Literatura romântica

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Literatura romântica

  1. 1. Literatura Romântica John Everett Millais, Ofélia
  2. 2. Indicadores de aprendizagem <ul><li>Explica o contexto do aparecimento do Romantismo. </li></ul><ul><li>Caracteriza o Romantismo. </li></ul>
  3. 3. O Romantismo foi um movimento cultural que surgiu inicialmente na Grã-Bretanha e na Alemanha, como reacção ao culto da razão do Iluminismo, um pouco mais tarde em França. Mas foi na França, mais precisamente a partir da Revolução Francesa de 1789, que o novo movimento ganhou proporções revolucionárias. O romantismo foi burguês e proclamou os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. O Romantismo está relacionado com o surgimento de um novo público leitor, os burgueses, que liam jornais vendidos a preço acessíveis. A elevação do poder de compra da classe média e um sistema de impressão de livros em escala industrial propiciaram o alargamento do mercado consumidor. A nova relação entre escritor e público provoca proximidade entre o artista e o consumidor, trazendo novos estilos, novos significados estéticos e novos géneros literários. Em termos sociais, a nobreza perde o poder político e económico, e a burguesia dita novos valores. A euforia provocada pela Revolução Francesa, associada à liberdade de ascensão económica e individual, é o suporte e a inspiração de uma literatura de emoções individuais. A literatura torna-se sinónimo de diversão, ou então, de fuga do real (sonho) onde nada é absoluto. Adaptado
  4. 4. Contexto histórico do Romantismo <ul><li>O século XIX foi agitado por fortes mudanças sociais, políticas e culturais causadas pela : </li></ul><ul><li>Revolução Industrial que modificou as antigas relações económicas, estabelecendo na Europa uma nova organização política e social que muito influenciaria os tempos modernos. A revolução industrial permitiu a ascensão da burguesia ao poder político, no plano social formaram-se duas classes distintas e antagónicas,:burguesia capitalista industrial e o proletariado </li></ul><ul><li>Revolução Francesa que defende os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, a valorização do indivíduo, a valorização dos direitos naturais e o consequentemente o questionamento das estruturas da monarquia absoluta. A derrocada da aristocracia permitiu não apenas a extinção dos privilégios seculares, mas também o fim das barreiras rígidas entre as classes sociais. Um novo sentido de vida, baseado na livre iniciativa, exalta a audácia, a competência e os méritos pessoais de cada indivíduo, independentemente dos seus títulos e dos seus antepassados. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Desenvolvimento da alfabetização empreendido pelos revolucionários. Todo o cidadão precisa ter acesso à leitura, até para conhecer as proclamações do novo regime. Assim irá surgir um novo público leitor, mais diversificado e numeroso. Este público consome livros de forma intensa. E os escritores, até então dependentes do mecenato, vêem que podem sobreviver apenas com a venda de suas obras, agora transformadas em mercadoria de larga aceitação. </li></ul><ul><li>Surge assim, o romance, forma mais acessível de manifestação literária; o teatro ganha novo impulso, abandonando as formas clássicas e inspirando-se em temas nacionais. </li></ul>
  6. 6. Na literatura, destaquemos: Lord Byron 1788 - 1824 Goethe 1749 - 1832 Victor Hugo “ Os miseráveis” 1802 - 1885
  7. 7. Jane Austen Émile Bronte “ O monte dos vendavais” Vídeo “ Orgulho e Preconceito ”
  8. 8. Almeida Garrett 1799 - 1854 Camilo Castelo Branco 1825 - 1820
  9. 9. Em Portugal, a literatura procura também as raízes de uma nova identidade que legitime o nacionalismo liberal. Recorre-se à História para legitimar a fundação de uma nova consciência e de uma nova identidade. O romance histórico é um género muito apreciado em Portugal, tal como no resto da Europa. Alexandre Herculano 1810 - 1877 Vídeos: “Amor de Perdição”
  10. 10. <ul><li>Em que consiste o Romantismo? </li></ul><ul><li>Como se caracteriza? </li></ul>
  11. 11. <ul><li>O Romantismo foi uma corrente artística literária e filosófica. Um modo de vida, maneira de sentir e pensar, que exaltou o instinto e privilegiou as emoções contra a razão e que estava centrada no indivíduo. </li></ul><ul><li>Representou na literatura e na arte em geral, os anseios da classe burguesa que, na época, estava em ascensão. </li></ul>
  12. 12. Não te amo, quero-te: o amor vem da alma.            E eu na alma – tenho a calma,            A calma – do jazigo.            Ai! Não te amo, não. Não te amo, quero-te: o amor é vida.            E a vida – nem sentida            A trago eu já, comigo.            Ai, não te amo, não! Ai! Não te amo, não; e só te quero            De um querer bruto e fero            Que o sangue me devora,            Não chega ao coração. Almeida Garret, Folhas Caídas , 1853 (excerto)   Poema romântico:
  13. 13. “ Está decidido, Charlotte, desejo morrer.(...) Quando leres esta carta, minha querida, a terra fria já estará cobrindo os restos rígidos deste infeliz, deste homem desassossegado que nos seus últimos momentos de vida não conhece doçura maior do que falar contigo. “ Lord Byron Já é tempo do meu coração não se comover porque aos outros já deixei de emocionar mas embora eu não possa ser amado que possa pelo menos amar.
  14. 14. Às vezes não compreendo como outro possa amá-la, tenha o direito de amá-la, quando eu, somente eu a amo com tanta ternura, tão profundamente, não pensando em outra coisa, querendo apenas esse amor, e não possuindo nada além dele. Byron “ Oh! na flor da beleza arrebatada, Não há de te oprimir tumba pesada; Em tua relva as rosas criarão Pétalas, as primeiras que virão, E oscilará o cipreste em branda escuridão ” Byron Simão Botelho foi o homem que durante toda a sua vida amou, perdeu-se e morreu amando. Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição
  15. 15. <ul><li>Como a sua imagem me persegue! Ela toma conta de toda a minha alma, quer esteja desperto, quer sonhando. Aqui, quando fecho os olhos, aqui, atrás de minha fronte, onde se concentra a visão interior, encontram-se os seus olhos negros. Exactamente nesse lugar! Não sei como exprimir-te isso melhor. Quando fecho os meus olhos, os dela estão lá; descansam diante de mim, como um mar, como um abismo, preenchendo todo o meu sentir. </li></ul><ul><li>Byron </li></ul>
  16. 16. Características do Romantismo <ul><li>Culto do eu </li></ul><ul><li>Indivíduo arrebatado pela paixão, consumido pela dor, solidão e melancolia </li></ul><ul><li>Expressou-se na figura do herói romântico que é um ser que se abandona às emoções violentas e rompe com as normas morais e sociais. </li></ul>
  17. 17. Idealização da mulher amada <ul><li>A Mulher Amada apresenta-se pálida, sombria, doentia, virgem, etérea, transparente, nívea, angelical, trémula, gélida. </li></ul><ul><li>Predomínio dos amores impossíveis </li></ul><ul><li>A mulher amada surge como um ser inatingível </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Da superfície da terra elevava as minhas ideias a todos os seres da natureza. Então, perdido o espírito nessa imensidão, não pensava, não raciocinava, não filosofava. Sentia-me, sentia-me com uma espécie de voluptuosidade. (...) Amava perder-me com a imaginação no espaço. Sufocava-me com o universo e gostaria de lançar-me ao infinito. </li></ul><ul><li>Byron </li></ul>
  19. 19. Exaltação da natureza <ul><li>A natureza é a sua principal fonte de inspiração. </li></ul><ul><li>A natureza assume múltiplos significados: ora é uma extensão da pátria, ora é um refúgio à vida atribulada dos centros urbanos do século XIX , ora é um prolongamento do próprio poeta e de seu estado emocional. </li></ul>
  20. 20. <ul><li>Vinte anos! derramei-os gota a gota Num abismo de dor e esquecimento... De fogosas visões nutri meu peito... Vinte anos!... não vivi um só momento!(...) Eu sonhei tanto amor, tantas venturas, Tantas noites de febre e d'esperança. Mas hoje o coração desbota, esfria, e do peito no túmulo descansa! </li></ul><ul><li>Goethe </li></ul>
  21. 21. Fuga, evasão <ul><li>A inconformidade do artista romântico com o &quot;mundo cruel&quot; leva-o a uma série de procedimentos de fuga, já que a sociedade não quer escutá-lo ou não sabe compreendê-lo e ele não consegue mudá-la </li></ul><ul><li>O poeta devaneia, cria universos imaginários, onde encontra a luz e a alegria que a sociedade burguesa não lhe oferece. </li></ul>Mal do século
  22. 22. O &quot;mal do século&quot; é uma &quot;enfermidade moral&quot; e não física. Resulta do tédio , mas não do tédio comum. A concepção romântica aponta para um aborrecimento desolado e cínico, que ressalta tanto a falta de grandeza da existência quotidiana, quanto o vazio dos corações . Deve-se às mudanças bruscas e profundas provocadas pela: - revolução industrial que cria cidades onde as pessoas se sentiam desenraizadas -revoluções liberais que criaram um ambiente de instabilidade
  23. 23. “ Deus à poesia deu por alvo a pátria, Deu a glória e a virtude.” Alexandre Herculano “ Pouco bastará para nos persuadirmos de que a biografia das famílias ou dos indivíduos nunca pode caracterizar qualquer época; antes pelo contrário , a história dos costumes, das instituições das ideias é que há- de caracterizar os indivíduos ainda quando quisermos estudar a vida do grande indivíduo moral chamado povo ou Nação.” Alexandre Herculano, História de Portugal Tu, doce liberdade, Solta dos torpes da ignorância, Tu desprendeste o voo, E em nossos corações, na voz , nos lábios Vieste enfim pousar! Almeida Garrett, 24 de Agosto de 1820
  24. 24. Culto do passado: Idade Média e exaltação do nacionalismo -o romântico encontra constantemente no passado ideais sublimes e valores que lhe servem de modelo. Caracteriza-se por uma tendência de fuga da realidade, pois tanto o mundo medieval como o mundo infantil representam o paraíso perdido, uma época de ouro na qual as criaturas seriam felizes. -Defesa do nacionalismo e exaltação da liberdade dos povos, o que está ligado à Idade Média , época em que nasceram a maioria das nações europeias -Defesa da liberdade de criação, expressão, liberdade política, social, económica
  25. 25. E por te amar, por teu desdém, perdi-me... Tresnoitei-me em orgias, macilento, Brindei, blasfemo, ao vício, e da minh'alma Tentei me suicidar, no esquecimento! Poema

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