Estudo de viabilidade econômico financeira

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Estudo de viabilidade econômico financeira

  1. 1. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 FaxEstudo de Viabilidade Econômico Financeira Elaborado por: São Paulo, Dezembro de 2011 0
  2. 2. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilÍNDICE1. Introdução ................................................................................................................................... 22. Apresentação da Companhia .................................................................................................... 63. Análise do mercado de turismo no Brasil .............................................................................. 11 A. Introdução ............................................................................................................................. 11 B. Contexto social e macroeconômico ................................................................................... 12 C. Megaeventos – Copa 2014 e Olimpíadas 2016 ................................................................... 21 D. Oferta e demanda do setor de turismo ............................................................................... 25 E. Serviços financeiros no turismo ......................................................................................... 494. Viabilidade Econômica da Brasil Travel ................................................................................. 58 A. Metodologia de avaliação .................................................................................................... 58 B. Descrição e análise da amostra .......................................................................................... 66 C. Composição dos Resultados .............................................................................................. 77 D. Taxa Interna de Retorno (TIR) e Análises de Sensibilidade ............................................. 81 E. Premissas utilizadas e Fatores Limitantes ........................................................................ 83 F. Conclusões ........................................................................................................................... 84 1
  3. 3. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasil1. INTRODUÇÃOO presente estudo de viabilidade econômico-financeira (“Estudo de Viabilidade”) da Brasil TravelParticipações e Administração S.A. (“Brasil Travel” ou “Companhia”), empresalocalizada na RuaFidêncio Ramos, nº 195, conjunto 15, 1º andar, Vila Olímpia, CEP 04551-010 e inscritano CNPJ sobo nº 13.503.515/0001-56, é apresentado nos termos da Instrução nº. 400, de 29 de dezembro de2003, conforme alterada, da Comissão de Valores Mobiliários (“Instrução CVM 400” e “CVM”,respectivamente), no âmbito do pedido de registro de uma oferta pública primária e secundária deações ordinárias da Companhia (as “Ações”), a ser conduzida pela Companhia e pelos AcionistasVendedores (“Oferta”).As informações aqui incluídas não dispensam a leitura do Formulário de Referência da Companhia(“Formulário de Referência”) e dos Prospectos Preliminar e Definitivo relacionados à Oferta(“Prospectos”), incluindo aquelas constantes das Seções 4.1 “Descrição dos Fatores de Risco” e5.1“Descrição dos Principais Fatores de Risco de Mercado” do Formulário de Referência(“Formulário de Referência”) e da Seção “Fatores de Risco” dos Prospectos.Este Estudo de Viabilidade foi preparado pela A.T. Kearney Consultoria de Gestão Empresarial Ltda(“A.T. Kearney”) em conjunto com a Companhia com base em informações públicas, informaçõesfinanceiras auditadas e outras informações fornecidas pela Brasil Travel e pelas empresas deturismo (“Empresas de Turismo” ou “Empresas”) que irão compor o portfólio da Companhia, visandopassar um maior entendimento sobre o modelo de negócios da Companhia e fornecer subsídios queatestem sua viabilidade econômico-financeira.As premissas, estimativas e expectativas futuras aqui contidas têm por embasamento, em grandeparte, as expectativas atuais e tendências que afetam ou podem potencialmente vir a afetar osnegócios operacionais da Companhia. Embora acreditemos que estas estimativas e declaraçõesfuturas encontram-se baseadas em premissas razoáveis, estas estimativas e declarações estãosujeitas a diversos riscos, incertezas e suposições e são feitas com base nas informações de queatualmente dispomos. Tais estimativas e expectativas podem ser influenciadas por diversos fatores,incluindo, exemplificativamente: Intervenções governamentais, resultando em alteração na economia, tributos, tarifas ou ambienteregulatório no Brasil; Alterações nas condições gerais da economia, incluindo, exemplificativamente, inflação, taxas dejuros, câmbio, nível de emprego, crescimento populacional e confiança do consumidor; Alterações significativas nas condições da indústria de turismo, tais como aumento da penetração do setor, demanda por produtos ligados a turismo, capacidade da oferta em atender a demanda, cumprimento dos investimentos anunciados para infraestrutura; Capacidade de implementação da estratégia operacional e de aquisições da Companhia, bem como capacidade de integração das Empresas de Turismo adquiridas e que a Companhia pretende adquirir; Outros fatores de risco apresentados na seção “Fatores de Risco” do Prospecto da oferta. 2
  4. 4. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilOs efetivos resultados da Companhia podem ser adversamente impactados e conseqüentementecomprovarem-se substancialmente diferentes das expectativas descritas neste Estudo deViabilidade, sendo que estas estimativas não consistem a garantia de desempenho futuro daCompanhia. Por conta dessas incertezas, o investidor não deve se basear exclusivamente nestedocumento para tomar uma decisão de investimento.Alguns dos indicadores e dados referentes à indústria de turismo apresentados neste Estudo deViabilidade foram obtidos perante as seguintes entidades: Ministério do Turismo – Mtur, Ministériodo Trabalho e Emprego – MTE, Fundação Getúlio Vargas – FGV, Banco Central do Brasil (“BancoCentral” ou “BACEN”), Federação Brasileira de Bancos – FEBRABAN, Banco Nacional deDesenvolvimento Econômico e Social – BNDES, Ministério dos Esportes, Euromonitor, Jones LangLasalle hotéis, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – FIPE, Infraero e OrganizaçãoMundial do Turismo – OMT e Superintendência de Seguros Privados - SUSEP. As informaçõescontidas neste Estudo de Viabilidade em relação ao Brasil e à economia brasileira são baseadas emdados publicados pelo Banco Central, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, Institutode Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, Fundo Monetário Internacional – FMI e pelos órgãospúblicos e por outras fontes. Alguns indicadores da indústria de turismo, câmbio e seguros e dadosdemográficos utilizados neste Estudo de Viabilidade foram extraídos de fontes consideradasconfiáveis. Apesar de acreditarmos que essas informações provêm de fontes confiáveis, estesdados macroeconômicos, comerciais e estatísticos não foram objeto de verificação de formaindependente.As Empresas de Turismoque irão compor o portfólio da Companhia atuam em diversas áreas dosetor de turismo, englobando consolidadores de passagens aéreas, corretora de câmbio, corretorade seguros, operadoras de turismo, agências corporativas (dedicadas a empresas públicas eprivadas) e um portal de venda de passagens pela internet, sendo que sua receita advémprincipalmente de comissões recebidas pela intermediação de produtos de turismo, comopassagens aéreas e diárias de hospedagem. As Empresas de Turismo (excluindo-se as operadoras)detêm relacionamento direto com seus clientes, intermediando a venda de produtos e serviços. Talatividade tem como característica predominante a baixa necessidade de investimento, seja em ativofixo, pessoal ou capital de giro, muitas vezes tornando métricas de retorno sobre o capital investidopouco significativas para atestar sua viabilidade econômico-financeira.O presente Estudo de Viabilidade concentra sua análise e conclui pela viabilidade econômico-financeira da estratégia de negócios proposta pela Brasil Travel para atuar na atividade deintermediação de produtos e serviços de turismo por meio da análise de sua lucratividade,mensurada pela margem de lucro líquido em percentual da receita líquida, apresentando cenáriosdiferentes e análises de sensibilidade, bem como pela análise de mercado de seus principaissegmentos de atuação. Adicionalmente, visto que a Companhia pretende desenvolver seusnegócios por meio do crescimento orgânico de suas atuais subsidiárias assim como pela aquisiçãode outras Empresas, optou-se por apresentar o cálculo da Taxa Interna de Retorno (“TIR”) esperadana aquisição destas novas Empresas, atividade que será parte relevante da estratégia daCompanhia e na qual a Companhia pretende aplicar a maior parte dos recursos primários quepretende captar na Oferta. Tal estimativa levou em consideração o preço de aquisição de Empresaspor um múltiplo de lucro, tendo em contrapartida os lucros estimados ao longo de 8 anos e umaeventual venda da empresa adquirida ao final do período projetivo. A Companhia acredita que omúltiplo de lucro é o indicador adequado, pois foi o principal indicador utilizado nas negociações daCompanhia para a aquisição das Empresas de Turismo além de ser amplamente utilizado em 3
  5. 5. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasilavaliações econômico-financeiras no setor de turismo, de varejo e outras indústrias com baixanecessidade de capital. Optamos por calcular a TIR apenas para novas aquisições uma vez que ocrescimento orgânico de Empresas não envolve investimentos significativos em ativos fixos oucapital de giro tornando o calculo da TIR pouco relevante e até mesmo indutor de desinformação seconsiderado no contexto de crescimento orgânico das Empresas.Ao final deste relatório são apresentadas estimativas, elaboradas pela Companhia em conjunto coma A.T.Kearney, que visam demonstrar os potenciais impactos financeiros para a Companhia emdecorrência da transferência, para a Companhia, das participações dos sócios fundadores(“SóciosFundadores” ou “Fundadores”) das respectivas Empresas de Turismo. O investidor deve estar cienteque tais informações referem-se a eventos futuros e incluem estimativas, julgamentos e declaraçõesacerca do futuro, sujeitas a riscos e incertezas relevantes e, por esse motivo, o investidor não devetomar qualquer decisão de investimento com base em tais informações. As premissas e estimativasaqui previstas não são fatos e o investidor não deve confiar em tais premissas ou estimativas comosendo necessariamente indicativas de futuros resultados ou condição financeira da Companhia. Oinvestidor deve estar ciente de que as premissas e estimativas previstas neste Estudo de Viabilidadepodem não ser corretas, tendo em vista que dependem de diversos fatores. Todas as informaçõesfinanceiras históricas da Companhia foram auditadas pelo auditor independente contratado, porémnem os auditores e nem qualquer outro auditor independente compilou, revisou ou conduziuqualquer procedimento relacionado a qualquer informação prospectiva financeira. Dessa forma, astabelas e cálculos elaboradas neste Estudo não são, e não devem ser, consideradas demonstraçõescontábeis da Companhia ou das Empresas. Os potenciais impactos financeiros consistemexclusivamente naqueles que a Companhia tem conhecimento na data deste Estudo de Viabilidade.Os potenciais impactos financeiros consistem exclusivamente naqueles que a Companhia temconhecimento na data deste Estudo de Viabilidade.O presente Estudo de Viabilidade se baseia em informações públicas, no entendimento econhecimento do setor, por parte da A.T. Kearney Consultoria de Gestão Empresarial Ltda.Aempresa A.T. Kearney Consultoria de Gestão Empresarial Ltda, especializada em consultoria degestão, está localizada na Rua Joaquim Floriano, nº 72, conjunto 201, Itaim Bibi, São Paulo, SP,CEP 04.534-000 e inscrita sob o CNPJ de no 73.142.705/0001 – 17. Fundada em 1926 em Chicago,Estados Unidos, e desde 1993 no Brasil, a empresa desenvolve projetos de análise de mercado,estratégias, operações e implementação de suas recomendações, oferecendo a seus clientes umamplo leque de serviços de consultoria de alto valor agregado. As principais indústrias nas quais aA.T.Kearney atua no Brasil são: Agronegócio, Automotiva, Bens de consumo e varejo, Indústrias deprocesso e mineração, Instituições financeiras, Manufatura intensiva, Química e farmacêutica,Saúde, Telecomunicações e mídia, Transportes e Infraestrutura.Apresentamos a seguir o currículo das pessoas físicas e jurídicas que foram envolvidas naelaboração e/ou revisão do presente Estudo de Viabilidade:Silvana Machado (A.T.Kearney): A Sra. Machado é engenheira de produção, formada em 1992pela Universidade de São Paulo, e cursou MBA na Universidade de Chicago, concluindo o curso em1997.A Sra. Machado tem 13 anos de experiência em consultoria de gestão, onde desenvolveu diversosprojetos de análise de mercado e planejamento estratégico. Também atuou por 5 anos como 4
  6. 6. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasilexecutiva em bancos de varejo, nas áreas de planejamento estratégico e gestão de clientes. Hoje, éSócia-Diretora da A.T.Kearney para a América do SulIlnort Rueda Saldivar(A.T.Kearney): O Sr. Rueda é engenheiro mecânico, formado em 1996 pelaUniversidade Técnica de Darmstadt, na Alemanha, e cursou mestrado em gestão na Universidadede St. Gallen, em 1998, na Suíça. Iniciou sua carreira no banco UBS, indo sem seguida para aA.T.Kearney, passando pelos escritórios de Zurique e São Paulo, onde atualmente ocupa o cargo deDiretor. Tem mais de dez anos de experiência em consultoria, tendo realizado diversos estudos deviabilidade de negócios e projetos de análise de mercados.Paulo Castello Branco (CEO da Brasil Travel) – Formado em Administração de Empresas pelaUFRJ em 1979, concluiu cursos de extensão de (i) Marketing Aeroportuário, Administração dosAeroportos de Paris, França, em 1981, (ii) Mercado de Capitais, na Fundação Getúlio Vargas, SãoPaulo em 1982, (iii) Marketing Aeroportuário, na ICAO, Boston, EUA em 1983 e (iv) PlanejamentoAeroportuário, na Fundação Getúlio Vargas, São Paulo em 1986, bem como MBA em (i) Logística,na Universidade do Reno Nevada, EUA em 2002 e (ii) Estratégia e Marketing na Fundação GetúlioVargas, São Paulo em 2009. O Sr. Paulo é nosso Diretor Presidente desde novembro de 2011.Anteriormente trabalhou como Vice Presidente Comercial e Alianças da Transportes Aéreos Marília(TAM), tendo sob sua ingerência, entre outras, a Diretoria de Vendas, Diretoria de Alianças e deRelações Internacionais, de 2004 a 2011 e, em 2005 foi Membro do Conselho Consultivo doSindicato Nacional das Empresas Aeroviárias – SNEA. De 2001 a 2003 atuou como Vice-Presidentede Planejamento e Logística da VARIG, coordenando a malha aérea doméstica e internacional, bemcomo a área de Relações Governamentais. De 1991 a 1992, atuou como Vice-Presidente daEmpresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT e em 1991 atuou como Diretor de Administração eFinanças da Casa da Moeda do Brasil. De 1981 a 1989 atuou como Chefe do DepartamentoComercial da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – Infraero. 5
  7. 7. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasil2. APRESENTAÇÃO DA COMP ANHIAA Brasil Travel foi fundada em Maio de 2011 após a percepção dos seus fundadores que haviapossibilidade de implementar uma estratégia de negócios no setor de turismo que em suas visõespoderia transformar o setor. A referida estratégia prevê atuar na consolidação do setor de turismono Brasil. Os sócios da Companhia identificaram que o setor de turismo no Brasil é composto pormais de 12 mil Empresas de Turismo, dado que é ratificado conforme detalhamento apresentado aseguir neste Estudo de Viabilidade. A tese de investimentos é que apesar de muitas das empresasdedicadas às atividades de turismo conseguirem atuar de forma lucrativa, as mesmas sãoindividualmente pouco representativas da magnitude econômica do setor, que tem por característicaum alto grau de fragmentação. O plano de negócios da Companhia prevê a consolidação destesetor por meio de crescimento orgânico e, principalmente, através de aquisições de empresasoperacionais, lucrativas e, em muitos casos, líderes regionais. A idéia de uma Companhia comescala nacional e representativa no contexto setorial pode trazer grandes benefícios aos acionistasem termos operacionais, principalmente no que tange a sinergias de custo e vendas. Além disto oBrasil apresenta alto crescimento esperado para o setor nos próximos anos dado os mega eventoscomo Copa do Mundo e Olimpíadas. O governo brasileiro e o setor privado já estão realizandosignificativo investimento em infraestrutura em aeroportos, transportes urbanos e estádios, entreoutros, para abrigar com eficiência os mega eventos e todos os demais que são atraídos por estes.Este Estudo de Viabilidade não tem como objetivo analisar e validar a tese de investimento daCompanhia, mas sim analisar a viabilidade econômica da estratégia formulada por seus acionistas.Para iniciar a implementação da sua estratégia, a Companhia iniciou uma profunda análise do setorde turismo no Brasil e identificou mais de 200Empresas de Turismo, com atuação em múltiplossegmentos da indústria, momento a partir do qual iniciou a primeira fase de consolidação do setor.Deste universo foram selecionadas 35Empresas, com as quais a Companhia formalizou contratosde compra e venda que são vinculados à execução correta da segunda fase da estratégia, que é aabertura de capital da empresa.Neste contexto, a Companhia acredita que será a maior e mais diversificada rede própria de varejode turismo brasileiro, com presença em 21 dos 26 Estados do Brasil mais o Distrito Federal. ACompanhia pretende atuar em todos os segmentos relacionados ao turismo, com um grupocomposto por Empresas e com presença no Brasil e nos Estados Unidos (“Grupo Econômico”) ecomuma estrutura de venda que conta com 316 lojas, das quais 267 são lojas próprias e as demaisfranquias. É importante destacar que fazem parte do Grupo Econômico uma corretora de câmbio euma corretora de seguros, especializada no segmento de seguro de viagens, que prestarão serviçosem caráter de exclusividade para nossas Empresas e clientes.Para efeitos deste Estudo de Viabilidade, serão considerados ainda os valores da Empresa Pegasus(Empresa com sede nos Estados Unidos e que passará a integrar o Grupo Econômico) e aoperação da Empresa GapNet será dividida entre as unidades de turismo (Gapnet) e sistemas deinformação (ArgoIT), que a Companhia acredita representar melhor a sua forma de operação. Nestaconjuntura, as Empresas da Brasil Travel somaram mais de R$ 87 milhões em lucro líquido no anode 2010. 6
  8. 8. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilA Brasil Travel acredita estar posicionada para ser a maior Companhia de turismo nacional após aOferta e pretende aplicar a estratégia de crescimento para se posicionar como a maior companhiado setorna America Latina e disputar posições de liderança a níveis globais. Em 2010 seria a 23ªempresa do setor de turismo no mundo por vendas segundo dados da Euromonitor.Mapa nacional com posicionamento da Brasil Travel 7
  9. 9. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 FaxNo ano de 2010 e até 30 de setembro de 2011, as Empresas que integrarão o grupo após a Ofertaobtiveram em conjunto um volume de vendas de R$4,39 bilhões e R$3,68 bilhões e as Empresasemitiram 3,84 milhões e 2,66 milhões de passagens aéreas, respectivamente. No ano de 2010, asempresas que integrarão o grupo após a Oferta apresentaram receita bruta de R$378,4 milhões elucro líquido de R$ 87,04 milhões; enquanto que a margem do EBITDA e a margem do lucro líquidoobtidas no mesmo período foi de 37,4% e 24,7%, respectivamente.As empresas adquiridas pela Companhia atuam de forma integrada no setor de turismo, prestandoum acervo completo de produtos e serviços, conforme tabela abaixo: Corporativo Venda de pacotes para empresas abrangendo passagens aéreas, transporte terrestre, hospedagem, entre outros viabilizando a infraestrutura necessária para que os colaboradores dessas empresas possam atuar em diversas localidades Consolidador As agências consolidadoras prestam serviços para pequenas e médias Empresas que não possuem grande volume de vendas de passagens aéreas ou de reservas em hotéis, atuando como intermediadora nas negociações com as companhias aéreas ou hoteleiras, visando obter melhores condições de negociação Operador de Venda de pacotes turísticos padronizados ou customizados em vôos comerciais Turismo – Lazer regulares ou fretados para todas as regiões do Brasil, incluindo passagens aéreas, transporte terrestre ou marítimo, hospedagem e serviços de guias especializados, entre outros Receptivo Serviços de transporte, acomodação e compra de ingressos para shows e eventos [para clientes estrangeiros] Viagens Estudantis Explora a venda de pacotes de turismo estudantil no exterior Internet Venda de pacotes turísticos e de passagens aéreas pela internet Corretor de Câmbio Serviços de compra e venda de moedas, bem como de transferência e recebimento de recursos para o exterior Corretor de Venda de seguros de viagem, médico e hospitalar, entre outros relacionados ao Seguros setor de turismoA tabela a seguir apresenta a relação das Empresas adquiridas pela Brasil Travel, incluindo asáreas de atuação e os produtos oferecidos: 8
  10. 10. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilRelação das Empresas de Turismo adquiridas pela Brasil Travel 9
  11. 11. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilA Companhia manteve na gestão das empresas os sócios fundadores das mesmas. A remuneraçãofixa foi sensivelmente reduzida e foi introduzida remuneração variável atrelada a metas dedesempenho das respectivasEmpresas. Há cláusulas contratuais exigindo a permanência dossócios fundadores (com 27 anos de experiência no setor, em média) por pelo menos 5 anos,a partirda data de abertura de capital, na administração da Companhia e, uma vez encerrado esse prazo,devem respeitar uma cláusula de não competição por mais 3 anos. Acreditamos que essascláusulas contratuais colaborem favoravelmente à Companhia em termos de inteligência demercado e lucratividade das companhias adquiridas.O quadro a seguir reflete a estrutura da Brasil Travel na data de elaboração do Estudo deViabilidade:Organograma do Grupo Econômico Brasil Travel 10
  12. 12. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasil3. ANÁLISE DO MERCADO DE TURISMO NO BRASILA. INTRODUÇÃOO Brasil presenciou dois acontecimentos nos últimos anos que, definitivamente, serão lembrados nofuturo como transformadores do turismo como atividade econômica e como produto de consumo nopaís: o crescimento econômico robusto e ter sido escolhido para sediar a Copa do Mundo e asOlimpíadas.A partir de 2005, o país presenciou a combinação de boas condições macroeconômicas, mudançasno perfil social e demográfico, crescimento do PIB e melhor distribuição de renda, o que temresultado em nível de emprego recorde e aumentos ano a ano do crédito e do consumo dasfamílias. A demanda por turismo, que por muitos anos foi latente, transformou-se em real, comcrescimentos significativos e consistentes em todos os indicadores de consumo, a ponto de superara intenção de consumir eletrônicos. Pesquisa Nielsen sobre intenção de gastos, citada pelo jornal OEstado de S.Paulo em 13 de Novembro de 2011, mostra que a prioridade do brasileiro para gastardinheiro no fim deste ano é com viagens (29%), acima de roupas (26%) e eletrônicos (25%).Em paralelo ao bom momento macroeconômico, em outubro de 2007 a FIFA anunciou o Brasil comoa sede da Copa do Mundo de 2014. Exatamente dois anos depois, o Rio de Janeiro é escolhido acidade sede para os Jogos Olímpicos de 2016. Será a quarta vez que um único país sediará essesdois megaeventos no mesmo período, e a segunda vez para um país em desenvolvimento. Estessão considerados divisores de águas para a imagem do país no exterior, com o Brasil secredenciando mundialmente como um país capaz de gerar, convergir e coordenar recursos parapromover o maior campeonato do esporte mais popular do mundo e o maior encontro de atletas doplaneta. Os resultados já aparecem - no último relatório “2011-2012 Country Brand Index”, da FutureBrand, a “marca” Brasil subiu 10 posições entre 2009 e 2011, passando à 31ª numa lista de 113países, registrando o maior crescimento dentre os 50 que lideram a lista.Para materializar esses projetos e ao mesmo tempo suprir a demanda crescente resultante dodesenvolvimento econômico, inicia-se um período de investimentos significativos em infraestrutura,também descritos neste documento, que devem durar quase uma década.Dessa forma, a infraestrutura, até então um limitante ao crescimento da demanda turística apesar dodesenvolvimento econômico, pode tornar-se um impulsionador, graças aospreparativos para os doismegaeventos. Se estes forem bem executados, o turismo para o Brasil terá condições de mudardefinitivamente. 11
  13. 13. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilB. CONTEXTO SOCIAL E MACROECONÔMICOO Brasil dispõe de uma quantidade e variedade de recursos naturais singulares, com reservasambientais protegidas, praias e florestas, além de um território largamente inexplorado e a preçosacessíveis, do ponto de vista dos padrões internacionais.A situação geopolítica mostra-se também favorável. A implantação da democracia e ofuncionamento das instituições são plenos, o que é positivo para as decisões de investimentoestrangeiro. As autoridades têm visado transmitir tranqüilidadeà comunidade internacional atravésda célere resolução das questões relacionadas com a segurança. A instalação de Unidades dePolícia Pacificadora (UPPs) em diversas comunidades carentes do Rio Janeiro é um exemplo dapreocupação em reduzir os níveis de violência nos principais centros urbanos nestes anos queprecedem os dois grandes eventos.Adicionalmente, a população Brasileira atravessa um período de acentuada mudança demográfica,social e econômica. Após mais de duas décadas de baixo aproveitamento do potencial dedesenvolvimento do país, os últimos anos vêm sendo caracterizados por um acentuado crescimentoeconômico, num quadro de assinalável estabilidade, que nem o impacto da maior crise financeiramundial desde 1929 conseguiu debilitar.Este fenômeno vem se sustentando na melhoria da educação e qualificações, no crescimento dapopulação economicamente ativa e no aumento da renda disponível, bem como na redução dadesigualdade social através da melhoria na distribuição de renda. Neste contexto, amplia-se omercado de consumo interno, agora dominado por uma renovada classe média, simultaneamentemais instruída e com maior poder aquisitivo discricionário, o que a torna mais propensa ao consumode produtos de cultura e lazer e potencializa o Brasil como pólo emergente de turismo.Fatores sociais e demográficosEm consonância com os restantes mercados emergentes de referência, como a Índia ou a China, oBrasil apresenta hoje uma estrutura etária jovem e em mutação. Segundo dados do InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a idade média atual da população brasileira é de 29anos, o que se compara com os 37 anos da América do Norte e os 40 anos da Europa. Números docenso demográfico de 2010 mostram que a população atingiu nesse ano os 191 milhões dehabitantes, após uma taxa de crescimento anual composta de 1,9% na década que terminou em1990, 1,5% na década que terminou em 2000 e 1,2% na década que terminou em 2010. Estecrescimento continua a ser superior ao verificado nos países desenvolvidos, com a União Européiacrescendo apenas 0,1% em 2010 e os EUA com um aumento populacional previsto de 1% para2011, segundo o CIA World Factbook. 12
  14. 14. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilA expansão demográfica que se vem verificando deverá desacelerar nas próximas décadas, com osnúmeros do IBGE mostrando que, no longo prazo, a população do Brasil poderá fixar-se em tornodos 215 milhões, conforme demonstrado na tabela acima. O IBGE estima que o crescimentová sesituar na taxa composta de 0,8% ao ano até 2020. Por outro lado, prevê um aumento da esperançamédia de vida na próxima década, de 73 anos em 2010 para 76 anos em 2020.Esta estabilização,em conjunto com a juventude patenteada pela estrutura etária e com o incremento da esperançamédia de vida, abrirá espaço para o chamado bônus demográfico. Estudo realizado pelo institutoInsper e publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo em02/01/2010 indicou que o Brasil já possuíaum bônus demográfico em 2009, com uma média de 2 adultos para cada dependente (crianças eidosos). Segundo este mesmo estudo, o bônus demográfico brasileiro deverá continuar crescendoaté 2020, quando atingirá seu auge, com adultos representando cerca 70% da população. Nesses10 anos, as condições demográficas para o crescimento econômico do país são consideradas asmelhores possíveis.Ao mesmo tempo, parece atenuar-se o perfil tradicionalmente desigual do país. Segundo o Institutode Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o coeficiente de Gini (gráfico abaixo), que permite avaliar odesequilíbrio na distribuição de renda, caiu de 0,60 em 1995 para 0,54 em 2009. Na União Européia,situou-se, em 2009, nos 0,30, segundo dados do CIA World Factbook. Adicionalmente, vemmelhorando o nível educacional da população brasileira. Segundo o IBGE, de 1995 a 2009 onúmero médio de anos de escolaridade passou de 5,2 para 7,2 para os brasileiros com mais de 25anos de idade. 13
  15. 15. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilA existência de um bônus demográfico em conjuntocom o aumento real e melhor distribuição derenda deverão potencializar o consumo interno, constituindo assim per se em relevantes fatores desustentação do crescimento econômico futuro.Cenário macroeconômicoNo seguimento da recente crise financeira, que em 2009 arrastou o crescimento econômico globalpara terreno negativo pela primeira vez em muitas décadas, o caminho da recuperação,ainda queabaixo do esperado,deverá ser razoável. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que se situeem torno dos 4%, em 2011 e 2012 (“World Economic Outlook”, Setembro/2011).Ainda assim, a recuperação continua a efetuar-se a duas velocidades: os mercados desenvolvidosem nítido processo de estagnação e os mercados emergentes descolando de forma robusta. Nosprimeiros, a generalizada transferência de alavancagem do setor privado para o público conduziu aníveis insustentáveis de endividamento dos governos, forçando os mesmos a reverter as políticas derelaxação e estímulo econômico que haviam lançado inicialmente. A correção destes fatores seránecessariamente lenta e penosa, uma vez que o crescimento econômico potencial permanecereduzido. Já nos mercados emergentes, a situação fiscal e financeira mais favorável que vigoravaantes do eclodir da crise, em conjunto com o crescimento do mercado de consumo interno, o quecompensa a diminuição dos fluxos de comércio internacionais, torna muito mais fácil o movimentode ajustamento. Assim, um dos desafios das autoridades residirá na capacidade de evitar osobreaquecimento das respectivas economias. 14
  16. 16. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilO Brasil vem sendo justamente um dos grandes motores do forte crescimento econômico observadonos mercados emergentes. A diversidade de recursos naturais, a sofisticação da estruturaempresarial, a crescente e mais qualificada força de trabalho e o quadro de reforço das relaçõescom grandes potências importadoras, como a China, vêm impulsionando a economia. Segundo oIBGE, o PIB aumentou 7,5% em 2010, o maior crescimento desde 1986, atingindo 3,7 trilhões dereais. Desde o lançamento do Plano Real em 1994, o país vem se beneficiando de um quadro deestabilidade política, fiscal e monetária resultante da combinação positiva de inflação controlada,redução das taxas de juros e equilíbrio da balança de pagamentos. Somados a isso, a estabilidadeinstitucional e o respeito aos contratos têm se consolidado no Brasil, e hoje são considerados comodiferenciais em relação aos outros países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul),favorecendo investimentos externos.Segundo estimativas do FMI, pouco mais de duas décadas decorridas desde o lançamento do PlanoReal, o PIB real do Brasil terá mais do que duplicado em 2016, conforme se observa no gráficoabaixo. A economia Brasileira cresceu a uma taxa anual composta de 1,6% na década de 1980 a1990, 2,5% na década de 1990 a 2000 e 3,6% na década de2000 a 2010. Apesar das recentesrevisões para baixo, o FMI estima que o crescimento do PIB brasileiro se situe sempre acima dos3,5% nos próximos 5 anos. 15
  17. 17. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilSegundo o Banco Central do Brasil (BCB), o consumo foi o principal responsável por esteassinalável desempenho econômico, potencializado pela melhoria das condições de crédito e peloelevado valor dos Índices de Confiança do Consumidor (ICC) e da Indústria (ICI), publicadosmensalmente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que permanecem na zona de otimismo eexpansão há cerca de dois anos.A continuidade da evolução favorável do mercado de trabalho tem sido o principal pilar desustentação do consumo interno. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados(CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), registrou-se em 2010 a criação líquida de2,1 milhões de empregos formais. Desde 2003, a taxa de desemprego nas seis regiõesmetropolitanas (Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo) reduziu-se em mais de metade, de 10,9% para 5,3% no final de 2010, o menor nível histórico já medido pelapesquisa. 16
  18. 18. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilCom o desemprego próximo da taxa natural, existe competição acrescida pela mão-de-obra,especialmente a mais qualificada, o que se traduz na inflação dos salários, num ciclo virtuoso desustentação do mercado de consumo. Esse efeito vem estimulando um movimento massivo deimigração de médios e altos quadros provenientes de países desenvolvidos. Adicionalmente, asgrandes áreas metropolitanas, e nomeadamente São Paulo, vêm se convertendo de forma cada vezmais acentuada em pólos centralizadores de atração de negócios na região e no mundo.A grande vantagem deste processo de transformação reside no fato de se desenrolar em paralelo àprofunda transformação do padrão de classes sociais. A busca de um caminho de redução dadesigualdade na distribuição de renda, a melhoria das qualificações e nível educacional dapopulação e o seguimento de programas de transferência por parte do governo abriram caminho aosurgimento de uma nova classe média. No ano de 2009, segundo a FGV, a Classe C passou arepresentar mais de metade da população total pela primeira vez na história do país. 17
  19. 19. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilUm estudo do Instituto Data Popular mostra que, contrariamente ao que acontece na Classe A, emque apenas 10% dos elementos possuem qualificação superior à da geração de seus pais, naClasse C esse número sobe para cerca de 70%. Esta deixará de ser encarada como apenas maisum segmento para se converter no foco central do próprio mercado, já que o seu crescimento epredomínio beneficiam tanto a demanda quanto a oferta. De fato, os participantes da Classe C nãosó assumirão o seu papel de consumidores como também se tornarão estratégicos nas decisões deinvestimento das empresas no Brasil, ao se tornarem mais exigentes na seleção dos produtos,buscando itens cada vez mais sofisticados.Poder aquisitivo e consumoO promissor aumento da base de consumo interno no Brasil vem sendo potencializado e amplificadopor três relevantes alavancas: o aumento da renda per capta, a melhoria na distribuição de renda ea democratização do crédito, o qual vem crescendo na direção dos padrões internacionais.A primeira e a segunda alavanca traçam,respectivamente, a semelhança e a diferença entre odesempenho nacional e o da generalidade das grandes potências emergentes. A renda médiamensal real da população Brasileira com 10 anos ou mais de idade, obtida através da PesquisaNacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2004-2009, aumentou acumuladamente 24% noperíodo de 5 anos em análise - o dobro do crescimento alcançado pelo PIB per capita-em sentidocontrário ao que se observa em países como a China ou a Índia. Este movimento foi impulsionadopor uma aproximação das classes de renda inferior às de renda superior. Segundo dados da PNAD2001-2009, o décimo inferior de população aumentou a sua renda disponível com uma taxa anual 18
  20. 20. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasilcomposta de quase 7%, o que compara com o crescimento de 1,5% do décimo superior, indo aoencontro da idéia de reforço da classe média, que constitui a referência primária para o consumo.Uma das principais ameaças à continuação do processo de expansão da renda real no futuro dizrespeito à possibilidade de incremento da inflação nos próximos anos. Esse foi durante décadas umdos principais bloqueadores do crescimento econômico Brasileiro, e a sua estabilização, pilarfundamental do lançamento do Plano Real e um dos fatores que mais contribuiu para o atual cenáriode expansão vivenciado pelo país.Neste sentido, desde a adoção pelo BCB do Regime de Metas de Inflação em 1999 e, maisenfaticamente, desde que em 2002 o câmbio quase atingiu 4 reaispor cada dólar dos EUA, com oIPCA cotando-se nos 12,5%, o Banco Central do Brasil (BCB) vem perseguindo uma política de fortecontenção da inflação. A recuperação e estabilização da economia Brasileira vêm permitindo aentrada de capitais externos, conduzindo o câmbio a um máximo de quase 1,5 reais por cada dólardos EUA em 2008. A inflação encontra-se desde 2005 contida na banda de 4 pontos percentuais emtorno da meta de 4,5% definida pelo BCB, i.e., entre 2,5% e 6,5%, embora nos anos de 2008 e 2010tenha se aproximado do limite superior em função do aquecimento do consumo interno.Segundo o BCB (“Focus – Relatório de Mercado”, 18/11/2011) a expectativa do mercado é de que ainflação continue abaixo dos 6,5% para os anos de 2011 e 2012, embora próximo ao limite superiorda banda.Beneficiada pela estabilidade e confiança dos agentes econômicos, surge a segunda alavanca doconsumo: a democratização do crédito. Exercendo influência no consumo das famílias e nasdecisões de investimento das empresas, a trajetória de gradual redução da taxa referência SELICtem impulsionado este fenômeno. Adicionalmente, a bancarização do país é crescente, como seilustra na figura abaixo, com a duplicação do número de contas correntes desde 2001 e o 19
  21. 21. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasilincremento da capilaridade das instituições financeiras. O acesso ao crédito é cada vez menosdispendioso e a prazos mais alargados.O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) projeta a continuação dessa tendência,dos atuais 46% para cerca de 70% do PIB em 2014. De acordo com os números do Banco CentralEuropeu (BCE), o total de empréstimos do sistema financeiro representava, no final de 2010, 116%do PIB na França, 119% na Alemanha e 185% na Espanha. Em todos os países referidos, o créditoà Pessoa Física já é superior a 50% do PIB, ao passo que no Brasil não atingiu ainda os 20%.De 2001 a 2010, o crédito concedido em percentagem do PIB cresceu a uma taxa anual compostade cerca de 5%para pessoa jurídica, e de cerca de 10% para a habitação e Pessoas Físicas.Houvetambém uma maior sofisticação nos produtos oferecidos pelas instituições financeiras, quepassaram a proporcionar um leque mais amplo de alternativas, expandindo garantias e seguros.Segundo um estudo da LCA Consultores, a evolução na penetração de crédito teria sidoresponsável por cerca de 40% do crescimento econômico do Brasil nos últimos 6 anos. Em suma, oconsumo das famílias, que representa mais de 60% da economia e que vem sendo alavancado pelosurgimento da nova classe média emergente, pelo aumento generalizado das rendas e pelaexpansão da disponibilidade de crédito, constitui o grande motor do crescimento Brasileiro,conforme se pode constatar na figura abaixo. Desde 2004, o PIB cresceu 28%, ao passo que oconsumo das famílias avançou acumuladamente 37%, dados do BCB. Na medida em que o eixo degravidade de consumo desce das Classes A e B para as Classes C e D, cada unidade monetáriamarginal de renda converte-se num valor superior de consumo. 20
  22. 22. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilC. MEGAEVENTOS – COPA 2014 E OLIMPÍADAS 2016Como agentes catalisadores do cenário otimista que vem se desenhando para o setor de turismo noBrasil, surgem os dois megaeventos a se realizar nos próximos anos: a Copa do Mundo FIFA em2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016.Esta será a quarta vez que um país é sede de ambos os eventos no mesmo período, e apenas asegunda vez em um país em desenvolvimento.Após o anúncio dos dois megaeventos, o país ganhou visibilidade internacional que se reflete emvários setores. Em 2010, por exemplo, houve 50 shows internacionais no país, e em 2011 ocalendário contava com mais de 100, segundo reportagem da revista Época de 16/09/2011.Copa 2014Segundo estudo da Ernst & Young (“Brasil Sustentável- Impactos Socioeconômicos da Copa 2014”,publicação em 2010), a Copa realizada na Alemanha em 2006 atraiu 3,4 milhões de expectadoresaos estádios, gerou 5 milhões de pernoites de turistas locais e estrangeiros, 18 milhões de visitas àsáreas de lazer circundantes e estimativa de mais de 26 bilhões de telespectadores acumulados.NaÁfrica do Sul em 2010,estima-seum total 30 bilhões de telespectadores. Segundo o mesmo estudo,a edição Brasileira deverá atingir números ainda superiores, e estima-se que o fluxo receptivo nopaís durante todo o ano de 2014 será 50% maior do que foi em 2010, alcançando 7,8 milhões deturistas estrangeiros. 21
  23. 23. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilA Copa de 2014 no Brasil será realizada em 12 cidades sede – um número elevado em relação aopadrão para Copas do Mundo – trazendo grande exposição externa para estas cidades brasileiras.Entretanto, o fator que deverá trazer maior impacto nos fluxos turísticos doméstico e receptivo serãoos elevados investimentos que o país vai realizar em infraestrutura e qualidade dos serviçosturísticos, fruto dos preparativos para o evento.De acordo os diversos estudos já efetuados sobre o tema, por instituições como o Ministério doTurismo e a Fundação Getúlio Vargas, háboas possibilidades de potencialização dos investimentosefetuados, através de um efeito multiplicador sobre a atividade econômica, não só devido ao efeitode investimento direto público e privado como também através de uma cadeia de efeitos indiretos einduzidos, desde que seguidas as medidas e procedimentos adequados.Estudo do Ministério dos Esportes em parceria com a empresa de consultoria ValuePartners(“Impactos econômicos da realização da Copa de 2014”, Março/2010) estima que a Copa gere umimpacto direto de R$ 9,5 bilhões ao turismo, através dos 600 mil turistas estrangeiros que virão,gerando divisas de R$ 3,9 bilhões, e 3,1 milhão de turistas nacionais, gerando R$ 5,5 bilhões. Esseestudo estima investimentos diretos que impactam o turismo em mais de R$ 47 bilhões, e umimpacto total sobre o PIB brasileiro de mais de R$ 180 bilhões.Dos R$ 47,5 bilhões em impacto direto, os investimentos em infraestrutura somam R$ 33 bilhões,representando aproximadamente 70% do total. Turismo e Consumo respondem pelos R$ 14,5bilhões restantes, conforme gráfico abaixo: 22
  24. 24. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilParte significativa dos investimentos em infraestrutura civil será destinada aos estádios, incluindo 6reformas de grande porte e a construção de 6 novos, totalizando R$ 6,3 bilhões:Mesmo antes da realização da copa, os impactos na imagem brasileira como país hospedeiro deeventos esportivos já podem ser sentidos. Segundo a revista Examede novembro/2011, utilizandodados da Sport+Market, a aproximação dos dois megaeventos fez com que o número de feiras eeventos relacionados ao esporte quintuplicasse, passando de 30 em 2010 para os 148 previstospara 2011. 23
  25. 25. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilAlém dos impactos diretos e indiretos dos investimentos, existem diversos benefícios intangíveis,mas que influenciam positivamente os fluxos turísticos: Fortalecimento da imagem brasileira como um pólo turístico, com infraestrutura adequada, bons produtos e serviços turísticos e capacidade organizacional para receber grandes eventos internacionais; Salto de qualidade dos produtos e serviços oferecidos por todos os prestadores da cadeia turística, particularmente nas cidades sede; Criação e/ ou reforço da imagem de atratividade para turismo das cidades sede e suas regiões ao nível internacional, pela exposição na mídia e pelo “boca-a-boca” dos turistas, contribuindo para descentralizar o fluxo receptivo e incrementar o interno; Aumento do nível de “cosmopolização” das cidades sede, contribuindo para torná-las locais mais receptivos aos turistas estrangeiros.Olimpíadas 2016Ao contrário da organização de uma Copa do Mundo, onde várias cidadessede passam por um saltoem investimentos e exposição, as Olimpíadas têm o propósito de converter uma única cidadesedenuma metrópole mundialmente conhecida e admirada, estabelecendo um novo posicionamento dacidade na rede global de turismo. Essa foi a estratégia adotada por Barcelona, Sidney e Beijing.Segundo oestudo ”Plano Aquarela 2020”, publicado em 2009 pelo Ministério do Turismo, estima-seque as Olimpíadas de Sidney levaram ao país um número adicional de 1,7 milhão de turistas entre1997 e 2004, que gastaram mais de US$ 3,4 bilhões. Além disso, a marca “Austrália” avançou oequivalente a 10 anos. O estudo também cita um relatório elaborado em 1998 onde consta que45% dos norte-americanos viajantes em potencial se diziam mais propensos a visitar a Austrália nospróximos quatro anos como resultado direto da escolha de Sidney para sediar as Olimpíadas.A estimativa calculada pela Beijing Olympic EconomicResearchAssociation é de que cerca de 600mil turistas viajaram de fora da China e de que cerca de 2,5 milhões deles das mais diversas regiõeschinesas durante os jogos. Ainda é esperado um crescimento de 8% a 9% na quantidade de turistasem Pequim no período 2009-2018.Segundo o Plano Aquarela Brasil 2020, estima-se que os jogos de 2012 em Londres devam gerarganhos da ordem de US$ 3,4 bilhões (câmbio de julho/2011) para o Reino Unido.Para o caso brasileiro, um estudo da FIA encomendado pelo Ministério dos Esportes (“Estudo deimpactos socioeconômicos potenciais da realização dos jogos olímpicos na cidade do Rio de Janeiroem 2016”, setembro/2009) aponta a estimativa de chegada de 380 mil visitantes estrangeiros ao Riodurante as Olimpíadas em 2016, que devem gastar em hospedagem, alimentação, comércio eserviços em torno de US$ 152 milhões. É esperado, além disso, um impacto considerável naimagem da cidade e na sua atratividade como pólo de turismo de lazer e de negócios. 24
  26. 26. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilD. OFERTA E DEMANDA DO SETOR DE TURISMONos últimos anos, uma convergência de fatores positivos macroeconômicos, demográficos esocioeconômicos criou as condições para que uma demanda latente se materializasse numaexplosão de consumo turístico, refletida nas viagens domésticas, ao exterior, desembarquesnacionais, ocupação hoteleira, aluguel de veículos e outros. Segundo dados IPC Target, o potencialde consumo para despesas de viagens no Brasil teve aumento médio composto de 25% ao ano,entre 2003 a 2010, quando alcançou R$ 36 bilhões. Além disso, a o crescimento daeconomiaimpulsiona também o turismo de negócios interno e o receptivo, com a crescentequantidade de eventos de negócios locais e internacionais realizados no Brasil.Naturalmente, o mercado não é composto só por demanda, e a oferta de serviços e produtosturísticos tem aumentado tanto em quantidade como em qualidade ao longo dos últimos anos. Nestesentido, infraestrutura é um limitante ao crescimento. A iniciativa privada tem contado com umcrescente esforço governamental para coordenar ações nas áreas de financiamento, suporte àqualidade da gestão, formação de mão de obra e visibilidade do Brasil no exterior.Como mostraremos nos próximos tópicos, o momentum da demanda turística deve continuar fortenos próximos anos, inclusive com os impulsos dos megaeventos de 2014 e 2016, que deverãodeixarum legado significativo na oferta de infraestrutura, produtos e serviços turísticos e visibilidadenacional no exterior.A indústria do turismo no Brasil ainda tem uma participação direta no PIB baixa se comparado aoutros países, de acordo com dados do Euromonitor e FMI:Fluxos turísticos 25
  27. 27. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilA demanda turística contempla três fluxos turísticos, descritosem função do sentido que possuemem relação às fronteiras do país: B Fluxo doméstico refere-se às movimentações turísticas com origem e destino dentro do Brasil (A); Fluxo internacional emissor refere-se às movimentações de turistas com origem no Brasil com destino o exterior (B); A Fluxo internacional receptivo refere-se às movimentações de turistas com origem em outros países e com destino o Brasil (C). CFluxo turístico domésticoO mercado turístico doméstico tem crescido sistematicamente, sustentando a demanda emmomentos em que a conjuntura externa apresentou-se desfavorável.O número de viagens domésticas é um dos indicadores do vigor da demanda turística e temcrescido nos últimos anos a uma taxa média anualizada de 6%. Para os próximos anos, o MTur eFGV, no estudo “Turismo no Brasil, 2011- 2014”,consideram três cenários para o processo decrescimento, desenvolvimento e de melhoria da competitividade turística no período de 2010-2014.O mais favorável – “acelerado” (C1); o intermediário – “moderado” (C2); e o de menor crescimento –“inercial” (C3).Pela alta correlação entre as viagens domésticas e o desenvolvimento econômico, os cenários C1 eC2 resultam nas mesmas projeções para o volume das viagens domésticas. Apenas no caso decrescimento inercial é que as viagens perderiam ritmo.Um importante indicador do vigor do fluxo turístico doméstico é o desembarque de passageiros nosaeroportos brasileiros, que tem crescido a uma taxa anualizada média de 12%. Conforme demonstrao gráfico abaixo, mesmo o crescimento esperado para o cenário mais otimista projetado pelo 26
  28. 28. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilMTur(C1), subestimou o número de desembarques ocorridos em 2010, indicando uma respostamais sensível deste indicador às condições econômicas favoráveis no ano.Outro setor de destaque é o de cruzeiros marítimos. Embora não seja totalmente um fluxodoméstico – dos 793 mil turistas na temporada 2010/2011, 12,5% foram estrangeiros – o número decruzeiristas que viajam no Brasil cresceu a um taxa média composta de 34% ao ano nos últimos 6anos, segundo estudo da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar) e FGV Projetos.Dos brasileiros, 61% são do estado de São Paulo.Outro setor que reflete o crescimento da demanda (doméstica e receptiva internacional) é ohoteleiro, onde, segundo estudo do BNDES sobre perspectivas do setor no Brasil, tem mostrado 27
  29. 29. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasilaumento na taxa de ocupação nos últimos anos, após um período pressionado pela retração dademanda e, em alguns dos principais destinos turísticos do país, pelo excesso de oferta promovidopela intensa construção de apart-hotéis. Outro índice com crescimento acentuado é o RevPAR(revenue per availableroom) – índice que combina taxa de ocupação e valor da diária média paga.Fluxo turístico internacional emissivoO crescimento econômico brasileiro e o consequente aumento da renda discricionária das famílias,descritos anteriormente, também impulsionam o fluxo de turistas brasileiros para o exterior, que temsido amplificado consideravelmente pela valorização do real em relação ao dólar nos últimos anos.Segundo Business Monitor International (BMI)no seu relatório “BrazilTourismReport Q3 2011”, emtorno de 5,6 milhões de brasileiros deveriam viajar em 2011 ao exterior. Em 2010, cada turistabrasileiro gastou em média US$ 2.610 no exterior, quase três vezes mais que o gasto médio de umturista estrangeiro no Brasil, totalizando US$ 14,6 bilhões. Esse número pode refletir os gastos comcompras desproporcionalmente maiores realizados pelos turistas brasileiros.Em 2010, 44% dos turistas brasileiros que foram para o exterior tiveram como destino países daAmérica Latina, especialmente a Argentina, refletindo alto grau de intercâmbio comercial e dasofertas de produtos de turismo dirigidos para o país vizinho. 28
  30. 30. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilFluxo Turístico Internacional ReceptivoA entrada de turistas estrangeiros no Brasil atingiu um patamar em 2005, manteve-seestável até2009 e deu sinais de iniciar uma recuperação em 2010. O ritmo dessa recuperação depende emparte da atratividade turística do Brasil, tanto em lazer como para negócios, e também da qualidadedos serviços e infraestrutura. O MTur e FGV projetam 3 cenários para o crescimento do fluxoreceptivo até 2014, baseados em projeções da taxa de câmbio, crescimento do PIB mundial, fluxoturístico internacional e assentos oferecidos.No lado da atratividade brasileira, os seguintes fatores são geralmente apontados entre aqueles quedefendema perspectiva de cenário mais otimista: O Brasil é um país com reconhecidas belezas naturais e também com crescentes atrativos culturais, culinários e de lazer em geral; O país sediará um número crescente de eventos esportivos, culturais e de negócios nos próximos 5 anos; O governo, através do MTur, tem aumentado seus esforços de promoção e de comunicação do turismo no exterior.As metas contidas no Plano Aquarela 2020 do MTur contemplam um crescimento de 113% entre2010 e 2020 para a chegadas de turistas ao país. 29
  31. 31. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilNo entanto, apesar da expectativa positiva, dados da Organização Mundial do Turismo e do MTurindicam que, com os 4,8 milhões de turistas estrangeiros recebidos em 2009, o Brasil ficou na 45ªcolocação mundial, atrás de países como Turquia (7º lugar), Malásia (9º), México (10º) e Áustria(11º), e empatado com a Argentina, apesar das diferenças em tamanho geográfico e populacionalentre os dois países.Dessa forma, o Brasil ainda tem um longo caminho para se aproximar dos níveis de países como aArgentina, Chile, México e África do Sul, conforme demonstrado abaixo. 30
  32. 32. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilOutro indicador do grande espaço para crescimento são as divisas geradas pelo setor no Brasil, queo WTTC estima em US$ 6,58 bilhões em 2011, nos colocando apenas no 42º lugar num ranking de181 países, para uma economia queé a 7ª no mundo atualmente.Quanto a destino, houve uma desconcentração no fluxo de passageiros internacionais nos principaisaeroportos brasileiros nos últimos anos, embora modestos. De 2003 a 2010, segundo relatórios daInfraero, Guarulhos passou de 70% para 65% dos passageiros internacionais, enquanto Brasíliapassou de praticamente nada a 1,3%, Manaus de 0,4% para 1,0%, Confins de 1,0% para 1,9% ePorto Alegre de 1,7% para 2,8%.Prestadores de ServiçosA prestação de serviços turísticos no Brasil ainda é considerada uma atividade com grande nível deinformalidade. O Sistema de Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos – Cadastur – temapresentado um crescimento consistente no número de prestadores, reflexo da obrigatoriedade docadastro a partir de 2008. Em 2009, havia 36.846 prestadores cadastrados, um aumento de 6%sobre o ano anterior.Em termos de emprego, o IPEA estima uma queda lenta, mas contínua, no nível de informalidadepara o setor, saindo de 59% em 2002, para 57% em 2009. Neste período, a participação daocupação do turismo na economia passou de 2,0% para 2,3%.Em 2008, segundo o IPEA, os empregos em turismo estavam divididos na seguinte forma: 40% em transportes; 33% em alimentação; 13% em alojamentos; 5% como auxiliares de transporte; 5% em Empresas de Turismo e; 4% em outros. 31
  33. 33. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilSegundo a 7ª Pesquisa Anual de Conjuntura Econômica do Turismo (Pacet), as 80 maioresEmpresas de Turismo no país faturaram em 2010 R$ 42,8 bilhões e empregaram 96 mil pessoas.Segundo a mesma pesquisa, para o período entre 2004 e 2010 (com exceção de 2009) asempresas pesquisadas reportaram aumentos de receita de um ano para o outro entre 15% e 30%.A cadeia de valor turística engloba diversos participantes: fornecedores de produtos de turismo,operadoras e consolidadoras, outras Empresas de Turismo, clientes corporativos e físicos,corretoras de câmbio, bancos, operadoras de cartão de crédito e seguradoras, que formam um eloconforme o diagrama abaixo: Corretoras de câmbioBancos, cartões de crédito e seguradoras Cias aéreas, Consolidadoras Agências de Clientes hotéis etc. e Operadoras turismoO caráter de intermediação de serviços que caracteriza boa parte da cadeia de valor do turismoindica que a consolidação vertical apresenta grande potencial de ganhos tanto em eficiência –menos interfaces, refletindo em menores custos – quanto em qualidade do serviço – maior controlesobre todos os elos da cadeia, do prestador de serviço ao canal que tem contato com o cliente final. Empresas de Turismo É uma indústria bastante pulverizada no Brasil, com 12.784 empresas cadastradas em novembrode 2011 no Cadastur – sistema do MTur de cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam noturismo –sendo a grande maioria micro ou pequenas empresas. Essa fragmentação as torna, emgeral, o elo mais fraco na cadeia de valor, já que a maioria dos demais participantes constitui-seporsegmentos com alta concentração, proporcionando uma assimetria a favor do poder de barganhados outros elos diante das Empresas. Fornecedores das Empresas de Turismo o Cias aéreas: setor altamente concentrado, com o quase duopólio Gol e TAM; o Hotéis: setor com concentração crescente, onde cadeias nacionais e estrangeiras, com maior acesso a crédito, avançam na sua participação de mercado; Agências consolidadoras: setor não tão concentrado quanto o de cias aéreas, mas cujos participantes têm poder de barganha muito superior às outras categorias de Empresas de Turismo, com melhor acesso aos bancos, seguradoras, corretoras de câmbio e até nas Cias Aéreas. Bancos, cartões de crédito e seguradoras: setores concentrados e com tendências a acentuação.Empresasde menor porte tendem a ter dificuldades para levantar recursos junto aos bancos ou negociar taxas de intermediação com cartões de crédito; Corretoras de câmbio: indústria também em processo de consolidação, com grandes empresas estrangeiras entrando no mercado brasileiro através de aquisições; Clientes 32
  34. 34. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasil o Cliente final pessoa física: aumento do poder de barganha sobre as Empresas pelo crescimento das alternativas online de turismo e acesso direto aos fornecedores de serviços turísticos (turistas independentes), além da crescente fragmentação da demanda, que dificulta o acesso à segmentação mercadológica; o Clientes corporativos: segmento com margens declinantes para as Empresas devido ao tamanho dos clientes e pelo serviço ser cada vez mais negociado em áreas de compras mais agressivas.Esse ambiente competitivo favorece um movimento de concentração das Empresas de Turismo, queseria uma contrapartida ao menor poder individual, possibilitando mais poder de barganha nanegociação com bancos, operadoras, fornecedores turísticos e clientes corporativos.Outra possibilidade de ganhos é através da consolidação horizontal, onde Empresas que atendemdistintos segmentos e geografias se unem. Embora bem menos frequente, essa configuraçãopossibilita atingir vários segmentos da demanda turística, que valorizam abordagens e serviçosespecíficos,reduzindo flutuações sazonais na receita e ineficiências nas interfaces, além depossibilitar fluxos “internos”, onde certas regiões agem como emissoras de turistas, que serãoservidos também por receptivos pertencentes ao mesmo grupo.Pode-se esperar também uma verticalização no setor, com empresas agregando mais de um elo dacadeia, como, por exemplo, unir operadoras, consolidadoras e outras Empresas de diversossegmentos de atuação com corretoras de câmbio,corretoras de seguros, entre outros. Nesse caso oganho principal seria nas interfaces entre cada elo da cadeia e no maior controle sobre a qualidadedo serviço como um todo.Segundo pesquisa do MTur, no primeiro semestre de 2011 as Empresas de Turismo reportaramuma expansão dos negócios em 70%, sendo que 76% dessas Empresas planejavam investimentospara o segundo trimestre, refletindo o bom momento atual e o otimismo para o curto prazo.Entretanto, segundo outro estudo do MTur sobre hábitos de consumo do turista em 2009, dos quecompraram serviços de turismo, apenas 24,5% os fizeram através de Empresas, indicando umgrande potencial de penetração.A região Sudeste concentra 48% das Empresas registradas, seguida pela região Sul com 22%,Nordeste com 16%, Centro-Oeste com 9% e Norte com 5%. Essa distribuição reflete o peso dasregiões como emissores de turistas no país.Há vários subsegmentos de Empresas de Turismo em função da motivação principal do viajante ouda sua posição na cadeia de valor; entretanto, muitas atendem a mais de um segmento como formade minimizar sazonalidades na demanda e também como forma de otimizar estruturas deatendimento e vendas. A seguir, vamos apresentar em breve descritivo de cada um dessessubsegmentos.Agências de Turismo Receptivo Por definição, não trabalham com a emissão de turistas para outras localidades. Restringem-seàrecepção de viajantes e em atividades complementares como reserva de hotéis, tickets para showse eventos, transportes de passageiros e realização de passeios turísticos no destino, sendo parteimportante nos fluxos turísticos doméstico e receptivo internacional. Algumas Empresas de maior 33
  35. 35. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasilporte fecham acordos diretamente com Empresas emissoras nos respectivos países e repassamalguns serviços para as chamadas Receptivas, que organizam apenas translados e passeios.A sazonalidade da demanda no turismo de lazer torna bastante flutuante a receita para essasempresas, sendo agravada nos casos onde a dependência do fluxo receptivo estrangeiro é grande.A diversificação geográfica – atendendo fluxos com sazonalidades complementares – e porsegmento – mercado corporativo e eventos de negócios – é uma alternativa de crescimento para asreceptivas.Agências CorporativasEmpresas focadas no mercado corporativo, com volume maior de transações mas com margensmenores. Algumas empresas oferecem serviços adjacentes às viagens, como gestão do fluxo deviagens para a empresa cliente – caso da Flytour – ou a organização dos eventos corporativos –caso da Belvitur.Segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagem Corporativas (Abracorp), em 2010aproximadamente 75% do faturamento do setor veio da emissão de passagens aéreas. Entretanto,o segmento que mais cresce é o de viagens de incentivos e eventos.Agências exclusivas para o GovernoSegundo o jornal O Estado de S.Paulo, citando o Sistema Integrado de Administração Financeira doGoverno Federal (Siafi), os gastos do governo federal no primeiro trimestre de 2011 com viagens edeslocamentos de funcionários somou R$ 122 milhões. Esse subsegmento tem atraído a atençõesde algumas Empresas que atendem exclusivamente o governo. Entretanto, é um segmentocompetitivo, cujo ciclo de contratação é longo e sob licitação.Agências focadas em Turismo Educacional e IntercâmbioNeste caso, o público alvo é o turista cujo objetivo principal é aprimorar seu conhecimento sobreoutros idiomas, culturas ou obter conhecimento específico em cursos curriculares ou não. As vendassão consultivas, demandando nível de treinamento de pessoal acima da média do setor. Além disso,Empresas são de porte médio para grande, pois exige capacidade de coordenação com equipes deapoio nos vários países envolvidos nos intercâmbios.O número de brasileiros em cursos no exterior tem crescido a uma taxa anual média de 26%,segundo a Belta. Em 2005 contava-se pouco mais de meia centena, ao passo que para 2011 a Beltaestima que sejam ultrapassados os 200 mil. As principais Empresas de intercâmbio são a CI e aSTB, com mais de 60 lojas cada, a Experimento com 28 lojas e a World Study com 16 lojas.Segundo o Valor Econômico, o faturamento das empresas do setor cresceu 40% entre o primeirosemestre de 2010 e o de 2011.Agências de Turismo de Aventura e EcoturismoSegmento onde os produtos são direcionados aos viajantes cuja motivação é de aventura (comalgum nível de risco controlado) de caráter recreativo e também produtos onde a preocupação emnão agredir o meio ambiente é primordial. 34
  36. 36. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilSegundo estudo da EuromonitorInternational(“TravelandTourism Global Overview”, março/2011), acategoria de turismo que mais vai crescer globalmente entre 2010 e 2015 será a de turismo aparques nacionais.Agências ConsolidadorasEstas são Empresasque consolidam serviços junto às cias aéreas e repassam às Empresas demenor porte, que não são credenciadas para este fim.OperadorasDiferentemente das outras Empresas de turismo, as operadoras em geral não mantém contato nemcomercializam com o cliente final, o turista, mas somente com os fornecedores de serviços eprodutos turísticos. Elas adquirem os serviços, elaboram pacotes e os disponibilizam para asEmpresas de Turismo para que sejam comercializados. Entretanto, algumas desenvolvem canais devenda no varejo, como lojas físicas ou canal eletrônico (internet) de vendas.Segundo a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), no seu Anuário 2011,estima-se que seus 86 associados comercializaram 85% dos pacotes turísticos no Brasil 2010 etransportaram aproximadamente 4,8 milhões de viajantes, gerando vendas conjuntas de R$ 7,6bilhões. Pelas estatísticas da Braztoa, o mercado brasileiro total de operadoras teria,consequentemente, gerado vendas de aproximadamente R$ 8,9 bilhões em 2010.Algumas operadoras utilizam lojas como canal de vendas no varejo para seus produtos. O uso desistemas de franquias acelera expansão das lojas, mas pode trazer riscos pela redução do controlesobre o próprio canal de vendas.Organizadores de Feiras e EventosO setor de empresas organizadoras de eventos é caracteristicamente pulverizado e informal,composto por 90% de micro ou pequenas, segundo a Associação Brasileira das Empresas deEventos (ABEOC). Não há estatísticas confiáveis sobre o setor, mas, segundo o “Anuário Brasileirodas Promotoras e Organizadoras de Eventos”, em 2008 havia 6 mil empresas organizando 319 mileventos/ano no país, nem todos relacionados ao turismo.Além disso, há uma grande diversidade em tamanhos, desde empresas iniciadas por ex-funcionários que passam a organizar os eventos corporativos para o antigo empregador, atégrandes como a Reed ExhibitionsAlcantara Machado, joint venture constituída em 2007, quesegundo seu presidente, espera realizar 42 feiras em 2011 e 2012, com investimentos de R$ 100milhões. Em 2011 suas feiras hospedarão 6 mil expositores e receberão 4 milhões de visitantes. Aempresa, que informa ter faturado US$ 150 milhões no Brasil em 2010, ainda segundo seupresidente, tomou a decisão estratégica de diversificar geograficamente, e deve destinar pelo menos25% dos seus negócios para o Nordeste nos próximos anos.Fornecedores do Setor de Turismo: Meios de HospedagemDiferentemente dos meios de transporte, a hotelaria está inteiramente vinculada à demandaturística. Os meios de hospedagem se compõem por hotéis, pousadas e hospedarias, que prestamserviços basicamente para os vários segmentos de turistas. 35
  37. 37. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilSegundo estudo setorial do BNDES, o mercado brasileiro de hotelaria tem baixa concentração,sendo que os 20 maiores grupos de hotelaria por quantidade de quartos, que administram mais de500 hotéis, ofertam apenas 19% das unidades habitacionais hoteleiras.Relatório da Hotel InvestmentAdvisors (HIA) e da Horwath HTL, citados em estudo do BNDES emagosto de 2007, afirma que existiam no Brasil 7.153 hotéis e flats em 2007, totalizando 359 milquartos. Já em julho de 2010, segundo estudo publicado pela Jones Lang LasalleHotels, “Hotelariaem números Brasil 2010”, havia 9.524 hotéis e flats no país (incluindo condo hotéis), totalizando 441mil quartos. Segundo documento do MTur, estão previstos investimentos de R$ 1,9 bilhão emhotelaria até Copa de Mundo de 2014 e um crescimento anual de 7% para onúmero total deestabelecimentos hoteleiros no período.Uma característica importante do fluxo turístico doméstico é o fato, capturado em uma pesquisa daFIPE em 2007, de que a maioria dos turistas brasileiros em viagens de lazer hospeda-se em casade amigos ou parentes, sendo queapenas 23% hospedaram-se em hotéis. No turismo de negócios,por outro lado, a penetração dos hotéis é bem maior, tendo atingido 60% dos viajantes. 36
  38. 38. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilAssim, a segmentação da demanda em 2009, segundo a Jones Lang LaSalle, mostrou umaconcentração de 50% nos clientes corporativos para os hotéis e flats urbanos.Há uma forte concentração de quartos na região Sudeste, com 47%, seguido por Nordeste e Sulcom 21% cada, Centro-Oeste com 8% e Norte com 3%.Em linha com esses dados, o estudo da Jones Lang LaSalle indicou que existiam, em julho de 2010,153 projetos hoteleiros em construção ou em fase adiantada de planejamento e que serão afiliadosàs principais redes hoteleiras que operam no país, adicionando 24.147 novos apartamentos à ofertaatual, concentrados nos segmentos econômico e superior. Isso representaria um acréscimo deapenas 5,5%. 37
  39. 39. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilFornecedores do Setor de Turismo: Meios de TransporteTransporte AéreoAs maiores companhias aéreas operando no mercado doméstico brasileiro, em número de assentosinstalados em dezembro/2011, segundo anuário ANAC 2010, são: TAM com 26.859: Gol: 21.155;Azul: 2.948; Trip: 2.740; Avianca: 1.946; Pantanal: 819 e; Passaredo: 637.Portanto, o transporte aéreo de passageiros no Brasil é bastante concentrado, quase um duopólio,onde as duas empresas principais tiveram, nos vôos domésticos em 2010, 83% e 82% dos assentosquilômetros oferecidos (AKS) e dos passageiros quilômetros transportados, respectivamente,segundo o relatório anual ANAC. Portanto, desempenho dessas duas companhias reflete em grandeparte o que acontece no setor como um todo.Abaixo, alguns dados sobre a Gol Linhas Aéreas: 37% de participação de mercado (jul/2011); Faturamento de quase R$ 7 bilhões em 2010. 115 aeronaves; 18,7 mil funcionários.Dados sobre a líder de mercado, a TAM: 45% de participação de mercado; Faturamento de R$ 9,2 bilhões em 2010; 157 aeronaves em operação.Neste setor, vemos o impacto do crescimento da demanda turística com bastante clareza. Segundoa ANAC, de 2002 a 2010 houve um aumento de 153% no Passageiro Quilômetro PagoTransportado (RPK) (1 RPK = 1 passageiro pagante que voou por 1 km) para vôos domésticos.Também segundo a ANAC, de julho de 2010 a junho de 2011, o preço médio das passagens aéreasno Brasil foi o menor desde o início da série histórica, em 2002, contribuindo para o aumento dademanda.Transporte TerrestreSegundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, o transporte rodoviário depassageiros no Brasil é responsável por uma movimentação superior a 140 milhões deusuários/ano. O transporte rodoviário por ônibus é a principal modalidade de movimentação coletivade usuários nas viagens de âmbito interestadual, segundo o MTur e FGV. Embora perdendomercado ao longo dos últimos anos, conta com um faturamento anual superior a R$ 2,5 bilhões,utilizando 13.400 ônibus, conforme o Anuário Estatístico da ANTT. O desembarque de passageirosem transporte rodoviário coletivo para percursos acima de 75 km, indicador utilizado pelo PlanoNacional de Turismo, mostra uma queda de 12% entre 2004 e 2008. Segundo estudo realizado pelaCâmara Brasileira de Turismo da Confederação Nacional do Comércio, em relação ao transporteturístico, o setor opera hoje com uma demanda a 20% da registrada em 1985. Essa perda é 38
  40. 40. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax Brasilconcomitante não somente com o aumento expressivo do número de veículos licenciados e deveículos locados a partir de 2003, o que poderia explicar parcialmente o comportamento dademanda segundo o MTur e FGV, como também o aumento da oferta e redução das a tarifasaéreas para viagens de longa distância,o que incentivou parte dos viajantes a trocar o ônibus peloavião.Por outro lado, o mercado de locação de veículos vem crescendo com taxas de dois dígitos. Noperíodo de 2003 a 2010, segundo a Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis (ABLA), afrota teve um CAGR de 12% e o faturamento um CAGR de 11%.Em 2010, 56% das locações tiveram como objetivo a terceirização de frota, 24% o turismo denegócios e 20% para o turismo de lazer.Segmentação por classe de demandaEm pesquisa realizada pelo MTur e FIPE em 2007, o lazer foi a motivação principal para viagemdoméstica declarada por cerca de dois terços dos entrevistados, seguida por negócios com 24% eoutros motivos com 9%.Turismo de LazerO turismo de lazer é, por definição, composto por viagens motivadas pela busca do entretenimentoem praias, campo, em cidades com ricos acervos culturais, históricos ou naturais, em parquestemáticos, em resorts que ofereçam serviços especializados ou diferenciados, visitas a parentes eamigos. Há um alto grau de viagens discricionárias nesse segmento, ou seja, a demanda é muitoinfluenciada pela renda disponível das famílias e da atratividade do turismo como consumo. 39
  41. 41. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilSegundo estudo da EuromonitorInternational (“TravelandTourism Global Overview”, março/2011), asvendas no varejo de turismo de lazer a nível global em 2010 foram três vezes maiores que ascorporativas, o que deve se manter até 2015, onde deve atingir aproximadamente US$ 600 bilhões.Em pesquisa do MTur e FIPE, os principais motivos dos turistas nas viagens de lazer domésticasforam: a visita a parentes/amigos; sol e praia; compras pessoais; turismo cultural e; diversãonoturna.Algumas características distinguem o turista doméstico de lazer do de negócios, também levantadaspelo estudo do MTurFIPE: As viagens de lazer usam automóvel em 50% dos casos, enquanto as de negócios em 36%. Em contrapartida, viagens de negócios usamo avião em 22% dos casos, contra apenas 8% das de lazer; Em mais da metade das viagens a lazer o turista se hospeda na casa de amigos e parentes, indicando uma grande oportunidade para o setor hoteleiro; 92% dos turistas alegam não ter usado os serviços das Empresas de Turismo para organizar a sua principal viagem, indicando também uma grande oportunidade para as empresas do setor aumentar sua penetração.Turismo de NegóciosO turismo de negócios trata das viagens onde a motivação seja algum compromisso de naturezaprofissional, o que inclui participação em congressos, seminários, feiras e etc.Em 2007 foram realizadas 37 milhões de viagens domésticas motivadas por negócios, segundo oMTur. O dinamismo do turismo de negócios no Brasil pode ser comprovado pelo desempenho dosegmento corporativo das Empresas de Turismo, incluindo as operadoras. Segundo a pesquisa“Indicadores Econômicos das Viagens Corporativas”, encomendada pela Associação Brasileira deGestores de Viagens Corporativas (ABGEV), o setor de viagens corporativas cresceu 20% em 2010,movimentando R$ 21 bilhões.O mercado crescente tem estimulado a consolidação no Brasil, exemplificada pelo anúncio emnovembro da aquisição de 100% da Net Tour pela CarlsonWagonlitTravel (CWT), a maior empresado mundo de turismo corporativo. Segundo seu presidente em entrevista ao jornal Valor Econômico,coma aquisição a CWT deve faturar em torno de R$ 1,5 bilhão em 2012.Já o fluxo receptor internacional de turistas estrangeiros em viagens de negócios, segundo o MTurbaseado em dados do WTO, veio apresentando uma queda leve a partir de 2005, que se acentuouem 2009, impulsionado principalmente pela crise financeira nos principais países emissores. Em2010 houve uma recuperação nos níveis de entrada de turistas estrangeiros no Brasil, e estudos daMTur e FGV estimam que a proporção relativa a viagens de negócios, que estava em patamares de29% até 2005 e chegou a 23% em 2009, deva retornar gradativamente aos 29%. Além disso, acrescente importância brasileira no contexto econômico mundial, aliada ao crescente número deeventos de negócios internacionais sediados no Brasil, reforça a atratividade do país. 40
  42. 42. A.T. Kearney Ltda. Rua Joaquim Floriano, 72 Cj. 201 55 11 3040 6200 Management Consultants 04534-000 São Paulo-SP 55 11 3168 3709 Fax BrasilEventos de NegóciosO Brasil tem se desenvolvido nos últimos anos como destino de eventos de negócios internacionais.Segundo o InternationalCongressandConventionAsssociation (ICCA), passou de 62 em 2003 para275 eventos em 2010, ocupando por 3 anos a 7ª posição mundial.Apesar de estar concentrada em São Paulo, que sediou 75 eventos em 2010, a quantidade decidades brasileiras nesse grupo passou de 22 para 45 nesse período, caracterizando umadesconcentração, distribuindo os ganhos por outras capitais brasileiras. 41

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