[01.01.2012] 12h20m / Armando Cavanha Filho
A terceira era (não) extrativista no Brasil
Quando perguntaram a Albert Einste...
complexos que obriguem a fazer equipamentos aqui sem nenhuma economicidade de demanda ou
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3 a terceira era (nao) extrativista no brasil - revista brasil energia

  1. 1. [01.01.2012] 12h20m / Armando Cavanha Filho A terceira era (não) extrativista no Brasil Quando perguntaram a Albert Einstein como seria a Terceira Guerra Mundial, ele teria respondido: A terceira eu não sei, mas a quarta com certeza será a pau e pedra”. Pode haver alguma analogia com a história brasileira. De início, como tantas outras colônias dos séculos passados, o Brasil foi alvo do extrativismo mercantilista – primeiro o pau-brasil, depois o ouro. Seria agora a vez do petróleo? Óleo e gás, com tons tecnológicos e sofisticados? Certamente desta vez não será assim. Há um grande impacto com as descobertas da Petrobras. O mercado mundial de óleo e gás voltou seus olhos para o Brasil, tornando o país motivo de especulações sobre modelos e situações. Discussões sobre os volumes possíveis. E prováveis. Cada um utilizando ferramentas e informações próprias. Um país como o Brasil, de paz, democrático, no continente americano, sem guerras, estável política e contratualmente, além de ter um clima ameno e um povo feliz, torna-se um parceiro incomparável como fonte de energia transportável. Recurso estratégico para o mundo mais rico, faminto por energia. Sem falar em uma logística de fluidos de pouca complexidade, quando comparada a outras fontes volumosas ao redor do mundo. O modelo escolhido anteriormente foi o regime de concessões, que agora terá de conviver com o modelo aprovado para o pré-sal, a partilha da produção. Ambientes distintos para objetos diferentes? Independentemente da resposta, o fato é que, “se a estrada é boa ou ruim, a viagem prossegue”. Neste cenário, há agentes e atores com diferentes objetivos, como Ministério de Minas e Energia, ANP, PPSA, Petrobras, operadoras independentes – internacionais, nacionais, grandes e pequenas –, mercado fornecedor de bens e serviços, entidades de classe, centros de pesquisas, universidades. Além do Estado e da sociedade. Como irão conviver e se articular, discutir e decidir para fazer desta riqueza um ativo permanente para o país? Individualmente, o brasileiro é reconhecido como talentoso, trabalhador, colaborativo. Como sociedade, porém, o mundo ainda nos vê como em organização, com discussões básicas não resolvidas, e com movimentos alternados significativos e frequentes. O desafio é atingir regras mais claras, aceitáveis e estáveis, que reduzam as interpretações dúbias, as contradições, as variações em curto espaço de tempo. Devemos evitar adiar o início da produção, mas ao mesmo tempo garantir fazê-la com custos razoáveis, gerando empregos locais, fabricação local, empresas fortes em solo nacional e com o máximo de capital brasileiro possível. O petróleo deverá ter a chance de deixar suas próprias marcas, alavancar e fixar desenvolvimento. Não deve ser usado em nenhum lugar sem antes dar sua devida parcela de contribuição social e industrial ao país. Os mecanismos de gestão dessa riqueza não devem ser simplistas ao ponto de permitir a desindustrialização, apenas com representação de conhecimento e tecnologias estrangeiras. Nem tão
  2. 2. complexos que obriguem a fazer equipamentos aqui sem nenhuma economicidade de demanda ou repetição de uso no país. Simplesmente vender a produção de óleo e gás em volumes e preços máximos não deve ser objetivo de um país como o Brasil, pois esse modelo simplista se mostra ineficiente. Basta verificar os resultados sociais e políticos dos países que focalizaram apenas este aspecto da riqueza dos hidrocarbonetos. A falsa batalha dos chamados “monopolistas” contra os ditos “entreguistas” não deve ser aceita, pois é provocação dos que querem ver as coisas não darem certo. E há muito mais gente defensora de soluções robustas e construtivas do que ativistas opositores do bem, graças aos deuses. Definitivamente, petróleo não é commodity. Não é substituível com facilidade pelo menos até o presente momento, e talvez ainda demore muito para ser. Tem aplicações energéticas e estruturantes incomparáveis, motiva guerras e provoca alianças. Assim é o desafio do Brasil para esta nova fase do petróleo. Não podemos deixar que doenças holandesas ou marcianas tenham chances de contaminar o país. Não somos mais Terceiro Mundo, já caminhamos para o Primeiro; aliás, sobre os países do Primeiro Mundo de ontem, já não se sabe se ainda o são. Se um dia, no futuro, perguntarem como foi a terceira era (não) extrativista no Brasil, sem dúvida poderá ser dito, adaptando o que disse o sábio Einstein: “Não houve terceira era; o Brasil soube gerenciar a era do petróleo. A quarta, a era da água, com certeza o Brasil já aprendeu como fazer.” A coluna de Armando Cavanha Filho é publicada a cada dois meses

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