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A	mulher	na	lírica	camoniana	–	três	exemplos	
Descalça	vai	pera	fonte	
	
Descalça	vai	pera	a	fonte	
Lianor	pela	verdura;	
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CaracterísVcas	_sicas	
Descalça	vai	pera	fonte	
	
•  Vai	fermosa,		
•  nas	mãos	de	prata,	
•  Cabelos	de	ouro	entraçado,	
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CaracterísVcas	psicológicas	
Descalça	vai	pera	fonte	
•  «descalça»	-	confere	um	senVmento	de	liberdade	a	«Lianor»;		
•  «...
Síntese	
							A	mulher	presente	na	lírica	camoniana	obedece	ao	
arquéIpo	petrarquista.	
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Representação da mulher na lírica camoniana

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O retrato da mulher renascentista na lírica camoniana tendo como exemplo três poemas.

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Representação da mulher na lírica camoniana

  1. 1. A mulher na lírica camoniana – três exemplos Descalça vai pera fonte Descalça vai pera a fonte Lianor pela verdura; Vai fermosa, e não segura. Leva na cabeça o pote, O testo nas mãos de prata, Cinta de fina escarlata, Sainho de camalote; Traz a vasquinha de cote, Mais branca que a neve pura. Vai fermosa, e não segura. Descobre a touca a garganta, Cabelos de ouro entraçado, Fita de cor encarnado, Tão linda que o mundo espanta. Chove nela graça tanta, Que dá graça à fermosura. Vai fermosa, e não segura. Um mover d’olhos, brando e piadoso Um mover d’olhos brando e piadoso, Sem ver de quê ; um sorriso brando e honesto, quási forçado; um doce e humilde gesto, de qualquer alegria duvidoso; Um desejo quieto e vergonhoso; um repouso gravíssimo e modesto; ũa pura bondade, manifesto indício da alma, limpo gracioso; Um encolhido ousar; ũa brandura; um medo sem ter culpa; um ar sereno; um longo e obediente sofrimento: Esta foi a celeste formosura da minha Circe, e o mágico veneno que pôde transformar meu pensamento. Endechas a Bárbara escrava Aquela caVva Que me tem caVvo, Porque nela vivo Já não quer que viva. Eu nunca vi rosa Em suaves molhos, Que pera meus olhos Fosse mais fermosa. Nem no campo flores, Nem no céu estrelas Me parecem belas Como os meus amores. Rosto singular, Olhos sossegados, Pretos e cansados, Mas não de matar. U~a graça viva, Que neles lhe mora, Pera ser senhora De quem é caVva. Pretos os cabelos, Onde o povo vão Perde opinião Que os louros são belos. PreVdão de Amor, Tão doce a figura, Que a neve lhe jura Que trocara a cor. Leda mansidão, Que o siso acompanha; Bem parece estranha, Mas bárbara não. Presença serena Que a tormenta amansa; Nela, enfim, descansa Toda a minha pena. Esta é a caVva Que me tem caVvo; E. pois nela vivo, É força que viva.
  2. 2. CaracterísVcas _sicas Descalça vai pera fonte •  Vai fermosa, •  nas mãos de prata, •  Cabelos de ouro entraçado, •  Tão linda que o mundo espanta. •  dá graça à fermosura. Um mover d’olhos, brando e piadoso •  Um mover d’olhos brando •  um sorriso brando •  doce gesto, •  [graciosa]; •  celeste formosura Endechas a Bárbara escrava •  Formosa •  Rosto singular •  Olhos […] pretos •  Pretos os cabelos •  Pele negra (PreIdão de amor) CaracterísVcas comuns: •  Formosa; •  Gestos femininos/ graciosos; •  Importância do olhar e do cabelo.
  3. 3. CaracterísVcas psicológicas Descalça vai pera fonte •  «descalça» - confere um senVmento de liberdade a «Lianor»; •  «não segura» - aparenta insegurança relaVvamente à sua ida à fonte; •  «mãos de prata», «cabelos de ouro» - uVlização de metais nobres que se relacionam com a sua graciosidade e nobreza de espírito; •  «mais branca que a neve pura» - donzela pura, inocente e virginal; •  «cabelos de ouro o trançado» - representa o seu ser reservado, não querendo mostrar a sensualidade dos seus cabelos; •  cores que a caracterizam – representam a sua pureza, vitalidade, jovialidade e sensualidade naturais Um mover d’olhos, brando e piadoso •  honesta; •  «doce e humilde»; •  «desejo quieto e vergonhoso» – espontânea; •  «um repouso gravíssimo e modesto» – modesta; •  «ũa pura bondade» – bondosa; •  «indício da alma, limpo gracioso» – graciosa; •  «encolhido ousar; ũa brandura» – discreta e calma; •  «um ar sereno» – serena; •  «longo e obediente sofrimento» - discreta e sensata: Endechas a Bárbara escrava •  Calma («Olhos sossegados») •  Graciosa («uma graça viva») •  Doce («tão doce a figura») •  Mansa («leda mansidão») •  Sensata («que o siso acompanha») •  Serena («presença serena») CaracterísVcas comuns: •  Graciosidade e nobreza de espírito; •  Doçura; •  Humildade; •  Serenidade; •  Sensatez; •  ModésVa e discrição.
  4. 4. Síntese A mulher presente na lírica camoniana obedece ao arquéIpo petrarquista. Desta forma, fisicamente, tem pele e olhos claros, cabelos louros (exceção feita a “Bárbara escrava”) e faces rosadas. É a sua perfeição exterior que “dá graça à fermosura” e que anuncia a dimensão espiritual igualmente irrepreensível. Assim, psicologicamente, a mulher é caracterizada como serena, humilde, modesta, sensata, sociável, mas simultaneamente comedida e reservada, sendo a sua graciosidade e nobreza de espírito uma constante. Em suma, esta mulher deificada é capaz de exercer um poder mágico/transformador sobre o amado/sujeito poéIco e até mesmo sobre a natureza.

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