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que a criança em cada estágio de seu desenvolvimento adquire osmeios para intervir de maneira competente em seu mundo e em...
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Contributos do jogo no desenvolvimento da criança

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Contributos do jogo no desenvolvimento da criança

  1. 1. Contributos do Jogo no Desenvolvimento daCriança Beloni Maria Nardi novembro/2006IntroduçãoO desenvolvimento da criança e a relação com o brincar e o jogo éde fundamental importância para o profissional da psicopedagogiapossibilitando a compreensão das relações e entendimento atravésdo jogo e do que a criança quer nos dizer quando brinca, quandojoga. Essa atividade pode nos dar respostas quando a criança nãoconsegue expressar-se verbalmente ou por ser muito pequena ouquando por algum motivo ou algo muito marcante negativamente aimpede de expressar-se verbalmente e o faz através do jogo. Poresse motivo ressalta-se da importância do estudo de teorias como:Piaget, Vygotsky e Winnicott entre outros. Interessam-nos suasidéias e experiências sobre o assunto o que nos permite ter umavisão mais ampla e clara sobre o tema e que poderá contribuir emnossas atividades.DesenvolvimentoTratando-se dos estágios gerais da atividade representativa, paraPiaget há três formas de pensamento representativo que são: aimitação, jogo simbólico e a representação cognitiva, solidária entresi e que evoluem em função do equilíbrio progressivo da assimilaçãoe acomodação, (dois pólos da adaptação) e que determina odesenvolvimento sensório-motor.A formação da linguagem, dos signos é algo social e coletivo.Através da evolução de seu pensamento a criança vai melhorandosua comunicação verbal com isso adapta-se às operações lógicas,porém inadequada à descrição individual de objeto ou arepresentação espacial infralógico. Não conseguindo ainda descreverdetalhadamente experiências pessoais vividas.Piaget caracteriza os jogos em três grandes tipos de estruturas:jogos de exercício, simbólico e de regras, constituindo os jogos de“construção” a transição entre os três e as condutas adaptadas.O jogo de exercício que vai entre (0-2 anos), é, portanto o primeiroa aparecer e o que caracteriza o desenvolvimento pré-verbal ao qualtem início o jogo simbólico.Na criança, a atividade lúdica supera os esquemas reflexos eprolonga quase todas as ações, com isso a noção do jogo de“exercício” pode ser assim pós-exercício marginal, tanto quanto pré-exercício. Nesta fase a criança é egocêntrica sendo que ela brincasozinha ou com a mãe.O jogo simbólico tem início entre (2-6 anos), onde o símbolo implicaa representação de um objeto ausente, (o jogo de faz de conta)visto ser comparação entre um elemento dado e um elementoimaginado, (representação fictícia), porquanto essa comparaçãoconsiste numa assimilação deformante. Ex: a criança que deslocauma caixa imaginando ser um automóvel representa
  2. 2. simbolicamente, este ultima pela primeira e satisfaz-se com umaficção, pois o vínculo entre o significante e o significado permanecesubjetivo.A diferença entre o símbolo e o jogo de exercício existe umintermediário, que é o símbolo em atos ou em movimentos semrepresentação.A terceira grande categoria é o jogo de regras. Ao invés do símboloo jogo de regras supõe, necessariamente, relações sociais ouinterindividuais e tem início a partir dos sete anos. A regra éimposta pelo grupo, de tal sorte que, sua violação representa umafalta. Os jogos são transmitidos de geração em geração.Exercício, símbolo e regra, parecem ser as três fases sucessivas quecaracteriza as grandes classes de jogos, do ponto de vista de suasestruturas mentais. Essas fases assimilam uma transformaçãointerna na noção de símbolo, no sentido da representação adaptada.O sistema dos signos permite a formação do pensamento racional,enquanto que o símbolo é um significante “motivador” quetestemunha uma semelhança qualquer com o seu significado.Para Piaget a assimilação incorpora o objeto a esquemas jáexistentes que lhe dão um significado por isso a representaçãoimplica um duplo jogo de assimilações e acomodações atuais epassadas ao qual o equilíbrio entre elas envolve toda a primeirainfância.Com o aumento do equilíbrio consegue alcançar certo grau depermanência, imitação e jogo que se integram às inteligências,alcançando o nível operatório, devido à reversibilidade quecaracteriza o equilíbrio (a imitação torna-se refletida e o jogo torna-se construtivo).Na segunda fase, entre (4-7 anos) de idade ocorrem transformaçõessimultâneas, no jogo, na imitação e a representação das noções.O pensamento egocêntrico caracteriza-se por suas contrações, aoinvés de adaptar-se a realidade, assimila á ação deformando asrelações segundo o seu ponto de vista (é o mundo do faz de conta)havendo por isso desequilíbrio entre assimilação e acomodação.Aos sete, oito, anos o equilíbrio permanece mais estável havendo areintegração e imitação da inteligência real do jogo e aos onze, dozeanos é que as ultimam formas de jogo simbólico é finalizado com oinício da inteligência.Vygotsky em oposição à teoria de Piaget o critica pela falta deestudos sérios quanto à questão de aprendizado e desenvolvimento,e também de clareza teórica das teorias do desenvolvimentoaplicadas na educação. Acredita que os processos dedesenvolvimento da criança são independentes do aprendizado.Considera o aprendizado um processo externo e independente e quenão se envolve ativamente no desenvolvimento da criança.Ex: dedução, compreensão, abstração, interpretação decausalidade, entre outros, ocorrem por isso mesma sem influênciade aprendizado. Para Vygotsky o desenvolvimento do “Ser” foiocorrendo com a história e a transição cultural da psicologiahumana. Procura demonstrar as implicações psicológicas, por ser ohomem um ser participante ativo de sua própria existência. Pensa
  3. 3. que a criança em cada estágio de seu desenvolvimento adquire osmeios para intervir de maneira competente em seu mundo e em simesma. Para isso sendo importante criar situações estímulosauxiliares ou “artificiais” e que podem ser alteradas pela açãohumana. Estímulos artificiais, que podem ser considerados dacultura da criança como a linguagem e também os estímulosproduzidos pela própria criança como: o uso do próprio corpo, umsabugo que vira boneco, o carrinho com uma caixa... Tornando obrinquedo em um meio de desenvolvimento cultural.Piaget e Vygotsky são observadores do comportamento infantil ecompartilham a importância do organismo ativo. Vygotsky vai alémpela sua visão dialética a qual o ser tem a capacidade de raciocinarusa a lógica, argumenta e discute situações e tem também acapacidade de se adaptar as diversas situações conforme o meio e ocontexto cultural e suas transformações. Diz que, os sistemasfuncionais do adulto são formados pelas experiências da criança emsua interação social achando essa mais importante que a teoriaPiagetiana.Piaget coloca em destaque os estágios universais e com um suportebiológico enquanto que Vygotsky preocupa-se com as interaçõessociais em transformação e o biológico do comportamento humano.Diz que: “O meio ambiente não se resume só à situação objetiva aqual o organismo encontra-se. O meio efetivo é produto de umainteração entre características do organismo para experimentar asituação objeto”, não podendo existir um esquema universal dedesenvolvimento interno e externo para todas as crianças.A criança projeta-se nas atividades adultas de sua cultura atravésdo brinquedo e ensaia papeis e valores (pai, mãe, irmãos,professores...), com o brinquedo a criança antecipa odesenvolvimento adquirindo motivação e habilidades necessárias asua convivência social.Winnicott também acredita na interação do adulto como exemplopara o bom desenvolvimento da criança inclusive ressaltando aimportância da boa mãe (aquela que percebe modificações em seufilho e que lhe serve de exemplo).Vygotsky acha pobre e incorreto definir o brinquedo como objeto deprazer para a criança. Considera que há jogos que não sãoprazerosos e inclusive podem causar desprazer. Diz também que obrincar da criança é o brinquedo sem ação, (pura imaginação).Para Winnicott, os bebes num primeiro momento como é sabidoassim que nascem tendem a usar o punho, e os dedos, emestimulação da zona erógena oral, para satisfação dos instintos.A primeira possessão: a natureza do objeto; a capacidade do bebede reconhecer o objeto como “não eu”; a localização do objeto fora,dentro, na fronteira; a capacidade de criar, imaginar, inventar,originar, produzir um objeto de um tipo afetuoso de relação deobjeto.Considera o objeto e fenômeno transacional a área intermediáriaentre a experiência e erotismo oral, entre a atividade criativaprimária e a projeção do que já foi introjetado, o desconhecidoprimário de divida e reconhecimento desta.
  4. 4. O objeto transacional para Winnicott é muito importante para odesenvolvimento saudável da criança e para o equilíbrio do ser. Acriança geralmente usa como objeto transacional um paninho, bico,franjas do travesseiro... Segundo as pesquisas do autor se poralgum motivo a criança não tiver o objeto transacional à criançamais tarde apresentará algum tipo de distúrbio, desequilíbrio, porser segundo “ele” o primeiro objeto fora do eu e que contribui comoum apoio, um afeto, uma segurança para a criança. Diz tambémque a maternagem é muito importante na formação saudável dobebe, isto é que a “mãe” precisa ter a sensibilidade de perceber seseu filho está bem.Vygotsky opõem-se a biogenética da recapitulação não identificandoo desenvolvimento histórico da humanidade, com os estágiosindividuais de desenvolvimento. Acha que as habilidades humanasnão estão presentes no recém nascido e que só começam a partirdos três anos de idade. Este é uma ponte de divergência entreVygotsky e Piaget que acredita nos estágios de desenvolvimento eWinnicott que acredita no objeto transacional como primeiro objetonão “eu”.Vygotsky acha que quando a criança imita no seu brincar ocomportamento dos mais velhos está gerando oportunidade dedesenvolvimento intelectual. No começo as brincadeiras sãolembranças e reproduções de situações reais, após entra em jogo adinâmica da imaginação e do reconhecimento de regras implícitasque dirigem as atividades reproduzidas em seu jogo, adquirindo umcontrole elementar do pensamento abstrato.Para Winnicott o desenvolvimento intelectual, cognitivo, e socialdependem essencialmente da relação da criança com o objetotransacional, que é o ponto culminante do bom desenvolvimento doindivíduo e a partir deste: a brincadeira de imitar a (mãe, irmãos, opai, professor...), sendo estas também lembranças de como osadultos o tratavam e tratam. O brincar contribui para o crescimentoe a saúde, conduzindo aos relacionamentos grupais e pode ser umaforma de comunicação na psicoterapia.Winnicott estudou com afinco o brincar na infância, e interpretoueste ato como uma liquidação de conflitos, e também como formade comunicação.O natural é brincar, se a criança não brinca algo de patológico estáocorrendo e precisa investigar.Vygotsky e Winnicott referem-se a pontos de referência para odesenvolvimento equilibrado do ser humano como: zona proximal ezona transacional que segundo suas pesquisas seriam o que permiteo desenvolvimento em equilíbrio. Falam também da imitação e dareferência do adulto, para a criança ao brincar, gerandooportunidade de desenvolvimento intelectual ao acessar lembranças,ao usar a imaginação e ao usar regras, o que irá contribuir nainstrução escolar.Considerações FinaisPode-se dizer que o estudo das três teorias é muito importante para
  5. 5. entendermos o brincar e o jogo no desenvolvimento da criança.Cada um dos teóricos apresenta pontos importantes dodesenvolvimento da criança e que se unirmos os três saberesteremos uma teoria mais completa sobre o desenvolvimento dacriança.“Koffka, diz que o desenvolvimento baseia-se em dois processosdiferentes, as relacionadas, e influentes, maturação que envolve oamadurecimento do sistema nervoso, e aprendizado. Tenta-seassim superar os extremos das outras visões, combinando-as. Onovo desta terceira posição é que combina os dois pontos de vista,e isso indica que eles não são opostos nem excludentes”. (Kaffka,citado por Vygotsky na p. 106 do livro: a Formação Social daMente“).Referências BibliográficasPIAGET, J. (1946). “A Formação da Simbologia na Criança”, Rio deJaneiro: Zahar, 1978.VYGOTSKY, L. “A Formação Social da Mente”. São Paulo: MartinsFontes, 1984.WINNICOTT, D. “O Brincar e a Realidade”. Rio de Janeiro: Imago,1975.*Acadêmica de Psicopedagogia Clínica e Institucional do CentroUniversitário Lasalle de Canoas – UNILASALLE, orientada pelaProfessora Dra. Cecília Marió Michels na disciplina de FundamentosPsicopedagógicos do Jogo.

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