Cancer infravermelhos longosphoton

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Cancer infravermelhos longosphoton

  1. 1. ACREDITANDO NA EFICÁCIA DO TRATAMENTO À BASE DE RAIOS  INFRAVERMELHOS LONGOS  NO COMBATE AO CÂNCER  Ataca as células cancerosas!  Recupera a confiança para viver!
  2. 2. Aspectos positivos mais significativos do tratamento por hipertermia geral do corpo humano à base de raios infravermelhos longos: Œ Alivia as fortes dores características do câncer em fase terminal • Apresenta maior sobrevida Ž Reduz ou elimina as células cancerosas • Proporciona maior segurança e impacto menor ao corpo do paciente • Oferece facilidade operacional e permite aplicações freqüentes ‘ Elimina a dor e aumenta o apetite desde a primeira aplicação Desenho da capa do livro original­ Communication Arts/ Shinji Aoyama Foto da capa do livro original­ Collor Box LOCAL PARA INSERÇÃO DA AUTORIZAÇÃO PARA TRADUÇÃO E PUBLICAÇÃO E COPYRIGHTNota da Tradução: Os nomes de instituições e pessoas contidas neste livro são transcrições do som para o alfabeto romanizado. 2 
  3. 3. O efeito surpreendente da terapia à base de raios infravermelhos longos no  combate ao câncer — Uma introdução em substituição ao prólogo  O efeito surpreendente da terapia à base de raios infravermelhos longos no combate ao câncer Uma introdução em substituição ao prólogo Um método terapêutico que alivia a dor e prolonga a sobrevidaAtualmente, o tratamento por hipertermia geral (de todo o corpo) está sendo novamente reconhecido como um importante método terapêutico para o tratamento do câncer e, em especial, o “tratamento por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos” vem chamando  a  atenção  do  mundo  inteiro.  A  “hipertermia  geral  à  base  de  raios infravermelhos longos” é um método de tratamento que consiste em elevar a temperatura  o do corpo humano a 42  C e atacar as células cancerosas com o calor gerado. Atualmente, a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia são denominadas “os três pilares” do  tratamento  de  câncer.  A  quimioterapia  é  um  tratamento  medicamentoso  à  base  de drogas  anticancerígenas.  Evidentemente,  o  tratamento  por  hipertermia  geral  não  está incluído nesse caso. O  “tratamento  por  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos”  conseguiu aliviar a dor de pacientes terminais abandonados pelos médicos, que haviam optado pelo tratamento  por  radioterapia  ou  quimioterapia,  proporcionando­lhes  maior  sobrevida  e outros efeitos positivos. Figura 1 ­ As grandes mudanças que estão ocorrendo no aspecto do tratamento do câncer 3
  4. 4. Nos Estados Unidos, a tendência do tratamento do câncer vem passando por mudanças profundas e os métodos convencionais, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia, são considerados  “tratamentos  invasivos”  e  prejudiciais  ao  corpo  humano,  pois  as  drogas anticancerígenas  acabam  atacando  não  só  as  células  cancerosas,  mas,  também,  as células saudáveis. Em  contraposição,  a  hipertermia,  a  imunoterapia  e  outras  formas  de  terapia  que  não agridem  o  corpo  humano  são  denominadas  “tratamentos  não  invasivos”.  Esses tratamentos  vêm  ganhando  destaque  nos  Estados  Unidos  em  virtude  dessa característica. A  imunoterapia  é  um  tratamento  à  base  de  medicamentos  denominados  agentes imunomoduladores.  Estes  remédios  não  são  nocivos  ao  corpo humano,  diferentemente  dos anticancerígenos  e  causam  efeitos  positivos  que  aumentam  a  capacidade  imunológica  dos pacientes. Entretanto, no estágio atual, ainda permanecem algumas dúvidas quanto à eficácia da imunoterapia e estamos à espera de novas descobertas futuras. Acreditamos  que a  “terapia não invasiva”  seja  a opção  para  o tratamento  de  câncer  do século  21.  Entre  as  terapias  dessa  natureza,  temos  a  plena  confiança  de  que  o “tratamento  por  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos” proporcionará efeitos surpreendentes no tratamento do câncer. Por que a hipertemia à base de raios infravermelhos longos agoraA  hipertemia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos,  considerada  como  um “tratamento  não  invasivo”,  oferece  algumas  vantagens  que  merecem  ser  destacadas. Vamos apresentá­las em seguida:  • Alivia as fortes dores características do câncer terminal  ‚ Apresenta maior sobrevida  ƒ Reduz ou elimina as células cancerosas  „ Proporciona maior segurança e menor impacto ao corpo do paciente  … Oferece facilidade operacional e permite aplicações freqüentes  † Elimina a dor e aumenta o apetite desde a primeira aplicação O “tratamento por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos” oferece essas grandes vantagens, mas um aspecto que merece ser enfatizado aqui é o fato de aliviar as fortes dores, características do câncer terminal. Os  pacientes  terminais  de  câncer  sofrem  dores  insuportáveis  no  corpo  todo.  Podemos considerar  um  fator  bastante  positivo  o  simples  fato  de  o  paciente  ser  libertado  desse sofrimento. Em segundo lugar, está o aumento da sobrevida. Observando os casos de tratamento por esse método, é impressionante o seu efeito em relação à sobrevida, comparado­se com outros métodos terapêuticos. 4 
  5. 5. O efeito surpreendente da terapia à base de raios infravermelhos longos no  combate ao câncer — Uma introdução em substituição ao prólogo Seria  maravilhoso  se  um  paciente  terminal  com  três  meses  de  sobrevida  estimada pudesse viver mais três ou cinco anos sem sofrer dores, levando uma vida relativamente tranqüila. Além  disso,  não  seria apenas  a  questão  de  viver  mais  tempo,  mas  o  fato  de poder viver normalmente, alimentando­se com muito apetite. E  mais  ainda,  já  houve  casos  de  alguns  pacientes  que  tiveram  o  câncer  curado.  Esta alegria é  inimaginável  para  uma  pessoa  sadia,  pois,  mesmo que  o  ganho de  sobrevida seja  apenas  de  um  ano,  provavelmente  serão  dias  bastante  significativos  para  a  vida dessa pessoa. Em terceiro lugar, podemos destacar o efeito na diminuição do câncer. Aproximadamente 70%  dos  pacientes  submetidos  a  esse  tipo  de  tratamento  tiveram  a  diminuição  das células cancerosas. Atualmente, o  “tratamento  por  hipertermia  geral à  base  de  raios infravermelhos longos” não  permite  evidentemente  a  cura  total  do  câncer;  entretanto,  em  10%  dos  pacientes tratados com esse método, não foi observada a presença de células cancerosas após a terapia. Existem muitos casos em que a metástase dos ossos foi curada totalmente. O  “tratamento  por  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos”  apresenta ainda  muitas  vantagens  que  os  leitores  poderão  conhecer  mais  detalhadamente  neste livro. O  Hospital  Luka,  localizado  no  bairro  de  Nakano  em  Tokyo,  interessou­se  pelo “tratamento por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos” e foi o pioneiro na introdução do aparato para a hipertermia adquirido da empresa americana Enthermics. Em  fevereiro  de  1991,  o  hospital  iniciou  ativamente  a  aplicação  do  “tratamento  por hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos”. O  tratamento  utilizando  esse  dispositivo  leva  de  4  a  5  horas  por  aplicação,  para  cada paciente.  Uma  vez  que  um  único  aparelho  limitava  a  quantidade  de  pacientes  que poderiam ser atendidos, o hospital colocou à disposição um segundo aparelho aquecedor à base de raios infravermelhos longos para atender à expectativa dos pacientes. O  Hospital  Luka  não  é  luxuoso,  ao  contrário,  é  um  hospital  simples.  No  entanto,  o  Dr. Takashi  Takeuchi,  diretor­geral,  um  cristão  praticante,  vem  dedicando­se  à  terapia  em contato  direto  com  os  pacientes.  Esse  hospital  desprovido  de  luxuosidade  oferece  um tratamento médico de alto nível, equiparado aos melhores hospitais do mundo e continua apresentando seus trabalhos em congressos nacionais e internacionais. Dizem  que  o  câncer,  doenças  cardíacas  e  apoplexia  cerebral  são  as  três  maiores doenças  de  adultos.  Duas  delas,  doenças  cardíacas  e  apoplexia  cerebral,  já  estão  sob controle,  restando  apenas  a  cura  do  câncer,  este  considerado  o  último  problema  da atualidade  na  área  da  Saúde. A  medicina  moderna  estará  completa  ao  se  encontrar  a cura do câncer. Nós, médicos, estamos lutando dia e noite contra esse mal, e agora uma luz de esperança começa a brilhar no céu do oriente.  Masayoshi Yokoyama 5 
  6. 6. Índice  Um método terapêutico que alivia a dor e prolonga a sobrevida......................................................................3  Por que a hipertemia à base de raios infravermelhos longos agora...................................................................4 Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  o  As células cancerosas são bastante vulneráveis à temperatura de 42  C ..........................................................10  o  Mesmo aquecendo até 42  C, o risco para o corpo humano é zero..................................................................12  Existe um ponto comum entre a morte da célula cancerosa e a assadura de cama ..........................................14  As cinco razões da eficácia do tratamento por hipertermia geral no combate ao câncer..................................16  Submetendo­se pela primeira vez à uma terapia à base de raios infravermelhos longos ­  depoimento do Sr. T.T..................................................................................................................................20  “É isto! Para a hipertermia geral, os raios infravermelhos longos são a solução.” ..........................................21  A descoberta do tratamento por hipertermia remonta aos tempos do Egito antigo ..........................................22  A necessidade urgente de incorporar a hipertermia geral na cobertura do seguro­saúde .................................23  É impossível aumentar a sobrevida do paciente por meio da hipertermia local ..............................................24  A terapia à base de raios infravermelhos longos é a estrela da esperança na cura do câncer ...........................26  O efeito da hipertermia geral é maior nas pessoas saudáveis .........................................................................27  Com uma seção de terapia, já é possível dispensar o analgésico....................................................................30  A notificação do câncer não provoca medo...................................................................................................32  Hipertermia geral pelo método de circulação extracorpórea ..........................................................................34 Capítulo 2 ­ Por que os raios infravermelhos longos são  eficazes no combate ao câncer  Existem diversas ondas eletromagnéticas .....................................................................................................42  Na realidade, a “dádiva do sol” são os raios infravermelhos..........................................................................44  Por que os raios infravermelhos têm um forte efeito térmico.........................................................................45  Por que os raios infravermelhos longos são melhores para a hipertermia.......................................................48  A segurança é garantida pelo dispositivo de parada automática de dois estágios ............................................49  Os aparelhos de hipertermia geral de fabricação japonesa estão atualmente em fase de tratamento  experimental................................................................................................................................................52  Na alemanha, uma seção de terapia apresentou 64% de eficácia no tratamento do câncer ..............................54  O paciente nº 1, que recuperou a perda de sensibilidade da parte inferior do corpo........................................57  Apresentação de 20 casos de tratamento no congresso de hipertermia...........................................................58  O tratamento do câncer foi agilizado com a introdução do segundo aparelho ................................................59 6
  7. 7. O efeito surpreendente da terapia à base de raios infravermelhos longos no  combate ao câncer — Uma introdução em substituição ao prólogo Capítulo 3 ­ Elimina a dor e prolonga a sobrevida. Uma apresentação de casos reais  Recuperado do câncer de pulmão que não havia chance de cirurgia...............................................................62  A terapia à base de raios infravermelhos longos foi eficaz no combate à metástase do  adenoma do tórax  nos dois pulmões ............................................................................................................64  Leva uma vida saudável mesmo depois de ter extraído o pâncreas e o baço...................................................65  Desapareceram as dores causadas pelo câncer que não tinha a possibilidade de cirurgia ................................66  O câncer do pulmão e a metástase apresentaram melhoras com o tratamento à base de raios  infravermelhos longos..................................................................................................................................67  Viveu mais de um ano depois de ter sido comunicado que a sobrevida era de três meses ...............................68  “Tenho a sensação real de ter recebido uma nova vida.”................................................................................69  Com dois ciclos de tratamento à base de raios infravermelhos longos melhorou o câncer  do estômago e a oclusão intestinal................................................................................................................70  Desapareceu totalmente a metástase do câncer no intestino grosso ................................................................71  O câncer da próstata desapareceu completamente com o tratamento à base de raios infravermelhos...............72  O câncer terminal do estômago melhorou com apenas um ciclo ....................................................................72  Recuperou a condição física que estava debilitada com o câncer do pulmão ..................................................73  Desapareceu a dor nas costas provocada pelo câncer do pulmão ...................................................................74  Em fase de observação depois da estagnação do câncer ................................................................................75  A luta contra o câncer que se prolongou durante 9 anos ................................................................................76  Recuperou­se do câncer do pulmão e hoje trabalha ativamente com política..................................................77  Recuperou­se muito bem do câncer terminal do pulmão, quando a sobrevida havia sido estimada  em três meses ..............................................................................................................................................77  Participou do jogo de golfe depois de um ciclo de tratamento contra o câncer renal e metástase  do fígado e pulmão ......................................................................................................................................78  Melhorou do câncer hepático e da metástase dos dois pulmões .....................................................................79  A parte inferior do corpo estava paralisada por causa da metástase dos ossos, mas teve alta  depois de dois ciclos ....................................................................................................................................79  Não há motivo de preocupação com a hipertermia geral, mesmo para as pessoas de idade avançada..............80  Houve uma reviravolta, passando do câncer de pulmão a um passeio na festa da cerejeira ... .........................81  A metástase do pulmão provocada pelo linfoma maligno melhorou de forma surpreendente ..........................82  Recusou a cirurgia e viajou pelo mundo depois de ser tratado com a hipertermia geral ..................................83  Recuperada do câncer de mama com metástase nos ossos .............................................................................83  A cirurgia conservadora das mamas trouxe as piores conseqüências possíveis, mas ... ...................................85  Melhorou o câncer da mama direita e a metástase do fígado .........................................................................85  Uma breve estagnação do câncer de mama reincidente e da metástase ..........................................................86  Um médico clínico­geral que foi submetido à hipertermia geral à base de raios infravermelhos  longos por causa do câncer de mucosa uretral...............................................................................................87 7 
  8. 8. Capítulo 4 ­ Os métodos terapêuticos que proporcionam felicidade aos pacientes  A terapia deveria ser escolhida pelo paciente................................................................................................90  Foi alcançada a maior taxa de sobrevida no tratamento de câncer do pulmão ................................................91  Por que as drogas anticancerígenas provocam danos ao fígado .....................................................................92  Aprendendo com os pacientes que lutam contra o câncer..............................................................................94  Aprendendo com a terapia naturalista praticada pelos pacientes....................................................................95  O tratamento do câncer inicia quando o paciente recusa a terapia oferecida pelo hospital ..............................96  Um relato somente dos casos em que o câncer foi curado naturalmente ........................................................97  Aprendendo com a prática da boa alimentação, conduzida pelos pacientes....................................................98  O conhecimento mínimo que todos deveriam ter sobre a imunoterapia .........................................................98  Aprendendo com a imunoterapia praticada pelos pacientes...........................................................................99  A eficácia demonstrada no tratamento do câncer com um aparelho doméstico utilizado para a  terapia à base  de luz.................................................................................................................................. 102  Um paciente portador de câncer que experimentou um aquecedor geral do corpo desenvolvido  por ele  mesmo .......................................................................................................................................... 103 Capítulo 5 ­ A atual situação do tratamento de câncer e sua prevenção  O câncer é a doença de maior incidência .................................................................................................... 106  O câncer não surge repentinamente ............................................................................................................ 108  Será que é realmente possível descobrir e tratar o câncer ainda em seu estágio inicial?................................ 111  Ainda não existe um medicamento que seja a palavra final ......................................................................... 113  Vamos conhecer a realidade do tratamento de câncer.................................................................................. 114  O câncer de estado inicial não aparece na radiografia ................................................................................. 123  Por que ocorre a metástase do câncer ......................................................................................................... 124  Até que ponto os exames de câncer são eficazes......................................................................................... 126  A dúvida sobre o julgamento de um processo de tratamento médico ........................................................... 128  Os doze mandamentos que previnem o câncer............................................................................................ 129  Quais são os alimentos que podem prevenir o câncer? ................................................................................ 131  Que tipo de alimentação poderia ter depois de contrair o câncer?................................................................ 133  Os cuidados com a saúde não podem ser deixados nas mãos de outras pessoas ........................................... 135  O paciente com diabetes que conquistou a saúde por meio de jogging (corrida) .......................................... 136  Por favor, salvem os pacientes como nós ­ para encerrar o livro.................................................................. 138 Colaborador de editoração do livro original: Kokichiro Tsukioka Elaboração de gráficos e figuras do livro original: Minako Tsukioka 8 
  9. 9. Capítulo 1  Ofensiva contracélulas cancerosas 9 
  10. 10. As células cancerosas são bastante vulneráveis à temperatura de 42oCInicialmente,  vamos  explicar  sucintamente  a  lógica  do  tratamento  por  hipertermia  e  os tipos de tratamento existentes. As  células  cancerosas apresentam  a  característica  de  ter  baixa  resistência ao  calor  em comparação com as células normais. A razão disso será explicada posteriormente, mas a lógica  do  tratamento  por  hipertermia  é  eliminar  as  células  cancerosas,  aproveitando  o calor gerado por esse método terapêutico.  o Pergunta­se, então, a quantos graus as células cancerosas morrem. A resposta é: 42  C. Uma temperatura acima desta prejudicaria também as células saudáveis, principalmente as  do  cérebro.  Em  virtude  disso,  durante  o  tratamento  hipertémico,  a  temperatura  é  o sempre controlada para manter­se em 42  C. O tratamento hipertémico pode ser local ou geral, ou seja, em todo o corpo. (figura 2). Na hipertemia  geral,  o  aquecimento  do  corpo  era  feito,  tradicionalmente,  pelo  método  de circulação  extracorpórea  até  a  introdução  do  método  por  hipertermia  geral  à  base  de raios  infravermelhos  longos.  (As  explicações  sobre  a  hipertermia  geral  pelo  método  de circulação  extracorpórea estão  resumidas  nas  páginas 34 a  40.  O  assunto é  um  pouco específico e difícil de ser entendido; portanto, recomendamos a leitura somente àqueles que tiverem interesse.)  Figura 2 ­ Tipos de hipertermia 10
  11. 11. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas O  método  de  circulação  extracorpórea  foi  introduzido  há  mais  de  15  anos  e  muitos resultados  positivos  foram  obtidos.  Esse  método  originou­se  do  aproveitamento  das técnicas de circulação sangüínea empregadas durante uma cirurgia cardíaca. Ao efetuar uma operação do coração, é necessário interromper o batimento cardíaco de 60 a 120 minutos. Entretanto, uma simples parada desse batimento acabaria provocando também a interrupção do fluxo sangüíneo, levando o paciente à morte. Por  esta  razão,  durante  a  cirurgia,  a  circulação  sangüínea  é  mantida  por  meio  de  um aparato  artificial  cárdio­pulmonar,  externo  ao  corpo  do  paciente,  em  substituição  ao coração que está sendo submetido à intervenção cirúrgica. Esse método  é denominado circulação extracorpórea e foi consolidado por volta de 1960. Normalmente o sangue que circula pelo corpo retorna ao átrio direito do coração através da  veia  cava.  Porém,  no  método  de  circulação  extracorpórea,  em  vez  de  o  sangue retornar  para  o  átrio  direito  é  conduzido  para  o  circuito  do  mecanismo  de  circulação extracorpórea. Em  seguida,  o  sangue  recebe  a  oxigenação  do  aparelho  cárdio­pulmonar  artificial  e  é enviado para dentro da veia cava do paciente. Esse método permite esvaziar o coração, deixando­o sem sangue, e efetuar a cirurgia com maior facilidade. Com a técnica disponível atualmente, o coração pode permanecer algumas horas parado e  sua  função  é  substituída  pelo  aparato  cárdio­pulmonar  artificial.  O  “tratamento hipertémico  geral  pelo  método  de  circulação  extracorpórea”  é  uma  aplicação  baseada nessa técnica cirúrgica. Na  cirurgia  cardíaca,  a  temperatura  do  corpo  do  paciente  durante  a  operação  é  o controlada  para  manter­se  em  26  C  e,  depois  da  operação,  esta  temperatura  precisa  o  o retornar para a faixa situada entre 36  C e 37  C. A diferença de temperatura entre os dois  o momentos é de aproximadamente 10  C e o procedimento de retorno para a temperatura normal exige muita técnica.  o  o Por  outro  lado,  na  hipertermia,  basta  elevar  a  temperatura  de  37  C  para  42  C,  e  a  o diferença é de apenas 6  C; portanto, isto pode ser considerado uma tarefa relativamente fácil  se  compararmos  com  o  procedimento  de  controle  da  temperatura,  exigido  numa cirurgia do coração. Assim  sendo,  o  “tratamento hipertémico geral pelo  método de  circulação extracorpórea” tem como origem o aproveitamento da técnica e da experiência do método de circulação extracorpórea e do controle de temperatura. Entretanto,  o  problema  desse  “tratamento  hipertémico  geral  pelo  método  de  circulação extracorpórea”  é  o  grande  desgaste  físico  do  paciente  após  a  aplicação,  o  que  foi melhorado  com  o  “tratamento  por  hipertemia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos longos”. 11 
  12. 12. Mesmo aquecendo até 42oC, o risco para o corpo humano é zeroNormalmente,  que  tipo  de  alteração  poderá  ocorrer  no  corpo  humano  quando  este  é  o aquecido até 42  C ? Em primeiro lugar, há o aumento da transpiração. Para repor a água perdida em forma de suor, são injetados no paciente 2.000 cc. de solução de glicose com a concentração de 5%. Sem essa solução, o paciente correria o risco de desidratação. Evidentemente,  quando  se  trata  de  uma  solução  de  glicose  de  concentração  5%,  esta contém açúcar e, ao ser injetado no paciente, provoca um aumento do teor de glicose no sangue, trazendo efeitos benéficos para o tratamento do câncer. Em segundo lugar, há a redução da quantidade de urina do paciente. Esta redução ocorre, obviamente,  em  função  da  transpiração.  Contudo,  além  desse  motivo,  a  diminuição  da quantidade  de  urina  está  também  relacionada  a  hormônios.  O  nosso  corpo,  quando submetido  a  altas  temperaturas,  ativa  naturalmente  uma  função  auto­reguladora, produzindo hormônios que inibem a liberação da urina (hormônios antidiuréticos). Em  terceiro,  a  pressão  sangüínea  tende  a  diminuir  em  virtude  da  dilatação  dos  vasos sangüíneos, causada pelo aquecimento do corpo. Entretanto, para a maioria dos casos, a aplicação  da  solução  de  glicose  a  5%  permite  manter  a  pressão  do  sangue  dentro  de valores normais. Em  quarto,  o  batimento  cardíaco  fica  acelerado  como  se  a  pessoa  estivesse  correndo (figura  3).  A  pulsação  aumenta  temporariamente  para  algo  em  torno  de  duas  vezes  a pulsação anterio ao aquecimento. Em razão disso, durante o tratamento pelo método de hipertermia geral, controlamos permanentemente a temperatura através de um monitor. A quantidade de sangue que  é bombeada pelo coração, num intervalo de um  minuto, é denominado  volume  cistólico.  O  volume  de  uma  pessoa  normal,  que  não  está  se  o movimentando, é  de 5  l/minuto. Ao elevar  a  temperatura  para  42  C,  este volume sobe para 12 l/minuto, ou seja, o aumento do volume é duas vezes superior. Em  quinto,  existem  pesquisas  sobre  a  variação  do  eletrocardiograma.  São  observadas algumas  variações  no  eletrocardiograma  durante  a  hipertermia  geral,  mas  todas  essas variações  são  fenômenos  que  ocorrem  somente  durante  o  aquecimento  do  corpo  e sempre voltam à normalidade quando este é resfriado. Por  exemplo,  durante  o  aquecimento  poderá  ser  provocada  uma  arritmia  dos  átrios, entretanto a arritmia ventricular já é mais difícil de ocorrer. Parece que os átrios são mais sensíveis e reagem mais ao aquecimento do que os ventrículos. Contudo, isso não será motivo de preocupação uma vez que a hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos é um tratamento seguro. A quantidade de glóbulos vermelhos e brancos não sofre alteração com o aquecimento, embora  haja  redução  na  quantidade  de  plaquetas  sangüíneas,  diminuindo  de  300  mil, 12
  13. 13. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  Figura 3 ­ Variação do batimento cardíaco durante a hipertermia geral  Interpretação do gráfico A  temperatura  é  controlada  durante  a  terapia  e  acompanhada  permanentemente  pelo monitor, uma vez que o batimento cardíaco passará a ser quase o dobro do de antes do aquecimento. 13 
  14. 14. que é a quantidade antes do aquecimento, para aproximadamente 100 mil, em razão da elevação da temperatura. Porém,  essa  redução  também  não  será  motivo  de  preocupação,  pois  em  uma  semana aproximadamente a quantidade volta ao normal (figura 4). Pelas  explicações  anteriores,  acreditamos  que  foi  possível  o  leitor  compreender  que existe  uma  variação  da  pressão  sangüínea  e  do  batimento  cardíaco  em  função  da hipertermia geral, mas isso não trará nenhum problema do ponto de vista de segurança para os pacientes. Pergunta­se, então, quais serão as influências em outros órgão do corpo humano? Começando pela conclusão, não foi constatada nenhuma influência no funcionamento do fígado  e  outros  órgãos.  Em  geral,  quando  ocorre  algum  distúrbio  no  fígado  ou  no coração,  aumentam­se  os  valores  de  GOT,  GPT  CPK,  etc.  do  sangue,  mas  não  foram observadas variações desses valores em conseqüência da hipertermia geral. Vamos pensar no limite de temperatura para o aquecimento. Quanto maior a temperatura, maior  será  a  facilidade  de  erradicar  as  células  cancerosas.  Entretanto,  quando  esta temperatura ultrapassa um certo limite, será o corpo do paciente que sofrerá danos. Em razão disso, é necessário pensar na temperatura ideal de aquecimento para obter a máxima eficiência. A temperatura de aquecimento está relacionada também com o tempo de aquecimento. Esse tempo de aquecimento equivale ao tempo decorrido depois de ter  o atingido a marca de 41  C. Na  hipertermia  geral,  diz­se  que  o  limite  máximo  de  temperatura  para  combater  as  o células  cancerosas  e  garantir  a  segurança  do  paciente  é  de  42,5  C.  Uma  experiência realizada  com  macacos  japoneses  demonstrou  que  não  houve  nenhum  problema  ao  o manter aquecido o corpo desses animais a 43  C, durante uma hora.  o Entretanto,  em  pacientes  clínicos,  considera­se  que  uma  temperatura  de  41,8  C  seja  o limite  para  a  hipertermia  durante  3  horas,  em  razão  da  diferença  de  idade  entre  os pacientes e dos sintomas de doença apresentados por eles. Existe um ponto comum entre a morte da célula cancerosa e a assadura de camaQuando  um  doente  permanece  deitado  na  cama  por  um  ou  dois  meses  há  o aparecimento  de uma  assadura  na região  das  nádegas.  Na  medicina,  essa  assadura  é denominada escara de decúbito e trata­se de um fenômeno de destruição parcial da pele, em conseqüência da obstrução do fluxo sangüíneo. Muitas vezes, essa destruição não se limita apenas à  pele,  podendo  chegar a atingir  uma  parte da  membrana  subcutânea ou músculos. Para evitar a assadura de cama, é importante virar o paciente ora para a direita, ora para a esquerda, para que ele não fique deitado sempre em uma mesma posição. Ou seja, a mudança constante da posição do corpo do paciente ajuda a prevenir a assadura. 14 
  15. 15. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  Figura 4 ­ Variação das plaquetas sangüíneas  Interpretação do gráfico A quantidade de plaquetas sangüíneas, que era de 300 mil, atingirá o seu valor mínimo em três dias depois da aplicação do tratamento, mas recuperará o valor anterior em uma semana. 15 
  16. 16. Nossa  equipe  faz  cirurgias  quase  todos  os  dias.  Em  geral,  uma  cirurgia  do  coração demora  de  cinco  a  seis  horas,  mas  dificilmente  os  pacientes  sofrem  de  assadura  por causa dessa cirurgia. Não  foi  observado  nenhum  caso  de  assadura  pelo  tratamento  por  hipertermia  geral  à base  de  raios  infravermelhos  longos,  atualmente  empregado.  A  hipertermia  geral  pelo método  de  circulação  extracorpórea,  praticado  anteriormente,  provocava  facilmente assaduras apesar de o tempo de tratamento ser de apenas quatro a cinco horas. Viam­se assaduras  não  só  nas  costas  e  nádegas,  partes  que  permaneciam  em  contato  com  a cama, mas também nos ombros, calcanhares, cotovelos e até na cabeça, na região que ficava em contato com o travesseiro. Quando  medimos  a  pressão  sangüínea,  prendemos  uma  braçadeira  com  o  manômetro  no antebraço  do  paciente,  normalmente  é  muito  raro  que  isso  provoque  uma  hemorragia subcutânea. No entanto, quando a hipertermia é feita pelo método de circulação extracorpórea, acaba provocando hemorragia subcutânea na região do braço presa com essa braçadeira. Como  havíamos  notado  muitos  casos  de  pacientes  com  assaduras,  providenciamos quantidades consideráveis de esponjas e as colocamos em todas as partes do corpo do paciente  que  eram  comprimidas.  Com  isso,  conseguimos  reduzir  as  assaduras  que apareciam depois do aquecimento. Existe uma razão muito clara para explicarmos em minúcias sobre assaduras nesta parte do livro. O motivo é a relação existente entre a lógica de destruição da célula cancerosa e a causa da assadura.  o Quando  a  temperatura  do  corpo  atinge  42  C,  em  função  da  hipertermia,  o  fluxo sangüíneo  nos  vasos  menores  é  dificultado,  causando  a  assadura.  Essa  mesma lógica aplica­se também para as células cancerosas. Dentro  do  tecido  canceroso  existem  poucos  vasos  sangüíneos,  razão  pela  qual  esse tecido  apresenta  a  tendência  para  a  desnutrição.  Somando­se  a  isso  o  calor,  o  fluxo sangüíneo,  que já não  é  bom, fica  ainda  pior  e seu  estado  de  desnutrição é  agravado. Este fato leva o tecido canceroso à destruição. As cinco razões da eficácia do tratamento por hipertermia geral no combate ao câncerA  primeira  razão  da  elevada  eficácia  demonstrada  pelo  tratamento  por  hipertermia  é  a manutenção do tecido canceroso em estado de desnutrição, conforme mencionamos acima. A  segunda  razão  é fundamentada  na pesquisa de  Visher,  a  qual  comprova a facilidade com que ocorre a diminuição do oxigênio localizado em um tecido canceroso. À medida que  o  corpo  vai  sendo  aquecido,  aumenta  a  concentração  de  oxigênio  em  todos  os tecidos do corpo; entretanto, no caso do tecido canceroso, ocorre um fenômeno inverso,  o provocando a diminuição dessa concentração em temperaturas acima de 41  C (figura 5). Acredita­se  que  esse  fenômeno  ocorra  por  causa  de  mecanismos  semelhantes  aos  da assadura  explicada  anteriormente. A  pesquisa  de  Visher  apresenta  em  forma  de  gráfico  a eficácia da hipertermia com detalhes, relacionando­a à concentração do oxigênio. 16 
  17. 17. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  Figura 5 ­ Pesquisa de Visher/temperatura e pressão do oxigênio local  Interpretação do gráfico Em comparação com um tecido normal, o tumor apresenta a diminuição da pressão do oxigênio local em temperaturas baixas. 17 
  18. 18. A terceira razão é o aumento da acidez que ocorre no interior de um tecido canceroso. A parte interna de um tecido canceroso já é ligeiramente ácida, mas essa acidez aumenta com o aquecimento e faz com que haja um acúmulo do ácido láctico. O ácido láctico é uma espécie de resíduo envelhecido e, quando há insuficiência de oxigênio, esse ácido não é decomposto, ficando retido dentro do tecido e provocando­lhe danos. Por  exemplo,  quando  não  se  consegue  percorrer  nem  100  metros  com  força  total, significa  que  o  oxigênio  não  está  sendo  distribuído  de  forma  suficiente  para  todos  os tecidos do corpo, provocando a retenção do ácido láctico e a estafa física. Entretanto,  quando  se trata  de  um  jogging  (corrida),  uma  pessoa  que  está  habituada  a correr  não  sentirá  cansaço,  mesmo  depois  de  correr  alguns  quilômetros,  porque  o oxigênio é distribuído por todo o corpo, evitando o acúmulo do ácido láctico e a fadiga. A  título de  curiosidade, os  exercícios  que  exigem  oxigenação  abundante  durante a  sua prática,  como  o  jogging,  são  denominados  “exercícios  aeróbios”  e  aqueles  sem oxigenação, a exemplo de uma corrida com velocidade total, de “exercícios anaeróbios”. Em suma, o ácido láctico é uma substância que provoca fadiga dos tecidos e o acúmulo deste ácido no tecido canceroso causa a morte do tecido pela fadiga. Do ponto de vista fisiológico, o processo  de  composição  dos  genes  de  células  cancerosas,  que  é  o  responsável  pelo  o  o crescimento do câncer, é interrompido a uma temperatura entre 39  C e 40 C. A  quarta  razão  é  a  própria  característica  da  célula  cancerosa.  Em  geral,  essas  células apresentam pouca resistência ao calor e morrem quando são aquecidas. Sabe­se que a taxa  de  sobrevivência  das  células  cancerosas  diminui  à  medida  que  são  aquecidas,  e ainda,  essa  mesma  taxa  também  decresce  quando  as  células  são  submetidas aquecimento prolongado (figura 6). A  quinta  razão  refere­se  ao  aumento  da  capacidade  imunológica  do  paciente,  em conseqüência  do  aquecimento.  O  aquecimento  provoca  a  secreção  de  uma  substância semelhante  à  morfina  denominada  endorfina,  que  é  proveniente  do  sistema  nervoso. Com a hipertermia, a ação do sistema imunológico é estimulada e a capacidade de auto­ recuperação do corpo, fortalecida, iniciando assim o ataque às células cancerosas.  Por exemplo, a febre alta provocada pela gripe é considerada como um dos mecanismos do organismo para ativar o funcionamento do sistema imunológico. Em geral, as células cancerosas apresentam baixa resistência ao calor e morrem quando são aquecidas. Um  aquecimento  prolongado vai  reduzindo a  taxa de  sobrevivência das células cancerosas. O  mecanismo  consiste  no estímulo  da  ação  dos  glóbulos  brancos  e  de  anticorpos,  em função da alta temperatura, e serve também no combate ao vírus da gripe. Por  essa  razão,  diz­se  que  o  resfriado  acaba  durando  mais  tempo  quando  tomamos  um antitérmico  no  início  da  gripe  para  baixar  a  febre,  pois  isso  faz  com  que  a  capacidade imunológica do organismo deixe de ser reforçada. Em se tratando de uma gripe, parece que a cura é mais rápida quando se deixa aumentar a febre no seu período inicial, desde que não apresente risco de pneumonia. Os médicos clínicos­gerais só receitam antitérmicos quando a febre não baixa depois de dois ou  três  dias.  Podemos  considerar  que  o  aumento  da  capacidade  de  auto­recuperação  do corpo, proporcionado pela hipertermia, segue a mesma lógica do exemplo acima. 18 
  19. 19. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  Figura 6 ­ Tempo de aquecimento e taxa de sobrevivência das células cancerosas  Interpretação do gráfico Em  geral,  as  células  cancerosas  apresentam  baixa  resistência  ao  calor  e  morrem quando  são  aquecidas.  Um  aquecimento  prolongado  vai  reduzindo  a  taxa  de sobrevivência das células cancerosas. 19 
  20. 20. Submetendo-se pela primeira vez à uma terapia à base de raios infravermelhos longos - depoimento do Sr. T.T.De que forma um tratamento por hipertemia geral à base de raios infravermelhos longos é  executado na  prática. Vamos  apresentar  o  caso  da  experiência  do  Sr.  T.T.  (68 anos), paciente portador de câncer pulmonar. Esta  manhã  foi  o  marco  do  meu primeiro  dia  de  hipertemia  geral  à base  de  raios  infravermelhos longos. Ontem à noite pude dormir calmamente com a ajuda de um tranqüilizante. Entrei na sala de hipertemia geral do Hospital Luka às oito e meia. Instantes  depois, entraram na sala o médico e a enfermeira,  que  me  ministraram outra  dose  de tranqüilizante programada para  uma  hora  antes  da terapia. Eles examinaram o meu estado geral e fizeram exames de sangue, eletrocardiograma e raio X torácico. Os  preparativos  tais  como  a  colocação  do saafro(?)  para  a  aplicação  do  soro,  inserção  da  sonda para  medir  a  temperatura  do  esôfago,  etc.  foram  conduzidos  com  muita  habilidade.  (Nota:  A temperatura interna  do  corpo  humano  com  uma  pequena  defasagem  em relação  à temperatura  da pele; em virtude disso, a temperatura do esôfago é medida por meio de uma sonda para verificar se esta atinge o valor previsto.) Logo em seguida, deitei dentro de uma caixa de aço aquecida instalada dentro da sala de hipertemia geral.  Essa  caixa é  denominada  câmara.  É bastante quente. Disseram­me que  dentro  da  câmara  é  o possível atingir 76  C. A  sonda  de  temperatura  foi  conectada  ao  sistema  computadorizado.  Terminais  isolados  foram colocados no peito, abdômen, coxa, reto e esôfago. Foi colocada também uma sonda urinária (tubo para  urinar).  Quando  percebi,  já  estavam  sendo  medidos  automaticamente  a  pulsação,  o eletrocardiograma e a pressão sangüínea, a cada cinco minutos. Entrei na câmara despido,  mas  um vapor agradável cobria o meu corpo. Caí num sono profundo. Devo  ter  permanecido  assim  cerca  de  uma  hora  e  quinze  minutos  quando  um  alarme  soou,  o indicando  que  a  temperatura  no  interior  do  esôfago  tinha  atingido  41  C.  Fui  avisado  que  o computador iria iniciar a contagem. A maca foi retirada de dentro da câmara e rapidamente foram colocados um cobertor e uma manta plástica sobre meu corpo. O aquecimento continuou por mais uma hora. Anunciado pelo toque de uma campainha, foram retiradas as cobertas que envolviam o meu corpo, uma hora depois. Foi ficando mais fresco,  mas meu corpo estava literalmente ensopado de suor. A sensação era bastante agradável e não sentia nenhuma dor. Parecia que estava no céu. Ouvi a  voz do médico: “Terminamos!” Voltei ao quarto  de internação depois  de 30 ou 45 minutos. Ainda estava com sono. Já  haviam se passado três horas desde o início da terapia. Esse paciente foi internado no  Hospital Luka por  causa do  câncer  pulmonar.  Depois do tratamento hipertérmico geral à base de raios infravermelhos longos está passando bem. Atualmente,  terminou  o  segundo ciclo de  tratamento  e  diariamente vai  ao  trabalho  com muita disposição. 20
  21. 21. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  “É isto! Para a hipertermia geral, os raios infravermelhos longos são a solução.”Antes  de  iniciarmos  a  hipertemia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos,  tivemos experiência  com  150  casos  de  hipertermia  geral  pelo  método  de  circulação extracorpórea, o que representa mais de 500 aplicações. Quando  um  paciente  é  submetido  à  hipertemia  geral  pelo  método  de  circulação extracorpórea,  ele  fica  completamente  exausto  depois  da  seção.  A  comparação  não  é muito  feliz  e  pedimos  desculpas  por  isso,  mas  o  paciente  parece  uma  carpa  estirada sobre uma tábua de cortar. O  paciente  fica  três  dias  de  cama  depois  da  terapia  e,  no  quarto  dia,  quando  ele consegue andar sozinho até o banheiro é uma verdadeira festa, comemorada por todas as  pessoas  do  hospital.  Somente  depois  de  uma  semana  o  paciente  recupera­se  e consegue andar sozinho pelo corredor. A  freqüência  ideal  de  uma  hipertermia  geral  é  efetuar  a  segunda  seção  uma  semana depois da primeira. Contudo, pelo método de circulação extracorpórea, é extremamente difícil efetuar uma seção por semana, quando muito, a possibilidade é a de uma seção a cada dez dias. Em agosto de  1990, época em  que  estávamos  trabalhando  com o  método  de circulação extracorpórea, visitamos o Hospital Harper, em Chicago, Estados Unidos, para verificarmos o  tratamento  por  hipertemia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos.  Na  ocasião da  o visita, observamos que a temperatura do esôfago atingia a marca de 41,8  C. O que nos impressionou foi a cena em que o paciente estava conversando com o médico; o  mais  surpreendente  ainda  foi  o  acontecimento  depois  da  seção  quando  o  paciente levantou­se sozinho e retornou a seu quarto, de cadeira de rodas. Quando vimos essas cenas, não pudemos conter nossa expressão de espanto: “Fantástico”. Jamais  poderíamos  imaginar um  paciente tão disposto imediatamente  após uma  seção  de hipertermia. Isto era inconcebível pelo método de circulação extracorpórea. “É isto! Para a hipertermia geral, os raios infravermelhos longos são a solução.” Vamos  mudar  um  pouco  de  assunto.  Atualmente,  um  dos  problemas  mundiais  é  o aumento do número de casos de AIDS. Em especial, nos Estados Unidos e no sudeste da  Ásia,  o  aumento  de  pacientes  com  AIDS  está  tornando­se  um  problema  político.  A razão disso é a ausência de um tratamento definitivo para este mal. Porém, o vírus da AIDS também apresenta pouca resistência ao calor, em virtude disso, alguns  países  estão  fazendo  o  tratamento  hipertérmico  pelo  método  de  circulação extracorpórea. Já foram apresentados alguns relatórios que afirmam a cura do Sarcoma de Kaposi, que é um dos sintomas da AIDS, pela hipertermia. Se o método de circulação extracorpórea é eficaz, deverá ser eficaz também o de raios infravermelhos longos. No Japão não há notícia de cura da AIDS pela hipertermia, mas nos  Estados  Unidos  são  apresentadas,  na  televisão,  cenas de  tratamento  da AIDS  por esse método. De agora em diante, pretendemos analisar cuidadosamente os resultados do tratamento da AIDS nos Estados Unidos. 21
  22. 22. A descoberta do tratamento por hipertermia remonta aos tempos do Egito antigoAté chegarmos ao tratamento por hipertemia geral à base de raios infravermelhos longos, foram efetuadas várias experiências, muitas destas aproveitadas em casos reais. Vamos rever um pouco desta história. A história do tratamento por hipertemia é bastante antiga. Vamos voltar até a era do Egito antigo, há mais de cinco mil anos. Existe ainda hoje um registro escrito em língua egípcia, em que há a frase: “O calor é eficiente para combater as doenças”. Posteriormente, por volta do século IV a.C., o filósofo grego Hipócrates realizou também uma terapia por hipertermia. Hipócrates, também conhecido como o pai da medicina, é uma personalidade respeitada pelos médicos do mundo inteiro. A  hipertermia  moderna  para  o  combate  ao  câncer  tem  sua  origem  nos  registros  do médico alemão Dr. Bush, de 1866. Quando dizemos “registros”, neste caso não se trata de  um  ato  consciente  do  Dr.  Bush  no  uso  da  hipertermia  para o  tratamento  do  câncer, mas de anotações baseadas na observação do médico ao acompanhar a cura do câncer pelas altas temperaturas, a qual ocorreu por acaso. Havia um tumor (câncer) no rosto de um  paciente examinado por Dr. Bush. Além disso, esse paciente acabou contraindo também uma doença denominada erisipela e teve duas vezes uma febre alta entre 39 o C e 40  C.  o A erisipela é uma doença causada por bactérias estreptocócicas, que  penetram através de eczemas e cortes da pele. Antigamente, quando não havia antibióticos, eram doenças fatais mas, felizmente, a erisipela desse paciente havia sido curada. Foi  um  espanto  para  o  médico  perceber  que  o  tumor  do  rosto  desse  mesmo  paciente havia  desaparecido.  Depois  de  observar  esse  fenômeno,  Dr.  Bush  propôs  um  tipo  de terapia,  pensando  em  aproveitar  o  calor  a  uma  temperatura  maior  do  que  a  do  corpo humano  para  eliminar  somente  as  células  cancerosas,  sem  que  as  células  saudáveis fossem prejudicadas. Após  esse  acontecimento,  podemos  relacionar  os  seguintes  fatos  históricos  relativos  à hipertermia: Em  1893,  o  médico  norte­americano  Dr.  Cally  injetou  substâncias  extraídas  do estreptococo  em  38  pacientes  terminais  com  câncer  para  fins  terapêuticos.  Dentre  os pacientes  que  tiveram  febre  por  causa  do  estreptococo,  12  tiveram  uma  melhora significativa do quadro e 19 tiveram os sintomas aliviados. Esse extrato foi denominado “Toxina de Cally” e, na época, foi utilizado como droga anticancerígena. Em 1935, Dr. Wallen aplicou a hipertermia geral, aquecendo a superfície do corpo de um paciente  por  meio  de  várias  lâmpadas  de  carbono,  instaladas  dentro  de  uma  pequena sala especialmente preparada. 22
  23. 23. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas Em  1965,  Dr.  Srianarayan  experimentou  uma  hipertermia  geral,  aplicando  uma  leve  o anestesia  no  paciente  e  imergindo  seu  corpo  em  água  aquecida  a  45,5  C.  Uma  leve anestesia permite ao paciente suportar o calor. Em 1974, Dr. Pettigrue aplicou uma anestesia geral no paciente e envolveu totalmente o seu  corpo  com  um  papel  parafinado  e,  ao  mesmo  tempo,  fez  com  que  o  paciente  o aspirasse ar aquecido a 80  C adicionado de oxigênio. O corpo foi mantido à temperatura  o de 41,8  C por mais de 300 minutos. Os tumores reagiram bem à hipertermia e o referido médico cita que, no caso do tumor do aparelho digestivo, o efeito da hipertemia melhorou com a aplicação simultânea da quimioterapia. Em  1979,  Dr. Bull dos Estados  Unidos vestiu  o paciente  com  uma  roupa  de  astronauta desenvolvida pela NASA e efetuou a hipertermia geral. Quando  os  astronautas  saem  do  ônibus  espacial,  o  ar  externo  é  muito  frio,  em  razão disso,  essas  roupas  dispõem  de  uma  circulação  de  água  quente  para  aquecer  o  corpo dos  astronautas.  Os  astronautas  japoneses  Mamoru  Mouri  e  Chiaki  Mukai  também vestiram essas roupas para embarcar em um ônibus espacial. Em  1979,  Dr.  Parks  apresentou  um  relatório  sobre  a  hipertermia  geral  aplicada  pelo método  de  circulação  extracorpórea.  Esse  método  de  hipertermia  permite  regular  as condições físicas dos pacientes durante o tratamento; por essa razão, é considerado um tratamento altamente seguro e muitas instituições japonesas estão aplicando esse tipo de terapia (veja página 35). Em  1985,  Dr.  Robins  efetuou  a  hipertermia  geral,  utilizando  os  raios  infravermelhos longos em uma pequena sala metálica especial. O médico relata que, pela irradiação de raios  infravermelhos  longos,  foi  possível  manter  a  temperatura  do  esôfago  e  do  reto  a  o 41,8  C. Esse  método  é  a  própria  hipertermia  geral  à  base  de  raios  infravermelhos  longos, atualmente utilizada no Hospital Luka. Não é necessário o uso de anestesia geral, sendo suficiente  o uso de analgésicos  comuns, e a  baixa influência no  sistema  cardiovascular são suas características. A necessidade urgente de incorporar a hipertermia geral na cobertura do seguro-saúdeConforme mencionado anteriormente, há dois tipos de hipertermia: por aquecimento geral e  por  aquecimento  local.  A  maior  parte  das  aplicações  de  hipertermia  no  Japão  é  por aquecimento local. Entende­se por aquecimento local quando a aplicação é concentrada no local em que o câncer está presente, como, por exemplo, no fígado em se tratando de câncer hepático. O  método  mais  utilizado  no  aquecimento local  é  aquele  denominado  "aquecimento  por indução de radiofreqüência". Coloca­se entre duas placas polares a parte a ser aquecida, que  recebe  a  aplicação  de  ondas  de  radiofreqüência  de  8MHz  a  13MHz (figura 7). 23 
  24. 24. Por  esse  método,  é  possível  o  calor  alcançar  o  câncer  existente  nas  partes  mais profundas do corpo, como nos casos de câncer hepático, intestinal e da bexiga, e ainda, permite aquecer desde a superfície do corpo até regiões mais profundas. Esse método foi desenvolvido principalmente no Japão. Além do aquecimento por indução de radiofreqüência, são utilizados para o aquecimento local  outros  métodos  como:  aquecimento  por  ultra­som,  aquecimento  interno  do  tecido, aquecimento  interno  da  cavidade,  etc.  O  aquecimento  interno  da  cavidade  é  feito  pela introdução de uma antena de aquecimento dentro de um balão como mostrado na figura 8 na bexiga, vagina, útero, ânus, esôfago, etc. (figura 9). O  professor  titular  Dr.  Keizo  Sugimachi,  da  Faculdade  de  Medicina  da  Universidade  de Kyushu,  apresentou  excelentes  resultados  obtidos  no  tratamento  do  câncer  de  esôfago por  hipertermia,  utilizando  o  aquecimento  por  ondas  de  radiofreqüência  por  meio  da inserção de uma antena de aquecimento no esôfago, como mostrado na figura 8. A partir de abril de 1990, o tratamento à base de hipertermia por ondas eletromagnéticas passou a ter cobertura do seguro­saúde. Entretanto, essa nova resolução é restrita aos casos em  que a  hipertermia  é aplicada em  conjunto  com  a  radioterapia.  Para  efeito  de seguro­saúde, somente o tratamento à base de hipertermia ainda não foi reconhecido. A hipertermia geral também não é coberta ainda pelo seguro­saúde. Quando um  determinado  método de tratamento tem a cobertura do seguro­saúde, pode ter  maior  difusão  em  todo  o  território  japonês,  além  de  aliviar  financeiramente  os pacientes. Torcemos  para  que,  tanto  a  hipertermia  geral  quanto  a  hipertermia  local  consigam cobertura do seguro­saúde, o quanto antes. É impossível aumentar a sobrevida do paciente por meio da hipertermia localA  principal  corrente  da  hipertermia  no  Japão  continua  sendo  a  do  aquecimento  local. Evidentemente,  a  maioria  dos  trabalhos  apresentados  no  Congresso  Japonês  de Hipertermia  refere­se  a  resultados do  tratamento  por  hipertermia  local.  (Trata­se de  um congresso sobre a hipertermia. Hipertermia significa: tratamento por calor.) Conseqüentemente,  quando  participamos  desses  congressos,  sempre  assistimos  a apresentações  de  trabalhos  sobre  os  resultados  terapêuticos  da  hipertermia  local.  Os resultados  apresentados  nos  congressos  são  espetaculares  e  isto  faz  com  que  se  crie uma idéia de que o método de aquecimento local tenha ficado consolidado como sendo a própria hipertermia. No  entanto,  temos  dúvidas  com  relação  à  hipertermia  local;  em  razão  disso,  o  nosso trabalho ao longo desses 15 anos esteve voltado somente para a hipertermia geral. 24 
  25. 25. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas Figura 7 ­ Método de aquecimento por indução de radiofreqüência  Figura 8 ­ Dispositivo de aquecimento da vagina  Figura 9 ­ Desenho esquemático da bexiga/vagina/ânus 25 
  26. 26. Uma  das  dúvidas  é  quanto  ao  prognóstico  de  sobrevida  de  um  paciente  submetido  à hipertermia local. Prognóstico é o termo que expressa o quadro de um paciente depois de ser submetido a  um  tipo de  tratamento.  Por  exemplo,  quando o  quadro  apresenta  uma melhora expressiva, diz­se: “prognóstico favorável”. Ao contrário, quando o quadro piora após o tratamento, diz­se: “prognóstico desfavorável”. Portanto, “prognóstico de sobrevida” é o termo que expressa a situação de sobrevivência de um paciente após o tratamento. Solicitamos aos leitores que observem os resultados do tratamento por hipertermia local apresentados a seguir, tendo em mente o que foi dito acima. Normalmente, o resultado  terapêutico de uma hipertermia local é classificado em quatro grupos: “muito eficaz”, “eficaz”, “sem alteração” e “piora”. Computando  os  resultados  de  diversos  tratamentos  por  hipertermia  local,  a  soma  dos resultados  enquadrados  em  “muito  eficaz”  e  “eficaz”  totalizam  mais  de  70%,  o  que enfatiza a importância desse tipo de tratamento. Porém, quando analisamos o prognóstico de sobrevida dos pacientes dos quatro grupos classificados,  não  há  muita  diferença  entre  eles.  Não  há  muita  diferença  na  sobrevida posterior  ao  tratamento  por  hipertermia  local  entre  os  pacientes  enquadrados  no  grupo “muito eficaz” e aqueles do grupo “piora”. Por  exemplo,  é  classificado  em  “muito  eficaz”  o  grupo  de  pacientes  em  que  o  câncer desaparece temporariamente. Mas, com a recorrência do câncer, o resultado final acaba sendo o mesmo de um grupo que se enquadra em "piora" depois do tratamento inicial. Isto  não  passa  de  um  tratamento  pelo  tratamento.  Até  podemos  dizer  que  não  é  um tratamento  voltado  para  os  pacientes.  Um  tratamento  de  câncer  exige  resultados  mais positivos,  como  evitar  a  morte,  ou  no  mínimo  prolongar  mais  a  vida  do  paciente.  No entanto,  pela  hipertermia  local  atualmente  praticada  não  é  possível  proporcionar  uma sobrevida maior aos pacientes. A terapia à base de raios infravermelhos longos é a estrela da esperança na cura do câncerDiz­se  que  o  câncer  é  uma  doença  geral  do  corpo;  portanto,  um  tratamento  localizado não é um verdadeiro tratamento. Um caso de câncer que  pode ser curado por meio de um tratamento local poderia ser extraído por meios cirúrgicos, o que seria mais prático. O exemplo seguinte ajudará a compreensão dessa colocação. Vamos pensar no caso em que  todo o  corpo esteja  afetado  pelo  câncer  e  o  tratamento  por  hipertermia local  tenha sido aplicado somente no gânglio linfático do pescoço, que está inchado. Em conseqüência da terapia, o inchaço desse gânglio desaparecerá. Então, o resultado do  tratamento  será avaliado  como  “muito  eficaz”,  mas,  apesar  de  o  gânglio  linfático  do pescoço ter desinchado, o câncer permanece em todas as outras partes do corpo, o que leva a concluir que o tratamento não proporcionou uma sobrevida maior ao paciente. 26 
  27. 27. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas Esses  aspectos  sempre  nos  fizeram  acreditar  que  o  tratamento  de  câncer  exige  uma visão  global  do  corpo  do  paciente.  Esse  nosso  pensamento  não  mudou  desde  quinze anos atrás até hoje. Por  outro  lado,  a  hipertermia  local  não  trouxe  para  nós  apenas  dúvidas,  mas proporcionou  também  importantes pistas para  a solução.  O  que  pudemos  observar  nos trabalhos sobre a hipertermia local, apresentados no Congresso Japonês de Hipertermia, foi a temperatura dos tecidos cancerosos durante o tratamento. Um  aspecto  comum  verificado  em  todas  as  apresentações  é  a  grande  quantidade  de casos  enquadrados  como  “muito  eficaz”,  sempre  que  nesses  casos  foram  observados aumentos de temperatura dentro do tecido em  razão do aquecimento. Esse fato parece algo evidente. Todos os  resultados apresentados mostravam  depois  da  terapia que os pacientes  eram enquadrados em grupos de “muito eficaz” ou “eficaz”, apesar de a temperatura interna do  o  o tecido  ter  estado  em  um  patamar  baixo,  inferior  a  40  C  ou  até  inferior  a  39  C.  Isto significa que o câncer localizado sofreu redução ou foi eliminado mesmo com essa faixa de temperatura.  o  o Esse  fato  merece  atenção.  Se  os  tratamentos  a  39  C  ou  a  40  C  têm  proporcionado resultados tão eficazes, com a hipertermia geral, que eleva a temperatura do corpo a um  o  o patamar de 41,5  C a 41,8  C, o efeito deveria ser ainda maior. Na  hipertermia  geral,  em  que  todo  o  corpo  é  mantido  a  uma  temperatura  constante,  o  o  o corpo  dificilmente  permaneceria  na  faixa  de  39  C  ou  40  C.  Em  função  disso,  torna­se válido  o  raciocínio  de  que  mais  casos  de  resultados  positivos  poderiam  surgir  com  a aplicação da hipertermia geral. Foram a partir dessas constatações que obtivemos a segurança e a certeza do sucesso da  terapia por  meio do  aquecimento  geral do  corpo,  e  a  nossa equipe  tem  insistido na hipertermia geral, em vez da hipertermia local. A  partir  de  1984,  o  Congresso  Japonês  de  Hipertermia  passou  a  ser  realizado anualmente e o Congresso Internacional de Hipertermia foi realizado na cidade de Kyoto, em 1988. Desta forma, a hipertermia vem ganhando destaque mundial como a estrela da esperança no tratamento do câncer. No Congresso a ser realizado no outono de 1995, haverá o simpósio sobre a hipertermia geral, que está chamando a atenção do mundo inteiro. O efeito da hipertermia geral é maior nas pessoas saudáveisPelas  explicações  anteriores,  acreditamos  que  foi  possível  para  os  leitores compreenderem o motivo da alta eficácia da hipertermia geral. Vamos  agora  ver  para  quais  tipos  de  câncer  e  para  quais  pessoas  a  hipertermia  geral apresenta  maior  eficácia  e,  para  tanto,  analisaremos  o  relatório  nacional de  hipertermia geral, elaborado em 1992. 27 
  28. 28. Esse  relatório  é  um  estudo  sobre  os  efeitos  da  hipertermia  geral  pelo  método  de circulação extracorpórea, de 4 casos realizados na Universidade de Kanazawa, 14 casos da  Faculdade  de  Medicina  Santa  Mariana,  49  casos  da  Universidade  de  Tottori,  141 casos da Faculdade Feminina de Medicina de Tokyo, que totalizam 208 casos. Fala­se em câncer, mas existem diferentes tipos e foi constatado que a hipertermia geral é eficaz para os seguintes:  Ÿ Câncer pulmonar  eficácia 32,2%  Ÿ Câncer de mama  eficácia 56,3%  Ÿ Câncer de pâncreas  eficácia 42,9%  Ÿ Melanoma (tumor negro maligno)  eficácia 55,6%  Ÿ Câncer hepático e da vesícula biliar  eficácia 66,7% Verificando o efeito por sexo:  Ÿ Homens  Foi constatado efeito em 53 dos 131 casos, o que corresponde a 40,4%.  Ÿ Mulheres  Foi constatado efeito em 28 dos 77 casos, o que corresponde a 36,4%. Ou seja, não foi observado diferença no resultado da terapia entre homens e mulheres. Em seguida, verificando por idade:  Ÿ de 0 a 40 anos  50,0%  Ÿ de 41 a 50 anos  26,7%  Ÿ de 51 a 60 anos  40,3%  Ÿ de 61 a 70 anos  37,8%  Ÿ Acima de 70 anos  50,0% No estudo comparativo por faixa etária não foi possível identificar grandes diferenças na eficácia do tratamento. O que se pode afirmar é uma eficácia maior da hipertermia geral em pessoas  mais  saudáveis e  pouca eficácia  em  pacientes terminais que  permanecem de cama. Paralelamente, foi constatado que a repetição da terapia várias vezes aumenta a eficácia.  Ÿ Uma única aplicação  eficácia 18,9%  Ÿ Duas aplicações  eficácia 39,6%  Ÿ Três aplicações  eficácia 35,9%  Ÿ Mais de quatro aplicações  eficácia 49,4% Foi possível verificar que o efeito do tratamento aumenta proporcionalmente ao número de vezes de aplicação. 28 
  29. 29. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  Figura 10 ­ Câncer de células pequenas do pulmão  Homem: 58 anos, imagem da tomografia computadorizada da região torácica  Esquerda = antes da terapia  Direita = depois da terapia  Existe a evidência de redução do câncer pulmonar indicado pela seta  Figura 11 Metástase do câncer da glândula tireóide no gânglio linfático do pescoço Homem: 67 anos, imagem da tomografia computadorizada da região do pescoço Esquerda = antes da terapia, a seta indica o  Direita = depois da terapia crescimento do gânglio linfático  29 
  30. 30. Com uma seção de terapia, já é possível dispensar o analgésicoVamos  apresentar  aqui  alguns  casos  em  que  os  efeitos  da  terapia  puderam  ser observados. A figura 10 mostra o caso de um homem de 58 anos de idade. Era um paciente portador de  câncer  pulmonar,  que não  teve  sucesso no  tratamento por  quimioterapia,  ou  seja,  o agente antineoplásico não produziu efeitos. Foram realizadas três seções de hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos e observou­se a redução do câncer. Este era do tipo histológico denominado câncer de células pequenas. A  figura  11  é  o  caso  de  um  homem  de  67  anos.  Trata­se  de  metástase  do  câncer  da glândula  tireóide  no  gânglio  linfático.  Com  quatro  seções  de  aplicação,  houve  uma redução significativa do câncer. A figura 12 é o caso de uma mulher de 40 anos. Sofre de hidropisia abdominal por causa do câncer hepático e a parede abdominal está saliente. O câncer dessa paciente também diminuiu  significativamente  com  quatro  aplicações.  Evidentemente  não  foi  utilizado  o agente antineoplásico. A figura 13 é o caso de uma mulher de 29 anos. O adenocarcinoma da parte inferior do ouvido  transferiu­se  para  o  pulmão.  O  foco  de  metástase  do  pulmão  reduziu  bastante com seis seções de terapia. A  figura  14  é  o  caso  de  uma  mulher  de  67  anos.  Tratava­se  de  câncer  da  mama esquerda,  mas  havia  metástase  no  pulmão  e  no  osso.  Com  três  seções  de  terapia,  o câncer, que formava um volume grande, cicatrizou­se. A figura 15 é o caso de um homem de 58 anos. Trata­se do câncer de pâncreas sem a possibilidade  de  cirurgia.  Com  quatro  seções  de  terapia  o  câncer  diminuiu,  houve aumento de apetite do paciente e alívio das dores. Além desses pacientes, todos os outros que foram submetidos à hipertermia geral à base de raios infravermelhos longos ficaram felizes por ter a dor aliviada. O efeito mais certo da terapia por hipertermia geral é a eliminação da dor. Este método terapêutico pode até não diminuir o câncer, mas certamente elimina a dor. 30
  31. 31. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  Figura 12 Câncer hepático  Mulher: 40 anos, imagem da tomografia computadorizada da região abdominal Esquerda = antes da terapia  Direita = depois da terapia  Existe a evidência de redução do câncer hepático  Figura 13 Metástase pulmonar do adenocarcinoma da parte inferior do ouvido  Mulher: 29 anos, imagem da tomografia computadorizada da região torácica Esquerda = antes da terapia  Direita = depois da terapia  Houve a diminuição do câncer indicado pela seta 31 
  32. 32. Contudo, a maneira com  que a dor desaparece difere bastante de  um  caso  para outro. Para alguns, a dor poderá voltar em duas ou três semanas e, para outros, a dor poderá desaparecer por um período mais longo. A probabilidade de desaparecer a dor por mais de três semanas pode chegar a 80% ou 90%. Mesmo  em  pacientes  que  recebem  uma  injeção  diária  de  morfina  para  aliviar a  dor,  na maioria dos casos, os analgésicos poderão ser dispensados depois da primeira seção de terapia. A notificação do câncer não provoca medoQuando  a  dor  causada  pelo  câncer  é  aliviada  e  surge  a  esperança  de  uma  sobrevida maior, proporcionadas pela hipertermia geral, acreditamos que o desespero que envolve os pacientes portadores de câncer passa a ser menor e eles podem recuperar novamente a alegria de viver. Atualmente, câncer ainda significa uma sentença de morte e, muitas vezes, anunciá­lo ao paciente  pode  provocar  perda  do  ânimo  para  viver.  Em  geral,  mesmo  em  pessoas socialmente  mais  destacadas,  a  revelação  do  câncer  tem  levado  os  pacientes  ao desânimo,  perda de apetite  e da vontade  de viver. Alguns deles  chegam  até a  cometer suicídio quando o câncer é diagnosticado. Por esta razão, a “notificação do câncer” é tratada como um grande problema social. Ao dar  o  diagnóstico  a  um  paciente  portador  de  câncer,  sempre  foi  alvo  de  discussão  a questão de informar ou não à pessoa a sua verdadeira condição. Na maioria dos casos, para  evitar  eventuais  problemas  com  o  paciente,  o  fato  é  informado  para  os  familiares, deixando de ser comunicado ao próprio paciente. Entretanto, a nosso ver, quando o câncer passa a ser controlado pela hipertermia geral, os  pacientes  deixam  de  ter  medo  mesmo  sendo  comunicada  a  presença  desse  mal. Talvez  seja  até  exagero  dizer,  mas  com  a  hipertermia  geral  a  “notificação  do  câncer” deixa de provocar medo nos pacientes. Acreditamos  que  aliviar  a  dor  causada  pelo  câncer  por  meio  da  hipertermia  geral,  e conduzir o tratamento, oferecendo aos pacientes a esperança de viver, sejam as nossas missões  como  médicos.  Quando  o  paciente  cria  coragem  para  viver,  aumenta  sua capacidade de auto­recuperação e espera­se uma cura do câncer ainda mais rápida. 32 
  33. 33. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  Figura 14 ­ Câncer da mama esquerda  Mulher: 67 anos Esquerda = antes da terapia  Centro  =  depois  da  primeira  Direita  =  depois  da  terceira  seção de terapia  seção  Houve diminuição do tumor e sua cicatrização  Figura 15 ­ Câncer do pâncreas  Homem: 29 anos, imagem da tomografia computadorizada da região abdominal Esquerda = antes da terapia  Direita = depois da terapia  Houve diminuição do câncer indicado pela seta 33 
  34. 34. ¤ Para aqueles que pretendem conhecer o assunto de forma mais técnica Hipertermia geral pelo método de circulação extracorpóreaDescrevemos a  seguir a  terapia à  base  de hipertermia  geral pelo  método de  circulação extracorpórea,  que  era  praticada  na  Faculdade  Feminina  de  Medicina  de  Tokyo. Atualmente, este tipo de hipertermia não está mais sendo utilizada nessa faculdade. Inicialmente, o paciente é deitado de costas e recebe uma anestesia geral. O sangue do  o paciente é retirado pela artéria femural da coxa esquerda ou da direita, e aquecido a 45  C por  meio  de  um  trocador  de  calor.  Em  seguida,  o  sangue  é  devolvido  ao  corpo  do paciente através da veia femural (figura 16).  o A temperatura do corpo do paciente é controlada em 42  C. Antes de efetuar a circulação extracorpórea,  um  medicamento  denominado  heparina,  que  evita  a  coagulação  do sangue, é injetado na veia, na proporção de 300 unidades a cada 1 kg de peso corporal. A figura 17 mostra o tubo introduzido na artéria femural e veia femural. A figura 18 mostra como esses tubos são colocados nessa artéria e veia. Para  introduzir  o  tubo  na  artéria  e  veia  femurais,  coloca­se  antes  em  cada  vaso sangüíneo  um  tubo  fino  de  plástico  de  5  mm  de  diâmetro,  denominado  cânula, atravessando a pele. Esse método é chamado de perfuração trascutânea. Na conclusão de  uma  seção  de  hipertermia  geral,  a  cânula  é  retirada  e  o  sangue  estancado  por pressão. Por  esse  método  não  há  necessidade  de  abrir  a  artéria  ou  a  veia  femurais,  nem  de colocar  algo  incômodo  como  um  vaso  artificial.  O  método  de  perfuração  trascutânea assim  executado  é  bastante  higiênico  e  não  oferece  nenhum  risco  de  infecção  local causada por bactérias. Existe  um  intervalo  de  uma  semana  entre  uma  seção  de  terapia  e  outra  e  o  paciente pode caminhar normalmente durante esse período. A perda de sangue durante a terapia, ou seja, o volume de sangue perdido pela veia femural é de 1,5 l/minuto. Em  seguida,  um  tubo  é  conectado  na  cânula  de  drenagem  do  sangue  e  250  ml  de sangue  arterial  é  armazenado  num  recipiente  especial  denominado  reservatório.  Esse  o sangue é aquecido por meio de um trocador de calor até uma temperatura entre 44  C e  o 45  C, e devolvido ao corpo do paciente através da veia femural. A temperatura da água  o do  trocador  de  calor  é  mantida  abaixo  de  49  C  e  o  sangue  que  retorna  ao  paciente,  o inferior a 45  C. Nessa ocasião, há a necessidade de supervisionar por meio de um monitor se o sangue  o que  retorna  ao  paciente  se  mantém  em  45  C.  Com  a  finalidade  de  monitorar  a temperatura  do  corpo  do  paciente,  um  tubo  denominado  cateter  de  Swann­Ganz  é introduzido na artéria pulmonar para medir sua temperatura. 34 
  35. 35. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  Figura 16 ­ Esquema de hipertermia geral  Interpretação da figura O sangue é retirado da artéria femural (A), passa pelo reservatório de sangue, é aquecido a  o 45  C e retorna para a veia femural (V). 35 
  36. 36. Figura 17 ­ Cânulas utilizadas na hipertermia pelo método de circulação extracorpórea  Figura 18 ­ Cânulas colocadas na artéria e veia femurais 36 
  37. 37. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas Figura 19 ­ Variação da temperatura de cada uma das partes / Mulher: 63 anos, câncer de útero  Interpretação do gráfico Sessenta  minutos  depois  de  iniciar  o  aquecimento,  a  temperatura  do  corpo  fica  mais  ou menos constante. As temperaturas do esôfago e da bexiga apresentam valores maiores. 37 
  38. 38. A temperatura do sangue que  retorna ao corpo do paciente é avaliada  por meio desses indicadores de temperatura. Além desta, as temperaturas do reto, das partes profundas da cabeça, da palma da mão e  do  pé,  e  ainda,  do  sangue  retirado,  são  supervisionadas  por  meio  de  um  monitor. Paralelamente, com a finalidade de preservar a segurança do paciente, são monitorados também o batimento cardíaco, a pressão arterial, a pressão venosa central, etc. Durante  a  terapia,  diversos  outros  procedimentos  são  adotados.  No  início  do aquecimento,  é  colocada  uma  manta  especial  isolante  sobre  o  corpo  do  paciente  para evitar a dispersão do calor. Várias esponjas são colocadas nas partes do corpo que ficam comprimidas  e  que  sejam  mais  suscetíveis  a  assadura,  tais  como  cabeça,  nádegas, ombros etc., para prevenir contra a assadura de cama. Depois  dessas  providências,  inicia­se  o  aquecimento  do  sangue.  O  aparelho  de circulação  extracorpórea  permite um  fluxo  de 1,5  l/minuto;  portanto,  a  temperatura  do corpo do paciente sobe com facilidade. Acompanhando  as  variações  de  temperatura  da  artéria  pulmonar,  esôfago,  bexiga  e tímpano  (figura 19), observa­se que o aquecimento da bexiga é mais lento, embora, no  o final, todas as partes do corpo estabilizam­se a uma temperatura próxima de 42  C. Isto é o  aspecto  mais positivo da  hipertermia  geral,  pois  a  manutenção  de  todas as  partes  do corpo  a  uma  temperatura  constante  oferece  vantagens  para  eliminar  as  células cancerosas. Diz­se que para medir a temperatura da cabeça é recomendável medir a temperatura do tímpano.  A  figura  20  mostra  o  dispositivo  para  medir  a  temperatura  do  tímpano.  A colocação  de  algo  semelhante  a  uma  pequena  bola  de  algodão  permite  verificar  a temperatura  do  tímpano,  em  outras  palavras,  a  temperatura  do  cérebro. A  medição  da temperatura  do  tímpano  é  feita  introduzindo­se  um  aparelho  mostrado  na  figura  20  no canal do ouvido externo. Durante  o  resfriamento,  a  manta  especial  isolante  é  retirada  e  o  suor  do  paciente enxugado. O resfriamento pelo método de circulação extracorpórea é iniciado, seguindo a mesma  seqüência  adotada  para  o  aquecimento.  Em  aproximadamente  20  minutos,  a  o temperatura  do  reto  cai  para  38  C.  O  processo  de  resfriamento  é  interrompido  nesse instante, aguardando­se a queda natural da temperatura. Na hipertermia pelo método de circulação extracorpórea, um ciclo de tratamento eqüivale a quatro seções, realizadas na proporção de uma seção por semana. Depois de 30 ou 40 minutos desde o início do aquecimento, a temperatura do corpo do  o  o paciente  sobe  de  37  C  para  42  C.  Essa  temperatura  é  mantida  durante  três  horas, passando em seguida para o processo de resfriamento (figura 21). 38 
  39. 39. Capítulo 1 ­ Ofensiva contra células cancerosas  Figura 20 ­ Medição da temperatura do tímpano  Interpretação da figura Uma  sonda  de  temperatura  é  introduzida  no  canal  do  ouvido  externo  para  medir  a temperatura do tímpano. Essa temperatura medida reflete fielmente a temperatura do corpo. 39 
  40. 40. Figura 21 Foto de uma terapia por hipertermia geral 40 
  41. 41. Capítulo 2  Por que os raios infravermelhos longos são eficazes nocombate ao câncer 41 
  42. 42. Existem diversas ondas eletromagnéticas Neste capítulo, vamos iniciar pela explicação de o que vem a ser os raios infravermelhos  longos.  Em  nosso  redor,  estão  presentes  inúmeras  “ondas”  invisíveis  que  cruzam  o  espaço.  O  raio  X,  que  é  utilizado  para  tirar  as  chapas  são  também  ondas.  A  luz  que  podemos  enxergar  também  são  ondas.  As  ondas  de  rádio  e  de  televisão  também  são.  A  única  diferença entre estas são os seus comprimentos, denominado freqüência.  Todas  recebem  o  nome  de  “ondas  eletromagnéticas”.  “Onda  magnética”  é  um  termo  oficialmente adotado do ponto de vista acadêmico, e é a forma correta de nomear as ondas  do campo elétrico e magnético ou as ondas da linha de força elétrica e magnética.  Falando dessa forma, parece algo complicado, e mais ainda, quando se diz ondas do campo  magnético,  alguns  leitores  devem  pensar:  “Mas  o  que  é  isso?”.  Talvez  a  comparação  não  seja muito oportuna, mas poderá facilitar a compreensão se pensarmos que o magnetismo  emitido pelo PIP­ELEKIBAN* é algo similar às ondas de um campo magnético.  Por outro lado, as ondas do campo elétrico podem ser, por exemplo, a corrente.  Com  uma  pequena  variação  do  comprimento  de  onda,  essas  ondas  eletromagnéticas  apresentam características bastante distintas. Em virtude disso, há várias denominações  dadas às ondas eletromagnéticas, em decorrência também de razões históricas.  Relacionando  essas  ondas  a  partir  das  de  comprimento  mais  curto,  há  desde  raios  radioativos,  luzes  visíveis  e  até  ondas  elétricas.  Também  há  diversos  tipos  de  ondas  elétricas  (figura  22).  Por  exemplo,  nos  controles  remotos,  que  as  crianças  usam  para  conduzir carros de brinquedo, empregam­se ondas de rádio.  A luz visível é aquela que nos auxilia para visualizar as coisas. Quando o comprimento da  onda  passa a  ser  menor do que o da luz visível,  há os  raios ultravioleta.  Inversamente,  quando o comprimento  é  maior  do que  o  da luz  visível, há  os raios infravermelhos,  e  a  onda com o comprimento maior ainda serão os raios infravermelhos longos.  Em palavras mais simples, a luz visível é aquela composta pelas cores do arco­íris, que  vão do vermelho ao violeta. Os raios infravermelhos têm comprimento de onda maior do  que o vermelho, e não conseguimos enxergá­los. Da mesma forma, não enxergamos os  raios ultravioleta, que têm comprimento de onda menor do que o violeta.  Historicamente, com exceção da luz visível, as ondas eletromagnéticas começaram a ser  utilizadas  a  partir  das  ondas  de  menor  freqüência.  Nas  comunicações  à  distância,  as  ondas  de  freqüência  mais  baixa  demonstram  melhor  desempenho.  Freqüência  é  o  número  de  vezes  que  uma  corrente  alternada  de  onda  eletromagnética  ou  corrente  elétrica  muda  de  sentido  durante  o  intervalo  de  um  segundo.  Nessa  ocasião,  conta­se  uma vez o par de positivo e negativo.  A  unidade  de  freqüência  é  expressa  em  Hertz  e  esse  termo  significa  o  número  de  vibrações.  Uma  mudança  de  sentido  eqüivale  a  uma  vibração,  por  isso  foi  adotado  o  Hertz como unidade. * (N.T.= nome comercial de um magneto­terapêutico com fita adesiva) 42

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