Til José de Alencar

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Til José de Alencar

  1. 1. José de Alencar
  2. 2. Romance Regionalista “Como no caso do romance histórico, não é a realidade, a verdade em si, que atrai o romancista, e sim o tema que possibilite dar larga fantasia, ao seu estilo épico e ao desejo de lançar os fundamentos de uma literatura nacional.” (http://netopedia.tripod.com/arte/alencar.htm) Planalto Paulista do século XIX
  3. 3. Romance - Novela Til seguiu o formato do Folhetim, gênero segredos característico do século XIX. Publicado inicialmente no jornal “A República”, entre novembro de 1871 e março de 1872. intertextualidade com as tragédias gregas
  4. 4. Estratégia narrativa Os capítulos são curtos e terminam num momento de climax. O autor cria clima de suspense e ações sombrias. O enredo é composto por muitas aventuras e momentos de tensãoO que era o folhetim?“Estas histórias de leitura rápida eram publicadas todos os dias nos jornais em espaços determinados edestinados ao entretenimento; era o Folhetim, gênero [que], ocasionou a criação de inúmeros jornais diários,encontrou amplo espaço de publicação na capital do Império, e no interior do país.A leitura das publicações de romances de folhetim e muitos outros costumes influenciaram de uma maneiramarcante a formação da identidade nacional brasileira, que assimilava os modelos europeus e os adaptava aonosso cotidiano, em um momento de construção do estilo de vida que estava sendo adotado pelo povobrasileiro.”
  5. 5. O narrador A narração do romance é feita em terceira pessoa. O narrador é ONISCIENTE: ele conhece, sabe todos os pensamentos e planos dos personagens e os revela ao leitor. Não é um personagem e nem um simples espectador.
  6. 6. O estilo do autor O estilo de Alencar em Til não é “O viço da saúde rebentava-lhes no encarnado das faces, mais diferente daquele já experimentado em aveludadas que a açucena outras obras como Iracema: é escarlate recém aberta ali carregado de sentimentalismo, com os orvalhos da noite. muitas descrições e uso exagerado de fresco sorriso dos adjetivos. lábios, como nos olhos límpidos e brilhantes, Uso de neologismos e palavras brotava-lhes a seiva d’alma. regionais. Ela, pequena, esbelta, ligeira, buliçosa, saltitava sobre a relva, gárrula e A leitura provoca no leitor sentimentos cintilante do prazer de pular e controversos: conformismo, piedade, correr; saciando-se na delícia indignação, raiva e até mesmo o inefável de se difundir pela criação e paradoxo da satisfação por uma sentir-se flor no regaço daquela vingança. natureza luxuriante.” (Til, cap. I)
  7. 7. Estrutura da obra Apresentação das personagens e das tramas. (31 capítulos) A obra é dividida em duas partes Revelações e desembaraços das tramas apresentadas (31 capítulos)
  8. 8. O espaço Tudo acontece em um lugar chamado Santa Bárbara, próximo a Campinas no estado de São Paulo, mas o romance faz referência também à cidade de Itu; à Vila de Piracicaba e à fazenda do Limoeiro. A floresta, assim como o bar à beira da estrada,o Bacorinho e o lugar chamado Ave- Maria são recursos particulares dentro do romance. “Cerca de uma légua abaixo da confluência do Atibaia com o Piracicaba, e à margem deste último rio, estava situada a fazenda das Palmas. Ficava no seio de uma bela floresta virgem, porventura a mais vasta e frondosa, das que então contava a província de São Paulo, e foram convertidas a ferro e fogo em campos de cultura. Daquela que borda as margens do Piracicaba, e vai morrer nos campos de Itu, ainda restam grandes matas, cortadas de roças e cafezais” ( ALENCAR, José. Til. Capítulo IV)
  9. 9. O tempo “O tempo predominante é o PSICOLÓGICO. O narrador utiliza disfarces físicos e mudança de nomes em seus personagens. De acordo com a chegada de cada personagem na trama, o tempo é manejado pelo narrador que torna o tempo passado sempre presente”. (por Vera Silva)
  10. 10. Personagens Berta, Inhá ou Til é a protagonista, filha bastarda de um fazendeiro com uma pobre moça da vila (Besita-morta por vingança). Til foi criada por nhá Tudinha. Altruísta, preocupa-se com todos, é caridosa e não se afasta das pessoas marginalizadas. A dualidade dessa personagem fica explícita no modo como é chamada: Miguel a trata por “Inhá”, e Brás a trata por “Til”.Miguel é filho de nhá Tudinha, irmão de criação de Berta e secretamenteapaixonado por ela. Sendo pobre, Miguel ascende socialmente através doestudo, e une-se a Linda que sempre fora apaixonada por ele, mas via seu amor impedido pela diferença social.
  11. 11. Linda : menina educada aos moldes da corte, mas mesmo assim, junto ao irmão Afonso faz amizade com Berta e Miguel, jovens de outra classe social.Afonso, irmão de Linda.Conquistador e apaixonado por Til semsaber que ela é sua irmã ilegítima, fruto de uma aventura deseu pai com Besita (mãe de Til). Luís Galvão é rico fazendeiro, pai de Linda e Afonso, mas que no passado viveu aventuras amorosas .Seduziu Besita recém- casada com Barroso. Dessa aventura, nasceu a protagonista da história: Til. D. Ermelinda – esposa de Luís Galvão, muito elegante e educada, mas não muito bela. Ao descobrir sobre o passado de seu marido se entristece, mas quando ele confessa (no final do romance) ela o apoia a reconhecer Berta como filha.
  12. 12. Jão Fera: espécie de capanga de Luís Galvãodesde sua juventude ; era apaixonado pela mãede Til.Jurou vingar a morte dela (Besita), esalvou a vida de Berta ainda bebê. Brás : um sobrinho (epilético e retardado mental) de Luis Galvão; na casa grande sua presença era desprezada. Apaixonou-se por Berta que nunca o destratou e tentava ensiná-lo a ler, escrever e rezar. O apelido de Berta (Til) surgiu numa dessas aulas. Zana: negra que trabalhava para a mãe de Til e presenciou os fatos que levaram ao assassinato.Enlouqueceu e todos os dias repetia suas ações no dia da morte da patroa. Barroso ou Ribeiro – casou-se com Besita, mas na noite de núpcias a abandonou e ficou muito tempo longe; quando voltou, viu sua esposa com um bebê, e planejou se vingar: mataria Luís Galvão, Besita e Berta; assassinou esposa, mas Jão Fera conseguiu salvar o bebê ( Berta).
  13. 13. Tema do romance Til foi publicado em um momento (1872) em que ferviam discussões sobre a exploração do chamado "elemento servil" e em que a literatura buscava fundamentar-se em elementos genuínos. Alencar discute o tratamento dispensado aos escravos e à escravidão no romance , gênero que, para ele, devia constituir uma "fotografia da sociedade". (SILVA, Hebe Cristina da Marcia A. de Abreu Ms UNICAMP 2005 Título:Imagens da escravidão : uma leitura de escritos politicos e ficcionais de Jose de Alencar)
  14. 14. Contexto histórico No ano de publicação da obra, o Brasil estava às voltas com a aprovação da Lei do Ventre Livre (1871), que garantia a liberdade a filhos de escravos nascidos no Brasil.
  15. 15. Verossimilhança A valorização do interior do país e da vida bucólica surgem como respostas a um país onde as cidades já começavam a ganhar maior importância, como Alencar nos mostra ao citar Campinas, Itu e outras referências como o Rio Piracicaba .
  16. 16. Heroísmo fantástico A ação das personagens é carregada de coragem e idealismo exagerados, o que contribui para o caráter fantástico: Jão Fera, por exemplo, consegue vencer uma manada de Caitetus com Berta sobre os ombros e ainda salva o Pai-Quicé; Em outra passagem, ele se entrega à prisão e consegue sair livre.
  17. 17. Til x IracemaEm ambos , a personagem protagonista é uma mulher Til, a protagonista e ótima representação de heroína romântica: sofredora, corajosa, decidida, mas ao mesmo tempo dócil, meiga e sonhadora. Porém, o que chama mais atenção na menina não é sua beleza (como em Iracema), mas sim sua caridade, seus valores e sua dedicação para com os excluídos.
  18. 18. a visão da mulher Til é sempre comparada a flor, e seu amadurecimento corresponde ao desabrochar dessa flor. Repare: No capítulo I: "Eram dois, ele e ela, ambos na flor da beleza e mocidade“ No capítulo XXXI: “Como as flores que nascem nos despenhadeiros e algares, onde não penetram os esplendores da natureza, a alma de Berta fora criada para perfumar os abismos da miséria, que se cavam nas almas, subvertidas pela desgraça.”
  19. 19. a nova mulher Alencariana No Romantismo, a figura feminina é uma subversão da tradição de passividade, e as personagens femininas são ambíguas, com dualidades de caráter, que as fazem equilibrar a antítese entre a mulher anjo e a mulher demônio (ambas idealizadas). Berta desfaz o modelo tradicional , e inova o comportamento feminino porque decide ficar sozinha e não se casar, o que mostra uma mulher que segue as próprias escolhas e faz o próprio destino (diferente do que ocorreu com Besita, sua mãe ).
  20. 20. a dualidade romântica Til Berta mulher anjo frágil menina demônio forte “ Aquela alma tem facetas como o diamante; iria-se e acende uma cor ou outra, conforme o raio de luz que a fere. Contradição viva, seu gênio é o ser e o não ser. Busquem nela a graça da moça e (...) a imagem da mulher despontará em toda sua esplêndida fascinação. A antítese banal do anjo-demônio torna-se realidade nela, em quem se cambiam no sorriso ou no olhar a serenidade celeste com os fulvos lampejos da paixão(...)” cap. III
  21. 21. Personagens dinâmicas Luís Galvão Jão Fera jovem pai de facínora nobre inconsequente família assassino salvador vingativo defensor Miguel indeciso determinado
  22. 22. a descrição regional A obra descreve a vida do caipira do interior de São Paulo linguístico cultural no século XIX em vários aspectos: social comportamental
  23. 23. aspecto linguístico o vocabulário regional e as fala do caipira e do escravo.Observe o modo de falar de um escravo:“- Branco está de orelha em pé; poisolha, Monjolo é negro de bem; quandoele dá sua palavra e aperta dedomindinho, está acabado, é como rabo de “Dirigiu-se ao tronco e arrancou a faca,macaco: quebra, mas não solta galho, depois de esmagar a cabeça da urutu.por nada desta vida, nem que arrebente.” - Que diabo é isso? perguntou o embuçado.(cap.IV) - Não vê? retorquiu Jão limpando nas ramas a folha da faca. - Agora penetro porque o diabo do ruço pinchou-me!”(cap.VI)
  24. 24. aspecto culturalos costumes da regiãoFestas e danças
  25. 25. as diferenças de classes da épocaaspecto social (escravos, capangas, pobres e ricos donos de terras).
  26. 26. aspecto comportamental o namoro da época, a educação e os segredos de família.“Afonso, este namorava Berta às escâncaras, com o recacho e brinco próprios de seugênio. Essa mesma sinceridade e desplante de seu afeto eram véu para ocultá-lo aolhos suspicazes. Quem o via sempre a gracejar com a menina, acreditava que isso nãopassava de travessura de moço folgazão sem tinta de malícia.Linda, quando os olhos de Miguel pousavam-lhe na face, corava e sentia o tímidocoração bater apressado. Não raro, o instinto de delicadeza que recebera de sua mãe,advertia-lhe da distância que separava dela o moço pobre e de mesquinha condição.”(cap XII)
  27. 27. Romance Abertoo desfecho O leitor pode continuar imaginando uma sequência mesmo após o final do romance.Após a revelação, LuísGalvão quis assumir-lhe a paternidade, mas Til não aceitou. “Não, Miguel. Lá todos são felizes! Meu lugar é aqui, onde todos sofrem.” (cap.XXXI)
  28. 28. Fontes•http://www.tirodeletra.com.br/academia_autores/JosedeAlencar.htm•http://verasilvaletras.blogspot.com.br/2011/10/romance-de-jose-de-alencar-til-analise.html•http://www.abcdamedicina.com.br/til-de-jose-de-alencar-resumo-caracteristicas-da-obra-personagens.html•http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2012/02/24/913532/estude-os-livros-obrigatorios-da-fuvest-e-unicamp-2013-til-jose-alencar-PRINTABLE.html•http://educacao.uol.com.br/portugues/til-ambientado-no-interior-de-sp-romance-integra-fase-regionalista-de-jose-de-alencar.jhtm•http://livraria.folha.com.br/catalogo/1177661/til•http://www.skoob.com.br/livro/resenhas/17790/mais-gostaram/•http://www.apropucsp.org.br/apropuc/index.php/revista-cultura-critica/36-edicao-no07/290-a-singularidade-de-capitu-ou-capitu-e-as-outras•www.caminhosdoromance.iel.unicamp.br/estudos/.../ana_reis.doc Pesquisa e Organização Profa. Cláudia Heloísa C. Andria Contato: clauheloisa@yahoo.com.br

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