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Análise de um conto

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Análise de um conto da literatura tradicional oral

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Análise de um conto

  1. 1. Um pai 'nha um filho muito travesso e estroina e sabia que a grande fortuna que lhe deixava, ele a espa'faria toda, devido à sua má cabeça. Assim, quando morreu, deixou-lhe um falcão, dizendo que, ainda que se visse muito necessitado, nunca o vendesse, mas se acontecesse de o vender, que lhe deixava uma carta fechada e que não a abrisse senão depois de ter perdido todas as esperanças de melhorar de fortuna. O velho morreu e o filho começou logo a gastar. Vendeu quintas, casa, fez dívidas, ficou por fiador de amigos, meteu-se em empresas, e quando menos se precatou achou-se sem nada. Restava-lhe ainda o falcão, que o pai recomendara que nunca vendesse. Porém, como se achasse em grandes apuros, não fez caso da vontade do pai e mandou oferecer o falcão ao rei, que lho comprou. Mas o dinheiro do falcão não chegou senão para alguns dias, acabando por gastá-lo no jogo, onde 'nha ficado a melhor parte da sua fortuna. O rapaz, atrapalhado da sua vida, e vendo-se sem nada, começou a procurar todos os amigos com quem 'nha gastado e todos lhe viraram as costas. Foram tantas as ingra'dões e o descaramento dos que lhe 'nham ajudado a desbaratar a fortuna que o rapaz perdeu o gosto da vida e entendeu que o único remédio que lhe restava era matar-se. Foi então que se lembrou que 'nha uma carta do pai, que ainda estava fechada, e antes de morrer lembrou-se de querer ver o que ela dizia. Abriu a carta, e dentro estava uma chave, e dizia-lhe a rua a que ele devia ir e a casa em que aquela chave servia para abrir a porta, e que lá estaria pendurada numa trave uma corda e, já que estava sem esperanças nenhumas, que se enforcasse já ali. Como o rapaz pensava assim, aceitou o conselho do pai pela primeira vez, e foi logo à tal rua. Lá deu com a casa, abriu a porta e fechou-se por dentro. Subiu a escada e chegou a uma velha sala, onde encontrou a corda pendurada. Não se pôs com mais reflexões e, quando começou a puxar a corda para ver se estava segura, a corda abriu um falso que estava no tecto e começaram a cair moedas de ouro. Ficou o rapaz admirado, juntou o dinheiro e já não se quis matar. Mas também dali em diante nunca mais desbaratou dinheiro, viveu com juízo e desprezou os amigos que na sua desgraça lhe 'nham virado costas. Contos populares Portugueses (organização e prefácio de Viale Mou'nho) Análise de um conto popular
  2. 2. Um pai 'nha um filho muito travesso e estroina e sabia que a grande fortuna que lhe deixava, ele a espa1faria toda, devido à sua má cabeça. Assim, quando morreu, deixou-lhe um falcão, dizendo que, ainda que se visse muito necessitado, nunca o vendesse, mas se acontecesse de o vender, que lhe deixava uma carta fechada e que não a abrisse senão depois de ter perdido todas as esperanças de melhorar de fortuna. O velho morreu e o filho começou logo a gastar. Vendeu quintas, casa, fez dívidas, ficou por fiador de amigos, meteu-se em empresas, e quando menos se precatou achou-se sem nada. Restava-lhe ainda o falcão, que o pai recomendara que nunca vendesse. Porém, como se achasse em grandes apuros, não fez caso da vontade do pai e mandou oferecer o falcão ao rei, que lho comprou. Mas o dinheiro do falcão não chegou senão para alguns dias, acabando por gastá-lo no jogo, onde 1nha ficado a melhor parte da sua fortuna. O rapaz, atrapalhado da sua vida, e vendo-se sem nada, começou a procurar todos os amigos com quem 'nha gastado e todos lhe viraram as costas. Foram tantas as ingra'dões e o descaramento dos que lhe 'nham ajudado a desbaratar a fortuna que o rapaz perdeu o gosto da vida e entendeu que o único remédio que lhe restava era matar-se. Foi então que se lembrou que 'nha uma carta do pai, que ainda estava fechada, e antes de morrer lembrou-se de querer ver o que ela dizia. Abriu a carta, e dentro estava uma chave, e dizia-lhe a rua a que ele devia ir e a casa em que aquela chave servia para abrir a porta, e que lá estaria pendurada numa trave uma corda e, já que estava sem esperanças nenhumas, que se enforcasse já ali. Como o rapaz pensava assim, aceitou o conselho do pai pela primeira vez, e foi logo à tal rua. Lá deu com a casa, abriu a porta e fechou-se por dentro. Subiu a escada e chegou a uma velha sala, onde encontrou a corda pendurada. Não se pôs com mais reflexões e, quando começou a puxar a corda para ver se estava segura, a corda abriu um falso que estava no tecto e começaram a cair moedas de ouro. Ficou o rapaz admirado, juntou o dinheiro e já não se quis matar. Mas também dali em diante nunca mais desbaratou dinheiro, viveu com juízo e desprezou os amigos que na sua desgraça lhe 'nham virado costas. Contos populares Portugueses (organização e prefácio de Viale Mou'nho) Caracterização da personagem principal - “travesso e estroina”; “a grande fortuna que lhe deixava, ele a espa'faria toda, devido à sua má cabeça” – era inconsciente rela'vamente à vida, não 'nha/não sabia ter responsabilidades; gastou toda a fortuna que o pai lhe deixou - desobediência; gostava de jogar e perdia todo o seu dinheiro dessa forma; procura ajuda, não consegue viver sem dinheiro e sem o apoio dos amigos, assim “perdeu o gosto da vida” ao constatar que está sozinho e sem nada; é psicologicamente fraco e não consegue ultrapassar as adversidades da vida, pois quando os problemas surgem a solução que encontra é suicidar- -se; tem uma alteração de a'tude após a lição de vida que o seu pai lhe deu, começando a ter uma vida regrada e escolhendo melhor as suas amizades
  3. 3. Um pai 'nha um filho muito travesso e estroina e sabia que a grande fortuna que lhe deixava, ele a espa1faria toda, devido à sua má cabeça. Assim, quando morreu, deixou-lhe um falcão, dizendo que, ainda que se visse muito necessitado, nunca o vendesse, mas se acontecesse de o vender, que lhe deixava uma carta fechada e que não a abrisse senão depois de ter perdido todas as esperanças de melhorar de fortuna. O velho morreu e o filho começou logo a gastar. Vendeu quintas, casa, fez dívidas, ficou por fiador de amigos, meteu-se em empresas, e quando menos se precatou achou-se sem nada. Restava-lhe ainda o falcão, que o pai recomendara que nunca vendesse. Porém, como se achasse em grandes apuros, não fez caso da vontade do pai e mandou oferecer o falcão ao rei, que lho comprou. Mas o dinheiro do falcão não chegou senão para alguns dias, acabando por gastá-lo no jogo, onde 1nha ficado a melhor parte da sua fortuna. O rapaz, atrapalhado da sua vida, e vendo-se sem nada, começou a procurar todos os amigos com quem 1nha gastado e todos lhe viraram as costas. Foram tantas as ingra1dões e o descaramento dos que lhe 1nham ajudado a desbaratar a fortuna que o rapaz perdeu o gosto da vida e entendeu que o único remédio que lhe restava era matar-se. Foi então que se lembrou que 'nha uma carta do pai, que ainda estava fechada, e antes de morrer lembrou-se de querer ver o que ela dizia. Abriu a carta, e dentro estava uma chave, e dizia-lhe a rua a que ele devia ir e a casa em que aquela chave servia para abrir a porta, e que lá estaria pendurada numa trave uma corda e, já que estava sem esperanças nenhumas, que se enforcasse já ali. Como o rapaz pensava assim, aceitou o conselho do pai pela primeira vez, e foi logo à tal rua. Lá deu com a casa, abriu a porta e fechou-se por dentro. Subiu a escada e chegou a uma velha sala, onde encontrou a corda pendurada. Não se pôs com mais reflexões e, quando começou a puxar a corda para ver se estava segura, a corda abriu um falso que estava no tecto e começaram a cair moedas de ouro. Ficou o rapaz admirado, juntou o dinheiro e já não se quis matar. Mas também dali em diante nunca mais desbaratou dinheiro, viveu com juízo e desprezou os amigos que na sua desgraça lhe 'nham virado costas. Contos populares Portugueses (organização e prefácio de Viale Mou'nho) Herança do pai - Deixou-lhe um falcão, mas pediu-lhe que nunca se desfizesse do animal, todavia se tal acontecesse deixava-lhe uma carta para que ele abrisse quando 'vesse esgotado todas as suas esperanças. Consequências da sua vida desregrada - O rapaz vê-se sem nada/dinheiro e percebe que aqueles que ele julgara serem seus amigos não o eram na verdade, já que não o ajudaram quando ele precisava; A vida do rapaz 'nha sido um engano, pois 'nha-se visto rodeado de pessoas que se diziam seus amigos, mas que estavam unicamente interessados no seu dinheiro; “Perdeu o gosto da vida”.
  4. 4. Um pai 'nha um filho muito travesso e estroina e sabia que a grande fortuna que lhe deixava, ele a espa1faria toda, devido à sua má cabeça. Assim, quando morreu, deixou-lhe um falcão, dizendo que, ainda que se visse muito necessitado, nunca o vendesse, mas se acontecesse de o vender, que lhe deixava uma carta fechada e que não a abrisse senão depois de ter perdido todas as esperanças de melhorar de fortuna. O velho morreu e o filho começou logo a gastar. Vendeu quintas, casa, fez dívidas, ficou por fiador de amigos, meteu-se em empresas, e quando menos se precatou achou-se sem nada. Restava-lhe ainda o falcão, que o pai recomendara que nunca vendesse. Porém, como se achasse em grandes apuros, não fez caso da vontade do pai e mandou oferecer o falcão ao rei, que lho comprou. Mas o dinheiro do falcão não chegou senão para alguns dias, acabando por gastá-lo no jogo, onde 1nha ficado a melhor parte da sua fortuna. O rapaz, atrapalhado da sua vida, e vendo-se sem nada, começou a procurar todos os amigos com quem 1nha gastado e todos lhe viraram as costas. Foram tantas as ingra1dões e o descaramento dos que lhe 1nham ajudado a desbaratar a fortuna que o rapaz perdeu o gosto da vida e entendeu que o único remédio que lhe restava era matar-se. Foi então que se lembrou que 'nha uma carta do pai, que ainda estava fechada, e antes de morrer lembrou-se de querer ver o que ela dizia. Abriu a carta, e dentro estava uma chave, e dizia-lhe a rua a que ele devia ir e a casa em que aquela chave servia para abrir a porta, e que lá estaria pendurada numa trave uma corda e, já que estava sem esperanças nenhumas, que se enforcasse já ali. Como o rapaz pensava assim, aceitou o conselho do pai pela primeira vez, e foi logo à tal rua. Lá deu com a casa, abriu a porta e fechou-se por dentro. Subiu a escada e chegou a uma velha sala, onde encontrou a corda pendurada. Não se pôs com mais reflexões e, quando começou a puxar a corda para ver se estava segura, a corda abriu um falso que estava no tecto e começaram a cair moedas de ouro. Ficou o rapaz admirado, juntou o dinheiro e já não se quis matar. Mas também dali em diante nunca mais desbaratou dinheiro, viveu com juízo e desprezou os amigos que na sua desgraça lhe 'nham virado costas. Contos populares Portugueses (organização e prefácio de Viale Mou'nho) Moral: •  Não devemos “desbaratar” o nosso dinheiro sem pensar no dia de amanhã; •  Por vezes precisamos de chegar ao limite, para percebermos o quão errada a nossa vida tem sido e alterá- la; •  As lições mais duras são aquelas que nos fazem crescer; •  Todos merecemos uma segunda oportunidade.

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