Reinvenção das formas artísticas

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Reinvenção das formas artísticas

  1. 1. A REINVENÇÃO DAS FORMAS ARTÍSTICAS
  2. 2. A arte do Renascimento• A arte do séc. XV e XVI foi marcada por uma nova estética e uma novasensibilidade, surgidas na Itália. O regresso aos clássicos e à naturezaforam dois dos seus grandes objetivos.• Os artistas do Renascimentorecusaram a estéticamedieval, particularmente agótica.• Para osrenascentistas, apenas a arte dosclássicos gregos e romanos é queera harmoniosa, proporcionada ebela, pois seguia regras racionais. Pág. 69
  3. 3. Classicismo• Como manifestações de classicismo na arte do Renascimento, podemos destacar: • A recuperação dos elementos arquitetónicos greco-romanos (colunas, pilastras, capiteis, arcos de volta perfeita…). • O recurso às ordens arquitetónicas clássicas. • Adoção de temáticas e figuras da mitologia e da história clássica.
  4. 4. • O gosto pela representaçãodo corpo humano. O nu ressurgeglorificado, no Homem, aperfeição divina das suas formas.• O sentido de harmonia,simetria e ordem.• O Homem volta a serentendido como uma medida naarte, tornando o classicismo umaforma de humanismo artístico.
  5. 5. Naturalismo• O sentido de captação do real animou os artistas do Renascimento, que representavam o ser humano e a Natureza com emoção. A procura do real na arte levou à descoberta de duas revolucionárias técnicas: • A perspetiva, conjunto de regras geométricas que permitem reproduzir, numa superfície plana, objetos e pessoas com aspeto tridimensional. • A pintura a óleo, que favorece a visualização do detalhe e cores ricas em tonalidades.• A capacidade técnica dos artistas do renascimento levou-os a produzir uma obra original, que acabou por superar os modelos da Antiguidade.
  6. 6. • O artista conquistou um novoespaço pictórico, graças a: • introdução de novos elementos decorativos de cariz naturalista (como conchas, cordas, paisagens), • a perspetiva linear, • o uso do ponto de fuga, • recurso à ilusão ótica possibilitada pela terceira dimensão.• Agora o espaço pictórico éaberto ao observador.
  7. 7. Pintura• A verdadeira revoluçãorenascentista na pintura foiiniciada com Giotto no séc.XIII. Este já realizavacomposições tridimensionais,servindo assim de fonte deinspiração para os pintores darenascença. Pág. 70/76
  8. 8. • Na Flandres Jan van Eyck celebriza-se pela perícia e minúcia do seudesenho, pela luminosidade da cor e domínio da técnica da pintura a óleo.
  9. 9. • Leonardo da Vinci elevou a pintura a umaverdadeira arte.• A arte redescobriu o homem e o indivíduocom características verdadeiramente clássicas eao mesmo tempo, inovadoras: • A pintura a óleo (maior durabilidade e possibilidade de retoque); • A terceira dimensão (criação da pirâmide visual, marcado pela profundidade, pelo relevo e volume das formas – concretiza- se a perspetiva linear ou, no caso de Leonardo, a perspetiva aérea. • O sfumato.
  10. 10. • Outras características inovadoras foram: • A geometrização da arte. Adotam-se as figuras geométricas, com preferência para a piramidal, na composição das grandes cenas pictóricas. • A proporção – o espaço é construído com um verdadeiro rigor matemático, projetado a partir da medida-padrão (o módulo, referência para as diferentes dimensões da imagem). • Representação realista e naturalista: a expressividade dos rostos (mesmo que estes tivessem imperfeições), nota-se mesmo na capacidade de exprimir sentimentos e estados de alma. • Há uma preocupação para representar as imagens com um rigor e verosimilhança notáveis: desde a anatomia às vestes e cenários. • Importância da paisagem na composição pictórica.
  11. 11. Pintura: resumo• Concebida dentro dos princípios geométricos,• Composição em pirâmide,• Equilíbrio da composição,• Substituição da madeira pela tela,• Representação da natureza,• Utilização da perspetiva,• Uso da técnica do sfumato,• Novas técnicas de pintura a óleo,• Temáticas principais: religiosas, pagãs, anatomia humana - o nu - e oretrato,• Grandes pintores: Fra Angelico, Leonardo da Vinci, Botticeli, Rafael,Miguel Ângelo e El Greco.
  12. 12. Escultura• Recupera a grandeza epreeminência da Antiguidade Clássica.• O nu readquire a sua dignidade eas estátuas equestres regressam àspraças.• O humanismo e o naturalismoestão presentes nestas obrasescultóricas.• Os escultores renascentistas redescobrem a figura humana, querepresentam com rigor anatómico e expressão fisionómica.• As formas rígidas medievais dão lugar à espontaneidade e ondulaçãodas linhas. Pág. 77
  13. 13. • O equilíbrio e a racionalidade marcam a escultura deste período, quemostra uma verdadeira preferência pela época grega. • O individualismo está presente na assinatura das obras (ex. Miguelangelo, scultore fiorentino).
  14. 14. Escultura: resumo• Inspiração nas obras clássicas;• Interesse pelas formas e proporções do corpo humano, possibilitadapela perspetiva;• Composição geométrica com estrutura piramidal;• Grande realismo, vivacidade e espontaneidade;• Expressão de sentimentos através dos traços fisionómicos e darealidade anatómica;• Entendida como arte em si e não um complemento da arquitetura;• Recuperação da tradição romana de estátuas equestres;• Principais escultores: Donatello; Ghiberte; Miguel Ângelo ou Andreadel Verrochio.
  15. 15. Arquitetura• A estrutura dos edifícios renascentistas é simplificada e racional.Para tal, observam-se algumas regras ou princípios: • A matematização rigorosa do espaço arquitetónico, conseguida a partir da unidade padrão, com relações proporcionais entre as várias partes do edifício. A forma ideal era a de um cubo ou de um paralelepípedo. Pág. 79/86
  16. 16. • Simetria absoluta, partindo de uma planta centrada (inspirada nopanteão romano) e com uma fachada enquadrada por portas e janelas.• Aplicação da perspetiva linear, em que os edifícios se assemelham auma pirâmide visual.• Retorno às linhas e ângulos retos típicos do classicismo.• Preferência pelas abóbadas de berço e de arestas, em vez das deogiva e pelos arcos de volta perfeita.• A cúpula, símbolo do cosmos, torna-se um elemento dominante e,quase todas a igrejas renascentistas.
  17. 17. • Executaram-se as obras de acordo com as ordens clássicas e asregras de proporção (cada módulo coincidia com o raio ou o diâmetro dacoluna, no ponto da sua maior largura).• Utilizam-se as representações inspiradas nos monumentos da eraimperial com motivos e formas vegetais, volutas, carrancas (são oschamados grotescos).• Retomaram-se as construções dos frontões triangulares.
  18. 18. Arquitetura civil• Para além de igrejas, os arquitetos renascentistas preocuparam-se emdeixar a sua marca em edifícios civis e militares.• Surgem belas villas caracterizadas pela simetria das suas fachadas,decoradas com frescos e belos jardins.• São ainda típicos os palácios de grossas paredes mas que reproduzemo clássico princípio das ordens. É o caso dos palácios do vale do Loire.
  19. 19. Em resumo: Arquitetura• Uso de elementos clássicos: _ arco de volta perfeita e abóbadas de berço, _ frontões nas portas e janelas, _ cúpulas, _ decoração com motivos naturalistas.• Predomínio das linhas horizontais e proporcionais;• Equilíbrio geométrico (cubos e paralelepípedos justapostos) e simetriade colunas;• Arquitetura fundamentalmente religiosa, mas também civil.• Grandes arquitectos: Brunelleschi – Igreja de Santa Maria das Floresem Florença, Bramante – Tempietto de S. Pedro e Miguel Ângelo –Catedral de S. Pedro.
  20. 20. Arte do Renascimento• Classicismo: • recuperação da arquitetura greco-romana; • harmonia, simetria, proporção; • temáticas mitológicas; • interesse pela figura humana.• Superação da antiguidade clássica: • Captação naturalista; • Capacidade técnica.
  21. 21. A arte em Portugal• Sob influência dos descobrimentos, da consolidação do poder real edo fausto da vida cortesã, renova-se a estética gótica.• Surge em Portugal um estilo híbrido a que se chama o Manuelino.Esta é uma corrente de arte heterogénea que se manifestafundamentalmente na arquitetura e na decoração arquitetónica.• Nesta arte manuelina fundem-se diversos estilos: • O gótico final (flamejante); • O plateresco (estilo espanhol); • O mudjar (de influência árabe); • O naturalismo (troncos, ramagens…); • A heráldica régia (escudo, esfera armilar…) Pág. 87
  22. 22. O manuelino• Do ponto de vista estrutural manteve-se o estilo gótico, embora comalterações: • O arco ogival coexiste com outras tipologias de arcos, como os de ferradura ou os redondos. • Abóbadas de cruzaria de ogivas, de nervuras… • Uso do arcobotante e contrafortes exteriores.• A decoração é exuberante, anunciando o “horror ao vazio” típico dobarroco: vegetalista terrestre e marinha; cordas e nós náuticos, heráldicarégia (esfera armilar, escudo), cruz de cristo….
  23. 23. O manuelino• Os progressos na arquitetura passam também para o campo civil emilitar. Destacam-se nomes como o de Mateus Fernandes, DiogoBoutaca, Diogo e Francisco de Arruda ou João de Castilho.
  24. 24. A arquitetura renascentista em Portugal• Influência da estética clássica e resultado das dificuldades económicasno reinado de D. João III, a exuberância manuelina é substituída por umacerta severidade nas formas, a que não são estranhos os ecos passadospor Francisco de Holanda ou D. Miguel da Silva.• Como marcas do classicismo em Portugal podemos destacar: • A simplicidade das nervuras das abóbadas de cruzaria; • A utilização das abóbadas de berço e as modernas coberturas planas; • A igreja-salão; Pág. 89
  25. 25. • A substituição dos contrafortes por pilastras laterais; • A delimitação das naves por arcadas redondas; • A multiplicidade de frontões, colunas e capiteis; • O aparecimento dos edifícios de planta centrada.• Na arquitetura civil, destaca-se a Casa dos Bicos; a Quinta da Bacalhoa…
  26. 26. A escultura em Portugal• As obras escultóricas eram fortemente ligadas à temáticaarquitetónica, o que se explica pela persistência do gótico em Portugal.• Entre finais do séc. XV e a segunda metade do séc. XVI verificou-se umforte surto escultórico, multifacetado.• Pias batismais, túmulos, portais e altares transmitem essa obra ondeos vários estilos se fundem em pleno.• Destacam-se nomes como o de Diogo Pires, o Velho e Diogo Pires, oMoço; João de Castilho ou Nicolau Chanterenne. Pág. 90/92
  27. 27. A pintura em Portugal• A pintura sofre uma grande renovação, destacando-se diversasescolas ou oficinas: Coimbra (fortemente ligada à estética gótica); Lisboa;Évora (Francisco Henriques) e Viseu (oficina de Vasco Fernandes).• Foi usada a pintura a óleo e seguiram-se as tendências da perspetiva eas representações naturalistas.• Nomes grande da pintura foram Grão Vasco ou Nuno Gonçalves. Pág. 90/92

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