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História de uma gaivota e do gato

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História de uma gaivota e do gato

  1. 2. Luís Sepúlveda escreveu, entre outros…
  2. 3. No Chile : ocupa uma longa faixa costeira com 4 300 Km de comprimento. Nasceu, em 1949
  3. 4. Tudo aconteceu em Hamburgo… Cidade com quase 2 milhões de habitantes . O 2º maior porto da Europa, a 100Km da foz do rio Elba, (República Checa, Alemanha; 1165 Km)
  4. 5. “ Iam com seis horas de voo sem interrupção (…) e sentiam necessidade de recobrar as forças” (p.11 )
  5. 6. “ Voavam sobre a foz do rio Elba, no mar do Norte. Viam lá do alto os barcos alinhados…. “ (p. 12)
  6. 7. “ Cento e vinte corpos perfuraram a água como setas e, ao regressar à superfície, cada gaivota segurava um arenque no bico” (p. 12) – Banco de arenques a bombordo! (1) – anunciou a gaivota de vigia. (p11) (1) Lado esquerdo.
  7. 8. “ Nos ninhos à beira de uma escarpa (…) poriam os ovos, neles os chocariam (…) e quando tivessem nascido às gaivotinhas as primeiras penas resistentes, chegaria a parte mais bela da viagem: ensinar-lhes a voar no céus da Biscaia” (p. 14) “ Era nisso que Kengah pensava enquanto dava conta do seu terceiro arenque” (p. 13)
  8. 9. “– Perigo a estibordo! Descolagem de emergência! (p. 14) “ Quando Kengah tirou a cabeça da água viu-se sozinha na imensidade do oceano”. (p. 15)
  9. 10. <ul><li>“ Estendeu as asas para levantar voo, mas a espessa onda foi mais rápida e cobriu-a inteiramente .” (p.23) </li></ul>
  10. 11. “ Quando veio ao de cima, a luz do dia havia desaparecido (…); compreendeu que a maldição dos mares lhe obscurecia a visão” (p.23)
  11. 12. A mancha viscosa, a peste negra, colava-lhe as asas ao corpo e, por isso, começou a mexer as patas na esperança de nadar rapidamente e sair do centro da maré negra . (p. 24)
  12. 13. “ Kengh bateu as asas energicamente, ergueu-se uns dois palmos e caiu de borco na água .” (P. 26)
  13. 14. “ À quinta tentativa conseguiu levantar voo (…) ganhou altura. (…) O movimento das asas foi-se tornando cada vez mais pesado e lento (…) As asas negaram-se a continuar o voo.” (P. 26)
  14. 15. ZORBAS, “o gato grande, preto e gordo estava a apanhar sol na varanda” quando viu um OVNI. (…) Mal conseguiu esquivar-se à gaivota que caiu na varanda.” (p.30) “ Era uma ave muito suja. Tinha o corpo todo impregnado de uma substância escura e malcheirosa” (p.30)
  15. 16. – Prometo-te o que quiseres. (p. 31) – Vou morrer! – grasnou a gaivota num queixume. – Com as últimas forças que me restam, vou pôr um ovo. Amigo gato, vê-se que és um animal bom e de nobres sentimentos. Por isso, vou pedir-te que me faças três promessas . (p. 30) – Promete-me que não comes o ovo. (p. 31) – Promete-me que cuidas dela até que nasça a gaivotinha. (p. 32) – E promete-me que a ensinas a voar (p.32) – Prometo. Agora descansa que vou em busca de auxílio . (p. 32)
  16. 17. <ul><li>Zorbas procurou conselho junto dos seus amigos: </li></ul><ul><li>- SECRETÁRIO , um gato (…) muito magro e apenas com dois pêlos de bigode, um de cada lado do nariz (p. 35). </li></ul><ul><li>COLONELLO , um gato de idade indefinível (…) velho e talentoso, uma autoridade entre os gatos do porto (p.35); </li></ul><ul><li>SABETUDO , um gato cinzento, pequeno e magro que vivia no Bazar do Porto e dedicava a maior parte do seu tempo ao estudo dos milhares de livros que lá havia (p.42). </li></ul>“– Vamos todos. Os problemas de um gato do porto são problemas de todos os gatos do porto – declarou Colonello solenemente .” (p.37)
  17. 18. – Temos de consultar a Enciclopédia “ – exclamou jubilosamente Sabetudo. (p.47) “ Para eliminar manchas de petróleo limpa-se a superfície afectada com um pano humedecido em benzina”. Cá temos a solução! – miou Sabetudo (p.49) – Você humedece o rabo com benzina e vamos tratar dessa pobre gaivota – indicou Colonello, olhando para Secretário. (p.50)
  18. 19. “ Os quatro gatos desceram do telhado para a varanda e imediatamente perceberam que tinham chegado tarde. (…) Observaram com respeito o corpo sem vida da gaivota.” (p.51) “ Vencendo a repugnância que lhes provocava aquele ser impregnado de petróleo, uniram-lhes as asas ao corpo e, ao mexer-lhe, descobriram o ovo branco com pintinhas azuis.” – O ovo! Chegou a pôr o ovo! – exclamou Zorbas. (p.52) “… uma promessa é uma promessa e, assim, aquecido pelos raios de Sol, foi-se deixando adormecer com o ovo branco com pintinha azuis muito chegado à sua barriga preta” (p.53)
  19. 20. “ Ao entardecer do vigésimo dia, Zorbas dormitava e, por isso, não percebeu que o ovo se movia (…) (p.64) Acordou com umas cócegas na barriga. Abriu os olhos e não pôde deixar de dar um salto quando viu que, por uma greta do ovo, aparecia e desaparecia uma pontinha amarela. (…) Viu como a avezinha dava picadas até abrir um buraco por onde enfiou a diminuta cabeça branca e húmida” (p.64)
  20. 22. Mamã! “ Zorbas (…) achou que a emoção e o rubor que o invadiam o transformavam num gato… lilás.” (p.64)
  21. 23. Tenho fome! (p.65) Quero mais! (p.66) Tenho sono! (p.67) Mamã, socorro! (p.73) Querem comer-me! (p.73) – Meteste-te numa boa embrulhada, caro amico . Numa boa embrulhada! – avisou Colonello (p.52)
  22. 24. – Tenho fome! – grasnou ela colérica. – Mamã! Tenho fome! (p.66) “ O biquinho amarelo tocou na casca, dobrou-se como se fosse borracha (…)” (p. 66) “ Zorbas saltava de uma ponta à outra da varanda. Havia reunida cinco moscas e uma aranha (…)” (p. 67)
  23. 25. A varanda não era um lugar seguro. (p.74) “– Vem, vamos dar um passeio – miou Zorbas; e pegou-lhe delicadamente com os dentes.”
  24. 26. – Não seria mau que o passarito tivesse um nome – sugeriu Secretário (p.76) – Estou de acordo. Deve ter um nome, mas antes é preciso saber se é macho ou fêmea – miou Zorbas. – O único que nos pode dizer se é macho ou fêmea é o Barlavento. (p.77) Um nome para a gaivotinha
  25. 27. “ Passaram três dias até conseguirem encontrar-se com Barlavento, que era um (…) autêntico gato de mar” (p.83) Às vezes pergunto a mim mesmo se alguns humanos enlouqueceram , ao tentar fazer do mar uma enorme lixeira. Acabo de dragar a foz do Elba e nem podem imaginar a quantidade de imundície que as marés arrastam (… ) Tirámos barris de insecticida, pneus e toneladas das malditas garrafas de plástico que os humanos deixam nas praias . (p.85) Pelas patas do caranguejo! (…) É uma linda passarita que virá a pôr tantos ovos quantos os pêlos que tenho no rabo! (p.86)
  26. 28. Proponho que lhe chamemos DITOSA – miou Colonello (p.87) Pelas guelras da pescada! É um lindo nome! (p.87) Nós te saudamos, Ditosa! (p.87)
  27. 29. “ Ditosa cresceu depressa, rodeada do carinho dos gatos. Um mês depois (…) era uma esbelta gaivota, de sedosas penas cor de prata” (p.89) “– Voar consiste em empurrar o ar pata trás e para baixo – murmurava Sabetudo, de nariz enfiado nos livros.” (p.90) Mas eu não quero voar! Também não quero ser gaivota! – discutia Ditosa. (P. 90)
  28. 30. «O volume [da enciclopédia] estava aberto numa das páginas dedicadas a Leonardo da Vinci e via-se nelas um curioso artefacto que o grande mestre italiano baptizara de “máquina de voar”». (p. 104)
  29. 31. Do alto de uma estante, Colonello, Secretário, Zorbas e Barlavento observavam atentamente o que acontecia (p. 95) (…) Ditosa estava ali, prestes a tentar o seu primeiro voo. (p.97)
  30. 32. – Antes de começarmos, vamos rever pela última vez os aspectos técnicos – miou Sabetudo (p.95) (…) – Vamos verificar a estabilidade dos pontos de apoio A e B (…) Agora vamos verificar a extensão dos pontos C e D (…) Perfeito! (p.95) – Pelos bigodes do rodovalho! Deixa-a voar de vez! – exclamou Barlavento
  31. 33. “ Ditosa bateu as asas, encolheu as patas, ergueu-se uns palmos no ar, mas caiu logo como um fardo” (p.100) “– Nunca se voa à primeira tentativa, mas vais conseguir”. (p.100) – Sou uma inútil! Sou uma inútil! – repetia ela, desconsolada
  32. 34. “ Dezassete vezes tentou Ditosa levantar voo, e dezassete vezes acabou no chão” (p.101) Reconheçamos que somos incapazes de a ensinar a voar e que temos de procurar auxílio para além do mundo dos gatos. (p.103) René! Harry! Carlo! O humano que vive com a Bubulina Porca miséria! Acabou-se-nos a lista.
  33. 35. Gosta de música suave e melancólica. É carinhoso para com a sua gata. “ Escreve palavras belas que alegram ou entristecem mas que produzem sempre prazer e suscitam o desejo de continuar a ouvir” (Zorbas) E o que te leva a pensar que esse humano sabe voar? – quis saber Secretário. Talvez não saiba voar com asas de pássaro, mas ao ouvi-lo sempre pensei que voa com as palavras – respondeu Zorbas. – É um poeta! Volume 17, letra “P”da enciclopédia – garantiu Sabetudo É um humano esquisito .
  34. 36. Tu falas ? (p. 112) Podes ajudar-nos? (p.113) E Zorbas contou-lhe a história da gaivota, do ovo, de Ditosa e dos infrutíferos esforços dos gatos para a ensinar a voar . (P.113) Acho que sim. E esta noite mesmo! (p. 113)
  35. 37. “ Combinaram reunir-se à meia-noite. (…) Caía sobre Hamburgo uma espessa chuva” (P.115). “ Dirigiram-se à Torre de S. Miguel (…) “Deram a volta e entraram por uma pequena porta lateral que o humano abriu com uma navalha (…) Começaram a subir uma escada de caracol que parecia interminável (…) Zorbas saltou para o varandim (…) O humano pegou a gaivota nas mãos ” (p.119) Não! Tenho medo! Zorbas! – grasnou ela dando bicadas na mão do humano (p.119)
  36. 38. A chuva, a água… Gosto! – grasnou (p.120) Vais voar, Ditosa. Respira. Sente a chuva. (…) Na tua vida terás muitos motivos para ser feliz, um deles chama-se água, outro chama-se vento, outro chama-se sol. (…) Sente a chuva! Abre as asas – miou Zorbas (p.119)
  37. 39. Espera! Deixa-a no varandim – miou Zorbas. (p.119) “ A gaivota estendeu as asas (…) Ditosa desapareceu da vista, e o humano e o gato temeram o pior (…) Com a respiração em suspenso assomaram as cabeças por cima do varandim, e viram-na, então, batendo as asas (…) seguiram-lhe o voo até às alturas” (p.120)
  38. 40. Estou a voar! Zorbas! Sei voar! (p.121) Bem, gato, conseguimos! (p.121) Sim, à beira do abismo compreendeu o mais importante (p.121) Ah, sim,? E o que é que ela compreendeu? (p.121) Que só voa quem se atreve a fazê-lo – miou Zorbas. (p.121)
  39. 41. “ Ditosa voava solitária na noite de Hamburgo. Afastava-se batendo as asas energicamente até se elevar sobre as gruas do porto, sobre os mastros dos barcos, e depois regressava planando, rodando uma e outra vez em torno do campanário da igreja.” (p.120)
  40. 42. Esta é uma fábula que defende: - O valor dos compromissos; - O espírito de grupo e a amizade; - A integração entre a teoria e a acção; - A preservação do ambiente; - O respeito pela diferença; - O respeito pela vontade da maioria ; - A harmonia entre as espécies; - Os direitos dos animais.

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