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Opinião | Falas da Terra
AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS
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Acreditar que é possível cuidar do planeta, compensa

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Só concebo uma sociedade inteiramente livre e justa aquela em que ao Estado esteja possibilitada a
gestão de empresas estratégicas de cariz monopolista, como seja o caso da electricidade, energia,
águas e das mais variadas infra-estruturas, por forma a que este possa fazer alguma redistribuição de
riqueza e evitar rupturas nos sectores estratégicos.

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Acreditar que é possível cuidar do planeta, compensa

  1. 1. 58 O Instalador Mar'16 www.oinstalador.com Opinião | Falas da Terra AMBIENTE E ENERGIAS RENOVÁVEIS Acreditar que é possível cuidar do planeta, compensa Texto_João Paulo Soares [Consultor] Só concebo uma sociedade inteiramente livre e justa aquela em que ao Estado esteja possibilitada a gestão de empresas estratégicas de cariz monopolista, como seja o caso da electricidade, energia, águas e das mais variadas infra-estruturas, por forma a que este possa fazer alguma redistribuição de riqueza e evitar rupturas nos sectores estratégicos. O que assistimos numa aldeia global é a completa ruptura das soberanias dos Estados no sentido de as empresas multinacionais derrubarem por debilidades legais, a segurança alimentar, a segurança energética e outros sectores produtivos para obtenção de mais riqueza e monopólio. Mais grave ainda a justiça ambiental, a condição de género, o especismo e o racismo ambiental perpetuam-se como problemas insolúveis, numa sociedade tendencialmente escolarizada. A corrupção, mais que sistémica, é quase condição de sobrevivência. Os 98% de cidadãos não detentores de riquezas multi- milionárias, são subjugados, vivem em vidas rotineiras semi-consumistas e estão escravi- zados ao máximo. O cidadão comum mais informado é perseguido e vigiado, a maioria baixa os braços, abstém-se, outros votam em branco e, em geral, no seu dia-a-dia, é convidado a participar no telelixo, incenti- vando a mediocridade e a intolerância. Recentemente a Greenpeace Brasil denunciou um empresário envolvido em negócios de madeira ilegal e que administra um canal de TV aberta. Denuncia ainda políticos que manipulam o eleitorado numa guerra de jornais e aponta o dedo também às mineradoras, que mantêm o monopólio da comunicação nos municípios do interior da Amazónia. Estranho e contraditório este mundo que em poucos anos retirou milhões de pessoas de doenças mortais, aumentando a sua esperança de vida e que assistiu tam- bém a mudanças positivas no acesso ao ensino e isso criou expectativa de mais de- mocracia, estabeleceu-se, contudo, focos político-económicos de neo-feudalismo, acentuados pela criação de mega-aglo- meração de bancos, mega-aglomeração de seguradoras e mega-aglomeração de multinacionais. Os efeitos mais dramáticos deste neo- -feudalismo são, nomeadamente, a bolha imobiliária, a bolha dos cereais, a bolha dos géneros petrolíferos e a especulação do dinheiro digital, criando clivagens sócio-e- conómicas muito desiguais, mais pobreza, mais precariedade emais crimes ambientais. Estes fenómenos constituem barreiras para o desenvolvimento sustentável, questionam a própria sobrevivência do Homo sapiens e além disso a biodiversidade está a ser diminuída e quase levada à extinção. Na minha perspectiva a resolução para travar os ímpetos de imperialismo passará pelo reforço e o uso institucional do diálogo, do entendimento profundo e da negociação mais transparente em todas as áreas, de modo a que o futuro seja melhor e sustentá- vel, começando desde já a desfrutá-lo. A segurança alimentar é, actualmente, um dos principais problemas que o Planeta enfrenta

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