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Sarau da Trindade

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Sarau da Trindade

  1. 1. Sarau da Trindade (cap. XVI) Este episódio evidencia o gosto convencional e fossilizado dos portugueses, dominados por valores caducos, enraizados num sentimentalismo educacional e social ultrapassados. É de enfatizar a total ausência de espírito crítico e analítico da alta burguesia e da aristocracia nacionais e a sua falta de cultura. Exemplo disso são: - Rufino, o orador «sublime», que pregava a «caridade» e o «progresso», representa a «orientação mental» daqueles que o ouviam; a sua retórica vazia e impregnada de artificialismos barrocos e ultra-românticos traduz a sensibilidade literária da época; por outra lado, o seu enaltecimento à nação e à família real revelam uma forma de estar específica daqueles que se querem ver reconhecidos, recorrendo à idolatria em relação a quem os pode promover, o que aliás, é vivamente contestado por Alencar, que desejaria, antes, que «os homens de letras se deviam mostrar como são, filhos da Democracia e da Liberdade»; - Cruges, que tocou Beethoven, representa aqueles (poucos!) que, em Portugal, se distinguiam pelo verdadeiro amor à arte e que, tocando a Sonata Patética, surgiu como alvo de risos mal disfarçados, depois de a marquesa de Soutal dizer que se tratava da «Sonata Pateta», o que o tornaria o «fiasco» da noite; - Alencar declamou «A Democracia», depois de «um manganão gordo» lamentar «que nós, Portugueses», não aproveitávamos a «herança dos nossos avós», revelando um patriotismo eloquente. O poeta aliava, agora, poesia e política, numa encenação exuberante, que traduzia a sua emoção pelo facto de ter ouvido «uma voz saída do fundo dos séculos» e que o levava a querer a República, essa «aurora» que viria com Deus (e os aplausos foram numerosos). C o l é g i o A m o r d e D e u s – C a s c a i s P o r t u g u ê s 1 1 º a n o A n o l e t i v o 2 0 1 3 / 2 0 1 4

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