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Jane austen continua influente após 200 anos

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Jane austen continua influente após 200 anos

  1. 1. Jane Austen continua influente após 200 anosObra da autora de Orgulho & Preconceito é tema de novos livros e motiva encontrose comunidades17/03/2013 - 16h34 | Fábio Trindadefabio.silveira@rac.com.brFoto: DivulgaçãoAdriana Zardini posa para foto na frente da casa de Jane Austen, no vilarejo de Chawton, naInglaterraPassaram-se 200 anos desde a primeira publicação de Orgulho e Preconceito, a obra mais famosa daescritora inglesa Jane Austen. Mesmo assim, a cada ano, são vendidas 50 mil cópias do romance —considerado pela própria autora como “seu filho querido” — apenas no Reino Unido, onde continua sendo umdos livros mais lidos. Exatamente por isso, Orgulho e Preconceito já ganhou diversas versões para a TV ecinema, sendo o filme homônimo de 2005, estrelado por Keira Knightley e Matthew Mcfadyen, a maisconhecida. O longa foi indicado a quatro Oscar, incluindo o de Melhor Atriz para Keira.Mas são muitas as produções inspiradas na obra. A rede BBC, que jamais deixaria passar tanta popularidade,fez duas versões televisivas de livros dela e prepara uma terceira. A primeira veio na década de 1970, mas amais marcante é a de 1995, que transformou Colin Firth em objeto do desejo das mulheres em uma memorávelcena em que aparece de camisa molhada para a amada. “Algo impensável para Jane Austen e para a épocadela”, acrescenta Maria Clara Biajoli, pesquisadora especializada em Jane Austen, inclusive com um projeto dedoutorado sobre a escritora na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Tem uma autora, AbygailReynolds (também britânica), que se especializou em escrever versões de Orgulho e Preconceito no estilo ‘ESe’. Ela pega determinadas situações do original e muda o desfecho. Por exemplo: e se a Elizabeth Bennettivesse aceitado o primeiro pedido de casamento do Sr. Darcy? E ela conta a história a partir daí, mudandodetalhes. E nessa, já são uns oito livros assim só inspirados em Orgulho e Preconceito”, conta Maria Clara.O problema, segundo a pesquisadora, é que a autora tenta imitar o estilo de Austen, além de acrescentar, deforma mais escrachada que a BBC, cenas eróticas e explícitas do relacionamento do casal. “Uma construçãomuito questionável.”Abygail Reynolds é apenas uma, entre centenas, que usam os seis conhecidos livros de Jane Austen para criara própria história — os outros livros, além de Orgulho e Preconceito, são Razão e Sensibilidade, Mansfield
  2. 2. Park, Emma, Persuasão e A Abadia de Northanger. E, nessa salada de continuações, as mais absurdashistórias nascem, inspiradas, muitas vezes, na moda do momento.Para se ter uma ideia, entre os livros bizarros baseados em Jane Austen, o mais conhecido é Pride andPrejudice and Zombies (Orgulho e Preconceito e Zumbis), de Seth Grahame-Smith. Curiosamente, ele éescrito por um homem, já que Austen é considerada feminista, e tem o nome da inglesa indicado comocoautora na capa.“A proposta é uma mistura do texto do original, copiado ao pé da letra, com novas frases que inserem umainvasão de zumbis na Inglaterra. Mas ele foi pensado, desde o início, comercialmente. Foi escrito para vender,e não por fãs, como acontece normalmente”, analisa a pesquisadora. Entre outros títulos inusitados, entãoSense and Sensibility and Sea Monsters (Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos), Emma and theWerewolves (Emma e os Lobisomens) e Mansfield Park and Mummies (Mansfield Park e as Múmias).Tons de DarcyA trilogia erótica Cinquenta Tons de Cinza, que vem sendo “aproveitada” pelos oportunistas de plantão eganhando divertidas paródias sobre a quente relação sadomasoquista entre Christian Grey e Anastasia,também foi associada a Jane Austen no livro Cinquenta Tons do Sr. Darcy (tradução de Natalie Gerhardt,Bertrand Brasil, 307 páginas, R$ 27,00).Assinado por pseudônimos, o livro pega o famoso personagem de Orgulho e Preconceito para criticar a obrade E.L. James. A história se passa na época da obra de Austen, na Inglaterra do começo do século 19, e, porsaber que nesse período os prazeres da carne não eram tão explícitos, o autor se segura nas cenas, mas acapa, por exemplo, traz as botas de Darcy e um chicote.ProjetoMaria Clara coleciona as inúmeras versões de Jane Austen que encontra, “passam de 100”, afirma, mas alertaque dificilmente algo é bom, tanto que ela, no projeto desenvolvido na Unicamp, analisa essas obras. Um delesé Mr. Darcy’s Diary (O Diário de Sr. Darcy), de Amanda Grange, que traz exatamente a mesma história deOrgulho e Preconceito, porém contada pela visão do herói Sr. Darcy. Escrita em forma de diário, a autoraganha espaço para criar as reflexões de Darcy que não há no original pelo fato de este ser narrado do ponto devista de Elizabeth. “Amanda Grange tenta manter o estilo de escrita de Austen mas acaba exagerando no perfildos personagens, estereotipando-os.”FilmesAs obras de Jane Austen são de domínio público, facilitando o aparecimento de tanto material sobre suasobras. Tanto que todos os seis livros mais conhecidos da autora têm versões cinematográficas. Além do citadono início do texto, existe uma versão de Orgulho e Preconceito de 1940, tendo Greer Garson e LaurenceOlivier como o casal protagonista. Já Emma Thompson e Kate Winslet são duas irmãs obrigadas a mudar-separa o campo após a morte do pai no filme de Ang Lee, de 1995, Razão e Sensibilidade. Gwyneth Paltrowtambém já se envolveu com projetos sobre Jane Austen, quando viveu a bonita e inteligente jovem quepresencia sua governanta se casar com o pai viúvo e resolve bancar o cupido para as pessoas que a cercamem Emma, de 1996.Já em Amor e Inocência (Becoming Jane), de 2007, Anne Hathaway interpreta a própria Jane Austen antes dafama. No filme, ela vive um romance com um jovem advogado irlandês, que acabaria por inspirar seus livros e ofamoso personagem Sr. Darcy. E existe ainda O Clube de Leitura de Jane Austen, também de 2007. No longa,um grupo de mulheres se reúne para discutir os livros de Jane Austen e procurar neles soluções para suaspróprias vidas. Tudo muda quando um homem, fã de ficção científica, se une a elas, causando tumulto.ComunidadeA comunidade no (quase extinto) Orkut chamada Orgulho e Preconceito reunia milhares de fãs de Jane Austene do filme homônimo de 2005. Durante os muitos tópicos sobre a escritora, há alguns anos, a professoraAdriana Zardini percebeu que as pessoas tinham as mesmas dúvidas sobre a inglesa e a obra. “Na época, aúnica fonte em português era o Wikipédia”, lembra. Para tentar ajudar aqueles que se interessavam pela autora,assim como ela, Adriana montou, em 2008, o blog Jane Austen Brasil, o primeiro em português. “Comecei
  3. 3. fazendo análises, até porque me formei em Letras, mas a coisa foi crescendo de uma forma que eu jamaispoderia imaginar.”Atualmente, o site ultrapassa mil visitas diárias e, em janeiro deste ano, Adriana organizou o quarto encontronacional de fãs de Jane Austen. “O primeiro encontro foi em 2009 e teve 15 pessoas. No de janeiro, foram trêsdias e ultrapassamos cem pessoas em cada um, que vieram de vários lugares do Brasil.” A proposta, segundoAdriana, é discutir Jane Austen, tanto que muitos trabalhos e teses foram apresentados, “projetos que terãocontinuidade acadêmica”, diz. “A nossa metodologia foi copiada inclusive pela Itália, pela Espanha, que sãopaíses que acabaram de criar suas próprias sociedades de Jane Austen como a nossa.”O que encanta a professora nos livros de Austen é que, a cada leitura, ela consegue observar novos detalhes, oque gera, automaticamente, novas analogias. “Os sobrenomes dos personagens são extremamente simbólicos,cada um com um significado. Não tenho como entrar na cabeça dela para saber o que realmente ela quispassar, mas sinto que ela foi deixando dicas para a gente compreender a sua obra.” Adriana cita o sobrenomeMansfield, do livro Mansfield Park. “Vendo um programa sobre a escravidão na Inglaterra, descubro que umLord Mansfield foi um dos pioneiros em julgar casos de libertação dos escravos, dando a causa a favor deles. Eisso foi na época que ela viveu e escreveu as obras.” A professora é tão fã que decidiu visitar a casa onde JaneAusten viveu seus últimos anos na Inglaterra, no vilarejo de Chawton. “É o que toda fã sempre sonhou.”Fonte: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2013/03/entretenimento/40143-jane-austen-continua-influente-apos-200-anos.html

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