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Projeto de Criação da Associação de Antigos Alunos do Colégio Santa Cruz - TCC Administração Pública FGV 2002

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Projeto de Criação da Associação de Antigos Alunos do Colégio Santa Cruz, TCC apresentado em dezembro de 2002 no Curso de Administração Pública da EAESP FGV.

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Projeto de Criação da Associação de Antigos Alunos do Colégio Santa Cruz - TCC Administração Pública FGV 2002

  1. 1. FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS DE SÃO PAULO BRUNO SCARTOZZONIPROJETO DE CRIAÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE ANTIGOS ALUNOS DO COLÉGIO SANTA CRUZ Trabalho de Estágio apresentado ao Curso de Graduação em Administração Pública da FGV/EAESP Área de Concentração: Empreendimento Social São Paulo Dezembro 2002 1
  2. 2. SCARTOZZONI, Bruno. Projeto de Criação da Associação dosAntigos Alunos do Colégio Santa Cruz. São Paulo: FGV/EAESP,Novembro de 2002. 102 p. (Trabalho de Estágio apresentado no Cursode Graduação em Administração Pública da EAESP/FGV. Área:Empreendimento Social).Resumo: A falta de ações organizadas de ex-alunos do Colégio SantaCruz demanda a criação de uma associação de ex-alunos, que, alémde funcionar como uma rede de ajuda mútua, pode ir além,promovendo ação social transformadora.Palavras-chave: Redes Sociais; Networks; Terceiro Setor; Ex-Aluno. 2
  3. 3. Ao meu pai, que quase encontroumeu avô este ano.À minha mãe, que me ajudou asuperar tudo isso.3
  4. 4. AGRADECIMENTOSAgradeço a minha avó, a pessoa mais viva que eu conheço, apesar dos 80 e poucos. Agradeço à família Guimarães, minha segunda família. Agradeço os meus amigos do Santa, sempre leais. Agradeço o que sobrou da patotinha, e não foi pó. Agradeço aos ex-santas, que acreditaram na idéia. Sou um teenager sem brevê espacial! 4
  5. 5. SUMÁRIOIntrodução • Breve Histórico do Colégio Santa Cruz • O Início da Associação1. Referencial Teórico2. Observação da Realidade da Empresa 2.1 Descrição da Empresa 2.2 Descrição do Estágio 2.3 Metodologia 2.4 Problema / Oportunidade3. Proposta 3.1 Solução 3.1.1 Objetivos 3.1.2 Aspectos Jurídicos 3.1.3 Organização 3.1.4 Marketing 3.1.5 Finanças e Captação de Recursos 3.1.6 Outros 3.2 Resultados Esperados 3.3 Facilitadores e Dificultadores 3.4 Cronograma 3.5 OrçamentoConclusãoBibliografia 5
  6. 6. Anexos INTRODUÇÃO Breve Histórico do Colégio Santa Cruz O Colégio Santa Cruz, tradicional instituição de ensino da elitepaulistana, foi fundado em 1952, por padres canadenses dacongregação de Santa Cruz. Havia apenas o ginásio, em regime desemi-internato, com 60 alunos do sexo masculino. Sua sede era na AvHigienópolis, 890. Em 1957 os 185 alunos foram transferidos para anova sede, localizada em Alto de Pinheiros, onde está o colégio atéhoje. Em 1974 as matrículas foram abertas para meninas e foramcriados os cursos primário e supletivo. Em 1977 o número de alunospassa para cerca de 2300, decorrente do processo de democratizaçãodo ensino. Em 1992 se aposenta o Pe. Lionel Corbeil, até entãodirigente, e assume o professor Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães.Em 2000 é criado o curso de Educação Infantil, tão sonhado pelo Pe.Corbeil. Por fim, em 2002, ocorrem as comemorações de 50 anos doColégio e a construção do Teatro Santa Cruz. Tendo em vista asdemandas do século que está começando, é prevista em 2004 ainauguração de uma nova unidade, onde os alunos ficarão em períodointegral e terão ensino bilíngüe (COLÉGIO SANTA CRUZ, 2002, p.7-8). 6
  7. 7. O Início da Associação Por volta de dezembro de 2001 recebi uma carta do ColégioSanta Cruz, onde estudei durante os 11 anos anteriores à faculdade edo qual agora sou ex-aluno. A carta era basicamente o convite paraentrar em uma área para ex-alunos no website do colégio, em umaprovável tentativa da diretoria de reaproximá-los. O cativante conviteveio acompanhado de senha e login individuais. Não dei muitaatenção à carta e a deixei na bagunça que é a minha escrivaninha. Alguns dias depois, me deparei com a carta e resolvi entrar nowebsite. Aos poucos redescobria um mundo há muito tempo perdido,e certa nostalgia tomava conta de mim. As aulas de história, osprofessores, os recreios e, como não poderia deixar de ser, ospróprios colegas e amigos que estiveram nos piores e melhormomentos da minha infância e adolescência enchiam a minha cabeçae os meus sentimentos naquele momento. O website era relativamente simples. Nele era possível encontrarbasicamente um mural de recados e uma área com a listagem detodos os ex-alunos, desde a primeira turma, de 1955. Também havia apossibilidade de atualizar seus respectivos dados e disponibilizá-los,da maneira que fosse mais conveniente para cada um. No mural derecados me deparei com depoimentos calorosos de ex-alunos, algunsinclusive da minha turma. Todos invariavelmente procuravam alguémde sua turma ou simplesmente falavam sobre o mesmo sentimento denostalgia que tomou conta de mim. 7
  8. 8. Neste momento tive o insight de criar uma associação de ex-alunos. Não era uma idéia brilhante, é verdade, até diria que era óbviademais, mas a triste realidade é que, até aquele momento, ninguémtinha começado tal movimento. Na mesma hora escrevi um caloroso e-mail falando sobre a minha idéia e procurando apoio moral e efetivopara realizá-la e o enviei aleatoriamente para algumas pessoas quedisponibilizaram o e-mail no website. A idéia era construir uma rede organizada de ex-alunos ondeseus membros poderiam viabilizar realizações pessoais eprofissionais. Nesta rede, se poderia desde conseguir um emprego,até fazer algum tipo de ação social transformadora. No dia seguinte, quando acordei, logo pensei: - “Nossa! O que foique eu fiz? Será que eu fiquei louco? Mandei uma proposta para ummonte de gente que eu não conheço, muitos mais velhos do que eu!”.Depois de tomar o café da manhã, com mil coisas se passando porminha cabeça, abri minha caixa postal, e para minha surpresa haviaalgumas respostas ao meu e-mail. Algumas muito empolgadas, outrascéticas, mas nenhuma totalmente descrente da possibilidade que euhavia levantado. Não havia tempo a perder. Logo respondi cordialmente todos ose-mails. Aos entusiastas, expus minhas idéias de forma mais clara elogo os convidei para a empreitada. Adicionalmente, contatei algunscolegas da minha turma e outros que eu conhecia. Muitos gostaram daidéia, mas não se disponibilizaram a ajudar de forma mais efetiva.Mesmo assim, ao longo do tempo, pude formar uma equipe com umacerta coesão e pluralidade de turmas, mais especificamente 2001, 8
  9. 9. 1998, 1996, 1982, 1981 e 1977. Era o suficiente para dar o primeiropasso... Meses se passaram e, após algumas reuniões onde foramdiscutidos o estatuto e outras questões mais genéricas, oempreendimento está prestes a ser concretizado. Aproveitando aoportunidade de adentrar neste mundo mais profundamente e, fazerum Trabalho de Estágio original, resolvi adotar este tema para otrabalho aqui desenvolvido. O fiz também porque havia subsídiospráticos que poderiam enriquecê-lo, além de demandas reais para umplanejamento mais detalhado da associação. Tendo em vista que neste trabalho é pretendido detalhar osaspectos que cercam a criação e o subseqüente funcionamento daAssociação de Antigos Alunos do Colégio Santa Cruz, a divisão se dáda seguinte forma. No Referencial Teórico é explicitada a teoria relacionada àsredes sociais, ou redes de conexões, uma vez que a criação desta é oobjetivo principal da A.A.A.C.S.C. e de muitas outras associações. Em seguida, descrevo a organização e o estágio realizado noNúcleo Financeiro e Orçamentário da Justiça Federal de PrimeiraInstância de São Paulo, onde trabalhei por seis meses na área deprojetos. No capítulo subseqüente descrevo a metodologia utilizada,entrando em detalhes de como se deu a pesquisa bibliográfica até asdiversas entrevistas realizadas. Depois há a identificação do problema,ou melhor, oportunidade. Por fim, temos a proposta em si, dividida em vários subcapítulos.Primeiramente há uma análise dos aspectos legais, seguidos pela 9
  10. 10. estrutura da organização, os aspectos de marketing, finanças ecaptação de recursos, recursos humanos, tecnologia da informação,cronograma e orçamento. É nesta parte onde os diversos braços desteprojeto são detalhados. O trabalho termina com os Resultados Esperados, Facilitadorese Dificultadores, Cronograma e Orçamento. Logo após há abibliografia e alguns documentos em anexo, como o Estatuto Social,alguns logos e a foto de uma das reuniões. 10
  11. 11. 1. REFERENCIAL TEÓRICO GERLACH e HINE, citados por LIPNACK e STAMPS (1992),fizeram um dos primeiros trabalhos teóricos sobre redes sociais noâmbito da Antropologia, em 1970, publicando People, Power, Change,Movements of Social Transformation. Esse trabalho foi desenvolvido apartir de dois movimentos sociais organizados em rede, o Pentecostale o do Poder Negro. Apesar de ideais bem distintos, ambasorganizações se assemelhavam quanto à estrutura, ou seja, formavam“...´um network – descentralizado, segmentado e reticulado´.”(LIPNACK e STAMPS, 1992, p. 7). É fato que as redes não são nenhuma novidade na sociedadehumana. De certa forma, pode-se dizer que uma tribo, uma família oumesmo um exército, sempre se constituíram redes em um certosentido. O próprio movimento social que resultou na independênciados Estados Unidos, era uma rede de intelectuais que trocavam cartase resolveram se unir pessoalmente a partir de um certo momento.Entretanto, durante as duas últimas décadas, as redes vem seapresentando como alternativas aos impasses da burocracia(LIPNACK e STAMPS, 1992, p. 1). Em Megatendências: as dezgrandes transformações ocorrendo na sociedade moderna, J.NAISBITT (1987) a transição de hierarquia para rede como sendo umadas maiores tendências para o futuro. A palavra network, ou rede, que apareceu pela primeira vez em1560, serviu para designar estruturas complexas de coisas materiais,como fios ou estradas. Através do tempo a palavra foi adquirindo 11
  12. 12. novos significados e, para efeito desse trabalho, selecionei os quemelhor se aplicam: “um sistema de nodos e elos”; “uma identidadepersistente de relacionamentos”; “uma estrutura sem fronteiras”; “umacomunidade não geográfica”; “um sistema de apoio”; “todo mundo quevocê conhece” (LIPNACK e STAMPS, 1992, p. 3). “O que é um network? Um network é uma teia de participantes autônomos, unidos por valores e interesses compartilhados. Os networks são compostos por pessoas autoconfiantes e grupos independentes. (...) Trabalhar em redes de conexões significa pessoas conectando- se com pessoas, unindo idéias e recursos. Networking entrou nos dicionários significando estabelecer conexões com seus pares. Uma pessoa com uma necessidade faz contato com outra com um recurso, e a participação em networks se inicia.” (LIPNACK e STAMPS, 1992, p. 3) Mesmo sendo bem genérica, esta definição não abrange todasas características das redes. GERLACH e HINE, citados por LIPNACKe STAMPS (1992), descobriram que rede pressupõe a existência demuitos líderes, “não uma autoridade suprema, mas muitas fontes deresponsabilidade” (LIPNACK E STAMPS, 1992, p. 8). “Nos networks, atomada de decisões é distribuída; networks são coordenados, nãocontrolados” (LIPNACK e STAMPS, 1992, p. 9). “O que ocorre numarede é que uns tratam os outros como iguais – porque o que importa éa informação, o grande equalizador” (NAISBITT, 1987, p. 195). Saindo um pouco do contexto histórico das redes, suascaracterísticas e definições, acho interessante adentrar em seufuncionamento. 12
  13. 13. “A análise de rede social [ARS] é o mapeamento e mensuração das relações e fluxos entre pessoas, grupos, organizações, computadores e outras entidades processadoras de informação/ conhecimento. Os nodos na rede são pessoas e grupos enquanto os elos mostram relações e fluxos entre os nodos. A ARS fornece ambas análises visual e matemática de sistemas humanos complexos. Um dos métodos usados para entender as redes e seus participantes é a avaliar a localização dos atores na rede.” (KREBS, 2002, http://www.orgnet.com/sna.html, consultado em 19/10/2002, trad. por) No artigo An Introduction to Social Network Analysis, V. KREBSintroduz alguns conceitos da ARS. O primeiro deles mede a atividadede um nodo através do número de ligações diretas que ele tem.Entretanto, ao contrário do senso comum, o nodo mais ativo não énecessariamente o mais importante, uma vez que este pode estarconectado apenas com outros nodos que já estão conectados entre si. Outra medida diz respeito a quais nodos dependem de outros.Assim, um nodo que não seja tão ativo pode ser mais importante seestiver ligado aos que não estão ligados a nenhum outro. Se essenodo fosse cortado, os fluxos de informações dos outros nodosunicamente ligados a esse seriam cortados. Por fim, a terceira medida diz respeito a quão perto um nodoestá dos outros. Assim, um nodo pode não ser muito ativo ou ter elosque dependam exclusivamente dele, mas pode estar mais perto detodos os nodos do que qualquer outro. 13
  14. 14. Também é preciso lembrar que a periferia de um nodo pode serimportante na medida em que esses nodos periféricos estão inseridosem outras redes, podendo trazer novas informações e recursos de forapara dentro. Redes altamente centralizadas e dependentes de um ou poucosnodos são mais suscetíveis a falharem, uma vez que, caso essesnodos saiam da rede, sobrarão pequenas sub-redes não conectadasentre si. 14
  15. 15. 2. OBSERVAÇÃO DA REALIDADE DA EMPRESA 2.1 Descrição da Empresa O estágio foi realizado no Núcleo Financeiro e Orçamentário(NUFO) da Justiça Federal de Primeira Instância de São Paulo, noFórum Administrativo Líbero Badaró, localizado na Rua Líbero Badaró,73, Centro, São Paulo - SP. Com o advento da República Federativa, foram criados órgãosjudiciários federais, que deveriam coexistir de forma harmoniosa comos órgãos judiciários estaduais. Dentro da estrutura da Justiça Federal, o NUFO é uma áreaadministrativa de suporte da Justiça Federal de Primeira Instância deSão Paulo, que é subordinada ao Tribunal Regional Federal da 3ªRegião, que tem sede em São Paulo, mas também compreende oestado de Mato Grosso do Sul. A Justiça Federal é responsável pelos processos relativos a leisfederais. Por exemplo, sendo tráfico de drogas um crime federal,qualquer processo do gênero é julgado na Justiça Federal, e não naestadual. Da mesma forma, ações de inconstitucionalidade tambémsão da responsabilidade da Justiça Federal, mas cabemespecificamente ao seu órgão máximo, o Supremo Tribunal Federal. O NUFO é responsável pelo orçamento da Justiça Federal dePrimeira Instância, além da liberação de recursos e controle dedespesas. Este se destaca por ter sido um dos primeiros órgãospúblicos a adquirir o ISO 9002. 15
  16. 16. 2.2 Descrição do Estágio O NUFO está dividido em quatro áreas, sendo elas:Planejamento Orçamentário, Execução Orçamentária, ExecuçãoFinanceira e Projetos. Trabalhei na área de Projetos do NUFO, ondeera responsável pelo desenvolvimento de um sistema de controle dedespesas em Access, o “5inco”. Em parceria com o Centro deColocação Profissional (CECOP) da EAESP, a área de Projetos doNUFO desenvolveu um convênio, onde vagas para estágio seriamoferecidas semestralmente, com o intuito de desenvolverem o sistema.Assim, o sistema já estava em andamento quando lá ingressei. Oestágio começou em 29/01/2001 e terminou em 28/08/2001. Primeiramente obtive algumas aulas de programação em Accesscom a Professora Ana Leda Moraes Silva, profissional de informáticacontratada para o projeto para desenvolver o banco de dados e seruma espécie de monitora dos estagiários. Paralelamente, algunsfuncionários do NUFO davam as noções básicas do funcionamento daJustiça Federal. Depois comecei a desenvolver o “5inco”, ficandoresponsável por duas despesas específicas. Assim, tive que entenderas despesas conversando com seus responsáveis e lendo algunsprocessos referentes a elas. Posso dizer que o estágio foi muito proveitoso pois, além depoder conhecer um pouco mais sobre bancos de dados, o convíviocom um órgão público pode derrubar algumas visões distorcidas queeu tinha do funcionamento do Estado em geral. Ao contrário do que osenso comum diz, existem muitos funcionários públicos que trabalham 16
  17. 17. muito e são competentes. Após esse período, passei a valorizar maisa administração pública em geral. 2.3 Metodologia Pode-se dizer que este trabalho, sem dúvida, foi muitoenriquecido pela prática. Mais do que uma necessidade acadêmica, oprojeto de criação da Associação de Antigos Alunos do Colégio SantaCruz já estava ocorrendo desde dezembro de 2001. Em inúmeros e-mails trocados e algumas reuniões feitas, muito já foi discutido. Aexperiência prática do projeto sem dúvida é a maior fonte deinspiração, idéias e dados deste trabalho acadêmico, que só vemcompletar um projeto que o extrapola. Entretanto não podemos relegar este trabalho a um segundoplano, uma vez que ele tem como função para o grupo envolvido noprojeto organizar as idéias através de um documento sólido e conciso.É um material que pretende ajudar a associação para que vá além deum simples “clubinho” de ex-alunos, construindo paradigmasinexistentes nessa área no Brasil. Não bastando os e-mails e reuniões feitas até agora como fontede material para esse trabalho, fui obrigado a adentrar em outrasáreas de pesquisa. O primeiro passo foi agendar reuniões com osdirigentes de outras associações de ex-alunos que porventura seassemelhassem, em forma ou conteúdo, do que pretende ser aAAACSC. Através das reuniões pretendeu-se fazer um “benchmark”dessa incipiente área do terceiro setor no Brasil. 17
  18. 18. Através da Internet, cheguei a quatro associações quedespertaram interesse. Primeiramente visitei a presidente da AEACH,ou Associação de Ex-Alunos do Colégio Humboldt, WELTER1. Porrecomendação da própria cheguei à Aaafaap, ou Associação deAntigos alunos da FAAP, entrevistando o seu presidente, POSSIKJR.2. Logo após entrevistei o presidente da ex-GV, ou Associação dosEx-Alunos da Fundação Getúlio Vargas, DUARTE3. Até a presentedata ainda não havia conseguido marcar uma entrevista com algumdiretor da AEDA, ou Associação dos Ex-Alunos do Colégio DanteAlighieri, mas obtive uma cópia do seu estatuto, o que foi muitoproveitoso. Tais entrevistas estarão, de uma forma ou de outro,diluídas pelas diferentes partes deste trabalho. Para enriquecer a pesquisa, também utilizei a Biblioteca Karl A.Boedecker, localizada no complexo da EAESP. As referênciasbibliográficas foram demasiadamente importantes para a construçãodo referencial teórico, baseado em redes, e para as práticas degerenciamento da associação. É importante frisar que parece nãohaver na literatura brasileira obras específicas sobre associações deex-alunos, ex-funcionários ou outros “alumni associations” que possamexistir. Através de pesquisas na Amazon (www.amazon.com) pudeperceber que há alguma coisa sobre as “alumni associations” nosEstados Unidos, mas além de ser pouca coisa não há disponibilidadedesse material no Brasil. Assim, sobretudo a parte de administraçãoem si, foi baseada em literatura para o 3º setor em geral. O1 WELTER, Giselle. Comunicação Pessoal. 2002.2 POSSIK JR., Rafael. Comunicação Pessoal. 2002.3 DUARTE, Benedito Fernandes. Comunicação Pessoal. 2002. 18
  19. 19. conhecimento adquirido dos livros foi devidamente lapidado pelaexperiência prática e pela observação das outras associações. Uma terceira frente da pesquisa se deu através da ferramentaProQuest, um banco de dados de artigos retirados dos mais diversosperiódicos de administração e afins. Através do ProQuest pude travarcontato com notícias acerca das associações de ex-alunos defaculdades americanas de renome, por exemplo, Harvard,principalmente sobre suas práticas. Alguns casos de sucesso puderamcontribuir para que se norteasse melhor o futuro da associação. 2.4 Problema / Oportunidade A falta de sistematização das ações dos ex-alunos do ColégioSanta Cruz foi o problema, e também a oportunidade, encontradas. Éfato que há uma forte identificação de valores entre os ex-alunos doColégio Santa Cruz. A identificação ocorre tanto pelos valoreshumanitários, tradicionalmente passados pelo colégio aos alunos,como pelo status da instituição, que é uma das mais tradicionais deSão Paulo no ramo do ensino. Costuma-se dizer que o Colégio SantaCruz “prepara para a vida”. Através de uma série de relatos e experiências próprias, pudeperceber que, seja lá em qual situação se der, quando dois ou maisex-alunos do colégio se encontram, ocorre uma identificação econexão instantâneas, não importando a diferença de idade, área deatuação profissional e local de residência. O senso comum diz que oex-aluno do Colégio Santa Cruz, em média, é uma pessoa que integra 19
  20. 20. a pequena parcela da população de alta renda, além de seremformadores de opinião. É comum que o ex-aluno do Colégio SantaCruz atribua sua condição social e intelectual mais aos anos passadosno ensino médio e fundamental do que ao curso universitário, mesmotendo a maioria deles estudado em universidades e faculdadesconsideradas como sendo de ponta. Neste sentido, pode-se dizer queo Colégio Santa Cruz, no âmbito da sociedade paulistana, tem seupeso, em relação à tradição e status, comparável a universidadescomo a USP e a UNICAMP, ou faculdades como a EAESP – FGV. Em relação à organização de encontros das turmas já formadas,há apenas algumas ações isoladas de ex-alunos que tentam reunir aspessoas do seu respectivo ano. Tais reuniões, muitas vezes não temperiodicidade definida, e quase sempre dependem da boa vontade edisponibilidade de um pequeno grupo que resolve “por a mão namassa” e fazê-la. Ainda assim, há muitas turmas que não fazemnenhum tipo de encontro por não haver iniciativa de um indivíduo oupequeno grupo. Por incrível que pareça, também não há nenhuma instituiçãoorganizada de ex-alunos do Colégio Santa Cruz que tenha comoobjetivo construir uma rede formal, dar benefícios tangíveis eintangíveis ou mesmo canalizar as forças dos ex-alunos para algumtipo de ação transformadora da sociedade, se aproveitando daidentidade e poder político e financeiro que há entre eles. Esse tipo deorganização formal de ex-alunos é uma prática usual emuniversidades de renome americana, sendo que algumas delaschegam até a ter uma influência indireta em grandes questões do país. 20
  21. 21. No Brasil a atuação das diversas associações de ex-alunos deinstituições tradicionais ainda não chega a esse nível, mas é fato queelas estão sendo repensadas de uns tempos para cá, de forma a atuarmais efetivamente na sociedade. Da parte do Colégio Santa Cruz, houve um recente esforço emrelação aos ex-alunos, com a criação de uma página que contém aslistas de todas as turmas e um livro de visitas pouco interativo. Paraque uma carta apresentando a página chegasse à todos os ex-alunos,foi montada uma equipe que pesquisou nomes e endereços, tentandoatualizar os registros existentes. O mesmo banco de dados renovadotambém foi usado para que se enviasse os convites da festa de 50anos. Neste campo pode-se dizer que o colégio obteve êxito, masainda faltava uma organização de ex-alunos, gerida por ex-alunos, eobviamente não seria o colégio o mais indicado a iniciar essemovimento, afinal seria um pouco artificial. 21
  22. 22. 3. PROPOSTA 3.1 Solução Tendo em vista os aspectos anteriormente discutidos, a propostadeste trabalho é fazer o projeto de criação da Associação de AntigosAlunos do Colégio Santa Cruz. A proposta não surge a partir dessetrabalho, mas é esse trabalho que surge a partir da proposta, que vemsendo consolidada há meses por um grupo de pessoas do qual eufaço parte. Assim, esse trabalho faz-se realmente útil como documentoescrito que, não só norteia de forma detalhada os vários aspectos dacriação da associação, como dá maior credibilidade aoempreendimento. Um plano de negócio com fundamentação teóricapara esta incipiente área do terceiro setor é algo que dá maiorrefinamento ao empreendimento, em um primeiro momentoestruturando-o, para que depois possa alcançar destinosanteriormente inimagináveis. Acredito que este trabalho possa ser ummarco nesta área pouco explorada. Antes de tudo, é importante destacar o fato de que umaassociação perde o sentido se não tem objetivos claros para osassociados. Foi isso que pude constatar na entrevista com opresidente da ex-GV, Benedito Fernandes Duarte. A Associação dosEx-Alunos da Fundação Getúlio Vargas existe há cerca de 40 anos,mas nunca teve uma razão clara para existir. Segundo o atualpresidente, que faz parte de uma gestão que pretende reinventar aorganização, a ex-GV era uma associação narcisista, onde o 22
  23. 23. associado não tinha nenhum benefício a não ser continuar vinculadode alguma forma ao nome da faculdade. A nova gestão quer focar aex-GV em duas frentes, sendo uma delas a ação social e a outrareferente à benefícios para o associado. Com magnitudes maiores oumenores, faz-se necessário às associações de qualquer tipo umobjetivo, e este será o primeiro assunto a ser discutido. 3.1.1 Objetivos Durante toda a discussão e execução do projeto, este que é umdos mais importantes pontos da associação, se não o mais importante,foi deixado de lado. Já havia uma idéia implícita de quais seriam osnossos objetivos, e por isso mesmo não havia necessidade de discuti-los com profundidade em um momento em que precisávamos de maisações e menos idéias. De certa forma, todos os envolvidos já sabiamquais seriam os objetivos da associação. Mesmo quando a discussãofoi proposta, quando outros assuntos já estavam melhorencaminhados, ninguém foi capaz de trazer novas idéias ao que jáhavia. Assim, decidiu-se por dividir em 4 grandes áreas os objetivos daassociação, mas é importante frisar que na maior parte das açõesesses objetivos devem se cruzar, mesmo porque eles devem serpensados em conjunto, de forma integrada. Abaixo, apresentarei asgrandes áreas e farei as reflexões necessárias sobre cada uma delas: • integração entre os ex-alunos, a comunidade do Colégio Santa Cruz em geral e a sociedade como um todo 23
  24. 24. É sabido que já houve outras tentativas de fazer uma associaçãode ex-alunos do Colégio Santa Cruz no passado. Entrando em contatocom um participante de uma dessas tentativas, provavelmente aprincipal até então, descobri que faltaram duas coisas. A primeiradelas foi a falta da constituição jurídica da associação, uma vez queela consistia apenas em um grupo de ex-alunos que se reuniam devez em quando. Assim, a associação não era devidamente organizadae, quando os participantes não tiveram mais tempo de continuá-la, elase tornou inativa. A outra, aparentemente sendo o erro crucial não sódessa, como de todas as tentativas até então, foi a falta daparticipação de todas as turmas do colégio. Eram associaçõesconstituídas por uma turma específica ou, no máximo, algumas delas.Essas antigas associações eram basicamente uma maneira mais oumenos organizada de turmas específicas continuarem mantendocontato, não consistindo em algo universal, no sentido de abrangertodos os ex-alunos do Colégio Santa Cruz. Como já discutido anteriormente, de fato há uma identidadeentre todos os ex-alunos do Colégio Santa Cruz, independentementede turma, idade, ideologia ou religião, e a AAACSC se propõe a serum espaço de integração entre todos os ex-alunos. A associaçãotambém se propõe a integrar toda a comunidade do Colégio SantaCruz, compreendida não só pelos ex-alunos, mas também pelosalunos, professores, diretores, padres, funcionários e quem mais tiveralgum tipo de contato com o colégio. Em um terceiro sentido, maisamplo ainda, a AAACSC se propõe a integrar o ex-aluno com a 24
  25. 25. sociedade como um todo, visando promover a ação transformadora,que é um outro objetivo, e combater a isolação do ex-aluno emcírculos fechados. Na prática, esses objetivos se traduzem de várias maneiras. Aprimeira delas seriam os tradicionais encontros de turmas. Narealidade, eles já ocorrem em larga escala, porém nem sempre comuma periodicidade certa, sempre dependendo da açãoempreendedora de pequeno grupo de ex-alunos e, infelizmente, nãoocorrem em todas as turmas. À associação cabe regularizar essasaudável prática nas turmas que não a fazem, além fazer sinergiascomo, por exemplo, conseguir descontos maiores em restaurantes,bares e boates onde, porventura, encontros de mais de uma turmasejam realizados. Também cabe a AAACSC promover um espaço detroca de conhecimento e aprendizado de práticas para esse tipo deevento, sem contar, é claro, com a maior possibilidade que umaassociação organizada tem de achar ex-alunos eventualmente“perdidos”. É importante frisar que não se pretende excluir dessesencontros ex-alunos que não seja associados. Além de respeitar avontade deles, o encontro é dos ex-alunos e não dos associados. A AAACSC também se propõe a realizar encontros e eventosque tenham intuito de integrar ex-alunos de diferentes turmas. Onúmero de associados em potencial faz com que grandes encontrosregulares sejam impossíveis de se realizar, como é feito na AEACH(Associação de Ex-Alunos do Colégio Humboldt), a não ser em casosespeciais, como, por exemplo, aniversários da associação ou docolégio. Neste sentido, correntemente é mais viável a realização de 25
  26. 26. pequenos eventos para grupos de interesses específicos. Essesgrupos podem ser profissionais (administradores, médicos,engenheiros, etc...), de interesses em comum (cinéfilos, enólogos,etc...) ou até mesmo, por exemplo, de ex-alunos homossexuais, comoacontece em várias associações de universidades americanas. Esseespaço também pode ser utilizado para assuntos pontuais queinteressem a todos, podendo ser desde um debate sobre assuntos docotidiano (eleições, política, etc...) até o lançamento de um livro escritopor um ex-aluno. Outra possibilidade se dá pela criação de núcleos de ex-alunosem outros estados ou até no exterior. Em uma escala muito maior,isso é feito por universidades americanas como Harvard e Stanford.Essas universidades têm seus clubes de ex-alunos em diversospaíses do mundo (MCCLUSKEY, 1998, p. 68). No caso da AAACSC, ointuito não seria representar a instituição em outros países, o que nãofaz sentido, mas transformar a vida do ex-aluno no exterior menostortuosa, uma vez que há uma pequena rede que pode ajudá-lo. A integração dos ex-alunos com a comunidade do Colégio SantaCruz e a sociedade em geral é algo mais amplo que, principalmenteno segundo caso, extrapola esse objetivo. Um exemplo de como issopode ser feito é a realização de competições esportivas envolvendo acomunidade do colégio, com times montados pelas diversas“categorias”, ou até outras associações de ex-alunos, com times dosdiferentes colégios e, porque não, faculdades. Ainda neste sentido,pode ser interessante a realização de festas entre as associações deex-alunos por faixas de idade. Por fim, é claro que essa integração 26
  27. 27. não só pode como deve extrapolar as amenidades de eventospuramente sociais, mas aí se entra no âmbito de outro grandeobjetivo, que é a promoção da ação social transformadora, e serádiscutido mais a frente. De certa forma, abarcando todas essas ações dentro do objetivode integrar, a idéia maior é facilitar a construção de novos elos na redede ex-alunos, ação que mais uma vez extrapola este objetivo, masque, por uma questão didática, optou-se por encaixar melhor aqui. Éimportante observar que não se fala na construção da rede, pois seadmite que ela, de uma forma ou de outra, já exista. Quando nocolégio, dificilmente o aluno limita-se a ter amizades apenas dentro doseu ano. Além disso, através de dados fornecidos pelo colégio, sabe-se que cerca de 55% dos alunos da recém-inaugurada pré-escola têmex-alunos como pais, porcentagem que chega a 30% seconsiderarmos os alunos de todas as séries. Isso significa que, sepensarmos em uma rede, é muito provável que, em no máximo trêstelefonemas, qualquer ex-aluno entre em contato com outro. Nestesentido a rede já existe, mas, utilizando-se da estrutura da associação,assim como da identidade entre os ex-alunos, pretende-se construirnovos elos para que se chegue diretamente nas pessoas, ou aomenos precise de menos telefonemas para isso. Aqui especificamente, podemos resgatar a ferramenta de Análisede Rede Social (KREBS, s.d., http://www.orgnet.com/sna.html,consultado em 19/10/2002), anteriormente discutida no ReferencialTeórico. Em um nível mais técnico, a associação deve, por exemplo,estimular que os nodos mais ativos da rede não se limitem a manter 27
  28. 28. os elos que não dependem mais exclusivamente deles. Nodos commuita atividade geralmente representam ex-alunos com muitos elospotenciais, que devem ser trazidos à rede de forma constante. Poroutro lado, também deve haver mecanismos de criar novos elos paraaqueles nodos que são exclusivamente dependentes de outros.Assim, evita-se que esses nodos se percam a medida que suas únicasligações saiam da rede por qualquer motivo. Na prática, se consegueisso através das práticas anteriormente discutidas dentro desseobjetivo e das que serão discutidas adiante. A criação e ofortalecimento dos elos só contribui para todos os outros objetivos daassociação, como para sua perpetuidade. • desenvolvimento pessoal e profissional dos ex-alunos e demais pessoas envolvidas Antes de realizar qualquer outro objetivo da associação, é claroque seus membros precisam estar integrados através das práticas jádiscutidas. Porém, é certo que seria um desperdício aproveitar essarede única e exclusivamente para objetivos sociais. Através do contatocom outros ex-alunos, o associado não só pode como deve buscar oconstante desenvolvimento pessoal e profissional e, neste sentido, aassociação deve criar mecanismos e oportunidades para que issoaconteça. Dentro desse objetivo deve ser discutido que tipo dedesenvolvimento seria este, e para isso temos que firmar um conjuntode pressupostos. Através da observação empírica acerca, sobretudo, 28
  29. 29. dos fatos relacionados ao movimento de criação da AAACSC,podemos perceber a grande predisposição que há de ex-alunos seajudarem. Esse fato decorre principalmente da identidade entre os ex-alunos, tanto pelo “status” de terem estudado no Colégio Santa Cruzquanto pelo conjunto de valores em comum, ambas facetas jádiscutidas anteriormente. De certa forma, encontrar um ex-aluno noambiente de trabalho ou em uma viagem é como encontrar um “irmão”perdido entre um mar de desconhecidos. Mesmo na minha experiênciacomo graduando da EAESP, pude perceber que alguns professoresex-alunos se identificavam assim com orgulho e logo procuravam“semelhantes” entre os alunos. Na incessante busca por ex-alunosque apostassem na idéia, tive um número razoável de pessoas queretornaram positivamente. Na verdade, houve apenas retorno positivoe falta de retorno, mas nunca recebi uma resposta negativa. Aquelesque responderam positivamente fizeram o possível para ajudar ogrupo nesta empreitada. Deste grupo inicial, apesar de algumasgrandes diferenças de idade, também já decorre uma certa unidade eamizade entre os ex-alunos, sendo que muitos elos extrapolaram acriação da AAACSC e entraram na seara da vida pessoal. Assim,pressupõe-se que, com a criação de mecanismos e ferramentais ondeos ex-alunos possam se ajudar, em geral haverá boa vontade porparte destes. Em segundo lugar, devemos discutir o que é desenvolvimentopessoal e profissional. Separá-los seria uma prática didática que nãocabe à prática. Aqui se pressupõe que a maioria dos ex-alunos doColégio Santa Cruz são pessoas com uma visão de mundo e cultura 29
  30. 30. acima da média, ou seja, formadores de opinião. Também épressuposto que o ex-aluno ocupa posições de destaque nasociedade, como donos, presidentes, diretores ou gerentes deempresas. Os que não estão inseridos no mundo convencional dascorporações, certamente tem um bom destaque em suas profissões,sejam artistas, políticos ou profissionais liberais. Assim, a associaçãodeve promover o fluxo de conhecimentos, vivências, influências econtatos entre os ex-alunos. Os ex-alunos só têm a ganhar partilhandoos frutos de suas experiências entre si. Em um sentido prático, a AAACSC deve, primeiramente,organizar e estruturar a rede de ex-alunos. Ao visitar a AEACH e aAaafaap, um ponto em comum reforçado pelos presidentes das duasassociações foi a importância da Internet. De acordo com osdepoimentos, a Internet teria sido crucial para viabilizar a associação.Quanto a isso, é inevitável refletir sobre como outras associações deex-alunos mais antigas foram viabilizadas, como a ex-GV e a AEDA. Aex-GV, que não tem uma página bem estruturada como outras, existehá cerca de 40 anos e possui algo em torno de 1.300 associados,contra quase 100.000 ex-alunos. Após 40 anos de existência cerca de1,3% dos ex-alunos da EAESP pertencem à ex-GV, ou seja, umnúmero pífio. Já a Aaafaap, que de certa forma nasceu junto aodepartamento de informática da FAAP e começou com a página naInternet, atinge todos os ex-alunos, sendo que a maioria não écontribuinte. É verdade que, ao se formar, o ex-aluno da FAAP setorna associado compulsoriamente, facultando a ele o pagamento ounão da contribuição, o que irá garantir ou não alguns benefícios. De 30
  31. 31. qualquer forma, todo ex-aluno recebe boletins por e-mail. GiselleWelter, presidente da AEACH, diz claramente que, sem o advento daInternet, a associação, se não impossível, seria muito menosabrangente. No caso do Colégio Humboldt, sabe-se que cerca de 33%dos ex-alunos moram ou já moraram no exterior em alguma época, e aInternet funciona como um facilitador para contatos nesse caso. Assim, a estruturação e a organização da rede deve, em primeirolugar, começar com a página da AAACSC na Internet. É claro que arede também deverá extrapolar o mundo virtual através de eventos eencontros, mas é no mundo virtual onde a maior parte dos ex-alunosestão em contato entre si ao mesmo tempo, em qualquer hora oulugar. É bom ressaltar a expressão “maior parte” porque há aquelesque não tem o uso da Internet como parte de seus hábitos, sobretudoos ex-alunos de turmas mais antigas. Na AEACH, por exemplo, apesarda Internet, foram recebidas cerca de 800 cartas, ou seja, os excluídosdigitais não podem ser esquecidos. No sentido do desenvolvimento pessoal e profissional do ex-aluno, devem ser pensados mecanismos que facilitem o casamento denecessidades e recursos, que é um dos pressupostos de uma rede(LIPNACK e STAMPS, 1992, p. 3). Assim, um ex-aluno jovem queesteja precisando de alguém que o aconselhe para a vida, ou um ex-aluno desempregado que esteja procurando novas oportunidades, ouaté um ex-aluno empreendedor procurando capital para colocar emprática uma grande idéia, pode recorrer à rede. Afinal de contas, aprobabilidade de encontrar alguém no caso de qualquer necessidadeentre pessoas que se identificam e tem valores semelhantes, sempre 31
  32. 32. é maior. As possibilidades são infinitas em um universo de 7.500 ex-alunos das mais diversas profissões e com uma grande gama devivências. Pode-se dizer que, a própria criação da AAACSC coloca emteste essa possibilidade, uma vez que o grupo que deu início à idéianão possuía os conhecimentos necessários para a completa criaçãoda associação. Então, procuramos ex-alunos que tivessem ascompetências necessárias, dessa maneira achando pessoas queingressaram no projeto. É importante ressaltar que, quando se pensa em umaassociação de ex-alunos, uma das primeiras idéias é facilitar aosassociados a busca por empregos. Sem dúvida que esta é umapossibilidade, mas casar necessidades e recursos também abrangeoutras áreas. Há necessidades que não são materiais ou deempregos, mas afetivas e até espirituais. Pode ser que um ex-alunoprecise de outro apenas para conversar, ouvir conselhos ou discutirsobre determinado assunto, e a AAACSC também se propõe a fazeresse tipo de ponte. Em um sentido menos amplo, a AAACSC também pretendeprover benefícios ao associado. Uma prática muito comum entre as“alumni associations” de universidades americanas é usar a força demilhares de associados para negociar benefícios financeiros. Oprincípio é que uma associação com milhares de ex-alunos podeconseguir, por exemplo, maiores descontos em seguro de carroatravés de uma negociação com a seguradora. Obviamente isso podese estender para seguro saúde, seguro de vida e outros serviçosfinanceiros. Com certeza é de interesse das provedoras desses 32
  33. 33. serviços dar descontos em troca de uma carteira de clientes de altarenda e formadores de opinião. Outra idéia é fazer um fundo depensão de ex-alunos. De encontro com esse objetivo, a AEACH tem em sua páginauma seção para que ex-alunos que tenham empresas de serviços,como uma oficina mecânica, um restaurante ou uma pequena firma deadvocacia, dêem descontos aos ex-alunos associados, com o intuitode aumentarem sua carteira de clientes e anunciarem no website daassociação. A premissa por trás da idéia de dar benefícios aos associados éque uma carteira de clientes composta por ex-alunos do Colégio SantaCruz seria almejada por muitas empresas. Essa hipótese se confirmaatravés de muitos depoimentos como, por exemplo, de uma ex-alunadona de uma firma importadora de bens de consumo. Segundo ela,“daria qualquer desconto. Com uma carteira de clientes composta porex-alunos do Santa, eu estaria realizada.”. • preservação e desenvolvimento do Colégio Santa Cruz como instituição e conjunto de valores que representa Uma dos principais fatores para a já discutida identidade entre osex-alunos do Colégio Santa Cruz é, sem dúvida, a paixão que o ex-aluno nutre pela instituição. Não vem ao caso discutir de forma muitoaprofundada essa paixão, uma vez que ela não faz parte direta doescopo deste trabalho, mas é interessante levantar uma questão.Devemos nos perguntar se esse é um ponto em comum para uma 33
  34. 34. associação de ex-alunos de um colégio ou de uma faculdadequalquer. Até um certo ponto, sim. Não faz sentido que ex-alunos de umainstituição de ensino qualquer se reúnam em uma associação sem queelas gostem minimamente do colégio, seja pelo status de teremestudado lá, seja pelo conjunto de valores que representa, seja peloapego ao espaço físico do lugar, seja pelo fato de terem passadodeterminada época de suas vidas naquele ambiente. Na verdade,esse último motivo de apego ao lugar parece ser o mais comum, masos três primeiros são peculiares de algumas poucas instituições.Acredito que todos esses sejam motivos para a paixão que o ex-alunotem em relação ao Colégio Santa Cruz, e neste tópico iremos analisá-los. O fato de ter passado determinada época da vida no colégio émais do que óbvio e não necessita de mais aprofundamento. Goste ounão do lugar, as pessoas geralmente acabam desenvolvendo certoapego aos lugares por onde passaram um bom tempo de suas vidase, neste caso, o ex-aluno do Colégio Santa Cruz também acaba seapegando ao próprio espaço físico. A atual sede em Alto de Pinheirosocupa praticamente quase dois quarteirões normais. É bastantearborizada e plana, contrastando, por exemplo, com o Colégio SãoLuis da Avenida Paulista, que é totalmente verticalizado. A grandezado colégio em termos físicos é uma coisa que sem dúvida nenhumamarca o ex-aluno. Outra explicação factível seria devido ao conjunto de valores queo colégio representa. Como analisado anteriormente, o senso comum 34
  35. 35. diz que o Colégio Santa Cruz “prepara para a vida”. Esse perfilcontrasta com o de outros renomados colégios paulistanos, como oColégio Bandeirantes, por exemplo, que é mais conhecido porpreparar o aluno para o vestibular. É bom frisar que nãonecessariamente o senso comum está correto nestes casos, mas éisso que faz a imagem do colégio perante o ex-aluno e a sociedade.Em outras épocas o Colégio Santa Cruz também ganhou fama poruma educação diferenciada, mais humanista, principalmente graçasao Padre Charbonneau, um dos fundadores e principais educadoresdo colégio. Depois do falecimento dos padres, mesmo com o colégioadquirindo uma administração laica, ainda há essa percepção sobreos valores do colégio. Por último, há o fator do status da instituição. Status esse não sódeterminado por todos os outros fatores já discutidos, mas tambémpor este ser claramente um colégio das elites paulistanas. A verdade éque, na média, os alunos e ex-alunos do Colégio Santa Cruz compõea elite financeira e intelectual do país. Reforçam essa noção algunsex-alunos famosos, como o economista Luiz Carlos Mendonça deBarros, o piloto Gil de Ferran, o músico Chico Buarque de Holanda epraticamente toda a família Montoro e Setubal. É importante frisar que não são todas as instituições de ensinoque contam com esses dois últimos fatores. A maioria das instituiçõesde ensino não conta com esse tipo de status, que gera a paixão noaluno e ex-aluno. Isso se reflete claramente nas associações de ex-alunos, na medida em que elas geralmente não conseguem integraros associados e realizar projetos que vão muito além do simples 35
  36. 36. cadastro. Quando um aluno do Colégio Santa Cruz se forma no ensinomédio, há aquela sensação de “sempre Santa”, o que provavelmentenão ocorre em qualquer colégio ou faculdade. Contudo, é preciso fazera crítica de que esse tipo de sentimento muitas vezes leva o aluno aoelitismo e a isolação em relação ao resto do mundo, não sendo esse oobjetivo da associação. A AAACSC quer apenas usar essa paixãocomo ponto de identidade entre os associados, que será a força motrizpara o seu funcionamento. Ser uma representante do colégio na sociedade não é umaquestão de escolha para a AAACSC, mas sim um fato inexorável. Nãohá como fugir dessa responsabilidade. Assim sendo, a AAACSC deve,no mínimo, gerenciar suas relações com a sociedade de forma a nãoprejudicar a imagem do colégio, símbolo que une os associados. Maisdo que obrigação, deve ser objetivo da associação não só preservar aimagem do colégio, mas representá-lo e fortalecê-lo. Uma associaçãode ex-alunos que pretenda extrapolar suas ações para fora doambiente interno deve tomar cuidado no sentido de agir como umsegundo relações-públicas da instituição que deu sua unidade eorigem. Dentro desse grupo de objetivos, a AAACSC também devepreservar a memória do colégio. Não que o próprio Colégio SantaCruz já não o faça, pelo contrário, mas uma importante parte de suasmemórias são feitas pelos alunos, e uma associação teria umacapacidade muito maior de recolhê-las, armazená-las e perpetuá-las,obviamente em parceria com o colégio. Neste sentido a associaçãopode fazer uma sala de memórias em parceria com o colégio, ou 36
  37. 37. então criar um jornal que publique as estórias mais interessantes.Neste campo o material é vasto, bastando haver vontade paraprocessá-lo e organizá-lo. A AEACH, por exemplo, faz um bomtrabalho nesta direção, dedicando um espaço no website para umapequena biografia mensal sobre um professor e um ex-aluno. Ainda dentro desse objetivo, podemos destacar a possibilidadeque uma associação de ex-alunos tem de orientar o aluno para a vidacomo um todo. O aluno obviamente virá a ser um ex-aluno algum dia,ou seja, uma vez que buscamos desenvolver o ex-aluno, tambémdeve ser nosso objetivo ajudar no desenvolvimento do aluno. Ainda deencontro com isso, ajudando os alunos, que são uma das vitrines docolégio, estaremos reforçando a imagem e os valores do próprioColégio Santa Cruz. Isso pode ser feito de várias maneiras. A AAACSC podeaproveitar o conhecimento de seus associados sobre diversosassuntos e promover palestras para os alunos. Também podem seroferecidos cursos extra-curriculares sobre temas pertinentes como, porexemplo, economia básica. O aluno do Colégio Santa Cruz sairiamuito bem preparado do ensino médio em relação aos de outroscolégios se tomasse contato com assuntos como economia, direito,funcionamento do estado, etc... E para organizar os cursos bastariaque o colégio fornecesse o anfiteatro e um horário conveniente. Os ex-alunos de cada área, por sua vez, poderiam se organizar de forma quecada um desse uma aula sobre um certo aspecto do tema, assim nãoprejudicando demais o tempo de ninguém e facilitando a participaçãodo maior número possível. 37
  38. 38. Outra possibilidade seria a implantação de um sistema de tutoria,onde um ex-aluno seria tutor de um ou alguns alunos, sobretudoaqueles que estão terminando o ensino médio e necessitam deorientação para a escolha da profissão. A idéia é que o tutoraconselhe o aluno em qualquer assunto que for necessário, masprincipalmente sobre a profissão escolhida. Assim, o processo ficariafacilitado se um médico fosse tutor de um estudante de medicina, umexecutivo fosse tutor de um estudante de administração, e assim vai. • promoção da ação social transformadora Os três primeiros tópicos pareciam óbvios, já que os objetivos dequalquer associação de ex-alunos não fogem muito disso. A grandediferença estaria na promoção da ação social transformadora atravésda rede. Esse parece ter sido um anseio de quase todos os ex-alunosenvolvidos, uma vez que vai de encontro com os valores humanistasdo colégio, e até com a própria realidade da instituição. Faz parte doColégio Santa Cruz o “SAN (Serviço de Auxílio aos Necessitados),grupo formado por membros da Pastoral do Colégio Santa Cruz,professores e pais de alunos, encarregados de conseguir os recursosfinanceiros, através de festas e campanhas, e administrá-los para quepossam beneficiar o maior número possível de pessoas”(MAGALHÃES, 1996, http://www.santacruz.g12.br/pj_pasto.htm,consultado em 26/10/2002). Uma vez que o SAN conta com aparticipação de muitos ex-alunos, sendo essa inclusive umaoportunidade de sinergia e maior apoio do colégio. 38
  39. 39. A ação social, por incrível que pareça, não parece ser umobjetivo comum às associações de ex-alunos. Mesmo a tradicional“Alumni Association” de Harvard, na prática, funciona apenas paracaptar recursos para a universidade. Esse tipo de objetivo representauma tônica nova a esse tipo de organização, e certamente vem deencontro com a recente demanda por ações que promovam acidadania, geralmente vindas da sociedade civil organizada. A própriagestão atual da ex-GV pretende reinventar a associação dando maisênfase à cidadania. Tendo em vista esse objetivo, a ex-GV inovoulançando uma carta de intenções chamada “Brasil +10 –Desenvolvimento Sustentável com Justiça Social”, e já conta com oapoio de outras importantes entidades e empresas. A AAACSC se propõe a adentrar nessa área pressupondo que oex-aluno do Colégio Santa Cruz tem efetiva vontade transformar asociedade dentro do conjunto de valores humanistas que a instituiçãopropaga. Decerto há o problema do tempo, escasso para a maioriados ex-alunos, e neste sentido a associação precisa conscientizar oex-aluno da importância desse tipo de ação. A idéia básica é que, secada ex-aluno contribuir um pouco, as ações se concretizam. O primeiro passo prático seria aproveitar as sinergias potenciaiscom o SAN, uma vez que este órgão do Colégio Santa Cruz épraticamente gerido por ex-alunos, como explicado a algunsparágrafos acima. A AAACSC poderia tanto captar recursos adicionaispara o SAN como contribuir com mão-de-obra voluntária. Da mesma forma, parcerias poderiam ser firmadas com ONGs,sobretudo em programas específicos que interessem à associação. 39
  40. 40. Mais uma vez, a AAACSC poderia ajudar na captação de recursos, nofornecimento de mão-de-obra voluntária, na divulgação ou emqualquer outra área que seja necessária ajuda. A exemplo da ex-GV, a AAACSC não só pode como deve criar einiciar movimentos sociais, e aí buscar o apoio de ONGs e outrasentidades da sociedade civil organizada ou até do mundo privado. Asações podem estar voltadas tanto para temas amplos, como ocombate à violência, quanto para questões mais pontuais, ligadasdiretamente à comunidade. O próprio SAN atua pontualmente nafavela do Jaguaré, transformando a comunidade local. Assim, aAAACSC pode procurar outra comunidade com demandas sociaisainda não atendidas, ou mesmo ajudar o SAN. Outra possibilidade seria canalizar o poder de influência dos ex-alunos do Colégio Santa Cruz para pressionar a sociedade como umtodo, sobretudo o Estado e os políticos. A rede formada pelos ex-alunos e seus contatos próprios fora da comunidade do colégio podeser um poderoso meio de se conseguir assinaturas e apoio políticopara se fazer esse tipo de pressão. Quando atingir um nível deconscientização maior, a associação poderá até propor novas leis,através dos mecanismos que existem para que a sociedade civil ofaça. 40
  41. 41. 3.1.2 Aspectos Legais Um dos requisitos básicos para a perpetuidade e a organizaçãoda AAACSC é que ela se torne pessoa jurídica. Neste capítuloveremos os procedimentos que deverão ser tomados para fazê-lo. Em Manual de ONGs, BARBOSA e OLIVEIRA (2002) explicamque organizações sem fins lucrativos ganham reconhecimento jurídicoatravés do registro de um estatuto, e não de um contrato como é ocaso de empresas convencionais. Uma organização sem finslucrativos pode ser constituída sob a forma de associação oufundação. Fundações pressupõem que haja um patrimônio destinadoa um certo fim. Associações não precisam de um patrimônio, já quesão caracterizadas pela reunião de pessoas. A associação deve ser registrada no Cartório Civil de Registro dePessoas Jurídicas mediante apresentação da ata de constituição,estatuto social, ata da eleição da Diretoria e do Conselho Fiscal e orequerimento de registro. Todos os documentos precisam estar deacordo com as especificações da lei. Obrigatoriamente deve haverregistro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério daFazenda e no Cadastro de Contribuintes Mobiliários da Prefeitura(BARBOSA e OLIVEIRA, 2002, p. 14). O estatuto deveobrigatoriamente conter: “- a denominação, o fundo social (quando houver), os fins e a sede da associação ou fundação, bem como seu tempo de duração; 41
  42. 42. - o modo pelo qual se administra e representa a sociedade, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; - se o estatuto, o contrato ou o compromisso é reformável no tocante à administração e de que modo; - se os membros respondem ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais; - as condições para a extinção da pessoas jurídica e, no caso de isso ocorrer, o destino de seu patrimônio; - os nomes dos fundadores ou instituidores e dos membros da diretoria, provisória ou definitiva, com indicação da nacionalidade, estado civil e profissão de cada um, bem como o nome e a residência do apresentante dos exemplares” (BARBOSA e OLIVEIRA, 2002, p. 15) É importante ressaltar que o estatuto é o documento maisimportante da associação. A alteração estatutária requer uma série deprocedimentos formais, inclusive o registro em cartório. Estatutosmuito detalhados ficam anacrônicos conforme o tempo passa, porisso, no caso da AAACSC, optou-se por se fazer um estatuto amplo ecom o menor número de detalhes possíveis. Um bom exemplo doanacronismo é o Estatuto Social da AEDA: “b) Filhos, irmãos e descendentes varões sem arrimo, todos menores, e os maiores até vinte e quatro (24) anos que cursem estabelecimento de ensino superior, sejam legítimos, legitimados, naturais, reconhecidos ou adotivos; c) Filhas, irmãs, e descendentes do sexo feminino sem arrimo, todas solteiras, legítimas, legitimadas, naturais, reconhecidas ou adotivas;” (ASSOCIAÇÃO DOS EX-ALUNOS DO COLÉGIO DANTE ALIGHIERI, 1959, p. 3) 42
  43. 43. Os detalhes de organização e de funcionamento estarão noRegimento Interno, que poderá ser alterado mais facilmente atravésdo Conselho Normativo, não ocorrendo esse tipo de problema.Analogamente podemos comparar Estatuto Social e RegimentoInterno com a Constituição Federal e as demais leis, respectivamente. Quanto aos órgãos, a Assembléia Geral e a Diretoria sãoobrigatórias. Conselho Fiscal, no caso das associações, e ConselhoConsultivo, em qualquer caso, são facultativos. Na AAACSC optamospor chamar o Conselho Consultivo de Conselho Normativo. Esseassunto será discutido melhor no capítulo seguinte. Pode haver diversas categorias de sócios. A AAACSC optou porduas, sendo que haverá os sócios comuns e os sócios beneméritos. Ocritério de sócio constitui-se em uma das discussões mais acaloradasnas reuniões que precederam a criação da associação. Um grupoadvogava que o membro precisaria ser formado no Ensino Médio ouFundamental para ser ex-aluno do Colégio Santa Cruz. Outro diziaque bastava ter estudado lá em alguma época por um período mínimo,um ano, por exemplo. A primeira corrente ganhou a discussão, com oargumento de que, se no decorrer do tempo a alteração deste critériose mostrasse necessária, seria politicamente inviável restringi-lo, masnão haveria problema de abri-lo. Assim, por enquanto, ex-alunos nãoformados no Ensino Médio ou Fundamental poderão ingressar naassociação como membros beneméritos. Sobre a questão da imunidade e isenção de impostos temos: 43
  44. 44. “...a Constituição torna imune a impostos as instituições de educaçãoe de assistência social. Em outro dispositivo, isenta (quando deveriadizer imuniza) da contribuição social as entidades beneficentes deassistência social.” (BARBOSA e OLIVEIRA, 2002, p. 50) A assistência social é claramente um dos objetivos da AAACSC,mas em uma ordem de importância não seria o primeiro, além de teroutros três de caráter claramente privado e não público. Até por voltade 1993, era relativamente fácil de ser conseguir esses benefícios. ACPI do Orçamento do mesmo ano revelou muitos casos onde osbenefícios estavam sendo usados de má fé, de forma que o governoaumentou a fiscalização e impôs barreiras burocráticas quedificultaram o acesso aos benefícios. Em outras palavras, a AAACSCnão tem acesso à imunidade e isenção de impostos. Tampouco háincentivos fiscais para a doações, já que uma associação de ex-alunosnão se enquadra nos quesitos necessários. Uma possibilidade a ser discutida, e aqui só deixo o embrião daidéia, seria criar uma entidade separada para realizar a ação socialtransformadora, mas que estaria sobre o controle da AAACSC. Assim,os recursos destinados aos objetivos de assistência social poderiamser imunes ou isentos de impostos. Também está muito claro no texto da lei que a AAACSC nãopode ser classificada como uma OSCIP, ou organização da sociedadecivil de interesse público. O texto é claro em afirmar que entidades debenefício mútuo, destinadas a proporcionar bens ou serviços a umcírculo restrito de sócios, não pode ser classificada desta maneira.OSCIPs tem uma série de benefícios fiscais. 44
  45. 45. 3.1.3 Organização Como já discutido anteriormente, um dos motivos que levou anão perpetuidade das outras associações de ex-alunos do ColégioSanta Cruz que se tentou fazer, foi justamente a falta de organização.Por isso é imperativo que a AAACSC seja estruturada com seusdevidos órgãos e cargos. Este capítulo trata justamente dofuncionamento da associação, ou seja, detalhamos o processo detomada de decisão e fiscalização. Não existindo um manual que indique a melhor maneira de seorganizar uma associação de ex-alunos, ou mesmo uma organizaçãosem fins lucrativos genérica, faz-se necessário delinear ospressupostos e o processo que levou a essa estrutura. Em primeirolugar usou-se a experiência de alguns ex-alunos em outrasassociações como, por exemplo, a de engenheiros do Metrô. Emseguida, durante as diversas reuniões que foram realizadas, o assuntofoi discutido pelos presentes. Mais adiante foram consultados algunslivros que discutiam o assunto. “A entidade possui uma estrutura interna e desenvolve suas atividades mediante órgãos de natureza deliberativa ou decisória (Diretoria e Assembléia), fiscalizadora (Conselho Fiscal) ou consultiva (Conselho Consultivo).” (BARBOSA e OLIVEIRA, 2002, p. 17) Como já visto no tópico anterior, sabemos que a Assembléia e aDiretoria são obrigatórias. O Conselho Fiscal é facultativo neste caso e 45
  46. 46. o Conselho Consultivo é facultativo independente do tipo deassociação. Nesta associação, nenhum cargo ocupado por membrosserá remunerado. • Órgãos A Diretoria é o órgão que dita as políticas, planeja no curto elongo prazo, além de representar a associação. Apesar de poder sercomposta por um único individuo, foi decidido que ela seria compostapor cinco membros. A associação será dirigida pelo Secretário Geral,ao qual estarão subordinados o Primeiro Secretário, SegundoSecretário, Primeiro Tesoureiro e o Segundo Tesoureiro. A Diretoriadeve administrar a AAACSC, criando políticas para o seudesenvolvimento e alocando os recursos do melhor modo possível. Omandato dos membros da Diretoria é de dois anos, quando deverãoocorrer eleições. Qualquer membro pode nomear secretáriosauxiliares. O Conselho Normativo corresponde ao Conselho Consultivo, ouseja, é o órgão que deve discutir e fazer as normas do RegimentoInterno. Ele é composto por nove membros, com mandato de doisanos. O Conselho Normativo funciona como uma via mais rápida àcriação de novas normas, mas fica restrito ao Regimento Interno. OConselho Normativo também tem a função de aconselhar a Diretoria. O Conselho Fiscal é composto de três membros com mandatode dois anos cada, e deverá fiscalizar a associação. Este não deve 46
  47. 47. exarar normas, e sim fiscalizar qualquer procedimento que acharpertinente. A Assembléia Geral é o órgão deliberativo composto por todosos membros da associação. A Assembléia deve ser convocada pelomenos uma vez ao ano pela Diretoria, para aprovação dos resultadosfinanceiros e patrimoniais do ano fiscal. Esse órgão serve basicamentepara tomar as grandes decisões que afetem a AAACSC. Resoluçõestomadas pela Diretoria, Conselho Normativo e Conselho Fiscalpoderão ser anuladas ou modificadas pela Assembléia Geral, quetambém poderá remover qualquer membro desses três órgãos.Obviamente que há um número mínimo de votos para que issoaconteça, especificados no Estatuto Social. Em resumo, a AssembléiaGeral é o único órgão que pode fazer alterações no Estatuto Social,além de ser usada especialmente para se decidir assuntos de grandeimportância. Os quatro órgãos listados acima estão devidamente previstos noestatuto, e por isso são da maior importância para o bomfuncionamento democrático da associação. O poder decisório deve serguiado pelo poder consultivo e normativo e fiscalizado pelo poderfiscalizador. Convém ressaltar que ocupar um desses cargos não é apenasuma honraria, mas uma “atividade que requer conhecimento,comprometimento e tempo” (WOLF, 1990, p.29, trad. por). EmManaging a Nonprofit Organization, WOLF (1990) lista algumasresponsabilidades dos membros do conselho de administração, que éum requisito legal nos Estados Unidos para a constituição de 47
  48. 48. organizações sem fins lucrativos. Tomo a liberdade de adaptar essasresponsabilidades para a realidade brasileira e da associação, ou seja,estendendo-a para os membros dos órgãos previstos no estatuto, comexceção da Assembléia Geral. Assim, é da responsabilidade dessesmembros determinar a missão da organização e fazer as políticas parao seu funcionamento, estabelecer o programa geral ano a ano,estabelecer a política fiscal e os limites orçamentários, providenciar osrecursos necessários para as atividades, avaliar a administração edesenvolver e manter canais de comunicação com os demaisinteressados. • Representantes Paralelamente a isso, a AAACSC quer ser uma organizaçãoinclusiva, ou seja, pretende fazer com que o maior número possível demembros participe efetivamente do funcionamento e do processodecisório da associação. Para isso foram pensados alguns cargos,que provavelmente estarão previstos no Regimento Interno, e sãovitais para o melhor funcionamento da entidade. Em um dado momento percebeu-se que seria interessante quehouvesse um representante para cada turma para que fosse garantidaa capilaridade do sistema. Assim, toda decisão tomada pelos órgãos“centrais” (diretoria e conselhos) poderia chegar de forma mais efetivaaos membros através dos representantes. Da mesma forma, osanseios de cada turma chegariam aos órgãos pelos representantes.Além de constituírem-se canais de mão dupla entre os membros e os 48
  49. 49. órgãos, cabe ao representante assumir a figura do empreendedor egestor ao viabilizar e organizar os encontros de sua turma. Éimportante esclarecer que não caberá ao representante financiar osencontros ou organizar sozinho. Ele deverá achar, dentro da suaturma, membros que queiram participar da organização e, quanto aofinanciamento, esse tipo de evento deverá ser auto financiado, ouseja, os participantes que o pagam. A associação em si, representadapelos órgãos “centrais”, deverá dar todo o apoio técnico aosrepresentantes, fornecendo cadastro atualizado, indicando lugares queofereçam bons descontos, etc... Mais adiante é até possível, e recomendável, que osrepresentantes formem um conselho próprio para uma troca deexperiências mais direta e para a realização de eventos em conjunto.Uma possibilidade é realizar eventos por faixa de idade. É provávelque turmas de uma mesma época, por exemplo, de 75 a 80, tenhaminteresses em comum. O Conselho de Representantes seria mais umórgão a equilibrar o processo decisório da associação, representandoas turmas de forma mais direta. É interessante discutir o fato de que, infelizmente, nem todo ex-aluno será um associado. No entanto, o representante, por organizarencontros de turma, estará em contato direto com os não membros daassociação, que com certeza não só podem como devem participardos encontros. Uma vez que o ideal seria que todos os ex-alunosfossem membros da associação, o representante também poderátrazer aos órgãos “centrais” os anseios daqueles que decidiram não seassociar. Na medida que for possível conhecer melhor os motivos que 49
  50. 50. os levaram a essa decisão, a AAACSC poderá tomar medidasinclusivas para abarcar uma porcentagem maior da totalidade dos ex-alunos. Preferencialmente, o representante deve ser um daqueles que jáfazem esse papel de organizador dos encontros de sua turmanaturalmente, ou seja, antes da existência da AAACSC. Naimpossibilidade disso acontecer, é importante que seja uma pessoacom bom trânsito dentro de sua turma. No último dos casos, orepresentante deve estar predisposto a assumir essasresponsabilidades. • Comissões Outra forma de viabilizar uma maior participação é com a criaçãodas comissões para assuntos específicos. O material humanocomposto pelo conjunto de ex-alunos do Colégio Santa Cruz é muitovasto e rico, de forma que seria impossível aproveitá-lo somente nosórgãos “centrais”. As comissões poderiam reunir os especialistas decada assunto para que discutissem e apresentassem sugestões eopiniões aos diferentes órgãos da associação. Da mesma forma,diante de algum dúvida ou questionamento específico, os órgãosdeveriam consultar as comissões. A forma das comissões não precisaser necessariamente física. Como tudo hoje em dia, cada uma poderealizar as discussões eletronicamente. É interessante que alguémassuma a coordenação da comissão, para garantir a unidade dosrelatórios e pareceres. 50
  51. 51. Na verdade isso já vem acontecendo de forma natural durante oprocesso de criação da associação. Os participantes mais íntimos datecnologia se aglutinaram em uma célula para discutir assuntos maisespecíficos, que a maioria não saberia opinar. O mesmo aconteceucom os ex-alunos da área jurídica. Além da Comissão de Tecnologiada Informação e da Comissão Jurídica, seria interessante a criação deuma Comissão de Eventos, Comissão da Ação Social e, porque não,comissões que tratassem dos assuntos mais “corporativos”, voltadaspara o marketing, captação de recursos, gestão financeira, relaçõescom o colégio, etc... Tendo em vista que a associação pretende representar todos osex-alunos e seus interesses (desde que não entrem em conflito), épossível que, com o tempo, sejam formados grupos de interessesdentro da AAACSC. É interessante institucionalizar esses grupos naforma de comissões, que representem oficialmente e de forma clara epublicamente esses interesses. Por exemplo, os órgãos “centrais”podem não perceber os anseios de se criar eventos específicos paraos ex-alunos com mais de sessenta anos, ou para os ex-alunosengenheiros. Nesses casos uma Comissão da 3ª Idade e umaComissão de Ex-Alunos Engenheiros poderiam colocar de forma maisclara seus anseios. A idéia de que a associação tenha seus diferentesinteresses bem organizados de forma a influir a diretamente natomada de decisão. • Gestores de Projetos 51
  52. 52. Por sua vez, haverá a figura do gestor de projetos dentro daassociação. Com a política de incentivar ao máximo a livre iniciativados membros, a AAACSC inovará permitindo que membros com boasidéias toquem seus projetos. O membro deverá apresentar a idéia àdiretoria, que por sua vez deverá verificar se ela agrega alguma coisaaos objetivos da associação. A partir disso, o próprio gestor ficaresponsável por juntar outros membros, ou até pessoas de foradependendo do projeto, que queiram participar, além do planejamentoe execução. Em vez de um único gestor, pode haver um grupo degestores. O importante é distinguir que, neste caso, o membro deveparticipar agindo, diferente da das comissões, que serão um espaçopara discussão e sugestão. A idéia por trás da figura do gestor édiminuir ao máximo a burocracia. A partir do momento que ummembro tem uma boa idéia, ele pode colocar em prática, utilizando ospróprios recursos disponíveis na rede. Os demais órgãos daassociação deverão dar suporte aos gestores. Com esse conjunto de órgãos e processos, a AAACSC quer seruma rede organizada que represente os diversos interesses de seusmembros. Acredito que, dispostos dessa forma, os fluxos denecessidades e recursos serão mais intensos e eficientes. Para issoos membros têm que ser ativos dentro da organização. De formaalguma esta pretende ser uma associação que realiza diante dapassividade de seus membros. 52
  53. 53. 3.1.4 Marketing Em Marketing for Nonprofit Organizations, KOTLER (1975) nãodiscute se esse tipo de organização deve ou não desenvolver práticasde marketing, mas com qual intensidade devem fazê-lo. O autoraponta para dois aspectos da orientação de marketing. Há a atitudepor parte da administração para entender e satisfazer os clientes, e oconhecimento técnico de como as variáveis influenciam o mercado.Contudo, é preciso ter consciência de que essas organizações têmrecursos limitados e públicos. Segundo as classificações de KOTLER, a AAACSC estariadentro das associações de benefício mútuo. Essas associações têmcomo objetivo criar benefícios mais para o grupo de pessoas que ascompõe do que para os outros. Isso não significa que elas não podembeneficiar outras pessoas, mas não é o “core business” daorganização. Esse tipo de organização oferece serviços ao associadoe recebe recursos financeiros e trabalho voluntário em troca, ou seja, omarketing deve estar voltado para o próprio associado. Em algunscasos, a organização precisa de reconhecimento externo, tendo quese promover para outros públicos (KOTLER, 1975, p. 32). A AAACSC se enquadra muito bem no conceito do KOTLERuma vez que, de acordo com seus objetivos, ela não pretende sevoltar única e exclusivamente para os seus membros. Pretendendorepresentar seus membros e o Colégio Santa Cruz na sociedade, alémde promover a ação social transformadora, a associação precisa serelacionar com outros públicos. 53
  54. 54. Em Managing a Nonprofit Organization, WOLF (1990) diz queestratégias de marketing de sucesso não só permite que asorganizações atinjam seus objetivos e cumpram sua missão, comogarantem sua estabilidade financeira através do foco na necessidadedo cliente. • Segmentação WOLF segue discutindo a segmentação de mercado emorganizações sem fins lucrativos, que devem desenvolver estratégiasdiferentes para cada “cliente”. No caso da AAACSC, estratégiasdiferentes devem ser desenvolvidas para os ex-alunos, alunos,colégio, empresas e sociedade. Dentro do grupo dos ex-alunos, épossível dividi-los por faixas etárias, por membros e não-membros eainda pelo nível de atividade de cada membro. A seguir serão levemente traçadas as estratégias que devemguiar cada segmento da AAACSC e para isso devemos entender asrelações que teremos com eles. Pode-se dizer que os ex-alunos sãonosso principal mercado por motivos óbvios. Sem os ex-alunos, aassociação perderia completamente o sentido. Os ex-alunosrepresentam ao mesmo tempo o funcionamento e a clientela daassociação. Em um primeiro instante, no movimento de captação emanutenção dos ex-alunos, a AAACSC deve oferecer benefíciostangíveis e intangíveis ao ex-aluno, que dará em troca recursosfinanceiros e parte do seu tempo para trabalho voluntário. Quantomaiores forem os benefícios tangíveis e intangíveis em relação ao que 54
  55. 55. ele terá que despender na percepção do ex-aluno, maior apossibilidade dele se tornar um membro. Em um segundo momento,além de manter a qualidade e expandir os benefícios oferecidos, aassociação deve fazer uma estratégia de endomarketing, no sentidode encorajar o maior dispêndio de recursos financeiros e horas detrabalho voluntário para a associação. Para isso, a associação devebuscar maneiras de se valorizar institucionalmente e valorizar aquelesque a constroem, incentivando e premiando a maior participação edoação de recursos. A divisão do grupo de ex-alunos por faixa etária se dá devido asdiferentes necessidades que elas possam apresentar. É razoávelimaginar que ex-alunos formados há pouco tempo estejam maispreocupados com o desenvolvimento profissional, principalmente coma possibilidade ampliada de se desenvolver na carreira através darede. Já alunos de turmas mais antigas provavelmente estão maispreocupados com o desenvolvimento pessoal, no sentido de terem umespaço agradável para bater um papo e tomar chopp. A divisão entre membros e não-membros é clara, no sentido deque os primeiros devem ser cultivados, e os segundos convencidos deque os benefícios tangíveis e intangíveis são maiores que os custosda associação. Os membros podem ser segmentados entre ativos enão ativos, no sentido de que os primeiros devem ser cultivados e ossegundos precisam de estratégias de endomarketing para que ostragam para mais perto do processo decisório. Quanto aos alunos, é preciso ter consciência de que esses serãonossos futuros clientes, ou seja, ex-alunos. Quanto melhor preparados 55
  56. 56. estiverem os alunos para a vida e para o mercado de trabalho, melhora AAACSC será gerida e representada no futuro. É preciso manteressa visão de longo prazo para garantir a perpetuidade da associação.É importante que o aluno conheça e admire a associação, de modoque venha a se tornar membro depois de formado. O Colégio Santa Cruz também não deixa de ser um cliente, nosentido de que a AAACSC precisa de seu aval não para funcionar,mas para ganhar legitimidade perante ex-alunos e a sociedade. OColégio Santa Cruz certamente será o maior parceiro da associaçãode seus ex-alunos, portanto é absolutamente necessário cultivar umbom relacionamento. As diferentes empresas que possam ter alguma relação com aassociação também devem ser cultivadas. A AAACSC precisa serelacionar com as empresas que proporcionarão benefícios para o seuassociado. A título de exemplo, a associação pretende prover segurosaúde mais barato para os seus associados. Para isso é preciso quetenhamos uma boa relação com a seguradora, que em troca receberáuma carteira potencial de clientes constituída dos ex-alunos doColégio Santa Cruz. Neste sentido, antes de tudo a AAACSC precisapromover seu produto (a carteira de clientes) construindo uma boaimagem no mercado. Por fim há a sociedade como um todo, que também entra nomérito da imagem. O conhecimento e reconhecimento da associação,de forma alguma deve estar limitada à comunidade do Colégio SantaCruz. Pelo contrário, a AAACSC deve procurar ser conhecida ereconhecida em toda a sociedade como uma organização séria, 56
  57. 57. visionária e estável, sendo necessária a construção de uma marcaforte. Esse cliente é especialmente importante para o objetivo da açãosocial transformadora. • Imagem Outro aspecto do marketing seria a imagem, um elemento críticopara se ganhar clientes e apoio da sociedade, sobretudo paraorganizações do terceiro setor (WOLF, 1990, p. 121). Criar uma marcaprópria que tenha prestígio faz com que o ex-aluno se interesse maispela associação, aumentando a porcentagem de membros e, dentreos membros, dos ativos. Essa mesma marca chamaria mais atençãodo aluno, futuro ex-aluno. Ela certamente fortaleceria as relações como colégio, além de ganhar o respeito das empresas e da sociedade.Na prática, ter uma marca forte é fazer com que as empresasprocurem associá-la a sua, sobretudo no âmbito do marketing social. Aqui é interessante abrir parênteses para comentar um curiosofato ocorrido ao longo das discussões. Em certo momento foi feita umavotação para que fosse escolhido o nome fantasia, ou marca, daAAACSC. Os dois nomes mais cotados eram “Ex-Santa” e “AlumniSanta”. As vantagens desse último seriam a credibilidade transmitidapor um termo em latim. A desvantagem seria a “pompa” excessiva,que poderia fazer com que a AAACSC perdesse o foco. Neste sentido,“Ex-Santa” seria um nome de simples identificação, que traduziriamelhor o espírito da associação. No final não foi possível prosseguircom a votação devido a paixão com que os colaboradores começaram 57
  58. 58. a defender suas opiniões. Qualquer um que ganhasse, certamentegeraria um mal-estar no grupo opositor, o que poderia efetivamenteatrapalhar o andamento das coisas. A questão foi prorrogada paraquando tivermos uma melhor estrutura e todos puderem participar. Atélá, espera-se que apareçam novas opções. Também é interessante discutir a força da marca “Colégio SantaCruz” na sociedade paulistana. Tanto pela educação de vanguardaatribuída aos padres, como pelos ex-alunos de sucesso, o ColégioSanta Cruz é uma instituição que desperta admiração para os que avem de fora e orgulho para quem lá estuda. Nos últimos rankings dasmelhores escolas paulistanas, elaborados pela Revista Veja SãoPaulo, o Colégio Santa Cruz manteve-se nas primeiras posições. Noúltimo ranking o colégio ficou em 2º lugar, como mostra o quadroabaixo. (KOSTMAN, 2001,<http://www2.uol.com.br/veja/idade/educacao/031001/ranking_s.html>,consultado em 07/11/2002). As vencedorasRanking elaborado com dados da pesquisa Veja São Paulo-Ipsos Marplan 1º Visconde de Porto Seguro 94,1 2º Colégio Santa Cruz 92,1 3º Colégio Santa Clara 88,8 4º Colégio Santa Maria 84,7 5º 83,1 Escola Nossa Senhora das Graças - Itaim 6º Colégio Santo Américo 82,7 7º Colégio Miguel de Cervantes 81,1 8º Colégio Dante Alighieri 79,9 9º Escola Vera Cruz 79,0 10º Colégio Humboldt 76,9 11º Colégio Rainha da Paz 76,6 58
  59. 59. 12º Colégio Rio Branco 76,213º Colégio Palmares 76,114º Colégio I. L. Peretz 76,015º Escola Waldorf Rudolf Steiner 74,616º Colégio Assunção 74,217º Colégio Guilherme Dumont Villares 73,118º 73,0 Colégio Hebraico Brasil.Renascença19º Escola Nova Lourenço Castanho 72,620º Colégio Objetivo 71,821º Colégio São Domingos 71,522º Colégio Santo Antonio de Lisboa 71,123º 71,1 Colégio São Vicente de Paulo24º Colégio Iavne 70,225º Colégio São Luís 70,126º Colégio Friburgo 70,027º Colégio Regina Mundi 69,928º Colégio Marista Arquidiocesano 69,829º Colégio Domus Sapientiae 69,730º Colégio Montessori Santa Terezinha 69,631º Colégio Cristo Rei 69,532º Colégio Benjanim Constant 69,433º Escola Experimental Pueri Domus 68,934º Colégio Etapa 68,835º Colégio Nossa Senhora do Rosário 68,736º Colégio Pio XII 68,537º Colégio Nossa Senhora Aparecida 68,438º Colégio Opec 68,339º Colégio da Companhia de Maria 68,240º Escola Móbile 68,141º Colégio Mackenzie 68,042º Colégio Ofélia Fonseca 67,643º Colégio Notre Dame 67,444º Liceu Pasteur 66,345º Externato Nossa Senhora Menina 66,146º Escola Carandá 65,647º Escola Logos 65,548º Escola da Vila 65,449º Colégio Oswald de Andrade/Caravelas 64,950º Colégio Sagrado Coração de Jesus 64,7 • Mix de Marketing 59
  60. 60. Voltando ao assunto, podemos analisar os quatro elementos domix de marketing no âmbito de uma associação de ex-alunos, maisespecificamente da AAACSC. O produto, neste caso, corresponde aosbenefícios oferecidos ao associado. Em organizações sem finslucrativos costuma-se não haver muito rigor em se desenvolver etestar novos serviços. Essas organizações geralmente estão maisorientadas para a missão do que para o produto. Não há nada deerrado com isso, mas o produto em si não pode ser esquecido, umavez que pode ficar ultrapassado. Nesse tipo de produto, muitas vezesa marca da organização tem uma importância maior que outroselementos (WOKF, 1990, p. 127-128). No caso da AAACSC, apesar da marca já ter sido discutida notópico acima, não custa ressaltar a força do nome Colégio Santa Cruz.Apesar disso, é bom que seja construída uma marca própria,utilizando o poder do nome Colégio Santa Cruz, mas deixando bemclara que é a AAACSC e não a instituição em si. Os produtos oferecidos serão tanto tangíveis, como osencontros, eventos, o uso da rede de ex-alunos, descontos emdiversos serviços e produtos, como intangíveis, sobretudo em relaçãoaos frutos da rede de ex-alunos. A AAACSC será um ótimo espaçopara troca de conhecimentos e contatos, e não há como medirquantitativamente esse benefício, mais importando a percepção doque o valor. Nesta mesma categoria está o eventual orgulho departicipar da associação, sentimento esse que será mais forte amedida que o valor da marca se fortaleça perante a sociedade. 60
  61. 61. Quanto à promoção, é muito importante que a AAACSC busqueficar conhecida, em um primeiro momento entre os ex-alunos, e depoisna sociedade como um todo. Se o ex-aluno não souber da existênciada associação, ele não irá se associar. Mesmo que todos não setornem membro, é muito importante que todos já tenham ouvido falar,de modo que, se virem em algum lugar algo relacionado à entidade,possam identificar rapidamente. O modo mais barato de promoção entre os ex-alunos é o boca aboca. Na verdade ações desse tipo já estão sendo pensadas eexecutadas, antes mesmo da inauguração da AAACSC. Ao procurar-se os líderes naturais de cada turma e incorporá-los no grupo inicial,pretende-se fazer com que eles sejam futuros canais de divulgação deimportância inestimável. Mesmo assim esse canal não é suficiente. Pretende-se que umacarta de material “premium” seja enviada para todos os ex-alunos doColégio Santa Cruz, no mesmo molde do convite aos 50 anos docolégio. A própria direção do Colégio Santa Cruz já sinalizoupositivamente no sentido de ajudar com o cadastro e a mala-diretaneste caso. Assim, estaremos de fato sinalizando a real existência daAAACSC. O material “premium” agregará o valor necessário para darum caráter de oficialização e seriedade da organização. Outra importante ação será garantir a publicidade da AAACSC.Uma vez que há ex-alunos jornalistas trabalhando nos maisimportantes órgãos de imprensa de São Paulo, não será difícilconseguir cobertura na fundação e grandes eventos em geral. Paraque se torne cada vez mais conhecida e respeitada entre os ex-alunos 61
  62. 62. e a sociedade, é necessário que a organização esteja presente namídia. Também há a vertente do marketing social, obtido através doobjetivo da ação social transformadora. É importante ressaltar que aação social transformadora é um objetivo por si só e não para sepromover, mas nada impede que a AAACSC se promova tambématravés disso. A associação ainda deve se promover para os alunos, futurosex-alunos, principalmente com eventos e palestras que a tornemconhecida, ou melhor, almejada. Os eventos na verdade servirãotambém para promover a AAACSC. Seja para alunos ou ex-alunos, ésempre importante ressaltar a marca, deixando o logo bem visível eexibindo algum tipo de vídeo institucional. O terceiro elemento do mix de marketing é o preço, que ajuda aestabelecer a percepção de valor para um produto ou serviço.Certamente haverá uma taxa mensal ou anual com que o associadodeverá contribuir, sobretudo para cobrir a despesas gerais daAAACSC. Essa taxa não pode ser muito alta, uma vez que, de certa forma,a AAACSC compete com outras entidades e associações que tambémcobram suas taxas. Hoje em dia as pessoas estão expostas cada vezmais a uma infinidade de organizações sem fins lucrativos commissões legítimas, mas é irreal pensar que alguém possa contribuircom todas, por mais que simpatize com todas as idéias. Dessa forma,o membro em potencial faz escolhas sobre quais entidades quer 62
  63. 63. ingressar como contribuinte. Para que a AAACSC seja uma delas, ovalor da taxa não pode ser demasiadamente alto. Entretanto, esse valor tampouco pode ser muito baixo, mesmoque seja suficiente para cobrir as despesas atuais. Além de serpoliticamente complicado aumentar a taxa futuramente, mesmo que ovalor relativo em relação à renda continue baixo, uma taxa muito baixanão agrega valor. No caso dos produtos “premium” o preço altogeralmente é percebido como refletindo um alto valor agregado, e aAAACSC certamente quer ser percebida como uma associação queoferece benefícios de alto valor agregado, sobretudo os intangíveis. Por último temos a praça, sendo que esse elemento tem que serdiscutido sobre vários aspectos. A maioria dos benefícios oferecidospela AAACSC não precisará de um local físico para ocorrer. Nestecaso, é muito importante que haja uma página na Internet muito bemestruturada. O design deve ser criativo e bonito, e o acesso aosdiferentes serviços devem ser simples e seguros. O outro ponto refere-se quanto aos diversos eventos, comoencontros e palestras. Os encontros geralmente são feitos emrestaurantes e bares que disponibilizem um espaço fechado. Analisaro ambiente e a fácil localização para a maioria é necessário paragarantir o sucesso. Palestras poderão ser realizadas no anfiteatro doColégio Santa Cruz, ou mesmo no novo Teatro Santa Cruz, se ocolégio permitir. Seria ideal, de modo que os ex-alunos pudessementrar em contato direto com o ambiente do colégio. No caso de nãoser possível, o lugar escolhido terá que possuir as instalaçõesnecessárias e ser de fácil acesso. 63
  64. 64. Por último temos a sede da associação. Mais uma vez, o idealseria que o Colégio Santa Cruz oferecesse uma sala para que lá fosseinstalada. No entanto essa parece ser uma hipótese inviável para ocolégio nos dias de hoje, sobretudo por causa da falta de espaço. Se aimpossibilidade se confirmar, a sede precisará ser instalada em umlugar que agregue valor à associação. Podemos tomar como exemploa ex-GV, que fica em uma cobertura de um prédio na Paulista.Certamente é um lugar que agrega valor à organização. Outro fatorimportante é, mais uma vez, o acesso. Outras questões devem ser levantadas acerca da sede. Éimportante decidir se ela seria apenas um espaço administrativo ou setambém deveria abrigar reuniões e eventos de pequeno porte. Masuma vez, teremos como exemplo a sede da ex-GV, que tem uma salaexclusiva para a gravação dos programas transmitidos pela TVComunitária e um bar de tamanho razoável. Como disse seupresidente, Benedito Fernandes Duarte, esses acabam se tornandoespaços muito ociosos, portanto custosos para a associação. A idéia éque o espaço seja ocupado somente pela administração mesmo,sendo que os demais eventos ocorrerão em espaço alugado oudisponibilizado com desconto ou de graça por membros. O próprioColégio Santa Cruz oferece seu espaço para eventos e reuniões,sendo interessante utilizá-lo com o pretexto de economizar e reforçar ovínculo. • Pesquisa 64

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