Ciulla Clínica Psiquiátrica - Esquizofrenia TCC

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O que é a esquizofrenia; quais são os sintomas mais comuns; o que dizem sobre a doença os principais teóricos; a terapia cognitiva comportamental para casos de esquizofrenia.

Acesse www.psiquiatraportoalegre.com.br para saber mais sobre esquizofrenia.

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Ciulla Clínica Psiquiátrica - Esquizofrenia TCC

  1. 1. Esquizofrenia-TCC Leandro Ciulla
  2. 2. EsquizofreniaEsquizofrenia Transtorno mental crônicoTranstorno mental crônico Prevalência de 1% na populaçãoPrevalência de 1% na população MultifatorialMultifatorial Mecanismos genéticos : principal fator etilógicoMecanismos genéticos : principal fator etilógico Dilatação dos ventrículos cerebraisDilatação dos ventrículos cerebrais
  3. 3. Principais sintomasPrincipais sintomas DelíriosDelírios AlucinaçõesAlucinações Embotamento afetivoEmbotamento afetivo Perda da capacidade volitivaPerda da capacidade volitiva Desorganização do pensamentoDesorganização do pensamento
  4. 4. Aaron BeckAaron Beck Em 1952 publicou um artigo sobre oEm 1952 publicou um artigo sobre o tratamento ambulatorial bem sucedido detratamento ambulatorial bem sucedido de um paciente squizofrênico crônico queum paciente squizofrênico crônico que apresentava delírio de culpa.apresentava delírio de culpa. Beck comenta que tendo em conta que osBeck comenta que tendo em conta que os neurolépticos não estavam disponíveis naneurolépticos não estavam disponíveis na época o tratamento foi um sucesso, masépoca o tratamento foi um sucesso, mas que hoje empregaria um modelo deque hoje empregaria um modelo de terapia cognitiva clássica.terapia cognitiva clássica.
  5. 5. DickersonDickerson Publicou uma revisão em 2000 de 20Publicou uma revisão em 2000 de 20 ensaios clínicos com a seguinte técnicaensaios clínicos com a seguinte técnica cognitiva:cognitiva: Modificação de crençasModificação de crenças ReatribuiçãoReatribuição NormalizaçãoNormalização Intervenção na psicose agudaIntervenção na psicose aguda
  6. 6. Modificação de crençasModificação de crenças 2 estágios2 estágios Primeiro: O terapeuta propõe ao paciente umaPrimeiro: O terapeuta propõe ao paciente uma visão alternativa para os seus delírios sem dizervisão alternativa para os seus delírios sem dizer ao paciente que ele está “errado”ao paciente que ele está “errado” Segundo: proposto um “teste de realidade” paraSegundo: proposto um “teste de realidade” para suas idéiassuas idéias NaNa reatribuiçãoreatribuição focaliza-se as característicasfocaliza-se as características das vozes e as crenças(se o paciente temdas vozes e as crenças(se o paciente tem alguma crítica destas vozes) dos pacientesalguma crítica destas vozes) dos pacientes sobre as mesmassobre as mesmas
  7. 7. NormalizaçãoNormalização Visa desestigmatizar os sintomasVisa desestigmatizar os sintomas psicóticospsicóticos..
  8. 8. IntervençãoIntervenção Para pacientes internados, em quePara pacientes internados, em que são usadas técnicas de terapiasão usadas técnicas de terapia individual, grupal e de orientaçãoindividual, grupal e de orientação familiarfamiliar
  9. 9. AdaptaçãoAdaptação Técnica que ajuda o paciente a identificarTécnica que ajuda o paciente a identificar e monitorar seus sintomas e então usare monitorar seus sintomas e então usar estratégias, tais como desvio da atenção,estratégias, tais como desvio da atenção, aumento ou diminuição dos níveis deaumento ou diminuição dos níveis de atividade, para se adaptar e não se deixaratividade, para se adaptar e não se deixar dominar pelos sintomas.dominar pelos sintomas.
  10. 10. Os sintomas negativosOs sintomas negativos (considerações)(considerações) Surgem muitas vezes como resposta aSurgem muitas vezes como resposta a difíceis situações sociais e psicológicasdifíceis situações sociais e psicológicas ““esses sintomas ajudariam pessoas comesses sintomas ajudariam pessoas com esquizofrenia a viver”esquizofrenia a viver” Teriam um impacto social e psicológico noTeriam um impacto social e psicológico no curso da desordemcurso da desordem ““Estes sintomas gerariam um mecanismoEstes sintomas gerariam um mecanismo de feedback que mantêm ou aumenta asde feedback que mantêm ou aumenta as disfunções”disfunções”
  11. 11. Estratégias da TCC para osEstratégias da TCC para os sintomas negativossintomas negativos 1-Treinamento de habilidades sociais1-Treinamento de habilidades sociais 2-Treinamento de habilidades para lidar com2-Treinamento de habilidades para lidar com situações vivenciaissituações vivenciais 3-Treinamento de auto-instrução, em que o3-Treinamento de auto-instrução, em que o paciente aprende a lidar com determinadaspaciente aprende a lidar com determinadas situaçõessituações 4-Técnicas de solução de problemas,4-Técnicas de solução de problemas, desenvolvem habilidades para que o pacientedesenvolvem habilidades para que o paciente lide com seus problemaslide com seus problemas 5-Programação de algumas atividades5-Programação de algumas atividades
  12. 12. Objetivos da TC para osObjetivos da TC para os transtornos psicóticostranstornos psicóticos Reduzir a angústia e a interferência que asReduzir a angústia e a interferência que as vivências psicóticas causam ao indivíduovivências psicóticas causam ao indivíduo Por meio de uma participação ativa do pcte,Por meio de uma participação ativa do pcte, promover a compreensão do transtornopromover a compreensão do transtorno psicótico, buscando uma auto-regulação dessespsicótico, buscando uma auto-regulação desses sintomas; diminuir o risco de recaídas e auxiliarsintomas; diminuir o risco de recaídas e auxiliar na reinserção socialna reinserção social Reduzir os distúrbios emocionais, comoReduzir os distúrbios emocionais, como ansiedade, depressão e desesperança, pelaansiedade, depressão e desesperança, pela modificação de esquemas disfuncionaismodificação de esquemas disfuncionais
  13. 13. ModeloModelo Normalmente ocorrem 20 a 25 sessõesNormalmente ocorrem 20 a 25 sessões 6 meses de sessões semanais seguindo-6 meses de sessões semanais seguindo- se um espaçamento quinzenal e depoisse um espaçamento quinzenal e depois mensalmensal Algumas sessões podem ocorrer na casaAlgumas sessões podem ocorrer na casa do paciente, em caminhadas ao ar livre,do paciente, em caminhadas ao ar livre, visando tornar o clima mais relaxadovisando tornar o clima mais relaxado
  14. 14. MódulosMódulos 1: aliança terapêutica e avaliação1: aliança terapêutica e avaliação 2: estratégias cognitivas e comportamentais para ajudar2: estratégias cognitivas e comportamentais para ajudar o paciente a lidar com suas experiências psicóticaso paciente a lidar com suas experiências psicóticas 3:Oferecer uma perspectiva sobre a natureza das3:Oferecer uma perspectiva sobre a natureza das experiências psicóticas, relatando que estas surgem deexperiências psicóticas, relatando que estas surgem de disfunções biológicasdisfunções biológicas 4: focalizar crenças específicas sobre as vozes,4: focalizar crenças específicas sobre as vozes, buscando promover uma convivência mais adaptativabuscando promover uma convivência mais adaptativa com o delíriocom o delírio 5: avaliam-se pressuposições disfuncionais5: avaliam-se pressuposições disfuncionais 6:Consolidar uma nova perspectiva para os problemas6:Consolidar uma nova perspectiva para os problemas individuaisindividuais
  15. 15. Não esquecer…Não esquecer… Diferentes pacientes requerem diferentesDiferentes pacientes requerem diferentes abordagens. Obseva-se uma dificuldadeabordagens. Obseva-se uma dificuldade de trabalhar de forma estruturada comode trabalhar de forma estruturada como acontece com a TCC para outrosacontece com a TCC para outros transtornostranstornos
  16. 16. 1.1-Aliança Terapêutica1.1-Aliança Terapêutica Pacientes psicóticos têm a desconfiançaPacientes psicóticos têm a desconfiança estruturada intrinsicamente, portanto aestruturada intrinsicamente, portanto a empatia pode ser mais dificilmenteempatia pode ser mais dificilmente alcançadaalcançada São importantes as atitudes cordiais e aoSão importantes as atitudes cordiais e ao mesmo tempo objetivasmesmo tempo objetivas O terapeuta deve dar uma breveO terapeuta deve dar uma breve descrição da terapia e falar a respeito dosdescrição da terapia e falar a respeito dos objetivosobjetivos
  17. 17. - “João estou aqui para fazer parte do seu- “João estou aqui para fazer parte do seu tratamento. Vamos discutir aquilo quetratamento. Vamos discutir aquilo que vem lhe perturbando e talvez possamosvem lhe perturbando e talvez possamos encontrar juntos alguma maneira de vocêencontrar juntos alguma maneira de você se sentir melhor, mais aliviado”se sentir melhor, mais aliviado” Dica:Dica: Não precipite conclusões. TenteNão precipite conclusões. Tente entrar e vivenciar o mundo delirante doentrar e vivenciar o mundo delirante do paciente para uma parceria melhorpaciente para uma parceria melhor
  18. 18. 1.2-Avaliação1.2-Avaliação Ênfase deve ser dada a uma avaliaçãoÊnfase deve ser dada a uma avaliação detalhada. Cameron (1973) descreve adetalhada. Cameron (1973) descreve a “técnica de Columbo”, aquele detetive que“técnica de Columbo”, aquele detetive que se desculpa por ser tão confuso e pedese desculpa por ser tão confuso e pede que os eventos sejam detalhadosque os eventos sejam detalhados cuidadosamentecuidadosamente
  19. 19. Uma avaliação deve conter:Uma avaliação deve conter: Identificação clara dos problemas.Identificação clara dos problemas. Identificar os fatores-chave que podemIdentificar os fatores-chave que podem estar envolvidos no desenvolvimento doestar envolvidos no desenvolvimento do problemaproblema Avaliação detalhada de sintomasAvaliação detalhada de sintomas psicóticos específicospsicóticos específicos Uma análise dos mais salientes sintomasUma análise dos mais salientes sintomas sob a visão cognitiva comportamentalsob a visão cognitiva comportamental
  20. 20. Planos a longo e curto prazosPlanos a longo e curto prazos Avaliação dos modelos das relaçõesAvaliação dos modelos das relações sociais e comportamentais do pacientesociais e comportamentais do paciente Diagnóstico e medicações que vêm sendoDiagnóstico e medicações que vêm sendo utilizadosutilizados As perspectivas do paciente referentes aoAs perspectivas do paciente referentes ao seu problema.seu problema.
  21. 21. 2-Utilização de estratégias cognitivas e2-Utilização de estratégias cognitivas e comportamentais para ajudar os pacientescomportamentais para ajudar os pacientes a lidar com suas experiências psicóticas ea lidar com suas experiências psicóticas e atitudes impulsivasatitudes impulsivas As técnicas incluem: treino deAs técnicas incluem: treino de relaxamento, programação de atividades,relaxamento, programação de atividades, dessensibilização, treinamento dedessensibilização, treinamento de habilidades sociais, auto-instrução ehabilidades sociais, auto-instrução e controle do pensamentocontrole do pensamento
  22. 22. ““as vozes surgem mais quando você estáas vozes surgem mais quando você está nervoso, certo João?”nervoso, certo João?” P-quando saio na rua e vejo aquelesP-quando saio na rua e vejo aqueles meninos que brincam na praça, sempremeninos que brincam na praça, sempre tenho a impressão que riem de mimtenho a impressão que riem de mim ““você acha que deixar de usar aquelevocê acha que deixar de usar aquele caminho poderia ser um opção”?caminho poderia ser um opção”? P-Posso tentarP-Posso tentar
  23. 23. 3-Propostas de novas expectativas sobre a3-Propostas de novas expectativas sobre a natureza das experiências psicóticas donatureza das experiências psicóticas do pacientepaciente Neste estágio a aliança terapêuticaNeste estágio a aliança terapêutica provavelmente se encontra bemprovavelmente se encontra bem estruturada, possibilitando ao terapeuta aestruturada, possibilitando ao terapeuta a busca de novas perspectivas para asbusca de novas perspectivas para as vivências psicóticasvivências psicóticas
  24. 24. Algumas colocações sobre possibilidadesAlgumas colocações sobre possibilidades de disfunções neuroquímicas estaremde disfunções neuroquímicas estarem levando ao sintoma devem ser feitaslevando ao sintoma devem ser feitas Podemos sugerir que esses fenômenosPodemos sugerir que esses fenômenos estão acontecendo em processos internosestão acontecendo em processos internos e não na realidade externa, diminuindo ae não na realidade externa, diminuindo a sensação de ameaça constante. Se osensação de ameaça constante. Se o paciente consegue entender esta idéia apaciente consegue entender esta idéia a diminuição da vivência psicótica é drásticadiminuição da vivência psicótica é drástica
  25. 25. Com um contato mais fluente com o paciente, éCom um contato mais fluente com o paciente, é possível colocar as suas posições e o que vocêpossível colocar as suas posições e o que você pensa a respeito dos fatospensa a respeito dos fatos Ex:Pcte acha que o funcionário do mercadoEx:Pcte acha que o funcionário do mercado sabe de seus pensamentos obscenossabe de seus pensamentos obscenos T: Vou sugerir que procuremos buscar maisT: Vou sugerir que procuremos buscar mais evidências para esses pensamentos. Afinal,evidências para esses pensamentos. Afinal, parece-me que você está pressupondo. Vocêparece-me que você está pressupondo. Você não conseguiu me dizer uma evidência claranão conseguiu me dizer uma evidência clara para pensar assimpara pensar assim
  26. 26. 4-Estratégias para o manejo das4-Estratégias para o manejo das “vozes”“vozes” Slade (1972) em um estudo pioneiroSlade (1972) em um estudo pioneiro sobre alucinações auditivas, constatousobre alucinações auditivas, constatou que elas eram precedidas por umque elas eram precedidas por um aumento de tensão ou uma queda noaumento de tensão ou uma queda no humor.humor. Freqüentemente usamos relaxamento ouFreqüentemente usamos relaxamento ou outro tipo de manejo de ansiedade paraoutro tipo de manejo de ansiedade para reduzir o estresse que pode preceder asreduzir o estresse que pode preceder as vozesvozes
  27. 27. Manejo das “vozes”Manejo das “vozes” Pode-se ajudar o paciente treinando-o a “trazerPode-se ajudar o paciente treinando-o a “trazer as vozes para as sessões”.as vozes para as sessões”. Sugere-se que o paciente passe a pensar sobreSugere-se que o paciente passe a pensar sobre as vozes e o que normalmente elas dizemas vozes e o que normalmente elas dizem Técnicas de distração podem ajudar. Ex: contarTécnicas de distração podem ajudar. Ex: contar algum fato ou ler em voz alta. O que podealgum fato ou ler em voz alta. O que pode permitir uma mudança na crença a respeito daspermitir uma mudança na crença a respeito das vozes, tornando-as controláveis.vozes, tornando-as controláveis.
  28. 28. Manejo das “vozes”Manejo das “vozes” Experimentos sugerem que oExperimentos sugerem que o paciente pode ser encorajado a agirpaciente pode ser encorajado a agir de maneira contrária àquela sugeridade maneira contrária àquela sugerida pelas vozes:pelas vozes:
  29. 29. Exemplo de casoExemplo de caso Luís, hj com 22 anos, relata início de vivênciaLuís, hj com 22 anos, relata início de vivência delirante aos 14. As vozes acontecemdelirante aos 14. As vozes acontecem predominantemente à noite, estão semprepredominantemente à noite, estão sempre ameaçando pessoas da sua família e também aameaçando pessoas da sua família e também a ele próprio. Por isso, passava as noitesele próprio. Por isso, passava as noites acordado, protegendo seus pais, e dormiaacordado, protegendo seus pais, e dormia durante o dia. Propusemos que dormissedurante o dia. Propusemos que dormisse inicialmente apenas algumas horas e checasseinicialmente apenas algumas horas e checasse se alguma coisa ruim aconteceria a sua família.se alguma coisa ruim aconteceria a sua família. Dessa forma, progressivamente, conseguiuDessa forma, progressivamente, conseguiu contrariar as ameaças e passou a regularizarcontrariar as ameaças e passou a regularizar seu sono.seu sono.
  30. 30. 5-Avaliando pressuposições disfuncionais a5-Avaliando pressuposições disfuncionais a respeito de si próprio e dos outrosrespeito de si próprio e dos outros É importante ao terapeuta terÉ importante ao terapeuta ter conhecimento sobre o que o pacienteconhecimento sobre o que o paciente sabe e interpreta de seus sintomas,sabe e interpreta de seus sintomas, sobretudo qual a idéia que ele tem sobresobretudo qual a idéia que ele tem sobre seus problemas.seus problemas. Importante discutir sobre o diagnósticoImportante discutir sobre o diagnóstico dado ao pacientedado ao paciente
  31. 31. Estratégia para administrarEstratégia para administrar recaídasrecaídas O terapeuta deve se colocar à disposiçãoO terapeuta deve se colocar à disposição do paciente para que ele possa fazerdo paciente para que ele possa fazer contato caso perceba indícios de recaídascontato caso perceba indícios de recaídas com relação às crenças delirantescom relação às crenças delirantes Contatos telefônicos podem fazer aContatos telefônicos podem fazer a ansiedade do paciente cairansiedade do paciente cair imediatamente.imediatamente.
  32. 32. 6-Consolidar uma nova perspectiva dos6-Consolidar uma nova perspectiva dos problemas individuais para umaproblemas individuais para uma autoregulação dos sintomas psicóticosautoregulação dos sintomas psicóticos Um dos objetivos importantes daUm dos objetivos importantes da terapia é desenvolver a sensação deterapia é desenvolver a sensação de autocontrole do paciente e ajudá-lo aautocontrole do paciente e ajudá-lo a manejar suas experiências e seusmanejar suas experiências e seus problemas.problemas.

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