Pub jornal 2012_c1

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Pub jornal 2012_c1

  1. 1. Jornal de Filosofia 2012Agrupamento de Escolas do Forte da Casa
  2. 2. Caros leitores.Tal como no ano letivo anterior este Jornal surge no âmbito da realização do pro-jeto pedagógico do Grupo de Filosofia do Agrupamento de Escolas do Forte da Ca-sa. Tentamos nele abranger o conteúdo programático da disciplina, principalmenteno âmbito do disciplina de Filosofia. Optámos por um tipo de abordagem diferente,não tanto como um jornal mas mais como uma coletânea de ensaios elaboradospor alunos sobre temas chave para a disciplina. Por ser nossa intenção mostrar quea disciplina pode e deve ser oferecida de forma acessível, inteligível, praticável, mes-mo empolgante. Pretendemos mostrar que a Filosofia não tem que ser um “bichode sete cabeças” mas sim um instrumento de abertura de horizontes, de espíritos,mentalidades, de participação, mas principalmente de abertura para o facto de, porsermos seres pensantes, de termos capacidade de nos interrogar sobre o MUNDOque nos rodeia, sobre NÓS e sobre os OUTROS,Se tu ES, tu RESPIRASSe tu respiras, tu FALASSe tu falas, tu PERGUNTASSe tu perguntas, tu PENSASSe tu pensas, tu PROCURASSe tu procuras, tu EXPERIMENTASSe tu experimentas, tu APRENDES Se tu aprendes, tu CRESCES E quando cresces, tu DESEJAS Se tu desejas, tu ENCONTRAS Se tu encontras, tu DUVIDAS Se tu duvidas, tu PERGUNTAS Se tu perguntas, tu ENTENDES Se tu entendes, tu SABES Se tu sabes, tu QUERES SABER MAIS E se tu queres saber mais, ESTÁS VIVO...
  3. 3. Afinal, a Filosofia...Eu antes pensava que filosofia era uma coisaestúpida por ser ignorante. Ser ignorante não énão saber fazer contas de matemática ou nãosaber resolver a teoria quântica de não seiquem. Ser ignorante é pensar que sabemos tu-do, que tudo é assim, que não há volta a dar.Que o sol é amarelo, mas sei lá eu se o sol é osol, se é amarelo, verde ou ás bolinhas ? Nin-guém me garante. Antes também acreditavampiamente que o mundo era quadrado, e séculosdepois, uma alma pensadora, disse que não, …/...apresentou uma teoria. Tal como os poucos se- Um ser livre , como eu um dia me espero tor-res pensantes neste mundo, pois a maior parte é nar , têm a capacidade de responder, de agiruma cambada de ignorantes, ele foi livre. Mas como quer , logicamente é um ser com livreesta capacidade de ser livre é uma enorme res- arbítrio, por tomar as suas decisões, tendo emponsabilidade .Um ser livre, como Jean Paul Sar- consideração a sua vontade. Mas não posso detre disse , é uma grande responsabilidade, pois deixar de pensar no que eu não controlo . Tãoum Homem livre carrega o peso do mundo nos teoria afirmada como determinismo, em queombros. A liberdade pode nem sempre ser tão basicamente, tudo o que acontece têm umadoce como nós pensamos. Ser livre implica esco- causa , e por consequentemente um efeito , elher, decidir como agir , é errado vermos um ser tal acontecimento completa o anterior. É basica-livre como Deus Todo-Poderoso , ser omnipo- mente uma cadeia viciante. Mas os conceitostente , a liberdade não significa poder fazer tu- não valem nada se não forem aplicados, serãodo , a liberdade dá-nos não a completa capaci- apenas mais palavras, mas entulho , para encherdade de decidirmos o que acontece, ou o que o mundo. Portanto , eu chamo-me Sofia. Nãofazemos, pois há muitas coisas que estão fora do escolhi que o meu apelido seja Linguiça , nãonosso controlo, mas sim a capacidade , a manei- escolhi ser Portuguesa, não escolhi ter meio pal-ra de respondermos , de reagirmos como quere- mo de testa, não escolhi ter uma falha nos den-mos, dentro dos nossos limites. Podemos ligar tes , nem muito menos ter nascido ás nove ho-isto um pouco ao livre arbítrio. ras da manhã de uma fria manhã de dia 18 de …/... Fevereiro , isto supera-me. São coisas que não controlo, mas que independentemente da mi- nha vontade aconteceram. Agora com as tonela- das que o mundo me pesa, sou um pouco livre, posso reagir perante esses acontecimentos.“A capacidade de ser livre é uma Aceitar a minha falha nos dentes, usar sapatos altos para ficar com três quartos de palmo em grande responsabilidade…” vez de meio . Pedir para não me chamarem Lin- guiça e para não ser fria como a manhã de inver- no em que nasci. Está tudo á minha disposição , quando tiver a capacidade de ser livre , física e emocionalmente, logo vemos o que vou fazer, mas quer queira quer não, há coisas que estão traçadas. Sofia Linguiça
  4. 4. Ética e MoralO que é a Ética? Depois de refletir sobreo que eu acho do significado da mesmaposso dizer que a Ética é um conjunto devalores que orientam o comportamentodo Homem em relação aos outros Ho-mens na sociedade em que vive, garan-tindo assim o seu bem-estar a nível soci-al. Para mim a Ética está muito relacio-nada com a subjetividade de cada um denós, porque a Ética está relacionada coma nossa consciência, por outras palavrasa nossa voz interior. A nossa consciênciaé o que nos permite uma análise do Beme do Mal, através dos princípios que amesma nos dá. Claro que nem semprerealizamos ações muito corretas como por exemplo um indivíduo que decide roubar umaloja. Neste caso como o indivíduo não tomou a melhor das decisões, apesar de este pensarque conseguiu enganar toda a gente, engana-se, pois ele não consegue enganar a sua vozinterior que o irá atormentar por não ter tido uma boa atitude.O que é a Moral? A Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do Ho-mem na sociedade, estabelecendo condições de convivência com respeito e liberdade, poiscaso contrário se as mesmas não fossem estabelecidas, cada um de nós faria o que quises-se.Assim a Ética e a Moral completam-se uma à outra porque sem a Moral não seria possível aconvivência entre a Ética de cada um de nós sem que as mesmas se sobrepusessem umasàs outras e sem a Ética para além de nós não conseguir-mos distinguir o Bem do Mal nãoiríamos ter os nossos próprios princípios, seríamos como marionetas que seguiam as regrasestabelecidas.Em suma a Ética e a Moral são duas coisas distintas, indispensáveis para a nossa vida, e quenão vivem uma sem a outra. Assim concluo que sem a Moral não seria possível a convivên-cia, e sem a Ética a nossa vida não teria qualquer liberdade, tornando-se infeliz.“...Ética...a nossa voz interior…”“...sem a Ética a nossa vida não teria qualquer liberdade…”
  5. 5. Ética e Moral . O novo bicho de sete cabeças.Ética e moral. Palavras banais ao início de aula passada. Eu sabia as definições que vêm no dicionário, eu achoque sou uma grande burra. Sou muito articulada, falo muito mas não sei metade do que digo. São letras queformam palavras e eu digo-as. É como se eu falasse do amor e não o conhecesse. Falo de ética e nem sei oque significa. Hesitei bastante ao escrever este texto pois não tinha inicialmente compreendido a conceito naaula. Estava demasiado aérea. E a filosofia requer muita concentração. Agora estou aqui em diante do meuportátil a tocar nas teclas e a ver o que sai. Sempre me disseram que eu era uma pessoa muito imoral , oupelo menos a minha avó sempre disse, pois eu nunca consegui chegar ás expectativas dela. Fazia sempre ocontrário do que ela me pedia. Quanto mais crescia mais me afastava do caminho que ela quisesse que eutomasse, parece que ela tinha já tudo pensado e nisso saio muito a ela. Nestes meus anos de adolescência,que são vistos como os cruciais para a definição da minha personalidade, eu tenho-me afirmado bastante emantido fiel aos meus princípios. O Homem está sempre na procura da linha reta, na “retidão da mente” , nomodo de fazer as coisas da maneira mais certa. De se manter na linha. Apesar de eu me aparentar muito“alinhada” não é nada disso que parecem achar. Sempre tive opiniões muito vincadas e sempre me mantivefiel aos meus princípios. Á minha ética. Mas muita gente prefere a porcaria da moral. Se cada um de nós nãoacreditasse em ética, nos seus princípios eramos todos um bando de autómatos, sem coração e que faríamostudo “by the book”. Eu não quero ser assim. Eu prefiro arranjar dez mil discussões do que ceder a normas, ámoral. Que o diabo leve a moral e a enterre. Eu já arranjei tantos problemas devido a ela. Sou uma pessoaextremamente imoral para umas coisas, e muito ética para outras. Há coisas que necessitam da moral , oumelhor, da GRANDE FRASE “ é assim que nos devemos comportar, porque assim é que é certo”. Isso é neces-sário porque senão o mundo era uma enorme rebaldaria e não havia nenhuma ordem. Mas menospreza-se avoz interior das pessoas. Calam-na com um monte de regulamentos só porque “assim é que têm que ser “ diza minha avó. Diz toda a sociedade. Ainda no outro dia, no Parlamento da Madeira , José Manuel Coelho sen-tou-se no lugar do Sr. Alberto João Jardim, para demonstrar a falta de comparência deste. Apareceram logoimensos guardas para o levarem de volta. Ele foi moral, seguiu as normas ? NEM PENSAR. Mas foi ético . Ou-viu a sua voz interior que dizia para ele protestar. E eu acho que as pessoas querem apagar a ética do mapaporque há muita coisa que não lhes interessa ouvir. A sociedade quer ficar agrilhoada nas normas. Natural-mente dizem que as leis são para proteger todos e que agradam a todos. Isso é tão mentira como eu ser boa amatemática. Estes dois conceitos só se poderão conjugar quando cada um deles se negar a si próprio. Os éti-cos negarem a sua ética e os moralistas a sua moral. E trocarem de lados. Viverem um dia com pressupostosdiferentes e verem como a sua casmurrice possa afetar os outros seres humanos. Numa vida em sociedadetêm que haver bastante “compromising” temos que saber lidar uns com os outros e o atual regime impostoquase na maioria dos países é a Democracia. Democracia significa povo ao poder. O povo não está nada nopoder porque não é ouvido. O povo é que sabe o que sofre todos os dias , e sabe que as leis da constituiçãonão estão de acordo com o que se passa no mundo.Eu estou bastante emocionada a escrever isto porque se as pessoas tivessem o tempo para se ouvirem umasás outras , viveríamos muito melhor. Será legítimo qualquer pessoa deixar de viver como quer porque não éassim que deve ser? Que eu saiba não estamos enclausurados. Em suma, estes dois conceitos são completa-mente conciliáveis. Cada um deles simplesmente têm que se negar a si próprio e ver o outro. Pode-se ser mo-ral e ético . Pode-se ser correto e fiel e si mesmo. O problema disto tudo é que estamos muito aceleradospara perceber isso. Estamos mais ocupados a ver quando sai o novo iPhone. Quando a sociedade quiser tudose fará e estes dois conceitos conciliarão se perfeitamente. “ Como devemos agir, como devemos fazer e sim-plesmente as coisas em que cada um acredita.” Não sei se isto está algo que preste, mas não o conseguia fa-zer de outro modo. Não seria ético da minha parte. Não consigo escrever textos profundos com palavras ca-ríssimas porque não sou assim. Eu não escrevo palavras eu escrevo sentimentos. Eu sou ética e simplesmenteestou bem assim. Sabe muito melhor estar fora da linha, do que viver a vida que outros escolheram para mime poder ser o que quero. Peço desculpa pela desilusão. Sofia Linguíça
  6. 6. “...Vai para a direita, Tiago...”“...atirar um caderno ao chão …” Ética e Norma Moral Quantas vezes já quisemos ir contra as regras estabelecidas? Contra aquilo que é a lei, a dita norma moral? Quantas vezes já nos quisemos comportar de maneira diferente aquilo que é suposto e se espera de nós? Dar-lhes um gran- de encontrão e fazermos o que a nossa voz interior diz, a nossa ética? É que, talvez seja novidade para alguns, mas as leis nem sempre são éticas. As leis obedecem a preconceitos que a sociedade foi criando ao longo do tempo, limi- tam o pensar e o fazer, criam muros na nossa vida onde se pode ler em gran- des letras ‘NÃO PODES FAZER ISTO’. Por exemplo, a norma moral diz-me que eu não posso atirar um caderno ao chão enquanto estou a ler este texto, não é de bom tom. É extravagante. A minha ética diz-me para o fazer. Para arriscar. Ups! Tiago – 1 Norma Moral – 0. A minha ética não se importa com os olhares que neste momento me estão a lançar das mesas lá de trás. A ética, a minha ética, é livre. Procura uma liberdade que não se encontra num Código de Direi- to, é uma liberdade interior que se projeta para o meu exterior. Procura uma liberdade que me permita ser feliz, que melhore o meu modo de vida, que me ajude a construir uma escala de valores reais. É aquela voz que me sussurra ao ouvido “Vai para a direita, Tiago” quando todos os outros vão para a esquerda. No início, era apenas isso, um sussurro. Agora, que penso sobre tudo o que es- tá à minha volta mas também naquilo que está dentro de mim, é uma voz cla- ra, definida e que me orienta. “...Pensar. É tão gratuito. Tão vasto…” Porém, não somos perfeitos, limitamo-nos à nossa simples condição humana e nem sempre seguimos o que a ética nos diz. Daí nos depararmos com os nos- sos problemas e situações menos agradáveis que vamos enfrentando ao longo da vida. Não receio no entanto todos esses desafios que me são colocados, tal como Sartre disse “O Homem está à altura de tudo o que lhe acontece”. Se eu TIAGO!!!...‘NÃO PODES FAZER ISTO’... pensar, se a Catarina aqui ao meu lado pensar, se nós pensarmos e se o mun- do pensar, talvez consigamos viver numa sociedade ética, numa dita utopia. Pensar. É tão gratuito. Tão vasto. Resta-me apanhar o caderno do chão. A normal moral exige. Por enquanto. Ti- ago Silva “...não somos perfeitos…”
  7. 7. Ética e norma moral em Filosofia Ética e moral, que conceitos tão abstratos esses, com que me deparei no dia de hoje. Ética e moral, mas o que afinal é isso de ética e moral? Já utilizei tantas vezes estas miseras pala- vras e de repente, no momento em que me perguntam, qual o seu significado?, eu paraliso, paraliso não por não ter vontade de falar, mas pelo facto, de ao pensar nestas duas palavri- nhas deste modo eu não sei o que elas são. De facto, pergunto-me, o que é que faz com que a minha pessoa utilize expressões, sobre as quais desconhece o verdadeiro significado? E assim a minha mente ficou presa a essas expressões durante horas, ética, moral, moral, ética, porque é que eu não consigo responder? E esta pergunta permaneceu e permane-“...a moral é o que torna possível a convivência entre as inúmeras diferenças éticas existentes…” ceu, tentei ir até ao fundo da questão e procurar respostas para estas novas perguntas e perguntas para essas mesmas respostas, questionei-me, juntei ideologias, juntei significa- dos e eis que algo começou a fazer sentido. Se a ética é algo esta associada ao “bom”, isto é se quando somos generosos, amigáveis, compreensivos, estamos a ser éticos, então supo- nho que a ética se relacione com o conjunto de valores que cada ser humano possui. Sendo assim, cada um de nós vive mediante as nossas próprias Éticas, sendo que cada individuo tem as suas e rege a sua vida de acordo com as mesmas. Posto isto, se a ética na minha ma- neira de ver se relaciona com o facto de “algo” ser bom para nós próprios e para toda a so- ciedade, então julgo que a moral tenha a ver não com aquilo que nos achamos ser o “bem” mas sim com o que nós achamos ser o “justo”. Ou seja, se a ética se relaciona com os valo- res de cada um dos membros de uma comunidade então a moral associa-se ao respeito e à liberdade dos mesmos. Tornando-se então a moral a ponte que liga as diferenças éticas umas às outras, isto é, a moral é o que torna possível a convivência entre as inúmeras dife- renças éticas existentes, fazendo com que todas elas se respeitem sem que umas se sobre- ponham às outras, sendo que de certo modo a moral prevalecerá sobre a ética. Após ter culminado neste ponto, as minhas noções sobre este tema, passaram a fazer muito mais sentido, sendo que, pelo meu ver a ética está associada às noções que o ser humano possui de carácter, de virtudes, isto é, a ética relaciona-se com as decisões de cada um de nós so- bre aquilo que somos e não somos, sobre aquilo que um dia gostaríamos de ser, da manei- ra como cada um de nós enfrenta cada situação, seja ela positiva ou negativa, sendo que todas as decisões da qual o propósito irá dar um determinado sentido a nossa vida, serão então decisões éticas. O que já não acontece exatamente com a moral, uma vez que esta, está muito mais associada na minha maneira de ver aquilo que está correto para a socieda- de onde nos encontramos, ou seja, a todos os conceitos de justiça, responsabilidade e de limites. A moral tem sobretudo a ver com a nossa liberdade sendo que o direito de realiza- ção das nossas ações só é permitido até aos limites dos restantes, impedindo-nos de sobre- por os nossos limites, violando os limites dos outros indivíduos. Em suma, a conclusão a que chego é que ambas as coisas são indispensáveis à nossa existência. Com uma grande diferença, que quem age moralmente têm de respeitar a comunidade onde está inserido e pode ser contemplado ou crucificado por isso. No entanto quem age eticamente, respeita simplesmente os seus valores e as suas ideologias sendo que também pode ser contempla- do, mas no entanto não pode ser punido pelas suas ações, mesmo sendo estas infelizes. Resumindo a moral é a res- ponsável por tornar a nossa convivência com os restantes possível, visto que, sem moral a nossa convivência em co- munidade seria impossível, no entanto sem a ética, esta seria lamentável e desprezível.
  8. 8. ? ? ? ? ? ? Ética e Norma Moral ! ! ! ! ! !A ética é a voz interior, a consciência, que avisa quando algo está certo ou quando algo está errado. É aquela vozinha que nos atormenta se Eu não sou ninguém se não tiver ética. A ética é a voz inte- rior, a consciência, que avisa quando algo está certo ou quando algo está errado. É aquela vozinha que nos atormen- ta se fazemos algo que ela já nos havia dito que estava er- rado. Mas também pode fazer com que nos sintamos bem ao tomarmos decisões corretas. Faz parte da minha subjetivi- dade. Por exemplo, se eu roubar, a minha consciência vai acusar-me que a minha ação está errada. Mas se eu roubar muitas vezes, desrespeitando a minha consciência, ela vai deixar de me acusar quando eu roubar. Na minha opinião, a consciência tem de ser respeitada, por que ela é o verdadei- ro guia da nossa vida. A norma moral refere-se aos princípios já estabelecidos que nos “obrigam” a seguir determinados comportamentos. A ética pode ajudar-nos a discernir as consequências das nor- mas de moral, mas também pode dizer-nos algo completamente contrário a elas. Por isso, pode dizer-se que a nossa voz interior nem sempre está totalmente de acordo com as normas morais. O que nos deixa numa posição um pouco ingrata. A quem devemos obedecer? Às normas morais ou à consciência? A nossa consciência pode ser influencia- da pelas nossas convicções ou até pela educação que nos deram, pelo que na minha opi- nião devíamos tentar estabelecer um equilíbrio. Em determinados assuntos teremos de respeitar as normas morais para evitar punição, mas em outras ocasiões temos seguir o que a nossa vozinha interior nos diz. No entanto, é curioso notar que a nossa consciên- cia dita como certas as ações que envolvem o respeito pelos outros e, acima de tudo, quando essas ações envolvem as nossas crenças. As normas morais são iguais para várias pessoas de várias nacionalidades, mas não exis- te duas pessoas com éticas iguais. A ética é algo individual, que pertence a cada um de nós. Por isso nem todos concordamos com tudo o que outros fazem, pois o que a nossafazemos algo que ela já nos havia dito que estava errado. voz interior nos diz que está errado, a outros, a sua voz interior pode dizer que está correto. Na minha opinião, apesar dos contrastes evidentes entre ética e normas morais, as nor- mas morais não podiam existir sem a ética, porque se não existisse a consciência, quem dita essas normas não poderia saber se o que estava a implantar estaria certo ou erra- do. Por fim, na minha opinião a ética também está intimamente relacionada com a liberda- de, porque uma pessoa sem liberdade não pode fazer uso da sua ética para tomar ações livres, apesar de ela continuar a existir se não houver liberdade. O que se pode dizer é que ela não seria usada para a tomada de decisões mas apenas para julgar ações de ou- tros, já que a nossa consciência também nos permite caracterizar as ações de outras pessoas e julgá-las por essas mesmas ações. Por isso, eu digo que a vida não teria o mí- nimo sentido sem ética, pois se não tivéssemos um guia próprio dentro de nós, vivería- mos uma vida completamente vazia, já que não tomaríamos ações baseadas na nossa própria consciência. A minha consciência pode influenciar, e muito, o tipo de pessoa que sou, desde que eu siga as suas instruções. Sofia Linguíça
  9. 9. “A consciência assume-se como primeira resposta.” Ética e Norma Moral. Todos os seres humanos possuem em si, uma “vida” no seu interior, aquilo que modifica as suas ações. Essa vi- da leva-nos a refletir e a consciencializar sobre o bem e o mal, o correto e o incorreto,.. Afinal de contas o que é esta vida, que nos faz ser diferente de todos os outros seres? A consciência assume-se como primeira resposta. To- das as nossas ações são posteriormente analisadas a par- tir da nossa reflecção e condenadas pela nossa consciên- cia. Consciência essa que nos dá uma perceção de como havemos de agir de uma forma posterior. Por exemplo, o facto de numa bela tarde de sol, decidir em vez de brincar no parque ir roubar rebuçados na loja, faz com que por conse- guinte a minha consciência me diga que tal Acão foi completamente errada. Com isto, a dita consciência poderá penalizar-me de uma forma temporariamente indefinida. Podemos de certa forma, aceitar toda essa penalização, mas temos a nossa grande arma, a liberdade. Quero com isto dizer que temos liberdade para enfrentar a nossa própria consciência e aí entrar numa grande guerra interior, de um lado a consciência e do outro aquilo que o nosso coração nos diz. A única consequência de toda esta batalha é o sofrimento, aquilo que nos “...temos liberdade para enfrentar a nossa própria consciência…” consegue destruir das formas mais cruéis. Quero com isto dizer que a ética está ligada á subjetividade de cada individuo. Esta grande individualidade da ética é bastante importante para que seja possível a norma moral. A norma moral é determinada pelo conjunto de leis que faz com que um individuo as siga de forma determinada. Ao contrário da ética a norma moral é algo exterior a nós próprios, ou seja, algo que não conte-mos dentro de nós e que não detemos o controlo. Trata-se a penas e só de uma prescrição, um código a seguir. Também contradizendo a ética, a norma moral é algo que engloba a objetividade de cada individuo. Apesar da adversidade entre estes dois grandes condutores da vida, existe uma compatibili- zação entre elas. O grande exemplo desta afirmação verifica-se na politica, por exemplo, ao estado se abrir á opinião pública, de forma a que a ética de cada um interfira na norma moral do estado. Para mim apenas ambos, estes grandes pilares, são importantes e mostram a sua relevância na Acão de cada um de nós, e é óbvio que seria uma impossibilidade viver sem um deles, pois estes são o grande motor da Acão humana. Personalizando, para mim seria-me total- mente impossível existir sem ética. O que seria de mim se não tivesse a minha grande ami- ga, que me alerta para o bem e para o mal? Poderia assim magoar alguém sem ter noção que estava completamente a ser cruel (má) ou por outro lado estar a ajudar alguém e não ter a perceção que lhe estava a ser boa. Se assim o fosse não me consideraria humana, mas sim outro ser inimaginável. Por outro lado as normas morais também me são efetivamente necessárias. O viver sem regras, nem que sejam leis próprias é completamente impensável, é de certa forma um viver por viver. Com tudo isto quero dizer que a ética e as normas mo- rais contribuem completamente para que eu seja um ser racional e não um ser completa- mente impossível de visualizar, não só em ter-mos visuais mas também em termos filosófi- cos. Simplesmente não seria nada. Inês André
  10. 10. Ética e normal moralO que é a ética? A ética está ligada à subjetividade de cadaum de nós, é aquela voz interior com que estamos todosfamiliarizados em chamá-la de consciência. Essa consciên-cia alerta-nos, quando estamos a fazer uma determinada Acão, do que é cor-reto ou errado. Cada indivíduo possui uma ética distinta de todas as outras,pois esta baseia-se no tipo de educação que cada um recebeu e o tipo deambiente que o rodeia, influenciando, assim, a sua subjetividade. No entan-to, as normas morais tem características mais distintas.A norma moral é externa e objetiva, são as leis da sociedade que nos dizemqual é a maneira correta de todos agirmos, uma espécie de ética globalizada,ideal para a sociedade. O problema é que como a ética é subjetiva e individu-al, nem sempre se harmoniza com as normas morais. Alguns indivíduos comdeterminadas éticas podem estar de acordo com uma certa norma moral,mas outros podem estar contra esta mesma. Por exemplo, uma pessoa queacabou de mentir a um amigo, por razões que são irrelevantes para o caso,sente-se culpado por o ter feito pois a sua consciência sempre lhe disse queé errado mentir, mas se o sujeito da mesma Acão fosse um individuo cujaconsciência lhe dissesse que não haveria mal algum em mentir, então esseindividuo não sentiria tanto peso na consciência como o que se sentiu culpa-do pela Acão. Até mesmo quando existem protestos ou greves contra umadeterminada lei imposta pelo governo, a causa por detrás disso é o facto daética dessas pessoas estar contra essas leis, daí as pessoas revoltarem-se.Em síntese, a ética refere-se à reflexão do porquê de considerarmos válidosos costumes e as normas das diferentes morais. Faz-nos refletir sobre qualserá a maneira mais correta de vivermos de acordo com a nossa subjetivida-de. A moralidade remete-nos para o conjunto de normas e de códigos exis-tentes em cada sociedade, fixando a noção do que será bom ou mau.“...são as leis da sociedade que nos dizem qual é a maneira correta de todos agirmos, uma espécie de ética globalizada, ideal para a sociedade.” Catarina Sousa
  11. 11. ÉTICA…(S)….“...é uma reflexão interior em relação a cada um de nós.” Bem, na minha opinião, a ética, trata-se de uma questão indivi- dualista, pois é um conjunto de ações que cada pessoa toma considerando as mesmas como corretas ou incorretas. A ética defende o facto de que são as consequências que tornam uma Acão moralmente correta ou incorreta, assim as intenções do agente são de um mo- do geral desvalorizadas, pois o que se avalia não são propriamente as inten- ções do agente, mas sim as consequências de uma mesma Acão tomada. “...são as consequências que tornam uma Acão moralmente correta ou incorreta…” É como que adquiríssemos ética por hábito. Para mim a ética é uma reflexão interior em relação a cada um de nós, é o nosso modo de ser e pensar, o que nos atribui características boas, ou más, ou especiais, ou egoístas, etc. Acho que a ética também pode estar relacionada com a nossa liberdade, de escolher entre fazer o certo ou o errado. A nossa liberdade e a nossa ética, são elas que orientam o nosso comportamento em relação às outras pessoas. Exemplificando, uma pessoa ao passar por nós deixa uma carteira cair no chão, eticamente correto seria devolvermos a carteira, eticamente incorreto, seria ficarmos simplesmente com a carteira sem dizermos nada á pessoa que a perdeu. Porém, aspetos eticamente corretos podem ser influenciados por fatores ex- teriores a nós, como por exemplo, estarmos num grupo de amigos e os mes- mos nos incitarem a não devolver a carteira, podemos até nem devolvê-la, o que é moralmente incorreto, por sermos influenciados por esses mesmos ami- gos. Aqui, já se trata um pouco mais de moral que de ética. Basicamente, a moral é um conjunto de condutas pré-estabelecidas por uma sociedade, que são consideradas assim mesmo como corretas ou incorretas pelo grupo, pela sociedade e já não apenas por um só indivíduo. Esta, a moral, está diretamente relacionada com costumes. Em suma, ética e moral, são dois conceitos para uma mesma realidade. Inês Lopes
  12. 12. “Sinto o frio que está lá fora nesta noite de Janeiro e ouço o silêncio.” A Morte Moral “A Morte de Ivan Ilitch” de Leo Tolstoy é uma das obras mais admiradas deste escritor. Deparei-me com este pequenino livro com não mais de 70 páginas numa estante que nem sequer salta à vista. Pensei ser uma leitura leve, uma simples história sobre o acontecimento da morte de uma pessoa. Não podia estar mais enganado, pois foi provavelmente dos livros que mais me fez pen- sar até hoje. Apresenta-nos a história de Ivan começando a narrativa logo com a notícia da sua morte, sendo os capítulos seguintes episódios anteriores da sua vida até ao momento fatídico da morte. E é precisamente no último excer- to do livro que é feita uma observação que me deu um clique, que mais uma vez me permite ir um pouco mais além na minha mente. “Ivan fechou os olhos para finalmente descansar. A morte tinha acabado”. A minha primeira reação foi de espanto mas então comecei a perceber: Ivan já estava morto há muito tempo. Não fisicamente, mas moralmente. A sua morte não é propriamente o momento em que o seu coração pára, Ivan vivia uma vida falsa e em constante negação com o seu eu. E não será uma vida artificial e construída em mentiras já uma espécie de morte, a morte moral que referi? Fiquei a pensar realmente nos conceitos de vida e de morte. Quantas pessoas com que nos cruzamos na rua apenas existem e não vivem? Quantos aniquila- ram completamente a sua voz interior, quantos a mataram? Quantos inverte- ram a sua escala de valores e já não perseguem aquilo que querem? E quantos já nem sequer pensam? Vivemos numa sociedade que está do avesso, e isso reflete-se em todos os sectores: na economia, na política, nas relações que nos rodeiam. Faz falta filosofia, faz falta pensar sobre quem somos e o que so- mos. Ou corremos o risco de já estar mortos e nem saber. Eu, Tiago Silva, sinto o teclado por baixo das minhas mãos. Sinto a luz do ecrã do computador a iluminar-me. Sinto o frio que está lá fora nesta noite de Ja- neiro e ouço o silêncio. Sinto a tempestade de pensamentos que me atravessa a mente, sinto a ânsia de saber tudo, de saber o mundo. Eu, Tiago Silva, estou vivo. Tiago Silva “Eu... estou vivo.”
  13. 13. “Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas palavras.”“Mantenha suas palavras positivas, porque suas pa- lavras tornam-se suas atitudes.”“Mantenha suas atitudes positivas, porque suas ati- tudes tornam-se seus hábitos.”“Mantenha seus hábitos positivos, porque seus há- bitos tornam-se seus valores.”“Mantenha seus valores positivos, porque seus va- lores … Tornam-se seu destino.”
  14. 14. O que é um valor? Se me perguntassem antes da aula, o que era um valor, o senso comum obrigar-me-ia a dizer que é a importância que damos a uma coisa. Depois de pensar nele do ponto de vista filosófico (começa a ser comum), consegui compreender que é algo muito mais complexo que isso. O valor nasce da interação que nós, seres humanos, estabelecemos com os obje-“Dar um pouco de nós, emprestá-lo às coisas preenchendo-as de significado.” tos. Desse modo, o valor não vai estar nas próprias coisas, mas sim no que lhes vamos atri- buir, dependendo da situação em que nos encontramos. É ele que ajuda a determinar as nossas decisões, que nos leva a agir duma maneira e não doutra. Como exemplo, escolher a água no deserto em vez de ouro, mas suceder o contrário se estivéssemos numa cidade. Sendo assim, o valor não é algo fixo e inalterável, mas sim algo mutável e que se adapta. Temos de ter em conta que existe sem dúvida uma hierarquia entre eles, valores que consi- deramos mais importantes e que pesam mais na tomada da decisão. No entanto, será o valor algo que nos torna independentes e que podemos escolher? Temos liberdade de hie- rarquizá-los e condicioná-los perante a situação ou será ela que nos condiciona a nós? São algo que vamos adquirindo por experiência própria e apenas dependentes da nossa própria consciência, assimilados por influência humana alheia ou mesmo colocados em nós por um ser superior, Deus? O valor nasce do processo de reflexão, mas não o podemos classificar como algo completa- mente subjetivo, pois não depende só de fatores inteligíveis e do nosso campo mental mas também por muitas condicionantes do nosso mundo físico. No entanto, também não é algo objetivo, pelo exemplo apresentado anteriormente. Então afinal, o que é um valor? Começo por dizer aquilo que não é: Não é apenas uma quantia monetária, ou princípios morais pelos quais nos regemos. O valor é a essência hu- mana, é mais uma vez, aquilo que nos distingue de tudo o resto e nos confere identidade. O valor é aquilo que dá sentido ao mundo, à vida, e pelo qual vale a pena viver. É algo que se encontra em nós, daí a expressão “dar valor”. Dar um pouco de nós, emprestá-lo às coisas preenchendo-as de significado. É a ideia e o conceito no seu estado mais expansivo. No entanto, os valores são, como tudo, suscetíveis de dúvida e crítica, surgindo assim tam- bém a expressão “juízos de valor”. Não nos dizem respeito só a nós, pois sendo algo bas- tante idiossincrático irão provocar diversas reações nos outros. Não querendo de modo al- gum limitá-lo, depois desta dissertação definiria valor tal como Lavelle disse: como a rutura com a indiferença. Tiago Silva
  15. 15. O que são os valores? Eu antes de começar a falar dos valores propriamente ditos tenho a dizer que me sinto confusa, pois com tanta reflexão, já não sei se o que sei é verdade, enem sei se o que digo vale alguma coisa e finalmente percebo o significado de “pertencera algo maior que eu “, é uma constante inconstante, isto que sinto. Depois de passar 3dias a debater-me com este minha horrível dúvida, lá articulei, balbuciando uma respostafraturada. O valor não era o que eu pensava que era, confirmando a teoria de que eu nãosei nada. Um valor não é eu estar tipo a pensar no preço de um lamborghini, e sinto-mesaturada de passar os meus textos a dizer que é algo muito mais profundo que isso. Masé assim que são as coisas e eu não tenho culpa disso, os meus olhos não vêem as coisas apreto e branco. São desconfiados e sabem que há mais por de trás. Um valor, disse-me aminha mãe, compadecida, “ é uma grande regra que todos cumprem”. E isso é tão verda-de como eu estar em Malibu agora. Se todos respeitassem essa grande regra, por exem-plo, a de cumprir promessas, não havia desilusões. O meu pai sempre me disse que melevaria ao Porto e eu nunca lá estive, portanto chego á conclusão que não devo basear omeu texto nisso e que existem desilusões.Eu penso que os valores sejam influências inconstantes, os valores mudam de um dia pa-ra o outro, de pessoa para pessoa. Os valores são uma balança grande, com uns grandespratos dourados e que inconscientemente estamos sempre a pensar neles. Essa balançaestá na nossa cabeça, e pode ser para decisões banais como “ preto ou amarelo” ou co-mo a “desilusão ou a mentira?”. E é claro que eu vejo que os valores sejam muito corre-tamente aplicados em situações verdadeiras, em situações que exijam mais de nós, quetenham repercussões. Que façam barulho e que causem danos. Que façam mudar o meuconceito sobre qualquer coisa num clique, que me toldem visão, mas que me abram osolhos. E que todos os valores que a minha santa mãe me incutiu sejam verdadeiros ounão.É os interessantes os valores, da conceção de valor, porque num momento o “não min-tas” que a minha mãe me disse todos os dias passe a ser secundário. Que ela um dia meproíba de algo que eu pretendo genuinamente, e pode ser algo até elevado ao amor. Euaí vou rejeitar o valor que ela me incutiu, vou mentir-lhe, apesar de o odiar e de me sentirculpada, iria me custar mais ter perdido a minha felicidade. A minha prioridade mudou.Ou então o exemplo de “ não roubes”. Se alguma vez eu me visse na situação de não tercapacidade de conseguir sustentar os meus filhos, eu roubaria. A minha prioridade mu-dou outra vez. Nestes exemplos, só se pode avaliar conhecendo o amor e o desespero, equem não os conhecesse, ou até só mesmo eu própria podia avaliar, pois felizmente cadaum de nós é diferente, não vê tudo com os mesmos olhos, não têm as mesmas priorida-des, não têm as mesmas influências. E isso torna-se algo interessante, nem toda a agentepensar da mesma maneira senão seríamos todos uns autómatos. Eu não sei se o valorque tenho é os corretos, se os vou destruir, se os vou preservar. Não sei as escolhas quevou ter que fazer, e as prioridades estão sempre a mudar. Só posso contar com a minhacapacidade de avaliação, com a minha reflexibilidade recentemente adquirida, com a mi-nha ignorância, e por fim, com a balança. Sofia Linguiça
  16. 16. “...deixando de ser apenas “mais um” no meio de tantos outros, passando a ser “aquele um” entre todos os outros.”O que são valores em filosofia?Quando optamos por realizar uma determinada ação no lugar de outra, ou seja, quandodecidimos fazer um determinado “algo”, estamos a realizar uma escolha, escolha essaque não seria possível de obter caso não tivéssemos realizado uma profunda reflexão an-teriormente sobre ela mesma. Manifestando então, certas preferências da nossa parte,de umas em relação às outras. Isto é, acabamos então, por evocar inconscientemente,certos motivos para justificar as nossas decisões. Motivos, esses que se poderão apoiarem factos, pois é certo, que existirá uma razão no nosso subconsciente que nos fará optarpor determinada coisa, face a outra, no entanto, essas mesmas escolhas tem sempre deter implícitas nelas certos valores. Valores esses que acabaram por justificar ou legitimaressas nossas mesmas preferências. Ou seja, os valores são critérios segundo os quais va-lorizamos ou desvalorizamos algo, isto é, os valores são critérios segundo os quais damosuma determinada importância a uma determinada coisa, face a um determinado momen-to, necessidade ou situação. Pois os valores são algo que numa determinada situação iráter uma diferente importância face a nossa necessidade, de modo que esses mesmos va-lores são algo que terá uma determinada importância quanto as nossas ações, pois são osnossos valores pré-concebidos que acabaram por influenciar qualquer uma das nossasações. Por muito mínimas que estas sejam, tornando-as preferíveis em relaçãooutras. Posto isto, julgo que um valor reporte-se pelas relações entre as razões pelasquais realizamos determinadas ações, justificando-as. Pois na minha humilde opinião osvalores serão considerados de um certo modo aquele “algo” que acaba por “colocar emmovimento”, todos os nossos comportamentos, bem como as condutas das pessoas pe-rante as suas próprias vidas. Pois ao longo da nossa vida estamos constantemente a reali-zar juízos de valor e a guiarmo-nos mediante os mesmos. Logo, julgo que, eles, os valores,acabam por orientar a nossa vida, marcando a nossa própria personalidade, ou seja a ver-dadeira essência humana, isto é, uma pessoa acaba por de certo modo se definir em fun-ção dos valores que possui. Cada um dos seres humanos nasce com a capacidade de serlivre e de procurar, dentro da sua própria mente, e do seu próprio coração aquilo que es-ta certo ou errado para ele, aquilo que de facto têm importância na sua vida e no que arodeia, pois se todos nós somos presenteados com a capacidade de viver livres, porque éque teimamos em escondermo-nos atrás dos conceitos pré-concebidos da sociedade?Logo se somos livres e possuímos a capacidade de refletir, possuímos também a capacida-de de determinar aquele “algo” que de facto têm valor, ou seja temos a capacidade decriar os nossos próprios valores, e não apenas aceitar aqueles que nos são impostos porterceiros. E é isto, que de facto marca a diferença, que realmente nos torna diferentes,fazendo com que nos destaquemos, deixando de ser apenas “mais um” no meio de tantosoutros, passando a ser “aquele um” entre todos os outros. Tânia Amaral
  17. 17. Liberdade"Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau é escravo, ainda que seja livre." (Santo Agostinho)"Liberdade é uma possibilidade de ser melhor, enquanto que escravidão é a certeza de ser pior." (Albert Camus)"Liberdade é o direito de fazer tudo aquilo que as leis permitem." (Barão de Montesquieu)"O homem nasceu livre, e em todos os lugares ele está acorrentado." (Jean-Jacques Rousseau)"A liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar." (Mahatma Gandhi)"Quem pensa segundo a opinião dos outros, está muito longe de ser um homem livre." (Autor desconhecido)"Aquele a quem você confia seu segredo torna-se senhor de sua liberdade." (François de La Roche Foucauld)"Depois da ordem e da liberdade, a economia é uma das coisas essenciais a um governo livre. A economia é sempre uma garantiade paz." (Calvin Coolidge)"Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela." (Autor desconhecido)"Tudo que é realmente grande e inspirador é criado pelo indivíduo que pode trabalhar em liberdade." (Albert Einstein)"Liberdade sem socialismo é privilégio, injustiça; socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade." (Mijaíl AlexándróvichBakunin)"Aqueles que negam liberdade aos outros não a merecem para si mesmos." (Abraham Lincoln)"A liberdade é a única riqueza, porque do resto somos ao mesmo tempo amos e escravos." (William Hazlitt)"A verdadeira liberdade consiste somente em fazer o que devemos, sem sermos constrangidos a fazer o que não deve-mos." (Jonathan Edwards)"A liberdade diminui à medida que o homem evolui e se torna civilizado." (Salazar)"Apenas a opressão deve temer o exercício pleno das liberdades." (José Martí)"A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até numcárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão." (Massimo Bontempelli)"Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas, mas sim acreditar nos filósofos quedizem que só as pessoas educadas são livres." (Epiteto)"O que fica de pé, se cair a liberdade?" (Kipling)"A liberdade é algo maravilhoso, mas não quando o preço que se paga por ela tem de ser a solidão." (Bertrand Russel)"O destino dos homens é a liberdade." (Vinícius de Moraes)"Não há excesso de liberdade se aqueles que são livres são responsáveis. O problema é liberdade sem responsabilidade." (MiltonFriedman)"A liberdade, quando começa a criar raízes, é uma planta de crescimento rápido." (George Washington)"A grande meia verdade: liberdade." (William Blake)"A liberdade é o direito de fazer aquilo que não é prejudicial." (Autor desconhecido)"Acima de todas as liberdades, dê-me a de saber, de me expressar, de debater com autonomia, de acordo com minha consciên-cia." (John Milton)"Liberdade é obediência às leis que a pessoa estabeleceu para si própria." (Jean-Jacques Rousseau)"Tudo está fluindo. O homem está em permanente reconstrução; por isto é livre: liberdade é o direito de transformar-se." (Laurode Oliveira Lima)"Só peço para ser livre. As borboletas são livres." (Charles Dickens)"Não são livres todos aqueles que fogem das suas cadeias." (Gotthold Ephraim)"Parecemos tão livres - e estamos tão encadeados..." (Robert Browning)"A liberdade me ensinou, e muito bem, que nela se concentra todo o prazer possível." (Margarida, rainha de Navarra)"...Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo." (Luis Fernando Veríssimo)"Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida." (Che Guevara)"Como é perigoso libertar um povo que prefere a escravidão!" (Nicolau Maquiavel)"É livre quem deixou de ser escravo de si mesmo." (Sêneca)"O mais livre de todos os homens é aquele que consegue ser livre na própria escravidão." (François Fénelon)"Aprendendo a pensar por nós mesmos, experimentamos a liberdade." (Luiz Márcio M. Martins)
  18. 18. Determinismo e liberdadeO caso que nos é apresentado é o caso de assassínio. Dois rapazes nomeadamente entre os 18 e 19anos, Loeb e Leopold ,licenciados, mataram um rapaz de 14 anos. Desmembraram-no. O caso foiconduzido a tribunal, sendo o seu advogado Clarence Darrow. Darrow defendeu os seus dois clientesargumentando a favor do determinismo. Ou seja, que tudo o que aconteceu foi predestinado, quetudo têm uma causa, e que todos os acontecimentos são a continuidade do acontecimento anterior,portanto aquele pobre rapaz desmembrado foi morto não pela vontade dos seus assassinos, massegundo esta teoria porque a sua morta já estava predestinada, e devido a isso Loeb e Leopold nãodeveriam ser castigados. Tudo já estava , digamos , “escrito” e estes rapazes foram apenas o meiopara um fim .O que os levou a cometer esse crime , foi algo tão exterior a eles, algo tão fora do seu controlo comoa cor dos seus olhos, afirma Darrow. Que esse acontecimento foi catapultado por outros, por outrascausas, completamente exteriores ao livre arbítrio destes dois homens. A sua educação, os seus pais,até a sua descendência. Este acontecimento pode ter sido, deste ponto de vista, catapultado peloTio- avô da prima em segundo grau. Segundo esta teoria, vamos culpar o Tio-avô da prima emsegundo grau.Mas agora vamos ver isto por outro prisma, segundo a teoria da liberdade, do livre arbítrio. Diz-seque um ser tem livre arbítrio quando toma as decisões tendo como base a sua vontade, e um sercom livre arbítrio é notoriamente um ser livre, pois tem a capacidade, digamos, a liberdade de tomaras suas próprias decisões. A liberdade não é um conceito completamente claro, completamentedefinível. E custa-me bastante dizer o que a liberdade é , pois para mim a liberdade não se diz, não sesabe. A liberdade sente-se. A liberdade não é omnipotência, não é um poder que nos permite fazertudo. É um poder, que me pesa nas costas que me permite responder, ter algum raciocínio própriode acordo como quero. É o que me permite ser eu, e o eu não existe sem a minha Liberdade. Apesada liberdade. Estes dois rapazes não foram livres, pois negaram a liberdade a outro. Mataram-no, tiraram-lhe e vida. O rapaz não pode usufruir de tudo o que existe neste mundo. Ficou nem ameio, ficou a um quarto.Mas agora exponho uma contradição. Os rapazes não foram livres, mas tiveram o livre-arbítrio, ouseja, as suas cabecinhas pensaram, decidiram matar o rapaz. Eles é que decidiram. Não foramcoagidos, ameaçados ou simplesmente a vida deles dependia desse acto bárbaro. Ou se calhar sim,não sei.Portanto, faço uma dedução final deste caso após toda a exposição de ambas as teorias. Sim, hácoisas que estão predestinadas, e traçadas, coisas mais abstractas. Como já disse, a cor dos meusolhos, já estava determinada, já estava escolhida através de múltiplos processos biológicos. Eu nãotive qualquer controlo nisso. Mas qualquer ser racional pensa pela sua cabeça, têm liberdade, têmlivre- arbítrio. Tem a capacidade, dentro do que pode alcançar, de escolher, de fazer , de agir. Esempre se disse que “devemos ser responsabilizados pelos nossos actos” , assim bem seja, pois eunão acredito que enquanto estas duas almas estavam a matar o pobre rapaz, enquanto viam a vida asair dos seu corpo, o brilho dos olhos a esmorecer, o faziam porque o Tio-avô da prima em segundograu, o quis, o decidiu.E também acho importante frisar, que tanto uma criança rica pode sair um serial killer, como umapessoa pobre, um presidente da república. Nós temos a capacidade de escolher, só temos quequerer e simplesmente não arranjar desculpas, não podemos justificar o injustificável com magia. Sofia Linguíça
  19. 19. Determinismo e Liberdade Ser livre é a capacidade para me perder dentro de mim mesmo, para me per-der nas minhas múltiplas decisões e saber que elas influenciam a minha vida,que não sou uma marioneta controlada por algo invisível que já está determi-nado, algo maior que mim mesmo e que não compreendo. É saber que tudo oque eu faça levará a um resultado lógico (a maior parte das vezes) e que esco-lhas diferentes levam a caminhos diferentes. Se tenho liberdade, sei que asopções está nas minhas mãos e que eu é decido aquilo que quero fazer. Que “E eu escolho ser diferente. Escolho ser livre.”sou responsável pelos meus atos e que estes nascem da minha vontade. Comliberdade posso fazer tudo mas nem tudo me irá trazer resultados positivos,nem tudo me convém. Já o determinismo defende que tudo o que fazemos e que nos acontece é oresultado de ações e acontecimentos anteriores. Desse modo, nada nos perten-ce e não existe individualidade, pois já está tudo definido à partida, vivemoscom um destino traçado. Pensamos estar a fazer escolhas quando na realidadenão estamos a escolher nada. Praticar boas ou más ações, ficar em casa ou sa-ir à rua, tirar boa ou má nota nos testes, ser alguém com uma carreira ou umvagabundo, tudo isso já se encontra definido. Somos como pequenas peças dedominó, que eventualmente acabam por cair quando as anteriores lhes emba-tem. Nenhuma decisão que tomemos irá afetar o ciclo da nossa vida, pois es-tas já estavam previstas. Tomar café ou matar o vizinho será igual, porquenão têm repercussões não expectáveis na nossa vida: já estava destinado. Nãopodemos ser culpados pelos nossos próprios atos e se temos de ir para ao sítioB é lá que iremos eventualmente parar, não importa tentar escapar. Pensandodeste modo, o determinismo é um conceito assustador e massivo pois mostra-nos que não temos qualquer hipótese de escolha ou planeamento para a nossavida, não temos liberdade. A verdade é que há certas coisas que não determinamos: onde nascemos, osnossos pais, o nosso país, os traços do nosso rosto. Mas na minha opinião, éingénuo pensar que não temos qualquer poder sobre a nossa vida. Fazer o cer-to ou o errado não depende de algo predefinido, depende de uma escolha. Seralguém bem sucedido na vida ou não depende das decisões que tomamos e donosso esforço. Ser uma cópia autómata e igual a todos ou irmos contra a cor-rente, destacarmo-nos no meio duma multidão, termos a coragem de admitirque somos diferentes e levantarmo-nos por aquilo em que acreditamos requercoragem e irreverência. Requer liberdade. E eu escolho ser diferente. Escolhoser livre. Tiago Silva
  20. 20. do que as que seria suposto eu responder? Porque que quando me sento para simplesmente escrever um texto para uma aula, me surgem mais de vinte e nove mil questõesQual a diferença entre Determinismo e Liberdade?O determinismo é a hipótese de que tudo acontece como resultado do que aconteceu an-teriormente. Isto é, todos e cada um dos acontecimentos do universo estão submetidos aum sistema de causas e efeitos necessários. De modo que, se nós, nos encontramos rodea-dos de teorias sobre as mais ínfimas coisas que nos circundam, teorias, essas que são de-terministas. Leva-me a concluir que segundo o determinismo a estrutura do mundo, é detal modo óbvia, que todas as ações e acontecimentos podem ser racionalmente previstoscom a maior precisão, ou seja, se possuirmos a capacidade de conhecer por completo oestado do universo atual, seriamos capazes de determinar todo o futuro. Pondo a generali-dade do determinismo de lado e focando-me nos exemplos do texto, suscitam-me algumasdúvidas. Partindo do pressuposto que o nosso destino está traçado e que todas as nossasações já estão condicionadas à nascença, de modo que, independentemente de serem es-tas boas ou más nada as poderá alterar. Aceitando o facto de que nem eu, nem nenhumser, possui um qualquer controlo sobre a sua vida e sobre os seus atos, sendo então tãoculpado por um crime, por uma doença, pela sua maneira de falar, de escrever ou simples-mente por aspetos fisionómicos como o seu sexo, a sua cor de pele, de cabelo ou de olhos.Não tendo então nenhum de nós responsabilidade moral sobre nenhum acontecimento,como é possível sermos livres? Se o determinismo implica a negação da liberdade e da res-ponsabilidade, afirmando que tudo está determinado e que nada poderemos fazer paraalterar o destino que para nós foi traçado, deixando bem assente que as nossas ações sãoresultado de algo que não é possível ser controlado por nós, então como é possível explicarque eu hoje esteja aqui, que eu hoje respire, como é possível explicar que eu neste precisomomento esteja a ler este texto. Eu poderia não o ler, aliás eu poderia não o ter escrito se-quer, poderia não me ter dado ao trabalho de refletir sobre estes assuntos e de deixar porescrito alguns dos pontos da minha reflexão, mas eu fi-lo. Porquê? Porque tive liberdadepara o fazer, poderia o ter escrito de manhã, mas não optei por escreve-lo à noite, porquegosto mais de escrever à noite. E isto porque? Porque sou livre de o fazer, porque, possuoa capacidade de liberdade que os seres inteligentes possuem e porque tenho a capacidadede controlar parte das minhas ações. Depois de horas a escrever e a apagar, letras e maisletras e já agora, “letras”, o que é isso de “letras”? Porque que a união delas forma pala-vras? Porque que estas mesmas palavras podem ser tão importantes? Porque que quandome sento para simplesmente escrever um texto para uma aula, me surgem mais de vinte enove mil questões do que as que seria suposto eu responder? Será que isso estava deter-minado? Será que eu estava determinada a questionar aquilo que outrem já me disse ser ocorreto? Ou será que isso é meramente liberdade? A minha liberdade. Liberdade, essa pa-lavra radiante que me aquece o coração e me faz sentir quase completa. Será? Será que ofacto de eu estar a respirar neste momento indica que sou livre? Será que eu estar aqui,aqui e agora, sentada com inúmeros olhos postos em mim a ler algo que eu mesma escrevifaz de mim um ser livre? Eu não estou a intervir na liberdade dos restantes, eu não estou a obrigar ninguém a ouvir-me, logo estou a ser livre, certo? Ou será que este momento já fora anteriormente determinado? E assim fiquei, assim fiquei eu horas a fio, a questionar-me sobre cada segundo que passava, e sobre o simples facto de eu estar a ser livre por estar ali a pensar e a digitar letras e mais letras, já estaria predestinado? Ou estaria eu exercer a minha liberda- de fazendo-o? …/...
  21. 21. …/... rior que originou esta minha vontade interminável de escrever e de me questionar sem limites? Se este momento é então o desfecho de um acontecimento anterior, então qual terá sido o acontecimento ante-Se este momento é então o desfecho de um acontecimento anterior, então qual terá sido oacontecimento anterior que originou esta minha vontade interminável de escrever e de mequestionar sem limites? E foi assim, que as diferenças, ou melhor, talvez as semelhançasentre o determinismo e a liberdade começaram a fazer sentido. Eu não consigo determinarcom qual eu estou mais de acordo ou estou menos. Mas a verdade é que passei grandeparte da minha vida a pensar que o destino era algo que de facto já estaria preestabelecidoe que se algo não aconteceu era porque não tinha de acontecer e eu não poderia fazer na-da contra isso. Será que isso faz de mim uma determinista? No entanto, se por um lado op-tei por acreditar em que tudo na vida tem uma razão de ser, e as minhas ações não muda-riam nada, por outro lado, não parei de agir, não parei de tentar, não parei de sorrir mes-mo se tudo na minha vida estivesse errado, logo, se eu embora acreditasse no destino,continuasse a fazer algo para o alterar, ou o tornar benéfico a meu favor, estaria então ausufruir da minha capacidade de ser livre. E na minha opinião talvez seja aqui que se esta-belece uma das grandes diferenças entre o determinismo e a liberdade, isto é, se por suavez no que toca ao determinismo todos os acontecimentos têm uma causa, e nós, sereshumanos não podemos fazer nada para a alterar ou para modificar aquilo que nos está pre-destinado no futuro, no que toca à liberdade, tudo isto se contradiz, visto que a liberdade,é o dom que nos permite escolher entre os milhões de ideologias que nos são impostas pe-la sociedade, fazendo com que nós, indivíduos, tenhamos as nossas próprias decisões e es-colhas, não nos deixando submeter a um outro “algo”. Logo, segundo o determinismo aliberdade é algo que também já está preestabelecido, ou seja, aquilo que nós aceitamoscomo liberdade não é nada mais, nada menos do que alguma coisa que já estaria anterior-mente determinada, mesmo antes de nós mesmos sabermos que seria isso a nossa escolhafinal. Já no que toca à liberdade, tudo aquilo que está no nosso futuro depende de nósmesmos e das decisões e ações momentâneas que estabelecermos, bem como tudo aquiloque estaria supostamente determinado poderá vir a ser alterado, se nós assim o entender-mos. Em suma, a conclusão a que me foi permitido chegar é que o determinismo e o libera-lismo são ambos duas doutrinas muito mais complexas do que aparentam, que se vão con-tradizendo constantemente uma à outra. Pois se, uma por sua vez afirma que o nosso futu-ro depende de algo que já fora determinado pelos nossos antepassados e que nada pode-remos fazer para o alterar, a outra, demonstra-nos que cada um de nós possui a capacida-de de alterar tudo aquilo que nos rodeia, cabendo-nos então apenas a nós a capacidade dedecidirmos o nosso futuro e de alterar todo o nosso destino, se assim o entendermos. Tânia Amaral
  22. 22. Liberdade ou Livre arbítrio? “Dão me duas opções. Viver enjaulada nos meus próprios medos ou receios ou simplesmente sair e ser feliz á minha maneira , “Devo dizer que de longe este é o tema mais difícil com o qual me debati até hoje em filo-sofia, pois volta a chegar-me aquele grande questão do facto de eu não saber nada equando mais me entranho, mas penso mais o sinto em mim. Vejo o livre arbítrio como anossa verdadeira capacidade de escolher, de decidir. Talvez um pouco como a expressãoverdadeira da nossa vontade, eu quero isto não aquilo. Eu vou para ali não para acolá. Enem sempre todas as nossas ações são uma reflexão do livre arbítrio, por vezes temosque fazer certas coisas que não nos apetecem, que não queremos ou simplesmente so-mos coagidos ou obrigados a fazê-los, portanto é muito importante não confundir os es-ses conceitos, reforçando que o livre arbítrio é a nossa vontade no seu estado mais puro.Dão me duas opções. Viver enjaulada nos meus próprios medos ou receios ou simples-mente sair e ser feliz á minha maneira, eu escolho ser feliz. Foi a minha vontade, e entãopoderei dizer que essa decisão foi uma decisão tomada por livre arbítrio, pois se fossecoagida e a escolhesse na mesma, a vontade já não era minha, podemos dizer que basica-mente era eu a tomar a decisão de outra pessoa.Em termos da liberdade, que é um grande palavrão, eu vejo a como tudo o que consegui-mos ou podemos alcançar. Os meus pais, o nosso país, impõem uma certa liberdade maseu não acho que devemos limitar a definição de liberdade a isso. Há pessoas que são cer-tamente livres mas continuam enjauladas em si próprias, portanto vejo a liberdade, masa liberdade genuína, como algo definido por nós. Acho que um ser só é completamentelivre, não é só quando não está preso ou quando têm a liberdade de fazer tudo o quequer, um ser é verdadeiramente livre quando têm a liberdade suficiente para pensar so-bre tudo, sem ter qualquer medo. Mas esta liberdade é algo muito condicionada, daí quea minha liberdade acabe quando a dos outros começa, pondo a seguinte questão: Sereieu mesmo livre quando eu estiver a interromper a liberdade dos outros?Não, Eu sou livre quando tiver a liberdade de pensar sobre tudo e quando conseguir fazerquase tudo o que posso, e o que me proponho, cruzando esta definição com o livre arbí-trio, sendo um ser livre notoriamente um que possa tomar as suas próprias decisões ten-do como base a sua vontade. Portanto se eu negar a liberdade aos outros estou a ser aser egoísta, correspondendo á libertinagem e aí estou, de livre vontade a escolher, o mal,a negar a liberdade aos outros.Em suma, posso dizer completamente que eu ainda não sou livre, não consigo fazer tudoo que quero nem tenho a capacidade de pensar sobre tudo, sobre o mundo. Não consigoainda refletir como desejo. Também não sou livre ainda por ser muitas vezes egoísta, epassar a minha liberdade por vezes á frente das dos outros, e com o tempo chegarei lá. Sofia Linguiça “...eu escolho ser feliz…”
  23. 23. Determinismo e Liberdade “A Questão da Responsabilidade”Será que somos moralmente responsáveis? Será o determinismo verdadeiro? Será que so-mos responsabilizados pelo que fazemos se o determinismo for verdadeiro? Estas são al-gumas perguntas que podemos colocar sobre a responsabilidade e o determinismo, mas hámuitas mais.Para arranjarmos respostas a estas perguntas temos de saber do que estamos a falar. Porexemplo, o que é o determinismo?O Determinismo é um conjunto de acontecimentos segundo o qual eles têm uma causa, porpalavras mais simples, tudo é o resultado/efeito de causas anteriores.Ficaríamos intrigados se algo acontecesse e não houvesse explicação. É como irmos a ummédico, que nos diz que estamos doentes, mas não nos sabe dizer qual é a nossa doença/onosso mal.Uma pessoa que tem uma perspetiva determinista vê o mundo como um conjunto de cau-sas e efeitos, tudo o que é causado por acontecimentos anteriores tem os seus efeitos, e éassim que o estado das coisas atualmente é o resultado do efeito de coisas anteriores.Um grande exemplo que uma pessoa que acredita no determinismo pode dar, é o atual es-tado do nosso país. Estamos agora nesta crise devido a acontecimentos anteriores que“nós” causámos. Se anteriormente vivemos como ricos e eramos pobres, agora as conse-quências estão a emergir e vamos ter de viver com elas.Então se acreditarmos que o determinismo é verdadeiro, será que poderemos ser responsa-bilizados pelo que fazemos? Nós achamos que é possível! Então se as nossas ações têmefeitos posteriormente, obviamente que somos responsáveis!Se fizermos uma má ação, como roubar ou matar, poderemos não sofrer logo as conse-quências mas mais tarde ou mais cedo, vamos ser responsabilizados pelo que fizemos.Mas o que é a responsabilidade? A responsabilidade é a qualidade/capacidade de respon-der ou prestar contas pelos seus próprios atos e os seus efeitos. Tem a ver com a liberdadede escolher o seu caminho, o bem ou o mal, levando cada pessoa a assumir a sua escolha eagir em todas as suas consequências.Será que somos sempre responsáveis pelas nossas ações?Esta é uma questão que tem gerado muita contradição e confusão, pois não podemos resol-ver este problema através do método das ciências, porque estas perguntas e respostas sãouma conceção da realidade.Se as pessoas que defendem o determinismo dizem que tudo o que fazemos é determinadopelo que já aconteceu, de certa forma as nossas ações não são livres. Então como é quepodemos ser responsabilizados se não temos liberdade de fazer as nossas escolhas?Apenas o libertismo, torna racional a ideia de responsabilidade moral. Imaginemos queuma pessoa decide roubar um Banco, e ninguém o forçou a tal escolha. De acordo com olibertismo, só podemos considerar a pessoa moralmente responsável pela sua ação se elanão foi causada, nem pelos seus próprios motivos, desejos ou objetivos.Mas como só faz sentido considerarmos uma pessoa moralmente responsável pelas suasescolhas se resultarem em parte pela sua necessidade ou desejos, então o libertismo estáincorreto? …/...
  24. 24. …/...Entrámos num labirinto cheio de perguntas sem resposta!Mas se uma pessoa está convencida que tem liberdade de escolha ou livre-arbítrio tem ummaior sentido de responsabilidade do que a pessoa que pensa que o determinismo absolutogoverna o mundo e a vida humana. Se realmente existe escolha na altura que temos de to-mar uma decisão, os Homens têm claramente responsabilidade moral para decidirem entreinúmeras alternativas e o alibi determinista não tem peso nenhum.Mas a nossa vida é construída, é uma tarefa.O que nos distingue dos animais é que podemos pensar, escolher. O poder da mente dedescobrir horizontes, projeta-los permite distinguir o que o homem é e quem é.Como temos opções de escolha somos considerados livres.A liberdade é algo com que nascemos e vivemos toda a vida. Não podemos simplesmentedeitá-la fora, nem podemos dizer que não somos livres, porque o somos, só que as conse-quências da liberdade podem ser duras, às vezes, dependendo das nossas ações.Como a liberdade é uma atitude, um ato de consciência e todos os homens tem um poucode consciência, o homem é livre!Uma pessoa livre tem de ser responsável. A liberdade e a responsabilidade são como umcasal, um par, são inseparáveis.Na vida, todos temos vitórias e fracassos. Construímo-la a partir de erros, que podem sertransformados em lições para a vida. Tal como Eleanor Roosevelt disse acerca da respon-sabilidade moral: “A filosofia de uma pessoa não é melhor expressa por palavras mas simpelas escolhas que a pessoa faz. Ao longo dos tempos, moldamos as nossas vidas e molda-mo-nos a nós mesmos. O processo nunca termina até morrermos. E, as escolhas que fize-mos são, no final de contas, a nossa própria responsabilidade."Estamos sempre a aprender e a formar novas teorias para fazer o mundo girar. Temos desaciar a nossa fome de conhecimento, pois é este que nos diferencia dos animais e nos tor-na no que hoje somos.Todos nós temos a responsabilidade de dar um bocado de nós ao mundo. Temos a liberda-de de nos poder expressar e com esta liberdade podemos tornar o mundo um sítio melhorpara se viver! Cláudia Alves Ana Vieira Tiago Vieira
  25. 25. Liberdade e DeterminismoLiberdade… Eu sou liberdade, sinto a liberdade, vivo em liberdade, sou e serei eternamente livre.Estou para sempre condenada a isso, e é algo que jamais me poderão retirar. Nasceu comigo eserá sepultada comigo.Por mais que me interrogue a mim mesma, não consigo perceber qual o significado de tudo isto,que simplesmente está presente na pessoa que sou, pois de certa forma é aquilo que me faz serdiferente de todos os outros. Tudo em retorno de tão fácil palavra faz-me questionar vezes semconta, dentro de mim. Desisti por completo de pensar com a cabeça e tive a livre vontade de pen-sar com o coração. Como é notório até no meu simples pensar a liberdade me influência. Comtudo isto os “porquês?” dançam sobre mim, afinal de contas, porque tenho a liberdade de ser apessoa que sou?, porque tenho a liberdade de agir da forma que ajo?, porque tenho a liberdadede simplesmente falar quando quero?, … Poderia nunca fazê-lo, poderia achar que tudo isto severifica porque tem de ser assim, e assim entregar tudo ao destino. Mas não, não quero ser umapessoa que entrega tudo nas mãos de algo indefinido e que assim se torna uma pessoa vazia, de-sabitada de qualquer oportunidade de ser livre e voar com as suas próprias asas, deixando quevoem por ela.Afinal de contas eu sou o espalho da minha própria liberdade. Mas como em todos os espelhos aspequenas imperfeições são notórias, então percebi que nem tudo se resume a liberdade. Nãotenho a liberdade de ter olhos da cor que tenho, de ter a educação que tenho, … Tudo isto deve-se a causas completamente exteriores a mim mesma, contrariadas pela liberdade. Ou seja, o tervontade de comer uma deliciosa maçã vermelha por estar cheia de fome, não depende de mim,mas sim do determinismo em aspetos externos à ação de comer a maçã (a fome que sinto, paraconsequentemente poder continuar viva). Em suma, como tudo no Mundo, tudo é contrariadopor algo. Como verificamos o determinismo adversa a liberdade.Como pode ser possível, as nossas simples ações resultarem de aspetos totalmente opostos, on-de a subjetividade de um é contrariada pela objetividade do outro? Somos como ímanes que es-tamos em total equilíbrio com a adversidade de dois componentes opostos? Somos, afinal decontas, livres condenados. Condenados ao determinismo e livres com a liberdade.Finalizando, poderia nunca ter me utilizado como exemplo para explicar tais conceitos, mas quemmelhor que nós próprios para auxiliar em tais problemas que nos afligem. Ou seja o pensar por-que tais fazem parte de mim e me modificam de uma forma estonteante. Resume-se ao facto deter a capacidade de refletir e de se manifestar um equilíbrio entre tais oponentes. Afinal de con-tas, consegui debruçar-me sobre o impossível: a combinação da liberdade com o determinismo…simplesmente ser eu própria. Inês André
  26. 26. Liberdade e Determinismo “Eu quero ser livre”. A maioria das pessoas já disse esta frase, mas poucas foram as querealmente refletiram sobre ela. O conceito de liberdade é um conceito subjetivo e pode ter mui-tos tipos de resposta. Nunca se chegará a uma definição total de liberdade. Na minha opinião,uma pessoa é livre quando faz uso da sua capacidade de tomar certas e determinadas decisões,quando pode fazer as suas próprias escolhas sem ter nenhum tipo de influência externa. A liber-dade tem a ver com a nossa subjetividade. A liberdade faz parte do próprio conceito de vida hu-mana, uma vez que sem ela seriamos apenas como marionetas. Uma marioneta apenas realiza oque a pessoa que a manuseia quer, não tem qualquer vontade própria. Mas nós, felizmente, nãosomos assim. Temos vontade própria. Podemos dizer que a liberdade é como um dom que temose distingue-nos dos outros seres vivos. No entanto, a liberdade tem condicionantes. Uma dessascondicionantes é o facto de a nossa liberdade estar intimamente relacionada com a liberdade deoutros. Por exemplo, eu existo apenas porque os meus pais quiseram ter filhos. Os meus pais fize-ram uso da sua liberdade para me conceberem. De outra maneira, eu não existiria, logo não terialiberdade. Outro exemplo: Eu só posso usar a minha liberdade para escolher a roupa que devovestir, porque outra pessoa tomou a liberdade de produzir aquela roupa. Outra condicionante daliberdade é o facto de que existem sempre fatores externos que podem comprometer as nossasações. Por exemplo, se eu decidir viajar de avião para uma cidade e o avião tiver de fazer umaaterragem de emergência noutra cidade devido a uma avaria nos motores, não fui livre, pois aminha ação tomou um rumo que eu não podia prever, que não fazia parte do que eu havia anteri-ormente planeado e isso fez com que aquilo que correu mal (a avaria nos motores do avião) sesobrepusesse àquilo que era esperado (chegar ao destino). Do outro lado da liberdade está o determinismo. Segundo os deterministas todas asações que realizamos têm uma causa exterior a nós, nomeadamente a hereditariedade, o ambi-ente em que fomos criados e o modo como fomos educados, e que por isso não temos responsa-bilidade moral ou responsabilidade interior. Por exemplo, se uma pessoa assassina outra, os de-terministas defendem que ela não é responsável moral e interiormente por essa morte, uma vezque essa ação já estaria determinada que iria acontecer, devido a fatores externos à subjetivida-de do agente do crime. Por estas razões os deterministas acreditam não haver compatibilidadeentre a teoria do determinismo e a teoria do libertismo. Mas será que é mesmo assim? Será quenão existe um meio-termo que possa compatibilizar estas teorias? A verdade é que, se pensar-mos bem, não somos totalmente livres, porque se o fossemos seriamos totalmente independen-tes de tudo o que nos rodeia, mas também não faz sentido dizer que todas as nossas ações sãodeterminadas, uma vez que se assim o fossem seriamos robôs, ou como já disse anteriormente,marionetas. Por isso, na minha humilde opinião, nem o libertismo nem o determinismo estãocompletamente errados, pois há ações que realizamos de forma livre e espontânea, mas tambémexistem ações que somos coagidos a realizar, por isso talvez faça algum sentido conjugarmos osconceitos das duas teorias. As ações livres são apenas influenciadas pelo nosso interior subjetivo, ou seja, são influ-enciadas pelos nossos valores, pelo nosso conceito do que é bom ou mau e também pela nossapersonalidade. Essas ações partem unicamente de nós. Todavia, as ações que somos coagidos ouobrigados a realizar partem de fatores externos à nossa subjetividade. Não partem unicamentede nós. Pode dizer-se que o determinismo moderado é uma maneira encontrada para compatibi-lizar as duas teorias (libertismo e determinismo), um meio-termo entre elas, uma vez que defen-de que as nossas ações podem ser causadas, mas ainda assim serem livres, ou seja, as nossasações que tiverem causas internas são livres, mas as ações com causas externas são determina-das. Por estas razões, o determinismo moderado pode ser a teoriamais credível para explicar o comportamento humano. “...Eu quero ser livre…”.

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