Monografia Fátima Pedagogia 2012

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Pedagogia 2012

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Monografia Fátima Pedagogia 2012

  1. 1. 1 MARIA DE FÁTIMA SOUZA OLIVEIRALETRAMENTO NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: PROFESSORES E SUAS PRÁTICAS METODOLÓGICAS Monografia apresentada como pré requisito para conclusão de curso de licenciatura em pedagogia, habilitação e docência em processos educativos, da Universidade do Estado da Bahia- UNEB, Departamento de Educação- Campus Vll. Orientador: Profº Pascoal Eron Santos de Souza SENHOR DO BONFIM 2012
  2. 2. 2 MARIA DE FÁTIMA SOUZA OLIVEIRA LETRAMENTO NAS SÉRIES FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: PROFESSORES E SUAS PRÁTICAS METODOLOGICASAprovada em ______/______/______ _______________________________ Avaliador _______________________________ Avaliador ___________________________________ Pascoal Eron Santos de Souza Orientador SENHOR DO BONFIM 2012
  3. 3. 3 AGRADECIMENTOSA Deus, ser supremo de todo o universo e dono de todas as coisas visíveis einvisíveis que restabelece e revigora as nossas forças e ânimo, quando as vezespensamos em desistir da caminhada, a Ele toda honra, toda glória e todo louvor parasempre.A nossa Senhora de Fátima minha mãe celestial, e intercessora, a quem tenho comodevoção e modelo de mãe, filha, e esposa.Agradeço de modo fraternal, a toda a minha família,e com singular afeto as minhasirmãs Luciana e Cristiana pelo apoio e incentivo, durante essa jornada, e de umaforma especial ao meu esposo Freitas,pela paciência “as vezes”,apoio,compreensão e colaboração com o transporte para chegar até a universidade.Expresso de forma carinhosa o meu sincero agradecimento a todos os meus amigosda turma pedagogia 2008.1por me acrescentarem saberes e experiências duranteesses 4 anos em que estivemos juntos sujeitos aos mesmos desafios, lutas, vitóriase rumo aos mesmos objetivos.Agradeço a compreensão também dos colegas detrabalho pelas vezes em que precisei me ausentar durante esse processo de TCC,aos outros pela compreensão durante o tempo em que me mantive ausente nasrodas de conversas e bate papo.Sou grata de uma maneira particular e especial a minha amiga e companheira dejornada, caminhada,trabalho e de todas as horas, Joseneide Barbosa , com quemsei que posso contar sempre, com a sua linda sincera e genuína amizade,você foipedra angular e fundamental nesta caminhada.Agradeço de um modo especial ainda e admirável ao meu orientador pascoal Eronsem o qual a realização desse trabalho se tornaria mais difícil,pois pude contar coma sua colaboração,paciência,compreensão e seu tempo, todas as vezes em queprecisei ser orientada, presencialmente , via email, ou telefone,sem subterfúgios.Não teria palavras para descrevê-lo,pois é um grande exemplo de sabedoria,simplicidade e humildade o que o torna uma pessoa especial,um profissionalsingular,um modelo e referencial de Educador extraordinário,e indescritível.E por fim aqueles que contribuíram direto ou indiretamente para a concretizaçãodesse trabalho,minha sincera gratidão.
  4. 4. 4“Começar a dizer nunca é tarefa simples. E começar a escrevertorna-se trabalho árduo e duplamente complexo” (TFOUNI)“Quem se perde apenas na leitura dos textos dictomizada domundo,e do contexto dos textos, se esborrachaconstantemente.É preciso ter a sensibilidade, a capacidade deler o mundo e não de ler os textos” (PAULO FREIRE)
  5. 5. 5 RESUMOEste estudo apresenta algumas reflexões sobre as contribuições das práticasmetodológicas dos professores das séries finais do Ensino Fundamental para oprocesso de formação de sujeitos letrados. A pesquisa que deu origem a estetrabalho foi desenvolvida na Escola Antônio Bastos, situada em Missão do Sahy nomunicípio de Senhor do Bonfim-Ba. Os fundamentos teóricos que embasam estetexto foram construídos a partir da obra de autores como Soares (2006), Kleiman(2005), Freire (2006) Cagliari (1996) e outros. A metodologia utilizada foi de cunhoqualitativo, escolhendo como instrumentos de coleta de dado o questionário fechadoe a entrevista semi-estruturada. Os sujeitos da pesquisa foram os professores doEnsino Fundamental da escola acima mencionada. Pode-se considerar que emboraainda reine algumas confusões referentes aos conceitos de letramento, na maioriadas práticas dos professores, há contribuições para tornar os alunos letrados; noentanto, um dos maiores desafios que a escola precisa enfrentar é possibilitarcondições ao sujeito de ser capaz de fazer uso da leitura e escrita em práticassociais, sendo necessário o seu domínio pleno e a habilidade de interpretar, fazendouso da leitura, respondendo às exigências para inserir-se no mundo letrado.Palavras–chave: Práticas metodológicas, Ensino fundamental, Letramento eAlfabetização.
  6. 6. 6 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ............................................................................................................ 7CAPITULO I: PROBLEMATIZAÇÃO ......................................................................... 9CAPITULO II:FUNDAMENTOS TEÓRICOS ............................................................ 19 2.1 Letramento: que palavra é essa? ............................................................. 19 2.2 Práticas metodológicas: como se forma leitores? ..................................... 26 2.3 Falando um pouco sobre a educação básica ........................................... 31CAPÍTULO III: METODOLOGIA ............................................................................... 38 3.1 Instrumentos da Pesquisa ........................................................................ 40 3.1.1 Entrevista ............................................................................................... 40 3.2 Lócus da pesquisa .................................................................................... 41 3.3 Sujeitos da pesquisa ................................................................................. 41CAPÍTULO IV: ANALISANDO E INTERPRETANDO OS RESULTADOS ............... 43 4.1 Perfil dos sujeitos ................................................................................... 43 4.2 Análises das Entrevistas ........................................................................ 45 4.2.1 A compreensão que os docentes tem sobre Alfabetização e Letramento ........................................................................................... 46 4.2.2 A quem cabe a tarefa de alfabetizar: ........................................... 48 4.2.3 Alunos que chegam nas séries finais do Ensino Fundamental sem dominar a Leitura e a Escrita: .............................................................. 50 4.2.4 Práticas metodológicas dos professores que contribuem para o letramento ............................................................................................ 57 4.2.5 Como a escola tem contribuído para o letramento dos alunos ... 62 4.2.6 Algumas considerações dos nossos entrevistados sobre as práticas metodológicas, seus objetivos e a importância do letramento para a formação dos nossos alunos..................................................... 685 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 75REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 78APÊNDICES...............................................................................................................81
  7. 7. 7 INTRODUÇÃO A reflexão sobre o emprego do letramento vem ganhando espaço e vemsendo de fundamental importância, para uma aprendizagem significativa, merecendoum olhar mais acentuado para práticas de ensino que levem o aluno a se inserir empráticas de leitura e escrita de forma competente e autônoma, o que simplesmenteler e escrever não possibilitam. Ensinar a ler e a escrever dentro desse contexto deLetramento ainda constitui um desafio, uma vez que ainda se traz marcas de umensino voltado para práticas mecânicas que em nada ajudavam o aluno a serprodutor do seu próprio conhecimento, não sendo capaz de interpretar o que lê, masao contrário serviu muito para que ele apenas reproduzisse o que aprendeu. Neste sentido, a inquietação e o interesse por desenvolver este trabalhosurgiu no período de observação do estágio nas séries iniciais do ensinofundamental no 7º semestre onde foi possível perceber a inexistência de práticaspedagógicas voltada para o trabalho na perspectiva do letramento, das crianças e apartir daí outra inquietação, saber como se dá o trabalho com o letramento nasséries finais do ensino fundamental. Dentro deste enfoque, é que este trabalho se direciona, a partir daproblemática que é saber qual a compreensão que os professores da escolamunicipal Antônio Bastos de Miranda em Missão do Sahy comunidade situada a 8quilômetros de Senhor do Bonfim, tem sobre ensinar letrando e suas intervençõespedagógicas para a viabilização desta proposta. Diante disso, pretendemos descobrir como se dá esse processo, e podercontribuir para que práticas de aprendizagem significativa venha ocorrer mais noensino e aprendizagem. Autores a exemplo de Soares (2006), Kleiman (2005), Freire( 2006) sãoalguns entre outros que se destacam para ratificar e respaldar o nosso estudo noque se refere a letramento.Sobre formação de leitores buscaremos subsidio emDelia Lenner (2002), Arroyo (2011), Cagliari (1998), outros... e para falar sobre oensino Fundamental buscaremos nos respaldar primordialmente nos ParâmetrosCurriculares Nacionais (PCNs) outros.
  8. 8. 8 Este trabalho está constituído com quatro capítulos, sendo que no primeirotemos a explanação mais ampla do que vem a ser letramento, buscando responderatravés das etapas que serão percorridas, o problema em questão. No segundocapitulo trazemos para discussões alguns teóricos que fundamentam o nossoestudo. No terceiro capitulo trazemos os caminhos percorridos a metodologia, e osnossos instrumentos de coleta de dados.No quarto, apresentamos a interpretaçãodos resultados da nossa pesquisa, e por fim algumas considerações.
  9. 9. 9 CAPITULO I1 PROBLEMATIZAÇÃO Falar sobre o contexto educacional fazendo abordagens sobre o processo deensino aprendizagem atrelado à pratica educativa, não é tarefa fácil,ao mesmotempo que parece ser redundante diante da explanação sobre o assunto por váriosautores que tem bastante competência para discutir determinados temas. No entanto, faz-se necessário cada vez mais estudos significativos, quecontribuam através de práticas educativas concretas, aprendizagens significativasde forma que possibilitem a inserção do sujeito na sociedade, de maneiracompetente, critica e autônoma. A importância da leitura e da escrita na escola, é um fator importante quemove todo o sistema educacional a fim de possibilitar o aluno a adquirir essashabilidades de forma que ele seja capaz de exercer essas funções de maneiraeficiente nas mais variadas situações em que se faz exigência. Embora seja um dos principais objetivos da escola, levar o aluno ler eescrever com eficácia, ainda percebemos que muito precisa ser feito em relação àaquisição dessas habilidades por parte do aluno e conseqüentemente por parte daescola e de todos os envolvidos no sistema de ensino, pois não é satisfatório ainda,o nível de leitura que apresentam os nossos alunos, demonstrando dificuldades dese inserir em práticas sociais de leitura e escrita, na sociedade em que vive,ou seja,sem um nível de letramento. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) 2001 apontam que: Sabe-se que os índices brasileiros de repetência nas series iniciais,inaceitáveis mesmo em países muito pobres, estão diretamente ligados à dificuldade que a escola tem de ensinar a ler e a escrever. Essa dificuldade expressa-se com clareza nos dois gargalos em que se concentra a maior parte da repetência:no fim da primeira serie(ou mesmo das duas primeiras) e na quinta serie.No primeiro, por dificuldade em alfabetizar;no segundo, por não conseguir garantir o uso eficaz da linguagem, condição para que os alunos possam continuar a progredir até, pelo menos, o fim da oitava série (p.19). Assim analisando a partir desse pressuposto, fica claro percebermos aamplitude do processo de ensino e aprendizagem, voltados para a pratica educativa,
  10. 10. 10e que as deficiências encontradas no nível de aprendizagem dos alunos, sãoatribuídas a varias instancias, tanto de ordem educacional, quanto social. Sobre isso Zabala (1998) diz que: Nosso argumento consiste em uma atuação profissional baseado no pensamento prático, mas com capacidade reflexiva. Sabemos muito pouco sem dúvida, sobre o processo de ensino e aprendizagem, das variáveis que intervém e de como se inter-relacionam nas situações de ensino: tipo de atividade metodológica, aspectos materiais da situação estilo do professor, relações sociais, conteúdos culturais, etc (p.15-16). São muitos os fatores envolvidos, e que contribuem para a ineficiência daaprendizagem significativa, muitos desses fatores estão relacionados diretamente àpratica educativa Libâneo (2009) Acentua que: É importante para o professor, tomar consciência do que faz, ou pensa, a respeito da sua pratica pedagógica. Ter uma visão critica das atividades e procedimentos na sala de aula, e dos valores culturais de sua função docente, adotar uma postura de pesquisar e não apenas de transmissor ter um melhor conhecimento dos conteúdos escolares e das características e desenvolvimento de seus alunos (p.33). Sabemos o quanto é importante para o professor(a), no que se refere à suaformação, conhecimentos básicos e indispensáveis que possibilitem um ensino dequalidade através de suas práticas educativas e suas intervenções metodológicas, apartir de dificuldades evidenciadas na aprendizagem do aluno, para que este possaaplicar na sociedade em que está inserido, conhecimentos eficazes e úteisaprendidos na escola. Embora a utilidade do que se aprende seja pouco aplicada no contexto social,devido a alguns fatores ainda deficientes no processo de ensino, é possível sempreque depender do professor, refletir sobre suas práticas, para resultados maissatisfatórios. Mais uma vez Zabala (1998) intervém: (...) o conhecimento que temos hoje em dia é suficiente, ao menos para determinar que existem atuações, formas de intervenção, relações professor-aluno, materiais curriculares, investimentos de avaliação, etc. que não são apropriados para o que pretendem. Existem atividades de ensino que contribuem para a aprendizagem, mas também existem atividades que não contribuem da mesma forma, e que é outro dado a ser levado em conta. A intervenção pedagógica tem um antes e um depois que constituem as peças substanciais em toda a prática educacional (p.16-17).
  11. 11. 11 Diante desse contexto onde percebemos a deficiência especialmente emleitura e escrita, precisam de um reforço e atuação maior, no sentido de viabilizar,com eficiência a pratica da leitura e da escrita para que o aluno possa utilizar demaneira competente essas habilidades em seu contexto social. Os parâmetros curriculares nacionais PCNs (2001), vem subsidiar: Desde o inicio da década de 80, o ensino de língua portuguesa na escola, tem sido o centro da discussão acerca da necessidade de melhorar a qualidade de educação no país. No Ensino Fundamental o eixo da discussão, no qual se refere ao fracasso escolar, tem sido a questão da leitura e da escrita. Essas evidencias de fracasso escolar apontam a necessidade da reestruturação do ensino de língua portuguesa, com o objetivo de encontrar formas de garantir, de fato, a aprendizagem da leitura e da escrita (p. 15). Analisando através dessa vertente, e de que a função social da escola, éprimordialmente o ensino da capacidade de ler e escrever, e que estas capacidadesdevem ser adquiridas desde as series iniciais do Ensino Fundamental, requer umaênfase mais especial no ensino de língua portuguesa, mas isso não implica que étão somente função do professor de língua portuguesa. Castanheira (2009) acentua que: As ações de ensinar a ler e de ensinar a escrever, não se esgotam nas séries iniciais. Essas ações não são tarefa exclusiva do alfabetizador mas trabalho conjunto de toda a escola, de todos os profissionais que atuam com os alunos ao longo de sua vida escolar. Os professores de artes, geografia, história, Ed. Física, de matemática, todos enfim, devem ter compromisso com o desenvolvimento das capacidades de leitura e escrita dos alunos (p.83). Dentre essas competências de ler e escrever como uma função de cadaprofessor, nos remetemos especificamente para o uso da leitura e da escrita noscontextos sociais, não de maneira mecânica, mas no sentido do letramento, queconforme (KLEIMAN 1995) é a apropriação da leitura e da escrita nos contextossociais, e não a decodificação de palavras. É tarefa conjunta e continua de todo professor esteja ele atuando em qualquerdisciplina ou segmento adotar a responsabilidade de levar o aluno a ler e escrever eque essa leitura e escrita faça sentido que tenha importância na vida do aluno, e nãoseja mecânica e desvinculada das práticas onde será necessário fazer uso, pois édesnecessário e não faz sentido ensinar o aluno ler sem que este compreenda oufaça uso da finalidade que tem determinadas leituras.
  12. 12. 12 Ainda segundo Kleiman (1995): Letramento é um conjunto de práticas sociais que usam a escrita enquanto sistema simbólico, e enquanto tecnologia, em contextos específicos, para objetivos específicos. A leitura e a escrita fazem parte de atividades sociais, tais como ler um jornal ou pagar contas. Dai a importância de se encarar a leitura e a escrita não só como atividades com um fim em si mesmas, mas como atividades que servem a um propósito. Analisar esse propósito deve ser parte de um modelo mais eficaz de letramento (p. 24). Sendo assim o domínio da leitura e da escrita é condição elementar para ainserção e participação do sujeito na sociedade dessa habilidade a ser adquiridadesde as series iniciais, e aperfeiçoando nas séries posteriores. Ainda conforme os PCNs (2001): Cabe à escola, promover a sua ampliação de forma que, progressivamente durante os 8 anos do Ensino Fundamental, cada aluno se torne capaz de interpretar diferentes textos que circulam socialmente, de assumir a palavra como cidadão, de produzir textos eficazes nas mais variadas situações (p. 23). Fica claro, portanto, a responsabilidade atribuída à escola, comofundamentais para a aquisição desse processo de letramento, onde é possível que oprofessor esteja sempre aperfeiçoando a sua prática de ensino, mediante as devidasintervenções, para que aconteça a viabilização desse processo, para isso éimportante conhecer, pois, não é possível intervenção, sem compreensão do objetosobre que se pretende atuar ou se está atuando (FREIRE 2009). A realidade da educação hoje bem como dos níveis de ensino eaprendizagem por serem amplos e abrangentes, requerem uma atenção especial,quanto ao seu desenvolvimento, no sentido de compreender, de que maneira estãosendo trabalhados, para que possibilitem uma aprendizagem significativa, o queremete a uma série de fatores envolvidos, entre eles, as práticas pedagógicastrabalhadas, que devem ser e estar em constante aperfeiçoamento e reflexão, porparte do professor, pois é ele em primeira instancia, que possibilita através de suaspráticas em sala de aula, momentos que visam, a aprendizagem de elementosimportantes para que o aluno aprenda e use em sua vida cotidiana o que aprendeu. Mais uma vez os PCNs (2001) enfatizam: Quando entram na escola, os textos que circulam socialmente cumprem um papel modalizador, servindo como fonte de referencia, repertório textual e suporte de atividades. A diversidade textual, que existe fora da escola pode e deve estar a serviço da expansão do conhecimento letrado do aluno, o
  13. 13. 13 conhecimento dos caminhos percorridos pelo aluno favorece a intervenção pedagógica e não a emissão, pois permite ao professor ajustar a informação oferecida às condições de interpretação em cada momento do processo (p. 34 e 35). Analisando a luz dessa afirmação, fica claro perceber, que é de extremarelevância o ensino e práticas pautadas no objetivo de levar o aluno a utilizar o quefoi aprendido, de maneira satisfatória e eficiente, pois deve ser esse o papelprimordial da escola. Pedro Demo (2005) enfatiza: Mais do que nunca, deve ficar claro que o conhecimento reconstruído é a base da intervenção, não só na cabeça, mas igualmente na vida concreta.Assim é decisivo saber mostrar por que matemática é necessário para a cidadania das pessoas, ou por que falar bem a língua materna faz parte do cidadão participativo, ou por que alfabetizar-se é questão chave do combate à pobreza política da população (p. 46). É fundamental que o professor tenha clareza e conhecimento do que seensina como se ensina e para que se ensina, a escola é um cenário deconhecimento e descobertas do que vem a ser importante na vida do aluno paraque use lá fora no meio social em que vive e não um transmitir de conteúdos semimportância as vezes, sem intervenção para se tornar claro por que serve e comoiremos utilizar. Ainda Demo (2005) Neste sentido a feitura de material didático próprio não deságua no aperfeiçoamento da aula, ainda que isto possa ocorrer, porque o mais natural será sua revisão radical. Em vez da exposição copiada, por ser inútil e imbecilizante, torna se necessário o trabalho conjunto, dinâmico, critico e criativo. E é preciso pois recolocar as questões tendo como parâmetro a competência que é mister forjar na escola. Se queremos um cidadão competente, formal e politicamente, a aula meramente expositiva, apenas atrapalha, e faz da escola acentuadamente uma perda de tempo. Será mister preferir didáticas reconstrutivas, que sejam mais aptas a estabelecer o relacionamento fecundo de sujeitos. (p. 46). No entanto a realidade do cenário educacional brasileiro, quanto a um nívelde aprendizagem significativa, requer um trabalho voltado para a concretização depráticas voltadas neste sentido, que permita ao aluno a sua atuação de maneirasignificativa em seu contexto social, através dos conhecimentos adquiridos naescola. Vigotsky (2004) ressalta que: Para a educação atual não é importante ensinar certo volume de conhecimento, quanto educar a habilidade para adquirir esses
  14. 14. 14 conhecimentos, e utilizá-los. Isso se obtêm apenas no processo de trabalho (48). As deficiências encontradas e percebidas na aprendizagem e na atuação doaluno em contextos sociais,são percebidas de maneira clara, especialmente quantoa habilidade de leitura e escrita, pois é possível perceber desde as séries iniciais,que os alunos apresentam inúmeras dificuldades quanto a compreensão einterpretação do que se lê, apenas decodificando, na maioria das vezes, o que nãotorna um aluno letrado e atuante. É bastante expressiva a fala de Paulo Freire (2006) quando diz: Ensinar não é encher a cabeça dos educandos de conteúdos, isso é a concepção mágica do poder dos conteúdos, como se bastasse você ensinar matemática, geografia, isso e aquilo aos meninos populares e no dia seguinte, ganhassem a independência.A questão para mim é saber o que é ensinar e como ensinar.uma pedagogia como essa está preocupada em como é que o sujeito que conhece se aproxima do objeto a ser conhecido para dissecá-lo.o exercício de tornar-se capaz de ler e escrever exige, de quem realmente aprende, uma postura de sujeito que cria o próprio aprendizado.Aprender é uma expressão de quem cria e não de quem é teleguiado ( p.64).Sendo assim, quando o professor tem claro o que quer que os seus alunosaprendam e para que aprender, será possível proporcionar uma aprendizagemsignificativa que vai além de fazer apenas leituras mecânicas. Pois, conformeacentua (FREIRE, 2006) É preciso ter a sensibilidade a capacidade de ler o mundo,e não de ler os textos.Os PCNs (2001) vem acentuar: É preciso superar algumas concepções sobre a aprendizagem inicial da leitura. A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar, converter letras em sons, sendo a compreensão conseqüência natural dessa ação. Por conta dessa concepção equivocada, a escola vem produzindo grandes quantidades de “leitores” capazes de decodificar qualquer texto, mas com enormes dificuldades para compreender o que tentam ler (p. 55). O que se percebe é que as dificuldades que acontecem desde as sériesiniciais, causam conseqüências bastante complicadas, quando não sanadas emtempo hábil e devido, gerando falhas e deficiências nos anos de escolaridadeposterior. É preciso pois uma reflexão do ponto de vista estrutural do currículoescolar de modo que o alcance das habilidades de leitura e escrita na perspectiva doletramento, aconteçam em todos os segmentos escolares, de forma continua ecompetente.
  15. 15. 15 Magda Soares (2006) diz: A conclusão de determinada serie escolar tem pouca validade como critério para avaliação do letramento, porque ainda não é oferecido o ensino fundamental para todos, e a organização e controles escolares são, em geral, tão precários que uma grande parte das crianças que conseguem ter acesso à escola ou a abandonam, depois de completar dois ou três anos de escolarização fundamental, ou repetem a mesma serie diversas vezes (em geral a primeira serie) justamente por causa do índice de reprovações e das repetências decorrentes delas, a conclusão da 4ª serie, por exemplo (em geral selecionada como linha divisória entre analfabetismo e letramento) representa com freqüência, na verdade, seis, oito, ou dez anos de escolarização (p. 98-99). Fica claro uma compreensão, a partir da fala abordada pela autora, como seconstata através da realidade em que se encontra o ensino e a aprendizagem, quehá vários fatores envolvidos, que ao final precisam ser reformulados ereorganizados para que se alcancem seja em qualquer tempo de escolaridade,aluno aptos a utilizarem os conhecimentos adquiridos na escola de maneiraefetivamente letrada em sua vida social , profissional e em outras esferas. É precisopossibilitar as necessárias intervenções para sanar problemas em tempo hábil epreciso, não permitindo que uma ineficiência que aconteceu na série anterior seperdure na série posterior. É necessário consciência,intervenção e açãosimultaneamente por parte do professor. Carvalho (2010), diz que: Não há uma causa única para se explicar a situação a que chegamos, mais de 90% das crianças brasileiras têm acesso á escola fundamental, mas boa parte delas não consegue aprender a ler, ou leva muitos anos para alcançar um nível rudimentar l de leitura e escrita. Os resultados nacionais em prova de leitura e escrita, para alunos de 15 anos são lastimáveis (p. 75). De todas as deficiências existentes neste processo, resulta o que estádenominado de analfabetismo funcional. Soares (1995), explica: Só recentemente esse termo se tem mostrado necessário, porque só recentemente começamos a enfrentar uma realidade social em que não basta simplesmente “saber ler e escrever”, dos indivíduos já se requer não apenas que dominem a tecnologia do ler e do escrever, mas também que saibam fazer uso dela, incorporando-a a seu viver, transformando-se assim em “estado”! ou “condição”, como conseqüência do domínio dessa tecnologia (p. 7).
  16. 16. 16 O papel da escola e especialmente do professor, quanto as suas práticaseducativas é preponderante para diminuirmos a quantidade de pessoas que nãofazem uso da leitura e da escrita, e aumentarmos a qualidade desse processo. A reflexão por parte do professor quanto às suas práticas metodológicascomo intervenção, no processo de aprendizagem é de uma relevância singular. Soares (2003), ainda enfatiza: Há necessidade de rever e reformular a formação do professor das séries iniciais do Ensino Fundamental de modo a torná-los capazes de enfrentar o grave reiterado fracasso na aprendizagem inicial da língua escrita nas escolas brasileiras. Se as práticas pedagógicas pudessem transformar as iniciativas meramente instrucionais em intervenções educativas, talvez fosse possível compreender melhor o significado e a verdadeira extensão da não aprendizagem e do quadro de analfabetismo no Brasil (p. 9). É portanto condição primordial e indispensável o conhecimento e aplicaçãode práticas voltadas para o favorecimento de alunos competentes na leitura, e que eque se utilize dela nas mais diversas situações. Cabe ao professor em seu segmento ou área de ensino, contribuir, uma vezque é papel fundamental do professor das séries iniciais, fazer com competênciaque isso venha a se concretizar, cabe aos professores das séries seguintes darcontinuidade a esse processo tão relevante e indispensável. A prática conjunta neste processo será essencial, uma vez que possibilitaráao aluno, inserir-se de modo letrado e competente fazendo uso do que aprendeu. Kleiman (1995) vem subsidiar: O conjunto de práticas desenvolvidas nas escolas para aprender os usos da língua escrita, é o que vem a ser letramento escolar. Envolve não só o ensino de português mas também a leitura e a escrita praticadas nas demais disciplinas, os textos que circulam e o modo pelo qual os processos dirigem, orientam e avaliam a leitura e escrita dos alunos.No processo de letramento escolar, alunos lidam com diversos tipos de textos; livros (didáticos, literários, dicionários, atlas, enciclopédias etc), exercícios, provas, cartazes, avisos, murais, boletins, cartas, folhetos, circulares, agendas e outros. Quanto mais intensivo forem o contato, a apropriação e a utilização destes diferentes tipos de escrita, mais efetivo será o letramento escolar (p. 20). É com o comprometimento, envolvimento, conhecimento e reflexão doprofessor em suas práticas, que se pode avançar no sentido de não permitirpropagar o quadro de analfabetismo funcional de modo que se trabalhe na
  17. 17. 17perspectiva de fazer com que o aluno aprenda a fazer uso da leitura e da escrita demaneira competente desde as series iniciais, em todo o tempo das séries finais e seprolongando por toda a educação básica, para que suas conseqüênciasdegradantes não cheguem até mesmo ao ensino superior. Muitas discussões (e pontos de vista) atribuem a responsabilidade muitogrande somente ao professor das séries inicias por ser a base de toda formaçãoelementar e fundamental da aquisição da leitura e escrita, no entanto,estaresponsabilidade não pode ser somente de determinado professor nem dedeterminado tempo escolar (séries iniciais, finais, ensino médio e superior) mas emconjunto e objetivos únicos e articulados em todas as esferas para que se consolidea atuação de alunos letrados. É considerável que precisamos ter um olhar mais atento e ações maiseficazes, quando percebemos que ainda existe muitas falhas e até possíveisnegligências quanto a propostas ou práticas que venham consolidar ou promover umquadro mais insinuante e progressivo de alunos letrados, ou seja, que não selimitem somente a ler sem fazer uso do que esta escrito ou até mesmo nãocompreender de fato, mas que sirva para a sua atuação, inserção e mobilização nasociedade em que vive. Destacamos que foi diante de uma experiência enquanto professor atuante eenquanto aluno do curso de pedagogia em tempo de estágio, por percebermos ainexistência de práticas que torne o aluno letrado e que muitas das práticasaplicadas estão mais propensas a se propagar o quadro de analfabetismo funcionaldo que de alunos plenamente letrados, o que evidenciava a quantidade de alunosque liam e escreviam e não tinham compreensão desses atos, é que interessou esurgiu a minha problemática que é saber: Quais práticas dos professores deséries finais do ensino fundamental da escola Antônio Bastos, contribuempara a formação de sujeitos letrados? Os principais objetivos deste estudo são: • Identificar as práticas pedagógicas utilizadas pelos professores da referida escola que contribuem para a formação de alunos letrados.
  18. 18. 18• Analisar se as referidas práticas realmente se efetivam e são válidas para a promoção de aluno letrados.• Refletir sobre a importância e o papel do professor na articulação e intervenções para uma aprendizagem significativa, eficiente para a propagação do letramento no âmbito escolar.
  19. 19. 19 CAPÍTULO II2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS Fazendo uma abordagem melhor explanada do tema em estudo e questãosobre as práticas pedagógicas que favorecem o ensino e a aprendizagem de alunosletrados, como o objetivo de identificar como os professores das séries finais doensino fundamental trabalham no sentido de possibilitar ao aluno a aquisição doletramento no contexto escolar de maneira que se possa usar também fora dessecontexto, é que se faz necessário uma reflexão baseada em alguns elementosteóricos que fundamentam e sustentam a construção e elaboração deste trabalho. Neste sentido vale ressaltar que a contextualização no cenário teórico querespaldam o tema em estudo, nos faz pensar e refletir a nossa prática de forma aampliarmos condições de favorecer aos nossos alunos, uma aprendizagemsignificativa, que seja útil e eficaz em todas as esferas da sua vida, não serestringindo somente ao âmbito escolar.2.1 Letramento: que palavra é essa? As mudanças que vem ocorrendo no sistema de ensino ao longo do tempo,especificamente em se tratando das práticas pedagógicas de ensino eaprendizagem, merecem atenção e um olhar novo onde possamos perceber oucompreender o que induz ou o que está por trás de tantas mudanças no sistema deensino, suas nomenclaturas, novas teorias e novas práticas. Durante muito tempo na história da educação do país, buscou-se elaborarplanos e lutar por campanhas ou programas de erradicação do analfabetismo, noentanto muito dessas lutas, voltadas para a quantidade de pessoas a seremalfabetizadas e não a qualidade, tiveram muitos insucessos, o que perdura até hojecom o advento ou a nova nomenclatura do analfabetismo funcional (CARVALHO,2010). Apesar do termo letramento já está um pouco saturado e até redundante nosentido de trabalhos e pesquisas, na prática merece mais destaque e concretização
  20. 20. 20no sentido de incorporar às nossas práticas pedagógicas este método tãosignificativo, e rico em aprendizagem. O letramento apareceu a primeira vez no cenário educacional com acontribuição de Mary Kato em 1986 em sua obra escrita:Uma perspectivapsicolingüística.E dois anos depois passa a representar no discurso da educação aoser definido por Leda Verdiani Tfouni em: Adultos não alfabetizados o avesso dosavessos. Magda Soares (2006) explica com muita precisão sobre o surgimento dessetermo aqui n Brasil: É curioso que tenha ocorrido em um mesmo momento histórico, em sociedades tão distanciadas geograficamente quanto socioeconomicamente e culturalmente, a necessidade de reconhecer e nomear práticas sociais de leitura e de escrita mais avançados e complexas que as práticas de ler e do escrever resultante da aprendizagem do sistema de escrita.Assim é em meados dos anos de 1980, que se dá simultaneamente a invenção do Letramento no Brasil, literacy do inglês, Iletrisme, na França, da Iletracia, em Portugal, para nomear fenômenos distintos daqueles denominados Alfabetizaçao, alphabetisation.Letramento é uma terminologia não dicionarizada que, nos meios acadêmicos, vem sendo utilizado com diferentes sentidos (p. 5). O fato desse termo surgir destaca a importância que tem o ato da leitura e daescrita de maneira relevante para uma necessária participação efetiva e competentenas práticas sociais e profissionais que envolva a língua escrita, pois tanto aaquisição quanto a desapropriação destas habilidades favorece a sociedade comoum todo ou impedem o seu êxito. Toufoni (2006) diz que: “A ausência tanto quanto a presença da escrita emuma sociedade são fatores importantes, que atuam ao mesmo tempo como causa econseqüência de transformações sociais, culturais e psicológicas às vezesradicais.”(p.54). Cada vez mais esse termo veio ganhando espaços e inserido de maneiramais destacada com as autoras Ângela Kleiman e Magda Soares que ao discutiremsobre a origem do letramento, afirmam que o termo começou a ser utilizado no Brasilpor especialistas das áreas de educação e das ciências lingüísticas. Magda soeres (2003) diz:
  21. 21. 21 A invenção do letramento por nós se deu de maneira diferente (caminhos) daqueles que explicam a invenção do termo em outros países Como França e Estados Unidos (neste a discussão de letramento) fez e se faz de forma Independente em relação à discussão da alfabetização. No Brasil a discussão do letramento surge sempre enraizada no conceito de alfabetização, o que tem levado, apesar da diferenciação sempre proposta na produção acadêmica, a uma inadequada e inconveniente fusão dos dois processos que prevalecia do conceito de letramento (p.8). Vale sempre ressaltar sobre a origem, significado e importância do que vem aser Letramento e que se torne claro para todos os envolvidos no processo de ensinoe aprendizagem, que sua aplicação e viabilização no sentido de propor benefícioseficazes para que o aluno se aproprie dessa habilidade da aquisição de Leitura eEscrita de maneira interativa na sociedade em que está inserido e em outroscontextos. Magda Soares (2006) sublinha: Literacy é o estado ou condição que assume aquele que aprendeu a ler e escrever.implicita neste contexto está a idéia de que a escrita traz conseqüências sociais, culturais,políticas, econômicas, cognitivas, lingüísticas, quer para o grupo social em que seja introduzido, quer para o individuo que aprenda a usá-lo.Letramento é, pois, o resultado da ação de ensinar ou aprender a ler e escrever, o estado ou condição que adquire um grupo social ou um individuo como conseqüência de ter se apropriado da escrita (p.17-18). O que se constata é que apesar do termo ser descoberto ou trabalhado amais de 20 anos, não se percebe muito de maneira expressiva um índice quedemonstre um número de pessoas letradas hoje, para muitos é como se estivessemtrabalhando pela primeira vez, uma vez que pesquisas apontam para o índice deanalfabetismo e de analfabetos funcionais, caracterizado por pessoas que lêem eescrevem, mas não se apropriam da leitura e da escrita em contextos sociais. Ângela Kleiman (1995) explica: Pessoas letradas são aquelas que fazem uso da sua palavra em suas múltiplas formas de linguagem(corporal,escrita,falada,ou visual) para a comunicação de seus pensamentos.Novas exigências de leitura e escrita estão sendo apresentadas ao brasileiro a cada novo ano. E com isso damos as boas vindas ao termo letramento em substituição ao tão surrado alfabetismo. Com essa visão compreendemos o processo de Letramento como sendo a leitura do mundo diário, do mudo interior e exterior de cada ser humano, o fato de não encontrarmos o vocábulo Letramento no Brasil até meados da década de 80, reflete a importância dada em nossa cultura ao papel de leitura e escrita na vida dos brasileiros e sua variação em diferentes contextos culturais (p. 18).
  22. 22. 22 Analisando todo esse contexto da inserção do termo Letramento no cenárioda educação brasileira, é importante percebermos e isso se evidencia nasdeficiências de ensino e aprendizagem, que muito precisa ser feito para queviabilização desta proposta seja de fato inserida no sistema educacional de maneiraprogressista e significativa que propicie ao sujeito fazer uso da leitura e da escrita nocontexto social em que se encontra, e que como já dizia o mestre a leitura dapalavra seja precedida da leitura de mundo (FREIRE, 1992). É necessário criar mecanismos para mudar o cenário educacional presenteainda com metodologias totalmente tradicionais, não que se despreze totalmente, eque não seja em muitos aspectos dotada de significados, mas que abra espaçopara o novo quando é positivo, que não use a leitura e a escrita apenas comodecodificação ou conteúdos que não fazem sentido, mas que estimule, para que oaluno possa usar o que aprendeu em funções e situações sociais em toda a suavida. Soares (2003) pontua com muita precisão: Afinal o que é letramento, letrar é muito mais do que alfabetizar é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham um sentido e faça parte da vida do aluno. O letramento tem como objeto de reflexão de ensino ou de aprendizagem, os aspectos sociais da língua escrita. Assim como objetivo o letramento no contexto do ciclo escolar, implica adotar na alfabetização uma concepção social da escrita, em contraste com uma concepção tradicional que considera a aprendizagem da leitura e produção textual como a aprendizagem de habilidades individuais.Letramento é um termo novo que surgiu nos últimos anos e que supera a alfabetização, acontece antes e durante a alfabetização e continua para todo o sempre. O aluno precisa saber fazer uso e envolver-se nas atividades de leitura escrita (p.23). Assim como se faz necessário ao aluno saber fazer uso das habilidades deleitura e escrita antes de mais nada cabe ao professor e a todo o sistema de ensinoviabilizar através das práticas metodológicas não somente no contexto diário da salade aula, mas em várias situações em que se faça exigência. Uma vez quecompreendermos a relevância de se aprender nessa perspectiva de não sódecodificar letras, mas essencialmente compreender o sentido real de uma palavra,frase ou texto entenderemos que ser Alfabetizado e Letrado é muito diferente de serapenas alfabetizado e não fazer uso da leitura e da escrita em contextos sociais, eque mesmo não sendo alfabetizado mas ser Letrado este último ainda é imperioso. É ainda Magda Soares (2006) quem enfatiza:
  23. 23. 23 A pessoa que aprende a ler e escrever- que se torna alfabetizada e que passa a fazer uso da leitura e da escrita, a envolver-se nas práticas sociais de leitura e de escrita-que se torna letrada- é diferente de uma pessoa que não sabe ler e escrever- é analfabeta- ou, sabendo ler e escrever, não faz uso da leitura e da escrita- é alfabetizada mas não é letrada, não vive no estado ou condição de quem sabe ler e escrever e pratica a leitura e a escrita (p. 36). É importante destacarmos com muita relevância,o sentido e o papel doletramento em todos os espaços e segmentos escolares, pois este processo não seda somente no ciclo da alfabetização nas séries iniciais, mas se propaga por váriossegmentos de ensino condicionando tornar pessoas letradas desde cedo, daeducação de base,no entanto, é constante a associação de Letramento eAlfabetização embora os dois termos não se dissocie, há um período natural e hábilpara que o individuo possa se alfabetizar,mas a aprendizagem no processo deletramento acontece a vida toda. E sendo assim direcionamos para outra vertente que na verdade confirma oquanto é amplo o sentido da prática do letramento e que com conhecimento destaproposta fica mais viável e possível aplicarmos às nossas práticas pedagógicasonde se priorize acima de tudo o que é significativo para o aluno dentro de seucontexto. Kleiman (2005) pontua: O professor precisa ter autonomia para decidir sobre a inclusão daquilo que pode e deve fazer parte do cotidiano da escola, porque é legítimo e irremediavelmente necessário, por outro lado, saber a exclusão daqueles conteúdos desnecessários e irrelevantes para a inserção do aluno nas praticas letradas, que parece-nos persistir por inércia e tradição.Finalmente é importante também que haja uma negociação daquilo que pode não interessar momentaneamente o aluno mas precisa ser ensinado pela sua real relevância em nossa cultura e sociedade (p.19). Faz-se necessário que a reflexão e a tomada de decisões por parte dosenvolvidos no processo de ensino seja propicio a favorecer uma aprendizagem quefaça sentido para a vida do aluno ao longo de sua vida, que o ato de ensinar nãoseja feito de maneira mecânica e com fim somente para trabalhar conteúdos pré-estabelecidos, mas que sejam sempre modificados e aperfeiçoados paraproporcionar aprendizagens que sejam úteis em todas as esferas da vida doaprendiz.
  24. 24. 24 Scribner (1984) apud kleiman (2005) reforça a importância do letramentofuncional ou de sobrevivência, ao escrever: A habilidade de letramento em nossa vida diária é óbvia, no emprego, passeando pela cidade, fazendo compras, todos encontramos situações que requerem o uso da leitura ou a produção de símbolos escritos. Não é necessário apresentar justificativas para insistir que as escolas são obrigadas a desenvolver nas crianças, as habilidades de letramento que as tornarão aptas à responder a estas demandas sociais cotidianas.E os programas de Educação Básica tem também a obrigação de desenvolver nos adultos habilidades que devem ter para manter seus empregos ou obter outros melhores, receber treinamentos, e os benefícios que tem direito e assumir suas responsabilidades cívicas e políticas (p.73). Considerando o papel do professor como de fundamental importância umavez que é ele quem está em contato direto com o sujeito é de extremaresponsabilidade e compromisso consolidar esta proposta pois o ato de ensinarrequer uma metodologia e uma prática que está sempre atrelada a uma teoria. Sobre isso Soares (2003) refere-se: De certa forma o fato de que o problema da aprendizagem da leitura e de escrita tenha sido considerado no quadro dos paradigmas conceituais, “TRADICIONAIS”, como um problema sobretudo metodológico, contaminou o método de alfabetização atribuindo-lhe uma concepção negativa: é que quando se fala em metodologia da alfabetização por exemplo identifica-se metodologia imediatamente métodos com os tipos tradicionais de métodos- sintéticos e analíticos(fônico, silábico, global, etc.) como se esses tipos esgotassem todas as alternativas metodológicas.Para a aprendizagem da leitura e da escrita talvez se possa dizer que para a prática da alfabetização tenha-se anteriormente um método e nenhuma teoria:Com as mudanças de concepção sobre o processo de aprendizagem da leitura e da escrita, passa se ter uma teoria e nenhum método (p. 110). Podemos perceber que com as mudanças nos sistemas de ensino, e com achegada de novas palavras no cenário educacional, ainda perdura dúvidas, e geraainda muitos conflitos causando as vezes desentendimento quanto a elucidação dedeterminadas propostas, teorias, práticas e metodologias a serem aplicadas oudesenvolvidas.É preciso uma compreensão a cerca de muitas nomenclaturas novasem educação e que antes de serem desenvolvidas sejam entendidas e esclarecidaspara que não gere transtornos e objetivos contrários ao que se propõem quando sedecide adotar ou trabalhar na perspectiva de determinadas propostas inclusive doletramento. Como enfatiza Soares (2006) “Letramento é uma palavra ainda desconhecidaou mal entendida, ou ainda não plenamente compreendida pela maioria das
  25. 25. 25pessoas, porque é palavra que entrou na nossa língua há muito pouco tempo”(p.19). Fica claro que as devidas e necessárias intervenções no que concerne àspráticas de Letramento para possibilitar ao aluno fazer uso da leitura e escrita emcontextos sociais é tarefa fundamental do professor que está atuando e em contatodireto com os sujeitos de ensino, mas também como ratifica (SOARES, 2006) averdadeira natureza do letramento são as formas que as práticas de leitura e escritaconcretamente assumem em determinados contextos sociais, e isso dependefundamentalmente das instituições sociais que propõem e exigem essas práticas.Letramento é um conjunto de práticas de leitura e escrita que resultam de umaconcepção de o que, como, quando e por quê ler e escrever. Freire (2006) vem mediar: Não é possível intervenção sem compreensão do objeto que se pretende atuar ou se está atuando. A leitura do mundo sob permanente processo de intervenção, leitura expressa na língua falada, cedo ou tarde exigira sua complementação pela escrita lida. Por isso é que não há leitura do texto sem leitura de mundo leitura de contexto.É esta uma das violências que o analfabetismo realiza- a de castrar o corpo consciente falante do homem e mulher, proibindo-os de ler e escrever, com o que se limitam, na capacidade de, levar o mundo, escrever sobre sua leitura dele e, ao fazê-lo repensar a própria leitura (p 53). Portanto as práticas devem ser repensadas a cada momento em que seperceber que não se está intervindo de maneira eficiente e satisfatória para aaquisição desse fenômeno, pois é preocupante que alunos passem tanto tempo naescola aprendendo a ler e a escrever, e não façam uso dessas habilidades, letrar enão apenas alfabetizar deve ser condição primordial para o acesso, interação eparticipação no meio social, o que a alfabetização por se só não permite. Éimprescindível que elevemos o nível de letramento dos alunos para que obtenhamêxito ao longo das experiências de sua vida e não enfrente dificuldades naturais aquem ainda não alcançou, como sublinha (SOARES 2006) sabem ler e escrever,mas enfrentam dificuldades para escrever um oficio, preencher um formulário,registrar a candidatura a um emprego, os níveis de letramento é que são baixos.
  26. 26. 262.2 Práticas metodológicas: como se forma leitores? Partindo do pressuposto de que a atividade e o objetivo elementar da escola,é ensinar o aluno a ler e escrever, nos remetemos a compreender estas habilidades,no sentido do letramento. A finalidade principal da escola é, e deve ser ensinar ou levar o aluno a ler eescrever e que estas competências aconteçam de maneira eficaz e satisfatória, paraque ele use com competência o que aprendeu. É dotada de toda uma importânciatodas as disciplinas que se destinam a trabalhar com os alunos, entretanto, ler eescrever, contar e calcular merece um acentuado destaque e enfatizamos ashabilidades de leitura,ou como se dá esse processo no sistema de ensino. Diante da realidade, em que se percebe algumas deficiências e ausências,quanto a competência de leitores, faz-se necessário compreendermos como seconceitua o ato de ler. A realidade aí exposta, quanto a qualidade e competência de leitura emnossas escolas, requer um olhar diferenciado, e que dimensione e almeje aformação de leitores com habilidades diversas, se apoderando dessas habilidadestão benéficas para que sejam uteis no seu cotidiano. Lenner (2002) enfatiza que: O necessário é fazer da escola, uma comunidade de leitores que recorram aos textos buscando respostas para os problemas que necessitam resolver, tratando de encontrar informação para compreender melhor alguns aspectos do mundo que é objeto de suas preocupações, buscando argumentar para defender uma posição para a qual estão comprometidos ou para rebater outra que considerem perigosa ou injusta, desejando conhecer outros modos de vida, identificar com outros autores e personagens ou se diferenciar deles, viver outras aventuras, inteirar-se de outras historias, descobrir outras formas de utilizar a linguagem para criar novos sentidos (p. 17-18). Não só partindo do que disse a autora, mas refletindo a partir de outrasleituras, percebemos o quanto a leitura é imprescindível para a atuação, inserção emobilização do sujeito que adquire de maneira competente, se tornando útil paraaplicar em seu contexto diário.Infelizmente, ainda é deplorável, o modelo de leituraque se realiza ou que se dá em nossas escolas, pois, contribui pouco de maneiraainda incipiente,quando se revela as dificuldades encontradas em relacionar ou
  27. 27. 27distinguir por partes dos nossos alunos, a natureza de diversos gêneros textuais esuas funções, bem como em muitos casos a incapacidade de interpretar vários tiposde texto. Ainda segundo Lenner (2002): O necessário é fazer da escola um âmbito onde a leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever, sejam instrumentos poderosos que permitam repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos, sejam direitos que é legitimo exercer e responsabilidade que é necessário assumir ( p. 18). É preciso pois, repensar o modelo de práticas existentes e impostas aindahoje nas escolas que ainda direcionam para o não êxito de formarmos alunosleitores competentes, pois o que a realidade mostra é que ainda há deficiências queprecisam ser sanadas o quanto antes, e que as práticas realizadas nas instituiçõesescolares, dimensionem e objetivem contribuir para a formação de leitoreseficientes, porque letrados. Cabe à escola proporcionar momentos de leitura significativa, e ao alunotambém o interesse em adquirir com empenho esta habilidade para os vários usosem que se exigirão em sua vida. É importante que o tempo vivido na escola sejaválido e consolidado com práticas fundamentais que viabilizem uma aprendizagemrica de sentidos e expressiva na realidade prática e diária do aluno. Cagliari (1998) se expressa da seguinte forma: Neste país, o aluno passa 8 anos na escola de 1º grau, 3 anos na de 2] grau e pode passar mais 4 na faculdade, sem contar o ano de cursinho preparatório e as reprovações...e, se um especialista em problemas relacionados à língua portuguesa fizer uma pesquisa, para ver o que esse aluno aprendeu em mais de uma década de estudos, sem duvida ficará decepcionado.Então o que o aluno fez nesses anos todos de escola? Será que o ser humano precisa de tanto tempo para aprender tão pouco? O que está errado nesta história? (p. 7-8). São inúmeros os fatores envolvidos, quanto a aprendizagem, especificamenteem se tratando de leitura, fator preponderante no âmbito escolar. Resolver osproblemas de imediato torna-se tarefa quase impossível, mas, refletindo, estudando,objetivando capacitar os alunos a serem leitores aptos a interpretar os vários tiposde textos e de leitura, em uma interação conjunta com todos os envolvidos no
  28. 28. 28processo escola, é possível, viável e provável mesmo que aconteça aos poucos egradativamente. Ensinar e proporcionar momentos significativos de leitura para que sejam defato letrados não é tarefa somente do professor de português, mas uma tarefaconjunta vinculada com todos os professores envolvidos das respectivas áreas doconhecimento em que atuam, pois para saber interpretar qualquer texto, questão, ouenunciado de uma outra disciplina que não seja português, é preciso saber ler e lerbem. Miguel Arroyo (2011) salienta: Supõe-se que a partir da área que se chega à cidadania, ao sujeito inserido e participativo. A lógica que é proposta a cada professor parece ser esta: não esqueça que sua função é formar o cidadão, mas como? Sendo um bom, excelente professor (a) de sua matéria. Não esquecendo que a Matemática, as Ciências, a Escrita, a Geografia, a Historia, a Arte, a Educação Física, todo conhecimento que ensinares, toda competência que cultivares ampliará as possibilidades de inserção e de participação social, formará as capacidades intelectuais, éticas estéticas, indenitárias, desenvolvimento mental.Ensinemos os conteúdos de cada área e estaremos viabilizando a capacidade dos alunos de exercerem plenamente sua cidadania (p. 108-109). Diante do exposto fica claro contatarmos a importância do envolvimento ecompromisso de todo corpo docente, para promover a inserção de aluno leitores esendo assim cidadãos plenos nas mais variadas situações, tanto dentro quanto forada escola. Estas considerações entre as necessárias intervenções e contribuiçõesentre todos os envolvidos, possibilitará alcançar o que mais se objetiva na escola,emespecial, ensinar a ler e escrever, mas que esta leitura deve ir além do decodificarletras, palavras ou frases mas que acima de tudo, o leitor interprete com clareza ecompreenda o que está explicito nas entrelinhas.(FREIRE, 2006). Segundo Soares (2006): Ler é um conjunto de habilidades e comportamentos que se estendem desde simplesmente decodificar sílabas ou palavras até ler GRANDE SERTOES VEREDAS de Guimarães Rosa... Uma pessoa pode ser capaz de ler um bilhete, ou uma história em quadrinhos e não ser capaz de ler um romance, um editorial de jornal.Assim, ler é um conjunto de habilidades, comportamentos, conhecimentos que compõem um longo e complexo continum, em que ponto desse continum uma pessoa deve estar para ser considerada alfabetizada? No que se refere a leitura? A partir de que ponto desse continum uma pessoa pode ser considerada letrada, no que se refere à leitura? (p. 57)
  29. 29. 29 A amplitude de questões no que se refere a leitura é muito extenso, e requeracima de tudo conhecimento e preparo por parte de alunos, professores e todos osenvolvidos direta e indiretamente, pois como dizia Freire ( 2006) “ensinar a ler eescrever não é uma questão técnica é uma questão política”(p15). A aquisição daleitura não se dará penas por uma parte técnica de ensinar ao aluno a junção deletras formando sílabas, sílabas formando palavras e palavras frase (FREIRE, 2006)mas fazer entender a função e a finalidade do que esta escrito, para fazer uso noseu dia a dia, não se restringindo apenas na escola mas em toda a sua vida. E ao professor é atribuído uma responsabilidade que é fundamental para aviabilização dessa proposta de ir além do simples decodificar letras e palavras, mascompreender o que significa, e onde se aplica o que aprendeu. Kleiman (2005) vem mediar: O letramento nada mais é do que a preocupação com a inserção dos gêneros significativos que estão a todo tempo na vida do indivíduo.O professor é o principal articulador e mediador deste novo conceito, pois será ele quem decidirá sobre quais os conteúdos importantes para o individuo se transformar e transformar a sociedade na qual está inserido. O tema é amplo seu conhecimento se faz necessário (p.4). Mais uma vez percebemos a grandiosidade e importância do professor nesseprocesso, e que, se bem articulado, e trabalhado por todos para alcançar o mesmoobjetivo, como sendo formar o aluno letrado, será possível pois, com a mudança e acontribuição que não pode ser feita por uma pessoa só, ela nasce do desejo dagente sim, mas é coletiva social.Todos nós temos de assumir responsabilidades noprocesso geral da mudança.(FREIRE, 2006). Existe ainda muitos fatores de ordem maior, que precisam ser analisados commuito cuidado, responsabilidade e competência, assim como encarar muitosdesafios para reverter esse quadro que ainda atua, no sentido de que não se estáalcançando na escola leitores que leiam de modo expressivo que demonstremclaramente que já se alcançou esta habilidade de forma competente.E uma dasprincipais mudanças e é necessário acentuar, está no repetido e válido discurso daformação e compreensão do professor em relação as sua práticas e metodologias,que ainda reflete em idéias e concepções de um modelo tradicional de ensino, quese confronta às vezes com sua precária formação.
  30. 30. 30 É indispensável, pois, conhecimento e preparo, em todos os segmentos eníveis em que se está atuando, contribuindo de maneira sólida para a aquisição dealunos leitores, e que se trabalhe de maneira profunda em cada série ou nível, nãoatribuindo ou negando responsabilidades que na verdade cabe a todos osprofissionais envolvidos, a alcançar um objetivo que é comum a todos, ao menos, éo que se almeja. Parece contraditório quando (CAGLIARI, 1998) expressa que parece muitoestranho querer tratar de gênero gramatical na alfabetização, isso deve serpreocupação do ensino somente em séries mais avançadas. O que pretendemos acentuar é que muito do que está se evidenciando hoje,no âmbito escolar é que muitas das habilidades a serem adquiridas pelos alunos emdeterminados níveis de ensino e aprendizagem, é que ainda perdura uma certaindefinição de papéis quando ao que, como e porque ensinar, precisandourgentemente se ter claro, cada um o seu papel e seus objetivos quanto a levar oaluno tão somente a ler e escrever com autonomia, competência e precisão. Não poderemos obter qualquer êxito para a nossa satisfação enquanto papelcumprido, que é o de levar o aluno ler com eficácia, na perspectiva do letramento, sehouver certo individualismo de cada um que acha que não é papel seu ou que nãocompete à sua disciplina ensinar a ler ou escrever. Para alcançarmos este objetivoserá indispensável e até mesmo obrigatório a participação de todos neste processo. É ainda Cagliari (1998) quem subsidia: Se todos os professores incluindo não só os da alfabetização, mas também os demais, partirem da realidade de seus alunos, no começo do ano, para ensinar o que acham que deve ser ensinado, tem-se um argumento a mais para a promoção automática na escola. Uma programação geral deve ser distribuir conteúdos básicos para serem ensinados ao longo dos oito anos do primeiro grau.Se um aluno não aprendeu direito um ponto num ano, o professor do ano seguinte, em vez de reclamar do colega, tem de assumir seu papel e ensinar a esse aluno o que ele precisa saber (p. 71). Esta fala do autor é o cerne central da discussão da problemática a qual nospropusemos, que com certeza, ainda precisa ser vinculada nas nossas propostas epráticas de ensino de maneira que toda dimensão da leitura e formação de leitoressejam sintetizados em alguns poucos objetivos, que é promover alunos letrados,
  31. 31. 31com o comprometimento de todos os professores, não importando a disciplina queensina nem tampouco o seu segmento.2.3 Falando um pouco sobre a educação básica A forma de organização que se dá nas escolas brasileiras ainda precisam seranalisadas e compreendidas, quanto ao objetivo a que se propõem tantos processosque se modificam constantemente e fragmentam o ensino, o que deveria se tornarunidade com condições que possibilite ao aluno o seu desenvolvimento eaperfeiçoamento de forma progressiva, contínua e integradas em todo o processo deensino e aprendizagem, e aqui salientamos a necessidade de práticas de leitura eescrita nos contextos de letramento, em toda a educação básica,maisespecificamente no ensino fundamental. É importante entendermos um pouco sobre a Educação Básica, quecompreende a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio e nestecontexto nos remetemos mais sobre o Ensino Fundamental, especificamente asséries finais deste respectivo segmento, que constitui parte intermediária efundamental que sucede a Educação infantil e antecede o Ensino Médiocompletando assim o que compõe a Educação Básica. As mudanças que ocorreram na Educação e ainda ocorrem ao longo dotempo, no que se refere às leis e normas bem como o aperfeiçoamento, alteraçõesou emendas no sistema educacional, assim como nomenclaturas que caracterizam eintitulam o sistema de ensino, merecem um olhar mais contextualizado e uma claracompreensão do que vem a ser políticas públicas educacionais, sobretudo o estudoda lei maior em Educação, LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da EducaçãoNacional). Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) explica que: A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Federal n. 9.394), aprovada em 20 de dezembro de 1996, consolida e amplia o dever do poder público para com a educação em geral e em particular para com o ensino fundamental. Assim, vê-se no art. 22 dessa lei que a educação básica, da qual o ensino fundamental é parte integrante, deve assegurar a todos “a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhes meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores”,
  32. 32. 32 fato que confere ao ensino fundamental, ao mesmo tempo, um caráter de terminalidade e de continuidade (p. 15). A Educação básica ainda é um conceito definido no art. 21 como nível deeducação nacional e que congrega articuladamente as três etapas que estão sobesse conceito: a Educação infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio(PCNs).Analisando a partir da etimologia da palavra básica, como fundamental,essencial, indispensável é este período para o educando, a passagem pelaeducação básica como desenvolvimento de suas funções psíquicas e orgânicas,como o aprimoramento para estudos posteriores. Podemos considerar, a partir desse contexto, e que merece uma análise maisdetalhada com mais ênfase é que compreendamos que é no Ensino Fundamentalcomo sendo um período de aprendizagem essencialmente básico, que se deveadquirir os níveis elementares de leitura e escrita para dar continuidade e prosseguiraté o final da Educação Básica, denominado Ensino Médio e também a outrasetapas posteriores a este. No art. 205 da constituição federal de 1988: “A educação, direito de todos edever do estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração dasociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para oexercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Vale ressaltar que este artigo 205 precisa ser mais refletido mais estudado ediscutido nos espaços onde merece ser analisados para que se torne menosdistante a teoria e a prática. A realidade que ocorre em nossas escolasespecificamente a pública, precisa ser redirecionada, para práticas realmenteverdadeiras que de fato aconteça esse ensino pautado no dever da famíliainicialmente, e práticas que almejem a formação de cidadãos autônomos, críticos equalificados para o trabalho e para as variadas situações que enfrentarão na vida,desde a Educação Básica. Conforme Almeida (1998): Quanto mais amadurecidas forem nossas propostas e seriamente discutidas, menores serão as nossas ilusões e maiores as expectativas de ir traçando um horizonte mais promissor para a democratização e universalização da educação básica (p. 48).
  33. 33. 33 É extremamente importante em todos os níveis da Educação Básicarefletirmos sobre as nossa Práticas e propostas que venham a ser desenvolvidas,bem como as estratégias e objetivos que irão nortear o andamento do nossotrabalho. E ainda neste contexto, nos referimos especificamente as práticas naperspectiva do Letramento, ainda no que se refere às nossa práticas, Brandão(2001), ressalta que: Acreditamos que ao levar o aluno a aprender a ler as estratégias discursivas com que se tecem os diferentes gêneros, o professor estará contribuindo com sua parcela de formar cidadãos em seu pleno desenvolvimento. Contudo para que o professor possa de fato dar a sua parcela de contribuição, é preciso que tenha clareza das noções que nos levarão o seu fazer pedagógico. Deve-se evitar uma postura pretensamente arrogante que tantas vezes toma conta do mundo acadêmico e do mundo das instituições que regem a educação baseada na apresentação de propostas de aplicação de tal e tal teoria, sem o lastro entre o estreitamento entre o que se quer e o que é possível fazer pode proporcionar (p. 43). Considerando a importância do Ensino Fundamental como tempo que deveser assegurado ao aluno obter as habilidades e competências necessárias apercorrer uma etapa posterior de ensino, faz-se necessário uma retomada deestudos, reflexões e práticas vinculadas no sentido de promover a formação decidadãos aptos a participar da vida social. O que pretendemos enfatizar como sendo parte altamente relevante quandofalamos em Educação Básica, especificamente no Ensino Fundamental é que éexatamente nesta etapa que o ensino e a aprendizagem deve acontecer de maneiraeficiente e satisfatória para que se alcance durante este tempo os objetivosindispensáveis a serem alcançados para a aquisição de capacidades, habilidades ematuridade compondo assim conhecimentos prévios e essenciais para umapromoção à etapa posterior. É nesta etapa da educação básica que o ensino e aprendizagem merecemum alicerce que fundamente e possibilite o ingresso em séries posteriores, levando oaluno, para o desenvolvimento da sua criticidade, autonomia, independência eeficiência com os sistemas de escrita e leitura das quais irá utilizar por toda a suavida dentro e fora da escola, espaço este que deve ser oferecido essa formação ecapacitação essencialmente, embora não seja o único, levando-se em conta que oaluno adquire outras habilidades e competências também fora do âmbito escolar.
  34. 34. 34Mas o que queremos sublinhar aqui é que é essencialmente na escola que ashabilidade e conhecimentos úteis a serem utilizados por o aluno na sua vidaprofissional e social devem ser adquiridos na escola e que esta aquisição sejaeficiente, necessitando reformular ou reorganizar as práticas que muitas das vezesnão colaboram para uma aprendizagem significativa, que proporcione e estimulem oaluno ao prazer em aprender e permanecer na escola. Fernando Beck (2003), vem assim se expressar : Os alunos não suportam repetir o que não lhes faz sentido, por outro lado, a verdadeira aprendizagem escolar, deveria visar o aumento da capacidade de aprender, tão importante nos dias atuais, e não apenas acumular conteúdos; conteúdos freqüentemente inúteis. Além disso, a escola pública poderia pensar em tentar conjugar, na prática pedagógica e didática, outros verbos além do verbo repetir, para redefinir sua função didática pedagógica: fazer, compreender, criar, inventar, sentir, abstrair, experienciar, transformar, desafiar e etc. E inspirada no pensamento de Paulo freire conjugar verbos como: buscar, indagar, intervir, escutar, dizer, falar, pensar, perguntar, dialogar, mudar, transformar, pesquisar, conscientizar-se, refletir a prática, ousar o novo e etc. Só isso já provocaria uma mudança de perspectiva (p.32). Neste sentido é que precisamos urgentemente reelaborar e redirecionar asnossas práticas, e que estas possam ser pontes, ligando o objetivo que se tem e asações que se desenvolverão. Os PCNs (2006) enfatiza que: As discussões dessas questões são importante para que se explicitemos pressupostos pedagógicos que subjazem à atividade de ensino, na busca de ocorrência entre o que se pensa estar fazendo e o que realmente se faz.Tais práticas se constituem a partir das concepções educativas e metodológicas de ensino que permearam a formação educacional e o percurso profissional do professor, aí incluída suas próprias experiências escolares, suas experiências de vida, a ideologia compartilhada com seu grupo social e as tendências pedagógicas que lhe serão contemporânea (p. 39). É de enorme responsabilidade e importância a prática pedagógica doprofessor, pois esta bem trabalhada e compreendida do ponto de vista do docente,pois será estabelecida com fins claros e objetivos determinado com as devidasintervenções para se alcançar o que se objetiva, neste sentido aluno letrados,capazes de agir e interagir nas situações cotidianas da escola e da vida. É ainda os PCNs (2006) que colabora:
  35. 35. 35 Embora a escola vise a preparação para a vida,não busca estabelecer relação entre os conteúdos que se ensinam e os interesses dos alunos, tampouco entre esses e os problemas reais que afetam a sociedade.Na maioria das escolas essa prática pedagógica se concretiza por sobrecarga de informações que são veiculadas aos alunos, o que torna o processo de aquisição de conhecimento, para os alunos, muitas vezes burocratizados e destituído de significação (p17). Um dos objetivos gerais que os (PCNs) destacam além de outros não menosimportante, mas que aqui queremos acentuar diz que:“posicionar-se de maneiracritica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais utilizando o dialogocomo forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas”(p. 107). Além deoutro que também destacamos: “utilizar as diferentes linguagens - verbal,matemática, gráfica, plástica e corporal - como meio para produzir, expressar ecomunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextospúblicas e privados, atendendo as diferentes intenções e situações de comunicação(p. 108)”. Pretendemos enfatizar a relevância desse objetivos aqui citados, ecompreender através da ótica do sistema educacional o qual é inteiramenteresponsável pela concretização desse objetivos além da responsabilidade de todosos envolvidos neste processo, que são os profissionais da educação envolvidosdireta ou indiretamente. Cabe à escola de maneira geral organizar, planejar, projetar e articular todasas estratégias possíveis para a viabilização e alcance de objetivos, levando-se emconsideração que esta não é tarefa fácil, mas quando todos se juntam para alcançarum mesmo fim torna-se tarefa ainda difícil, mas possível. E os PCNs (2001) asseguram que: “Apesar de a responsabilidade seressencialmente de cada professor, é fundamental que esteja compartilhada com aequipe da escola por meio da co-responsabilidade estabelecida no projeto educativo(p 52)”. A Educação Básica como já insinua o nome, deve oferecer de maneirasignificativa e competente o alcance das habilidades básicas necessárias ao aluno,atuar de maneira autônoma e eficiente na sociedade em que vive, e é na escolaonde se coloca toda a responsabilidade para o alcance dos objetivos citadosanteriormente, e que compete oferecer esta educação básica, para que o individuo
  36. 36. 36possa interagir não só profissionalmente mas pessoalmente nas várias situaçõesque se fará necessário fora da escola. É parte integrante da escola, em todos os segmentos que constituem aeducação básica, proporcionar condições elementares e dotadas de significância eeficiência para a atuação competente e fundamental do individuo no âmbito social. Edentro deste contexto se atrela a uma mudança geral e até radical de todos osprocessos educacionais envolvidos, que parte de quem elabora as normas e osobjetivos de ensino, até a quem cumpre e realiza,assim como o currículo e algumaspráticas existentes ainda, consiste em um ponto fundamental e que requer reflexão eação, no sentido de fazer uma análise com cuidado e clareza, pois muitas daspráticas metodológicas desenvolvidas ainda hoje, no que se refere ao cumprimentodo currículo escolar, são metodologias e posturas que ainda revelam um certodespreparo, que impedem de inserir propostas e desenvolver um trabalho demaneira que dimensione e vincule práticas capazes de levar o aluno a interagir e seconstruir de maneira critica, reflexiva e autônoma, o que aulas simplesmenteexpositivas, exclusivamente voltada para o cumprimento de um número considerávelde conteúdos em cada unidade escolar não é possível. Cardoso (1991), expressaque: “A prática pedagógica consciente e politizada, pressupõe vínculos entre meiose fins, vontade, consciência dos objetivos da prática e noção exata da própriapotência dos atos para presenciá-los na ação criatividade e não prática repetitiva(p.24)”. O alcance de uma educação de qualidade pois, está atrelado a inúmerosfatores os quais é inteiramente de responsabilidade e competência de todos osenvolvidos no processo educativo, e que requer constantemente análise, reflexãocritica e percepção, além de uma acentuada capacidade e maturidade para perceberquais são os entraves que ainda dificultam o alcance dos objetivos propostos, esendo assim a sua concretização. Quando os (PCNs, 2001) sublinham que o plano decenal de educação, emconsonância com o que estabelece a constituição de 1998, afirma a necessidade e aobrigação de o estado elaborar parâmetros claros no campo curricular, capazes deorientar as ações educativas do ensino obrigatório, de forma a adequá-los aos ideaisdemocráticos e à busca da melhoria da qualidade do ensino nas escolas brasileiras,
  37. 37. 37acrescentamos e enfatizamos, que são os envolvidos no sistema de ensinodiretamente, quem deverão fazer as alterações e adaptações possíveis, no referidocurrículo escolar,de modo que a sua execução seja adequada e conveniente para aconsolidação e alcance dos objetivos,pois sem as devidas intervenções tanto naelaboração quanto no cumprimento do currículo, não será possível obter resultadossatisfatórios e com êxito na aprendizagem que se idealiza acima de tudo no âmbitoescolar. Conforme ainda acentua os (PCNs, 2001) os altos índices de repetência eevasão apontam problemas que evidenciam a grande insatisfação com o trabalhorealizado pela escola, o que reafirma e ratifica todo o contexto das questões aquiapresentadas bem como sua relevância ao discutirmos pertinentemente sobreEducação Básica. E mais especificamente dentro desse contexto é que enfatizamos aqui anecessidade de um trabalho voltado para práticas de leitura e escrita em contextosde letramento, ao longo da educação básica para redirecionarmos os resultados queainda surgem como negativos quanto aos objetivos e papel da escola.
  38. 38. 38 CAPÍTULO III3 METODOLOGIA A importância da pesquisa se dá quando surge um problema, umainquietação a partir de um questionamento que provoca curiosidade de compreendercomo se dá ou acontece determinado processo, e quando se tem um objetivo emdescobrir sobre algo o que resultará no objeto de pesquisa. O interesse o questionamento, é a base capaz de elucidar uma pesquisa parabuscar a resposta ou compreensão de como algo acontece, onde, quando e por queacontece. A busca por uma resposta ou resultados que se quer alcançar, aconteceessencialmente através da pesquisa, organizada, elaborada e motivada por algo quese pretende descobrir. Compreender práticas que se opõem e se complementam simultaneamentecomo teoria e prática, será possível através do conhecimento pois, compreendemosque conhecer é a forma mais competente para poder intervir, com aquilo que seráreflexão e também ação do objeto que se interessa e pretende-se pesquisar. (FAZENDA 1991) refere-se à pesquisa como uma atividade de investigaçãocapaz de oferecer e portanto produzir um conhecimento “novo” a respeito de umaárea ou um fenômeno,sistematizando-o em relação ao que já se sabe a respeitodele. Pretendemos ressaltar que o conhecimento prévio que tínhamos antes dapesquisa no que se refere ao tema em questão, se dava ainda de maneiraincipiente, o que nos estimula a realizar esta pesquisa com o objetivo de conhecermais e melhor para melhor intervir, onde se fizer necessário para alcançarmos defato os objetivos a que se propõem. E ainda mais objetivando o que Ludke (1986) ratifica com muita precisão: O professor que faz pesquisa tem muito mais consciência do que fazer em sala de aula, na parte pedagógica, como também saber porque alguns alunos vão bem, outros não.A pesquisa tem que investigar aspectos relevantes que vão subsidiar aquela prática.
  39. 39. 39 De fato as pesquisas realizadas nas instituições pesquisadas buscam novas metodologias e/ou práticas de ensino, elaboração de material didático e reformas curriculares, visando a melhoria da prática docente na escola básica (53)”. Sendo assim é o que buscamos através dessa pesquisa, encontrarmosfatores ou analisarmos, averiguarmos para que a partir da nossa percepção ecompreensão de inúmeros fatores que tornam ainda práticas que não condizem comobjetivos, especificamente no que se refere ao nosso problema de pesquisa,buscarmos algumas soluções mesmo que difíceis mas não impossível, paramudarmos e revertermos o quadro que por vezes ainda se dá de maneirainsatisfatória para os objetivos que se quer alcançar. Enfatizamos ainda que esse processo só será possível mediante a açãoconjunta de todos os envolvidos no processo educativo bem como a clareza e arazão de por que pesquisar e para que pesquisar, entendendo que a cada elementonovo que surge durante a pesquisa, é algo que se complementa para a elucidaçãocompleta de uma pesquisa, juntando fatores que se tornam indispensáveis nessaação de pesquisar. É o que reafirma Fazenda (1991): A compreensão de um fenômeno só é possível com relação á totalidade à qual pertence (horizonte da compreensão). Não há compreensão de um fenômeno isolado; uma palavra só pode ser compreendida dentro de um contexto. Um elemento é compreendido pelo sistema ao qual se integra e, reciprocamente, uma totalidade só é compreendida em função dos elementos que a integram (p.101). E Ludke (2001) sublinha que “os dados da minha pesquisa alimentam aminha prática de ensino e a minha prática de ensino fornece dados para a minhapesquisa, na prática docente na sala de aula surge elementos novos para sereminvestigados (p.31)”. É possível pois uma reflexão e uma ação que seja realizada de formacompetente e real para que a pesquisa não decorra em um simples ato semfundamentos e práticas que respaldem a importância e necessidade de se pesquisardescobrir o que se pesquisou e intervir para completar e somar novos saberes enovas práticas bem como novas atitudes, a serem tomadas para a concretização detodas as ações pensadas, elaboradas e objetivadas.
  40. 40. 40 Partindo desse breve enfoque sobre o que é pesquisar mesmo que demaneira ainda incipiente, assinalamos e destacamos que a nossa pesquisa será deteor qualitativo, em vista disso Bogdan e Biklen (1982) apud LUDKE E ANDRÉ,1986, p.11); “A pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado dopesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada”.Enfatizamosque é por meio e através dessa vertente que optamos e explicamos o cunho danossa pesquisa.3.1 Instrumentos da Pesquisa Para execução da pesquisa e para a obtenção dos resultados que sepretendeu alcançar, foram necessários alguns procedimentos que evidenciam oscaminhos da pesquisa, que denominamos: Entrevista semi-estruturada eQuestionário fechado.3.1.1 Entrevista A escolha por este instrumento se deu através da concepção de que esterecurso nos possibilita e proporciona uma série de informações relevantes e eficazesa que pretendemos investigar por estarmos em contato direto com o objeto a serpesquisado, o que outros instrumentos de coleta de dados talvez não viabilize e queembora seja um dos mais trabalhosos seja no que se refere à sua análise einterpretação dos dados colhidos, seja um dos mais ricos e potenciais nasaquisições de informações que se pretende descobrir. Ludke e André (1986) assim se referem a este instrumento de coleta dedados: Ao lado da observação, a entrevista representa um dos instrumentos básicas para a coleta de dados, esta é uma das principais técnicas de trabalho em quase todos os tipos de pesquisa utilizados nas ciências sociais.Mais do que outros instrumentos de pesquisa, que em geral estabelecem uma relação hierárquica entre o pesquisador e o pesquisado, como na observação unidirecional, por exemplo, ou na aplicação de questionário ou de técnicas projetivas, na entrevista a relação que se cria é de interação, havendo uma atmosfera de influência recíproca entre quem pergunta e quem responde (p. 33). A entrevista permite pois uma gama rica de informações que talvez sedestaca dos demais instrumentos por possibilitar um contato direto com os

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