O corte desemprego e exclusão levando um cidadão ao limite

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O corte desemprego e exclusão levando um cidadão ao limite

  1. 1. O Corte desemprego e exclusão levando um cidadão ao limite.O cineasta Costa-Gavras é conhecido por filmes políticos como Desaparecido ("Missing" de 1982, que recebeuindicações ao Oscar incluindo melhor filme e levou o de roteiro adaptado) e o recente Amém, que lidavacom a omissão da igreja ao Holocausto. Em O Corte, ele lida com a questão do capitalismo, ganânciacorporativa e do desemprego, mas utilizando a melhor forma de crítica, a comédia. Mais precisamente ohumor-negro.Bruno Davert, um executivo da indústria de papéis, está a dois anos sem conseguir emprego e ao ver suaseconomias chegarem ao fim sente que seu estilo de vida está ameaçado. Isso acaba fazendo com que Brunoenlouqueça e comece a traçar um mirabolante plano para recuperar seu emprego: assassinar o homem queficou no seu lugar e todos os possíveis concorrentes. Qualquer semelhança com a recente situação dabrasileira que mandou matar sua concorrente ao emprego é mera coincidência, mas acaba por trazer ahistória, por mais absurda que seja, mais próxima de nós. O filme alterna as incursões criminosas de nossoanti-herói com uma outra empreitada igualmente complicada, que é manter sua família na ignorância eunida apesar da crise.As investidas do desajeitado serial killer rendem risadas e é notável como Gavras sustenta o humor e osuspense após tantos anos de filmes densos e sérios, aqui ele se diverte, inclusive brincando com clichês defilmes americanos como o noticiário de televisão que sempre fala sobre o assunto do filme na hora que ospersonagens principais estão vendo, ou ao exagerado product placement que pontua o filme inteiro mas vocênunca sabe exatamente que produto é. Dividindo boa parte dos méritos está a ótima atuação de José Garcia,que com sua aparência mediocre e ótimo timing consegue convencer a platéia como cidadão comum levadoàs últimas consequências, mesmo que a verossimilhança de alguns acontecimentos seja duvidosa. Acho quetodo mundo que já esteve desempregado por um longo período vai se identificar com o drama e (espero) rircom Bruno.O Corte só peca por se estender mais do que o necessário, o filme se beneficiaria de uns bons 20 ou até 30minutos menos. Felizmente ele consegue prender a atenção e ainda tecer um ácido comentário sobre onosso tempo, onde o homem vale apenas pelo dinheiro e as coisas que possui. O filme chegou a receber duasindicações ao César, melhor ator para José Garcia e melhor roteiro adaptado.

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