Jantar dos Gouvarinho

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Jantar dos Gouvarinho

  1. 1. Crónica de Costumes: O jantar em Casa dos Gouvarinhos Capítulo V - o primeiro jantar na casa dos Gouvarinhos Na obra “Os Maias”, encontramos dois jantares em casa dos Gouvarinhos, o primeiro situa-se no capítulo V. Neste capítulo há a caracterização de uma certa camada social e da sociedade portuguesa em geral, principalmente a entrada interessante do Conde Gouvarinho, que é a personificação do político imbecil “O Conde passou os dedos pela testa, com um ar quase angustioso: não se lembrava de nada disso! Queixou-se logo amargamente da sua falta de memória. Uma coisa tão indispensável em quem segue a vida pública, a memória! E ele, desgraçadamente, não possuía nem um átomo”. Capítulo XII - o segundo jantar na casa dos Gouvarinhos Outro jantar em casa dos Gouvarinhos que assume grande destaque situa-se no capítulo XII, sendo este o jantar que vamos analisar de forma aprofundada. O objetivo deste jantar (capítulo XII) é reunir a alta burguesia e aristocracia, apresentando a ignorância das classes dirigentes que revelam incapacidade de diálogo e manifestam falta de cultura, “Os desconfortos da vida, segundo ele, tinham começado com a libertação dos negros”. Durante o jantar, Gouvarinho e Sousa Neto discutem. O primeiro, que vai ser ministro, revela imensa ignorância, “posso afirmar que não há hoje colónias nem mais susceptíveis de riqueza, nem mais crentes no progresso, nem mais liberais do que as nossas!”, não compreendendo a ironia de Ega. É retrógrado, tem lapsos de memória, “Agora me lembro… Esta minha desgraçada memoria”, comenta muito desfavoravelmente as mulheres e não acaba nenhum assunto, “O conde sorria com superioridade”. Sousa Neto desconhece o sociólogo Proudhon, é deputado, não entra nas discussões e acata pacificamente as opiniões alheias. Defende a imitação do estrangeiro, acompanha as conversas sem intervir e defende a literatura de folhetins, de cordel. O jantar em casa do Conde Gouvarinho permite através das falas e atitudes das personagens, mostrar a degradação dos valores sociais, “Isto é um país desgraçado”, o atraso intelectual do país, “Creio que não há nada de novo em Lisboa, minha senhora, deste a morte do Senhor D. João VI”, a mediocridade mental de algumas figuras da alta burguesia e da aristocracia, principalmente o Conde Gouvarinho e também Sousa Neto, “Durante um momento o C o l é g i o d o A m o r d e D e u s – C a s c a i s P o r t u g u ê s 1 1 º a n o A n o l e t i v o 2 0 1 3 / 2 0 1 4
  2. 2. Sr. Sousa Neto ficou desorganizado”. Estas personagens emitem duas diferentes opiniões sobre a educação da mulher, a do Conde Gouvarinho, “o lugar da mulher era junto do berço, não na biblioteca…” e a do Sousa Neto, “Uma senhora, sobretudo quando ainda é nova, deve ter algumas prendas”. Sousa Neto é representante da administração pública e demonstra-se superficial nas suas intervenções. Eça usa Sousa Neto para mostrar como se encontra a cultura dos altos funcionários do estado, “E de repente calou-se, embaraçado, levando a chávena aos lábios”. O exemplo disso é quando Ega percebe que Sousa Neto não sabe nada sobre o socialismo utópico de Proudhon, “Sr. Sousa Neto, sabe o que diz Proudhon? Não me recordo textualmente, mas…”, e que nem é capaz de manter um diálogo decente, “É meu costume, Sr. Ega, não entrar nunca em discussões, e acatar todas as opiniões alheias, mesmo quando elas sejam absurdas”. Sousa Neto ainda manifesta a sua curiosidade e interesse em relação aos países estrangeiros, mostrando o seu aprisionamento cultural confinado às terras portuguesas. Moda Eça faz referência às vestimentas de algumas personagens, tal como mencionámos anteriormente, no jantar do Hotel central, pois, era uma forma de criticar aquilo que personagem simbolizava no enredo. Em relação aos homens, estes usavam paletós, fatos e botas, “encontrou o Ega no seu quarto, metido num fato de cheviote claro”, “ deu um olhar descontente ao seu jaquetão claro e às botas com mau verniz”, “acabando de abotoar o paletó”. O monóculo era um acessório que fazia parte da rotina dos homens daquela época, “Ega de monóculo no olho”, que também possuíam barba e bigode, “Passou uma escova pelo bigode”, “um cavalheiro alto, grave, com uma barba rala”. As mulheres eram requintadas, finas e vaidosas, usavam vestidos, joias, luvas, leques e chapéus, “A condessa vestida de preto, com uma tira de veludo em volta do pescoço, picada de três estrelas de diamantes”, “perguntou ela, abrindo o seu grande leque preto” e “sentada no sofá, de chapéu, tirando as luvas”. Ega regressou a Lisboa de uma viagem com os Gouvarinhos e queria saber como ia o namoro de Carlos com a Condessa, por isso, transmitiu-lhe o convite para jantarem na segunda-feira na casa dos Gouvarinhos. Antes de ir para o jantar Carlos teve com a condessa, mas esse encontro não foi muito agradável, devido a beijos frios e recriminações inúteis. A caminho do jantar Ega pergunta a Carlos o que é que significava para ele aquele namoro com a condessa brasileira, mas Ega já tinha ouvido uma versão do Dâmaso que não era muito explícita. Carlos abre-se um pouco com amigo, mas não conta os seus verdadeiros sentimentos em relação à brasileira. No jantar, Carlos, fica com receio de Dâmaso e da condessa Gouvarinho, porque eles tentam esclarecer a relação que Carlos tem com a brasileira, mas ele consegue desviar as suspeitas, que vai originar uma manhã de forçado amor com ela no dia seguinte.

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