Inser o na_creche_a_entrada_das_crian_as_e_suas_fam_lias_(completo)

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Inser o na_creche_a_entrada_das_crian_as_e_suas_fam_lias_(completo)

  1. 1. INSERÇÃO NA CRECHE: A ENTRADA DAS CRIANÇAS E SUAS FAMÍLIAS Daniele V. de Azevedo (NEI:P&E/UERJ) Mônica R. B. Barcellos Melina(NEI:P&E/UERJ) Vera M.R. de Vasconcellos (NEI:P&E/PROPEd/UERJ)O trabalho apresenta algumas atividades das alunas da disciplina Prática e PesquisaPedagógica (4º período/Pedagogia - UERJ), que atuaram em dupla, numa modalidadede observação participativa, por duas semanas e meia (fevereiro/março de 2011),acompanhando o processo de inserção dos bebês/crianças e famílias, nas cinco crechesda pesquisa Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca 1. Oobjetivo da pesquisa era analisar, junto com os próprios educadores, suas concepções decriança, infância, educação e creche. Nos demais meses do 1º semestre, as alunas doPPP acompanharam o processo de desenvolvimento dos bebês e às relações creche-famílias e educadores-famílias; privilegiando as interações criança-criança e criança-educador. Os registro (Diário de Bordo) das alunas eram discutidos a cada semana, em“sessões reflexivas”. Este trabalho apresenta as observações registradas e discute aimportância do processo de inserção/adaptação/acolhimento para crianças, famílias eeducadores num momento novo e delicado para todos, inclusive para asalunas/pesquisadoras.Palavras Chaves: Creche, Família, Inserção, Infância.Introdução O trabalho aqui apresentado traz algumas considerações sobre o processo de inserção(chamado também de adaptação/acolhimento) de bebês/crianças e suas famílias nascinco creches da pesquisa Agente Auxiliar de Creche: Educadores da InfânciaCarioca, a partir das observações de alunas da disciplina Prática e Pesquisa Pedagógica(PPP), do 4º período do Curso de Pedagogia/UERJ. O processo de inserção é importante, pois envolve um momento novo e repleto demudanças na vida de crianças, seus familiares e educadores. Por isso, não deve ser vistosomente como uma condição de adaptação da criança a um novo ambiente, mascompreende todos os envolvidos (crianças, famílias, educadores) na tentativa deproporcionar um espaço promotor de desenvolvimento (Vasconcellos, 2002). Todos os1 FAPERJ (E-26/102.961 /2008)
  2. 2. atores que compõem esse processo são singulares e portanto, constituídos de diferentesvalores, crenças e cultura. Por isso deve-se buscar formas colaborativas de convivênciade todos no espaço da creche. A entrada da criança na creche, na maioria das vezes, marca a primeira separaçãoregular do relacionamento exclusivo anterior com a família, primordialmente, com afigura materna (Rapapport, & Piccinini, 2002). Essa pode ser uma experiência difícilpara todos os envolvidos, principalmente a criança. A creche passa a ser outro espaço,no qual ela virá a construir uma nova rede de relações e afetos. Na prática, esse processonão ocorre com rapidez ou facilidade e, por isso torna-se necessário um olhar maisatento e de respeito às individualidades e um agir acolhedor por parte da equipe local,para com as crianças e suas famílias (Vasconcellos et al, 2012).A Secretaria Municipal de Educação (SME/RJ), denomina este período inicial deacolhimento e, às creches é recomendado receber as novas famílias com respeito,mesmo quando seus hábitos e histórias de vida são muito diferentes (SME/RJ, 2010).No calendário anual é reservado um período de apenas uma semana para o acolhimento,igual para todas as unidades e todos os agrupamentos que as compõe. As creches queparticipam de nosso projeto receberam, antes no início das atividades, a visita dacoordenadora da pesquisa, que explicou a diferença em se proporcionar umaadaptação/acolhimento e um processo de inserção às crianças e suas famílias. Dentre osaspectos que caracterizam esse processo é sugerido que o período seja diferenciado eplanejado para de duas a três semanas; com o recebimento das crianças em pequenosgrupos, em horários reduzidos e com a permanência dos responsáveis na sala deatividade. Neste trabalho discutiremos, a partir das observações das alunas da PPP, asdiferentes modalidades de inserção organizadas em cada creche, buscando compreendercomo as sugestões da pesquisa foram recebidas e consideradas por cada unidade.MetodologiaNo primeiro semestre de 2011 as nove (9) alunas da disciplina de PPP acompanharam oprocesso de entrada da criança à creche, através de observação participativa, por duassemanas e meia (fevereiro/março de 2011). A atuação foi realizada, prioritariamente, emdupla. Cada aluna fazia o próprio registro em “Diários de Bordo” (Vasconcellos, 2002) 2
  3. 3. e o discutia, a cada semana, nas “sessões reflexivas” (Vasconcellos et al, 2008). Foisolicitado a cada observadora que tivesse como foco o desenvolvimento dosbebês/crianças, a relação creche-família e educadores-famílias, privilegiando asinterações criança-criança e criança-educador.Proposta do Projeto de Inserção Pensar em inserção é refletir na transformação do ambiente para receber as crianças,transformando-o num ambiente acolhedor e promotor de desenvolvimento. É pensá-latriangular, na busca de uma convivência colaborativa entre educadores, crianças e suasfamílias no cotidiano da creche (Rossetti- Ferreira, et al, 1986). Desta maneira cabe a cada creche, elaborar uma dinâmica de inserção/acolhimentoespecífica para o seu grupo, criando situações que auxiliem na vivência de separação dacriança de sua família no período de permanência na creche. O respeito àsespecificidades de cada criança, ao seu ritmo individual e a sua família é fatorfundamental para que ela se sinta segura no novo espaço social. O acolhimento dasdiferentes famílias, deve ser fator perseguido pela equipe da creche. A pesquisa Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca propôs àscreches um processo de inserção com as seguintes etapas: reunião prévia com os pais,reunião prévia com os educadores, organização do espaço físico, entrevista com os pais,organização de um acompanhamento diferenciado nas primeiras semanas (contandocom a presença de um familiar), atividades promotoras de integração, “roda deconversa” e reunião posterior (aproximadamente 40 dias depois) com os familiares.Breve relato do realizado em cada CrecheCreche Municipal A: a turma observada foi Maternal II com 24 crianças ( 2 e 3 anos) e4 educadores. Tempo integral de permanência das crianças na creche (7h às 17h). Nãofoi permitida a presença de familiares. 3
  4. 4. Creche Municipal E: a turma observada foi Berçário II com 23 crianças (10 meses a 1ano e 6 meses) e 4 educadores. O tempo de permanência das crianças na creche foi de 2horas com aumento gradativo 2, sendo permitido a presença de um familiar.Creche Municipal O: a turma observada foi Berçário II com 25 crianças (1 ano e 6meses a 2 anos) e 4 educadores. O tempo de permanência das crianças na creche foi de2 horas com aumento gradativo, sendo permitido a presença de um familiar.Creche Municipal F: a turma observada foi Berçário II com 25 crianças (8 meses a 1ano e 8 meses) e 2 educadores. O tempo de permanência na creche foi de 2 horasdurante a primeira semana, permitindo a presença de familiares.Creche Municipal L: a turma observada foi Berçário I com 22 crianças de idade entre1 e 2 anos, contando com 4 educadores, o tempo de permanência na creche foi de 2horas com aumento gradativo, não permitindo a presença de familiares. Um dos itens de observação destacado pelas alunas, foi a importância da presença dofamiliar nas creches que assim permitiram. O familiar presente servia de elo nasinterações da criança com as pessoas e o novo ambiente, deixando-a mais tranquila econfiando mais nos educadores. A regularidade nos horários das refeições proporcionousegurança aos pais, pois muitos declararam insegurança, quanto ao tratamento que seriadado a seus filhos. Outros itens como a relação educador-família, a proposta pedagógica da creche e asmodalidades de cuidado estiveram presentes nas “sessões reflexivas”. Pudemosconstatar que neste período de inserção as atividades de “cuidar” eram mais constantesque as pedagógicas. Por ser este um momento delicado, na maioria das vezes a criançanecessitava de maior carinho e atenção dos educadores. Verificamos também que paramuitas crianças esse foi um processo “doloroso” de separação dos familiares e dereconhecimento de um novo espaço como seu. Outra questão presente nas sessões reflexivas era a deficiência na formação dosprofissionais, já que muitos não possuem nem a formação mínima - modalidade normal,pois o concurso público para a função de Agente Auxiliar de Creche (Edital nº1 de2 O tempo de permanência das crianças aumentava gradativamente, de acordo com as interaçõese as explorações realizadas por elas no novo espaço, além da percepção dos novos vínculosafetivos que iam sendo estabelecidos com os educadores. 4
  5. 5. 04/08/2007), desconsiderou a exigência da LDB- Lei nº 9394/96 artigo 62) de ensinomédio (modalidade normal), para o profissional da educação infantil. Apesar deprotestos, a partir de junho de 2008, o quadro de pessoal das creches públicas passou acontar com os novos profissionais, nem todos com compreensão do que é ser educadorda infância carioca.O que aprendemos no processo ... Constatamos que a inserção realizada no momento de entrada da criança à creche é desuma importância para ela, sua família e educadores, já que este é um momento novo edelicado para todos. Para muitas crianças era a primeira experiência de convívio socialfora da família. Para muitas famílias esse período foi provavelmente a primeiraseparação da criança (mesmo que por pouco tempo) e por isso trouxe ansiedades queprecisou ser respeitada e compreendida pelas equipes das creches. E para os educadores(e nós dentre eles) foi um aprendizado de convívio com outras formas de ver o mundo eum exercício de respeitá-las, pois as crianças e suas famílias chegam à creche comvalores, crenças e culturas que podem diferir do que eles acreditam. Desta forma, omomento da inserção à creche invoca novidades não só para crianças, mas também seuspais e educadores. Por isso, deve ser realizado com respeito e valorização dasespecificidades de cada criança e sua família. Trata-se, portanto, de um período muitodelicado, em que familiares e educadores precisam de auxilio mútuo para tudotranscorrer da melhor maneira possível, respeitando o modo de cada criança seapropriar do novo ambiente, novas pessoas e criar diferentes modalidades de interagircom todos. O foco deve estar no conforto da criança e seu bem-estar no novo ambiente,buscando facilitar a interação creche-criança-família. A entrada de uma criança à creche não é uma simples adaptação a um lugardesconhecido. A criança é um sujeito ativo, que se relaciona com o meio e nele constituirelações afetivas, apropria-se de novas linguagens, interage no espaço-tempo comoutros que com ela também interagem. Ela (criança) é atora e autora de seu própriodesenvolvimento, por isso a construção de um posicionamento reflexivo de todos osadultos envolvidos no processo de inserção ajuda a torná-lo mais apropriada à educaçãoda criança pequena. 5
  6. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASRAPOPORT, A.; PICCININI, C.A.. Adaptação de Bebês à Creche: A Importância daAtenção de Pais e Educadores. Porto Alegre: Mediação, 2005.ROSETTI-FERREIRA,M.C ; VITÓRIA,T. Processo de adaptação de bebes na creche.Cadernos de pesquisa, São Paulo, p.55 - 64, 1986.SANTOS, C. C. B.; NOGUEIRA, I. F.; OLIVEIRA, L. M. de; MIGUEL, M. L .;LEITE, B. R. M. Agente Auxiliar de Creche: Educadores da Infância Carioca. 2ºGRUPECI, Rio de Janeiro, 2010.SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO – Multirio. Abraço Completo àInfância, Rio de Janeiro, p. 5 – 13, 2007.VASCONCELLOS, V. M. R. Construção da subjetividade: processo de inserção decrianças pequenas e suas famílias à creche. Tese de professor titular em EducaçãoInfantil, Faculdade de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2002.VASCONCELLOS, Vera M. R. de; OLIVEIRA, Rosangela A.; SILVA, Daniele, F.;SOUZA, Sirlene O. Creche, Inserção e Berçário. 1ºGRUPECI, Juiz de Fora, 2008.VASCONCELLOS, V. M. R.; SEABRA, K. C. ; EISENBERG, Z. W; MOREIRA, A.R. C. P. O lugar da Creche nos Debates sobre Parentalidade e Coparentalidade. Em:PICCININI, C. A. ; ALVARENGA, P. Maternidade e Paternidade: a parentalidade emdiferentes contextos. São Paulo, Casa do Psicólogo, p. 341 – 365, 2012. 6

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