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Representação	da	natureza	na	lírica	camoniana	–	dois	exemplos	
A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castan...
Se Helena apartar
Do campo seus olhos
Nascerão abrolhos
A verdura amena,
Gados, que pasceis,
Sabei que deveis
Aos olhos de...
A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza...
A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza...
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A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castan...
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Representação da natureza na lírica camoniana

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Representação da natureza na lírica camoniana tendo em conta os poemas "Se Helena apartar" e "A fermosura desta fresca serra".

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Representação da natureza na lírica camoniana

  1. 1. Representação da natureza na lírica camoniana – dois exemplos A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos ofrece, Me está, senão te vejo, magoando. Sem ti, tudo m’ enjoa e m’ aborrece; Sem ti, perpetuamente estou passando Nas mores alegrias mor tristeza. Se Helena apartar Do campo seus olhos Nascerão abrolhos A verdura amena, Gados, que pasceis, Sabei que deveis Aos olhos de Helena. Os ventos serena, Faz flores de abrolhos O ar dos seus olhos. Faz serras floridas, Faz claras as fontes: Se isto faz nos montes, Que fará nas vidas? Trá-las suspendidas, Como ervas em molhos, Na luz dos seus olhos. Os corações prende Com graça inumana De cada pestana Uma alma lhe pende. Amor se lhe rende E, posto em geolhos Pasma nos seus olhos.
  2. 2. Se Helena apartar Do campo seus olhos Nascerão abrolhos A verdura amena, Gados, que pasceis, Sabei que deveis Aos olhos de Helena. Os ventos serena, Faz flores de abrolhos O ar dos seus olhos. Faz serras floridas, Faz claras as fontes: Se isto faz nos montes, Que fará nas vidas? Trá-las suspendidas, Como ervas em molhos, Na luz dos seus olhos. Os corações prende Com graça inumana De cada pestana Uma alma lhe pende. Amor se lhe rende E, posto em geolhos Pasma nos seus olhos. Mote – introduz o tema do vilancete – o poder transformador de Helena na natureza. Apóstrofe – en>dade a quem o sujeito poé>co se dirige para dar conta do poder que Helena tem sobre a natureza. Os olhos de Helena fazem com que: •  o pasto de transforme em “verdura amena”; •  os ventos sejam mais serenos; •  os espinhos se transformem em flores; •  as serras sejam floridas; •  as fontes tenham águas cristalinas. Interrogação retórica – reforça o poder de Helena, mostrando que este transita da natureza para os humanos.. •  Capacidade de sedução e graciosidade; •  Todos os que a veem trazem as suas vidas suspensas «De cada pestana/Ua alma lhe pende», tendo os corações presos «Os corações prende/com graça inumana»; •  O próprio Amor «se lhe rende» prestando-lhe vassalagem.
  3. 3. A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos ofrece, Me está, senão te vejo, magoando. Sem ti, tudo m’ enjoa e m’ aborrece; Sem ti, perpetuamente estou passando Nas mores alegrias mor tristeza. •  Descrição de uma natureza harmoniosa, propícia ao amor – harmonia eu/natureza – presença da mulher amada. •  Enumeração de elementos que cons>tuem a natureza e que são qualificados e até personalizados. •  Visão obje>va da natureza. U>lização de nomes e de adje)vos de conotação posi>va – caracterização de um espaço alegre e harmonioso.
  4. 4. A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos ofrece, Me está, senão te vejo, magoando. Sem ti, tudo m’ enjoa e m’ aborrece; Sem ti, perpetuamente estou passando Nas mores alegrias mor tristeza. •  A natureza é rara e tem grande variedade, porém esta beleza natural é irrelevante sem a mulher amada – conflito eu/natureza – ausência da mulher amada. •  Inserção de uma terceira personagem «tu», que vem dar um drama>smo e grande subje>vidade ao texto, já que sem ela tudo o «enoja» e «aborrece» e «perpetuamente» passará «nas mores alegrias, mor tristeza». Anáfora e paralelismo – intensificam o estado de espírito do sujeito poé>co que sem a mulher amada vive uma vida de sofrimento e declara que toda a beleza da natureza deixa de exis>r sem a presença do “tu”.
  5. 5. Representação da natureza na lírica camoniana – dois exemplos A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos ofrece, Me está, senão te vejo, magoando. Sem ti, tudo m’ enjoa e m’ aborrece; Sem ti, perpetuamente estou passando Nas mores alegrias mor tristeza. Se Helena apartar Do campo seus olhos Nascerão abrolhos A verdura amena, Gados, que pasceis, Sabei que deveis Aos olhos de Helena. Os ventos serena, Faz flores de abrolhos O ar dos seus olhos. Faz serras floridas, Faz claras as fontes: Se isto faz nos montes, Que fará nas vidas? Trá-las suspendidas, Como ervas em molhos, Na luz dos seus olhos. Os corações prende Com graça inumana De cada pestana Uma alma lhe pende. Amor se lhe rende E, posto em geolhos Pasma nos seus olhos. ü  Representação da natureza associada à expressão do sen>mento amoroso; ü  A presença da amada é crucial para que a beleza da natureza exista; ü  Relação de dependência entre a beleza da natureza (locus amoenus) e a mulher amada; ü  O sujeito poé>co só é sensível à beleza da natureza se a mulher amada es>ver presente ou se se sen>r amado; ü  Relação de correspondência entre a natureza existente e o estado de espírito do sujeito poé>co/ Relação de oposição quando o “eu” sofre por amor.

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