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Clarinhaa

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Clarinhaa

  1. 1. CONTOS TRADICIONAIS W7 . r={: 13:. » ii # ~‘i3‘: '%: ::i 1’ 1 W Lé‘i'n - .4», , , _ fix —~, “' Axlténio I/ Iota llustraqfies dejtfllio / arnzeler 1"" I V V 'v' , ‘.. ..—. - --J’ 5. ~ 2 m *‘ §(_ at r .1?-—-‘-"9'-a"-" “ ‘ n ilik , f ’_ -_ , x _ 7.. ... .- ? -£, » N, _ __
  2. 2. - _ . - _ 2'1 rnuitos, rnuitos anos, nurna ccrla tcrra, havia urn cnortne palzicio corn tan- tas _j: n1cl-as CCJIIICJ de cli-as tern 0 Ann. Fora do palaicio havia urn enurrnc jardixn corn flores rar-as. canipos a perder dc vista e urn bosquc cnonne, tzio gr-adude, téo c: -ctcnso que ate’ parecia nan tor Fun. Ilo bosquc havia tnilhares e nmilhares dc érvores. /Klgurnas qua, -4:: tfio altas COITIC) o pal-Jncio. c outras t-.710 grosszls. quc eratn precise. -; dcz hoxnens de bracos abcrtos para conseguirctn abraqar 0:; seus troncos. lIo pal-écio vivia Luna rainha e a sua filha, u princesa (jlarirlha. Estc pahicio nfio tinha rei porquc desapareceu deste n1un- clo pouco ternpo dcpois de a (jlarinha ter nascido. 4¢'"' ". ui . . ‘T: i~fi: -‘Ci’-E
  3. 3. .7 _ 3, -hr->1). -._ .
  4. 4. T _. _j' esde rnenina quc a (‘.1-arinha tinha o costurne dc passear. Todas as tardcs, cho- vesse, nevassc, caisse granizo, on houvesse sol, a Cilarinha saia do palécio c dava gran- des passcios a pé no jardirn. Sc havia sol e o céu estava azul. nxontava o seu cavalo branco c galopava pelos canlinhos estreitos do bosquc cnortne, tiio grande, tfio extenso que ate’ parecia nio tcr firn. 1Iutna ta: -de fria, corn 0 céu carrcg-a- do de nuvens cinzentas, a Clarinha esta- va sentada nun) banco dc pcdra que havia junto dc urna Fonte. ii beira das roseiras do _jardi111. Pensava na sua Vida. Ela sabia quc Faltava pouco ten1po para se casar corn urn principe dc oucro reino. IYesse ternpo era assixn, os pais dos noivos c cl-as noivas é que tratavana dos casarnentos dos filhos.
  5. 5. ., .. . Clari11l1a pensava na sua Vida. As vezes. pensava tanto que até so csquecia de voltar para 0 palzicio antes de apareccr -<1 noite Fri-a c cscura. LJn1a tardc. vinda do bosquc. voando lé no alto do céu, uxna éguia enonne COIIIQQOLI 21 dcscer sobre a sua cabec; -a a urna vclocida— de estontc-ante. A (7larinJ1-.1 nfio teve xrnedo da ziguia. deixou-so estar
  6. 6. V_ »V: { , / ‘A ‘A scnlada no banco de pedra junto de ulna Fonte. ix beira das roseir-as. A éxguia nfio poisou na relva, tnas disse-lhe assirn, lé do alto: — Cilarinha! Cllarinhal Queres passar trabalhos ern nova ou ern velha? Escolhe, Clarixahal A princesa espantou—sc corn aquela conversa. Por isso, 1150 res- pondeu, foi para dentro do palécio, c nfio disse nada £1 rainha.
  7. 7. z r a tarde seguinte, na outta, na outta e 113 outta, sete tardcs seguidas, a éguia apareceu e perguntou: — Clarinha! Clarixtha! Queres passar trabalhos ern nova cu ern velha? Escolhc, Clarinha! Clarinha nfio respondcu, foi para den- tro do palécio e contou tudo a sua nxic. A rainha. ouviu C011‘) rnuito atenqfio as palavr-as da filha e disse—1he: - E ntellxor tcres trabalhos ern nova do que en: velhal Na tat-dc scguintc, Conn o céu cinzento. carregado de nuvens, a éguia disse—1he as- sinxz — Clarinha! Clarinha! Qucres passar trabalhos ern nova ou crn velha? Escolhc, Clarinha! — Ern nova! — rcspondeu a princesa.
  8. 8. nt-E10 A iaguia dcscctx sohrc :1 princes-a gr, (: ()n) as SL135 pcsssalltcs garrzns. ag;1l‘I‘()L -u 6 lcvou-:1 polo ur for-u, conio SC‘ fussc a pen-.1 de L111) passarito. A éguia passou pol’ ctixn-.1 do bosquc, por cntrc as nuvcns, por cinla de torrees c castelos, e largnu :4 (flurinha nu terra do principc que havia do CSISE-l‘l" coin cla. IJaqucl:1 Lcrra. a princcsa so conhccia duas pcsso-as: o 13rl'nv. :ipc c u ruinha. !/ I-as cla so pudia f"-.1]-dr corn ales dcpnis dc urr I1-itu urn pcdidu por cscrito, porque assiin era n costulne daquclc rcinu. (: lDI)1() ela 1150 tinlra fcito o rcqucrin1cn- to, Sabin qua us guardas 1150 a dcixariznn entrar no palécio.
  9. 9. - iv’ 4‘! iV’_ , ._ , 4" N} V, '0 I r“""“ ‘. V ‘. ‘-4 V‘ . :., ' "”~ / ‘T . ... ..
  10. 10. I: Z __ . _ noitc cspreitava, o vento sibilava c o frio apettava. A Clarinha cncrou nunma padaria. Lé dentro est-ava quente e cheirava a péo acabado dc cozer. — Quantos pies quer a tncnina? — per- guntou a padeira, quc era gorda e tinha -.1 roupa enfarinhada. — lI-éio tcnho dinheiro para cornprar pio. Posso trabalhar aqui? — perguntou a rnenina. A padeira disse que sinl, quc conuesse urn p50 c conuegasse a trabalhar. A (: la. rinha ali trabalhou nauito texnpo e aprendeu 2: arnassar e a cozer pao cle Inui- tas qualidades. Llrna vez, a pacleira teve de fazer Luna viagern. Antes dc sair, disse—lhe assirn: — (3 pic jé esté arnassado. l/ lete-o no forno c: néo o deixcs esturricar. — Esté be-n1 — rcspondeu a rnenina.
  11. 11. _.
  12. 12. film! ‘ In-74-‘I9 gji-I. ‘ -. s- igghnfi» s‘| :_-nus-s¢9ceo. ts. ~u—» .12 .5,u: - us: _'ps. q~@i, h.~. -‘ . :-. ~ 2:‘ 'w= r1!'. x9*= v9r vvtikn-5 firéf I, -i3_'i~n’= #%o': . I~: » -'-: -i2Lau, l'<~a. -3 . a‘é4,= -.910} '5-nu‘-, --, ro, v‘s -9,63 3ng-‘! -., -r‘§-s. - -4-. -wsaylh «o ? QII! lI; ._, Ida? -_$. _Uf= :i'I‘: II“h‘
  13. 13. Quando a padeira voltou, ficou rnuito cnfurecida corn o que viu, bateu na Cilarinha e pf)-la na rua, 1150 querendo ouvir o que ela Ihe dizia: - Eu nao tivc culpa. A 2-iguia é que destruiu cudo. Pot favor. niio rne rnande exnboral
  14. 14. larinh-.1 ficuu sozinha no xncio da rua. A noite espreitava, o vento sibilava C‘ o Frin apex-tuva. A (Ilarinha entrou nuxna taberna. L: i dentro estava guente e cheiravu 2: pcixe Frito. — (D quc quer coxner, xncnina? — per- guntou o dono da taberna, que C]1$iT'<I/2! a gordura frita. — lIE1o Lcnho dinheiro para conncr. Pos- su tr-abalhar aqui? — pcrguntou a (Ilarinha. C) Laberneiro, que era vclho. clisse que sirn. que CCn"ncs. <;e Lun peixe Frito c conic- (ta. -a. ~:<: a varrer o chino da taberna. A Cilarinha ali trabalhou dur-ante tnuito tcnnpo, aprendendo a escaniar, a cortar, 2: ternpcrar e -.1 fritar peixc dc xnuit-as quali- dades. Llnxa vez, o velho taberneiro teve de Fa- zer urna viagern. Antes de sair clisse-lhe: — Ficas a tornar conta da venda. lI5xo tc deixcs engajlar. — Esté hen) — disse a nmenina.
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  16. 16. ''_. J on‘: rnedo que a aiguia aparecesse, a Clarixiha cot-rcu a trancar a porta da tabcrna. De repente, a éguia entrou na taberna por urna janela e partiu os copos e as ga. rra- fas, as travcssas e os pratos, desfez 0 pic ern nxigalhas. atirou corn 0 peixé para o chfio c esvaziou o vinho que estava nos pipos. Quanclo o taberneiro voltou, ficou fu- rioso ao ver a sua vcncla desfeita crn cacos, batcu na Clarinha c pé-la logo 1121 rua, nfio querendo ouvir o que ela lhc dizia: — Eu nfio tivc culpa. A éguia é quc des- truiu tudo. PO! ‘ favor, nao rne rnande exnboral A noite cspreitava, o vento sfbilava e o frio apex-tava. A Clarinha enchcu-se de coragcru e foi pedir cxnprego ao palécio. A rainha respondeu quc nfio cstava in-— teressada, pois jé tinha tnuitas criaclas. C) principe tcvc pcna da n1enina e dissc: - Dcixc-a entrar, rnfic. I)é—1he trabalho, nexn que scja a guardar as patas. — Esté bern. Entfio cla qua entre — res- ponclcu a rainha.
  17. 17. . In ‘ . ,.. ., . ‘ . . we .4. = , R T. L» . .. .:a. 3 o. . . .. ..~. . . // _. L.. , [HUI . A 7. , .1. , ,. / r . . I , __ , 2 _, J 2, V, ,
  18. 18. (jlnrinha Foi guarclar as pacas. A aiguia aparcccu logo no prixuciro dia c rou- bou 2: pasta tnaior. Todos os dias dcsaparecia ulna pata c a Clarinha cncrav-.1 no palécio corn os olhos vcnnclhos de canto chorar. C principc, vendo-a :50 triste, pcdiu it rainha que cla dcixasse dc guardar pacas e fossc para coscurcira. E asshn aconteceu. U111 din, o principe resolvcu ir visitar a sua noiva. l/ luico born vcsticlo e perfurn-ado, o principe pcrguntou is criadas do palécio: — Que querexn quc cu lhes craga cla ter- ra que vou visicar? Todas as criadas disscrarn o quc que- riatn, rnenos a Clarinha. — II§o pcdcs nada? — perguncou o prin- cipc, adn1ira: :lo. — BT30. — Texts dc pcdir. I)iz-rne o que quotes quc cc traga da cerra da ruixxha noiva. — Traga-true. por favor, utna pedra pe- qucnina do palécio.
  19. 19. _ _, ' rgnz-‘| ’ucvf§g: _5 §eLv4 1. 'i’i>: ga(_,69uu. — 3 -, uuI, u nib -l_‘a’u-fixer» “:9 g'I¢. lh’ion- din -nqnun. :ai‘§i_ua :49:-‘Bus. 3919 4. : '~6¢ u-on-w ulalbuc dta~:1,¢, ggrggIr<<’, -i’(-"I4 ‘-II. “t~rs-(~*-a= .*'l~». -‘6s. ~— uuléivlif- _D]l: .“§_Oifi: _DI_~ Tfggn cog-nix. iin. '|; _§'<-. hllnluum v_u| <-(:1-cg» g‘I¢_ 43453. §(6g’nfij: naogn Hi‘, it 0’ o_Ap ‘I, 1'7». -.5: . o9~—5'b1tg'k-9‘: 7l'u'9 ii‘ q3(§I‘h'l_q‘ . —. ‘or; -g;4_-z'3g. fo. ~)(gua no : q-.4-‘ _-n_I5§‘n9§, _‘lj. 5' 715 1'"? ,'a‘I, i.'-1'91"! ‘-‘ "9' 99-‘ ‘! "I. ‘-. ~'-‘I'¢I'-.9 _-' é_u't. wg: -nun-; 'u'I? -ui'>_ n n! ;.'. '.? -; »a'ae. , 1 ' g: e'. (q‘hs{¢J. ,. '~4ju}: .~m - qynvr- Qliliflj _§! ai : =. ¥¥ugcI‘gn'L: . eg. ggu3¢«; ;&9II‘ 4,6: 7_-nrdouikstr E}: ovv: »,"'I, '-Ir’ c', $'1_vg. ~ 9 {- g[. j.1‘c'Im’3n it Sfiljl-)1hI§bI_>. ". “'"-I"W!2I'-! ‘9 ggqiaxg war 9 glue .6’ -13» wan. ‘ n:4_; .'n «nu as-4-om _-I-: -t-1|»-a. t»" _-, r,: —mu. :mn- -, g-«a‘Q; u9’§]_ojg rc(’c'n-"llioéstiio, -4- u. :1cunIon, cjl_a: ' was -'l—i“-r: ;I, ‘>-<- 315,: ,cp»s_’Iw9'‘-s’, , 35:: ?, l>,1§_I; TsI‘uu- -3, ‘Hg: -J5-g‘I‘o, _u-s ‘gpannuopu age :19 m . _'Iuq§n: uj, _%, k§u« -n-.1-'1.-1-4 M590: 1- -H, -53 , - -. r-, §~ ‘. ,i»-: ~-v-. *‘. .-<, - :1->: A'i, w,l‘-ii, -; .9-'91,» 1%-e-_<‘~'-b 4; ~-x or-v éojnfi -Its nuznfii; 'i'i‘| _.‘_iK9'_)_v. ‘.'l4' new t'§U§I'5§iOTV :13: die ! bQiQ: {q§i1§ O_‘)jlf‘. o sb’s, ;E-190",
  20. 20. I a/ _—‘_. - Clarixiha coutou-lhe coda a sua Vida. Falou dos passcios quc canto gostava de dar no jardirn, das apariqécs cla cerrivel ziguia e dc tudo o que aconceceu depois. Quanclo a (Jlarinha se calou, aconteceu unaa coisa excraordinfiria: a pedra deu urn grande escoiro c desfez—se ern p6, enquan- co 2. Clarinha gricava: — Abre-ce. pedru, nunia roda dc nava- lhas, que 111:: quero dcitar nel-as! Adxnirado cotn cudo o quc cinha ou- vido e visto, o principe saiu debaixo da canta e abracou a Clarinha. — Porque nfio falastc cornjgo, Clarinha? Porque nfio rue contaste cudo, tncu axnor? - Porque a éguia pet-guncou—rne se eu queria passar trabalhos ern nova ou ern velha. Preferi passa—1os en) nova. ()5 principes casax-arn—se xmqucle dia- Correraxn para o palécio, abraqararn a 1115:: % ' -— da princesa Cilarinha e la ficararn a viver, .-= .a- senlpre contenccs e rnuico felizcs. '1_ -‘-“ r § : ‘ 1‘ M 2% 1 _ I. ”/1, - , 1 _ — i—___. . ——f. . kw. :
  21. 21. .: ~>v‘ K . , . .x _ , .. _s . . 4 : . . v o, .. z. .. . T . H. _ . > . . L . It

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