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interesse dos alunos pelas aulas, além de torná-los pessoas mais críticas no meio que os cerca.(FREIRE & CARIBÉ, 2004)    ...
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A partir das palavras de Antunes et. al. (2002) pode-se perceber a importância daescola no contexto dos programas e projet...
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Artigo educação, sexualidade e comportamento de risco

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Artigo aprensentado no III CIEPG - Congresso Internacional de Educação de Ponta Grossa

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Artigo educação, sexualidade e comportamento de risco

  1. 1. Educação, Sexualidade e Comportamento de Risco: Experiência de intervenção com alunos do 3º ano do Ensino Médio com base no filme “Cazuza - O tempo não pára” Eva Cristina Aurélio Menezes (Unoeste – Universidade do Oeste Paulista) evacrismenezes@gmail.com Caroline Kraus Luvizotto (Unoeste – Universidade do Oeste Paulista) carol.luvizotto@unoeste.brResumo:Os filmes representam a cultura de um povo e devem ser utilizados pelos professores como mais umrecurso disponível. Com o seu uso vários temas podem ser abordados, uma vez que a dinâmicacinematográfica e as várias mídias (imagem, som, fotografia), favorecem a apreensão e compreensãodas questões levantadas em sala de aula. O adolescente, pela sua própria natureza, se interessa poressas ferramentas. Temas polêmicos ou delicados, como sexualidade, comportamento de risco edrogas, por exemplo, são melhores articulados com os adolescentes, se forem usados recursos maislúdicos e colaborativos. O objetivo desse artigo é refletir sobre o uso de filmes como recurso didáticono processo ensino-aprendizagem. Especificamente, pretende-se relatar a experiência de intervençãorealizada no 3º ano do Ensino Médio de escolas públicas do município de Assis – SP, sobre o temasexualidade e comportamento de risco, a partir do filme “Cazuza – o tempo não pára”. O filmeutilizado na atividade de intervenção foi escolhido para problematização por se tratar de um filmenacional, sobre um artista brasileiro e que ressalta a realidade brasileira. Desta forma, o aluno seidentifica com o filme, facilitando o trabalho de conscientização sobre a prevenção de DSTs e, nocaso desse filme em especial, das drogas e AIDS. O uso de filmes como recurso educacional é umaliado importante para se trabalhar temas polêmicos com o jovem. Somente a aula expositiva não ésuficiente para fazê-lo refletir, compreender e mudar seu comportamento. As aulas com filmesprendem a atenção do jovem, fazendo-o penetrar no enredo e assim entrar na vida do personagem,sentir suas dores e alegrias.Palavras chave: Educação, Sexualidade, Comportamento de Risco, Filme, Recurso Didático.
  2. 2. Education, Sexuality and Risk Behavior: Experience from nterventionwith students in Third Year of high school based on the film "Cazuza - The clock is ticking"AbstractThe films represent the culture of a people and should be used by teachers as an additional resourceavailable. With its use of various issues can be addressed, since the dynamic film and the variousmedia (image, sound, photo), favors the apprehension and understanding of the issues raised in theclassroom. The teenagers, by their very nature, are interested in these tools. Controversial or sensitivetopics such as sexuality, drugs and risky behavior, for example, are better articulated with teens, ifresources are used in a more collaborative and playful mode. The aim of this paper is to discuss theuse of film as a teaching resource in the teaching-learning process. Specifically, we intend to reportthe experience of intervention performed at High School Third Years in public schools of Assis, a cityin São Paulo State, on the subject of sexuality and risky behavior, from the movie "Cazuza - the clockis ticking." The film used in the activity intervention was chosen because it is a national film about aBrazilian artist and highlights the Brazilian reality. Thus, the students identify themselves with thefilm, facilitating the work of awareness on the prevention of STDs and, for this movie in particular,drugs and AIDS. The use of film as an educational resource is an important ally to work with theyoung public with polemic themes. Only the lecture is not enough to make them reflect, understandand change their behavior. Classes with films engage the young people, making them being into theplot and thus living the characters life, feeling their pains and joys.Key-words: Education, Sexuality and Risk Behavior, Movie, Didactic Feature1 Introdução Uma análise acerca da influência do cinema na transmissão de informação, no ensino,na formação de identidades, sociabilidades e comportamentos requer uma perspectivareflexiva, uma vez que os indivíduos recorrem a esse tipo de recurso à procura de material deapoio no processo de ensino-aprendizagem em todas as instâncias de sua vida: social, cultural,política, religiosa, familiar, entre muitas outras. Os filmes representam a cultura de um povo e devem ser utilizados pelos professorescomo mais um recurso disponível. Com o seu uso vários temas podem ser abordados, umavez que a dinâmica cinematográfica e as várias mídias (imagem, som, fotografia), favorecema apreensão e compreensão das questões levantadas em sala de aula. (BARCALA, 2008) É mais um recurso num universo tecnológico que tanto vem crescendo e ele deve seraproveitado de forma intensa pelos educadores. O uso das mídias deve servir para elevar o
  3. 3. interesse dos alunos pelas aulas, além de torná-los pessoas mais críticas no meio que os cerca.(FREIRE & CARIBÉ, 2004) Segundo Freire & Caribé (2004, p.2): Processo crescente, a utilização da linguagem audiovisual no ensino suscita discussões incessantes. A principal delas se organiza em torno da utilização crítica das imagens e sua validade no processo de aprendizado. A televisão, Internet e o cinema, meios de comunicação e entretenimento com consumo cada vez mais intenso, motivam críticas e debates sobre o uso mais correto dessas informações, difundidas num ritmo cada vez mais frenético. O papel da escola como meio social vem sendo constantemente revisto, bem como, asrelações existentes nesse meio, uma vez que se diversificaram os espaços de construção doconhecimento, surgiram novos processos e metodologias de aprendizagem, levando a escola aum novo diálogo com os indivíduos e com o mundo. Diante das exigências de um mundo cada vez mais globalizado e de maior exposiçãodos riscos de todas as espécies é de extrema importância disponibilizar o conhecimento a umnúmero cada vez maior de pessoas e, para isso, faz-se necessário o uso de ambientes deaprendizagem que proporcionem reflexão, criticidade, desenvolvimento de pesquisas, pormeio do uso de ferramentas instigadoras, facilitadoras da aprendizagem, de modo permanente,autônomo e colaborativo. Neste cenário, o uso de filmes e de Novas Tecnologias de Comunicação e Informaçãocomo recurso didático, constitui um meio que proporciona importantes possibilidadespedagógicas. É um meio que permite a inter e a pluridisciplinaridade, oferece caminhos parauma educação global, estimula e coloca em prática processos de tratamento da informação,dos conteúdos e programas de cada nível. O adolescente, pela sua própria natureza, se interessa por essas ferramentas. Elasfazem parte do seu dia-a-dia e são elementos capazes de mediar diversos processos de ensino-aprendizagem nos mais diferentes sub-sistemas sociais onde esse adolescente transita. Temaspolêmicos ou delicados são mais facilmente articulados com os adolescentes, se forem usadoscomo ferramentas, recursos mais lúdicos e colaborativos. Neste sentido, realizou-se uma atividade de intervenção com alunos do 3º ano doEnsino Médio para trabalhar uma questão delicada: sexualidade e comportamento de risco.Esse é um tema que requer muita sensibilidade do professor / mediador da atividade, pois paramuitos adolescentes esse tema é tabu. Apesar da natural curiosidade sobre o tema, muitos têm
  4. 4. vergonha, medo e se sentem incomodados em falar sobre isso, características normais nessafaixa de idade. Entretanto, essas manifestações não podem ser motivo para não abordar o assunto,principalmente diante do número crescente de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) egravidez indesejada, por exemplo, que afetam essa populção em especial. Além disso, faz-senecessário desenvolver nesses adolescentes um sentido de responsabilidade e respeito frenteao sexo, além de chamar a atenção para um problema que atinge milhares de pessoas: a AIDS. Para desenvolver a atividade de intervenção foi utilizado como recurso didático deapoio as aulas teóricas o filme “Cazuza – o tempo nao pára”. Além do conteúdo, o filme foiescolhido para problematização por se tratar de um filme nacional, sobre um artista brasileiroe que ressalta a realidade brasileira. Desta forma, o aluno se identifica com o filme facilitandoo trabalho de conscientização sobre a prevenção de DSTs e, no caso desse filme em especial,das drogas e AIDS. O objetivo desse artigo é refletir sobre o uso de filmes como recurso didático noprocesso ensino-aprendizagem e, especificamente, pretende-se relatar a experiência deintervenção realizada no 3º ano do Ensino Médio de escolas públicas do município de Assis –SP, sobre o tema sexualidade e comportamento de risco, a partir do filme “Cazuza – o temponão pára”. Este estudo baseia-se na revisão bibliográfica sobre o tema e no relato de experiênciada educadora que participou da referida atividade de intervenção.2 O uso de filmes como recurso didático Muitos utilizam os meios audiovisuais de forma equivocada. Eles acabam virandoinstrumentos de transmissão mecânica do saber, despojados de análise crítica, o que acabaservindo a propósitos contrários ao projeto primordial da inserção da linguagem imagética emsala de aula. Assim o conteúdo tornar-se inútil, pois a informação é somente fixada semprovocar o questionamento ou motivar a pesquisa (FREIRE & CARIBÉ, 2004). Ainda segundo Freire & Caribé (2004):
  5. 5. A função do audiovisual não é agir como mero suporte na transmissão tradicional do saber. É preciso pensar os meios de comunicação como fonte válida de pesquisa, auxiliar importante da investigação científica. Desconsiderá-los é subestimar seu valor informativo e, por que não, pedagógico. Loureiro (2008), relata que os filmes também contribuem na formação de valoreséticos e juízos de gosto e por isso tem uma face educacional e é na sociedade contemporâneaque se concretizam práticas educativas à medida que se ocupam da transmissão e assimilaçãode sensibilidades e conhecimentos. Os adolescentes se envolvem com histórias contadas no cinema. Elas estimulam ointeresse e a criatividade desse público e na escola eles participam mais intensamente deatividades que utilizam o filme como recurso didático. Por esta razão, ao tratar do temasexualidade e comportamento de risco com alunos do 3º ano do Ensino Médio de escolaspúblicas do município de Assis – SP, adotou-se, em conjunto com as aulas teóricas dadisciplina de Biologia, o filme “Cazuza – o tempo não pára” para trabalhar de modo maiseficaz o tema em questão.3 Adolescência e comportamento de risco A adolescência é uma fase em que a personalidade está se finalizando e estruturando ea sexualidade insere-se nesse processo como elemento estruturador da identidade doadolescente (OSÓRIO, 1992 apud CANO et al, 2000). Parker (1991, apud CANO et al, 2000, p. 17), afirma: Cada vez mais, a sexualidade tem sido tema de discussão e debate não apenas na sociedade brasileira e sua importância fica ainda mais pronunciada quando controvérsias sobre o aborto, o direito das minorias sexuais e, mais recentemente, a alarmante propagação da Aids se colocam no centro das atenções publicas na vida contemporânea.
  6. 6. A sexualidade deve ser tema de discussão entre pais, educadores e profissionais desaúde para que se encontrem maneiras de informar e orientar os jovens para que tenhamresponsabilidade, autoestima e pratiquem sexo com segurança (CANO et al, 2000). Os meios de comunicação estimulam comportamentos que privilegiam o erotismo,culto ao corpo, prazer pelo prazer físico e sexo como consumo, ao mesmo tempo em que asociedade tem pouco a oferecer de garantias físicas, psicológicas e sociais para que os jovensfaçam escolhas conscientes (VALENTE & WAIDEMAN, 2005). As Doenças Sexualmente Transmissíveis são predominantes na adolescência ecolaboram com a contaminação pelo HIV. Estão associadas a outras variáveis como: atrasoescolar, uso de álcool, tabaco e drogas, histórico de abuso sexual e a não utilização depreservativo nas relações sexuais. (TAQUETTE et al, 2004) O fato de as pessoas continuarem a se contaminar pelo HIV nos faz indagar sobre opapel da escola e da família na prevenção. Muitos pesquisadores defendem que a escola é olugar propício para se desenvolver programas de prevenção à AIDS. A educação tem sidovista como uma das únicas saídas (VALENTE & WAIDEMAN, 2005). Taquette et al, (2005, p. 1) relata que “fatores biológicos, psíquicos e sociais podemaumentar a vulnerabilidade das adolescentes as DSTs”. Estudos patrocinados pelo Programa de Aids das nações Unidas (Unaids)concluíram que comportamentos saudáveis e responsáveis podem ser aprendidos e queprogramas efetivos auxiliam a adiar o inicio da vida sexual e protegem os jovens de DSTse gravidez indesejada. Eles concluíram também que os jovens homens e mulheres sãogrupos diferentes e as estratégias educativas também devem ser, respeitando sua assim suaheterogeneidade, ou seja, as diferenças têm que ser consideradas no planejamento dequalquer intervenção com fins educativos e conscientização (ANTUNES et al, 2002) Segundo Antunes et al (2002, p.7): Os programas devem oferecer mais do que uma simples conscientização sobre a epidemia e informações sobre aspectos biológicos da transmissão do HIV e da evolução da Aids. Não adianta apenas alertar os jovens sobre os perigos do uso inconsistente do preservativo ou dos perigos de ter múltiplos parceiros ou de não tratar as doenças sexualmente transmissíveis que os colocam em risco. É necessário que se discutam a dinâmica dos relacionamentos e o significado do sexo seguro nos diversos contextos afetivos.
  7. 7. A partir das palavras de Antunes et. al. (2002) pode-se perceber a importância daescola no contexto dos programas e projetos que discutem a conscientização sobre o sexoseguro na adolescência. Diante disso, justifica-se a relevância deste estudo que se baseiaem uma experiência de intervenção por meio do filme: “Cazuza - O tempo não pára”(GLOBO FILMES, 2004), com alunos do 3º ano do Ensino Médio de Escolas Públicas dacidade de Assis-SP.4 Escola, Sexualidade e Comportamento de Risco: Experiência de intervenção comalunos do 3º ano do Ensino Medio com base no filme “Cazuza - O tempo não pára” O objetivo da intervenção foi levar o aluno a refletir sobre sexualidade ecomportamento de risco. Especificamente, pela temática do filme as DSTs, especialmentea Aids, e as drogas foram temas trabalhados nos debates após a exibição do filme. O trabalho foi realizado com alunos da 3ª série do Ensino Médio de três escolasestaduais da cidade de Assis-SP, na faixa etária de 17 e 18 anos, durante as aulas de Biologia. Primeiramente, na aula teórica de Biologia, os alunos tiveram uma aula expositivasobre Vírus e em especial sobre o vírus HIV. Em seguida assistiram ao filme, orientados paraque dessem atenção especial ao desenvolvimento, tratamento e meios de adquirir a doença,relatados no filme. Em outra aula abriu-se para a discussão sobre o filme, onde se pode analisar ocomportamento de Cazuza, sua época, o uso de métodos contraceptivos, relações de gênero euso de drogas. Os alunos puderam se manifestar livremente sobre o tema, propondo questões,expondo seus pontos de vistas e tirando dúvidas sobre os assuntos abordados no filme. Emseguida foram feitas leituras, interpretações e apreciações de músicas do cantor, rodas deconversas em grupo, e por fim, os alunos elaboraram uma dissertação crítica sobre o filme e aexperiêcia de intervenção. O público alvo foi composto de aproximandamente 130 alunos. Deste modo, apenasalguns relatos foram escolhidos para a reflexão que se propõe nesse estudo. A escolha dessesrelatos foi feita de modo aleatório.
  8. 8. 4.1 Discussão Muitos alunos durante a apresentação do filme, principalmente os meninos,demonstraram certa aversão ao comportamento homossexual de Cazuza, pediam para cortar acena, muitas vezes dizendo “professora, tira esse filme de veado”. O que nos leva a refletirsobre as relações de gênero e como os jovens se posicionam frente ao homossexualismo, omesmo não ocorria quando Cazuza tinha relações heterossexuais. Esse comportamento levoua abordar, posteriomente, o tema relações de gênero e homosexualidade permitindo que osalunos se manifestassem livremente sobre o assunto. A professora foi a mediadora dessasdiscussões, procurando inserir no debate a perspectiva de não preconceito e igualdade degênero. Outra constatação foi que o filme pôde proporcionar um aumento nas informações dosadolescentes participantes em relação a sexo seguro e comportamento de risco. Issofavoreceu a conscientização sobre a importância da adoção de práticas de comportamentopreventivo, bem como uma melhor reflexão dos aspectos que levam o indivíduo a tercomportamento de proteção ou de risco. Como relatou o aluno Roberto S. I: ...Cazuza se foi mas que fique o exemplo para os jovens do mundo. Ele no auge da carreira com 30 e poucos anos faleceu por ter uma liberdade exagerada e perigosa. Então temos que passar a todos o benefício da camisinha... Esse aluno conseguiu perceber que liberdade demais também requer umcomportamento mais responsável e que o uso da camisinha é imprescindível. O mesmo podeser observado nos relatos de Ana Paula, Glauter e Rafael: Então a gente percebe que a vida é muito curta e temos que aproveitá-la intensamente,mas com muita cabeça no lugar. Por isso vamos sempre nos prevenir e pensar que nossa vida está ai pra ser vivida (Ana Paula M.) Diante de tudo que foi apresentado pude compreender que tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém (...) meu modo de ver é que nesta vida existem regras que necessitam ser respeitadas. Quando ultrapassamos essas regras sofremos as consequências. (Glauter C. O) O filme cazuza é muito interessante e mostra que nós temos o poder sobre nossa vida, mas temos que tomar muito cuidado com as consequências. (Rafael Diego O)
  9. 9. Outro fato observado nos relatos foi que os alunos puderam perceber que qualquerpessoa pode adquirir o vírus da Aids, independentemente de suas condições sociais, sexo eidade. Como mostra os relatos a seguir: Através do filme percebemos que o vírus da AIDS pode estar na pessoa em que menos se espera...( Aline S. S) ...retratou muito bem a tese de que não é só nas famílias pobres que se têm problemas com drogas e que nas condições de vida que ele levava, o dinheiro não era tudo...” ( Alexandre M.) Percebe-se que os alunos conseguiram através do filme refletir sobre comportamentode risco e DSTs. Esse era um dos principais objetivos da atividade. Os relatos a seguirdemonstram que os objetivos foram atingidos: Apesar de sua criatividade todo o seu sucesso não podemos ignorar o seu modo de vida, um tanto inadequado com drogas, alcoolismo, sua bissexualidade ativa, o que acabou contribuindo par o seu contagio com o vírus da AIDS. ( Ani Carolini C.) O filme nos mostra uma realidade que vem crescendo a cada dia, hoje existem vários métodos de se evitar essa doença (...) infelizmente essa é a realidade de muitos jovens que pensam que com eles nunca vai acontecer. (Luan L.C.) Os alunos também relataram a importância cultural e social do filme: Este filme, sinceramente eu não tinha vontade nenhuma de assistir, porque muitas pessoas falavam que ele era muito chato, mas após assistir acabei gostando e sabendo algo mais de nosso povo brasileiro e de nossa cultura, é um filme também que alerta a todos dos perigos causados pelas drogas. (Heleno P. S) Esses relatos foram colhidos a partir da dissertação crítica produzida pelos alunosenvolvidos na atividade. Alem dos relatos, os debates também demonstram que a atividade foimuito profícua. Os alunos se envolveram e se identificaram com o tema. Muitos deles tinhamcuriosidade sobre o assunto, vergonha e até medo de se manifestar sobre o tema. A conduçãoda atividade e o uso de um filme como recurso didático facilitou a compreensão do tema pelos
  10. 10. alunos e proporcionou maior liberdade a eles na hora de se expressar, uma vez que usavam ofilme como exemplo. Acredita-se que os objetivos da atividade, quais sejam, refletir sobre sexualidade ecomportamento de risco, foram atingidos e esse resultado positivo se deve, em grandeparte, ao uso do filme como recurso didático, uma vez que permitiu maior envolvimentodos alunos, devido a linguagem acessível e a maneira real como os temas foram abordadosno filme.Considerações Finais O uso de filmes como recurso educacional é um aliado importante para se trabalhartemas polêmicos com o jovem. Somente a aula expositiva não é suficiente para fazê-lorefletir, compreender e mudar seu comportamento. As aulas com filmes prendem a atenção dojovem e o faz penetrar no enredo e assim entrar na vida do personagem, sentir suas dores ealegrias. O filme “Cazuza - o tempo nao pára” nos proporciona um conteúdo histórico e socialriquíssimo que pode ser explorado por professores de Sociologia, História e Línguaportuguesa. Além de contar a vida de um personagem brasileiro, ensinando o jovem avalorizar a cultura de seu país. O jovem se identifica com o filme e consegue rever seusconceitos, refletir sobre seu próprio comportamento e perceber até que ponto vale a pena tercomportamento de risco. O uso de filmes, bem como, de Novas Tecnologias de Comunicação e Informação,como os blogs e redes sociais, por exemplo, estão redesenhando e redefinindo a transmissão eo ensino de conteúdos informacionais, criando novas e interessantes oportunidades dedivulgação, mais personalizadas, sociais e flexíveis, com um caráter de compartilhamento deinformações. O impacto que essas ferramentas têm sobre aqueles que as usam é muitopositivo e estimula o processo de ensino-aprendizagem. Na atividade relatada neste estudo o aluno não foi pensado apenas como um agentepassivo, mas sim e, principalmente, como produtor e desenvolvedor de conteúdo, um agenteativo no processo ensino-aprendizagem. Abordou-se neste estudo uma experiência que
  11. 11. demonstrou que o uso de recursos didáticos diferenciados como o filme aliado as aulasteóricas é um terreno fértil e possível de facilitar esse processo.ReferênciasANTUNES, M. C; et. al. Diferenças na prevenção da Aids entre homens e mulheres jovens de escolas publicasem São Paulo, SP. Rev. Saúde Pública v.36, n.4 supl.São Paulo ago, 2002.BARCALA, V. A. O cinema na sala de aula – a reconstrução do cotidiano, 2008. In www.bocc.ubi.pt. Acessoem 31/03/2011.Boletim Epidemiológico de Aids. Ministério da saúde. Brasília (DF), 2000; 13 (3).CANO, M. A. T.; et. al. Sexualidade na adolescência: um estudo bibliográfico. Revista latino-Americana deEnfermagem,v.8 n2 Ribeirão Preto, 2000.CAZUZA - O tempo nao pára. Globo Filmes. Brasil, 2004.FREIRE, L. A.; CARIBÉ, A L. O filme em sala de aula: como usar, 2004. Revista Eletrônica O Olho daHistória. In: www.oolhodahistoria.ufba.br . Acesso em 31/03/2011.LOBO, G. Por dentro do filme – o cinema na sala de aula. ACTAS DO III SOPCOM, VI LUSOCOM e IIIBÉRICO – Volume IV. In http://www.bocc.ubi.pt/pag/lobo-graca-dentro- filme-cinema-sala-aula.pdf. Acessoem 31/03/2011.LOUREIRO, R. Educação, Cinema e Estética: elementos para uma reeducação do Olhar. Rev Educação eRealidade. 33(1) 135-154 jan/jun 2008.TAQUETTE, S.R.; et. al. Doenças sexualmente transmissíveis na adolescência: estudo de fatores de risco.RevSocBrasMed Tropl.v.37, n3.Uberaba maio/jun 2004.TAQUETTE, S.R.; et al. A relação entre as características sociais e comportamentais da a adolescente e asdoenças sexualmente transmissíveis. Ver. Assoc. Bras. V.51 n.3 São Paulo maio/jun. 2005.VALENTE, M.L.L.C; WAIDEMAN, M.C. E a família, como vai?Assis: FCL-Assis-UNESP-Publicações, 2005.

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