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9                                                      SUMÁRIOINTRODUÇÃO ....................................................
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11                                     INTRODUÇÃO          Este trabalho monográfico, se propõe a identificar como as prof...
12escolas, onde damos ênfase também aos objetivos e a importância da referidapesquisa.       No segundo capítulo apresenta...
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15aborda Gentili (1996, p.114): “É natural que uns sejam ricos e outros pobres, pois foià natureza que assim o quis, não h...
16menos pela grande maioria das pessoas, naquela época as práticas pedagógicaseram planejadas a partir do objetivo que per...
17       O cenário de crise moral, ética e espiritual que se manifesta na sociedadepós-moderna, acabam tendo repercussão d...
18       De acordo com Barros (1990,p.76), “a maior vantagem do uso da observaçãoem pesquisa está relacionada à possibilid...
19comunidade escolar. Assim essa pesquisa tem como objetivo: identificar como asprofessoras da Escola Estadual Nossa Senho...
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22educadores se libertem de amarras buscando aumentar suas potencialidades deauto-realização e de participação ativa na co...
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26função de educar ainda tem que ser um pouco mães e pais transmitindo aos alunosvalores que seriam próprios dos genitores...
27encontra-se a escola que acolhe crianças, adolescentes e adultos com costumes,crenças religiosas, visões de mundo difere...
28social e historicamente, nos tornamos capazes de aprender. Por isso, somos osúnicos em que aprender é uma aventura criad...
29       Com esta reflexão percebemos que é na sala de aula que os alunos eprofessores passam a maior parte do tempo, enqu...
30      É necessário que os professores sejam sensíveis o suficiente para conheceros alunos que lida diariamente não saber...
31                                   CAPÍTULO III                                 METODOLOGIA      Entendendo que em todo ...
32compreensão do objeto de pesquisa, a partir de análises do cotidiano que semprerevela as relações que empregam ao seu en...
333.4.1. Observação Participante         Utilizarei a observação participante como método de captar expressões eatitudes c...
34fomos até a diretoria da instituição pesquisada, com a finalidade de apresentar apesquisa, seu objetivo, bem como coleta...
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36      No que se refere à faixa etária das professoras pesquisadas, conforme ográfico acima; na referida escola não tem n...
37professoras no local de trabalho possibilitam refletir sobre suas próprias açõespedagógicas, fazendo-as sujeitos da sua ...
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41professores, diretores e pais. Colombier (1989, p.101) cita que é preciso responderas ações de violência de forma difere...
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49pelas condutas indisciplinadas dos alunos. Estaremos com tal atitude, fugindo denossas responsabilidades: afinal, assim ...
504.2.3.Compreendem o diálogo como o meio para resolver as violênciascausadas por os alunos.      Podemos avaliar através ...
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Monografia Eurides pedagogia 2010

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM – BA LICENCIATURA DE PEDAGOGIA EURIDES CARNEIRO DE ARAÚJO SILVAREFLEXÕES SOBRE A VIOLÊNCIA NO ÂMBITO ESCOLAR SENHOR DO BONFIM 2010
  2. 2. 2 EURIDES CARNEIRO DE ARAÚJO SILVAREFLEXÕES SOBRE A VIOLÊNCIA NO ÂMBITO ESCOLAR Trabalho monográfico apresentado como pré- requisito para conclusão do curso de Licenciatura Plena com Habilitação em Pedagogia Docência e Gestão de Processos Educativos, pelo Departamento de Educação do Campus VII, Senhor do Bonfim - BA. Orientador: Professor Ozelito Souza Cruz SENHOR DO BONFIM 2010
  3. 3. 3 EURIDES CARNEIRO DE ARAÚJO SILVAREFLEXÕES SOBRE A VIOLÊNCIA NO ÂMBITO ESCOLAR Aprovada_______de___________2010 BANCA EXAMINADORA _______________________________________ Banca Examinadora _______________________________________ Banca Examinadora _______________________________________ Profº Ozelito Souza Cruz Orientador
  4. 4. 4A Santíssima Trindade, por constantemente me proteger eapontar os caminhos da minha existência.Aos meus amáveis pais Clarindo e Ana que com muitosacrifício e coragem me educaram, demais familiares pela forçae contribuição.As minhas filhas Bellaty, Emanuela, Clara, motivo maior daminha persistência.Ao meu esposo Manoel, pela compreensão, apoio ecompanheirismo. Pela amizade recíproca dos queridos amigos Adilberto Curaçá(in memorium), Antonio Rudival, Neide, Vilma, Maisa, jane,Robson, Mônica e Mayara.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOSEm especial à Universidade do Estado da Bahia UNEB, Campus VII, que ao longodestes quatro anos me acolheu, oferecendo ambientes apropriados para aconstrução de conhecimentos.À direção, na pessoa do Sr. José Bites de Carvalho e a Srª. Maria Celeste Souza deCastro pela oportunidade e receptividade que disponibilizam a todos os educandosque por aqui passaram neste período de 2006-2010.À todos os (as) educadores (as) que durante esta graduação me conduziram peloscaminhos do conhecimento da cientificidade, tenho certeza que todos meacrescentaram algo em meu crescimento intelectual.Dentre todos ressalto alguns que foram fundamentais para a minha formação:Ozelito, Pascoal, Maisa, Lílian, Ana Maria, Suzana, Romilson, Simone.Ao meu orientador professor Ozelito Cruz, pelo empenho, dedicação e por contribuirenormemente para a realização desta pesquisa.Aos demais funcionários do campus VII, que com competência e responsabilidadedesenvolvem tão bem o seu trabalho. Em especial a equipe da biblioteca, dasecretaria acadêmica,do setor de equipamentos, os vigilantes, os faxineiros, enfim atodos aqueles que se empenham em fazer da UNEB um campus melhor.
  6. 6. 6A violência é para nós, em principio, umaquestão que não se deve ser afastada.Évital perguntarmos: o que é que se estádizendo com isso? O que fazer desta forçaque com freqüência destrói? A violêncianão é estranha ao desejo. Em vez dedeixá-la nas margens, ou de nosdesviarmos dela confusamente, convémtratá-la. Claire Colombier
  7. 7. 7 RESUMO O presente trabalho monográfico, reflexões sobre a violência no âmbitoescolar, se propõe a identificar como as professoras da Escola Estadual NossaSenhora Auxiliadora compreendem a violência manifestada por seus alunos. Ossuportes teóricos utilizados para embasar esta pesquisa foram estudosdesenvolvidos junto a autores como: Abramovay (2002), Colombier (1989), Foulcoult(2009), Xavier (2002), Silva (2004), D‟Antola (1989) dentre outros, com o intuito defundamentar epistemologicamente a pesquisa, colaborando desta maneira para umareflexão crítica nesse estudo sobre violência no âmbito escolar, obtendo assim, umamelhor constatação dos fatos. A metodologia teve um enfoque qualitativo, com osseguintes instrumentos: observação participante para obtermos um contato diretocom o contexto observado; o questionário fechado no intuito de traçar o perfil dasprofessoras o questionário aberto para identificar a compreensão dos sujeitos sobrea violência manifestada por seus alunos. A partir da análise dos questionários, daobservação, foi possível identificarmos que as professoras da Escola EstadualNossa Senhora Auxiliadora compreendem a violência manifestada por seus alunosde várias maneiras, a violência é um ato prejudicial para quem é vitima; que asconversas, aconselhamentos, orientação diminui a violência na escola;compreendem o diálogo como meio para resolver as violências causadas por osalunos; apontam a parceria dos pais com a escola para a diminuição da violência noprocesso ensino-aprendizagem, objetivando a formação de cidadãos críticos eparticipativos na tessitura de suas histórias e de sua cultura. Como consideraçõesfinais, enfatizamos que a escola não pode abrir mão de sua árdua tarefa de educarfrente à violência manifestada por seus alunos, também a relevante parceria entre aescola e a família buscando com os alunos uma atuação no campo da prevençãoda violência.Palavras-chaves: compreensão, professor, Violência no espaço escolar, alunos.
  8. 8. 8 LISTA DE FIGURASFigura 1 – Percentual em relação à faixa etária.Figura 2 - Percentual em relação ao tempo de atuação no magistério.Figura 3 - Percentual em relação a área de formação.Figura 4 - Percentual em relação ao tipo de violência mais freqüente.Figura 5 - Percentual em relação ao fator responsável pela indisciplina e violência nasala de aula.Figura 6 - Percentual em relação se já presenciou cenas de violência na escola.Figura 7 - Percentual em relação se sofreu violência por parte de alunos? Qual otipo?Figura 8 - Percentual em relação onde é mais freqüente cenas de violência?Figura 9 – Percentual em relação ao comportamento dos professores com osalunos.
  9. 9. 9 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ......................................................................................................... 11CAPÍTULO I............................................................................................................. 131.1.A problemática da violência na sociedade e sua presença no âmbitoescolar .................................................................................................................... 13CAPITULO II- QUADRO TEÓRICO ......................................................................... 192.1. Compreensão.. ................................................................................................ 192.2. Professor ........................................................................................................ 212.3. Violência no espaço escolar .......................................................................... 242.4. Aluno ................................................................................................................ 27CAPÍTULO III - METODOLOGIA ............................................................................ 313.1. Tipo de pesquisa ............................................................................................ 313.2. Lócus .............................................................................................................. 323.3. Sujeitos envolvidos ........................................................................................ 323.4. Instrumento de coleta de dados .................................................................... 323.4.1. Observação Participante ............................................................................ 333.4.2. Questionário fechado e aberto ................................................................... 333.5. Etapas ............................................................................................................. 33CAPÍTULO IV - ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS ............................... 354.1. Resultado do questionário fechado: o perfil dos sujeitos .......................... 354.1.1. Faixa etária .................................................................................................. 354.1.2. Quanto ao tempo de atuação no magistério ............................................. 364.1.3. Quanto a área de formação ....................................................................... 374.1.4. Tipo de violência mais freqüente ............................................................... 384.1.5. Principal fator responsável pela indisciplina e violência na sala de aula 39
  10. 10. 104.1.6.Se já presenciou cenas de violência na escola ......................................... 414.1.7.Se sofreu violência por parte de alunos? Qual o tipo? .............................. 424.1.8.Onde é mais freqüente cenas de violência? ............................................... 434.1.9.Comportamento dos professores com os alunos ..................................... 444.2. Resultados do questionário aberto .............................................................. 464.2.1.Compreendem a violência como um ato prejudicial .................................. 464.2.2.Compreendem que as conversas, aconselhamentos, orientaçãodiminuem a violência na escola. ........................................................................... 484.2.3.Compreendem o diálogo como meio para resolver as violências causadaspor os alunos. ........................................................................................................ 504.2.4.Compreendem que a parceria dos pais com a escola para a diminuição daviolência ................................................................................................................. 524.2.5.Compreendem a falta de acompanhamento familiar como fator prejudicial.............................................................................................................................. .......54CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 57REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 60APÊNDICES ........................................................................................................... 64 Questionário/professor ..... ................................................................................... 65
  11. 11. 11 INTRODUÇÃO Este trabalho monográfico, se propõe a identificar como as professoras daEscola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora compreendem a violência manifestadapor seus alunos. Esta pesquisa foi realizada na instituição citada, localizada naCidade de Campo Formoso – BA. Tem como título, reflexões sobre a violência no âmbito escolar, reflete sobre aviolência na escola bem como as conseqüências desta problemática. O que motivoua escolha deste tema foi ter um contato com a questão da violência principalmenteaquela praticada por alunos que ainda são crianças e adolescentes, pois trabalheino período de 2006 à 2009 como Conselheira Tutelar na cidade de Campo Formosoe constantemente estava lhe dando com situações de violência envolvendo o públicocitado. Também por observar o fato da violência ser tão freqüente nas escolas,afetando o ensino e a aprendizagem dos professores e alunos. Diante do expostoTornou-se importante discutir as compreensões que os professores tem sobre aviolência e analisar os meios que as professoras junto a escola vem desenvolvendopara diminuir a violência presente no âmbito escolar com vista a construirmetodologias e atividades contínuas de construção da paz, visando atender osanseios da comunidade escolar. Do ponto de vista sócio-educacional, acredita-se que esta pesquisa terárelevância, pois possibilita aos leitores, uma reflexão sobre a violência na escola eos comportamentos dos educandos, analisando os fatores que interferem nas suasatitudes e na construção da disciplina, chegando a um consenso de suas causas eesboçar meios de combater este mal tão desnecessário. O presente estudo estáestruturado em quatro capítulos assim delineados: O primeiro capitulo é composto pela explicitação das inquietações quemotivaram a pesquisa, a problematização que envolve a questão da violência nas
  12. 12. 12escolas, onde damos ênfase também aos objetivos e a importância da referidapesquisa. No segundo capítulo apresentamos os aportes teóricos onde fazemos umadiscussão sobre a compreensão, professores, violência no espaço escolar, alunos.Para tanto dialogamos com autores que fazem reflexões sobre o tema da violênciano âmbito escolar, tais como Silva (2004), que na sua obra vem expor temas comoética, indisciplina e violência nas escolas. Colombier (1989) que mostra o panoramada violência na escola, Freire (1996) enfatiza idéias sobre as práticas dosprofessores(as) Fleuri (2008) traz reflexões sobre experiências educacionais e aindisciplina e rebeldia na escola. No terceiro capítulo, amparados em autores, buscamos utilizar a metodologiaadequada à apropriação dos objetivos pré-definidos, expomos o tipo de pesquisa, olócus, as etapas e os sujeitos da pesquisa que foram as professoras da EscolaEstadual Nossa Senhora Auxiliadora. No quarto capítulo apresentamos a análise e interpretação dos resultados,utilizamos o questionário fechado no intuito de traçar o perfil das professoras oquestionário aberto para identificar a compreensão dos sujeitos sobre a violênciamanifestada por seus alunos e a observação participante para obtermos um contatodireto com o contexto observado. Por fim, nas considerações finais enfatizamos que a escola não pode abrirmão de sua árdua tarefa de educar frente à violência manifestada por seus alunos,também a relevante parceria entre a escola e a família buscando com os alunosuma atuação no campo da prevenção da violência. Esperamos também que essa pesquisa possa favorecer a todos que a elativerem acesso, maior compreensão quanto a violência no espaço escolar, quepossa contribuir para a prática docente e servir de subsídio para futuras pesquisasna área. Acreditamos estar com este trabalho somando esforços aos demais járealizados e aos que ainda virão.
  13. 13. 13 CAPITULO I1.1. A problemática da violência na sociedade e sua presença no âmbito escolar A humanidade sempre viveu em conflitos desde pequenas intrigas, agressãoverbal, irreparáveis guerras entre as nações, a exemplo da I e II Guerra Mundial queforam devastadoras. Ao longo da história percebemos que são constantes osmassacres, torturas, suplícios e outras formas de violências físicas, simbólicas epsicológicas. No caso do Brasil para que houvesse a ocupação das terras Brasileiras pelosportugueses no século XV, As comunidades indígenas e os negros sofreramdiversos tipos de violência, às condições de vida eram desumanas, sofrerammassacres e a imposição de uma crença religiosa que os alienava. Costa (1994 p.76) afirma que: Podemos entender como violência aquela situação em que o individuo foi submetido a uma coerção e um desprazer absolutamente desnecessário ao crescimento, desenvolvimento e manutenção de seu bem estar enquanto ser psíquico. Estas ações de imposição e autoritarismo por parte dos portugueses tinhamum objetivo que era conseguir “domesticá-los” para terem mão-de-obra fácil.Quando não conseguiam usavam a violência submetendo-os a uma situação deconstrangimento. A sociedade brasileira carrega um ranço de autoritarismo que seoriginou neste período de escravidão dos índios e negros. A política elitista e paternalista dos governos que se sucederam a esseperíodo, fez com que a maior parte da população brasileira não alcance uma vidadigna e encontre-se, ainda hoje, excluída das decisões que determinam os rumos davida social. De acordo com Pedrão (2009,p.162), essas pessoas são vítimas detodos os tipos de violência e negação de seus direitos, quando afirma que:
  14. 14. 14 O uso do poder se apóia sempre em uma base ideológica, mesmo quando ela não está organizada em um corpo doutrinário. O que se entende geralmente como populismo é um manejo individualista do potencial de poder político da sociedade urbanizada. Com base na afirmação do autor e fazendo uma referência ao tema desteestudo percebemos que a violência vem sendo gerada pelo sistema que domina asociedade, legitimado por uma ideologia neoliberal que defende a classe elitista. Pode também, dentre outras fatores, ser decorrente da ignorância que oscidadãos têm sobre seus direitos, pois se percebe que há em nosso país muitaspessoas a mercê da miséria (fome, desemprego, doenças, falta de terra paratrabalhar e moradia adequada) e em sua maioria não sabem onde e comoreivindicar seus direitos, que geralmente tem raízes econômicas, sociais e culturais. Os pobres são vítimas diretas desta problemática, por que além da pobrezaexistem outros processos de desigualdade social, onde uns tem mais que outros.Vivemos numa sociedade complexa e heterogênea, organizada e estruturadapolítica e economicamente pela lógica do neoliberalismo, modelo econômico que setornou cada vez mais determinante na vida diária dos indivíduos. Nessa situação,muitos acabam em desespero e se direcionam ao mundo do crime, sendomultiplicadores da violência. Como cita Xavier (2006, p.41): É justamente pelo fortalecimento do neoliberalismo, visualizado através do acentuado crescimento das desigualdades sociais e da exclusão da maioria da população brasileira da participação nos bens e serviços produzidos pelo coletivo. Se torna importante reconhecer essas ações como elementos desencadeadores de novas expressões de violência. Como percebemos o modelo neoliberal vem contestar a noção de direitos eigualdade, pois os direitos humanos, sociais, políticos, econômicos e culturaisfundamentam o objetivo de formação para a cidadania, que organiza a sociedade.No entanto, a intolerância, a não aceitação das diferenças, a rejeição ao outro sãoprocedimentos e comportamentos cada vez mais explícitos e hostis que estãoameaçando a nossa sobrevivência. Nota-se que a violência está sempre associada à idéia de poder, àpossibilidade de imposição da vontade do agressor, sobre o agredido, pois vivemosem uma sociedade que parece ser natural uns terem direitos e outros não. Como
  15. 15. 15aborda Gentili (1996, p.114): “É natural que uns sejam ricos e outros pobres, pois foià natureza que assim o quis, não havendo responsabilidade das instituições sociaise nem do Estado em administrar e mediar os conflitos sociais”. A falta de respeito para com os cidadãos brasileiros vem ocorrendo atravésde gerações em relação às crianças, jovens, adultos e idosos dos diferentescontextos sócio-culturais, passando a incluir a violência como um valorconsensualmente aceito, não encontrando na sociedade representada por seusórgãos competentes uma mobilização no sentido de amenizar os problemas etensões sociais que acabam gerando a violência. Neste cenário de sociedade encontram-se os estudantes que em sua maiorianão aceitam regras e princípios de convivência democráticos e pacíficos, tanto naescola como na vida diária, para eles é normal situações de conflitos e confrontofísico. Esta realidade requer da escola a criação de um projeto pedagógico quecontemple a identidade e subjetividade dos seus educandos, orientando-os para aconstrução de limites sociais e pessoais. No sistema educacional, a violência está presente desde o período colonial,onde existiam os Colégios Jesuítas com repressões e castigos a quemdesobedecesse às leis da instituição. Os Colégios Internos tinham a sua disciplinarígida e opressora, dessa forma também fazia exercer a agressividade física como ouso da palmatória e castigos impostos, pois para os mestres a disciplina seria fatorprimordial à aprendizagem. Esses comportamentos emitidos nos colégios incentivam a competitividade,agressividade e a violência, pois quem bate ensina a bater. De acordo comColombier (1989, p.82): A violência do sistema escolar, que tritura adultos e alunos, só pode ser freada pela violência da lei e da palavra. A pedagogia institucional procura não fazer mal. Mas isso não significa que ela seja inofensiva. Posto contra a parede, cada um pode decidir ou não a pagar o preço do seu desejo. Segundo Ariès (1973) no século XVIII e XIX a disciplina e o estudo eramconsiderados necessários para a ascensão social. Também a escola usufruía denormas bem explicitas baseadas em um sentimento da moral inquestionável, ao
  16. 16. 16menos pela grande maioria das pessoas, naquela época as práticas pedagógicaseram planejadas a partir do objetivo que perpetuasse essa moral. Segundo o mesmo autor no século XXI houve a fragilização das instituiçõescomo família, escola, igreja e sociedade em geral, levando as pessoas a nãovalorizar os princípios éticos e morais, pois não se estuda para adquirir oconhecimento, mas para ter um “futuro melhor”. Foucault (1978) afirma que modelos institucionais que limitamdemasiadamente a criança inibindo e modelando excessivamente seuscomportamentos espontâneos demonstram não suportar as exigências do seuprocesso de desenvolvimento. Já Guimarães (1990,p.17), atenta para a relevânciada escola quando cita que: (...) a instituição escolar não pode ser vista apenas como reprodutora das experiências de opressão de violência, de conflitos, advindos do plano macroestrutural. É importante argumentar que apesar dos mecanismos de reprodução social e cultural, as escolas também reproduzem sua própria violência e indisciplina. Mediante a disciplina rígida, a violência vem se descortinando e ficando maisexplicita. Como se percebe, o contexto escolar vem sendo marcado por alunosagressivos e hostis, pais inseguros e tensos, comunidades exigindoposicionamentos, professores mal remunerados e insatisfeitos, muitas vezesdestituídos de autoridade. Sendo assim, a violência na escola, tanto decorre daviolência social, como de ações que surgem do ambiente pedagógico, pois vivemosnuma sociedade que exerce sobre as pessoas o poder de dominação e opressão. Por isso, é fundamental entender que a criança (menino ou menina), e asformas de crueldade, maus-tratos e exclusão que ambos podem ser submetidos sãotão variados quanto às culturas e os ambientes nos quais eles vivem e crescem epor essa razão, a tarefa de protegê-los e educá-los para a paz só começou.Medeiros (2006, p.15) cita que: A escola é uma instituição direcionada ao ensino que, como outras, é um importante espaço de socialização, possibilita o encontro de jovens de díspares culturas e com tendências à busca e a experimentação, facilita o confronto com a autoridade do saber, o que implica poder e domínio.
  17. 17. 17 O cenário de crise moral, ética e espiritual que se manifesta na sociedadepós-moderna, acabam tendo repercussão dentro da escola. O sistema educacionalestá inserido dentro de um sistema maior, onde os problemas morais éticosmanifestados dentro da escola enquanto instituição, é na realidade, reflexo do queestá no seu entorno. O consenso se daria no sentido de desenvolver uma intervenção querepresente contraponto a esta realidade, que esteja condicionado ao envolvimentodos professores, famílias e sociedade no processo educacional, dentro de umadimensão humanista, conscientizadora e efetiva. Portanto, como diz Fleuri (2008,p.56) “A problematização é, propriamente oato de reflexão-ação pelo qual se percebe e se assume os problemas que o mundoapresenta...nas relações dos seres humanos entre si e com a natureza”. Em comumacordo com a fala do autor o nosso problema de pesquisa surge da nossa vivencia,por morar em um município que tem um alto índice de diversas formas de violênciadigo isso por que acompanho diariamente o jornal que passa na emissora 98 FMEmissora de rádio da cidade de Campo Formoso que está sempre fazendo umlevantamento de fatos violentos ocorridos na referida cidade. Também por que trabalhei no período de 2006 a 2009 como ConselheiraTutelar na cidade de Campo Formoso onde constantemente estava lhe dando comsituações de violência envolvendo crianças, adolescentes. Onde recebíamos todosos dias familiares angustiados a procura de solução para a rebeldia, desobediênciae violência praticadas por seus filhos. Eram constantes também recebermos convites por parte de diretores(as) deescolas para efetuar palestras e debates sobre violência e indisciplina com o objetivode tentar conter as ações dos seus alunos. Já houve algumas vezes de sermossolicitados as presas pois haviam alunos armados, em confronto físico com osoutros, ou por estar levando drogas para a instituição escolar. Por observar essesfatos da violência ser tão freqüente nas escolas do município de Campo Formoso, eespecificamente no nosso lócus de pesquisa com base nesses argumentos é quefomos motivados a construção desta pesquisa.
  18. 18. 18 De acordo com Barros (1990,p.76), “a maior vantagem do uso da observaçãoem pesquisa está relacionada à possibilidade de se obter a informação naocorrência espontânea do fato.” Também faço referência a fala de Fleuri (2008,p.58) onde este cita que “o educador que pretenda compreender os temas de umgrupo precisa, estabelecer uma relação dialógica com seus componentes. A partirdesse dialogo, o grupo pode ir explicitando seus problemas e sentindo-se desafiadopor eles”. Portanto a escolha desta instituição foi devido ter lecionado por três meses naEscola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora e ainda pelas observações querealizamos para a construção desta pesquisa. observamos durante este período nareferida instituição atitudes de violência e indisciplina como confrontos físicos,agressões verbais, morais aos colegas, professores, funcionários; depredação doespaço físico e de materiais didáticos. Notamos também uma preocupação por parteda diretora e demais funcionários para resolver este problema. Diante destasabordagens surge a seguinte questão: Quais as compreensões que as professorasda Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora tem em relação à violênciamanifestada por seus alunos? A relevância dessa pesquisa consiste, na contribuição que a mesma poderátrazer no debate desta temática que vem sendo fonte de estudo para pesquisadores(as). Acreditamos que a reflexão em torno desse assunto possibilite uma maiorcompreensão sobre a violência no âmbito escolar, praticada por alunos e osproblemas vinculados a estes comportamentos. Esperamos ainda que esta pesquisa possa contribuir a partir das reflexõessobre a violência no âmbito escolar promovendo de forma sistemática uma possívelmudança, que venha melhorar a relação ensino-aprendizagem. Pois a violência noâmbito escolar precisa ser freada e cabe a todos os interessados levantar estabandeira de luta. Torna-se importante discutir as compreensões que os professores tem sobrea violência e identificar os meios que as professoras junto a escola vemdesenvolvendo para diminuir a violência com vista a construir metodologias eatividades contínuas de construção da paz, visando atender os anseios da
  19. 19. 19comunidade escolar. Assim essa pesquisa tem como objetivo: identificar como asprofessoras da Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora compreendem aviolência manifestada por seus alunos. CAPÍTULO II 2. QUADRO TEÓRICO Após a abordagem da problemática objetivamos identificar como asprofessoras da Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora compreendem aviolência manifestada por seus alunos. Que será desenvolvido a partir da articulaçãodos seguintes conceitos chaves e eixos norteadores: compreensão, professor,Violência no espaço escolar, alunos. Assim, inicialmente refletiremos sobre oconceito chave compreensão.2.1. Compreensão A compreensão é o modo de entender e perceber um conjunto decaracterísticas gerais que formam um conceito. A compreensão é definida porJapiassú (2008,p.49), como “um mundo de conhecimento predominantementeinterpretativo, por oposição ao modo propriamente científico, que é o da explicação”.pode ser definida como um modelo de conhecimento interpretativo, explicativo. OAutor continua a citar que As ciências da natureza se prestam à explicação, enquanto as”ciências humanas” se prestam à compreensão. Enquanto a explicação detectam as relações que ligam os fenômenos entre si, a compreensão procede a uma apreensão imediata e intima da essência de um fato humano, isto é, seu sentido. Nesta perspectiva Morin (2001, p.95 ) afirma que “a compreensão intelectualpassa pela inteligibilidade e pela explicação”. Neste sentido o autor aborda duasformas de compreensão que é a intelectual ou objetiva e a outra a humana eintersubjetiva; falando que a explicação é bem entendida e necessária para a
  20. 20. 20compreensão intelectual ou objetiva. Já a compreensão humana vai além daexplicação, pois: (...) comporta um conhecimento de sujeito a sujeito. Por conseguinte, se vejo uma criança chorando, vou compreendê-la, não por medir o grau de salinidade de suas lágrimas, mas por buscar em mim minhas aflições infantis, identificando-a comigo e identificando-me com ela. O outro não apenas é percebido objetivamente, é percebido como outro sujeito com o qual nos identificamos e que identificando conosco, o ego alter, que se torna o alter ego. De acordo com a visão de Morin, a compreensão leva o sujeito a identificar-seem suas significações intencionais de modo a obter um conhecimento íntimo daessência de um fato humano, isto é, seu verdadeiro sentido. Sendo assim, entender as compreensões que os professores têm em relaçãoà violência na escola, significa situá-las dentro da dinâmica das relações sociais,dessa forma não pode os professores perceber a violência como mero elementodessas relações, e sim conseqüência das determinações sociais, culturais eeconômicas do contexto histórico no qual estão inseridos os sujeitos do processoescolar, que neste caso seria os alunos, no sentido de levarem a violência paraescola. Ainda na perspectiva de legitimação de compreensão como ponto dearticulação entre o ser humano e o meio, no intuito ou possibilidade decompreender, aprender incessantemente com o outro e consigo mesmo objetivandoassim a plenitude humana encontramos subsidio em Morin, (2001,p.104) quandoafirma: A compreensão é ao mesmo tempo meio e fim da comunicação humana. O planeta necessita, em todos os sentidos de compreensão mútua. Dada a importância da educação para a compreensão, em todos os níveis educativos e em todas as idades, o desenvolvimento da compreensão necessita da reforma planetária das mentalidades esta deve ser a tarefa do educador do futuro. Com tão grande responsabilidade os professores devem se trabalhar parasaírem do papel de disciplinadores e assumir seu ofício de despertar, de provocar,de questionar e de se questionar, percebendo que a violência na escola está ligada
  21. 21. 21a fatores sociais que os alunos trazem consigo do mundo onde vivem, suacomunidade, grupo de amigos e especificamente a educação que recebem dentroda família, que segundo os professores é o alicerce, a base de formação dapersonalidade e atitudes dos indivíduos. Segundo Alencar, (2001,p.34), Assim como a história o ser humano é uma possibilidade, ninguém nasce bandido, violento, ninguém nasce santo. Ninguém nasce sequer humano, no entanto no sentido cultural da palavra: humano como um ser dotado de inteligência, a que, se atribui racionalidade, subjetividade e, por isso, até certa superioridade (será?) em relação aos demais seres vivos. Melhor do que falar em natureza humana, portanto é falar em condição humana. Somos filhos do tempo, da cultura e... dos processos educativos que as sociedades criam e recriam. „‟húmus‟‟ que podem fecundar ou apodrecer. Entretanto, é preciso compreender a relevante função da escola no sentido deformação do ser humano inserido em sua realidade e o papel do homem enquantoagente das mudanças no mundo. Por isso, Japiassú (2008,p.98), cita que acompreensão é um movimento dialético do conhecimento “que explica o ato por suasignificação terminal, ... a nossa compreensão do outro se faz necessariamente porfins”. A seguir, serão detalhados alguns conceitos sobre professor.2.2. Professor Compreendemos professor como um agente de extrema relevância nodesenvolvimento dos processos educativos, com a incumbência de mediar oconhecimento, capaz de transformar e desmistificar conceitos prévios, possibilitandoa construção de cidadãos críticos, reflexivos e elucidados capazes de romper asbarreiras impostas pela classe dominante, vislumbrando dessa forma, aconscientização e emancipação política e social, norteando-se por uma pedagogiaque preza uma educação de qualidade desvinculada dos paradigmas elitistas. Comodenota Silva (2004, p.106) a função do professor atualmente é de mediador. A função do professor hoje é a de auxiliar as crianças e os adolescentes nos seus respectivos processos de construção de conhecimento, visando, em última análise, ao desenvolvimento cognitivo, afetivo e moral de tais indivíduos. Espera-se, com isto, que eles possam ser capazes e façam uso de estruturas operatório-formais, sejam equilibradas emocionalmente e moralmente autônomos. Educar para a ética e a cidadania deve ser um desafio para os educadores,pois ela é fundamental para a formação de um individuo. É preciso que os
  22. 22. 22educadores se libertem de amarras buscando aumentar suas potencialidades deauto-realização e de participação ativa na construção de conhecimentos. Nesse contexto de concepção sobre o papel do professor na construção doconhecimento buscamos contribuição em Gadotti (1991,p.32), onde o mesmo citaque: o educador, o filosofo, o pedagogo, o artista, o político tem e tiveramhistoricamente um papel eminentemente crítico. O papel de inquietar, de incomodar,de perturbar(...). Portanto, sua tarefa é de quem incomoda, de quem ativa conflitospara sua superação”. O professor é gente que vêm de lugares, culturas e famílias diferentes, comseus valores e princípios próprios, que trabalha numa determinada instituiçãoescolar. Nessa perspectiva o professor é agente transformador, tem em suas mãosum grande potencial que, usado com equidade provocará mudanças significativasno contexto social e cultural dos sujeitos envolvidos nos preceitos educacionais econseqüentemente comunitários. O professor é aquele que ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, umadisciplina é um mestre, um formador de opinião, aquele que socializa oconhecimento. É aquele que intervêm para promover a interação na sala de aula.Direciona a ação pedagógica dando significados ao processo educativo. De formageral Menegolla (1989 p.25) declara que: O professor é a pessoa que demonstra a grande habilidade de interpretar; ele não simplesmente repete, mas dá uma nova visão do fato. Faz interferências que não são evidentes, mas possíveis. Deduz aquilo que não aparece, mas que está escondido, procurando clarear, do escrito, escreve o não escrito; do falado, fala o não falado. Vê as coisas de forma diferente, em tudo descobre o novo. Para alcançar os seus objetivos o professor precisa refletir criticamente emrelação a sua prática, fazendo análises periódicas a respeito de todo o conjunto detécnicas utilizadas em suas aulas com a finalidade de direcionar o educando aoconhecimento.
  23. 23. 23 Partindo de tais visões os professores, deverão a partir da sala de aulacompreender as possibilidades de transformação buscando um caminhocomplementar, que, implica a revisão do processo de planejamento de suasatividades educacionais. A partir daí, será possível entender como tais processosdependendo do modo como foram compreendidos, podem trazer contribuição para oprocesso de ensino aprendizagem. É importante que vejamos o trabalho do professor como mediação quepossibilita uma reflexão a cerca dessas compreensões e de uma análise, naperspectiva de construir um trabalho que vá repercutir de forma positiva na vida e nojeito de agir dos sujeitos envolvidos no sistema escolar que esteja entrelaçado demetodologias que contemplem a paz o respeito ao próximo. Concebe-nos diante disso que é às diferentes formas como os alunos vêmreorganizando-se na sociedade que os professores terão de se adaptar e também,que as compreensões de violência na escola por parte de tais profissionais, precisaserem revistas, pois não é um fenômeno isolado, mas existe todo um ciclo quenorteiam para tais atitudes por parte dos alunos. Portanto, os professores devem estar atentos quanto as compreensõesdiversas e às vezes errôneas a acerca da violência na escola, pelo fato de que asvezes adota posturas de afastamento, o que conseqüentemente leva aodesconhecimento das relações que norteiam a postura dos sujeitos em relação àviolência na escola. Uma grande maioria leva em conta fatores isolados, adotandoconceitos comuns, sem maiores considerações; e/ou não têm interesse deinvestigarem o que realmente há por trás da violência na escola, o que leva a umdescaso e uma falácia de que tudo vai mal, mas não se sabe porque. É necessário que os professores sejam sensíveis o suficiente parareconhecer nos alunos que lida diariamente não somente o nome, mas sua famíliaseu contexto sócio cultural, sua história de vida, seus costumes suas crenças, parapoder perceber elementos que influenciam para a manifestação de violência noâmbito escolar e saber como intervir adotando atividades que contemplem esta
  24. 24. 24questão. Diante do contexto abordado, discutiremos a seguir sobre violência noespaço escolar.2.3. Violência no espaço escolar No sistema educacional a violência está presente desde o período colonialonde existiam os Colégios Jesuítas com repressões e castigos a quemdesobedecesse as leis da instituição. Os colégios internos ou internatos tinham asua disciplina rígida e opressiva, dessa forma também fazia exercer a agressividadefísica como o uso da palmatória e castigos impostos, pois para os mestres adisciplina seria fator primordial à aprendizagem. É possível perceber que a escola, por um lado, é um dos locais derepresentação de violência, seja ela moral, física, simbólica verbal. Há tambémdiscriminações sexuais, étnica, econômica, etc. Por outro lado são também visíveissuas possibilidades como espaço eficaz, tanto de socialização, construção eressiginificação das identidades dos alunos e especialmente de recontextualizaçãode determinações sociais e políticas, probabilidades estas que se concretizam pormeio do trabalho escolar. Além disso, o aluno de maneira geral demonstra gostar daescola e de seus professores, depositando neles confiança. Para entendermos o fenômeno da violência buscamos a sua conceituação emFerreira (1986,p.364) onde ele traz a definição de violência como sendo: “Qualidadede violento, ato violento, ato de violentar, jur. Constrangimento físico ou moral, usoda força; coação”. Nesta mesma concepção Japiassú (2008,p.278), define violência comosendo, “todo ato exercido com bastante força contra um obstáculo. Comportamentode uma pessoa agindo de modo constrangedor contra outra pessoa, que consideraum estorvo à realização de seus desejos”. Levando em consideração estasdefinições, pontuamos que a violência está sempre ligada ao uso da força da coaçãode um individuo sobre outro. Medeiros (2006,p.140) acrescenta ainda que:
  25. 25. 25 A violência é um fenômeno que independe da minha vontade e do meu controle. Ela é vista e percebida como algo que me atinge, vem de fora, sua origem é externa a mim. Muito embora a ameaça e a agressão verbal sejam denunciadas e apontadas como manifestação psicológicas de violência, a ação física e/ou corporal aparece como componente principal da violência. Como afirma o autor a violência é algo que parte de um outro individuo sobrealgo ou alguém que se tenta atingir com o intuito de prejudicar. Percebemos tambématravés da fala do autor que a violência física é uma das principais formas demanifestação de violência. Buscamos também apoio teórico em Parolim (2003,p.99) quando ele nos dizque é necessário que se tenha claro que a violência na escola não pode seranalisada como um fenômeno isolado, parte que é de um processo mais amplo, queextrapola os limites da unidade escolar, pois implica uma série de fatores que dizemrespeito ao contexto social como um todo. O consenso se dá no sentido de que sedesenvolva uma intervenção que represente contraponto à violência. Seu sucesso,porém, estaria condicionado ao envolvimento dos professores e das famílias, dascomunidades e das escolas neste processo. Ainda que este conjunto de fatores seja reflexo de contextos sociais maisamplos, a violência na escola torna-se um problema grave, merecedor de atenção ede investimentos, no campo da intervenção e da pesquisa. É preciso atuar demaneira eficaz, tanto em suas causas primarias quanto em seus efeitos. A escola é, como se vê, campo de conflitos, em que confrontos entrediferentes agentes se manifestam e, apesar da retórica da participação do alunoassim como de seus pais e dos moradores do entorno escolar, bem como derepresentações populares e sindicais, esta, na pratica, é restrita, é ambiente demanifestações de comportamentos diversos. Neste ambiente alguns alunos apresentam um comportamento agressivo,intolerante, apático e de baixa auto-estima. Um fator apontado para essecomportamento é algumas família nas quais os pais dedicam pouco tempo à suaeducação e como resultado, esses jovens apresentariam dificuldades norelacionamento com o outro; comprometendo sua noção de civilidade ecompanheirismo. É neste momento que os educadores além de cumprir a sua
  26. 26. 26função de educar ainda tem que ser um pouco mães e pais transmitindo aos alunosvalores que seriam próprios dos genitores. Como afirma Gentili e Alencar (2001p.111). Educadoras são parteiras do futuro! Devem estar armadas de paciência, serenidade, conhecimento e compreensão das mudanças do mundo, que não acontecem fora das vontades dominantes da sociedade. O educador tem a delicada tarefa de investigar a mina que é cada pessoa, com sua preciosidade escondida. Todavia, o papel da escola é construir um novo olhar sobre esta temática ebuscar respostas com vistas a sensibilizar a comunidade familiar e escolar para umaparceria de laços concretos. Diante disso trazemos uma importante contribuição deSilva (2004,p.150) quando ele cita: “A indisciplina e a violência nas escolas seriaproduto do fato de os alunos não terem como valor central em suas personalidadeso respeito ao outro. Em decorrência, os professores e os demais colegas não seriamobjetos do olhar de tais indivíduos”. Ainda, Abramavay (2002,p.112), associar-se-ia, a violência nas escolas hátrês dimensões sócio-organizacionais distintas. Em primeiro lugar, à degradação no ambiente escolar, isto é, à grande dificuldade de gestão das escolas, resultando em estruturas deficientes. Em segundo, a uma violência que se origina de fora para dentro das escolas, que as torna sitiadas e manifesta-se por intermédio da penetração das gangues, do tráfico de drogas e da visibilidade crescente da exclusão social na comunidade escolar. Em terceiro, relaciona-se a um componente interno das escolas, específico de cada estabelecimento. Pontuamos que para os alunos a falta de diálogo, respeito mútuo, justiçasocial, a não aceitação das diferenças se misturam com frustração de que a escolanão é o modelo para realização de seus desejos, estes fatores levam os mesmos adarem respostas condizentes com agressividade. Quando não possuem espaçospara resolver seus conflitos, deixam suas marcas através de rabiscos nas paredes,depredação do patrimônio escolar, quando não agridem verbal e fisicamente seuscolegas e demais funcionários da escola. Com evidencia em Colombier (1989,p. 26): “a violência sempre existiu e iráexistir, mas devemos nos preparar para enfrentá-la” (...), o medo da autoridadeevoluiu, mas para nós a urgência se situa nas respostas que temos de dar”. Entre asorganizações e instituições que podem estar dando respostas às “violências”,
  27. 27. 27encontra-se a escola que acolhe crianças, adolescentes e adultos com costumes,crenças religiosas, visões de mundo diferentes. Por tanto, é necessário sensibilizareducadores e alunos para o combate à violência em suas diversas manifestações. Para Ataíde (2004,p.24) “a violência nas escolas parece ser um fatocomplicado”; é possível que em curto prazo não seja tomada medidas a ponto deresolver esse problema, será um desafio conviver com esta realidade, no entantopode-se ensaiar um espaço escolar melhor abrindo vagas para um novo agir ondese propagam à esperança o respeito e a dignidade abrindo caminhos para pensar,questionar, e construir meios de resolução desta problemática que envolve afamília. Escola, sociedade. A seguir abordaremos o conceito chave aluno.2.4. Aluno Considerando que a educação é um fenômeno social e universal, sendo umaatividade humana necessária à existência e ao funcionamento de todas associedades, cada uma delas procura cuidar da formação dos indivíduos, auxiliar nodesenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais, preparando-os para aparticipação ativa e transformadora nas várias instâncias da vida social. Com base nestas considerações é que trazemos a definição de alunosatravés de Ferreira (1986,p.23) onde o mesmo cita que: “Alunos são pessoa querecebe instrução e/ou educação de mestres, em estabelecimento de ensino ouparticularmente; pessoa que estuda”. Sobre a definição de alunos nos reportamostambém a Oliveira, (1962,p.10) onde o autor define aluno como sendo: O aluno é quem aprende, ou digamos quem deve aprender. É para ele que existe a escola, que deve adaptar-se a ele, encarando-o como um ser humano em crescimento com todas as suas capacidades e limitações, peculiaridades, interesses, reações e impulsos. Assim deve ser de início, pois o ideal é que haja uma perfeita interação entre aluno e escola, cada um dando o melhor de si para plena execução do interesse comum: a educação. Diante desta definição percebemos que a educação é de fundamentalimportância para a formação de um cidadão crítico e consciente, ela não apenasintegra o individuo no meio social, mas também lhe proporciona uma autonomia.Como afirma Freire(1996,p.72) “mulheres e homens, somos os únicos seres que
  28. 28. 28social e historicamente, nos tornamos capazes de aprender. Por isso, somos osúnicos em que aprender é uma aventura criadora. Aprender para nós se faz semabertura ao risco e a aventura do espírito”. Ximenes (2000,p.24), nessa mesma visão entende que aluno é aquele querecebe instrução ou educação de mestre(s), discípulo, educando, estudante. Nesta perspectiva Fleuri (2008) diz que o educador, nesse sentido, é umsujeito que se insere num processo educativo e interage com outros sujeitos,dedicando particular atenção às relações e aos contextos que vão se criando, demodo a contribuir para a elaboração dos sentidos que os sujeitos constroem ereconstroem. A relação educativa não se faz pela a ação de um sujeito para outro,mas pela articulação, da ação de um agente com a ação de outro sujeito, cada umcom base em processos autônomos. Amparados nas reflexões anteriores percebemos que é na escola que seconstroem as aprendizagens, esta se constitui como um espaço social onde ossujeitos constroem historicamente uma realidade marcada por singularidade, que atornam rica em experiências e ensinamentos. Freire(1996,p.95) acrescenta aindaque:”A prática docente não há sem a discente é uma prática inteira. O ensino dosconteúdos implica o testemunho ético do professor. A boniteza da prática docente secompõe do anseio vivo de competência do docente e dos discentes e de seu sonhoético”. Como citou o autor não há professor sem alunos e vice versa para aconstrução dos conhecimentos destes seres é preciso um ambiente adequado aoensino aprendizagem sendo este ambiente a sala de aula. Portanto buscamos apoioteórico em Zabala (1998,p.53) onde o autor cita: (...) a aula se configura como um microssistema definido por determinados espaços uma organização social, certas relações interativas, uma forma de distribuir o tempo, um determinado uso de recursos didáticos, etc., onde os processos educativos se explicam, o que acontece na aula só pode ser examinado na própria interação de todos os elementos que nela entrevem.
  29. 29. 29 Com esta reflexão percebemos que é na sala de aula que os alunos eprofessores passam a maior parte do tempo, enquanto se encontra na escola épreciso que atenda a determinados requisitos que irão interferir sobre o seurendimento escolar cabe ao professor orientar o desenvolvimento da criança emfunção das oportunidades e solicitações da vida coletiva, pois a escola não é umainstituição apenas destinada ao ensino deve funcionar como um centro irradiador emultiplicador de ações educativas que são desenvolvidas à medida que surgem asnecessidades e as possibilidades. Colombier (1989,p.90), cita que o sucesso parauma educação eficaz está em como o professor conduz suas práticas pedagógicas. O ponto não está colocado no professor, dotado ou não de um certo número de qualidades especificas que assegurarão ou não o sucesso do empreendimento educativo, mas no dispositivo que o professor coloca em funcionamento nos confrontos que este dispositivo permite: entre o aluno e os diferentes domínios do saber e do saber fazer, entre os alunos e entre o professor e os alunos. A estreita relação entre professor e aluno tem momentos de alegria econfronto, estas singularidades fazem parte desta convivência que requer muitoamor e dedicação. Não se pode educar verdadeiramente um aluno se não oferecer aele o saber somado aos valores da cidadania. Freire(1996) propõe aos educadores:“um trabalho pedagógico que, a partir do conhecimento que o aluno traz, que é umaexpressão da classe social à qual os educandos pertencem, haja uma superação domesmo. O que se propõe é que o conhecimento com o qual se trabalha na escolaseja relevante e significativo para a formação do educando. A escola e seus profissionais formam um universo capaz de propiciar odesenvolvimento do aluno, bem como criar condições para que ocorramaprendizagens significativas e interações. Cada sujeito apresenta um universopróprio, sendo relevante respeitar esta singularidade. Mas para Freire (1996,p.72) é necessário acima de tudo ter alegria nestainteração. “Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e aesperança. A esperança de que professor e alunos juntos podemos aprender,ensinar inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos à nossaalegria”.
  30. 30. 30 É necessário que os professores sejam sensíveis o suficiente para conheceros alunos que lida diariamente não saber somente o nome mas sua família seucontexto sócio cultural, sua história de vida. O cotidiano escolar deverá ser nãoapenas local de recorrência da conduta humana, mas como espaço de criação. Pois,a escola representa os projetos de vida dos alunos. É um espaço onde, estes sereúnem, estabelecem e compartilham códigos de comportamento, iniciam namoros edesenvolvem relacionamentos amorosos, etc.
  31. 31. 31 CAPÍTULO III METODOLOGIA Entendendo que em todo ato de pesquisa é necessário contextualizar arealidade na qual está inserido o público alvo da pesquisa, para possibilitar umavisão mais abrangente da problemática e das relações múltiplas que se estabelecemsobre determinada realidade. Com base nisso, será identificado o tipo de pesquisa,seqüencialmente o lócus, os sujeitos, os instrumentos de coleta de dados e asetapas da pesquisa. Segundo Demo (1999,p.128) “pesquisa é um diálogo critico e criativo com arealidade, culminando na elaboração própria e na capacidade de interação de“aprender a aprender”.3.1. Tipo de pesquisa O presente estudo está respaldado na pesquisa qualitativa, busca através dasobservações e dos questionários aberto e fechado, identificar como as professorasda Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora compreendem a violênciamanifestada por seus alunos. Recorremos a essa abordagem de pesquisa qualitativa com respaldo emLudke e André (1986), justificada pelo fato de que ela responde de forma discreta aliberdade do pesquisando, permitindo envolvimento ou inserção pessoal, intelectualou social, também por compreender que a mesma utiliza abordagem sociológicapara discutir valores, expectativas e concepções. Assim Ludke e André (1986,p.11),deixam claro que: ... a pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que sendo investigada via de regra através do trabalho intenso de campo, o material obtido nessa pesquisa rico em descrições de pessoas, situações e acontecimentos. Nesse sentido este tipo de pesquisa é relevante, pois permite a interação dopesquisador com a realidade pesquisada, possibilitando configurar uma maior
  32. 32. 32compreensão do objeto de pesquisa, a partir de análises do cotidiano que semprerevela as relações que empregam ao seu entorno. Sendo todos os dados dapesquisa de extrema relevância, na qual o pesquisador deve ter uma atençãoespecial ao maior número de elementos presentes nas situações de estudo.3.2. Lócus O lócus é a unidade fundamental onde se desenvolve a pesquisa, onde opesquisador encontra as informações necessárias para refletir sobre o problema depesquisa. Com essa compreensão, a presente pesquisa foi realizada na EscolaEstadual Nossa Senhora Auxiliadora, situada na Praça Travessa Senhor do Bonfim,nº 200, centro, Campo Formoso - BA. Atende 384 alunos de 5ª a 8ª série no turnomatutino e vespertino e a EJA (Educação de Jovens e Adultos) no noturno. A escoladispõe de uma equipe constituída de 10 professores, uma diretora, vice-diretora equatro funcionários para a realização de serviços gerais. A estrutura física da escolaconstitui-se de 06 salas, uma diretoria, uma pequena biblioteca, 03 banheiros, paraambos os sexos e um para os demais funcionários, uma cantina, um depósito, umpátio, dispõe de um espaço grande para lazer, onde futuramente se pretendeconstruir uma quadra esportiva.3.3. Sujeitos envolvidos Buscando identificar como as professoras da Escola Estadual Nossa SenhoraAuxiliadora compreendem a violência manifestada por seus alunos, elegeu-se comosujeitos da pesquisa 10 professoras que atuam na referida escola, nos turnosmatutino e vespertino. Fator que contribuiu de forma significativa para aconcretização da pesquisa e o alcance dos objetivos.3.4. Instrumento de coleta de dados Nesse estudo, para identificar como as professoras da Escola Estadual NossaSenhora Auxiliadora compreendem a violência manifestada por seus alunos,utilizamos os seguintes instrumentos: a observação participante, questionáriosfechado e aberto, que foram aplicados, buscando responder o nosso objetivo.
  33. 33. 333.4.1. Observação Participante Utilizarei a observação participante como método de captar expressões eatitudes cotidianas que demonstrem elementos da violência no âmbito escolar. Ela érelevante por que aplicamos atentamente os sentidos a um objeto para adquirir deleum conhecimento claro e preciso portanto se torna imprescindível. De acordo comBarros (1990,p.76) “a maior vantagem do uso da observação em pesquisa estárelacionada à possibilidade de se obter a informação na ocorrência espontânea dofato”.3.4.2. Questionário fechado e aberto Optamos por estes instrumentos por entender que o questionário é a formamais usada para coletar dados, pois segundo Lakatos (1991,p.88): O mesmo possibilita medir com exatidão o que se deseja, além de ser menos dispendioso e mais abrangente, nos permite de acordo com a situação, possibilitando- nos coletar informações e respostas mais reais, limitando-nos em sua extensão e finalidade. Para Andrade (1999,p.131) “perguntas fechadas são aquelas que indicam trêsou quatro opções de resposta ou se limitam à resposta afirmativa ou negativa e játrazem espaços destinados à marcação da escolha.” Também sobre questionárioaberto, Andrade (1999,p.130-131), afirma que: “é o conjunto de perguntas que oinformante responde, sem necessidade da presença do pesquisador.” Uma das razões de usar questões fechadas e abertas é que elas permitemavaliar melhor as atitudes para análise das questões levantadas e contribuem paraque os sujeitos estabeleçam relações entre as respostas. Estes questionários sãorelevantes para a pesquisa proposta, porque possibilitam a coleta dos dados geraisdos sujeitos e suas compreensões a cerca do tema abordado.3.5. Etapas Para execução efetiva da pesquisa em, julho, agosto, setembro de 2009efetuamos um estágio remunerado onde estivemos em contato com os alunos epercebemos a problemática da violência na instituição, em novembro do mesmo ano
  34. 34. 34fomos até a diretoria da instituição pesquisada, com a finalidade de apresentar apesquisa, seu objetivo, bem como coletar os dados sobre o assunto pesquisado,com a autorização da diretora fizemos uma observação participante de duassemanas do dia 09-14 e de 16-20/11/2009 para melhor constatação do objetopesquisado. De posse desses dados manteve-se contato com os professores, dentro deum universo amostral - 10 sujeitos, entregando aos mesmos os questionáriospreviamente elaborados, tendo-se estipulado um prazo de cinco dias úteis para adevolução dos mesmos. Todos os professores devolveram os questionários,procedendo-se ai a categorização, organizando os dados que se referiam aosmesmos aspectos, diante de critérios pré definidos. Segundo Franco (2003, p.51): Formular categorias, em análise de conteúdo, é via de regra, um processo longo, difícil e desafiante. Mesmo quando o problema está claramente definido e as hipóteses( explicitas ou implícitas) satisfatoriamente delineadas, a criação das categorias de análise exige grande esforço por parte do pesquisador. A contribuição dos sujeitos foi de grande relevância, uma vez que asrespostas permitiram uma interpretação clara sobre as compreensões dasprofessoras do ensino fundamental da Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora.
  35. 35. 35 CAPÍTULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Diante da necessidade de identificar como as professoras da Escola EstadualNossa Senhora Auxiliadora compreendem a violência manifestada por seus alunos,apresenta-se aqui os resultados da investigação realizada, a partir da análise dosdados coletados a saber; observação, questionários fechado e aberto a fim degarantir melhor entendimento e também para esclarecer mais precisamente osignificado de uma resposta optar-se-á em empregar o questionário como suporte àcoleta de dados. Ressaltamos a importância que a análise dos dados tem naconsolidação de um procedimento de pesquisa, pois sem ele seria impossívelalcançar os nossos objetivos.4.1. RESULTADO DO QUESTIONÁRIO FECHADO: O PERFIL DOS SUJEITOS Como resultado do questionário fechado, aplicado para conhecimento do perfildos sujeitos pesquisados que são todas do sexo feminino, foram levantados osseguinte resultados:4.1.1. Faixa EtáriaFonte: Questionário fechado aplicado com os sujeito da pesquisa
  36. 36. 36 No que se refere à faixa etária das professoras pesquisadas, conforme ográfico acima; na referida escola não tem nenhuma professora com menos de 30anos, quatro estão entre 30 e 40 anos e seis delas tem mais de 40 anos, conclui-seportanto, que as professoras do ensino fundamental, da referida escola possuem umrelativo grau de amadurecimento especialmente no que se refere à idade.4.1.2. Tempo de atuação no magistério. Fonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Constatou-se que 10 % dos entrevistados tem menos de 05 anos de atuaçãocomo educadoras; 20 % tem entre 10 e 15 anos, enquanto 70 % tem mais de 15anos de trabalho como professoras. A observação do gráfico nos leva a perceberque há uma experiência considerável na prática educativa, visto que a grandemaioria já atua no magistério, em especial no ensino fundamental há mais de cincoanos, o que nos possibilita afirmar que há entre os docentes um bom nível deconhecimento sobre sua profissão e da prática em sala de aula. Nesse sentido nos reportamos a Ghendin (2002,p.175), quando afirma que:“A experiência docente é espaço gerador e produtor de conhecimentos, mas issonão é possível sem uma sistematização que passa por uma postura crítica doeducador sobre as suas próprias experiências.” As experiências vivenciadas pelas
  37. 37. 37professoras no local de trabalho possibilitam refletir sobre suas próprias açõespedagógicas, fazendo-as sujeitos da sua própria formação. Para nos tornar educadores temos que estar abertos a novos conhecimentos,pois na nossa prática diária em sala de aula aprendemos muito com nossos alunos.mesmo como educadores temos que nos considerar aprendizes. Como dizia Freire(1996,p.23-24)” ensinar inexiste sem aprender e vice-versa e foi aprendendosocialmente que, historicamente mulheres e homens descobriram que era possívelensinar”.4.1.3. Formação Acadêmica 10% Magistério 10% 30% Pedagogia Espec. em Geografia 10% Espec. em Psicopedagogia Espec. Metod. Líingua Portuguesa 40% Fonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Quanto a formação, constatou-se, que das 10 professoras pesquisadas, jáexiste um percentual significativo daquelas que possuem uma especialização ougraduação, demonstrando assim, uma atenção e maior investimento na continuidadeda formação. Das 10 professoras pesquisadas, 03 delas concluíram o ensino médio emMagistério, 04 se graduaram no curso de Pedagogia, uma fez especialização nocurso de Geografia e Meio Ambiente; outra especialização no curso dePsicopedagogia, e a última professora se especializou em Metodologia da LínguaPortuguesa. Os resultados, com relação ao nível de formação, demonstram um avançopara a educação do ensino fundamental, já que este acolhe alunos que já são
  38. 38. 38adolescentes e estes cobram dos(as) professores (as) maior conhecimento edomínio dos conteúdos que serão ensinados. Os resultados demonstram que asprofessoras estão em uma crescente busca de uma formação e qualificaçãoprofissional compreendem que devem estar, preparados para atenderem demandassócio-educativas do tipo informal, não-formal e formal, decorrente de atos sociais,novas tecnologias, mudanças nos ritmos de vida, mudanças profissionais. Freire(1996,p.65) fala da responsabilidade que tem os(as) professores(as) para com aformação dos alunos. A responsabilidade do professor, de que às vezes não nos damos conta, é sempre grande. A natureza mesma de sua pratica eminentemente formadora, sublinha a maneira como a realiza. Sua presença na sala é de tal maneira exemplar que nenhum professor ou professora escapa ao juízo que dele ou dela fazem os alunos. Pensar a formação das professoras do ensino fundamental, requer pensar osentido da educação, buscando com base na reflexão critica, discutir ascompreensões que foram socialmente atribuídas a essa modalidade de ensino. Poresse motivo o professor deverá ser um dos profissionais que buscam sempre estar apar das novidades, ser amigo e usar as tecnologias a favor da sua prática diária ou oaluno, não encontrando nada de interessante nas aulas e não podendo ir emborapara não ter faltas, torna-se inquieto ou simplesmente se cala no seu canto gerandoassim a indisciplina, tanto ativa como passiva.4.1.4. Tipo de violência mais freqüente Fonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa.
  39. 39. 39 Com relação a esta questão, 90% das professoras pesquisadas,responderam que o tipo de violência mais freqüente é a violência verbal, enquantoque 10 % responderam violência psicológica. Compreendemos que a violência tem representado um grande problema nacotidianidade da população, principalmente nas grandes cidades não sendodiferentes em espaços escolares, ela está presente em situações que se observa anegação da relação social através da comunicação. É definida por Amoretti (1992,p.41) como ato que “determina dano físico, moral ou psicológica através daforça ou da coação, exerce opressão e tirania contra a vontade e a liberdade dooutro”. A violência verbal e psicológica mesmo não trazendo agressão física, atingema moral de quem a sofreu. Estas situações provocam um mal estar para todos osenvolvidos, deixando os inseguros Medeiros 2006 cita que sem desconsiderar omedo da violência física, o professor parece sentir-se mais agredido com o insultoverbal do que com outras atitudes de desrespeito. Abramovay (2002) apud Charlot(1997,p.83) nessa mesma visão classificou a violência como: I) a- golpes, ferimentos, violência sexual, roubos, crimes, vandalismo; II) incivilidades – humilhações, palavras grosseiras, falta de respeito; III) violência simbólica ou institucional – falta de sentido em permanecer na escola por tantos anos; vêem o ensino como um desprazer, que obriga o jovem a aprender matérias e conteúdos alheios aos seus interesses. Aranha (1996,p.35) vem dizer que a violência simbólica “é exercida pelopoder de imposição das idéias transmitidas por meio da comunicação cultural, dadoutrinação política e religiosa, das práticas esportivas, da educação escolar” Desse modo, percebe-se que a instituição escolar vem enfrentandomudanças com as dificuldades cotidianas, que provêm tanto dos problemas internoscomo das diversas manifestações de violência, quanto da efetiva desorganização daordem social, que se expressa mediante fenômenos exteriores à escola, como aexclusão social, desestruturação e falta de acompanhamento da família. 4.1. 5. Fator responsável pela indisciplina e violência na sala de aula
  40. 40. 40 Fonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Quanto aos fatores responsáveis pela indisciplina e violência na escola, asprofessoras em sua maioria marcaram mais de uma resposta. Diante deste fatoorganizamos suas respostas da seguinte maneira 6% apontam como fator adefasagem, 37% consideram a falta de orientação dos pais como fator que influênciabastante as manifestações de violência na escola, 38% consideram a carênciaafetiva dos alunos como fator que atrapalha o ensino aprendizagem; 13% apontamque é devido ao número excessivo de alunos, uma das professora que correspondea 6% respondeu como fator uma disciplina rígida. Com base nas respostas das professoras os fatores que causam a violênciana escola estão ligadas tanto a fatores externos como falta de orientação dos pais acarência afetiva dos alunos como também fatores que estão ligados a escola comodisciplina rígida, e número excessivo de alunos. Acreditamos que se a própriainstituição revisse a sua metodologia de trabalho esses dois últimos fatores seriamsuperados enquanto que os dois primeiros não estão ao alcance da escola. ParaParolim (2003, p.99) a violência na escola é um fenômeno que não está isolado: É necessário que se tenha claro que a violência na escola não pode ser analisada como um fenômeno isolado parte que é um processo mais amplo que extrapola os limites da unidade escolar, pois implica uma série de fatores que dizem respeito ao contexto social como um todo. A construção de uma visão crítica sobre esse fenômeno mostra-sefundamental, na medida em que permeia todas as relações sociais, em que sãoprofundamente afetados os membros da comunidade escolar, como, alunos,
  41. 41. 41professores, diretores e pais. Colombier (1989, p.101) cita que é preciso responderas ações de violência de forma diferente percebendo o que o aluno quer expressar. responder a violência através de uma pedagogia do desejo é ver nela outra coisa além dos atos destrutivos através dos quais ela se manifesta... é procurar o que permitirá passar desta violência selvagem para um comportamento socialmente aceitável, sem com isso sufocar a energia que esta violência subentende. O grupo planejador da escola deve estar atento a promover relações de troca,de esforços partilhados na construção de soluções comuns, para o alcance dosobjetivos coletivos. Valorizando estas aprendizagens para que sejam úteis aosestudantes que irão recebê-las, durante o tempo em que estarão na escola, poiscada um traz consigo opiniões e visões diversificadas. Sobre isso Xavier (2006,p.56) traz uma contribuição. Percebe-se também a necessidade de incorporar de forma mais substancial, saberes emergentes e contemporâneos no currículo escolar, bem como de ver uma maior revitalização dos saberes de áreas de conhecimento... buscar maior articulação e dialogo inter disciplinar entre as áreas de conhecimento a partir da proposta dos complexos temáticos. Xavier nos lembra que é de suma importância estar modificando sempre anossa pratica de ensino construindo de forma dinâmica o sentido da prática coletivaa partir e em função das necessidades e desafios que emergem na vida dacomunidade escolar sem dúvida este seria um dos caminhos para a revitalização doconhecimento. Alves, (1993,p.59) atenta para a função relevante que o professor deve terpara poder perceber estas singularidades que requer a pratica educativa. “Professoré aquele que educa que realiza seu trabalho com o intuito de mudar a sociedade,pois possui ideologia e se torna insubstituível fazendo diferença na sociedade”.4.1. 6. Se já presenciou cenas de violência na escola
  42. 42. 42 Fonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Ao serem indagados sobre se já presenciaram cenas de violência na escola,30% das professoras foram unânimes ao responderem que este fenômeno épresente no âmbito escolar, enquanto 70% afirmaram que vezes percebem outrasvezes não. No ambiente escolar alguns alunos apresentam comportamento agressivo,intolerante, apático e de baixa auto-estima. Um fator apontado para essecomportamento, é explicado por Silva (2004,p.131) onde cita que: Os alunos seriamindisciplinados e violentos por que desconhecem a utilidade das regras morais deque elas servem para regular as relações entre as pessoas. Em comum acordo Colombier (1989, p.12) acrescenta ainda que a violênciajuvenil não é a soma de delitos que o Código Civil descreveria com precisão. Elesestão na escola para aprender a sua função. A sua violência é a procura de umestilo de uma supervalorização ostensiva, que parece caminhar em sentido opostoao esperado. Mas é preciso conter as formas de violência manifestadas por os alunos oudar a ela um destino, a violência e suas causas que, com toda a razão, tantopreocupam, possibilitam demonstrar os recursos da pedagogia institucional.4.1.7. Se sofreu violência por parte de alunos? Qual o tipo?
  43. 43. 43 33% Verbal 67% Física Fonte:Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. A observação do gráfico nos leva a perceber que das dez professorasquestionadas 06 delas já sofreu violência por parte de alunos, enquanto que 04responderam que nunca sofreram violência por parte de alunos. Das 06 professorasque sofreram violências 67% foram verbal e 33% física. Visto que nacontemporaneidade o professor já não é visto mais como alguém superior que eraprofundamente respeitado e acreditado. Neste sentido nos reportamos a D‟Antola (1989,p.53) ao afirmar que “... apossibilidade da perda da autoridade assusta os professores, os quais temem querelações horizontais entre professor e aluno provoquem uma inversão nas relaçõesde poder da escola e que os alunos se coloquem como dominadores.” Para que nãovenha ocorrer este problema é preciso construir diariamente a disciplina, respeitomútuo, cremos que a contribuição de alguns fatores, entre eles: incentivo aautonomia e as interações entre professor e alunos serão fundamentais. Mesmo que a violência contra as professoras não se expresse em grandesnúmeros e apesar de não ser na escola que ocorrem os eventos mais violentos dasociedade, ainda assim, esse é um problema preocupante. Seja pelasconseqüências que diretamente atingem as pessoas envolvidas ou pelos fatos quecontribuem para rupturas com a idéia da escola como lugar de conhecimento, deformação do ser e da educação. É preciso novas reflexões sobre as manifestaçõesde violência dentro do espaço escolar, que possam contribuir para a efetivação deuma educação mais comprometida e emancipatória.4.1.8. Onde é mais freqüente cenas de violência?
  44. 44. 44 Fonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Em relação à questão, onde era mais freqüente cenas de violência, as 10professoras responderam da seguinte forma 04 responderam que é mais freqüenteno pátio, 02 responderam que é dentro da sala de aula, e 04 responderam que é noscorredores. Nesse sentido nos reportamos a Abramovay (2002,p.125), ao afirmar que “Aescola não seria mais representada como um lugar seguro de integração social, desocialização, não é mais um espaço resguardado; ao contrário, tornou-se cenário deocorrências violentas. Acrescenta ainda que a violência que crianças e adolescentesexercem, é antes de tudo o que o seu meio exerce sobre eles”. As agressões que recebemos no nosso dia-a-dia define o alto índice deviolência nos setores sociais, fazendo com que os valores e virtudes sejamsimultaneamente substituídos, considerando que muitas vezes este meio socialexerce influências sobre as crianças e adolescentes e em contrapartida elesreproduzem comportamentos violentos. Os profissionais da escola acolhem crianças, adolescentes e adultos comcostumes, crenças religiosas, visões de mundo diferentes, portanto, precisamsensibilizar educadores e alunos para o combate à violência em suas diversasmanifestações.4.1.9. Comportamento dos professores com os alunos
  45. 45. 45 Fonte: Questionário fechado aplicado com os sujeitos da pesquisa. Para este questionamento as professoras marcaram em mais de umaalternativa, obtendo o seguinte resultado: 50% das entrevistadas responderam quetentam manter um relacionamento amigável, 33% procuram ser comunicativas e 17% responderam que são compreensivas. De acordo com esta constatação tragoaqui uma fala de Freire (1996,p.122) onde este cita como os professores devemestar agindo com seus alunos. É obvio que não posso me bater fisicamente com um jovem... nem por isso, porém, devo amesquinhar-me diante de seu desrespeito e de seu agravo, é preciso que, assumindo com gravidade a minha impotência na relação de poder entre mim e ele, fique sublinhada sua covardia. É necessário que ele saiba que eu sei que sua falta de valor ético o inferioriza. O autor cita que ao invés do professor confrontar o aluno é preciso mostrá-loque o seu comportamento o diminui e o inferioriza. É importante valorizar asrelações professor-aluno. Desta forma o educador com o educando e não sobre ele,conseguirão a superação de atos indesejáveis e conquistarão o respeito. Na visãode Vasconcellos (2000), “o respeito ao outro, passa pela construção do respeito paraconsigo mesmo.” Reis (2003.p.19) vem contribuir com esse discurso quando fala que: nósprofessores precisamos ter consciência do nosso papel nessa história e reconhecerque no cenário das salas de aulas, tecemos tramas que entrelaça questões sociais,econômicas, políticas e pedagógicas. Portanto, a nossa função e a educação não
  46. 46. 46são neutras. No cotidiano escolar sustentamos a estrutura social vigente, reforçandoo autoritarismo; ou contribuindo para transformar o que está imposto/legitimado.4.2. Resultados do questionário aberto A partir da análise do questionário aberto aplicado às professoras da EscolaEstadual Nossa Senhora Auxiliadora, conseguimos identificar as compreensões queas professoras da Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora tem sobre a violênciamanifestada por seus alunos. Então, podemos identificar as compreensões que as professoras têm sobre aviolência manifestada por seus alunos no espaço escolar como:4.2.1. Compreendem a violência como Ato prejudicial Sobre essa temática pode-se perceber que nos turnos matutinos evespertinos da Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora, 05 das professorasquestionadas compreendem a violência como um ato prejudicial para quem a sofre.Sobre isso o P8 enfatiza que: Violência é todo tipo de comportamento que causa dano a uma pessoa, ser vivo (planta ou animal) ou objeto. A professora pontua que a violência traz prejuízos não só para os sereshumanos, mas também para qualquer outro ser e muitas vezes prejuízosirreparáveis. Ao fazer essa afirmação, a professora reforça o que nos afirmouColombier (1989,p.140) “reconhecer a violência sob todas as suas formas, usá-la embeneficio do grupo, é aceitar viver na precariedade. Em nenhum caso oscomportamentos são normalizados.” A violência não pode ser encarada como algonormalizado independente de quem a sofre seja a fauna ou a flora ou o patrimôniopublico. O que podemos fazer é combater essas práticas.___________________________________8 Termo utilizado para preservação a identidade dos sujeitos da pesquisa, utilizamos a letra P seguida dosnumerais arábicos para identificar os sujeitos pesquisados.
  47. 47. 47 A P5 entende que a violência é: “É todo e qualquer tipo de intimidação pessoal, quer seja verbal, física ou psicológica.” A P5 em suas palavras ressalta que a violência é também uma intimidaçãoque pode ser verbal, física ou psicológica. Na sua concepção, a violência é algo queultrapassa os limites da sensatez, da razão. Nesse sentido, a professora concorda com Medeiros (2006,p.161), quandoela cita que “a violência pode ser vista como incapacidade humana em manterdiálogos, estabelecer contratos, fazer trocas, enfim, construir laços dereciprocidades.” A compreensão da professora revela os tipos de violência mais comuns queafligem a sociedade contemporânea e que realmente quando alguém vem praticarum dos tipos citados acima nem sempre está consciente do que está fazendo,geralmente o seu raciocínio ou suas emoções estão alteradas. Neste sentido Silva(2005.p.27) vem nos dizer que: Compreender não é a mesma coisa que descobrir um principio que regulamenta um acontecimento, ou penetrar um pensamento objetivo e racional, mas quer dizer chegar a síntese característica peculiar do comportamento dos indivíduos diante dos outros, diante da natureza, diante do tempo, diante do texto. Compreende-se que as professoras têm uma compreensão de violênciapautada em ações que estas vêm diariamente em sua convivência social. As demaisprofessoras deram respostas semelhantes para a mesma questão, afirmando que: “Violência é todo ato que extrapola os limites morais. Ações desagradáveis que marcam a vida de quem a pratica e de quem sofre agressão”. (P2) “É quando o espaço do outro é invadido e ele se sente ameaçado.” (P10) “Violência é todo ato praticado com a intenção de prejudicar alguém.” (P4) Ressaltando a compreensão da P2, P4, P10, nos reportamos mais uma vez aMedeiros (2006,p.142), quando diz que “De modo geral, o que parece subsidiar o
  48. 48. 48sentido da violência é o sentimento de violação da propriedade privada, mesmoquando essa propriedade reside unicamente na posse e/ou integridade da pessoa.” Para a autora a violência é entendida como algo que atinge a integridade doser humano, que lhe causa ameaça. Além das compreensões feitas sobre violência,as professoras evidenciam também outra compreensão sobre o assunto, quepassaremos a apresentar agora.4.2.2. Compreendem que as conversas, aconselhamentos, orientação diminuia violência na escola. As sugestões para diminuir a violência nas escolas e melhorar a situaçãoatual dadas pelas professoras demonstraram um leque de possibilidades que dáuma visão do dinamismo desse processo. Algumas advogam também a punição dosestudantes que tumultuam a convivência no espaço escolar com atos de violênciacomo forma de adverti-los. Nessa categoria das 10 professoras questionadas seisdelas compreendem que a parceria com a família seria fundamental, percebemosesta afirmação em suas falas, quando citam que: “A parceria com a família, presença e participação dos mesmos com o ambiente escolar.” (P1) “Creio na parceria escola-família-comunidade.” (P4) “A conversa com o „agressor‟ e com o seu responsável legal para que ele melhore o seu comportamento.” (P5) Com essa compreensão, é importante perceber que as professoras optarampor unanimidade que a integração escola, família e sociedade poderão ser um meioviável para auxiliar na problemática da violência no âmbito escolar. É notório que a família exerce importante papel na educação dos filhos e se afamília não vai bem, conseqüentemente influencia nos comportamentos dos filhosque irão estar na escola fora dos padrões da ética escolar. Mas Silva (2004,p.160)faz um contraponto a esta idéia ao citar que: “Não adianta ficar culpando a família
  49. 49. 49pelas condutas indisciplinadas dos alunos. Estaremos com tal atitude, fugindo denossas responsabilidades: afinal, assim como os pais, também somos educadores.” Nesta perspectiva o autor demonstra que a responsabilidade com oseducandos é de todas as instituições, escola, comunidade, família. A P2 e P6 salientam que o aconselhamento é outro fator que pode ajudar: “Orientação constante junto aos alunos. Observar e aconselhar mostrando sempre o modo certo que eles devem agir.” (P2) “Conversas, aconselhamentos, ou até mesmo punições.” (P6) Além da orientação e aconselhamento, a P6 citou punições como sugestãopara diminuir a violência dos alunos, mas o educador deve estar atento, pois comrespaldo em Silva (2004,p.154): Não se pode esquecer que as soluções para a diminuição de tais fenômenos extrapolam a competência da instituição escolar... A instituição educativa é portanto, reflexo da sociedade em que vivemos, com os seus problemas e com a sua beleza. Nessa mesma visão Piaget (1932/1994,p.169) salienta que o valor de umapunição não é mais medido pela sua severidade. O essencial é fazer ao culpadoalguma coisa análoga à que ele mesmo fez, de maneira que compreenda o alcancede seus atos, ou, ainda, puni-lo pela conseqüência material direta de sua falta, ondeisto é possível. Diante do que citou os autores temos que criar novas formas de ver oproblema gerado pelos alunos, pois às vezes a função da punição não tem sidoresolver o problema do aluno mas as vezes da escola; ressaltamos que nestemomento a participação dos professores em contribuir para resolver a questão éfundamental. Com o objetivo de identificar as compreensões que as professoras da EscolaEstadual Nossa Senhora Auxiliadora tem sobre a violência manifestada por seusalunos. Passaremos a apresentar também outra compreensão evidenciada pelasprofessoras.
  50. 50. 504.2.3.Compreendem o diálogo como o meio para resolver as violênciascausadas por os alunos. Podemos avaliar através das falas de 07 professoras, que o diálogo é semdúvida um meio viável para resolver situações de conflito entre os alunos no espaçoescolar, pois estes usam esse meio tão valioso para apaziguar conflitos entre osalunos, para tirar dúvidas e até como conselheiros já que tem uma vivencia eexperiência de vida maior que os alunos. No período de estagio que realizamos na Escola Nossa Senhora Auxiliadorapercebemos que nas reuniões os professores eram estimulados a usar bem odiálogo como resolução de conflitos entre os alunos observamos assim que ainstituição utiliza o currículo para resolverproblemas que vão surgindo diariamente.Kerr (1968, p.16) vem definir currículo como “Toda a aprendizagem planejada eguiada pela escola seja ela ministrada em grupos ou individualmente dentro ou forada escola.” O grupo planejador do currículo escolar deve estar atento a promoverrelações de troca, de esforços partilhados na construção de soluções comuns, parao alcance dos objetivos coletivos. Valorizando estas aprendizagens para que sejamúteis aos estudantes que irão recebê-las, durante o tempo em que estarão naescola, pois Para Freire (1996), o papel do educador não é apenas de ensinar osconteúdos, mas também fazer com que os alunos desenvolvam uma consciência emtudo o que lhe é transmitido dentro e fora da sala de aula. Diante dessas colocações as professoras procuram intervir dessa forma: “Tentar conversar, apaziguar de alguma forma.” (P6) “Tento dialogar, mostrando que o ato do aluno não está correto, sugerindo ações que levem a paz.” (P2) Nesta perspectiva, as professoras demonstram a forma mais sensata deresolver tais comportamentos, pois é preciso sensibilizá-los que a escola é espaçode socialização e local onde se busca conhecimento e educação e não palco de

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