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Seminário Juventude: gênero, raça e sexualidade

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Apresentação utilizada no Seminário "Juventude: gênero, raça e sexualidade" para a Disciplina Juventude, Educação e Cultura ministrada pela Professora Drª. Wivian Weller.

Seminário Juventude: gênero, raça e sexualidade

  1. 1. Disciplina : Juventude, Educação e Cultura Profª : Dra. Wivian Weller Estudantes : Cleverson de Oliveira Domingos, Cláudia Denis Alves da Paz, Maria de Lourdes de Almeida da Silva e Lia Maria.
  2. 2. <ul><li>Na área da educação , os estudos sobre juventude, gênero e sexualidade representam 8% do total de trabalhos tanto no primeiro levantamento no período de 1980 a 1998 quanto no segundo entre 1999 a 2006 CARVALHO; SOUZA; OLIVEIRA, 2009). Segundo as autoras, os estudos envolvendo “jovens, gênero e sexualidade” podem ser agrupados em seis subtemas: Parentalidade; Sexualidades; DST’s/AIDS; Educação sexual; Masculinidades e feminilidades; e Educação formal. </li></ul><ul><li>As pesquisas que investigam as intersecções entre gênero, raça e sexualidade representam um campo em construção no âmbito dos estudos sobre juventude , constituindo um interesse crescente principalmente por parte de pesquisadores mais jovens (WELLER, 2008). </li></ul><ul><li>Segundo Weller (2008), “ os estudos sobre juventude e diversidade realizados no Brasil desde os anos noventa do século passado podem ser organizados em torno dos seguintes eixos: Jovens negros e culturas juvenis; Jovens mulheres e culturas juvenis; Juventudes, gênero e sexualidade; Juventudes, educação e ações afirmativas ”. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>A sexualidade na juventude tem sido objeto de atenção em nossa sociedade, principalmente, em relação a gravidez indesejada (ALTMANN, 2007). </li></ul><ul><li>A escola tem sido um espaço de vigilância em relação à sexualidade não apenas das pessoas mais jovens, mas também das adultas, e que tal preocupação tem por objetivo o alcance da forma “correta” e “normal” de sexualidade, reconhece-se que “ uma noção singular de gênero e sexualidade vem sustentando currículos e práticas de nossas escolas [...]” (LOURO, 2003, p. 43). </li></ul><ul><li>A heteronormatividade, ou seja, “a obsessão com a sexualidade normatizante, através de discursos que descrevem a situação homossexual como desviante” (WARNER, 1993 apud BRITZMAN, 1996, p. 79) é constantemente (re)produzida; </li></ul><ul><li>A vigilância que as instituições sociais, entre elas a escola, fazem com relação à sexualidade, ou seja, averiguando se as normas de conduta próprias para cada gênero estão sendo seguidas, promove, por fim, um próprio auto-governo por parte dos sujeitos (LOURO, 2000). </li></ul><ul><li>Conforme Mac Na Gahill (1996 apud ALTMANN; SOUSA, 1999), “os sistemas escolares modernos não apenas refletem a ideologia sexual dominante, mas produzem uma cadeia de masculinidades e feminilidades heterossexuais diferenciadas e hierarquicamente ordenadas”. </li></ul>
  4. 4. Jeffrey Weeks
  5. 5. <ul><li>Objetivo: Examinar os modos pelos quais se têm atribuído, nas sociedades modernas, uma extrema importância e significado ao corpo e a sexualidade, argumentando que o nosso conceito de sexualidade tem uma história e se trata de uma invenção ou um “dispositivo histórico” (FOUCAULT, 1993 apud WEEKS, 2001, p. 44). </li></ul><ul><li>A sexualidade tem tanto a ver com nossos corpos quanto com as nossas crenças, ideologias e imaginações. </li></ul><ul><li>Nossas concepções dominantes sobre a sexualidade foram discursivamente produzidas , principalmente, pelos sexólogos que se esforçaram em categorizar os comportamentos sexuais e determinar as práticas “consideradas” saudáveis e normais, construindo a sexualidade como um domínio privilegiado de conhecimento. </li></ul><ul><li>Inicialmente centradas nas preocupações da religião e da filosofia moral, as questões relativas aos corpos e ao comportamento sexual tornaram-se a partir do século XIX preocupações da medicina, da biologia e de profissionais e reformadores morais. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>O essencialismo deve ser visto como o “[...] ponto de vista que tenta explicar as propriedades de um todo complexo por referência a uma suposta verdade ou essência interior” (WEEKS, 2001, p. 43). </li></ul><ul><li>Embora haja diferenças de ponto de vista entre os construcionistas sociais, todos eles rejeitam análises essencialistas e acreditam na ideia de que a sexualidade não é algo inato, mas sim uma construção social e histórica, que depende do contexto histórico específico, das várias relações de poder que modelam o que vem a ser visto como comportamento normal ou anormal, aceitável ou inaceitável. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Sexo é um termo usado para descrever as diferenças anatômicas básicas, internas e externas ao corpo; </li></ul><ul><li>Gênero é usado para descrever a diferenciação social entre homens e mulheres; </li></ul><ul><li>Sexualidade é um termo para descrever uma série de crenças, comportamentos, relações e identidades socialmente construídas e historicamente modeladas que se relacionam com o que Michel Foucault denominou “o corpo e seus prazeres” (FOUCAULT, 1993 apud WEEKS, 2001). </li></ul><ul><li>O gênero (a condição social pela qual somos identificados como homem ou como mulher) e a sexualidade (a forma cultural pela qual vivemos nossos desejos e prazeres corporais) tornaram-se duas coisas inextricavelmente vinculadas. O resultado disso é que o ato de cruzar a fronteira do comportamento masculino ou feminino apropriado (isto é, aquilo que é culturalmente definido como apropriado) aparece, algumas vezes, a suprema transgressão (WEEKS, 1986 apud BRITZMAN, 1996, p. 76). </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Os elementos de classe, do gênero e da raça são interdependentes. </li></ul><ul><li>“ O processo de regulação sexual teve como uma das influências de classe o fato da ideia de sexualidade ser uma ideia burguesa e os padrões respeitáveis no século XIX para a vida familiar terem sido desenvolvidos por essa classe, embora a classe operária resistisse a essas normas. Ressalta-se também que os padrões de vida sexual do século atual resultam de uma luta social em que classe e sexualidade se ligam. Já o gênero é visto como uma relação de poder. Ao longo dos séculos houve modificações fundamentais no modo como tratamos a relação entre o corpo feminino e o masculino. O discurso sobre a diferença sexual emergia em meio a novas relações culturais e políticas, resultado de mudanças no equilíbrio de poder entre homens e mulheres. Além de classe e gênero outra diferença também modela a sexualidade com a raça. Ideologias sexuais do século XIX classificavam os negros abaixo na escala evolutiva , como mais livres dos constrangimentos da civilização. Políticas eugenistas dessa época desqualificavam os corpos das “raças inferiores””. ( http:// www.fafich.ufmg.br/nuh/index.php/artigos/67-corposexualidade ) </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Segundo Jeffrey Weeks, “[...] a emergência desses dois termos [homo/heterossexualidade] marca um estágio crucial na delimitação e definição modernas de sexualidade [...]” (p. 61). Criados pelo jornalista e advogado austro-húngaro e pró- gay Karol Maria Kertbeny, em 1989 , na Alemanha, esse termo tornou-se, nas mãos de sexólogos pioneiros como Krafft-Ebing, uma descrição médico-moral . </li></ul><ul><li>A “criação” desse termo pode ser entendida como um grande esforço , assumido depois pela sexologia, de definir a homossexualidade como uma forma distinta de sexualidade , e descrever os tipos e as formas de comportamento e identidade sexual. </li></ul><ul><li>Na visão de Costa (1994, p. 120 apud FERRARI, 2003, p. 107), “[...] acreditamos que somos ou que outros são ‘heterossexuais, bissexuais e homossexuais’ porque nosso vocábulo sexual não coage a identificarmo-nos desta maneira. Esse vocabulário, entretanto, não surge do nada, nem representa, para nossa razão, a ‘verdade’ sobre a sexualidade, ignorada pelo obscurantismo dos que nos antecederam ”. </li></ul><ul><li>Esse processo de institucionalização da heterossexualidade envolveu em: </li></ul><ul><ul><li>1º lugar  A tentativa de definir as características básicas do que constitui a masculinidade e a feminilidade; </li></ul></ul><ul><ul><li>2º lugar  A catalogação das várias práticas sexuais e produzir uma hierarquia na qual o “normal” e o “anormal” poderia ser distinguido. </li></ul></ul><ul><li>A heterossexualidade foi institucionalizada na sociedade ocidental, como compulsória , e como uma “norma”, como “obrigatória”. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>Uma definição de homossexualidade foi forjada devido a intenção de construir a heterossexualidade como uma norma. </li></ul><ul><li>A heterossexualidade é, portanto, uma norma “interiorizada” e “introjetada” culturalmente que se tornou o quadro de análise por meio do qual nosso pensamento é moldado, “ela é parte do ar que respiramos”. </li></ul><ul><li>Weeks (2001, p. 65) relembra que “[...] antes do século XIX a ‘homossexualidade’ existia, mas o/a ‘homossexual’ não ”. Foi somente a partir do século XIX e nas sociedades industrializadas modernas que se desenvolveu uma categoria homossexual distintiva e uma identidade a ela associada. </li></ul><ul><li>Os processos linguísticos usados para “fabricar” os/as homossexuais, são resultado de uma nova configuração de poder que nos exige classificar uma pessoa pela definição de sua verdadeira identidade, uma identidade que se expressa plenamente a real verdade do corpo. </li></ul><ul><li>Na Grécia, por exemplo, a homossexualidade era tida como uma espécie de rito de passagem da infância para a vida adulta. </li></ul><ul><li>Diferenças entre passividade e atividade sexual: Weeks (2001, p. 66) aponta que “este padrão é muito comum em várias partes do mundo [...], sendo que sobreviveu vigoroso, até o século XX, particularmente nos países mediterrâneos e também em algumas subculturas das sociedades ocidentais [...]”. No Brasil, há uma expressiva oposição entre passividade e atividade sexual. Conforme Guimarães (2004, p. 48), “[...] mesmo que os indivíduos da ação sejam do mesmo sexo, àquele de desempenho ‘masculino’ e ‘ativo’ é atribuída à identidade heterossexual ( status ‘normal’) e àquele de desempenho ‘feminino’ e ‘passivo’ à identidade homossexual ( status ‘desviante’)”. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>O modelo homossexual que emergiu no século XIX tratou lésbicas e gays nos mesmos termos como se tivessem características comuns. Esse modelo era mais associado a homossexualidade masculina e desconsiderava certos aspectos específicos às lésbicas. Assim , a nova história da homossexualidade, tornou-se uma história de identidades. E para que as identidades sexuais surgissem foi preciso mais que o desejo ou a atividade sexual. Elas surgiram devido a globalização e o crescimento dos espaços sociais urbanos, especialmente, pela criação das redes de apoio social e acolhimento que se desenvolveram, como a subcultura homossexual , representada pelo movimento social e pelos locais de sociabilidade e consumo direcionados à lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros (LGBT). </li></ul><ul><li>A homossexualidade se torna uma questão de escolha, que os indivíduos podem seguir de um modo que era impossível numa sociedade mais hierárquica e monolítica. A homossexualidade continua sendo vista como uma ameaça ao status quo moral, contudo a existência de identidades gays e lésbicas positivas simboliza a pluralização cada vez mais crescente da vida social e a expansão da escolha individual que essa oferece. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Segundo Weeks (2001, p. 70, grifos do autor), “[...] as identidades são históricas e culturalmente específicas [...]. Elas não são atributos necessários de impulsos ou desejos sexuais particulares, e que elas não são partes essenciais de nossa personalidade [...]”. A sexualidade, portanto, é tanto um produto da linguagem e da cultura quanto da natureza. </li></ul><ul><li>Três ênfases podem ser dadas sobre a questão da identidade: </li></ul><ul><ul><li>a identidade como destino; </li></ul></ul><ul><ul><li>a identidade como resistência; </li></ul></ul><ul><ul><li>a identidade como escolha. </li></ul></ul><ul><li>Nessa perspectiva, “[...] tem-se argumentado que muitas pessoas são “empurradas” para a identidade, derrotadas pela contingência, ao invés de guiadas pela vontade [...]” (p. 71). “[...] Alguns indivíduos são forçados a escolhas, através da estigmatização ou descrédito público [...]” (p. 72). </li></ul>
  13. 13. <ul><ul><li>1) sensibilização  o indivíduo torna-se consciente da sua diferença por ser rotulado como “maricas” (no caso no menino) ou “joãozinho” (no caso da menina); </li></ul></ul><ul><ul><li>2) significação  O indivíduo começa a atribuir sentido a essas diferenças; </li></ul></ul><ul><ul><li>3) subculturização  o indivíduo reconhece a si mesmo a partir dos contatos sexuais; </li></ul></ul><ul><ul><li>4) estabilização  o individuo aceita a si mesmo, seus sentimentos, desejos e constrói seu estilo de vida através do envolvimento numa subcultura que dá apoio as pessoas com a mesma “ inclinação ” (grifos meus). </li></ul></ul>
  14. 14. <ul><li>“ Não existe conexão necessária entre comportamento e identidade sexual” (p. 72). </li></ul><ul><li>“ [...] uma boa parte da atividade que ocorre entre pessoas do mesmo sexo nunca é definida como ‘homossexual’ e não afeta radicalmente o sentido de si de alguém [...]” (WEEKS, 2001, p. 69). </li></ul><ul><li>“ [...] sentimentos e desejos podem estar profundamente entranhados e podem estruturar as possibilidades individuais. As identidades, entretanto, podem ser escolhidas, e, no mundo moderno, com sua preocupação com a sexualidade “verdadeira”, a escolha é muitas vezes altamente política ” (p. 73). </li></ul><ul><li>Logo, uma pessoa pode ter práticas homossexuais, mas não se considerar homossexual, como frequentemente ocorre. O comportamento sexual, nesse caso, corresponde a ter práticas eróticas ou afetivas homossexuais, heterossexuais ou bissexuais, enquanto a identidade sexual designa o processo de definir-se como homossexual, heterossexual ou bissexual. </li></ul>
  15. 15. <ul><li>A identidade sexual é formada nas relações que a criança estabelece com suas mães e seus pais, irmãs e irmãos, demais familiares e, sobretudo, com seu meio social. Além disso, na visão de Britzman (1996, p. 74-75), a identidade sexual: </li></ul><ul><ul><ul><li>“ está sendo constantemente rearranjada, desestabilizada e desfeita pelas complexidades da experiência vivida, pela cultura popular, pelo conhecimento escolar e pelas múltiplas e mutáveis histórias de marcadores sociais como gênero, raça, geração, nacionalidade, aparência física e estilo popular”. </li></ul></ul></ul><ul><li>Weeks (2001, p. 70) enfatiza que “[...] não são muitas as pessoas que podemos ouvir afirmando ‘eu sou heterossexual’, porque esse é o grande pressuposto. Além disso, esse autor esclarece que dizer ‘eu sou gay ’ ou ‘eu sou lésbica’ significa fazer uma declaração sobre pertencimento, significa assumir uma posição específica em relação aos códigos sociais dominantes”. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>A sexualidade tem estado no centro das preocupações ocidentais e tem sido um elemento-chave no debate político nos últimos dois séculos. A preocupação com a sexualidade surgiu a partir de um crescente sentimento de crise sobre a sexualidade. As mudanças nas relações entre os sexos têm sido profundamente desestabilizadas pela rápida mudança social e pelo impacto do feminismo, com suas críticas a dominação masculina e a subordinação feminina. Essa crise de sexualidade, por sua vez, tem acentuado o problema de como devemos regulá-la e controla-la. </li></ul><ul><li>Três estratégias de regulação da sexualidade tem dominado a sociedade nos últimos anos: a absolutista , posição que acredita de o sexo é perigoso, perturbador e antissocial e deve ser controlado rigidamente e autoritariamente; a libertária , posição que acredita que o desejo sexual é benigno, sendo mais flexível, porém radical; ou a liberal , posição que reconhece as desvantagens tanto do autoritarismo moral quanto do excesso. </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Está ocorrendo uma profunda mudança nas relações familiares, a partir da constatação de que há diferentes famílias, bem como mudanças na concepção de casamento como algo definitivo para toda a vida. Existe também aceitação generalizada do controle da natalidade e do apoio a leis de aborto liberais. No entanto, existe uma exceção à gradual liberalização que é a aceitação da homossexualidade, que embora não seja mais sujeita a punições, a sua legalidade é limitada, pois não é colocada numa situação de igualdade com os heterossexuais. </li></ul><ul><li>O surgimento da AIDS e o fato dos homossexuais serem apontados como primeiros portadores do vírus reforçou o preconceito e a estigmatização em relação a esse “grupo de risco”. Nos Estados Unidos, os homens gays e as pessoas negras eram vistos como fonte potencial de “poluição” e ligados a emergência do novo vírus. Tanto a diversidade sexual quanto racial eram vistas como ameaça aos valores hegemônicos das sociedades modernas. </li></ul><ul><li>O autor afirma que os desafios apresentados pela diversidade sexual irão crescer no futuro e talvez pudessem apontar para o fim do “regime de sexualidade”, discutido por Foucault. Finalizando, podemos perceber que na história da sexualidade a organização social da sexualidade não é estável, sendo moldada de acordo com contextos específicos, assim, possivelmente, pode-se esperar por uma mudança radical na maneira como nos relacionamos com nossos corpos e com a sexualidade. </li></ul>
  18. 18. Debbie Epstein - Cardiff University, School of Social Sciences Richard Johnson - Nottingham Trent University, Faculty of Humanities Tradução: Lene Belon Revisão técnica: Guacira Lopes Louro Revista Brasileira de Educação v. 14 n. 40 jan./abr. 2009 Tradução: Lene Belon; Revisão técnica: Guacira Lopes Louro; Revista Brasileira de Educação v. 14 n. 40 jan./abr. 2009  
  19. 19. <ul><li>Como podemos entender o modo como jovens formam suas identidades, particularmente em relação à sexualidade e ao gênero? </li></ul>Jovens encontrados no trabalho de campo, no decorrer de vários anos e em diferentes projetos no Reino Unido: Tracy, Simon, Elias e Levi, Morgan, Lara.
  20. 20. <ul><li>Os jovens se produzem como atores generificados e sexualizados bem como atores de raça e classe, em e através de certas relações centrais. Seus contextos mais imediatos são as culturas sexuais dos próprios jovens, formadas em relação a espaços institucionais, como as escolas, a cultura popular comercial e as relações domésticas e familiares. (“Outros outros”) </li></ul><ul><li>Identidade= performance ativa/interativa/intra e interpessoal </li></ul><ul><li>Exemplo dos/as personagens: Morgan; Simon e Peter; Elias e Levi; Tracy. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>As identidades são poderosamente formadas através do que Connell (1995, p. 62-64) chamou de “práticas reflexivas do corpo” – ou seja, o circuito de efeitos entre experiências corporais, vida emocional e explicações culturais para eles (Figura 1- p.87). </li></ul><ul><li>É importante observar, no entanto, que esses entendimentos e experiências são desenvolvidos no contexto de relações sociais de poder em outros circuitos de produção cultural. </li></ul><ul><li>Diferenças sexuais, por exemplo, estão sempre acompanhadas e são mutuamente moldadas por outras “diferenças que fazem diferença” na vida cotidiana das pessoas (como raça, gênero ou corporificação). </li></ul><ul><li>Exemplos: Simon e Peter : experiências corporais; Tracy: gravidez potencial (e prevista) na adolescência. </li></ul>
  22. 23. <ul><li>Quando jovens dão significado às suas vidas, usam narrativas e imagens que já foram produzidas em outro lugar. Exemplo: escolha do pseudônimo de Morgan; Lara usava e apreciava as roupas tradicionais, apesar de não querer ocupar a posição feminina tradicional em sua cultura. </li></ul><ul><li>C ircuito de produção de identidade – (corporificação= parte desse quadro mais amplo). Em cada ponto podemos identificar uma gama de relações de poder e desigualdades em relação aos recursos, às possibilidades de reconhecimento, à sustentabilidade de estratégias de identidade disponíveis para pessoas em diferentes posições sociais. Se começarmos no topo do circuito, será possível distinguir aquelas identidades que são mais prontamente reconhecidas socialmente – e estas variam com o tempo e o lugar. (Figura 2 – p.89). </li></ul>
  23. 25. <ul><li>Há sempre uma apropriação individual, uma inflexão biográfica, mas o trabalho de identidade é sempre duplamente pressionado: primeiro, a partir do nível dos recursos materiais e corporais; segundo, a partir dos roteiros mais insistentes ou dominantes (heterossexualidade, monogamia). </li></ul><ul><li>Exemplos: A economia sexual das escolas (Hey, 1997) é tal que a pressuposição de heterossexualidade continua a ser forte e pode ser muito difícil para jovens, em especial para os meninos, agarrar-se a identidade queer com alguma convicção, segurança ou autoestima. De forma parecida, O’Flynn e Epstein (2005) mostram como pouco reconhecimento social é dirigido para estudantes refugiados no Reino Unido com famílias não normativamente heterossexuais. Esses/as estudantes têm dificuldade de “expor” sua organização familiar na escola, seja para outros estudantes, seja para a escola oficial (por exemplo, dizer como seu parente mais próximo é denominado quando o casamento é polígamo ). </li></ul>Contextos, condições sociais
  24. 26. <ul><li>1 - Profissionais (de profissões de cuidado, ensino ou assistência médica) estão direta e ativamente envolvidos na construção da identidade de seus jovens clientes, alunos ou pacientes ao mesmo tempo em que constroem suas próprias identidades profissionais. </li></ul><ul><li>2 - Argumentamos que a prática ética com jovens em relação às suas identidades emergentes somente é realizável quando os profissionais são autoreflexivos no que diz respeito às limitações de seus próprios horizontes e estão cientes de sua parcialidade. </li></ul>
  25. 27. <ul><li>3 - O conhecimento científico é somente um modo de conhecer, mas objetiva um tipo de domínio que constrói o outro como um objeto. Esse paradigma de conhecimento é tão dominante que, com frequência, desqualifica outras formas de saber. </li></ul><ul><li>4 - Se existe preocupação com as culturas e identidades de jovens, temos que tratá-los como sujeitos e não objetos, qualificando nossos próprios preconceitos e poder mediante diálogo, bem como por meio de escuta e observação cuidadosas. Esse modelo de conhecimento como interpretação e compreensão que tenta atravessar grandes diferenças sociais tem que abrir seu caminho em uma cultura em que os jovens caracteristicamente não são ouvidos e são tratados como fontes de problemas e perigos, como vítimas ou ameaças, como portadores/as de patologias de diferentes tipos. </li></ul>
  26. 28. Osmundo de Araújo Pinho Rev. Estudos Feministas . 2005, vol. 13, n.1, p. 127-145  
  27. 29. <ul><li>Explorar desenvolvimentos do processo conhecido como reafricanização da cultura e da política em Salvador corporificados na cristalização transitória de determinada figura social conhecida como brau. </li></ul><ul><li>Discutir a consolidação de uma figura social que habita o mapa das representações de identidade da Salvador reafricanizada. (brau) </li></ul>
  28. 30. <ul><li>O brau e a máquina de guerra da reafricanização </li></ul><ul><li>Brau - incorporado como uma fronteira entre significados impostos e auto-atribuídos em disputa em interseção com sentidos historicamente determinados de identidade e de cultura negras </li></ul><ul><li>Reafricanização – Entendida como uma nova inflexão da agência social, política e cultural afrodescendente em Salvador, marcada pelo uso de símbolos ligados à africanidade e por uma interação determinada com a modernização seletiva, brasileira, caracterizada, ao mesmo tempo, pela conexão desterritorializada com fluxos simbólicos mundiais e da diáspora.  </li></ul><ul><li>Aspectos desterritorializantes </li></ul><ul><li>Máquina de Guerra – arborescente (que tem quase a forma) </li></ul>
  29. 31. <ul><li>“ Culturas” funk, reggae e soul – papel determinante como co-participantes do processo mais amplo da reafricanização. </li></ul>
  30. 32. <ul><li>Gênero: não existe uma forma natural de masculinidade, mas muitas masculinidades eventualmente conflitantes, cujas clivagens mais significativas seriam entre homens gays e heterossexuais e entre brancos e negros. </li></ul><ul><li>Para cada contexto sócio-cultural elegem-se modelos de home aceitáveis e valorizados assim como aqueles desprezados. (Andrea CORNWALL e Nancy LINDSFARNE, 1994; e Michael KIMEL, 1998.) </li></ul>
  31. 33. <ul><li>Segundo Franz Fanon: - “No mundo branco, o homem de cor encontra dificuldades na elaboração de seu esquema corporal. O conhecimento do corpo é uma atividade unicamente negadora. É um conhecimento em terceira pessoa” (1983, p. 92) </li></ul><ul><li>Segundo Donna HARAWAY, 1991 - “O cyborg – manifesto utópico para o século XXI que desafia a política radical e feminista que incorpora as alterações da corporalidade e da ética “natural” ligada ao corpo na transição para o século XXI como uma forma de desafios significados – o código – em sociedades de alta mediação tecnológica” </li></ul><ul><li>A reafricanização tem dado nova inflexão às formas tradicionais de intervenção crítica afrodescendente, assim como para a tradição contracultural da diáspora. O gesto negro como ato subversivo, encarnado na performance do brau, revela o corpo negro como um não-ser, uma fronteira variável e em disputa. (Judith BUTLER, 1999.) </li></ul>
  32. 34. <ul><li>ALTMANN, Helena; SOUSA, Eustáquia Salvadora. Meninos e meninas: expectativas corporais e implicações na educação física escolar. In : Cadernos Cedes , ano XIX, n. 48, 1999. </li></ul><ul><li>______. A sexualidade adolescente como foco de investimento político-social. In: Educação em Revista . 2007, n.46, pp. 287-310. </li></ul><ul><li>BRITZMAN, Deborah P. O que é esta coisa chamada amor: identidade homossexual, educação e currículo. In : Educação & Realidade , 21(1): 71-96, jan./jun. 1996. </li></ul><ul><li>CARRARA, Sérgio; RAMOS, Silva. A constituição da problemática da violência contra homossexuais: a articulação entre ativismo e academia na elaboração de políticas públicas. In : PHYSIS : Revista Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 16(2): p. 185-205, 2006. </li></ul><ul><li>CARVALHO, Marília Pinto de; SOUZA, Raquel; OLIVEIRA, Elisabete Regina Baptista de. Jovens, sexualidade e gênero. In : O estado da arte sobre a juventude na pós-graduação brasileira : educação, ciências sociais e serviço social (1999-2006). v. 1. Belo Horizonte: Argvmentvm, 2009. </li></ul><ul><li>FERRARI, Anderson. “Esses alunos desumanos”: a construção das identidades homossexuais na escola. In : Educação & Realidade , 28(1): p. 87-111, jan./jul. 2003. </li></ul><ul><li>GUIMARÃES, Carmen Dora. O homossexual visto por entendidos . Rio Janeiro: Editora Garamond, 2004. </li></ul><ul><li>LOURO, Guacira Lopes. Pedagogias da sexualidade. In : ______. (Org.). O corpo educado : pedagogias da </li></ul><ul><li>sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. </li></ul><ul><li>______. Currículo, gênero e sexualidade: o “normal”, o “diferente” e o “excêntrico”. In : ______. NECKEL, Jane Felipe; GOELLNER, Silvana Vilodre (Orgs.). Corpo, gênero e sexualidade : um debate contemporâneo na educação. Rio de Janeiro: Vozes, 2003. </li></ul><ul><li>NUNAN, Adriana. Homossexualidade : do preconceito aos padrões de consumo. Rio de Janeiro: Caravansarai, 2003. </li></ul><ul><li>MOTT, Luiz. Em defesa do homossexual. In : Enciclopédia digital direitos humanos . 2. ed. Natal: CENARTE, 2005. CD-ROM. </li></ul><ul><li>WELLER, Wivian. Juventude e diversidade: articulando gênero, raça e sexualidade . In: I Colóquio Luso-Brasileiro de Sociologia da Educação, 2008, Belo Horizonte. In: ANAIS DO I COLOQUIO LUSO-BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA DA EDUCACAO – Família, Escola e Juventude: olhares cruzados Brasil/Portugal. Belo Horizonte, 2008, p. 1-16. ISBN: 978-85-99372-93-7 </li></ul>

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