Crônicas AgudasCoelho de Moraes
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CRONICAS AGUDAS
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Mais uma coleção de crônicas de todos os tempos que sairam em vários jornais inclusive no TREM DA CULTURA, editado ao lado do amigo MACIEL

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  • @DivonsirPinheiroBorg Caro Divonsir, agradeço pelas palavras e pela percepção aguçada quanto ao futruro de nossos jovens. Cabe informar que UM CERTO DAIMON CHAMDO BARTHES e GRADIVA & AS BRUXAS sairam em livro pela editora IXTLAN. Obrigado pela atenção. COELHO
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  • Crônicas são memorias que o mencionado ja indica; baseia-se em
    em mim, observe e absorvam da maneira mais simples o legado do ante passado conquiste o para merece-lo. É justamente estes personagens que o mundo moderno tem que se basear, pois o cotidiano está tão agitado que crianças futuras podem não perceber que a base está fugindo de seus pés por desleixo e falta de orientação dos mais experientes, eles entrarão no mundo da inovação e esquecerão que o antigo foi quem preparou e se eles não absorverem terão dificuldades no futuro. Por isso digo que: São pessoas iguais Vsa.que plantam novas flores nos jardins para incetiva-los a regár e ver as borboletas. se não tiverem incentivos com certeza cerão manipulados por críticos e psicopatas. Agradeço a oportunidade de deixar aqui uma memória urgente.
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CRONICAS AGUDAS

  1. 1. Crônicas AgudasCoelho de Moraes
  2. 2. Crônicas Agudas Direitos de Cópia para Cecília Bacci & Guilherme Giordano ceciliabaccibscm@yahoo.com.br menuraiz@hotmail.com ALTERN EDITORA ALTERNATIVAMENTEprodutoresindependentes@yahoo.com.br TIRAGEM 8000 POR E-MAIL DOWNLOAD EXCLUSIVO http://www.paginadeideias.com.brColeção BROCHURA / PDF / ESPIRAL Capa COELHO DE MORAES coelhodemoraes@terra.com.br Cidade de Mococa Abril – aniversário da cidade São Paulo 2010 2
  3. 3. Crônicas Agudas À GUISA DE APRESENTAÇÃO & PREFÁCIOCumprimentos a todos.Meu nome é Marco Antonio Coelho De Moraes, venho a estas páginas(PÁGINAS DE IDEIAS do amigo Scarparo Maciel), e venho escrever sobreassuntos pertinentes ao fazer da arte e suas derivações, às vezes não tãoartísticas, abrangendo a cultura entre laços e gravatas e sorrisos de quem nãosabe o que faz, mas quer assim mesmo sentar na cadeira do cargo.Antes de tudo digo que a família por parte de meu pai vem de Arceburgo eMilagres e Guaxupé e Monte Santo, e do lado materno vem de São Paulo e vemda Mooca. Mococa e Mooca. Sempre pareceu um sinal. Um signo. Uma profecia.Estudo música desde os 10 anos de idade e comecei na classe do ProfessorOlímpio, no Conservatório Santa Cecília. O Conservatório ficava sobre o CineModerno, na Rua da Mooca, depois passou para um prédio novo na Javary.Meu primeiro acordeon foi um Scandalli italiano. O velho acordeon de tangos eboleros na Mooca. Depois entrei para o Conservatório Dramático e Musical deSão Paulo na avenida São João.Fiz composição e regência, estudos complementares de encenação teatral eprodução videográfica; compus várias obras em formato de musicais cênicos,além de obras para Coro, Grupos Sinfônicos e Câmera. Venho fazendo isso commais assiduidade após o advento da informática que facilitou a escrita.Produzimos mais.Em 1996 Mococa estava dentro de si e aproveitou a oportunidade para mechamara a dirigir a Escola de Música Euclydes Motta. Durou somente o sonhode 96 e resíduos oníricos posteriores, pois a cabeça dos governantes seguintesnão acompanhou a modernidade. Mesmo assim eles se acham os tais. 3
  4. 4. Crônicas AgudasAtuei, desde 2007 como Coordenador de Cultura da FATECmococa(cineclubismo e cinema) cujo périplo de aço finalizou em 2009, isso, dez anosdepois de uma ação cultural que alterou o pensamento de Arceburgo no ano de1997. Lá nas Minas Gerais formara-se a Escola Municipal e Artes Dramáticas eMusicais – EMADMA - que durou um ano, também. Faltou inteligência e tinopolítico. Parece que essas duas virtudes nunca andam juntas.No mesmo formato e seguindo a mesma dissociação de virtudes acima dirigi,como já dito, a Escola de Música Euclydes Motta, em Mococa, traçando a suaproposta pedagógica, mas isso de nada adiantou pois de pedagogia não háprefeito que entenda.Prova-se que quem veio depois não tinha mesmo competência para dirigir nadae a escola estagnou-se. Escola estagnada significa criação e inteligênciaestagnadas. Cidade pobre de espírito. Talvez ganhe o reino dos céus, mas sedepender do andar da carruagem e do Papa, sei não...Trabalho em 2010, no segundo ano, com o CORO DA MOCIDADE, que já égrupo de canto coral em ação. Ela se estabelece na Mocidade Espírita de Mococa– a Mem.Dirijo a PRODUTORES INDEPENDENTES – PI, que é uma empresa muitolivre para produção artística em geral (música, vídeo, literatura, teatro, gravaçãode CD, gravação de Vídeo e Kinemática Aplicada); dirijo, ainda, o TEATROPOPULAR DE MOCOCA - que homenageia um dos nossos grandes artistascênicos - ‘ROGÉRIO CARDOSO’. O TPM já montou para mais de 25 peçasem 13 anos de trabalho na região. Ganhou prêmios. É grupo respeitado. Aoutros trás o despeito pois ele faz, enquanto os outros olham. Em Março de2009 estreou “NIETZSCHE NO PARAÍSO”, com textos do pensadorNietzsche. Em Março de 2010 estreou A MORTE BÊBADA DA MORTE”,com textos de Miranda Junior e Woody Allen. 4
  5. 5. Crônicas AgudasEm 2009 foi grampeado pelo judicioso Diretor de Cultura de Plantão e suadentifrícia esposa, mancomunados com as bandas de além. É sempre assim, nãoganham na competência, mas querem ganhar no tranco e no barranco.Além disso, possuo uma discografia que alcança 9 CDs já gravados e lançados,dirigindo vários grupos entre Rio, São Paulo e Minas Gerais. Trata-se muito demúsica instrumental contemporânea. Execução completamente virtual, ou seja,música eletrônica, pois é uma obra cibernética, através da ORKESTRALIVRE, seguindo alguns caminhos do mestre Gismonti.Mas, em meados de Abril deste ano de 2010, a Orkestra Livre retoma ensaios eprepara sua temporada de concertos.E na vertente do mestre Allen, a videografia não é deixada de lado tendo aINDÚSTRIA DO VÍDEO como executiva das obras de curta, média e longametragem e cursos curtos. Algumas das obras vão para Festivais e Mostras,outras seguem através da Internet, no espaço cibernético que nos envolve(YouTube, Sapo, Videolog e quejandos).Não contente com a lerdeza que impera na região, participei da montagem deuma Incubadora Cultural em São João da Boa Vista. Dela fui presidente em duasgestões. 2004 a 2008.Por outro lado, e afeito a essas coisas da mente, em 2009 eu exponho agraduação em Filosofia e formação em Psicanálise. Terminada a preparação em2010 eu me apresentarei à sociedade, a partir de Maio vindouro com mais essavertente de trabalho. É o velho interesse na alma e espírito humanos que sedesenvolvem na arte. A psicanálise, a musicoterapia e a homeopatia.Pensamentos livres e profissões libérrimas. É assim que gosto.Isso se a arte permitir e folgar um tempo. Veremos.A arte tem dessas coisas. A arte exige essas coisas. Não fosse assim e não tendomais nada que fazer, eu fabricaria gelatina e ficaria a pregar placas de lata nasparedes ou me sentaria feito índia na porta do Teatro impedindo a passagem..Por ora ficam votos de sucesso, vida longa e prosperidade. 5
  6. 6. Crônicas Agudas 6 POR MEIA DÚZIA Ou de como – democrática - a Cultura é para qualquer um De cada vez que escrevo posso ser avaliado como aquele que é convencido ouarrogante, ou, aquele que tem dor de cotovelo. Sendo assim nunca escapo desses epítetoslançados a esmo. Sendo assim, continuo escrevendo e dou de ombros, cabelos ao vento. Numa olhada superficial sobre a situação da Cultura vemos que nela – comoinstituição burocrática ou departamental – cabe qualquer tipo de gente, de qualquer profissão,mesmo os ignorantes. De outro lado temos bons exemplos: No Departamento de Educação adiretora é Docente. No Departamento de saúde é Médica. No Departamento de Agricultura –por bem ou mal, que o digam os funcionários – é engenheiro agrônomo. No Barracãoencontramos gerentes com bom trabalho. No Departamento jurídico há advogados. No MeioAmbiente é engenheira ambiental. Agora, no Departamento de Cultura a profissão podevariar. Essa poesia, pobre por sinal, nunca deu rima. Ora, o histórico dos diretores do Departamento de Cultura deixa a desejar ou dá panopra mangas, ou dá jorros de risos: já foi mulher de delgado, comerciante, juiz, dentista,advogado... Realmente, é um departamento onde qualquer um pode obter guarida para seusonho delirante. Tentar ser o que não é. Nem precisa ter perfil de nada. Hiphopistas 6
  7. 7. Crônicas Agudasanacrônicos, diretores de trem da alegria, responsáveis pelo bilhete de entrada, dançarinos dealuguel, enfim, não precisa lidar diariamente com a matéria cultura, basta ter um sonho. Nemprecisa conhecer quatro idiomas e nem ter produção em vídeo/música/teatro, ou seja,produção na área artística, no mínimo. Basta ser curioso(a). Ser curioso(a) e se apoiar nasapiência dos funcionários que lá militam. Não de todos... pode se dizer que os funcionáriosda CULTURA é que são os bons do pedaço. Não todos... Resolvem tudo. Não todos... Que seria das cidades sem seu folclore? Mas saibamos mais sobre um conto de certa cidade interiorana... uma lenda urbana deterror, nesse caso... A dentista é esposa do juiz e, por negociatas espúrias, assume o posto domarido – não o do Fórum, mas o posto da Cultura. Parece que o fenômeno é monárquico.Provavelmente, daqui a seis meses, quando a dentista sair entrará o filho mais velho e assimpor adiante, até alcançar a petizada. O Departamento de Cultura, repetindo os erros desempre, é a moeda de troca das articulações... o caminho parece ser esse. Também... para quecultura? Ou entrará outro qualquer. Basta ter um sonho... não precisa de projeto. O Figó de má memória dizia: - Quando ouço falar em cultura já puxo o revolver. E, o que é cultura afinal? São os eventos que se perdem com o vento? São assolenidades com hino e pose de estátua deselegante? O que é isso, afinal, cultura chamada? Éaquilo que se aprende na escola e nunca mais sai da cabeça ou justamente o contrário? Kultur é a civilização e tudo o que nela couber. Portanto a cultura é a mostra da nossacultura, a representação de tudo o que foi construído em choque com a Natureza, acivilização que construímos. Quando o prefeito escolhe um Assessor de Imprensa que não édo metièr, mas que serve para compor com a aliança de partidos da campanha, é parte dacultura. Estão fazendo cultura. De mau gosto, mas sempre cultura. Quando o prefeito elegeum engenheiro bom na tecnologia para tratar das coisas do campo, mas, muito ruim no tratopessoal e com seus assessores, fabrica-se cultura. Quando o prefeito põe dentistas para cuidarda cultura, faz cultura no mal sentido; continua sendo cultura, mas cultura pífia. Se fizer tudoisso, sem consultar o partido, tratando-se de política e, portanto, de ação clandestina, produz acultura do autoritarismo, do eu-achismo. Escolhas pessoais? Escorado na desculpa detrabalhar com gente de confiança, sugere-se que os outros não são de confiança ou não têmcompetência para atuarem naqueles espaços. Esse último item – da competência - não é,parece, o que pesa. Por que se assim fosse a cidade teria mudado qualquer tanto e nadaaconteceu. O adversário, por exemplo, pode ser uma pessoa de confiança, contanto que faça 7
  8. 8. Crônicas Agudasparte do perfil de governo do chefe do executivo. Em suma... burlou-se o estatuto. La naveva. AGENDA BÁSICA que dou de bandeja: Uma ginkaninha ou férias coletivas emJaneiro (teatro fechado?) já que não há nada para fazer mesmo / preparação para carnaval emFevereiro / desculpa das chuvas em Março / Abril, aniversário da cidade com Sandy-sem-Junior ou o inverso / Maio do trabalhador e das galinhas e do alface, plus, dia dasmães/noivas/santas/mulheres que desmaiam em Maio / em Junho as festas juninastravestidas de folclore (evangélicos acham isso coisa do capeta, portanto vade retro) / Julhofica por conta da SUM / Agosto deve ter alguma gripe (a asinina) ou a canina de algumcachorro louco, para variar, e adiarão qualquer evento (adiar é o que fazem de melhor) / emsetembro mês das flores e talvez alguma coisa que foi adiada do mês anterior / o salão dobruno? / o dia do folclore? / o dia de geléia? / vamos colar alguma placa de lata na parede? /em Outubro usarão as crianças como escudo, e, desculpa para teatro infantil de baixaqualidade apoiada nos vassalos de plantão e nos bolos expostos ao sol com que alimentarão apatuléia pobre / já se encontram sob a mesa à espera das migalhas boquirrotos abertos para oalto / Novembro podem comemorar o meu aniversario que não ligo / e Dezembro umgrande suspiro, pois, finalmente o (c)ano acabou = FALSA CULTURA. O Teatro Municipal da cidade fictícia foi aberto. Mas não parece. Falta o porteiro. Aporteira que lá está de nada entende e diz que os eventos se darão na cota de um por mês.Sábia como tantos já traçou a agenda paupérrima. Sabe por barreiras, levantado as mãozinhaspara o alto e dizendo: - não me passaram... isso não sei! Aliás parece que esse pessoal dacultura sempre levanta as mãozinhas para o alto. Será que vivem em algum assalto constante?Que mais... Tem um piano para consertar. A bagatela de 30 mil reais que a cultura do(des)governo anterior deixou escapar pelo mofo das chuvas. Mas, quem liga? Nem todomundo toca piano e faz lasanha ao mesmo tempo. Tem refletor para comprar. Tem agendapara montar. Tem auditoria para fazer. Ah! AUDITORIA! O trauma dos covardotes deplantão:1) Quem permitiu que o piano se estragasse sob as águas, após as reformas que eram parasolucionar o problema do telhado – contra chuva – e, sistema elétrico - contra curtos -,sabendo-se que tal reforma não resolveu nada disso?2) Quem permitiu – do alto de sua autoridade - que a Câmara (sempre a Câmara que deveriaajudar) levasse na mão, na rua, na calada do final de semana, as peças milionárias do Museu deArtes Plásticas para os subterrâneos do Gabinete, incluindo as obras do Brunão? 8
  9. 9. Crônicas Agudas3) Faltará alguma peça? Faltará refletor? Faltará lente? Faltará algum Manezinho Araújo? Ondeas poltronas do hall? Onde o cortinado adequado e não a porcaria pendurada? Tudo isso épatrimônio e dele ninguém dará conta? Por que alugar mil vezes aparelhos-de-sons suspeitosse basta comprar uma só vez quase que pelo mesmo preço a mesma coisa? Curiosidades. E retornando ao primeiro parágrafo: Se CULTURA serve para qualquer um,certamente não serve para mim, por motivos óbvios. 9
  10. 10. Crônicas Agudas A Alma Platônica Platão diz que o homem – ser humano ou homem gênero? - é a sua alma eque apenas pela alma é possível ao homem conhecer a verdadeira realidade, ouseja, o Mundo das Formas. Isso é opinião lá dele pois para mim a realidade é estaque vemos e tocamos. A primazia, portanto, no pensamento platônico é da alma emrelação ao corpo. Mas, de onde ele tira essa idéia, uma vez que os Pré-Socráticos sedebateram em demasia para explicar a Physis – natureza – através da racionalidade?Se alinhavarmos o pensamento dos filósofos daquele momento, veremos que Platãofaz um retorno ao Mito, apenas trocando o nome de Zeus para Demiurgo, porexemplo. Demiurgo ou Daimon, a entidade que plasma a matéria dando ordem aouniverso. A Psicologia platônica – se podemos dizer nesse sentido sem ofenderninguém - tem intenções éticas: provar a necessidade de controlar as tendênciasinstintivas do corpo; não há referência alguma de que isso é um mal, em si; garantiruma retribuição futura àquele que procura a justiça - ir para o céu e se dar bem –devendo-se entender que justiça, na Hélade do século V a.c, nada tem a ver com a 10
  11. 11. Crônicas Agudasnoção atual de justiça: mulheres, estrangeiros, escravos e crianças, não passavam demeros complementos da vida do homem ateniense, por exemplo. Então, quando Platão fala do homem, está falando do homem mesmo. Essa chamada psicologia possui também intenções gnosiológicas:estabelecer a possibilidade de um conhecimento do Mundo das Formas, ou dasIdéias. E isso é uma sacada platônica sem base alguma na racionalidade. Se Platãosugere que o mundo sensível – esse mundo que podemos sentir e pegar – gera oimaginário, certamente ele usou deste estratagema para esboçar o seu mundo dasidéias. Inventou e Fantasiou e ainda disse que não. A alma platônica é simbolizada por um cocheiro conduzindo um carro puxadopor dois cavalos alados. A alma racional (Nous, Logos), simbolizada pelo cocheiro, éimortal, inteligente, de natureza divina e situada no cérebro. A alma irracional(Thymós), o cavalo branco, é fonte das paixões nobres; é mortal porque é inseparáveldo corpo, estando situada no tórax. Como é que o Platão sabe certinho onde está localizada a coisa, não é? A alma apetitiva (Epithymía), simbolizada por um cavalo negro, é fonte depaixões pouco nobres; é mortal porque também é inseparável do corpo, estandosituada no abdômen. Fica evidente, através da metáfora, que esta estória do Platão étão fantástica, ou, tão real, quanto falar que o fogo de Zeus deu vida aos humanos(húmus) de barro moldados por Prometeu. Se podemos acreditar em uma estorieta,podemos acreditar na outra. Um certo Demiurgo (sacado da imaginação fértil do nosso filósofo) criou aalma racional – criou por que quis ou foi algum acidente, algum acaso? - com osmesmos elementos da Alma do Mundo, por esse motivo ela é imortal e tem caráterdivino, ou seja, tem algo do Mundo das Formas. No entanto é cópia e vale menos.Esse algo semelhante ao mundo das Formas permite que a alma entre em contatocom o Mundo Inteligível (das Formas ou das Idéias). Relembre. Se a alma relembra(anamnése) é por que guardou em algum lugar o que deve ser lembrado, e, nessecaso, Platão é obrigado a lançar mão da sabedoria hindu e clamar pela 11
  12. 12. Crônicas AgudasMetempsicose, ou seja transmigração das almas de corpo para corpo. Sócrates aindadiz que se o cidadão não se comportar convenientemente voltará em algum corpo demenor valor como por exemplo no corpo da mulher, do escravo, de uma ratazana ourabanete... ou de algum diretor de cultura. Segundo o mito de Demiurgo – sim, Mito, retorno ao Mito - quando nãoexplicamos, inventamos o mito para acreditar na estória, então, em determinado graude necessidade, passamos a ter fé - que é diferente de saber, pois é possível ter féaté naquilo que nem existe; mas, voltando ao mito, as almas recém criadasconduziam seus carros pelo mundo celeste – tal é a fantasia de Platão que ele chamade pedagogia, ou metáfora para ensinar -, e era permitido, a elas, olharem para umplano superior (o das Formas ou Idéias). Cabe perguntar: permitido por quem? PeloDemiurgo? Pelos deuses? Pelo Daimon? Embevecidas com o brilho, beleza e perfeição das Formas ou das Idéias –brilho, beleza e perfeição são valores relativos e depende de quem olha e analisa -,os cocheiros perdiam o controle de seus carros (que é um acontecimento casual,acidental, ocasional) e, não conseguindo dominar os cavalos, caíam no plano daMatéria ou plano Sensível. Lembremos que a queda dos anjos e mensageiros já fariaparte da cosmogonia de hebreus e cristãos, posteriormente. Os cavalos, símbolos das paixões e associados ao corpo são grandesestorvos para o cocheiro, impedindo-o de contemplar as idéias, arrastando-o parabaixo e fazendo-o cair para o mundo corruptível da matéria. Ou seja, contemplar asgrandes idéias ou Formas não basta para se livrar das torrentes de paixão. Vemosque há uma tendência de transformar tudo o que é matéria em coisa corruptível.Ninguém quer aceitar que essa é a condição da matéria – ser corruptível (nascer,existir, morrer) e não engendra nenhum pensamento de que deva existir algo perfeitoem contrapartida. A matéria é o fundamento do Universo. Mesmo o que chamamosmatéria será energia em algum momento e essas duas situações sãointercambiáveis. Alguns cocheiros puderam ver mais e melhor o Mundo das Idéias(puro acaso), antes da queda (outro acontecimento casual). Por esse motivo, 12
  13. 13. Crônicas Agudasalgumas almas são mais sábias, estão mais próximas da Verdade. O Filósofo é umcocheiro que viu mais sobre o Mundo das Idéias, fato que sugere mais umacontecimento casual. Como o acaso toma parte especial em todas essas estoriazinhas, não? Platão, não contente, ainda complementa: “O melhor que pode acontecer a umFilósofo é morrer, porque ele retornará ao Mundo Inteligível (das Formas ou dasIdéias) e poderá contemplá-lo plenamente”. Nirvana? “A Filosofia é uma preparação para a morte”? 13
  14. 14. Crônicas Agudas A MORTE DO JORNALISMO? Na escola se aprende a forma, o número de toques, aprende-se a digitar,aprende o “que, quando e como”- que hoje é usado para desvendar a rotina dascelebridades. Nada mais do que isso. Nada mais “IN”. Os jornalistas que levam taismatérias se acham muito “IN”? Só se forem INsano. Se chamar atenção para o jornaldepender disso, o título da matéria está correto. Morreu mesmo. Em grande percentual o jornalismo trabalha com as noticias de novela, assurpresas do capítulo futuro, bundas na revista Caras e marcas de geladeira. Emverdade, em verdade vos digo que estão muito dominados. Jornalistas, com adesculpa da sobrevivência, limitam-se a montar jornais de propaganda. Acho que nãodevem sobreviver, mesmo. Dominados pela moda, dominados pela mídia MAJOR,dominados pelo chefe ou chefa – cujo olhar não vai além do nariz – morrem peloscantos. Os anos acadêmicos de nada serviram. Não se forja um jornalista na escola,apenas se o aparelha. Escrevemos. Contamos causos. Somos faladores e escritorescontumazes. Noticiamos na fofoca ou na mensagem pela NET. Não adianta 14
  15. 15. Crônicas Agudasespernear, nem fazer um quadrinho do diploma e esfregar na cara do resto domundo. Esse quadrinho nada vale. Esse quadrinho é biquinho. Biquinho de quemchoraminga. O que vale é o talento, sempre. Somos e geramos e editamos notícias emuitos viverão disto, com ou sem diploma. O que temos que discutir é a revoluçãoque as novas mídias trouxeram pra o modo de pensar do cidadão. Isso sim é importante. É ir além. O que muda nestes tempos? Onde os veículos se rediscutem emformato e tendências? Porque o jornalismo das grandes redes faz só fofoca?Devemos dar canudos pra fofoqueira do teu bairro, então? Quantos dias faltam pramorrer o jornal impresso que não passa de fetiche? O de Los Angeles já foi. Tem aver com a morte da qualidade na grande imprensa? E, o Maiquel Jéquiço, foienterrado ou não foi? Bia Werther diz e muita coisa deste texto é baseado em seus escritos: “Arevolução na notícia se dá quando ela transcende o furo do dia e vira história, nãoapenas manchete lavada no papel reciclado de amanhã”. Daí a MORTE DOJORNALISMO. Desde os anos 70 se previa que manifestações como ARTES DASRUAS e NOVAS MIDIAS fariam aparecer a voz do humano comum. E, o humanocomum, nunca teve a palavra para si. Sempre falam em nome dele. Padres, pastores,vereadinhos de plantão, deputadinhos, seniladores com dores e artralgias crônicas.Enfim, autoridades. A pessoa comum, quando fala, fala de acordo com a moda, comomanda o figurino, para que o editor não corte a fala que “pega mal”. E cineastasvários previam as religiões eletrônicas e a morte dos livros. Ninguém deu trela. Eramais um programinha para se entreter enquanto a diaba Xuxa fazia das dela com ateta na cara das crianças. E quem pode afirmar que responder a pergunta ainda nãoformulada não é jornalismo? Sim... sim... a pergunta! Sem o “como quando ondeporque” sagrados? E não somos jornalistas? Da fofoqueira ao dono da padaria. O que diz Bia Werther?: “Acaso a diferença não se apresenta na editoria damatéria, mais ou menos livre, tendo cada um a sua tendência? O limite das laudas, oconceito de furo, o furor, o caixeiro viajante da notícia”. Há necessidade do papel, ou 15
  16. 16. Crônicas Agudasbasta um PDF pela rede? Pode ser documentário em filme? Em vídeo? Através daTV? Pode ser um Messenger? Blogs e novas mídias são o meio do futuro/hoje.Abram os olhos por que o futuro é esse que você vê passar pela janela. Na verdade oque não existe é o hoje. Se você não tem acesso à mídia informatizada é por que os poderosos tequerem alienado. Pau neles!! Gay Talese falava do “noticiar o humano comum”, coisaque a imprensa do formato quadrado – tradicional - diz que é um jornalismo devanguarda. Falar do humano comum pode ser o caminho para falar da Cultura daPaz. As margaridas do campo não são motivo de notícias, mas as mortes e o sanguealheio são. Esta é a opção que temos? Será que você leitor não entende que precisade um analista urgente? A PolitiCanalha não fará a sua parte ou teremos que ensinar,mais uma vez a essa gente que não sabe ler, não sabe interpretar, não sabeentender, como se deve legislar? Ocorre que escrevemos as novidades; contamos a história do nosso tempo.Muita vez nos repetimos. Quem vai impedir? Terei que andar com um plástico nocarro dizendo: “Não faça história antes de consultar um jornalista?” O que fazer comos blogueiros diários? Não são milhares deles jornalistas – pois, diários - semcanudo? Como regulamentar, como impedir alguém de publicar o que quiser, quandoquiser? Para ser escritor tem que ter diploma, também? Estamos em meio a milhõesde notícias do ser humano comum que não tem nenhum destaque na grande mídia enão dá matéria aos olhos da imprensa que já não vende tanto jornal como outrora,a não ser que Obama olhe Obunda da brasileira. É preciso canudo pra noticiar isto? Ninguém perde o emprego de jornalista se for bom. Se tiver tino. Se tivertalento. Mas se é tão importante, pombas!, enquadrem o canudo! Que a moldura lheseja leve. Títulos, e mais títulos, e, que tais, que moldam e formatam a figura daautoridade no assunto. Na vida real a mudança permanece e o ser humano, semcanudo, continuará com suas mensagens, seja ele médico, músico, filósofo, artistaplástico, ou açougueiro, escrevendo, cantando ou gritando na rua, batendo a 16
  17. 17. Crônicas Agudasclaquete, pintando o muro. Jornal de bairro, Fanzine, Rádio, TV comunitária ou não,Blog. Porque quem tem o que dizer arranjará uma folha de papel, higienizado depreferência, um microfone e mandará ver. E se for bom, vai viver disto. Profissional. Edane-se o resto pois, o resto é restolho do restolhão, com precariedade de talento efalta de mufa pra queimar. Novamente Bia Werther: “E afinal, quando os jornalistas, que deveriam ter acor da novidade, se assustam com o novo é que, realmente, a morte é iminente. Masmorte é só vida. Mil novas faces; mil novas línguas; tantos milhões de veículos quantode gente no planeta”. Falai e multiplicai-vos. 17
  18. 18. Crônicas Agudas ADAO & EVA NO DIVÃUma interpretação alternativa... – pois nada, nadinha é coisa absoluta -... alternativa àfamosa estória que nos remete a etapas do desenvolvimento mental do humano, que aonascer ainda não possui a consciência desenvolvida, pouco percebendo as coisas que ocerca; obedece sem questionar as orientações do Progenitor (Pater Theos). Ou então, o queé pior, trama e urde nas trevas do desconhecimento e da falta de competência,permanecendo no Éden sem ter talento para isso. Puro vício. Com o passar do tempo, oteórico casal bíblico (lembrando que bíblia é sinônimo de coleção de livros) inicia umcomportamento questionador e se mostra um casal consciente do que vê no mundo à suavolta. Primeiro Adão percebe que além de covarde é inepto. Nem para comer a maçã eleserve. Tem que receber na boca. Parecem adolescentes. O Pai os declara aptos a seguirsuas vidas sem a Sua Divina proteção. O casal deve se estribar em bom judiciário e amplossorrisos.Adão e Eva estariam aptos a viver com os outros seres do Orbe? Poderiam viver comomortais antes de comer do fruto da árvore do conhecimento? São perguntas que ninguémresponde.Quando Adão e Eva foram criados - pois não passam de seres construídos e nada nadinha 18
  19. 19. Crônicas Agudasnaturais - Pater Theos lhes dava tudo que fosse necessário à vida, só pedia em troca a Fé.Mais especificamente, que não tomassem contato com o conhecimento do bem e do malpor conta própria. Ora, para que serviria a Fé se Adão e Eva tinham relacionamento diretocom Deus, portanto, sabiam dele, o conheciam, e, por conhecê-lo não necessitavam deprovar a tal da Fé? Além do mais nada tinham que fazer no Jardim. Limitavam-se a posarnus para fotos e solenidades ocas. Chamar rio de Rio. Declarar que nuvem era Nuvem eassim por diante.Então, a pegadinha, em Gênesis 2:16 e 2:17: Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo:De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento dobem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamentemorrerás. Provou-se mais tarde que não havia morte alguma. Pura mentira do Senhor.Alguns exegetas afirmam que a Morte é simbólica e quer significar a perda da ingenuidadenatural ou pureza original. Forçam a barra.No começo dos tempos, citando Gaiarsa, era proibido ter conhecimento do Bem e do Mal.Nos dias de hoje as religiões e a política (sucedâneo obrigatório) desejam que saibamosdiscernir entre o Bem e o Mal. Afinal é ou não é para discernir o bem do mal? Mas, osprimeiro sinais de autoconsciência aparecem; os obstáculos demonstram a incapacidade.Dar nome para a COISA é fácil. Difícil é saber para que serve a COISA.A gincana continua. Outra pegadinha: Gênesis 3:5 A Serpente fala e pelo visto bemsabe do que fala : Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes (o fruto da árvoredo conhecimento) se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.Outra, em seguida, em Gênesis 3:6: Então, vendo a mulher que aquela árvore era boapara se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou doseu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. A mulher saiu na frente nabusca do conhecimento. Nada desse negócio de intuição. O legal era saber ali na batata,como diria Nelson Rodrigues.Nota-se que o humano, então, olha para si mesmo: consciência da condição e daindividualidade.Deus, meio brabo, suspende todo o privilégio do casal, o que denota uma tendência à fúriae certo desequilíbrio. Anuncia que Adão e Eva enfrentarão desafios que são, na verdade,as coisas da vida cotidiana, para ver onde aperta o calo. Consciência autônoma ao livrearbítrio. É como se Deus dissesse: - “Vão e construam a civilização!” 19
  20. 20. Crônicas AgudasProvavelmente, apesar de que não há maneira nenhuma que possamos provar, a partirdesse momento cessa a relação moral de Deus com a humanidade. Deus lava as mãos. Foiembora para o Sinai com suas trombetas.O repórter bíblico no diz o seguinte: Gênesis 3:22: Então disse o Senhor Deus: Eis queo homem se tem tornado como um de nós (nós quem? Que plural é esse? Ele falava doselohim?), conhecendo o bem e o mal. Ora, não suceda que estenda a sua mão, e tometambém da árvore da vida, e coma e viva eternamente. E, tendo tais palavras saído da bocade Deus é, portanto, possível que o humano se torne eterno. Será essa árvore o genomaque se vem decodificando? Até vejo os elohim dizendo em coro: - “Mas quem mandoucriar esses caras? Agora, segura o rojão, meu”.O “processo de criação da espécie humana" não se realiza no instante em que Deus cria ohomem do barro e a mulher de sua costela (isso segundo a visão patriarcal; há eruditos queafirmam que a palavra que traduziram por costela pode ser traduzida por célula, um pedaçodo outro, uma parte do código genético, sêmen e por ai vai. Outros, não patriarcais,afirmam que houve separação do ser duplo em dois, ou seja, tanto Eva saiu da costela deAdão quanto Adão saiu da costela de Eva; depende de quem conta a tal da história ouestória. Se isso for crucial para a existência e manutenção de qualquer religião, estamosmesmo feitos). No decorrer de toda a história humana no Jardim do Éden, começando comsua individualização espacial (circunscrição física) através do barro, passando pelaindividualização da consciência pelo ato de comer o fruto proibido; acarretou a expulsão edeu início ao retorno ao Paraíso ou à busca da felicidade perdida. O que viesse primeiro.A serpente é uma antiga divindade da sabedoria no Oriente Médio, portanto nãosurpreende que nesta história haja a presença dela junto à árvore do conhecimento. Como oeuropeu sempre odiou e chamou de Mal o que vinha de África e Oriente, deram a pechade diabólica para a serpente, mas o que é um Seraphin se não uma serpente? Serafim,seraphin, serápis. 20
  21. 21. Crônicas Agudas CARTA AOS AFRO-BRASILEIROS DE MOCOCAreflexões sobre panfleto encontrado no chão em 2004 / mas quem sou eu se não um brancoKWANZAAFesta da Raça Negra / Está aí um texto compilado do folder-convite que encontrei.Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio ou atrapalha seu crescimento é uma fraseassinada por Alice Walker, escritora afro-americana. Pensar / ver / meditar.Em busca da reparação: Reparar significa o Estado reconhecer, baseado nas decisões da IIIConferência Mundial Contra o racismo, a Discriminação, Racial, a Xenofobia e FormasConexas de Intolerância - realizada, em 2001, na África do Sul - que o colonialismo e aescravidão cometidos no passado foram crime contra a humanidade / as novas gerações denegros e negras que sofrem, ainda hoje, as conseqüências do crime, devem ser reparados deimediato, pois o Brasil, a Europa e o mundo devem reparações ao povo negro. Onde estádivisão de riquezas? Com pretexto na Lei Áurea, enquanto os ex-escravos faziam sua festa, asfazendas se livravam dos caras. Os italianos chegavam para serem explorados. 21
  22. 22. Crônicas AgudasAtraso Histórico: Qual é a ação dos interessados afro-descendentes? Há reuniões? Debatemo assunto? Refletem sobre as perdas? É reunião secreta? O Brasil foi o último país no mundoa abolir a escravidão e o penúltimo a interromper o tráfico de seres humanos. A Igreja viatudo dava apoio. Tinha ela também sua cota de escravos. O país foi também o que maisrecebeu escravos vindos da África entre as Américas – cerca de 3,6 milhões. Fica por issomesmo? Sugiro que as terras das igrejas de cada cidade sejam divididas entre osafro/descendentes. Podemos começar daí. E que cada igreja de cada cidade peça desculpaspúblicas. De joelhos.Números vergonhosos: Um Brasil branco 2,5 vezes mais rico que o Brasil negro. Dospobres, 64% é negro e dos indigentes 69% são negros. De acordo com o MEC – pode-sequestionar, mas, não sentado em seu trono de cana-verde - 15,7% dos estudantes formadossão negros e 84,3% são brancos (quer dizer, brancos... quem é branco nesse país?). De acordocom o IBGE, para cada ano de estudo, os considerados brancos têm sua renda elevada em1,25 salários, enquanto os negros 0,53 salários. Portanto há preferência clara e a facilidade queadvieram dos 300 anos de escravidão. Isso é inegável.Quem muda a situação?: De acordo com a justiça distributiva um indivíduo ou grupo têmdireito de reivindicar as vantagens perdidas por condições sociais adversas. Será esse o caso?Quem sabe uma análise de ascendência. Netos e bisnetos de escravos. Alguém ainda tem acarta de alforria da família? Ou Reivindicações: Para a superação do racismo, é imperativoque se adote uma política de reparações que vão desde a indenização material, passando porum conjunto de políticas de ações afirmativas. Todos se interessam por ações como essa? Temalgum advogado quem vai peitar a situação? Isso tudo tem a ver com a realidade e aconjuntura política atual? Os políticos negros se interessam pelo caso? Há quem diga que osnegros escravizavam a si mesmo. Isso serve de atenuante ou agravante? Ou serve para nada?Seguirão daí como consequências: Cotas proporcionais à dimensão populacional denegros/as no Brasil, concomitante a um super-melhoramento no ensino gratuito para todos, eesperamos que isso queira dizer melhora no sentido de LIBERDADE, e não de obediência.Mais. Cotas proporcionais a negros/as nos cargos comissionados no serviço públicomunicipal. Isso pode começar hoje aqui em Mococa. É fácil, pois, tem muita genteincompetente em seus troninhos e sinecuras e no próximo concurso a quota já pode valer – oslegisladores levantarão suas penas e trabalharão nisso. E não há dúvida alguma sobre isso. Acor da pele manda. Se ficar no café com leite negro não é. Tem que ser negro negro mesmo.Quase azul. Elegeremos como padrão os BANTOS. Ou mais condizente com as criançasYoruba da foto. E, à medida que negros e brancos mais se miscigenam as cotas diminuirão 22
  23. 23. Crônicas Agudasgradativamente. Como cidadão é uma sugestão, como ser humano cosmopolita é uma ordem.Mais. Democratização racial da imagem em todos os veículos e peças de TV. Isso já rola, massoa como obrigação. Bom... os africanos foram obrigados a virem para o país que não eradeles. É sempre um prazer ver o Francisco apresentando o noticiário da TV. Vida longa aoFrancisco.MAIS: Exigência de cumprimento de cota de 30% (ou 20, ou 10, ou 15, sei lá) de negras enegros em todos os níveis hierárquicos das empresas que participarem de licitação econcorrência da administração pública municipal. A nota final deve ser a mesma mas a cotaestá em separado. Vamos revolucionar. Já! Não é questão de facilitar nada. A nota para passarserá a mesma. A vaga é que está à parte. Em vez das chicotadas, uma vaga.Instituição do feriado de 20 de novembro: É coisa que Mococa já aplica, no sentido errado,penso. Lembro que levei a idéia da lei nesse sentido a uma professora que era vereadora epresidente da Câmara em tempos idos e ela me disse, tutelada pelo seu título de professora deHistória: “Ah! Se é assim tem que ter feriado pra árabe, italiano, japonês... e por aí foi, malpensando ela que os africanos foram trazidos à força e os demais vieram atrás de melhoresvidas, por livre espontânea vontade”. Peguei o meu projeto de lei e levei para o Sr. ChicoEnfermeiro que acabou fazendo a Lei passar, mas assinou como se fora dele. Próprio daVeneranda Casa.Na antiga propositura não tinha nada a ver com feriado. Tinha a ver com uma semana dereflexão e arte, em torno do dia 20 de novembro e a propositura buscava valorizar otrabalhador negro que, buscando melhores situações para a sua vida, foi trabalhar, por força,vendido e humilhado, em outro país e lá ficou, como o caso do LAU que faleceu emPortugal. E era negro. E era artista. E era produtor de cultura. Era de Mococa e ninguém quissaber dele. Nem as namoradas. Ou uma certa namorada específica. Ninguém. Que mais?História: Introdução da História da África e do negro no Brasil no currículo das escolas. Já!Eu mesmo desejo saber mais sobre Bantos e Hotentotes. Sobre Yorubá. Mococa pode dar opontapé inicial E, sair em continuidade com outros professores e artistas e esportistas locais.Capoeira neles. Agregar estes grupos de capoeira, mas não paternalizar.Terras: Tributação da terra às comunidades urbanas e rurais de negros/os remanescentes dosquilombos. Podemos averiguar como anda a Guardinha. Pesquisar sobre quilombolasremanescente e gerar a herança. Já! Vereadores, acordai, tomai da pena e fazei a justiça!Trabalho: Garantir o cumprimento da convenção 111 da Organização Internacional doTrabalho.Saúde: Implementar programas especiais de prevenção de doenças que prevalecem na 23
  24. 24. Crônicas Agudaspopulação negra como miomatoses, lúpus, anemia falciforme. Suscitar pesquisa neste sentido.Ter atenção sobre tais segmentos. E a tal da Religião: Respeito e estudo das religiões dematriz africana. Rituais. Dogmas. Cursos de Yorubá e Candomblé em todas as escolas,principalmente nas particulares. Aliás isso deve ser obrigatório. As escolas de cunho religiosodevem incluir candomblé em seus currículos.Cursos de música com temática em quimbanda, jongo, congo, samba. Imaginem, SAMBA I,no primeiro semestre da escola de música de Mococa?Nossa, quanta lei. O vereador que quer viver dando nome de rua a seus parentes é por quetem a moleira mole e a cachola não funciona como deve. Entrega a pasta.Estímulo e apoio à produção cultural afro-brasileira. Radical! Quero um Museu do Negro nacidade. As fazendas da região cresceram sob esses braços.É isso.Votos de sucesso, vida longa e prosperidade.BOA VIDA. TRABALHE MENOS. PENSE MAIS. FAÇA ARTE. 24
  25. 25. Crônicas Agudas CINEMA & CORO na MOCIDADEA FatecMococa tem como meta a difusão da cultura, através do seu Núcleo.Dessa forma não se limitará a seu prédio - prédios,em breve - e espalhará ações culturais em váriasregiões e outros prédios da cidade. Dessa vez aMocidade Espírita, aqui nos caminhos do bairro daAparecida, a convite da Sra. Ivani Rafaldini (1),abriu suas portas para esta ação cultural e lá permitiu que se formasse um Coro eum grupo que grava filme e montará peças de teatro, ao final das filmagens. Umaparceria Fatec/Mocidade. 25
  26. 26. Crônicas Agudas A idéia é levar um tanto da mensagem da MOCIDADE, mista à literatura de todos os tempos. Deixo, a todos, convite para a estréia, emJulho, de O FANTASMA DA CASA VELHA,roteiro baseado numa estória de Oscar Wilde. Noelenco temos Maria Augusta (2) – atriz importada deMonte Santo, Adriana Gomes (3) – no papel do FANTASMA, Adriana Dias (4), Amanda Garcia(4), entre outros. Inteiramente gravado em Mococa, usando as instalações da Mocidade, o CinemaFatec, além de filmes acaba por construir um acervo deimagens da cidade, com seus jardins, casas elocais de uso comum. Uma antropologia visualda cidade. Uma sociologia através de filmes evídeos que contam a nossa era. É certo que aobra tem origem n’O FANTASMA DE CANTERVILLE, portanto, obrainglesa, mas são contingências.O FANTASMA DA CASA VELHA se transformará em DVD e será vendido,oportunamente, para consecução de recursos destinados ás obras assistenciais daMOCIDADE. Logo, trata-se de atividade artística com fim social, também.E, o Coro?O CORO da MOCIDADE vem trabalhando desde fevereiro e se preocupacom um repertorio de música folclórica e MPB. NOZANINÁ (Arr. De Villa-Lobos), CANTO DO POVO DE UM LUGAR (Caetano Veloso), CALIXBENTO (folk mineiro), AZULÃO (de Jaime Ovalle), UIRAPURU (do folclore)e mesmo o HINO DO CENTENÁRIO DE MOCOCA (de Elvira DinamarcoCoelho e José Barreto Coelho); obras em processo de construção. Fez concertode estréia em Março. Outros concertos virão. 26
  27. 27. Crônicas AgudasSe você é uma pessoa sem preconceitos – ideologia e religião à parte - venhaparticipar conosco do Canto Coral, cujos ensaios são na sede da Mocidade, dooutro lado do rio, no entroncamento entre Brás/Aparecida/Descanso, todaquinta feira, 20:15 horas. Sempre haverá por lá boa música, um pouco depreparação vocal e teoria musical para ampliar o conhecimento.Em momento oportuno falaremos mais das atividades corais e seusdesenvolvimentos.Boa semana. 27
  28. 28. Crônicas Agudas CULTIVAR O PADRÃO A REPETIÇÃO / O CÔMODOQuando se foge do padrão, as pessoas caem de pau em você.Transfiramos a abordagem para o teatro que queremos, por exemplo, ou quedesejamos ou que sonhamos. Posso fazer o mesmo com a música. Músicamoderna ou contemporânea. Enquanto meu CD de Natal sempre vende muitotodo ano (padrão) as minhas obras contemporâneas vendem nada. Será que é aíque falamos de arte e comercio? Que peça fará sucesso? De que jeito essa peçafará sucesso. Quanta mídia se deve comprar – TV, rádio, jornal – já com suasboas resenhas embutidas, pois tudo se resume a comprar algo. Não há, emMococa, uma crítica espontânea da arte. Será que não há um meio de nadacomprar para criar ou usufruir arte? E para isso há regras e normas e leis?Fazendo assim o público virá? Fazendo assado não vem mais? Mas e o públicoacomodado que não sai do lugar merece futuro? Por que devo contar e pagar 28
  29. 29. Crônicas Agudastudo de 30 em 30 dias se levo 146 dias para compor uma obra musical? Entãonão é possível experimentar? Resposta: Não!Mas o experimento é a fonte do trabalho bem acabado. Empirismos. E se eu sóquiser experimentar? Talvez não tenha público durante muito tempo, pois opovo deseja ver aquilo que não os pegue de surpresa. Se Deus aparecesse emforma de cubo ou pirâmide ninguém acreditaria. O povo – essa entidade leiloadae usada por todos - é comodista e meio burro. Símbolos passam batido pelamaioria. A maioria deseja tudo bem mastigadinho, pois para isso foi domesticadadesde a escola. Sem esforço. O único esforço é o de ser escravo. Para isso forameducados.Será que podemos sair dos formatos de sempre já que sempre houve mudançasnos formatos do teatro / da música / do cinema / ao longo dos séculos ou essamudança é tão lenta que ninguém percebe?Hoje, quando a busca do exótico beira a loucura talvez os deuses do dinheiropermitam que novas imagens subam a palco. Plutões, donos do capital, novosdeuses, que se alimentam de novas almas para almoçarem e elevarem os pontosdo ibope; fenômeno: logo que são humilhados começam a lucrar. Mas,enquanto isso, artistas, prevejo que devemos urdir na noite o que e como deveser o futuro. Podemos errar e assim somos nós. Nossa estrada é traçada de erros,então descobrimos novos caminhos.Pensemos sobre isso. Mas, não se iluda, artista e livres pensadores, somos só nósos que havemos de pensar. O resto do mundo pensa em mais nada. Vive deinércia, dentro de um padrão pré-estabelecido. Uma bola de neve que espera oposte.Mesmo que vivamos esse padrão em muita coisa que fazemos, também fazemosa diferença por que rompemos o padrão. E, essa diferença não quer dizer queseja para melhor. Não temos obrigação com o melhor. O mito do melhor vemdaquele que nos explora é quer o melhor que produzamos. Não há essaobrigação do melhor pois não sabemos do que se trata, esse tal melhor. Em 29
  30. 30. Crônicas Agudasgeral é melhor para alguém outro e não para nós. Aquilo que as pessoas falamque é o melhor, em geral, é aquilo que faz alguém lucrar algo. São palavras deFaraó, aquele que detém o poder, que dita a norma e o que deve ser consideradobom. Não se iluda. O artista pode ser a diferença que esculhamba o normal –padrão – do dia a dia; e as pessoas não querem saber desses caras. Pode crer.O artista deve ficar livre. Manter o processo crítico. Não se aliar a clubes talvez?Ou, ao menos estar ciente de que pode ser expulso do clube. Woody Allen -depois de Grouxo Marx - disse que não entraria num clube que o aceitassecomo sócio.Utopias. Mentiras ditas mil vezes.Sempre digo que quando o dia 21 de dezembro de 2012 chegar e a eletricidadefor pro beleléu, nós os artistas não teremos nada a perder. Teatro não precisa deiluminação especial e pode ser feito na rua – já um plei-esteixon ou ummicrofone de lapela não funciona mais. Teatro pobre! O ator e mais nada.Música: Nem se precisa de instrumento. Canto ou assobio. Mas se quiser façouma flauta de bambu ou bumbo dionisíaco ou lira orfeica e pronto. Já a fábricade lata ou gelatina, elas precisam de energia para gastar e poluir e impactar anatureza em nome do progresso. Então elas pararão de funcionar. Enfimalguma coisa boa.Escrita: Papel reciclado e tinta natural, como era dantes na casa de abrantes. Ouescreverei com barro ou merda – seguindo o Marques de Sade – nas paredes dasruínas. Acredito que merda sempre existirá. Rembrandt fazia sua própria tinta,não com merda mas com tinturas naturais. Agora, as usinas de produção degasolina precisam de eletricidade, diesel; e a energia nuclear? Param ou não?E, é claro, tais indústrias precisam de seus escravos para o trabalho. Herdeirosdos faraós embalsamados, como diz o poeta, necessitam da mão de obra barata.É... A arte não para.Quando não nos deixam falar inventamos um blog ou gritamos na rua. 30
  31. 31. Crônicas AgudasAcabou a eletricidade e acabou o blog? Sobe-se no palco ou se faz teatro de rua.Mambembes. O diferencial é ir atrás do auto-falante: teatro, música, vídeo... sãoas armas. Mesmo assim muita vez nos desconvidam pela impertinência. Nossaexpressão corporal na rua (pose?) é nossa arma e bandeira fincada no solo. Mas,será esse mesmo o caso. Fazer arte e vender e, depois, sofrer se não compram?Cada um compra o que quiser. E pra que servirá tudo isso se não passa de meraarte? Ars gratia Ars. E por minha conta.Lembro das aulas de psicologia – nos idos dos anos 80 - quando concluíamos,friamente, da insignificância do artista. É isso. Somos completamenteinsignificantes até o momento em que balimos iguais a sertanejos ridículosfingindo cantar; ou choramos na novela das seis por causa da menina com falsaleucemia; ou se fazemos o Analista de Bagé no teatro, com casa cheia falandobobagem a dar com o pau para que a burguesia babaca chore de rir. Aí nostornamos valores. Tornamo-nos dinheiro viável. Potencial de lucro. Cheios deamigos. Cercados de produtores. A mídia do nosso lado.Quero entrar numa sala de aula com 45 alunos para escangalhar 45 cabeças deuma vez com muita aula de Filosofia. Meu projeto é ser diretor do OscarVillares, lá pelo ano 2016, e continuar a ensinar como se faz. 31
  32. 32. Crônicas Agudas DEDÉ, MUSSUM E ZACARIAS Alguns sete representantes da Câmara de Mococa merecem parabéns pelaatuação na modernização das leis da casa, mormente pela lei de adequação e a leido nepotismo. Li o Informe Publicitário e acredito que se pode tirar o luto. Nãohá que temer o luto. Há sim o nojo em relação aos outros três. No começo nãoentendi o texto e deixei para ler em outro momento. No outro momento percebique ainda havia troca de MAS por MAIS. Para mim o texto ficara sem sentido. 32
  33. 33. Crônicas AgudasConsegui, depois, após abluções matinais, perceber o teor da notícia, e sua cabalimportância, mas, temi que pedissem de volta a minha Moção de Repúdio. Caros OS SETE POR MOCOCA. Fizeram com que me lembrasse de OS SETECONTRA TEBAS, peça importante do mundo grego. A partir dela surgiram O SETESAMURAIS e SETE HOMENS E UM DESTINO. Esta história tem um desenvolvimento edípico. Vejamos: Édipo descobriu ser filhode sua mulher – a tal Jocasta. Vazou os olhos e retirou-se expulso da cidade acompanhadopela filha Antígone. Os filhos, ao tomarem conhecimento do incesto do pai, viraram-lhe ascostas. Édipo lançou uma maldição: os dois irmãos se tornariam inimigos e um mataria ooutro. Com medo da previsão, resolveram partilhar o poder cada um assumindo o tronopor um ano alternadamente. Etéocles foi o primeiro a reinar, porém, ao se completar umano, este se negou a entregar o trono ao irmão. Polinice partiu para Argos e lá recebeu oapoio do rei Adrasto. A expedição dos SETE CHEFES foi, pois, a reunião de setepríncipes chefiados por Adrasto que marcharam em direção a Tebas a fim de derrubarEtéocles e entronar seu irmão. Pode nada ter a ver, mas, o número sete, neste caso heróico,é simbólico e acredito que represente o trabalho de uma verdadeira e veneranda Câmaramoderna e articulada com as necessidades da população, ou, pelo menos, da lei. Faltaagora votar uma lei para VOTO-NÃO-SECRETO em todas as instâncias, se é que os edisdesejam deixar seus nomes marcados na história da cidade. OS SETE POR MOCOCAmostram que são independentes. Os outros três, no caso OS TRES CONTRA MOCOCA demonstram a objetividadeda tal Moção de Repúdio de antanho. Sim, pois os três restantes demonstram que estãocontra a democraticidade na cidade (ops!), e mostram, por caminhos turvos, quem insuloua turma para assinar a Moção. Em face disso fica claro que OS TRES CONTRAMOCOCA têm algum interesse nessa coisa toda de regulamentação e nepotismos à parte.Mas isso o Executivo resolve com uma canetada rápida. OS TRES CONTRA MOCOCAestão colocando maguinhas de fora e se denominam reis-da-cocada-preta. A base do ídolooé de barro. Isso prova, também, que não é o número de votos que faz a diferença. Mas ainteligência dos SETE POR MOCOCA está fazendo. Se essa rapaziada – tabebuias à parte,me entendam – mantiver a linha de independência, soberania e visão da modernidade,podem escrever Mais em lugar de Mas, quantas vezes quiserem, que serão absolvidos poraqueles que sabem que política se faz com outros valores. Não é o valor de um judiciário 33
  34. 34. Crônicas Agudaspoético/dormente/sonhador, nem as lacunas gengivais de um sorriso interesseiro e amarelo,nem as catapultas sindicalistas prontas para uma abordagem na galera medieval do vizinho– valha-me são Getulio Vargas!, nem as destrezas enigmáticas dos seguidores de Calvino,ungidos pela aura advocatícia sem escrúpulos. Sei não, mas, acredito que qualquer pastorbateria nas mãos desses TRES CONTRA MOCOCA. Feio! Han! Seu Feio! Simples conta de somar. O SETE POR MOCOCA versus OS TRES CONTRAMOCOCA, e, o título da coluna, tiram qualquer dúvida. 34
  35. 35. Crônicas Agudas SEXO ESPIRITUAL DIARIO DE PIRATAS – EXCERPTOS ALEGÓRICOS - aos filibusteiros –Há motivos que nos induzem a práticas obscenas. Obscena quer dizer, fora de cena. Nãoque seja feio, mas que está fora da visão da platéia, por assim dizer. Aquilo que não dápara ver.Uma delas é a espiritualidade. Nada mais obsceno que a espiritualidade. Ninguém vê. E, oque sentem - “a energia que rola” - tem muito de delírio coletivo, individual, ou fécênica. Invencionices de uma mente romântica, por assim dizer.Quantas e quantas vezes atriz ou ator não subiram ao palco para trazerem de trás dacena – ou de trás de suas máscaras - aquilo que estava escondido. Esse tal escondido éo obsceno. E a atriz ou ator conseguem essa proeza através da Fé Cênica.A Fé Cênica representa aquilo que não existe. Um avatar.Sabe quando você vai a uma loja ou restaurante e pergunta se o produto é bom? Aresposta tem que ser sempre positiva ou não venderão o tal produto mesmo que obacalhau já tenha passado do tempo. Por essa razão qualquer pastor de almas dirá que aespiritualidade está à mão, de como se pode “sentir” as vibrações, seja lá o que seja 35
  36. 36. Crônicas Agudasisso. Há inúmeros manuais para se sentir a alma e perceber as vibrações e adentrar omundo da espiritualidade.Já ouviu falar em motel especial para mentes e almas? Ninguém ouviu. E que dizerquando se discute o problema da química entre amantes...? O que será que acontece nomomento em que se conhece alguém? Não existe nada de espantoso nisso tudo... Mas,também, ninguém sabe de nada... As pessoas preferem a complicação ao invés do que émais simples. Quando encontramos a pessoa o que vemos é seu corpo e seu rosto e suascaracterísticas humanas. A pessoa olha você e você a olha e surge o interesse. Chamamisso de química. Falta é palavra adequada, na verdade. Daí o surgimento da poesia... porpura falta da palavra adequada. Pode ser que a imagem fotográfica do ideal que alguémtem na cabeça combina com a imagem que vê naquele momento. Nada mais do queprogramação. Depois, com os anos, tudo muda, é claro, mas, naquele momento quechamaremos de mágico, é fatal: Amor à primeira vista. Amor, por falta de palavra melhor.O inexplicável.Será que o fenômeno da observação da alma ocorre imediatamente? É como o AllenPalito em sua prova de metafísica, expulso que foi da sala por que o pegaram colando...ele olhava para a alma da aluna que se sentava ao lado. E na falta de uma alma aolado?Provavelmente não passa de resposta imediata da biologia e o clamor da manutenção dasespécies. Sim! Nada de amor. Apenas clamor. Em primeiro lugar, mandam os ditamesbiológicos: temos que preservar a espécie da extinção que se aproxima. Amor éconstrução cultural. Assim como o romantismo e o cavaleiro andante e a idéia de que aTerra é centro do Universo. Amor é para todos e com todos: ágape ideal. Amor e sexosão coisas diferentes. É, claro, que as pessoas buscam aliança entre iguais, ou ainda,buscam compromisso para manter o estado de equilíbrio – na melhor das hipóteses – cáentre nós há quem procure o par que lhe bata na cara ou o sove com ancinho -, que éprática comum nas sociedades modernas e a cultura manda, mas, nada disso tem a vercom amor. O assunto é bem outro.No clamor da carne o que se quer é coito. Alguém quer ser coitado.De preferência com alguém que responda aos seus valores estéticos, pois isso estimula aobtenção de prazer. Se houver coincidência nos gostos certamente rolará algo. Abre-se oclima. Ilumina-se a cena com valores der romantismo quixotesco e exotismos. Se nãohouver coincidência alguma, que é o que ocorre na maioria das vezes; nada rola e parte-se para outra, que é o que ocorre na maioria das vezes. 36
  37. 37. Crônicas AgudasOs sensores animais percebem a boa genética e um bom desenho de corpo, de acordocom os padrões investidos pela moda.Quando há união entre desastres estéticos - segundo a moda vigente, é claro – o quechamam de amor será eufemismo para tolerância mútua, cercada por ambiente deresignação e acomodação final – que é próprio de humanos.O que a moda não pedir, e, eu duvido que as pessoas façam referência à alma, ou quefalem de valores da alma. As pessoas não falam disso. Nem pensam nisso Nem pensamem nada. Na onda do alvoroço dos hormônios, usam várias desculpas para cair na rede: -Aquela nossa música, ou a letra da canção sacana, da obscenidade permitida na rádio, oclima numa atividade não rotineira ou artística que dá muita menção a excitaçãorepentina, a aproximação com ídolo e outros quejandos, são motivos e desculpas.Pense na cena. Nunca vi a pessoa. Ela aparece na minha frente e eu me espanto: - Uau!Que bela alma! Estou apaixonado à primeira sentida!Realmente não é assim.Precauções perante a solidão; as pessoas ainda encaram – a solidão - como uma situaçãode fim do mundo e querem se livrar da possibilidade. Mas essa sensação só aparece nacabeça de seres ocos. Quem se dedica à arte, por exemplo: escrita, pintura, teatro... nãoterá tal problema, em sua maioria. Só aquelas pessoas que acham que arte depende deinspiração e piram na frente da folha ou da tela em branco. Nada sabem sobre isso epodem se livrar, também, da possibilidade de se criar algo. Criar no sentido da arte.Sublima de um lado, cria do outro.Amor romântico fica para os anjos e para os séculos VIII, IX, X... e por aí vai, comcapacete de metal e tudo mais. 37
  38. 38. Crônicas Agudas PARA QUE OS NEO-COLONIZADOS DEIXEM ROLAR sobre um texto da cineasta Bia WertherSim... idiotas... quem sabe somos aqueles que predominam o Id. Somos todosnós uns grandes idiotas em acreditar em dengue, em enchentes, em eleição, emespanholismos, em balaios tronitruantes em descabeleiras louras ocas... quandoas pessoas já nem sabem – fingem que não, essa é a boa verdade – sabem mais,se é verdade mesmo, que tivemos um holocausto na Europa – 6 milhões demortos, fora os soldados que se matavam em troca do dólar de outros e somossempre os mesmo que aceitamos trabalhar para a riqueza do outro - ou umaditadura no Brasil – guerras e guerrilhas e zerentos milhões por morrer - e daíficamos nos repetindo por séculos e séculos - ad aeternam - abrindo a guardae babando por qualquer outro imbecil – já tivemos uma geração de Silvios e 38
  39. 39. Crônicas AgudasGugus – louco midiático que domine mensagens subliminares e bits e bites equarks.É responsabilidade nossa quando os dominadores da cultura, em nossas pobres-cidades-pobres-cidades apedeutas, recalcadas cidades medrosas e invejosas,perdidas em seus desejos criativos, mesmo por que criar dá tesão e as cidades eseus representantes culturais têm medo do tesão que deveras sentem... eis averdade... Talvez sejam eunucos. Renegam a diversidade em nome da troca defavores – o tráfico de influência, o toma-lá-dá-cá dos incautos vereadinhos.Esquecem as leis a serem aplicadas com apoio de juristas aplicados e decolarinho branco engomados até os dentes; vendem suas horas-trabalho peloprazer de se fazer de estátua ao lado dos ícones globais que vêm fazerespetáculos de sub-arte, eventos de importância duvidosa, enquanto a cidadecompleta seus aniversários, esquecida e entrando para caminhos de gagarismo –não o astronauta, mas sim, o velho gagá da esquina que deseja de qualquermaneira que Fonte dos Amores volte. Volte da onde?Tem que ser bobo e caipira. Mas se fossem Mazzaropi seria solução criativa eprodutiva. Papagaios de pirata sem jaça. Câmaras vazias. Sepulcros caiados.Filisteus da modernidade. A penugem da imbecilidade e da edilidade.E somos todos nós os covardes, quando nas nossas cidades todo mundo temmedo de transgredir e virar maldito. Maledeto.Mas que boca bendita será essa que se outorga tanta autoridade?Ninguém vê que se todo mundo meter o pé na porta a coisa muda? Que semeter o pé na bunda muda mais? Ninguém vê que se todo mundo jogar a cadeirano corredor, a coisa muda? Ninguém vê que se todo mundo bater a porta oprofessor até aprende português, na marra? Tem diretor d escola que precisa ircorrendo para o asilo. Ultrapassado. Caduco E, com poderes. O Oscar que nãovire na tumba, homessa! 39
  40. 40. Crônicas AgudasSim, a mentira pós-colonialista nos transforma a todos em espectadorescovardes e traidores. Submissos escravos cheirando a chouriço e afastados detoda manga que der dor de barriga, coberta de leite.E, por conseguinte, encontramos realizadores irresponsáveis e sem profundidadeporque medrosos e preguiçosos. Falamos errado na TV e nos orgulhamos disso.Fisso isso, fisso aquilo. Balançamos a cabeça pra lá e pra cá e vendemoslangerrís até desabarmos dos tapetes mágicos da vida. Fisso isso e aquilo.Falamos bobagem sem nexo nos discursos e ninguém nota. Produzimos projetosroubados do grande sábio. Isso, nisso, aquilo, fissio, bissio, lissio, Nilson?... epor aí vai. Sem contar a pluralidade de prioridades. Sem contar que queremmeter a família inteira na conta da cidade para tomar conta da cidade. E aindaquerem que paguemos impostos. Claro que não. Tem bobo que ri com isso.Prioridade é o que vem na frente. Quantas indicações seriam de prioridade?Essa nossa sensação de inferioridade diante do sentimento de superioridade docolonizador e dos imbecis que se alçam ao poder é maquiavélica. O filósofodeveria governar? Ou deixar que algum analfabeto se eleve ao poder e dê ascartas?Pós-colonialismo é isto, todos os inferiores tontos de prazer diante das luzinhascoloridas e das super-ferramentas sem alma que não nos servem de nadahistoricamente sem a busca da identidade, perdida na globalização.O que temos aqui são rapidinhas. Não há mais longas relações foederativas...tudo é rapidinho, sem graça... no sentido do que “já que tem que fazer... faz logo,se não eu perco o capítulo da novela” : Vou fazer a malhação / malhação /malhação / Do que deve ser malhado / ser malhado / ser malhado...parafraseando cantorGILex-ministro.Estamos andando em círculos há milênios!Nossa cidade parece andar, rapidamente, para trás. Dobre os milênios. Por quemos milênios dobram?Eles dobram por nós. 40
  41. 41. Crônicas Agudas DIÁRIO DE PIRATAS – EXCERPTOS II - os filibusteiros - sobre um texto da cineasta Bia Werther DIA 6 – ONDE A VACA TOSSE E NÃO MUGE MAIS Chega da discussão superficial... de baixo do Equador não tem pecado,como bem disse o Chico, cantou o Ney, dançamos nós e, debate bom é o debateonde se mostra o que se faz. Essa coisa de unanimidade burra já atinge ospíncaros da palhaçada. Dez assinam a Moção (UNANIMIDADE). Valha-meSão Nelson! Muito voto para uma só pessoa (UNANIMIDADE). Tem pelosmenos 700 que acreditam em bobagem. Mas tem mais de 2000 que acreditam emmais bobagem ainda. E tem gente que foge de debate tentando evitar que aspalavras tropecem na língua. Trôpegas palavras. Ao dicionário, senhor cobertode honras! 41
  42. 42. Crônicas Agudas Eis a mensagem para as novas gerações pós-ditadura: falar dos livres,que de livres têm o nome, mas, de maneira bem Belchior, e, não mudam nada;vivem de umbigo, futilidade e uma vida-festa temática, inóspita e cidista – pois ocidismo foi um movimento de degeneração da raça humana mocoquense, lá issofoi - esquecem do resto de suas vidas, permanecem com o umbigo virado para alua. Mas as pessoas esquecem. O que será considerado fora de moda por muitos, será considerado forade modos por outros. E dentro desta perspectiva cabe ao jornalista, ou aoescritor, ou ao crítico, alertar, relembrar, retirar do olvido. Aos apedeutas,escola!! Para muita gente ‘radicalismo’ é o ato da exigência, pois, proclama-se,hoje, a quatro costados, a lei do “deixa estar como já está e esquece já!”. Eis acausa da reação da Veneranda Casa. Deformada será a palavra que vira palavrãoquando o assunto é sério e, atitude, quando inserido em roteiro de propagandade ‘refri’, bundas de fora e cerveja com seios, onde o cara diz com o dedo na suacara que você é um merda se não opta por essa ou aquela marca... a marca dostais radicais. Radicais livres. O que nunca há de envelhecer pois já nasce velho.Tal é a Veneranda Casa. Parece absorver a barba do patrono e se deixa caducarsem inovações e revoluções. Preocupam-se com UIS e AIS anacrônicos e tratam de Ilustríssimo aqueleque foi repudiado. Ué! Afinal, é ilustre ou não é? Dia 7 – NOTÍCIAS DO MUNDO COLONIZADO Aqui no mundo pós-colonialista, brasis e mugangas interioranas, falarem nacionalismo seria o que? E, municipalismo, seria utopia? O que seria, nomeio desse(a) globo onde a cor é a de todas as fomes amarelouros, idênticasilustrações de capa de revista em todos os cantos – cantões chino-capitalistas -do mundo? Aqui em muganga o explorador posa de construtor. Os discursosestão invertidos e causam nojo. 42
  43. 43. Crônicas Agudas Cores quentes do maquidonaldis em qualquer cantinho – cantões emonções e moções que chegam em monções (cadê meu guarda-chuva?) - emque alguém tenha uma grana (sobrando?) pro fast food de atitude. Atituderápida e cheia de gordura. Pacífica convivência com as cores quentes da violência em todo orecanto onde não há nada além da servidão e violência da vida real, não de filmede quinta, que isto já tinha antes mesmo de 1961. O ano que virado de cabeçapara baixo, dá no mesmo. Seria uma profecia? Dá no mesmo? Ou qualquer anoviram de cabeça para baixo? Depois, tantos outros mortos, décadas passando, o homem se libertandona grande festa da globalização, o negro urbano americano norte-sul,por exemplo, que deu tanto orgulho aos revolucionários e radicais do mundo –radicais livres outra vez? - , assiste pela TV os seus netosrebolando no machismo; cachorras babaquaras, gritando os nomes das grifesglobais; quebrando-barrac-algum, taty nenhuma; bezerrasilbestasambista quecantam o morro e moram na zona sul e ainda tripudiam, imbecis e sorridentestimbaladores, sob a benção da suprema imbecil dos imbecis baixinhos – não é àtoa que Romarinho foi enaltecido pelos baba-ovos de plantão do venal e futebolassociation. Um enganador que perdeu de 5 do Barcelona em sua despedida debanheirista internacional. Veio banheirar no Fla. Timbaladores gritam nas letrasdas músicas com a mesma sede que um dia seus avós apanharam na rua gritandoFreedom from Fear. E haja chicote. O medo continua, só que agora não tem repressão (?) e daí o mundo évelado (com véu ou vela), bombado, com tênis de 500 paus.... Até o medo hoje éfútil. Quanto quilos de medo tu precisa, mano? DIA 8 – FUGINDO DA MALTA AGITADA CUJO TIMEPERDEU 43
  44. 44. Crônicas Agudas Até Deus (feito à nossa imagem e semelhança) tem medo, tanto que sejuntou ao Bush (Burning Bush – a Sarça Ardente que Moisés visitou – seria umaprofecia?) e assinou no dinheirodolar que já havia sido emprestado ao Osamafilho de Laden. Viu que mandou um ciclone devastar a Bahia americana e ofalecido Bush só precisou tirar férias e deixá-la esquecida e devastada? Novosarcanos. De qualquer maneira para que a preocupação se o tal ciclone atingiuáreas de pura demografia negra? Novos tempos do radicalismo. Basta dar ascostas para as costas, como sugeriu Milton Nascimento. Basta dizer que não viue perder o rumo numa estória em quadrinhos em jardim de infância, olhando,perdido no espaço como Alfred Newman dos EUA ou a família Robinson. Gosta de novela? Vê novela? Então a marca da besta – 666 - está escritana sua testa. Mas não a marca de Caim pois essa marca é a marca dos criadoresda civilização. Filhos de Cain! Cainitas!, aos berros, como berraria o velhoHermann Hess. Goethe era cainita. Uni-vos! Busquemos a luz, mas a luz darazão. Nada de frieza meu bem, mas a razão que nos leva a dosar todas aspaixões. Não acha importante que gerações futuras construam uma identidade etenhamos filhos e netos conscientes de seu papel criador, e com e educação eleitura e cinema e teatro e música? É isso. Votos de sucesso, saúde e prosperidade. Boa semana 44
  45. 45. Crônicas Agudas EGO VINDICO No texto “Considerações sobre o ataque histérico”, 1909, Freud define histeria"como fantasias traduzidas em linguagem motora, projetadas sobre a motilidade efiguradas como pantomima". Farei uma ligação com as contumazes e fugazesREIVINDICAÇÕES que vemos pulular no jornal a cada semana. Em que pese quehysteros é coisa de mulher, pois útero é, vimos muitas carinhas masculinas sorridentesilustrando as REIVINDICAÇÕES, como querendo dizer, um tanto hesitante e lento:“Olha, gente, quem REIVINDICA, sou eu, tá? Olha como trabalho pela minha cidade!!”Daí que REIVINDICAR, se mostra como ato a ser homenageado. Conquistar a coisa ésecundário. Mas, reivindicar... Uau (!), dura um ano e após o primeiro natal tudo seráesquecido. O caso da histeria aponta para o fato de que, mesmo se é referida a algum tipo deteatro, performance, representação inconsciente, essa específica idéia de representaçãoestá ligada a resultados nulos, exceto à exposição na mídia durante a semana. Uma e outraREIVINDICAÇÃO dá resultado – para que eu não seja chamado de injusto - comotemos exemplo de vereador local que pediu e levou. Claro que não foi verba advinda 45
  46. 46. Crônicas Agudasatravés de algum programa ou planejamento. Foi aquela verba de pires-na-mão. A contavem na próxima eleição. Mas, pediu e levou e isso basta para cidades provincianas.Histeria e Pires me lembra de um certo “PIDONHO”, como ele mesmo se chamava, cujoespectro rondava a prefeitura d’antanho. Um fantasma no estilo Canterville. Será a histeria vindicatrix apenas uma experiência feminina de todos os tempos parapresentificar o corpo e seu desejo? A experiência plástica do gozo? Por coisa alguma? Sópara ver sua carinha sorridente dentro de um retângulo pago no jornal? Abre parênteses: - Para os menos avisados, quando um jornal publica matériacercada por fino risco de contorno trata-se de matéria paga, e, não furo de reportagemimportante. Em geral é coisa desimportante paga pelo próprio interessado sorridente.Fecha parênteses. Esta histeria da REIVINDICAÇÃO estará ligada a uma depuração do afeto pelalinguagem? Não sei... estou perguntando. Schneider (1992) diz, citando Lacan: trata depriorizar a linguagem na ordem da natureza e do infra-humano(...) como a linguagem dosopro e do grito. É até poético. Podia ser dentifrício, também. No entanto, o discursopsicanalítico acabou privilegiando a interpretação da histeria como teatro da representaçãoinconsciente recalcada. Assim, também vou reivindicar. Vou na onda. Quero isso e queroaquilo. Quero desrecalcar. Acho que vou mandar uma REIVINDICAÇÃO a meusdeputados favoritos. Só... Nem, é preciso que façam qualquer coisa... o legal éreivindicar... Se nada fizerem eu tenho a desculpa: “Aaaaah! Mas eu reivindiquei”. Egovindico. Mas há uma interpretação latina para vindicar que significa punição ou vingança,na verdade, requerer a justiça. Exigir a justiça. Domandar o que é justo. Io domando. Ouçamos David-Ménard: "Um ataque histérico não se constitui somente como umadescarga, mas como uma ação que conserva a característica inerente de toda ação: ummodo de se obter prazer." Talvez a descarga de prazer nos fundilhos, ao ver sua carinha noretângulo das Reivindicações, seja suficiente para a semana. Pode ser. Um atomasturbatório em retângulo vindicador. Pode ser. Quem sabe? Subir ao púlpito – ou aparecer com a carinha risonha no retângulo - exibir-se,mostrar-se, vitrinar-se, é uma conduta ligada ao desejo intelectual ou se reporta à busca deprazer. Para Ménard é atualização do erotismo com o próprio corpo: o histérico coloca oobjeto do seu desejo como se ele estivesse lá. Fé cênica. Dura Lex sed Lex / ou fed Lex sedLex / Durex. Gumex. Sed Ex. Esteja fora. Sai! 46
  47. 47. Crônicas Agudas As experiências de Charcot era com mulheres e elas davam seus espetáculos teatraisde presentificação de corpo e de prazer. Mas nos retângulos vindicatórios o que vemos é aprevalência de homens e agregados. Mudou, pois. O sintoma histérico remete a outra realidade do corpo: o cérebro paralisado nãoremete a uma lesão funcional, sendo expressão de um valor afetivo que lhe é conferido. Isso me deixa preocupado. O Ipê Imperial em frente de casa começou a dar flores esão brancas? Será que serei punido por contrariar a Tabebuia específica da cidade? Cara,nem pensei nisso. 47
  48. 48. Crônicas Agudas ELEITORES & ELEITOSOS Seguindo o bom exemplo do Serapião, vou ao Aurélio, nem ao Sênior nem ao Junior, mas aodo Meio e leio... Ficção: Ato ou efeito de fingir: fingimento. Coisa imaginária, invenção. Ficcionista:aquele que faz ficção, escritor, autor. Muito bem. E, não deixa de ser. Um dia, numa cidade fictícia, uma história fictícia acontece. Certo Senhor Honrado – umsujeito muito louro e claro com olhos quase azuis - entra na Casa de Leis de sua cidade,carregando um importante documento onde se dizia coisas sobre Nepotismo Barato. Crente queabafava foi, isso sim, abafado por vários edis que ali se encontravam de plantão, edis estes que olevaram, à socapa (aqui uma nítida influência do Monteiro Lobato), o levaram na astúcia para umasaleta contígua e deitaram falação na cabeça daquele alourado edil. Dedé, Tutu, Chichi, ao lado daidílica Mamá e do atabalhoado VemVem - um literato alto, bastos cabelos prateados, dublê demagister iuris e sonhador – caíram de pau no Honrado Senhor, mandando que calasse aquela bocaque cuspia no prato de pão que o diabo amassou. Que esquecesse a inverossímil presunção. Queconversa de nepotismo era esse? 48
  49. 49. Crônicas Agudas Ao mesmo tempo, no outro lado do mundo, Gordon Tullock, sobre seu caixote de discursosdizia: "a nova abordagem começa supondo que os eleitores são muito parecidos com consumidorese que políticos parecem com mulheres e homens de negócios". Gordon, com o passar dos estudos,se tornou cético em relação ao valor da teoria da "escolha pública". Apoiando esse pensamento LeifLewin, cáustico que era, disse que os pensadores da escola da "escolha pública" "retraíam o serpolítico como... um habitante míope das cavernas". E ainda completou: - Isso não é ofensa. Éapenas constatação! Lewin acreditava que essa coisa toda, eleições e eleitosos, está inteiramente errada: - Podeter sido verdade, um dia, na época dos trogloditas, antes que o ser humano “descobrisse oamanhã, e, aprendesse a fazer cálculos de longo prazo" mas, não agora, em nossos temposmodernos, quando todos sabemos, ou pelo menos a maioria, tanto eleitores como eleitosos, que"amanhã nos encontraremos novamente" e, portanto, a credibilidade é "o único recurso valioso dopolítico". O caso é que, enquanto a edilidade cobria de pancada o famoso Homem Honrado, nestenosso lado do mundo, o que se punha em conflito era a atribuição da confiança: a arma maiszelosamente utilizada pelo eleitor. No entanto, ainda assim ele erra que dói. Para apoiar sua críticada teoria da "escolha pública", Lewin citara estudos empíricos que mostram que poucos eleitoresvotam pensando em seus próprios bolsos. Não lembram que política atinge o bolso, como já disseraBrecht, e, a maioria dos eleitores declara que o que guia seu comportamento eleitoral é o estado dopaís como um todo. Uau!! Saberão mesmo do que falam? Um país desse tamanho, editado econhecido através do JORNAL NACIONAL, apenas, será realmente conhecido em sua totalidade?Ou na totalidade que aparece no écran cinzento de acordo com os ditames do Capital Global?Lewin espera isso. O que é que nós poderíamos esperar? Poderíamos esperar resposta esatisfações das autoridades? Autoridades sem curso superior terão articulação suficiente paraexplicar coisas? Na hora da entrevista a pessoa na rua tenta imitar o que já ouviu e não sai do lugar comum.Estamos na era do fazer aquilo que o outro quer, portanto, ninguém em sã consciência falará o quelhe vai pela cabeça. O entrevistado da rua dirá o que agrade ao entrevistador, mesmo por que seráeditado depois. E, o que são os entrevistadores senão jornalistas formados e formatados paraagradar ao chefe? Os eleitores entrevistados acham que se espera deles, apenas, que digam oadequado, e nada mais. Sugiro que Dedé, Tutu, Chichi, Mamá (hoje, devidamente defenestrada) e VemVem (poeteirodos quatro costados), se considerarmos a notória disparidade entre o que fazemos e o comonarramos nossas ações, comecem a explicar por que o Honrado Senhor não pode falar nada sobre 49
  50. 50. Crônicas AgudasNepotismo e é, despudoramente, censurado em suas idéias. É mais simples do que conspiraçõescomezinhas de fundo de sala. Mas, nada disso existe. É tudo ficção e temos que acreditar que tais personagens inventadaspela mente insana do ficcionista não passam de fantasmas, abantesmas, espectros ficcionais semserventia. Nem um deles cheira à mínima verdade. Mas, como eu disse: Tudo é ficção. Fingimento. A verdade é que às vezes eu minto. 50
  51. 51. Crônicas Agudas O ANALFABETO FUNCIONAL O Analfabetismo Funcional é problema que afeta o país. Sabem ler, escrever econtar, ou assim parece; ocupam cargos administrativos, cargos legislativos, transformam-se em excelências e edis de roupa nova, mas não conseguem compreender a palavraescrita. Um texto passa batido e a interpretação é coisa do arco-da-velha ou da arca-do-velho. Nada de tapar o sol com a peneira. Queremos gente com discernimento. Bons livros, artigos e crônicas, nem pensar! E, sendo assim, como escrever boas einteligentes leis? Como interpretar escorreitamente uma lei? Não basta citar Platão comfrases escolhidas na net. Isso demonstra o descaso com a educação. É fazer mofa. Em 2008 houve eleições para prefeitos e vereadores: casos de analfabetismofuncional dentre os candidatos. Será a vez da cidadania se manter vigilante e atenta para onível dos políticos que ocupam prefeituras e casas legislativas. Para mais detalhes sobreesta importante alteração na legislação eleitoral, visite www.avozdocidadao.com.br e vejao link para a íntegra do parecer que decidiu pela constitucionalidade do projeto. Aíevitaremos o que finge entender tudo, para depois sair perguntando aos outros como deve 51
  52. 52. Crônicas Agudasser realizado tal serviço, como deve ser lida tal lei, como deve ser endereçado tal carta. Equase sempre age por tentativa e erro. Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais são 45% da populaçãoeconomicamente ativa. No mundo entre 800 e 900 milhões. Muitas vezes, pessoas commenos de quatro anos de escolarização; nos dias hoje há secundarista que dá medo de tantaparvoíce; há os com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas einstituições, tanto privadas quanto públicas! Tais pessoas não têm as habilidades de leituracompreensiva, escrita e cálculo para fazer frente às necessidades de profissionalização etampouco da vida sócio-cultural. E quanto a lidar com leis e diretrizes que influenciam navida de todas as pessoas da cidade? Ou será que a limitação é proposital para facilitar ainfluencia, somente, na sua própria vida? Quem sabe? Se você não lê livro algum no anointeiro já é um suspeito. O "Calcanhar de Aquiles" de tantas organizações e de tantosgovernos: MAUS LEGISLADORES. O que a população ganha com isso? Nada! Principalmente se der as costas aoproblema. Se você é desses que aceita o caso passivamente, não há do que reclamar. O termo analfabetismo: a incapacidade de pessoas utilizarem a leitura e a escrita,além de realizar cálculos básicos, em atividades da vida diária que requerem taishabilidades. Estudiosos têm dirigido esforços para estabelecer conjuntos de tarefassocialmente relevantes em que se utiliza material escrito e, a partir deles, dimensionar eanalisar graus e tipos de “alfabetismo” que caracterizam pessoas ou grupos. A partir de 1978, a UNESCO adotou o conceito de analfabetismo funcional, que serefere à pessoa que, mesmo sabendo ler e escrever algo simples, não tem as competências edisposições necessárias para fazer da leitura e da escrita um dos instrumentos de seudesenvolvimento pessoal e profissional. Ora, sabemos bem que uma casa de Leis dependedisso. E se tem uma e outra pessoa que domina a arte, ou mesmo um secretario capaz, ficaclara a dependência da mão do gato. Quem é mais esclarecido impõe o seu poder e seudomínio. Por isso, dá até para contar nos dedos quem domina e quem ajoelha. Nas eleições de 2006, havia 770 candidatos que sabiam apenas ler e escrever outinham ensino fundamental incompleto, ou seja, que poderiam se enquadrar nas condiçõesde analfabeto funcional. Eram 4 para governador, 3 para senador, 179 para deputadofederal e 584 para deputado estadual ou distrital. Quando o candidato não sabe interpretaro que lê não sabe, ao certo, o que vai no estatuto de seu partido. Mas, como comprovar o nível de escolaridade de um candidato sob suspeita?Atualmente, a alfabetização do candidato é provada por uma simples certidão. Com a 52
  53. 53. Crônicas Agudasregulamentação, o juiz eleitoral poderá impugnar ou não uma candidatura através do laudode uma comissão formada por pedagogos e professores de matemática e português quesabatinará o candidato. E aí? Tremeram na base? Se as pessoas fazem curso de noivo para casamento porque é que o candidato não precisa passar por uma sabatina prévia? A partir daí, se forocaso, nem precisa se candidatar. Poupará seu dinheirinho. Poupará o ouvido alheio e ascasas legisladoras serão mais independentes. É isso. Boa semana. Ouçam as gravações das sessões da Câmara de sua cidade eatentem para as pérolas oratoriais. O ATOR E O RETORNO DA MORTE______________________________________________________________________Instala-se (Freud) o conceito de pulsões. Pulsão de vida e pulsão de morte. Conceitos deorigem nos campos do id – inconsciente – e se projetam ao longo da vida. Platão já diziaque Filosofia é uma preparação para a morte. A morte física? A morte com superação deetapas? A preparação para a morte do entendimento sensível (daquilo que se sentematerialmente, tato e similares)? A entrada no campo metafísico ( o que vai além da físicaou do físico – oi conceito de quanta será metafísico)? Mas Platão não gostava de teatro pornão ter entendido o sentido da representação. Teorizou muito sobre música e já dizia quepara dominar um povo basta dominar sua música. A partir dessa frase platônica, O quepensar da música – ou atitudes - importadas? Qualquer uma: rock, hiphop, sinfônicosalemães, óperas italianas... Teria que esperar Freud.Essa morte prevista não é aquela dos filmes de terror nem das dos desenhos animados emqe uma panelada na testa desmonta a pessoa – personagem – para remontá-la logo emseguida. Trata-se do caminho natural de um corpo que tem história de começo/meio/fim, e,se direciona para este fim desde que nasce. A pulsão que busca o retorno à Natureza é 53
  54. 54. Crônicas AgudasTANATOS. Tanatos é idealização daquilo que é inarticulável em linguagem... daquilo quenão dá para falar... O corpo humano que nasce/vive/morre busca voltar ao pó...homem/húmus/humanus/manus/mão/artífice... barro (aglomerado de átomos) de ondepartiu aquele ser biológico que age e não pensa na conseqüência, fingindo que pensa. Apropaganda da TV afirma que ele pensa e este humano acredita nisso piamente, mas,depois da panelada o ser humano desarticula sua memória.O corpo biológico nascido de genótipo se torna fenótipo (que é a relação com mo meioambiente), depois, ser social que interage com a civilização construída. Este corpo vaitambém construir a sua parte na civilização (mesmo que seja destruir). Interfere nacivilização que herda ao nascer. Daí o mal-estar na civilização; inserir-se neste contextonão demandado mas, obrigatório ao nascer, não demandado, repito, é abdicar do estadonatural segundo Rousseau. Sair do estado natural para um não-natural – civilização / kultur- é de negar seus mais escondidos desejos; é ser civilizado e cair num estado de mal-estarconstante. Nostalgia do nada. Tristeza por coisa alguma. Bachianas nº2. Rebeldia semcausa. Ter saudade do momento que não viveu.Assim subamos ao palco para reviver? Re-presentemos ou seja, colocamos de volta nopresente aquilo que nos tocou? Lázaro redivivo? Quando Lázaro saiu da cova fedia àmorte ou lavanda?Ainda Freud: do binômio civilização-renúncia pulsional, como forma de constituição dolaço social, diria respeito a uma forma universal de cultura; a defesa da concepção decultura marcada pelo projeto iluminista-humanista do domínio da natureza pela razão;trata-se de falácia gigantesca, pois, enquanto o ser humano interfere na natureza(eufemismo para CONTROLA a natureza ) o ser humano altera seu status na própriaNatureza, excluindo-se como item do equilíbrio ecológico. O ser humano é alienígena emseu próprio planeta ou será só alienígena?O retorno ao estado natural do mundo será através da eliminação do ser humano comocorpo estranho que causa a infecção. Deve ser extirpado.O mundo é palco. A cultura é uma peça que se desenvolve nesse palco. Há muitoimproviso. Tem muita gente que nem percebe que atua.Todas as observações acima se calam quando se recebe muito bem e se trabalha na RedeBobo.Quando atriz/ator irrompem no palco acabam por negar a pulsão de morte e revitalizam,através da personagem, a existência de uma nova história a ser contada, de uma nova bio,de uma nova zoe. Atriz/Ator rompem com o ciclo que leva à morte e rasgam o véu da 54
  55. 55. Crônicas Agudasneurose, desencadeando a catarse que se quer. A ficha que cai. A idéia que se propaga. Asensação de Eureka. Mas, apenas sensação.Dois conceitos ainda a serem pensados e trabalhados: Antiédipo: quando a mulher assumeseus papéis (que não fazia no começo do teatro) / e fim da pulsão de morte, mesmo quesobre o palco.No palco negamos a morte e consideramos o eterno repetir. No entanto a cortina se fechano final, mas se abre no momento seguinte. As cenas querem repetir o quotidiano ou o fatoou o evento, mas sempre repetir e por si só repete o mesmo de si, a cada dia deapresentação. No entanto, a cada dia de apresentação o repetido não é tão o mesmo. Tempequenas mudanças.Há na música minimalista tensões desse tipo. Pequenas células musicais que se organizame mudam sempre; sempre alterando algo no ritmo, na ordem, na posição ou ainda noinstrumento que toca o trecho. Se forem vários instrumentos teremos universalidade deinformações.Bob Wilson usa tal recurso em seu balé no teatro. Uma única coreografia que todosaprendem. Mas, como cada um dos cinqüenta executantes a realiza em momento diferentee em posição geográfica muito variada, iluminado por luzes diferentes a realização setorna caleidoscópica e multiplica a visualização com pequeno esforço. Sentimos que tudoé diferente.Atriz/Ator repetem sua cena a cada dia. A cada dia a mesma cena muda. Um trejeito ali.Mudança no passo. Na velocidade da fala. A cada dia quem a vê a vê diferente, por ela(pela cena) e por si mesmo (pessoa pensante). A pessoa que vê a cena ganha, a cada dia,mais conteúdos e seu olhar muda sobre a cena. A repetição se dá dentro do episódio doacaso. A cena realinha os conteúdos da pessoa/platéia.A peça civilizatória, ou o papel que a sociedade impõe e que a população assume é malteatro. As peças sobre o palco tentam organizar a civilização, não com o fito de controlar acivilização, mas com interesse de esclarecer ou iluminar pontos – AUFKLARUNG.Quando a platéia se emociona é por que percebe que mal decorou o texto ou que malimprovisou, sempre fora do tempo ou do sentido. Começa que o DRAMA é o movimentoda coisa e as pessoas se limitam a permanecer sentadas, imóveis, absorvendo semparticipar. É a tradição reinstalada. 55

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