Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Segurança Com Trataor

19,126 views

Published on

Published in: Education

Segurança Com Trataor

  1. 1. Neste capítulo, contamos coma colaboração do Eng. AgrônomoMauro F. Meza Montalvo.O trator presta serviços inestimáveis ao homem do campo mas também é fonte de muitos acidentes, alguns dos quais conduzem a morte do operador e de terceiros. O uso indevido do trator agrícola pode ocasionar riscos de acidentes de tres naturezas: relacionados ao terreno onde opera (AMBIENTE); provocados pelo trator em si (AGENTE); e/ou pela imperícia ou desconhecimento do operador (HOMEM). FATORES HUMANOS NOS ACIDENTESNa maioria das ocorrências o acidente é a evidência do erro humano.Quase sempre o erro humano resulta em custosos danos ao equipamento e na perda de tempo para os reparos. Uma máquina pode ser reparada ou substituída; o que nem sempre é possível quando o erro causa um dano ao corpo humano. Os principais fatores que causam esses êrros são:falta de atenção fadiga preocupação falta de treinamento incompatibilidade homem-máquina outros As limitações humanas que influem nos acidentes podem ser classificadas em:Físicas Fisiológicas e Psicológicas. Fatores Físicos:As características físicas ou as limitações de uma pessoa, podem ser comparadas às especificações de projeto de uma máquina --- seu tamanho, peso, potência, voltagem, etc. --- coisas que não são mudadas facilmente. Se você reconhece as suas limitações físicas e trabalha dentro delas, você terá menos acidentes do que alguém que tenta trabalhar além dos seus limites. Assim você terá melhor controle do ambiente e da máquina que você opera. Você será capaz de evitar acidentes mais facilmente. Força left0Algumas pessoas são mais fortes do que outras. Um homem pode ser capaz de mover uma escada pesada com segurança, mas isso pode ser perigoso para alguém mais baixo ou mais fraco, com o risco de atingir uma segunda pessoa. Conheça os seus limites de força e peça ajuda se precisar !Os músculos representam cerca de 45% do peso do corpo. Quando em trabalho, eles convertem a energia química dos alimentos em energia mecânica. A quantidade de energia utilizada, depende do tamanho e estado atual dos músculos, do suprimento de sangue, temperatura, respiração e do tipo de trabalho executado.Uma estimativa prática da habilidade humana de trabalhar continuamente é de cerca de 1/10 a 1/5 HP (cavalos de força = Horse Power, em Inglês). Precisa-se de 1/10 HP para acender uma lâmpada incandescente de 75 watt. Para trabalhar com segurança, evite a fadiga muscular: 1 - Trabalhe em posição confortável. Quando o assento está alto, a pressão nos músculos da coxa podem provocar caimbras. 2 - Opere dentro das suas limitações. Não exija demais dos seus músculos. As máquinas simples, como as alavancas e chaves de boca, foram criadas justamente para multiplicar a força do homem: use-as sempre que precisar. 3 - Mantenha-se em movimento constante. O movimento do corpo no trabalho dinâmico ajuda a circulação sanguínea, exercita uma grande variedade de músculos e é mais indicado do que o trabalho parado ou com menos movimento. 4 - Faça pausas frequentes e curtas. Elas são mais eficazes na recuperação das energias, do que as longas e raras. Tempo de reação O tempo de reação ou reflexo do indivíduo tem início com uma mensagem enviada ao cérebro e termina quando o corpo executa uma resposta ou reação física. Por exemplo, quando o tratorista avista um obstáculo (a mensagem), isso é registrado no cérebro e resulta numa reação ao perigo: numa freiada, desvio do obstáculo ou outra manobra apropriada. Para que o cérebro receba a mensagem e diga ao corpo para executar uma ação leva tempo --- o tempo de reação. O melhor tempo de reação do homem é lento, quando comparado com a alta velocidade da máquina. O tempo de reação humana é de cerca de 1/3 de segundo, sob condições ideiais. Vide a figura abaixo: Da ilustração acima concluimos que:a) a reação do tratorista sóbrio dará tempo para evitar o perigo, parando à tempo;b)no caso do tratorista cansado, o longo tempo de reação, fará com que pare o trator quase em cima do obstáculo; ec)o tratorista doente, embreagado ou intoxicado, não evitará um acidente (às vezes) grave. Pense em como você reagiria às várias situações de emergência, antes que seja submetido a elas. Isso pode ajudá-lo a reagir mais rápido nessa emergência. Sabendo que o cansaço e o álcool, por exemplo, diminuem o seu tempo de reação, evite-os quando for dirigir o trator. Peso e tamanho A estatura de uma pessoa geralmente determina os tipos de trabalho que ela pode realizar com segurança. Considere as diferenças em tamanho do corpo de um jóquei e de um jogador de basquete. Embora esses sejam os casos extremos, ninguém se ajusta exatamente às dimensões médias. É porisso que os assentos de muitas máquinas são ajustáveis. Esteja certo de manter o seu ajustado --- para você. Assim você ficará mais confortável, eficiente e alerta. O painel de controle e a localização dos comandos têm um efeito significativo no seu desempenho e segurança na condução da máquina. Idade As habilidades físicas variam com a idade, atingindo geralmente o ideal entre 25 e 30 anos e, a partir daí, diminuindo progressivamente. Assim, a visão, a audição e a força física diminuem com a idade. Em estudo realizado nos Estados Unidos, ficou provado estatisticamente que, entre os jovens menores de 16 anos e os idosos maiores de 65 anos de idade, ocorrem a maioria dos acidentes com equipamento agrícola. Visão Mais de 90% do nosso trabalho é controlado pelos olhos. Contudo ela tem as suas limitações e necessita de proteção e de cuidados. A boa visão depende:da intensidade de luz adequada ao tipo de trabalho do tamanho visível do objeto focalizado da cor e contraste do objeto e o fundo da estabilidade do objeto focalizado e da claridade e nitidez do objeto. Fatores Fisiológicos:Nosso corpo tem certas características e limitações de ordem fisiológica. Algumas delas são: tono muscular e força; eficiência metabólica (quanto de alimento é usado para fazê-lo funcionar); sua resistência a certas doenças; e as horas de sono e de descanso que são exigidos pelo seu corpo. Limitações fisiológicas como essas são comparáveis ao desempenho de uma máquina: quanto de combustível ela consome; a temperatura de operação; as ligações do sistema elétrico; etc. Estas limitações variam muito entre as diferentes pessoas e podem variar, na mesma pessoa, de dia para dia. Os limites fisiológicos são afetados por:fadiga drogas, álcool e fumo produtos químicos (agrotóxicos) doenças e condições ambientais: temperatura, umidade, vibração, ruído, poeira, etc. Fatores Psicológicos:A segurança e o desempenho pessoal dependem grandemente dos fatores psicológicos. Neste aspecto, as pessoas são muito diferentes das máquinas. O homem tem emoções e sentimentos --- as máquinas não. Os problemas psicológicos resultam de uma série de situações:conflitos pessoais --- confusão e incerteza na mente do indivíduo tragédia pessoal --- a perda de um amigo ou parente problemas interpessoais --- problemas em casa, atrito entre pessoas problemas profissionais --- dificuldades no serviço dificuldades financeiras a insegurança (ou introversão) --- impede o indivíduo de solicitar informações que seriam úteis à prevenção de acidentes. Os resultados dos problemas emocionais --- que causam reações de cólera, retaliação, desatenção a detalhes, como não observar avisos importantes (as placas de sinalização, por exemplo) --- criam situações de acidentes.Os riscos relacionados com o HOMEM que opera o trator dizem respeito ao desconhecimento da máquina em si ou à imprudência, motivada muitas vezes pela autoconfiança. Isto confirma a definição de Acidente: que é a evidência do erro humano. Vejamos alguns exemplos: 1 - Acessar o trator pelo lado esquerdo, pois os controles do hidráulico, o acelerador de pé e os freios estão localizados no lado direito, evitando-se assim esbarrar acidentalmente nos pedais e alavancas. 2 - Antes de dar partida, coloque todos os controles de marcha e alavancas do hidráulico no ponto neutro.Ajuste o assento do veículo, de maneira a realizar o seu trabalho, comodamente.Não dê partida, antes de testar os controles.Veja se não há pessoas (ou obstáculos) próximos ao trator, quando você for colocá-lo em funcionamento.<br />right0O lugar onde o trator é ligado, se for galpão, deve ter boa ventilação. A fumaça do escapamento (Monóxido de Carbono), em lugares fechados, pode até levar pessoas à morte.<br />Não deixe as chaves no contato. <br />left03 - Sempre que possível, trafegue nas estradas com os pedais de freio unidos para que, quando acionados, freiem as duas rodas trazeiras por igual. Destrave quando for trabalhar no campo, para facilitar as manobras de volta. Estacionar sempre o trator com os pedais unidos e travados e com o estrangulador puxado.Não descanse o pé sobre o pedal da embreagem, pois isto acarretará um desgaste prematuro da embreagem.Nas manobras em campo de terra solta, fazer uso dos freios para auxiliar a direção, porém sem exageros.Não deixe: terra, graxa, barro ou qualquer outro material escorregadiço acumulado na plataforma, estribos ou pedais do trator.Calce e freie o veículo, quando estiver parado, tanto em descidas como em subidas.Pare e freie o trator, antes de descer dele. <br />right04 - Ao trabalhar em terrenos declivosos, deve-se observar: <br />a) não efetuar mudanças de marcha com o trator em movimento, especialmente em subidas e descidas ou tracionando cargas;<br />b) não descer declives com o pedal da embreagem pressionado ou com o câmbio em ponto morto;<br />c) nas descidas, usar sempre a mesma marcha que seria usada para vencer o aclive;<br />d) calce e freie o trator, e retire as chaves da ignição quando estiver parado, tanto em descidas como em subidas;<br />e) nas subidas pronunciadas (mais de 12% de declive), recomenda-se fazê-lo em marcha-a-ré, por questões de segurança. <br />left05 - Não trabalhe próximo a barrancos ou valas profundas, pois poderá haver desmoronamento ou deslizamento.No caso de choque ou tombamento, desligue imediatamente o motor pois, do contrário, poderá haver início de incêndio.Ao trabalhar em terrenos acidentados, afaste as rodas trazeiras do trator, aumentando a distância entre elas. Isso evita seu tombamento lateral.Não passe sobre terreno acidentado, obstáculos, rochas, valetas, etc.; o trator poderá tombar e causar acidentes.Ao desengatar máquinas e implementos de um trator, principalmente em subida, verifique se os mesmos estão corretamente calçados.Para trabalhar com segurança, perto de barrancos ou valas, mantenha uma distância de pelo menos, a altura do barranco ou vala, entre o trator e o início da ribanceira.right0Utilizar sempre a barra de tração para reboque, e nunca o braço superior do hidraúlico (3o. ponto).Necessitando fazer qualquer serviço no implemento que esteja acoplado ao engate de 3 pontos do sistema hidráulico do trator, deve-se colocar um cavalete para escorar o mesmo. Não confiar no sistema hidráulico.Ao trabalhar com implementos pesados, use pesos na parte dianteira do trator, nas rodas ou no chassis. Isso evita o empinamento.Quando for puxar máquinas, caminhões, etc., verifique se o cambão está bem fixo em ambos os veículos. Não faça rebocamentos com correntes ou cabos de aço pois, se o veículo atolado sair de uma vez, fatalmente irá atropelar o trator que o está rebocando.Em caso de atolamento do trator, não utilize toras na frente das rodas (atoladas), pois elas podem ser lançadas pelo movimento das rodas, nas costas do tratorista. <br />left06 - Quando estiver usando roupas soltas ou folgadas, não se aproximar de polias ou do eixo da TDP, quando estes estiverem em movimento.Desligar sempre o eixo da tomada de potência quando for inspecionar a mesma, principalmente quando esta estiver com implementos acoplados ao trator.Ao usar implementos movidos pela tomada de força do trator, coloque a proteção adequada. Nunca trabalhe sem ela !Antes de ligar a tomada de força verifique, com as mãos, se esta proteção gira livremente.Quando não for mais utilizar a tomada de força, recoloque sua tampa de proteção.Não faça nenhuma espécie de manutenção, enquanto o motor estiver funcionando. <br />right07 - Não improvisar " macacos" para consertos ou reparos e nem para erguer ou abaixar tratores ou máquinas agrícolas.Ao parar o trator com implementos acoplados ao sistema de levante hidráulico, abaixar o hidráulico. <br />8 - Não transportar pessoas (" caronas" ) sobre o trator, a não ser que haja lugar adequado, oferecendo segurança aos passageiros e ao tratorista.<br />Os tratores mais modernos, como o da foto ao lado, da Caterpillar, possuem um segundo assento, para treinamento em serviço e, também, cintos de segurança. <br />Observe, também, que a cabine é fechada e envidraçada, proporcionando conforto térmico (ar condicionado), acústico (diminui ruido do motor) e ambiental (sol, poeira, chuva, etc.). <br />right09 - Utilizar durante a jornada de trabalho, equipamento de proteção individual - EPI (protetor auricular), que pode ser um abafador de ruído tipo " concha" , como o de inserção no ouvido, tipo plug (protetor auditivo de espuma moldável com cordão).Há Normas (NR15 - Anexo 1) que regulamentam o tempo de trabalho, de acordo com o nível de ruído do trator. E lembre-se de que, quanto mais velho for o trator, mais barulho ele faz. <br />right010 - Só verifique o nível da solução da bateria com lanterna ou luz do sol.Não use chamas para iluminar e nem fume próximo à bateria pois elas contêm ácido sulfúrico e gases explosivos (Hidrogênio) ! A explosão pode resultar de faíscas, chamas ou ligações erradas dos cabos.Nunca colocar objeto metálico sobre a bateria, o que poderá provocar um curto-circúito e/ou explosão da mesma.Antes de consertar o sistema elétrico ou fazer uma revisão geral, veja se os cabos da bateria já foram desligados. E se não foram, desligue-os.Tomar cuidado para não ingerir, derramar na pele, nos olhos ou nas roupas, o líquido contido no interior das baterias (ácido sulfúrico) , que pode ocasionar graves queimaduras. <br />11 - Ao retirar a tampa do radiador (depois de esfriado o motor), deve-se girá-la até a 1a. posição, para aliviar a pressão do sistema; em seguida, girá-la para o 2o. estágio, só então retirando a tampa. Tal procedimento se deve ao fato de que o líquido arrefecedor do radiador poderá transbordar sob alta pressão. Se a tampa for removida rapidamente, ocasionará graves queimaduras. <br />left012 - Não dirigir em velocidades excessivas, pois o trator, como o seu nome indica, foi projetado para tracionar. Reduzir a rotação do motor ao efetuar as curvas nas cabeceiras do campo. Não usar a embreagem para diminuir a velocidade.Antes de trafegar em auto-estrada, verifique se o trator está em boas condições: sistema de iluminação, freios travados, etc. <br />Lembrete: Para reduzir a velocidade do veículo nas curvas, não use a embreagem. Diminua a aceleração do motor. <br />right013 - Ao interromper um trabalho, ainda que por pouco tempo, apóie o implemento no solo.Durante as manobras com implementos rebocados (como o da foto), não faça curvas muito fechadas, pois o implemento poderá danificar a roda trazeira.Um implemento bem regulado e bem conservado, tem seu peso suficiente. Por isso, não deixe que pessoas subam no implemento para servirem de contrapeso.Use sacos de areia para servir de contrapeso.Preste muita atenção aos obstáculos existentes nos lugares de trabalho. Eles podem danificar o implemento e provocar o tombamento do trator. <br />Lembrete: Nunca dê carona sobre o implemento !<br />O risco relacionado ao AMBIENTE onde opera o trator diz respeito: <br />Acionamento do motor em ambientes fechados; <br />Piso contendo óleo derramado e graxa; e <br />Operação em terrenos declivosos ou com depressões. <br />Quando o motor é ligado em ambientes fechados, como as oficinas e galpões, desprende monóxido de carbono e outros gases tóxicos, que podem envenenar quem estiver no recinto. <br />O piso onde é guardado o trator, deve ser mantido livre de óleo derramado e de graxas, que podem provocar escorregões e contusões, devido a quedas.<br />Cuidado ! Pisos oleosos e molhados são escorregadiços e os trapos sujos de graxa são materiais fáceis de provocar incêndio.Atenção, também, com as poças de água, quando você trabalhar com equipamentos elétricos. <br />left0A operação de tratores em terrenos muito inclinados, pode provocar o seu tombamento, pois o centro de gravidade dessas máquinas é muito alto.Outros cuidados que o tratorista deve ter ao operar em terrenos inclinados são:1 - A utilização correta das marchas ajuda os freios a conter o trator em descida, principalmente quando engatado de implemento, carreta, etc.<br />2 - Ao desengatar máquinas e implementos de um trator, principalmente em subida, verifique se os mesmos estão corretamente calçados;<br />3 - Afaste as rodas trazeiras do trator, aumentando a distância entre elas, para evitar o tombamento lateral;<br />right04 - Nunca use o ponto morto, principalmente em descidas;<br />5 - Utilize a embreagem de forma suave e devagar, especialmente em subidas; <br />6 - Não passe a marcha durante uma subida ou descida, mas sim antes de iniciá-las; <br />7 - Calce e freie o trator, quando estiver parado, tanto em descidas como em subidas; <br />8 - No caso de choque ou tombamento, desligue, imediatamente, o motor. Caso contrário, poderá haver início de incêndio;<br />9 - Não trabalhe próximo a barrancos ou valas profundas. Se tiver de fazê-lo, mantenha uma distância de, pelo menos, a altura do barranco ou vala, entre o trator e o início da ribanceira.<br />O trator é uma máquina que, por si só, é a causa de ruídos e vibrações, que agindo sobre o operador em jornadas prolongadas, entorpeça os sentidos, retardando as reações do tratorista e provocando acidentes. left0As partes do trator responsáveis por ruídos são: o escapamento de gases, o motor, a ventoinha e os implementos, nesta ordem. A NR-15 - ANEXO No. 1 apresenta os seguintes LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE [em dB (A)], ou seja, a máxima exposição diária permissível: 85 dB ---> 8 horas86 dB ---> 7 horas87 dB ---> 6 horas88 dB ---> 5 horas89 dB ---> 4 horas e 30 minutos90 dB ---> 4 horas91 dB ---> 4 horas92 dB ---> 3 horas93 dB ---> 2 horas e 40 minutos94 dB ---> 2 horas e 15 minutos95 dB ---> 2 horas96 dB ---> 1 hora e 45 minutos98 dB ---> 1 hora e 15 minutos100 dB ---> 1 hora102 dB ---> 45 minutos104 dB ---> 35 minutos105 dB ---> 30 minutos106 dB ---> 25 minutos108 dB ---> 20 minutos110 dB ---> 15 minutos112 dB ---> 10 minutos114 dB ---> 8 minutos115 dB ---> 7 minutos. Não é permitida exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que não estejam adequadamente protegidos. left0Quando não for possível a utilização da CONCHA ACÚSTICA ou do trator com CABINE ENVIDRAÇADA, o tratorista deve usar, pelo menos, o Protetor Auditivo de Espuma Moldável com Cordão.  <br />ACIDENTES COM TRATORES E A ESTRUTURA DE PROTEÇÃO NA CAPOTAGEM <br /> <br /> Ila Maria Corrêa¹Rosa Yasuko Yamashita²<br /> <br />Tratores agrícolas não são veículos de alta velocidade, mas, em geral, necessitam de grande potência e peso para bom desempenho das funções para as quais são destinados. Os principais riscos que podem ocorrer durante atividades envolvendo trator são: tombamento e/ou capotagem lateral, tombamento e/ou capotagem para trás, aprisionamento por peças móveis, queda do operador. O operador pode ainda estar sujeito a adquirir doenças, como perda auditiva devido ao ruído excessivo do trator; a problemas de coluna em decorrência da inadequação do posto de operação, a problemas gastrintestinais pela exposição excessiva a vibrações verticais.<br /> O tombamento é resultado da perda de estabilidade do trator o que está relacionado à distância entre eixos e à bitola utilizada. Assim, o uso de tratores estreitos oferece maior risco que os tratores convencionais.<br /> O tombamento lateral pode ocorrer em trabalhos realizados em terrenos inclinados, queda de roda em buraco no terreno, afundamento das rodas traseiras na lama, deslocamento e frenagem brusca em alta velocidade, presença de pedras e outros obstáculos que se encontrem no percurso do trator.<br /> Já o tombamento para trás normalmente ocorre quando são tracionados implementos fora da barra de tração, utilizados pontos de engate muito elevados, tentativas de puxar tocos ou outros objetos fixos com marcha para frente e carga acima do peso do trator. O tombamento para trás ocorre de forma tão rápida que o condutor muitas vezes não consegue evitá-lo. Tais situações são potencializadas quando os tratores são desprovidos de requisitos de segurança e apresentam precária manutenção (por ex., problema no sistema de freio, estrutura de proteção na capotagem (EPC) danificada).<br /> Cuidados durante a operação do trator são fundamentais para prevenir acidentes, entretanto, o trator é uma máquina naturalmente perigosa, sendo às vezes, difícil evitar o acidente por tombamento. Para essa eventualidade, pode-se pelo menos minimizá-lo com a presença da estrutura de proteção na capotagem.<br /> <br />A estrutura de proteção na capotagem (EPC) é uma estrutura montada sobre o trator com a finalidade de proteger o condutor em caso de capotagem do trator durante a sua utilização normal, garantindo um espaço seguro para o operador. Assim, ela deve ser construída de maneira que resista ao impacto do tombamento sem sofrer deformações que atinjam a zona de segurança destinada ao operador.<br />ACIDENTES COM TOMBAMENTO E/OU CAPOTAGEM<br />Apesar de não existir estatísticas sistemáticas da ocorrência de acidentes, diversas citações bibliográficas ao longo dos anos mencionam que é expressivo o índice de acidentes com tratores:<br /> <br />a) 70% dos acidentes são relacionados à capotagem (Rodrigues & Silva, 1986);<br />b) Metade dos acidentes fatais na Espanha é devido ao tombamento de tratores (Márquez, 1995);<br />c) 59,8% dos acidentes são capotagem (Debiasi, 2002);<br />d) 47,8% dos acidentes com tratores são relacionados ao tombamento (Corrêa & Ramos, 2002)<br />e) Acidentes com tratores foram a principal causa de morte (31% dos acidentes rurais) em Queensland no período de 1990-98, sendo 45,5% devido ao tombamento (Ferguson, 1999 citado por Pope, 2000).<br />f) Cerca de 250 pessoas morrem todo ano nos EUA em decorrência do envolvimento de tratores em capotagem, aprisionamento e colisões em estradas (Schenker, 2004).<br /> <br />Para quem pensa que os acidentes com tratores agrícolas é coisa muito distante, de ocorrência apenas no passado ou que acontece longe de seu meio de convívio, basta procurar na internet, relatos dos acidentes divulgados em periódicos locais. Destacam-se a seguir alguns desses casos. São todos recentes e ocorreram com pessoas jovens e velhas, com tratores de diferentes marcas, em vários municípios brasileiros e em diferentes situações.<br /> 1) Trabalhador rural morre esmagado por um trator: em acidente ocorrido em 19/05/05 um jovem de 25 anos no município de Veríssimo (MG), morre vítima de capotagem do trator. Na ocasião a vítima conduzia um trator Massey Ferguson, puxando uma carretinha com a qual iriam buscar lenha. Quando o trator se aproximou de uma descida muito íngreme da estrada vicinal, o jovem começou a descer bem devagar, utilizando a primeira marcha. Neste momento, seu companheiro resolveu descer, aproveitando que o trator estava bastante lento. Ele então presenciou o trator descendo descontrolado cerca de 100 metros capotando várias vezes até cair em uma vala atingindo o operador. <br />2) Trator esmaga o trabalhador: um agricultor de 63 anos morreu esmagado pelo trator que ele próprio conduzia. O acidente ocorreu em 16/02/2006 em Tubarão (SC). Segundo populares, o agricultor tentava subir um barranco, mas o trator virou. Ele caiu e foi esmagado. Quando os bombeiros chegaram ao local, o agricultor já estava morto.<br />3) Acidente com trator mata tratorista: um tratorista de 63 anos morreu quando o trator em que trabalhava tombou em cima dele. O acidente aconteceu em 17/02/07 na Fazenda Boa Esperança, na zona rural do distrito de Monte Verde Paulista, em Cajobi (SP). Segundo consta, o tratorista trabalhava com o trator roçando o pomar, quando o veículo caiu em uma vazante de um açude, e acabou tombando. Com isso, a capota do trator caiu sobre a cabeça do agricultor, que não resistiu e acabou falecendo no local.<br />4) Máquina tombou e atingiu a cabeça da vítima: um agricultor de 37 anos morreu depois de um acidente envolvendo um trator, em Barão de Cotegipe (RS). O acidente aconteceu em 05/07/08 quando o agricultor dirigia a máquina agrícola usada para distribuir adubo orgânico na propriedade. O trator atolou e, o agricultor tentou puxar a máquina com outro trator menor, usando um cabo. Durante a ação, entretanto, o cabo se rompeu e o trator tombou, atingindo a cabeça do agricultor que não resistiu ao traumatismo craniano e morreu horas depois. <br />5) Acidente com trator mata adolescente: um adolescente de 15 anos morreu no dia 25/06/2008 em um acidente de trânsito no interior de Vacaria (RS) quando o trator que era conduzido pelo seu cunhado, de 26 anos, tombou na localidade de Estrada do Refugiado. O operador não tinha carteira de motorista e havia bebido. O veículo teria derrapado e tombado à esquerda da estrada de chão batido. O adolescente era transportado no estribo do trator marca Valtra BF75 e teria sido jogado para longe do veículo e batido a cabeça na queda. <br /> <br />6) Trator capota e mata agricultora: Operador de 39 anos, conduzia o trator Yanmar, modelo 1050D, e levava sobre um dos pára-lamas laterais sua esposa do dia 10/05/08. Como a máquina agrícola não possui faróis, o condutor não percebeu uma extensa vala, localizada nas proximidades do portão de entrada do sítio, em Itupeva (SP) onde trabalha e capotou. Por muito pouco o operador não é esmagado pelo pesado trator. Sua esposa de 31 anos, não teve a mesma sorte. Ela foi atingida em cheio e teve morte instantânea. <br /> 7) Jovem morre esmagado por trator: a Polícia de Cabreúva (SP) registrou, pela manhã do dia 29/07/08, um caso de acidente que terminou com a morte de um jovem de 25 anos. Segundo a Polícia Militar, o rapaz estava trabalhando com um trator da marca Agrale, para retirada de uma árvore. Durante a operação de remoção do tronco, o trator em que estava acabou virando e o jovem ficou prensado sob a máquina.<br /> <br />Tipos de EPC<br />São três os tipos de EPC: <br />a)   EPC de dois pontos de fixação ou dois pilares: Também denominada arco de segurança, constitui-se de um elemento estrutural fixo ao trator em dois pontos resistentes no chassis, à frente ou atrás do operador. <br />b)   EPC de quatro pontos de fixação ou quatro pilares: Constitui-se de um conjunto de barras resistentes que se fixam à frente e atrás do operador em quatro pontos de apoio no trator. <br />c)    Cabine de segurança: Conjunto de elementos resistentes semelhantes à EPC de 4 pontos, sobre os quais são feitos recobrimentos para proteger o operador do sol, poeira, chuva, calor e frio.<br /> EPC de 2 pontosEPC de 4 pontosCabine de segurança<br /> <br /> <br />Dos três tipos o mais eficiente é a cabine de segurança, pois além da segurança oferece conforto ao operador.<br /> A EPC de dois pontos de fixação, geralmente utilizada em tratores estreitos ou de pequeno porte, é a que tem merecido maior desenvolvimento tecnológico para adequar o uso do trator às necessidades particulares como em parreirais cultivados em carramanchão, pomares e edificações para confinamento de animais. É uma alternativa interessante para adaptar em tratores velhos que permitam este tipo de EPC. Alguns projetos de EPC de dois pontos são constituídos de barras dobráveis de modo que ao operar em culturas de baixo vão livre o operador tenha a opção de abaixá-la.<br /> O que acontece, entretanto, é que muitos operadores não retornam a estrutura à posição original quando executando outras tarefas ou deslocando-se em estradas. Desta forma ficam expostos à gravidade de um acidente por tombamento.<br /> Para evitar este problema há um estudo de POWERS et al. (2001) denominado NIOSH AutoROPS que consiste de uma estrutura “telescópica” que fica normalmente abaixada e está ligada a um sensor que monitora o ângulo de operação do trator. Se uma condição de tombamento é detectada pelo sensor a EPC retraída se estende e trava na posição vertical antes de tocar o solo.<br /> É preciso ressaltar, porém, que qualquer que seja o tipo de EPC utilizada a proteção do operador só será garantida com o uso de cinto de segurança que também deve estar presente no trator que disponha de estrutura de proteção na capotagem.<br />

×