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9Palavras – chave: História e Currículo. Práticas educativas. História deItiúba.
10                                  CAPÍTULO I1. 1. História e historiografia      A história surgiu com o aparecimento da...
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12       Em todo o percurso da humanidade, a história tem sido construída comoresultado de conflitos entre as camadas soci...
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15       A história é uma construção do próprio historiador que se impõe. É elequem escolhe seu objetivo, escolhe como vai...
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35          Eu, Natiele natural de Itiúba, moradora na fazenda Poção, tenho 10anos, estudante da 3ª série na escola Getúli...
36direito ao exercício pleno dos seus direitos morais sobre o referidodepoimento, de sorte que sempre terá seu nome citado...
37         A Escola Municipal Getúlio Vargas, localiza-se no município de Itiúba,na região do semiárido Baiano, no Territó...
38                                    CAPITULO III3.1. A importância de trabalhar a história de Itiúba no contexto da Esco...
39destaca uma das entrevistadas: “[...] o aluno amplia a capacidade de observaro seu entorno para a compreensão de relaçõe...
40      Do mesmo modo os alunos se posicionam favoráveis ao ensino dahistoria local, pela necessidade de acompanhar o que ...
41       Em outras respostas os professores afirmam a necessidade de obteremconhecimento e aprofundamento, uma vez que est...
42cultura do município de Itiúba para que a partir deste conhecimento sejapossível trabalhar melhor em sala de aula com se...
43cidade conhecendo a história das       ruas e dos monumentos consideradoshistóricos (P5).       Para a coordenação pedag...
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46                          CONSIDERAÇÕES FINAIS       A realização desta pesquisa foi motivada por uma inquietação: como ...
47                               REFERÊNCIASAZERÊDO, Robério. Itiúba e os roteiros do padre Severo. Goiânia: Unigraf,1987....
48FONTES ORAISProfessora A- entrevista cedida em 03 de abril de 2012Professora B- entrevista cedida em 03 de abril de 2012...
49ANEXOS
50       FOTOGRAFIAS DA CIDADE DE ITIÚBAFotos: Vista da cidade de Itiúba, Bahia. Fonte: Desconhecida.
51Foto: Vista da cidade de Itiúba, Bahia. Fonte: Desconhecida.Foto: Vista da cidade de Itiúba, Bahia. Fonte: Desconhecida.
52Foto: Fachada da Escola Municipal Getúlio Vargas (2012) Fonte:Claudionor Rebelo dos Santos e Ivonilton Santos Santana.
53Pátio da Escola Municipal Getúlio Vargas (2012) Fonte: Claudionor Rebelodos Santos e Ivonilton Santos Santana.
54Equipe de Professores da Escola Municipal Getúlio Vargas (2012) Fonte:Claudionor Rebelo dos Santos e Ivonilton Santos Sa...
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Monografia Claudionor Pedagogia Itiúba 2012

  1. 1. 8 INTRODUÇÃO O Trabalho de Conclusão de Curso que ora pensamos em realizar, temcomo tema a inserção da História do município de Itiúba no currículo da EscolaMunicipal Getúlio Vargas do referido município. Acreditamos que conhecer a História de Itiúba é também conhecer anossa própria história. Lembrar os fatos históricos acontecidos no passado étrazer a memória os feitos de nossos ancestrais, e isso nos ajudarão aentender que é necessário preservar nosso patrimônio cultural. Vivemos em um novo tempo, no qual é cada vez mais imprescindívelpropiciar a integração dos alunos, corpo docente e comunidade local com osconhecimentos para o exercício pleno da cidadania. Pois consideramos que averdadeira educação se constrói além dos limites da sala de aula. A lembrança dos feitos dos nossos ancestrais são elementos queajudam ao fortalecimento do exercício da cidadania, dos alunos, professores efuncionários da escola em estudo, bem como da comunidade local. Oreconhecimento da presença de alguns elementos do passado no presente,juntamente com a identificação e a participação de diferentes sujeitos nosacontecimentos, sociais, políticos, econômicos e culturais pode estimular abusca pelo conhecimento sobre a diversidade da história do município. Pensamos que este estudo é importante para a educação no nossomunicípio, porque estamos criando uma oportunidade para desenvolvermosalguns conhecimentos que passam na maioria das vezes por despercebidos, equeremos saber como estes saberes são tratados na escola e nas salas deaula, para que a partir disso possamos sugerir alguma intervenção naspráticas, bem como nos conteúdos que sejam relacionados com as questõeshistóricas e culturais do município, daí o nosso objetivo para este estudo, que érefletir sobre como é que os alunos da Escola Municipal Getúlio Vargastrabalham a história do município de Itiúba em suas salas de aula.
  2. 2. 9Palavras – chave: História e Currículo. Práticas educativas. História deItiúba.
  3. 3. 10 CAPÍTULO I1. 1. História e historiografia A história surgiu com o aparecimento da escrita. Na Grécia antiga apalavra história, é derivada da denominação indo-europeia widweid, quesignifica “ver”. Isto é, aquele que vê, que testemunha. Histórien, por sua vez,em grego significa procurar, ou se informar a respeito de algo. Para Heródoto(século V a. C.), primeiro historiador grego, a história é entendida comotestemunho, procura ou investigação. Todavia, a palavra empregada paradesignar o saber histórico, a “narrativa”, não conhecia o rigor exigido pelaconstrução acadêmica, uma vez que a sua função era unir as fábulas e aslendas aos fatos precisos. Nesse sentido, a história se apresenta como aglorificação do homem, ou seja, a elevação do homem ao primeiro plano,transformando-o num herói. Os romanos receberam dos gregos o vocábulo história e destacam neleo seu caráter objetivo, e como não poderia deixar de ser naqueles tempos,para a história são apresentados suas intenções morais e patrióticas. No período denominado Idade Média, surge uma dimensão filosóficapara história: a chegada do cristianismo, que impõe uma nova visão de mundo,carregada por valores religiosos. O surgimento do cristianismo tambémenriquece a história, uma vez que antes de tal acontecimento, essa, centrava-se na tradição Greco-romana e depois do cristianismo as contribuições dacultura dos povos orientais presentes na Bíblia, passam também a fazer parteda história da humanidade, surgindo assim um novo sistema cronológico devalor universal. Entretanto, é do século XVI ao século XVIII que nascem astécnicas modernas de construção do conhecimento histórico. O conceito de história está ligado ao estudo das experiências e dasações de personalidades humanas, pois a história está para a humanidadeassim como a memória está para o individuo; a história é a memória coletiva.Atualmente, a História é vista como a possibilidade de proporcionar reflexões e
  4. 4. 11debates sobre a importância de acontecimentos do passado como contribuiçãopara o entendimento do futuro. A “História não é memória ancestral ou tradição coletiva. É o que aspessoas aprenderam de padres, professores, autores de livros de história ecompiladores de artigos para revistas e programas de televisão” (HOBSBAWN,2005, p. 20)¹. Dessa maneira, a História é considerada como sendo umconjunto de acontecimentos, fatos e realizações da humanidade que ocorreramao longo do tempo. Segundo Abud (1998)² ao longo do tempo, a História serevelaria como a genealogia das nações, procurando identificar as basescomuns, formadoras do sentimento de identidade nacional dos povos. Assim,podemos observar que a História sempre permaneceu unida as manifestaçõesculturais de um povo e os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) confirmamessa relação ao observar que O ser humano, desde suas origens, produziu cultura. Sua história é uma história de cultura, na medida em que tudo o que faz está inserido num contexto cultural, produzindo e reproduzindo cultura. O conceito de cultura é aqui entendido como produto da sociedade, da coletividade à qual os indivíduos pertencem, antecedendo-os e transcendendo-os (BRASIL, 1997, p. 23). A História como conhecimento humano, é uma área curricularimportante na formação dos estudantes, e compete aos professoresestimularem e incentivarem o desejo do aluno pela a aquisição desseconhecimento. Durante muito tempo a história pátria era entendida econsiderada como a base da “pedagogia do cidadão”, seus conteúdosdeveriam enfatizar as tradições de um passado homogêneo, com feitosgloriosos de célebres personagens históricos nas lutas pela defesa do territórioe da unidade nacional.______________________¹ HOBSBAWN, E. Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.² ABUD, K. M. “Formação da Alma e do Caráter Nacional: ensino de História na EraVargas”. Revista Brasileira de História, volume 18, número 36, São Paulo, 1998.
  5. 5. 12 Em todo o percurso da humanidade, a história tem sido construída comoresultado de conflitos entre as camadas sociais, conflitos esses geralmentevencidos pela camada dominante, em prejuízo das camadas dominadas. Emrelação a História como componente escolar, o conteúdo lecionado em sala deaula não pode se fixar, portanto, nem no passado, nem no presente tãosomente. Ele viabiliza-se em processo ou como diria o mesmo “ao longo dacaminhada” (MENEZES; SILVA, s/d, p. 221)³. Atualmente as propostas curriculares passaram a ser influenciadas pelodebate entre as diversas tendências historiográficas. Os historiadores movidospelas questões ligadas á história social, cultural e do cotidiano, tem sugeridopossibilidades de rever no ensino fundamental o formalismo da abordagemhistórica tradicional como, por exemplo, o acúmulo de diversas informaçõesacerca de datas e nomes, buscando valorizar mais as origens e culturaspopulares. De acordo com os PCN (BRASIL, 1998), torna-se indispensável que aescola proporcione aos estudantes, possibilidades para que eles possampesquisar e conhecer os valores e manifestações culturais de seusantepassados, resgatando assim a história de sua comunidade e contribuindopara a valorização da mesma. Trabalhos nessa linha possibilitam para odocente, entre outras coisas, reconhecer sua atuação na construção do saberhistórico escolar, na medida em que é ele quem seleciona, avalia e insere aobra em uma situação didática e tal obra adquire novos significados ao sersubmetida aos novos interlocutores, ou seja, ele e os alunos. A História estuda o passado do homem através da interpretação detestemunhos, é importante destacar que a história contribui para explicar arealidade em que vivemos e nos leva a ver como é fundamental a suaexistência. Karl Marx e Friedrich Engels viam a história como um processodinâmico, dialético, no qual cada realidade social traz dentro de si o princípio e_____________________³ MENEZES, L. M. de; SILVA, M. F. S. Ensino de história: sujeitos, saberes e práticas. p.221.
  6. 6. 13sua própria contradição, o que gera a transformação constante na história.Entretanto a historiografia marxista ficou limitada ao estudo dos aspectoseconômicos das sociedades do passado e os aspectos culturais ou políticoseram interpretados como resultantes necessários da estrutura econômicavigente em determinadas épocas. A realidade não é estática, mas dialética, ou 4seja, está em transformação pelas suas contradições internas (BORGES, s/d) . Como toda forma de conhecimento, a história procura desvendar,revelar e interpretar relações desconhecidas, não claras e constitui-se comouma forma de conhecimento pretensamente autônoma e cientifica. Por isso,pode ser pensada a partir de uma perspectiva epistemológica concebida comouma reflexão filosófica sobre o conhecimento cientifico. O pesquisador da História necessita levantar uma quantidade devestígios adequados à pesquisa para a reconstituição daquilo que aconteceuno passado. Os historiadores devem estar atentos as contribuições da teorialiterária de modo a lerem os textos de forma menos reducionista, pois, cada umdesses conceitos merecem ser estudados detalhadamente, a fim de que possacontribuir para a compreensão do objeto em estudo (LACAPRA, 1992 apudVASCONCELOS, 2009, p. 156). 5 De acordo com as professoras Tânia Colodete e Simone da Silva , adisciplina História nos livros didáticos, continua contendo informações prontas,datas precisas, fatos memoráveis, onde o aprendizado se faz através damemorização de questionários de causas e consequências. As pesquisadoras,afirmam que os professores precisam quebrar esses paradigmas para que seuensino seja proveitoso e que o aluno venha a adquirir uma aprendizagemsatisfatória._____________________4 BORGES, V. P. O que é história. Uma enciclopédia crítica. Editora Brasileira. (Coleçãoprimeiros passos).5 COLODETE, T; SILVA, S. Instituto de Educação Roberto Silveira. Duque de Caxias. Rio deJaneiro. Em DVD.
  7. 7. 14 6 Helenici Ciampi observa que “a história se movimenta porque se não,não estaríamos aqui. Porque a história caminha lentamente. Porque amentalidade, crenças e valores ainda estão irraigadas, então trazer o novo émeio complicado”. O homem precisa da História para viver em sociedadeinteragindo com seus semelhantes, necessita da fala, da escrita e de ouvir. Aolongo do processo da existência humana, aparecem as lembranças, asdescobertas e surgem novos conhecimentos. Assim é claro, a existência do serhumano se dar a partir das experiências das coisas e só podem ser realizadas,tematizadas e lembradas pelo homem por meio de linguagem, da comunicaçãoda história. A história, como as outras formas de conhecimento da realidade, estásempre se constituindo, o conhecimento que ela produz nunca é perfeito ouacabado. Há inúmeras discussões entre os vários especialistas sobre o que éessencialmente história. A história como forma de explicação, nasce unida àfilosofia, é vista como mestra da vida, levando os homens a compreenderem oseu destino. Ela continua tendo uma visão do tempo linear, cujodesenvolvimento é conduzido segundo um plano da providência, daprovidência divina. A história mostra que os homens, para sobreviverem, precisamtransformar a natureza, o mundo em que vive. Fazendo não isoladamente, masem conjunto, agindo em sociedade, estabelecendo relações que nãodependem diretamente de sua vontade, mas do mundo que precisamtransformar. A história é apresentada como um processo de desenvolvimentocontínuo, desde a pré-história. Percebe-se que a partir da segunda metadedeste século, a história que ficou escrita é sempre marcada pela visão, pelosdesejos e interesses da chamada classe dominante. Para os pesquisadores ahistória está em desenvolvimento constante. Desde as primeiras investigações,até o uso do computador, as formas de registrar os fatos históricos e de utilizarsuas fontes vêm tendo um contínuo aperfeiçoamento._____________________________6CIAMPI, H. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo. Em DVD.
  8. 8. 15 A história é uma construção do próprio historiador que se impõe. É elequem escolhe seu objetivo, escolhe como vai trabalhá-lo, expô-lo. Também nãose pensa mais a história dos homens como sendo algo absoluto ou como umobjetivo que está pronto nos arquivos, sendo somente necessário ir lá buscarseus dados para se reconstituir um fato histórico. A história se faz com documentos e fontes, com ideias e imaginação daspessoas, ela hoje em dia, pode ser destacada como o estudo do passado dahumanidade e sua função desde o inicio, foi a de fornecer a sociedade umaexplicação sobre ela mesma. A história procura especificamente ver astransformações pelas quais passaram as sociedades humanas. O tempo é a dimensão da análise da história. O tempo histórico atravésdo qual se analisam os acontecimentos não corresponde ao tempo cronológicoque a sociedade vive. O historiador que a escreve se ocupa especificamentede uma determinada realidade concreta, situada no tempo e no espaço, pois ohomem é um ser finito, temporal e histórico. Ele tem consciência de sua historicidade, isto é, de seu caráter histórico.O homem vive em um determinado período de tempo, em um espaço físicoconcreto. Tudo o que se relaciona com o homem tem sua história paradescobri-lo, o historiador vai perguntando: O quê? Quando? Onde? Como? Porquê? Para quê? A história, tal qual é ensinada deve acima de tudo transmitir um sabercientífico que representa uma espécie de “cultura histórica”. As transformaçõesda sociedade contemporânea bem como as novas perspectivashistoriográficas, como as relações entre história e memória, têm estimulado odebate sobre a necessidade de novos conteúdos e novos métodos de ensinode história. (...) o ensino de História pode favorecer a formação do estudante como cidadão, para que assuma formas de participação social, política e atitudes críticas diante da realidade atual, aprendendo a discernir os limites e as possibilidades de sua atuação, na
  9. 9. 16 permanência ou na transformação da realidade histórica na qual se insere (BRASIL, 1998, p. 36). A história é uma compreensão dos atos humanos no passado umatomada de consciência da condição humana, uma apreciação de como osproblemas humanos vão mudando no transcorrer do tempo e uma percepçãode como homens, mulheres e crianças viviam e respondiam aos sucessos dopassado. A história busca compreender o gênero humano. O historiador nãonecessita estabelecer um ponto de partida absoluto. O acesso ao passadopode se realizar a partir de qualquer ponto e lugar. A história não tem umprincípio particular no tempo e espaço, nem um fim particular. Ligada a busca de entender o que é História, encontra-se aHistoriografia. Para diversos autores, Historiografia é o conjunto de estudoscríticos acerca da história e que engloba as principais tendências doshistoriadores, suas teorias e métodos, assim como as obras produzidas sobredeterminado período da história de um país ou região. O que é historiografia? Nada mais que a história do discurso — um discurso escrito e que se afirma verdadeiro — que os homens têm sustentado sobre o seu passado. É que a historiografia é o melhor testemunho que podemos ter sobre as culturas desaparecidas, inclusive sobre a nossa — supondo que ela ainda existe e que a semiamnésia de que parece ferida não é reveladora da morte. Nunca uma sociedade se revela tão bem como quando projeta para trás de 7 si a sua própria imagem (CARBONELL, 1987, s/p.) . Diversos outros autores têm refletido em relação ao que se constitui a 8Historiografia e Rüsen (1996, p. 13) afirma que: Historiografia é uma maneira específica de manifestar a consciência histórica. Ela geralmente apresenta o passado na forma de uma ordem cronológica de eventos que são apresentados como “factuais”, ou seja, como uma qualidade especial de experiência. Para propósitos comparativos, é importante saber como essa relação aos assim chamados fatos do passado é organizada e apresentada._____________________7CARBONELL, C. O. Historiografia. Trad. Pedro Jordão. Lisboa: Teorema, 1987, s/p.8 RÜSEN, J. Some Theoretical Approaches to Intercultural Comparative Historiography.History & Theory, v. 35, n. 4, p. 5-22, 1996.
  10. 10. 17 Uma outra característica da historiografia é sua forma lingüística. Ela é apresentada em verso ou em prosa? O que esses dois modos de apresentação de escrita indicam? É essa distinção a mesma através das fronteiras culturais? Para White (1987 apud VASCONCELOS, 2009, p. 156) a historiografiaencontra-se atrelada a modos antiquados de representação e devem abrir-seas tendências contemporâneas, tanto a arte quanto na ciência, para recorrer àhistoriografia deve assumir seu caráter narrativo, por isso é o que dáespecificidade ao conhecimento histórico. Em sentido escrito, o processo éobjetivo real de desenvolvimento da sociedade humana como um todo ou depovos e nações. Segundo Orr (1986 apud VASCONCELOS, 2009, p. 156), ahistoriografia, com o passar do tempo, torna-se valorizada em função de suasqualidades literárias. De acordo com Freitas (1998, p. 9) “(...) Talvez ahistoriografia esteja fadada a ser sempre uma parte da história das ideias (evice-versa) uma vez que sua ocupação com o registro está impregnada dasimpressões (fantasmagóricas ou não) do “não registrado””. Ciente de que historiografia tem uma história, o historiador Horst WalterBlanke, se propõe a elaborar uma tipologia de modo que mostre da históriauma simples coleção que é encontrada e que produzam práticas cientificaspreocupado tanto em afirmar quanto em negar os princípios ideológicos dostrabalhos selecionados. Em busca de uma compreensão do alcance e doslimites da reflexão acerca da historiografia, o autor traz também uma instiganteanálise de um projeto desenvolvido entre os fins da década de 1980 e fins de1990, em Bielefeld, Alemanha cujo objetivo foi analisar a historiografia europeiada época Moderna e assim realizar uma história da história. De acordo com 9Fico e Polito (1992, s/p.) entendemos por (...) historiografia, não só a análise da produção do conhecimento histórico e das condições desta produção, mas, igualmente, o estudo de suas condições de reprodução, circulação, consumo e crítica. O momento da produção do conhecimento, portanto, não se confunde com o de sua disseminação social, ainda que sejam evidentes as possibilidades de ambos se relacionarem.____________________9FICO, C.; POLITO, R. A história no Brasil; elementos para uma avaliação historiográfica.Ouro Preto: UFOP, 1992. v. 1.
  11. 11. 18 Para o professor trabalhar de modo significativo com a História em salade aula, é necessário que este disponha de um currículo organizado, que dêoportunidade de desenvolver uma prática educativa adequada a realidade dosalunos. 1. 2. Currículo e práticas educativas 10 Segundo Araújo (2007, p. 33) em linhas gerais, um currículo é “umplano pedagógico e institucional que orienta a aprendizagem dos alunos deforma sistemática. No sentido tradicional, o currículo é compreendido como“grade curricular”, “conteúdos de ensino” ou “conjunto de disciplinas””. O Currículo é entendido como o conjunto de situações e experiênciaspropiciadas aos alunos pela escola, tendo em vista a necessidade de seconseguir alcançar os principais objetivos da educação, como a construção e apartilha do conhecimento entre professores e alunos. A palavra currículoassocia-se a diferentes concepções, que resultam dos diversos modos decomo a educação é concebida historicamente, bem como das influênciasteóricas que a afetam e se fazem hegemônicas em um dado momento. Cabedestacar que a palavra currículo tem sido utilizada para indicar efeitosalcançados na escola, que não estão explícitos nos planos e nas propostas,não sendo sempre, por isso, claramente percebidos pela comunidade escolar.De modo geral o currículo está ligado às práticas educativas. De acordo comMoreira (2008, p. 5 e 6), Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. As indagações sobre currículo presentes nas escolas e na teoriapedagógica mostram um primeiro significado: a consciência de que oscurrículos não são conteúdos prontos a serem passados aos alunos. São uma____________________10 ARAÚJO, D. Noção de competência e organização curricular. Revista Baiana de SaúdePública. v. 31, Supl.1, p.32-43 jun. 2007.
  12. 12. 19construção e seleção de conhecimentos e práticas produzidas em contextosconcretos e em dinâmicas sociais, políticas, culturais, intelectuais epedagógicas. As indagações revelam que há entendimento de que oscurrículos são orientados pela dinâmica da sociedade (MOREIRA, 2008). Para examinarmos possíveis respostas a essas perguntas, talvez sejanecessário esclarecer o que entendemos pela palavra currículo, tão familiar atodos que trabalham nas escolas e nos sistemas educacionais. Por causadessa familiaridade, talvez não dediquemos muito tempo para refletir sobre osentido do termo, bastante frequente em conversas nas escolas, palestras,textos acadêmicos, noticias em jornais, discursos de autoridades e propostascurriculares oficiais. Pode-se afirmar que é por intermédio do currículo que as ações epráticas pedagógicas se concretizam nas escolas. É no currículo que sesistematizam os esforços pedagógicos dos profissionais de educação. Ocurrículo é, em outras palavras, a essência da escola, o espaço central em quetodos atuam, o que nos torna, nos diferentes níveis do processo educacional,responsáveis por sua elaboração. Assim o papel do educador no processocurricular é fundamental. Daí a necessidade de constantes discussões ereflexões, na escola, sobre o currículo, tanto o currículo formalmente planejadoe desenvolvido quanto ao currículo oculto. Portanto, daí a obrigação, doprofessor como profissional da educação, de participar criticamente ecriativamente na elaboração de currículos mais atraentes, mais democráticos emais fecundos. Atualmente o currículo não é mais percebido, meramente, como sendo arelação e distribuição das disciplinas com a sua respectiva carga horária. Elenão se constitui apenas por uma seriação de estudos, chamada de basecurricular para um determinado curso, ou uma listagem de conhecimentos econteúdos das diferentes disciplinas para serem ensinados de formasistemática, na sala de aula. O currículo não deve ser concebido apenas comouma relação de conteúdos ou conhecimentos delimitados ou isolados,
  13. 13. 20estabelecendo tópicos estanques, numa relação “fechada”, sem umaintegração envolvente e ampla com todas as dimensões do conhecimento. 11 Para Coll (1998) , a primeira função do currículo consiste em explicitaro projeto — as intenções e o plano de ação — que norteia as atividadeseducativas escolares. Segundo esse autor, o currículo deve proporcionarinformações sobre o que ensinar (conteúdos e objetivos), sobre quando ensinar(ordenação e sequência dos conteúdos e objetivos), e sobre como ensinar(modo de estruturar atividades, a fim de alcançar os objetivos estabelecidos emrelação a conteúdos selecionados). O currículo também se propõe a apresentarinformações sobre o que, quando e como avaliar. Currículo não é, simplesmente, um plano padronizado, onde estãorelacionados alguns princípios e normas para o funcionamento da escola, comose fosse um manual de instruções para se poder acionar uma máquina. Ocurrículo escolar não se delimita em relacionar matérias, cargas horárias ououtras normas relativas a vida escolar que um aluno deve cumprir na escola,não é algo restrito somente ao âmbito da escola ou da sala de aula. O termo currículo dá a ideia de um caminho percorrido durante umavida, ou que se vai percorrer. Daí tem a expressão “Curriculum Vitae”. Destemodo o currículo é algo abrangente e dinâmico. Ele é entendido numadimensão profunda e real que envolve todas as situações circunstanciais davida escolar e social do aluno. Pode-se dizer que é a escola em ação, isto é, avida do aluno e de todos os que sobre ele possam ter determinada influência. Éo interagir de tudo e de todos que interferem no processo educacional dapessoa do aluno. O currículo se refere a todas as situações que o aluno vivedentro e fora da escola. Por isso, o mesmo não se limita a questões ouproblemas que só se relacionam ao âmbito da escola. O currículo não se restringe às paredes da escola e não surge dentro daescola. Nasce fora dela. Seu primeiro passo é dado fora da escola, para poder____________________11 COLL, C. Psicologia e currículo. Trad. Claudia Schilling. 3ª. ed. São Paulo: Ática, 1998.
  14. 14. 21entrar nela. Esse procedimento se justifica por que o currículo constituído portodos os atos da vida de uma pessoa: do passado, do presente e tendo, ainda,uma perspectiva de futuro. O currículo é um currículo da vida de uma pessoa, ea vida do aluno não está enclausurada dentro de uma escola ou de uma salade aula. Pode-se também dizer que o currículo deve ser a organização da vidaque o aluno vive fora e dentro da escola, sendo, com isso a estruturação detoda a ação desencadeada na escola para organizar e desenvolver o“Curriculum Vitae”, do aluno. É necessário dá ao currículo um sentido bem mais amplo do que serapenas a relação dos conteúdos e das disciplinas ensinadas na escola, ouseja, o currículo é o conjunto de todas as experiências e atividades realizadas evividas pelos estudantes sob a orientação da escola, tendo em vista osobjetivos visados pela mesma. O plano curricular é de fundamental importânciapara a escola e para o aluno. Ele é a expressão viva e real da filosofia daeducação seguida pela escola, além disso, ele é a própria filosofia de ação daescola, como um todo unificado. Não se pode nem supor uma escola sem umafilosofia claramente definida, devendo esta estar expressa no currículo daescola. Portanto, Currículo são todos os esforços direcionados para dinamizar aação educativa, num ambiente educativo. Esses esforços correspondem atodas as tentativas da sociedade, da família, da escola e dos alunos, paradesencadear o desenvolvimento total e pleno da pessoa humana. São asdisciplinas, os acontecimentos, os conteúdos as experiências os fatos sociais,políticos, religiosos, econômicos, as tradições, os valores planejados esistematizados, o grupo social, educacional e a estrutura para promover aeducação. O currículo é o que o educando viveu e vive, percebe e sentedurante o seu processo de crescimento. É a força que transforma a realidadeescolar em vida escolar. É a experiência de vida que o educando realiza para atingir a sua auto-realização. O currículo escolar deve conter e manifestar os seus elementoschaves, com toda exatidão e clareza, pois, se isto não ocorrer, o currículo será
  15. 15. 22fadado ao fracasso total. O currículo, como um guia para o educador e para oeducando, deverá representar o patrimônio social, que é formado por todos osconhecimentos, pelos grandes ideais e aspirações da humanidade, pelasdescobertas cientificas e tecnológicas, pelas artes e por todas as instituiçõessociais, enfim, por tudo aquilo que constitui a herança cultural do homem. A escola deve, por meio do currículo, ajudar o educando a refletir sobreos grandes ideais da humanidade, representados pela cultura e pelacivilização, e a partir dessa reflexão, interpretá-los e recriá-los para o viverpresente. O currículo, para ser um verdadeiro guia na transformação da culturae do saber, para que possa estabelecer uma relação entre a herança cultural eo viver presente futuro, deverá expressar e definir quais os objetivos a seremalcançados a longo, médio e curto prazo, sempre em relação aodesenvolvimento do individuo. Como pessoa humana deve representar umasequência de conhecimentos significativos para a vida presente,desenvolvendo habilidades, fornecendo princípios e diretrizes que possam serúteis a vida futura do individuo. Deve relacionar, de forma gradual, todas asexperiências que possam ser desencadeadas e promovidas no ambienteescolar. Deve, ainda, evidenciar todas as oportunidades de integração ecorrelação dos conhecimentos, para que o educando possa promover aaplicação do aprendido na vida prática. Em meados da década de 1980, em vários estados brasileiros, foramorganizadas reestruturações curriculares. Esse momento foi marcado pordiscussões e debates em torno do ensino da história, as quais giravam,principalmente, sobre as metodologias de ensino. O grande marco dessasreformulações concentrou-se na perspectiva de recolocar professores e alunoscomo sujeitos da história e da produção do conhecimento histórico enfrentandoa forma tradicional de ensino trabalhada na maioria das escolas brasileiras, aqual era centrada na figura do professor como transmissor e na do aluno comoreceptor passivo do conhecimento histórico. Assim a década de 1980 foi marcada pelos debates sobre a retomadada disciplina história como espaço para um ensino crítico, centrado em
  16. 16. 23discussões sobre temáticas relacionadas com o cotidiano do aluno, seutrabalho e sua historicidade. O objetivo era recuperar o aluno como sujeitoprodutor da história, e não como mero espectador de uma história jádeterminada. Ao mesmo tempo a necessidade de adequação de currículos aomundo contemporâneo, surgiu também, a defesa de uma referência curricularglobal para todos os estados brasileiros a partir da Lei Federal nº. 9.394, de 20de Dezembro de 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A escola, através do seu plano curricular, tem a missão de transmitir asnovas gerações todo o patrimônio cultural da humanidade. A escola deve, pormeio do currículo, ajudar o educando a refletir sobre os grandes ideais dahumanidade, representados pela cultura e pela civilização e a partir dessareflexão interpretá-los e recriá-los para viver presente. Com a perspectiva de atender aos desafios postos pelas orientações enormas vigentes, é preciso olhar de perto a escola, seus sujeitos, suascomplexidades e rotinas e fazer as indagações sobre suas condiçõesconcretas, sua história, seu retorno e sua organização interna. Torna-sefundamental, com essa discussão permitir que todos os envolvidos sequestionem e busquem novas possibilidades sobre currículo: O que é? Paraque serve? A quem se destina? Como se constrói? Como se implementa? Oprocesso educativo é complexo, fortemente marcado pelas variáveispedagógicas e sociais, entendemos que esse não pode ser analisado fora deinteração entre escola e vida, considerando o desenvolvimento humano, oconhecimento e a cultura. Posicionamos a defesa da escola democrática que humaniza eassegure a aprendizagem. Uma escola que veja o estudante em seudesenvolvimento integral. Criança, adolescente e jovem em crescimentobiopsicossocial; que considere seus interesses e de seus pais, suasnecessidades, potencialidades e conhecimentos culturais. Devemos construirum projeto social que não somente ofereça informações, mas que, de fatoconstrua conhecimentos, elabore conceitos a todos para o aprendizado, pois osseres humanos vão a escola com vários objetivos, mas a existência da escola
  17. 17. 24cumpre um objetivo muito importante, garantir a continuidade da espécie,socializando novas gerações e invenções resultando no desenvolvimentocultural da humanidade. O adulto tem um papel importante culturalmentedeterminado, garantindo sua continuidade. Um currículo para a formação humana introduz sempre novosconhecimentos, não se limita aos conhecimentos relacionados as vivências doaluno, as realidades regionais, ou com base no conhecimento do cotidiano.Como a diversidade é hoje recebida na escola, há a demanda, óbvia por umcurrículo que atenda a todo tipo de diversidade. O ser humano aprende somente as formas de ação que existiram emseu meio, assim como ele aprende somente a língua ou as línguas que aiforem faladas. Isto significa que a cultura é constituída dos processos dedesenvolvimento e de aprendizagem. A criança se constitui enquanto membrodo grupo por meio de formação de sua identidade cultural, que possibilita aconvivência e sua permanência no grupo. A aprendizagem é um processomúltiplo, isto é, a criança utiliza estratégias diversas para aprender, comvariações de acordo com o período de desenvolvimento. O aluno constituiconhecimentos por meio de estratégias especificas que se modificam, inclusiveem função dos conteúdos aprendidos. Não é qualquer proposta ou qualquer interação em sala de aula,portanto, que promove a aprendizagem. Toda atividade que se pretenderealizar com a criança precisa ter uma intenção clara e objetiva. Toda criança se desenvolve indo ou não á escola. O que é do domíniodo desenvolvimento humano não deixa de acontecer se a criança não for aescola, ou se ela for se encontrar em uma situação de não aprendizagem. Parapromover o desenvolvimento humano, a escola deveria partir do que a criançadesenvolve por si mesma e propor novas aprendizagens que façam uso destasmanifestações da função simbólica. Portanto aprender é uma atividadecomplexa que exige do ser humano procedimentos diferenciados segundo anatureza do conhecimento.
  18. 18. 25 Atualmente diversos grupos de educadores e educadoras de escolas detodo o país, vêm expressando inquietações sobre o que ensinar e aprender,sobre que práticas educativas privilegiarem nas escolas, nos congressos e nosdias de estudo e planejamento. A reflexão sobre o currículo e as práticaseducativas está instalada como tema central nos Projetos PolíticosPedagógicos (PPP) das escolas e nas propostas dos sistemas de ensino. As indagações relevam que há atendimento de que os currículos sãoorientados pela dinâmica da sociedade. Este conjunto de indagações toca empreocupações que ocupam os profissionais da educação básica: qual o papelda docência, da pedagogia e da escola? Que concepções de sociedade, deescola, de educação, de conhecimento, de cultura, e de currículo orientarão aescolha das práticas educativas? É importante alertar para a diferença entre um currículo que parte docotidiano e aí se esgota a um currículo que engloba em si mesmo não apenasa aplicabilidade do conhecimento a realidade cotidiana vivida por cada gruposocial, mas entende que conhecimento formal traz dimensões aodesenvolvimento humano além do “uso prático”. No senso comum, o distanciamento entre a teoria e a prática éanalisado como originário das ações e ocupações das pessoas em seuslabores: ou seja, os teóricos fazem a teoria e os práticos, a prática em seuscontextos laborais. Assim, na educação, a teoria seria aquela produzida emuniversidades, nas agências de pesquisas ou nos centros de formação deprofessores. Já a prática da educação estaria sendo desenvolvida nos centrosescolares não universitários, pelos professores ali estabelecidos. Outra análise limitada que costuma ocorrer é a redução das relações edesencontros entre dois tipos de agentes, os teóricos e os práticos, no contextorestrito as suas ações liberais. Ou seja, no sistema educativo deve-seconsiderar um contexto mais amplo, com outros setores e agentes sociais que,a margem das decisões “transportam ideias á prática”. A prática não deve ser
  19. 19. 26considerada somente um fazer técnico ou instrumental dos profissionais emeducação, possuindo sentidos e significações que podem ser compreendidospor outras pessoas distintas dos professores, baseando-se em seusajustamentos na história, na tradição e na ideologia. Nas análises de currículo, prática pedagógica e avaliação, em nossasescolas, percebe-se uma aplicabilidade de sua proposta. Ou seja, quandoanalisamos sobre os conteúdos serem interdisciplinares (politécnicos),fragmentários; quando abordamos a necessidade de união entre teoria eprática enquanto metodologia; e, ainda a democracia enquanto gestão, nós nosdamos conta da pedagogia problematizadora de Paulo Freire (LIMA, 2001)¹². Assim podemos entender o Currículo como sendo um conjunto de todasas experiências de conhecimentos proporcionados aos estudos que estádentro e no centro de atividades educacionais. Diante disso podemos refletir:Será que a escola e os currículos têm realmente cumprido a tarefa deincorporação de grupos e culturas diversas ao suposto núcleo cultural comumde uma nação? Educar é, nessa perspectiva, basicamente um processo deincorporação cultural. As discussões sobre currículo só ganham o centro dasatenções quando sugere alguma proposta de introdução de uma novadisciplina. Assim, o currículo, é tomado como algo acabado e indiscutível._______________________12 LIMA, L. M. A ação educativa dos professores de educação física: teoria e prática, 2001.(Revista pensar a prática).Disponível em: <http://www.revistas.ufg.br/index. php/fef/article/view/76/2672>. Acesso em: 4dez 2011.
  20. 20. 271. 3. História de Itiúba Aqui destacaremos alguns aspectos da História de Itiúba, baseadosprincipalmente na obra do escritor itiubense, o senhor Robério Azerêdo,historiador e autor do livro “Itiúba e os roteiros do Padre Severo”, obra estaeditada no ano de 1987, como também buscamos outras informações em sitesda Internet dedicados a História do nosso município. A região onde atualmente se localiza o município de Itiúba eraprimitivamente habitada pelos índios cariacás. O povoamento do território,integrante da sesmaria de Garcia D’Ávila, iniciou-se no final do século XVII porpioneiros procedentes de Inhambupe, Alagoinhas e Cachoeira. Formou-se apovoação de “São Gonçalo do Amarante da Serra de Itiúba”. Transformadadepois em julgado, foi anexada a Senhor do Bonfim da Tapera, em 1697. Em1868, elevou-se o julgado de São Gonçalo do Amarante da Serra de Itiúba àfreguesia, subordinada ao município de Vila Nova da Rainha, atual Senhor doBonfim. Em 1884, a freguesia foi anexada ao recém criado município de VilaBela de Santo Antonio das Queimadas. Em 1860, outro núcleo populacionalsurgia na fazenda Salgada, originando a atual cidade de Itiúba. Para esse novolocal, foram transferidos os elementos administrativos, judiciários e religiosos,de São Gonçalo do Amarante da Serra de Itiúba. O povoado recebeu a denominação de Itiúba, em 1882. Criou-se afreguesia, em 1884. O topônimo é adoção do nome da serra, localizada a 6quilômetros da Cidade. Segundo historiadores é uma corruptela do vocábulotupi “tu-yba”, que significa “abelha dourada”. Os nativos de Itiúba sãochamados itiubenses. Itiúba foi elevado à categoria de município, através do decreto nº 9.322,de 17 de janeiro de 1935, desmembrado-se do município de Queimadas.
  21. 21. 28 É muito importante conhecermos a história do nosso país, estado eprincipalmente do nosso município, suas origens, seus povos e culturas. Dentreos principais objetivos indicados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais(BRASIL, 1998, p. 7) para o ensino fundamental, destaca-se que os alunossejam capazes de: • Conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao país; • Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais; Partindo desse princípio, acredita-se ser de fundamental importânciarealizar esse estudo sobre a História de Itiúba no Currículo Escolar da EscolaMunicipal Getúlio Vargas, no qual pretende-se, saber como é que os alunos dareferida instituição de ensino trabalham a história do citado município em suasaulas.1. 3. 1 Focos de povoamento No século XVII, teria sido fundado o primeiro núcleo demográfico deItiúba. Indícios de povoamento, começaram a surgir logo depois de ano de1600. Os documentos primitivos, pertencente ao Arquivo Público do Estado,escrituras e sesmarias da região, nos trazem registros históricos sobre afixação de moradores na assentada da Serra de Itiúba. Os jesuítas, teriamerguido em 1662, uma capela sendo esta a notícia mais antiga. Anos maistarde surgiria a Igreja de São Gonçalo. Os atrativos de um solo fecundo, fontesde águas nativas e boa madeira de lei teriam atraído os primeiros exploradoresda terra de dadivosa... As primeiras casas foram construídas, currais, cercas eroças. Logo depois, chegavam àquele sítio as valiosas mudas de cana-de-açúcar, café e fruteiras. O gado bovino vinha em manadas pela Estrada Real
  22. 22. 29que coleava o sudoeste de Itiúba, oriundo do litoral da Bahia (...) e depoisabriram uma acidentada estrada, feita em socalcos, autênticos degraus depenetração que subiam as cordilheiras.
  23. 23. 30 CAPÍTULO II2.1. A pesquisa Para a realização deste estudo, foi utilizada a abordagem etnográfica,como um procedimento. Que atende satisfatoriamente aos nossos propósitos.Esse tipo de pesquisa objetiva descrever o conjunto de entendimentos e deconhecimento específico compartilhado entre participantes que orienta seucomportamento em um contexto específico, ou seja, na cultura de umdeterminado grupo.2.2. Os instrumentos Realizamos entrevistas com professores, coordenadora pedagógica ealunos da Escola Municipal Getúlio Vargas com o objetivo de obter informaçõespertinentes ao nosso estudo. Utilizamos questionário com questões abertas onde o pesquisado teve aoportunidade de respondê-los em seus lares sem a presença do investigador.A opção pelo questionário foi feita pela necessidade de levantar dados quepermitissem traçar o perfil dos pesquisados, buscando posteriormente delinearos sujeitos em seus aspectos educacionais e suas concepções quanto aimportância e a utilização da História de Itiúba no currículo escolar da EscolaMunicipal Getúlio Vargas.2.2.1. As questões da entrevista: As questões que compõem o questionário se dividem em dois blocos: Aidentificação do entrevistado:1° BLOCO: Identificação do (a) entrevistado (a)Data:............ de …................................ de ...................... horário: ..............horasLocal: ….................................................................................................................
  24. 24. 31Nome: …................................................................................................................Cor.........................................................................................................................Idade: ….......................ou data de nascimento: …..............................................Posição no grupo familiar:..................................................................................Filiação: …......................................... e …...........................................................Local de nascimento:.............................................................................................Estado Civil:.........................................................................................................N° de filhos: …............ (feminino) …................ (masculino) ….............................Religião: …........................................................................................................Escolaridade:........................................................................................................Ocupação: ….......................................................................................................Tempo de docência na Educação........................................................................Carga horária ( ) 20 horas ( ) 40 horas ( ) 60 horasRenda salarial: até um salário mínimo ( ) até dois salários mínimos ( )mais de dois salários mínimos ( )2° BLOCO: As questões da entrevista Para a realização da entrevista com os professores, coordenadorapedagógica e alunos, preparamos cinco questões, todas relacionadas com ahistória de Itiúba.1- Você considera importante trabalhar a história de Itiúba no contexto escolarda escola Getulio Vargas? Justifique.2- Em sua opinião os professores deveriam ter um aprofundamento maiorsobre a história de Itiúba? Justifique.3- Como trabalhar a história de Itiúba de forma dinâmica com os alunos?4- Existe no PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola Getúlio Vargas umaproposta de se trabalhar a história de Itiúba?
  25. 25. 325- Há uma preocupação por parte dos professores de se trabalhar a história deItiúba em sala de aula?2.3. As fontes de pesquisa2.3.1. Fontes Orais As entrevistas foram realizadas com seis professoras, umacoordenadora pedagógica e três alunos, todos pertencentes a Escola MunicipalGetúlio Vargas.2.3.1.1. Caracterização dos entrevistados A partir da identificação das pessoas entrevistadas, elaboramos umapequena biografia para cada uma delas. Professora A Nasceu em Itiúba, Bahia, casada, concluiu a formação geral no ano de2003, concluiu o curso de magistério em 2006. Em 1998, prestou concursopúblico, e foi aprovada para o cargo de auxiliar de ensino. Começou a lecionarna 2ª série na Escola Rafael Rosa da Silva no povoado de Cabaças na zonarural deste município. Atualmente leciona na Escola Municipal Getúlio Vargas,está concluindo o curso de Licenciatura em Pedagogia pela Universidade doEstado da Bahia-UNEB. Professora B Nasceu na cidade de Queimadas, 30 anos, solteira concluiu o curso deMagistério na cidade de Senhor de Bonfim, fez o concurso na cidade de Itiúbae passou a exercer a profissão de professora, e estou ensinando os alunos do1º ano em uma escola pública. Está concluindo o curso de Pedagogia.
  26. 26. 33 Professora C Nasceu na cidade de Itiúba, tem vinte e seis anos de idade, é solteira,leciona desde o ano de 2006 em escola pública de ensino fundamental, depoisde passar por um concurso público. Concluiu o curso de magistério em 2004,hoje está concluindo a graduação em Pedagogia pela UNEB. Professora D Nasceu na cidade de Itiúba, Tem trinta e três anos, concluiu o curso deMagistério há seis anos e atualmente trabalha no ensino fundamental. Casada,e está terminando o curso de Pedagogia. Professora E Nasceu em Itiúba, cidade do estado da Bahia. Estudou o primário naEscola Estadual Belarmino Pinto. Em Caraíba Metais, conclui o curso demagistério. Prestou concurso público no ano de 1998 e foi aprovada. Começoua lecionar na escola Bertolino Rodrigues de Souza, no ensino fundamental.Atualmente leciona na escola municipal Getúlio Vargas, no ensino fundamental.E está concluindo o curso de Licenciatura em Pedagogia pela Universidade doEstado da Bahia (UNEB). Professora F Nasceu no dia 15 de novembro de 1975 na cidade de Itiúba, casada,estudou no Colégio Estadual Belarmino Pinto, e concluiu o 2º grau no curso deMagistério. Passou a lecionar no ano seguinte no ensino fundamental. Foiaprovada em concurso público, no ano de 1996. Atualmente está terminando ocurso de Pedagogia.
  27. 27. 34 Coordenadora Pedagógica Valdeni Oliveira Castro, brasileira, casada, nascida na cidade deItiúba em 15 de Janeiro de 1962, iniciei os estudos aos 7 anos de idade naescola isolada, mudando para a escola Goés Calmon, onde conclui a 4ª série.Prestei exame de seleção e obtive a média suficiente para ingressar na 5ªsérie no ginásio Municipal Antonio Simões Valadares no qual conclui o ensinofundamental. Fui estudar no Colégio Imaculada Conceição de Itiúba meformando em magistério. Procurei me aperfeiçoar fazendo cursos assimingressando na Secretaria de Educação do estado como professora que atuoaté o presente momento. Com o intuito de adquirir mais conhecimento presteivestibular e cursei Pedagogia na Faculdade Uniter. Hoje estou com 27 anos deserviço, porém ainda não me afastei das minhas funções de professoraeducadora porque tenho um compromisso com a educação. Considero que serprofessor, é um caso de amor que temos com a educação. Essa é a únicaprofissão que o profissional em um ser comprometido com o desenvolvimentosocial, sendo responsável por estabelecer uma relação de compromisso, afetoe responsabilidade de todos com a vida em sociedade. Sinto que contribuicom meus alunos e as famílias ao longo desse trajeto, por isso sinto-merealizada e continuo colaborando com meus colegas de profissão, com aescola onde trabalho e a comunidade, mesmo próximo a aposentadoria tenhomantido o meu compromisso em contribuir com a educação de qualidadepara melhorar a vida de todos. Portanto afirmo ter cumprido o meu papel. Aluno A Eu, Pedro Eduardo nasci em São Paulo, hoje moro com minha avóEulália na Avenida Osvaldo Campos. O nome de meu pai é Pedro de Sousa,minha mãe é Eloar Batista de Sousa, tenho 10 anos e estou na 4ª série, amatéria que mais gosto é Português. Aluno B
  28. 28. 35 Eu, Natiele natural de Itiúba, moradora na fazenda Poção, tenho 10anos, estudante da 3ª série na escola Getúlio Vargas, filha de Laurentina eVeraldino, a matéria que mais gosto é matemática, pois me identifico com amesma. Aluno C Eu, Itamar da Silva Cardoso, idade 9 anos, nasci em 5 de abril de 2003,curso a 2ª série, nasci na cidade de Juazeiro, hoje moro na Rua do Corte,casa laranja sem número, meus pais são Ismael e dona Rejane. Tenho umperfil de aluno muito comprometido na educação.2.3.2. Carta Cessão Este documento permite que o material produzido na entrevista possaser usado ou exposto pela Instituição, desde que esteja devidamente assinadapelos depoentes. CESSÃO DE DIREITOS SOBRE DEPOIMENTO ORAL PARA UNEB1- Pelo presente documento.........................................brasileiro (a), (estadocivil)......................(profissão)..............carteira de identidade nº......., emitidapor.................... CPF nº................, residente e domiciliadaem..................................................., Município de Itiúba, Bahia, cede etransfere nesse ato, gratuitamente, em caráter universal e definitivo aoCampus VII da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) a totalidade dosseus direitos patrimoniais de autor sobre o depoimento prestado no dia.....de ...................... de 2012, perante opesquisador.........................................................................2 – Na forma preconizada pela legislação nacional e pelas convençõesinternacionais de que o Brasil é signatário, o DEPOENTE, proprietáriooriginário do depoimento de que trata este termo, terá, indefinidamente, o
  29. 29. 36direito ao exercício pleno dos seus direitos morais sobre o referidodepoimento, de sorte que sempre terá seu nome citado por ocasião dequalquer utilização.3 – Fica pois o Campus VII da Universidade do Estado da Bahia(UNEB) plenamente autorizado a utilizar o referido depoimento, no todo ou emparte, editado ou integral, inclusive cedendo seus direitos a terceiros, Brasile/ou no exterior.Sendo esta forma legitima e eficaz que representa legalmente os nossosinteresses, assinam o presente documento em 02 (duas) vias de igual teor epara um só efeito. ...............[ assinatura da entrevistada ]............ TESTEMUNHAS:__________________________________________________________________________2.3.3. Fontes escritas Como fontes escritas, nós utilizamos informações de sites da Internet eprincipalmente do livro Itiúba e os roteiros do padre Severo, de RobérioAzerêdo, historiador itiubense, editado no ano de 1987. Foi realizada umapesquisa minuciosa acerca de informações sobre a História de Itiúba, porém omaterial já publicado em relação a esse assunto é bastante escasso, nãosendo possível encontrar outros livros além do já citado.2.4. O local da pesquisa2.4.1. Escola Municipal Getúlio Vargas
  30. 30. 37 A Escola Municipal Getúlio Vargas, localiza-se no município de Itiúba,na região do semiárido Baiano, no Território do Sisal, distando cerca de 300 kmde Salvador, a capital do estado. O município possui uma população deaproximadamente 36.113 habitantes, conforme o censo do IBGE (BRASIL,2010). A Escola Municipal Getúlio Vargas foi fundada em 1974, está situadana Avenida Vereador Osvaldo Campos, possui seis salas de aula, umasecretaria, dois banheiros para alunos (um masculino e um feminino) e outropara professores, uma biblioteca e uma quadra esportiva. A área da escola éde 250m². Atualmente a instituição funciona nos turnos matutino e vespertino eatende uma clientela diversificada conta com turmas de Alfabetização a 4ªséries do Ensino Fundamental e um total de 320 alunos matriculados, seisprofessores e sete funcionários de apoio. A escola ainda possui direção, vice-direção e coordenação pedagógica.
  31. 31. 38 CAPITULO III3.1. A importância de trabalhar a história de Itiúba no contexto da EscolaMunicipal Getúlio Vargas Na primeira questão perguntamos aos professores se elesconsideravam importante trabalhar a história de Itiúba no contexto da escolaem que trabalhavam. De acordo com os entrevistados é muito importantetrabalhar a história de Itiúba no contexto escolar, pois deste modo os alunosconseguem assimilar os conteúdos abordados, pois eles se interessam emconhecer sobre a história dos nossos antepassados, como afirma um dosentrevistados “[...] a história da cidade é também a sua história, a história dosseus antepassados.” Além de ensinar a ler a sua realidade para interagir eparticipar do processo de construção e preservação desta historia, como afirmao professor 1. [...] é importante e significativo que os discentes apropriem de forma eficiente de pensar a realidade, sendo testemunha da sua época, tanto no cotidiano como dos acontecimentos que ouve as notícias pelos meios de comunicação (P1). Entendemos que é muito importante trabalhar os conteúdos escolarestendo como base a realidade dos alunos, é o que revela um dos entrevistadosem seu relato “[...] quando se trabalha a partir da realidade dos alunos oaprendizado se torna mais significativo”. (professor P2). Vale ressaltar tambéma importância da oralidade como um recurso a ser utilizado em sala de aula,como expressa uma professora: “[...] o tempo do Padre Severo está nocotidiano de muitos alunos, descendentes dos moradores do território dedomínio do Padre Severo (P3)”. Esta professora nos diz que a oralidade éresponsável pela transmissão da cultura e das crenças que fazem parte doviver desta comunidade. Outros entrevistados em seus relatos deixam claro que o estudo daHistória de Itiúba é importante para desenvolver nos alunos habilidades decompreensão sobre o cotidiano da sua cidade e do seu município, como
  32. 32. 39destaca uma das entrevistadas: “[...] o aluno amplia a capacidade de observaro seu entorno para a compreensão de relações sociais e econômicasexistentes no seu próprio tempo e reconheçam a presença de outros temposno seu dia-a-dia (P4)”. Outro discurso reforça a importância deste estudo parao conhecimento da sua identidade “[...] a história da cidade é também a suahistória, a história dos seus antepassados (P5)”. Para os Parâmetros Curriculares Nacionais, é necessária a formação dealgumas habilidades nos alunos do ensino fundamental, para que estashabilidades os tornem capazes de: Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais (BRASIL, 1998, p. 7). A citação que recortamos dos Parâmetros Curriculares, fundamenta umdos discursos por nós coletado, em que o professor coloca a cultura local comoalgo a ser reconstituído “[...] é importante resgatar a história do nosso povo, acultura e seus valores” (P6). Isso nos faz lembrar Munanga (2006, p. 11)quando trata sobre o conhecimento das culturas como algo importante para aidentificação do povo brasileiro. [...] Aprender e conhecer sobre o Brasil e sobre o povo brasileiro é aprender a conhecer a história e a cultura de vários povos que aqui se encontraram e contribuíram com suas bagagens e memórias na construção deste país e na produção da identidade brasileira. A visão da coordenação pedagógica da escola também enxerga aimportância da realização de estudos nessa área, para que os alunos possamter como referência a sua localidade a sua cultura e consequentemente a suaidentificação como cidadão daquele lugar. “Sim, o aluno precisa conhecer evalorizar a história de Itiúba para que a cultura da mesma continue sempreviva” (CP).
  33. 33. 40 Do mesmo modo os alunos se posicionam favoráveis ao ensino dahistoria local, pela necessidade de acompanhar o que acontece, “Sim, porque émelhor para as pessoas entenderem melhor os acontecimentos” (Aluno A); Poroutro lado, para uns é importante compreender melhor o movimento da sualocalidade, aprendendo mais sobre ela. “Sim, porque estudar e reconhecer ahistória de Itiúba é bom” (Aluno B). Dessa maneira podemos concluir que todos os discursos dos nossosentrevistados sobre a importância do estudo da história do município, sãounânimes em afirmar que esta atividade pode contribuir para formação dacidadania, além de tornar as praticas nas salas de aula mais atraentes por setratar de algo próximo das vivencias dos alunos.3.2. Os professores deveriam ter um aprofundamento maior sobre ahistória de Itiúba Perguntamos aos professores o que pensavam sobre a importância deter um aprofundamento maior sobre a História de Itiúba, com a finalidade derealizarem um trabalho mais eficiente com esse tema em sala de aula. Osnossos entrevistados em sua maioria revelam a vontade de trabalhar esteassunto, porém como detém pouco conhecimento sobre o mesmo, não sesentem seguros para assim proceder. Para os professores P1 e P6, a equipe pedagógica poderia estar maispresente, auxiliando e realizando eventos que tratassem deste assunto paraassim dá suporte ao trabalho: “[...] Deveríamos ter apoio melhor por parte daequipe pedagógica”. (P6) ou ainda, “[...] deveríamos ter por parte dacoordenação apresentação de seminários encarando como um processo queadmite diferentes enfoques do saber”. (P1) Neste discurso observamos umareferência à transversalidade – “[...] admite diferentes enfoques do saber [...]”estes saberes por ela citado referem-se certamente a cultura de Itiúba, e seencaixam perfeitamente nos conteúdos transversais sugeridos pelos PCNs.
  34. 34. 41 Em outras respostas os professores afirmam a necessidade de obteremconhecimento e aprofundamento, uma vez que estes saberes locais estão ámargem do saber oficial das escolas. P2 declara que para poder ensinar bem épreciso saber do assunto, já o professor P3 em seu discurso salienta que: “[...]muitas vezes deixamos de trabalhar por falta de aprofundamento sobre ahistória de nossa cidade... como surgiu, os primeiros moradores e também acultura”. Ainda tratando sobre a mesma questão, a resposta do professor P4 vemreforçar as outras contribuições, enfatizando a necessidade de ter maioresreferências para o trabalho em sala de aula, assim como material didáticoproduzido para esta finalidade: “[...] Muitas vezes os professores não trabalhama história de Itiúba por falta de conhecimento e material em mãos”. Umapequena porcentagem destaca a falta de interesse por parte dos professoresem trabalhar com este conteúdo tão próximo ás vivências de todos. “[...] Muitasvezes o professor não trabalha a história por falta de conhecimento, e deinteresse em conhecer”. A coordenação pedagógica da escola reconhece que o aprofundamentosobre este assunto é importante para os professores, pois os torna maisseguros sobre a história de Itiúba: “Sim, para seu próprio conhecimento,ficando assim mais seguro ao transmitir para os educandos” (CP). Para osalunos os professores podem ter uma atuação mais consistente: e com isso oaprendizado deles seria bem melhor: “Sim, para eles fazerem o melhor para escola durante a história” (Aluno A); “Sim, porque nós alunos deveríamos saber mais sobre a história de itiúba é muito importante” (Aluno B); “Sim, porque nós alunos deveríamos aprender mais sobre o nosso município” (Aluno C). Constatamos, através das respostas dos entrevistados que é necessárioque os docentes tenham um aprofundamento maior com relação à História e a
  35. 35. 42cultura do município de Itiúba para que a partir deste conhecimento sejapossível trabalhar melhor em sala de aula com seus alunos.3.3 A História de Itiúba: um trabalho dinâmico em sala de aula é o desejodos professores Nesta questão, buscamos saber dos professores fontes deste estudo,sobre como trabalhar a História de Itiúba de forma dinâmica com os alunos emsala de aula. Alguns colaboradores se referem aos equipamentos como fala oprofessor P1: “Trabalhar por meio de slides, fotos fazendo um paralelo doontem e do hoje”; ou ainda atividades lúdicas: “Acredito que usando atividadeslúdicas e em que os alunos possam participar ativamente” (P2); como meios dedinamizar as atividades didáticas em sala. Estes depoimentos deixam claro que os professores desejam e estãosempre procurando novos métodos e recursos que possam dinamizar as suasaulas e que os alunos possam aprender de modo satisfatório; já a professoraP3 declara que trabalha a História de Itiúba de forma dinâmica, utilizando olivro didático aliado a história oral. [Trabalho] utilizando os relatos orais da história oral e do livro da História de Itiúba, contextualizando com a Colonização do Brasil e da Bahia, mostrando o domínio dos jesuítas e a influência de Portugal que é trazida na história de Itiúba por sua origem religiosa, e o surgimento do povoado do Adro por dois irmãos portugueses. Já a professora P4, afirma que trabalha utilizando fontes, “Através dasfontes históricas, orais, iconográficas, documentos, fotografias, mapas, filmes,depoimentos, objetos cotidiano etc. e passeios”. As demais entrevistadas assimcomo P6, colocaram que o trabalho também é desenvolvido “Através depalestra, seminário, apresentações teatrais, músicas e danças que resgatem acultura local (P6); outra dá destaque aos passeios de rua em que os alunosaprendem que são parte da história: “Poderíamos fazer passeios pelas ruas da
  36. 36. 43cidade conhecendo a história das ruas e dos monumentos consideradoshistóricos (P5). Para a coordenação pedagógica as atividades podem ser diversificadas,e o estudo sobre a história e cultura local pode ser trabalhado em sala de aula“Através de teatros, músicas, paródias, poesias e incluir no currículo da escola,na disciplina História” (CP). Já os alunos se manifestaram dizendo que oestudo poderia tomar como metodologia a forma lúdica através de “Vídeos,brincadeiras, jogos e palestras” (Aluno A); “Através de cartazes, DVD, jogos,brincadeiras e festas populares” (Aluno B); “Deveria mostrar cartazes, pesquisaem computador, slides, DVD” (Aluno C).3.4 História de Itiúba: uma proposta no PPP (Projeto Político Pedagógico)da escola Getúlio Vargas Na presente questão, perguntamos para as professoras entrevistadas seexiste no PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola Getúlio Vargas umaproposta de se trabalhar a história de Itiúba. Assim, obtivemos as seguintesrespostas: “Sim” (P1) e “Não só no PPP, mas também no Plano de ação daescola” (P2). Como afirmam as professoras, o ensino da História de Itiúba estáprevisto nos documentos oficiais da instituição de ensino, porém outrasprofessoras entrevistadas afirmam que existe a proposta, mas não háconcretização desta ação. “No Projeto tem uma proposta de trabalho, mas faltaconcretizar algumas ações” (P3). Em outro depoimento a entrevistada diz que aproposta fica no papel e consta apenas como documento, “[...] só fica no papel,engavetado, somente para constar em documentos” (P4). De acordo com os depoimentos acima, é possível perceber que há umaleve contradição nas concepções das entrevistadas em relação a esta questão.Enquanto duas professoras afirmam que existe no PPP e também no Plano deação da escola a proposta para inserir a História de Itiúba no currículo daEscola municipal Getúlio Vargas, a maioria das entrevistadas, afirmam que
  37. 37. 44existe essa proposta no PPP, porém fica apenas no papel, pois na maioria dasvezes não são realizadas as propostas, faltando concretizar algumas ações.3.5 Há uma preocupação por parte dos professores de se trabalhar ahistória de Itiúba em sala de aula Na última questão perguntamos as professoras se havia umapreocupação por parte das mesmas em trabalhar a história de Itiúba em salade aula. A maioria dos depoimentos se assemelha, nem todas as entrevistadasacreditam que todos tenham esta preocupação como fica claro no discurso daentrevistada P2. Acho que alguns professores tentam trabalhar com esse tema em sala de aula, mas existem também professores que obedecem ao currículo com pouca criticidade sem se preocupar com a qualidade do ensino-aprendizagem e ainda existem outros que não estão ai pra nada e nem se quer planejam suas aulas de maneira significativa para os alunos (P2). Poucas pessoas afirmam que esta atividade acontece, haja vista a falada colaboradora P3, quando justifica dizendo que as razões estão nocumprimento da Lei de Diretrizes e Bases – LDB, “Porque a História de Itiúbaestá ligada a história dos afrodescendentes que necessita de atenção paraatender o que a LDB impõe” (P3). Esta colaboradora se refere ao Art. 26-A. daLei de Diretrizes e Base da Educação Nacional que sugere: Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. Lembramos que este Artigo foi acrescido pela Lei no 10.639, de 9-1-2003, e com redação dada pela Lei nº 11.645, de 10-3-2008. Em relação aessa questão ainda podemos citar o § 2° que diz:
  38. 38. 45 Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. Outras duas professoras entrevistadas disseram que às vezes há umapreocupação por parte das mesmas de se trabalhar a história de Itiúba em salade aula, mas outras afirmam que somente em alguns momentos é que istoacontece, “Em alguns momentos, mas não trabalhamos como deveríamos, porfalta de conhecimento” (P6). Fazendo uma análise dos discursos dos participantes da nossa pesquisapodemos compreender que há sim uma considerável preocupação por partedos professores em trabalhar a história de Itiúba em sala de aula com seusalunos, estes também demonstram interesse em estudar esse importante tema,porém existem ainda algumas situações adversas que acabam porcomprometer a concretização de um trabalho que poderia ser satisfatório porparte do professor e que pudesse contribuir com o aprendizado dos alunos.
  39. 39. 46 CONSIDERAÇÕES FINAIS A realização desta pesquisa foi motivada por uma inquietação: como éque os alunos da Escola Municipal Getúlio Vargas trabalham a história domunicípio de Itiúba em suas salas de aula? Esse questionamento decorredo dilema que envolve a importância de trabalhar a memória da nossa história,a fim de manter viva as tradições e a cultura do nosso município. A análise feita a partir das entrevistas realizadas com seis professoras, acoordenadora pedagógica e três alunos da Escola Municipal Getúlio Vargas,evidenciou que há sim uma considerável preocupação por parte destes emtrabalhar a história de Itiúba em sala de aula, porém existem diversas situaçõesadversas que acabam por comprometer a concretização de um trabalhosatisfatório que venha contribuir de modo eficaz para a aprendizagem doseducandos. Nessa perspectiva, refletir sobre como é que os alunos da EscolaMunicipal Getúlio Vargas trabalham a história do município de Itiúba em suassalas de aula, significou discutir uma história local que não está inserida noslivros didáticos utilizados nas escolas do município. E, além disto, debater umahistória local no território do Sisal, sobre a importância de se trabalhar com osfatos históricos e pessoas que tiveram um papel relevante na criação dessemunicípio, e que por isso, precisa ser conhecidos pela sociedade local eregional. Portanto, quando a História do município de Itiúba estiver ao alcancedos nossos alunos, da comunidade escolar e principalmente da populaçãoItiubense, entende-se que haverá outra maneira de valorizar nossa história, aopasso em que, através desse trabalho procura-se contribuir com um novocapítulo para a história desse município, e fornecer subsídios para que outrospesquisadores interessados neste tema possam ampliar esses estudos,trazendo novas descobertas.
  40. 40. 47 REFERÊNCIASAZERÊDO, Robério. Itiúba e os roteiros do padre Severo. Goiânia: Unigraf,1987. 253p.BRASIL. LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. N.º 9394 de20 de dezembro de 1996. Brasília, 1996._________, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curricularesnacionais: Educação Física. Brasília: Imprensa Oficial, v.7, 1997. Disponívelem: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf. Acesso em: 25 abr.2012._________,Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curricularesnacionais: História / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC /SEF, 1998. 108 p._________, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 acesso em:25 abr. 2012.FREITAS, Marcos Cézar de (org.). Historiografia Brasileira em Perspectiva.São Paulo: Contexto, 1998.MOREIRA, Antônio Flavio Barbosa. Indagações sobre o currículo: Currículo,conhecimento e cultura, Brasília: Ministério da Educação, Secretaria deEducação Básica, 2008.MUNANGA, Kabengele. O negro no Brasil de hoje. São Paulo: Global, 2006.(Coleção para entender).VASCONCELOS, José Antônio. Fundamentos epistemológicos da história.Curitiba: Editora Ibpex, 2009. (Coleção Metodologia do ensino de história egeografia).
  41. 41. 48FONTES ORAISProfessora A- entrevista cedida em 03 de abril de 2012Professora B- entrevista cedida em 03 de abril de 2012Professora C- entrevista cedida em 03 de abril de 2012Professora D- entrevista cedida em 03 de abril 2012Professora E- entrevista cedida em 03 de abril 2012Professora F- entrevista cedida em 03 de abril de 2012Coordenadora pedagógica - entrevista cedida em 03 de abril de 2012Aluno A- entrevista cedida em 03 de abril de 2012Aluno B- entrevista cedida em 03 de abril de 2012Aluno C- entrevista cedida em 03 de abril de 2012
  42. 42. 49ANEXOS
  43. 43. 50 FOTOGRAFIAS DA CIDADE DE ITIÚBAFotos: Vista da cidade de Itiúba, Bahia. Fonte: Desconhecida.
  44. 44. 51Foto: Vista da cidade de Itiúba, Bahia. Fonte: Desconhecida.Foto: Vista da cidade de Itiúba, Bahia. Fonte: Desconhecida.
  45. 45. 52Foto: Fachada da Escola Municipal Getúlio Vargas (2012) Fonte:Claudionor Rebelo dos Santos e Ivonilton Santos Santana.
  46. 46. 53Pátio da Escola Municipal Getúlio Vargas (2012) Fonte: Claudionor Rebelodos Santos e Ivonilton Santos Santana.
  47. 47. 54Equipe de Professores da Escola Municipal Getúlio Vargas (2012) Fonte:Claudionor Rebelo dos Santos e Ivonilton Santos Santana.

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