-me a acreditar no deus VIP, um deus que se retrai do trato com os humildes para se tornarpatrimónio de elites sabedoras dos seus segredos para as quais reserva as suas regras especiais e asbenesses correspondentes… Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 36
  36. 36. Recuso-me a acreditar no deus catedrático, um deus complicado que só está ao alcance deinteligentes e estudiosos, com quem dialogar é tarefa complicada que obedece a normas e rituais sóà mão de uns poucos versados nessas artes mas impossível aos homens simples, ainda que decoração grande…Recuso-me a acreditar no deus securita, um deus que permanentemente apanhamos a espreitar nosburacos da fechadura da nossa vida, espiando e condenando os nossos sonhos, vontades e projectospor não terem passado pelo seu crivo, e segue cada um dos nossos passos com um vinco na testa eum dedo apontado…Recuso-me a acreditar no deus sádico, um deus que pede aos homens agruras que nem ele estariadisposto a aceitar, que para prometer uma qualquer vida depois da morte estraga a vida aos homensantes da morte, com as suas imposições e leis castrantes…Recuso-me a acreditar nestes deuses todos porque amesquinham o homem, empequenecem-no,tiram-lhe dignidade!Recuso-me a acreditar neles porque as suas supostas palavras são como espinhos que se cravam nocoração da gente, nunca trazendo consigo motivos para a alegria, a esperança ou o recomeço devida!Recuso-me a acreditar neles porque as suas supostas vontades são como um lastro pesado que secola ao coração humano, amarrando-o, tolhendo-o, impedindo-o de aprender o gozo de viver, a artede ser livre e o risco de amar!E, acima de tudo, recuso-me a acreditar nestes deuses e em todos os outros parecidos com estes,porque nenhum deles se revelou em Jesus Cristo!Fazem mal aos homens e estragam a vida àqueles que foram ensinados a acreditar neles, nuncasaboreando o abraço libertador de Cristo nem a força recriadora das suas palavras que brotam daintimidade com um Deus Diferente…Estes deuses fazem tanto mal aos homens e dizem tanto mal de Deus, que acho que a sorte que elestêm é não existirem mesmo, porque se não eu ia atrás deles com uma pistola e havia de descobri-losa todos, atrás de qualquer nuvem ou no cume de um rochedo e, então, matava-os, um por um e parasempre: “BANG-BANG! ESTÁS MORTO, EM NOME DO DEUS DE JESUS DE NAZARÉ!!!” Rui Santiago cssr http://www.jovensredentoristas.com Reuniões de grupo JEF – 2010/2011 37

×