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Leitura analítica e crítica de alguns poetas de autores selecionados para 7ºano

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Leitura analítica e crítica de alguns poetas de autores selecionados para 7ºano

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Leitura analítica e crítica de alguns poetas de autores selecionados para 7ºano

  1. 1. Texto poé)co António Gedeão (1906-1997) Miguel Torga (1907-1995) Alexandre O’Neill (1924-1986) António Ramos Rosa (1924-2013) Sebas)ão da Gama (1924-1952) Eugénio de Andrade (1923-2005) David Mourão Ferreira (1927-1997) Florbela Espanca (1894-1930) Manuel da Fonseca (1911-1993)
  2. 2. Poema do Fecho éclair – António Gedeão Filipe II )nha um colar de oiro )nha um colar de oiro com pedras rubis. Cingia a cintura com cinto de coiro, com fivela de oiro, olho de perdiz. Comia num prato de prata lavrada girafa trufada, rissóis de serpente. O copo era um gomo que em flor desabrocha, de cristal de rocha do mais transparente. Andava nas salas forradas de Arrás, com panos por cima, pela frente e por trás. Tapetes flamengos, combates de galos, alões e podengos, falcões e cavalos. Dormia na cama de prata maciça com dossel de lhama de franja roliça. Na mesa do canto vermelho damasco a _bia de um santo guardada num frasco. Foi dono da terra, foi senhor do mundo, nada lhe faltava, Filipe Segundo. Tinha oiro e prata, pedras nunca vistas, safira, topázios, rubis, ame)stas. Tinha tudo, tudo sem peso nem conta, bragas de veludo, peliças de lontra. Um homem tão grande tem tudo o que quer. O que ele não )nha era um fecho éclair. Nota: (Filipe II teria da viver até aos finais do Séc. XIX para poder ter o seu fecho éclair) Filipe II – rei de Espanha e de Portugal Crí)ca ao facto dos mais afortunados terem tudo e quererem sempre mais, mesmo aquilo que é impossível possuir. Posses de Filipe II Enumeração
  3. 3. Bucólica – Miguel Torga A vida é feita de nadas: De grandes serras paradas À espera de movimento; De searas onduladas Pelo vento; De casas de moradia Caídas e com sinais De ninhos que outrora havia Nos beirais; De poeira; De sombra de uma figueira; De ver esta maravilha: Meu Pai a erguer uma videira Como uma mãe que faz trança à filha. A relação do homem com a terra e os produtos da terra é uma relação essencial, uma relação de carinho e de permanência. Essa permanência humana acontece pela con)nuidade das gerações. São os “nadas” da natureza que dão sen)do à vida. Ideia chave do poema Comparação – reforça o carinho com que o pai fazia “erguer uma videira” tal como uma mãe que amorosamente faz uma trança à filha.
  4. 4. Segredo – Miguel Torga Sei um ninho. E o ninho tem um ovo. E o ovo, redondinho, Tem lá dentro um passarinho Novo. Mas escusam de me atentar: Nem o )ro, nem o ensino. Quero ser um bom menino E guardar Este segredo comigo. E ter depois um amigo Que faça o pino A voar... O sujeito poé)co tem um segredo – conhece o local onde está um ninho com um ovo. Se não revelar a ninguém da existência do ninho, nem o )rar de lá, terá um amigo. Conjunção coordena)va adversa)va – mudança no assunto do poema.
  5. 5. Amigo – Alexandre O’Neill Mal nos conhecemos Inaugurámos a palavra «amigo». «Amigo» é um sorriso De boca em boca, Um olhar bem limpo, Uma casa, mesmo modesta, que se oferece, Um coração pronto a pulsar Na nossa mão! «Amigo» (recordam-se, vocês aí, Escrupulosos detritos?) «Amigo» é o contrário de inimigo! «Amigo» é o erro corrigido, Não o erro perseguido, explorado, É a verdade par)lhada, pra)cada. «Amigo» é a solidão derrotada! «Amigo» é uma grande tarefa, Um trabalho sem fim, Um espaço ú)l, um tempo fér)l, «Amigo» vai ser, é já uma grande festa! Definição de “Amigo” Metáfora – reforça a ideia de que um amigo é um porto seguro, é o sí)o que habitamos, é família. É a essência do ser que oferecemos aos nossos amigos. Expressão parenté)ca – referência aos falsos amigos, mo)vo pelo qual a frase exclama)va adquire maior expressividade. Anáfora – reforça as qualidades do “amigo”.
  6. 6. Para um amigo tenho sempre um relógio – António Ramos Rosa Para um amigo tenho sempre um relógio esquecido em qualquer fundo de algibeira. Mas esse relógio não marca o tempo inú)l. São restos de tabaco e de ternura rápida. É um arco-íris de sombra, quente e trémulo. É um copo de vinho com o meu sangue e o sol. Há sempre tempo para um amigo. Tempo útil. Metáfora – salienta as qualidades de um amigo, fazendo um paralelo com aspetos posi)vos da vida. Referência ao facto dos amigos serem a nossa vida, tal como Cristo um dia disse “Este é o meu sangue”.
  7. 7. O Papagaio – SebasDão da Gama Deixem-no lá, deixem-no lá, o papagaio! Deixem-no lá, bem preso à terra, vibrando! Aos arranques, a fazer tremer a terra, a querer voar pelo ar até per)nho do Céu… Deixem-no lá, deixem-no lá, o papagaio! Deixem-no lá viver a sua inquietação e ser verdade aquela ânsia de fugir. Não lhe cortem o cordel! Poupem o papagaio à dor enorme de cair, papel inú)l, roto, pelo chão. Não lhe ensinem, ao pobre papagaio de papel, que a sua inquietação é a única força que ele tem. Deixem-no lá, naquela ânsia de fuga, no sonho (a que uma navalha pode dar o triste fim) de fazer ninho no Céu: Sempre anda longe da terra, assim, o comprimento do cordel… Deixem-no lá, deixem-no lá, o papagaio de papel!... O sujeito poé)co não quer que o papagaio se solte, mas sim que fique “bem preso à terra,/ vibrando” Se ficar preso à terra, o papagaio poderá viver de forma mais intensa a sua vontade de se soltar, para além disso, não cairá no chão – se se soltasse, acabaria por cair e a sua existência deixaria de fazer sen)do. Frase impera)va afirma)va Frase impera)va nega)va Com as sucessivas frases impera)vas o sujeito poé)co expressa, de forma insistente, o seu pedido de se deixar o papagaio “bem preso à terra” Apesar de estar preso à terra, o papagaio tem alguma liberdade, pois o cordel que o prende é bastante comprido. O papagaio de papel surge personificado, pois são-lhe atribuídas caracterís)cas humanas, nomeadamente, a ansiedade e a capacidade de sonhar. O facto de o papagaio vibrar constantemente e voar “até per)nho do Céu...” simboliza a tendência que nós, seres humanos, temos para querer ser livres, sonhar e ultrapassar os nossos limites, apesar das dificuldades com que nos deparamos. Personificação
  8. 8. Canção – Eugénio de Andrade Tinha um cravo no meu balcão; veio um rapaz e pediu-mo - mãe, dou-lho ou não? Sentada, bordava um lenço de mão; veio um rapaz e pediu-mo - mãe, dou-lho ou não? Dei o cravo e dei o lenço, só não dei o coração; mas se o rapaz mo pedir - mãe, dou-lho ou não? Sujeito poé)co – uma jovem Situação dialogada: •  embora não existam as réplicas da mãe, este poema traduz uma possível conversa que a filha tem com a mãe; •  Voca)vo “mãe” comprova esta situação. Relação de amizade entre a mãe e a filha já que a primeira é confidente da segunda. A úl)ma estrofe reforça a indecisão/medo da jovem em aceder ao pedido do rapaz: •  Sem pedir autorização à mãe, deu ao rapaz um “cravo” e um “lenço” – bens materiais; •  O conselho que pede à mãe prende-se com o receio de dar o que há de mais precioso na vida de qualquer um – o coração – amor.
  9. 9. Urgentemente - Eugénio de Andrade É urgente o amor. É urgente um barco no mar. É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, mul)plicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Apelo A repe)ção deste apelo mostra a urgência/a necessidade de agir rapidamente. O sujeito poé)co apela a que, rapidamente, se construam coisas posi)vas/benéficas, que se edifique o bem através do “amor”, “alegria”, afeto e paz, e se destruam coisas nega)vas/prejudiciais, como o “ódio, solidão e crueldade” e a guerra (simbolizada pelas “espadas”). Anáfora – reforça a premência deste apelo Enumeração – salienta o que é preciso aniquilar Aliteração – sublinha a necessidade de haver ambientes propícios à felicidade através da existência dos elementos idílicos da natureza como as “rosas” e os “rios”. An_tese – reforça a existência de aspetos prejudiciais à felicidade humana. Metáfora – espelha a perturbação e mágoa sen)das pelos sujeito poé)co pela solidão (“silêncio”) e pelo mal (“luz impura”) que existem no mundo.
  10. 10. Não posso adiar o amor – António Ramos Rosa Não posso adiar o amor para outro século não posso ainda que o grito sufoque na garganta ainda que o ódio estale e crepite e arda sob montanhas cinzentas e montanhas cinzentas Não posso adiar este abraço que é uma arma de dois gumes amor e ódio Não posso adiar ainda que a noite pese séculos sobre as costas e a aurora indecisa demore não posso adiar para outro século a minha vida nem o meu amor nem o meu grito de libertação Não posso adiar o coração O sujeito poé)co não pode adiar: •  O amor; •  Os sen)mentos nega)vos inerentes ao amor; •  A vida; •  A liberdade; Obstáculos que podem impedir a concre)zação do seu desejo: •  não conseguir ou não ter liberdade para se exprimir; •  ter de se confrontar com o ódio; •  o tempo que demorará a conseguir a)ngir o seu propósito. Hipérbole – reforça o tempo que poderá demorar a alcançar o seu propósito de vida. Metáfora e enumeração - realçam a força e capacidade destruidora do ódio. Repe)ção e metáfora – salientam a frequência das dificuldades/obstáculos (“montanhas”) com que o sujeito poé)co se poderá deparar para realizar a sua tarefa. Metáfora – sublinha a importância que a liberdade assume na vida do sujeito poé)co.
  11. 11. E por vezes – David Mourão Ferreira E por vezes as noites duram meses E por vezes os meses oceanos E por vezes os braços que apertamos nunca mais são os mesmos E por vezes encontramos de nós em poucos meses o que a noite nos fez em muitos anos E por vezes fingimos que lembramos E por vezes lembramos que por vezes ao tomarmos o gosto aos oceanos só o sarro das noites não dos meses lá no fundo dos copos encontramos E por vezes sorrimos ou choramos E por vezes por vezes ah por vezes num segundo se evolam tantos anos O tom geral do poema tende para a melancolia: •  o sujeito poé)co parece revelar alguma tristeza ao constatar que os momentos felizes passam depressa; •  por oposição, os momentos tristes passam devagar; •  a mudança adquire extrema importância na vida do eu poé)co, na medida em que “por vezes” até as pessoas de quem gostávamos mudam, o que nos faz sofrer. A B B A A B B A B A B B A B Esquema rimá)co Rima interpolada em A e emparelhada em B nas quadras. Rima interpolada em A, cruzada em B nos tercetos e emparelhada em B nos versos onze e doze dos tercetos (quando analisados em conjunto). Escansão de um verso – sílabas mé)cas E / por / ve/zes/ as/ noi/tes/ du/ram/ me/ses Verso decassílabo/decassilábico – dez sílabas métricas Soneto – composição poé)ca cons)tuída por duas quadras e dois tercetos em verso decassilábico. Quanto às classes de palavras a rima é pobre em A (pois rimam iguais classes de palavras) e rica em B, já que rimam diferentes classes de palavras Quanto à fonia a rima é consoante, já que rimam sons consonân)cos e vocálicos. Quanto à acentuação a rima é grave, já que as palavras que rimam são acentuadas na penúl)ma sílaba.
  12. 12. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) do homem comum. 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações/os desejos do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  13. 13. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) do homem comum. 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações/os desejos do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  14. 14. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendos E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  15. 15. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendos E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  16. 16. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendos E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  17. 17. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendos E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  18. 18. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendos E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  19. 19. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendos E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  20. 20. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendos E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  21. 21. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendos E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  22. 22. Ser poeta – Florbela Espanca Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendos E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! Ser poeta é 1. “ser mais alto” (v. 1) 2. “ser maior/ Do que os homens”(vv.1,2) 3. “Morder como quem beija”(v. 2) 4. “ser mendigo e dar como quem seja/, Rei do reino de Aquém e de Além dor” (vv.3,4) 5. “ter de mil desejos o esplendor/ E não saber sequer que se deseja” (vv.5,6) 6. “ter cá dentro um astro que flameja” (v.7) 7. “É ter garras e asas de condor”(v.8) 8. “É ter fome, é ter sede de infinito”(v.9) 9. “[ter] Por elmo as manhãs de oiro e de a solidão. ce)m” (v. 10) 10. “condensar o mundo num só grito” (v. 11) É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e ce)m… É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente… É seres alma e sangue e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente! Ser poeta é a. Aspirar a ir mais além b. Experimentar desejos incontáveis e intensos. c. Não se contentar com as sa)sfações do homem comum d. Não ter nada, exceto a riqueza das experiências por que passou (a “dor”) que se dá aos outros através da poesia. e. Pretender alcançar o infinito. f. Saber suavizar a dor e a brutalidade. g. Saber transformar as vivências e os sen)mentos (o “mundo”) em poesia. h. Ser semelhante a um condor, que tem como caracterís)cas o voo mais alto e a solidão. i. Ter uma vida interior intensa, irradiando luz própria. j. Viver numa batalha constante (a da escrita), defendendo-se com uma arma valiosa (como o “oiro”) e suave (como o “ce)m”) – a imaginação
  23. 23. O Vagabundo do mar – Manuel da Fonseca Sou barco de vela e remo sou vagabundo do mar. Não tenho escala marcada nem hora para chegar: é tudo conforme o vento, tudo conforme a maré… Muitas vezes acontece largar o rumo tomado da praia para onde ia… Foi o vento que virou? foi o mar que enraiveceu e não há porto de abrigo? ou foi a minha vontade de vagabundo do mar? Sei lá. Fosse o que fosse não tenho rota marcada ando ao sabor da maré. É por isso, meus amigos, que a tempestade da Vida me apanhou no alto mar. E agora queira, ou não queira cara alegre e braço forte: estou no meu posto a lutar! Se for ao fundo acabou-se. Estas coisas acontecem aos vagabundos do mar. Caracterização do sujeito poéDco
  24. 24. O Vagabundo do mar – Manuel da Fonseca Sou barco de vela e remo sou vagabundo do mar. Não tenho escala marcada nem hora para chegar: é tudo conforme o vento, tudo conforme a maré… Muitas vezes acontece largar o rumo tomado da praia para onde ia… Foi o vento que virou? foi o mar que enraiveceu e não há porto de abrigo? ou foi a minha vontade de vagabundo do mar? Sei lá. Fosse o que fosse não tenho rota marcada ando ao sabor da maré. É por isso, meus amigos, que a tempestade da Vida me apanhou no alto mar. E agora queira, ou não queira cara alegre e braço forte: estou no meu posto a lutar! Se for ao fundo acabou-se. Estas coisas acontecem aos vagabundos do mar. O sujeito poé)co autodefine-se como “vagabundo do mar”, pois é livre, não tendo imposições de horários e não planeia o futuro, estando, por isso, exposto às dificuldades e aos perigos próprios de uma vida inconstante. Caracterização do sujeito poéDco Símbolo de liberdade Símbolo de proteção Símbolo de espírito aventureiro e errante Perigos e dificuldades incontroláveis que surgem a quem tem um es)lo de vida aventureiro e livre. Encara essa situação sem preocupação, com naturalidade e conformação. “O vagabundo do mar” é um poema que se baseia numa metáfora. A suposta viagem de barco que é descrita espelha, na verdade, o trajeto de uma vida.

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