Manual de Sobrevivência na Selva

23,399 views

Published on

Published in: Business

Manual de Sobrevivência na Selva

  1. 1. Manual de Sobrevivência na SelvaManual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 1 de 26
  2. 2. Índice:Conservação da Saúde e Primeiros Socorros .............................................................. Pag.:03Áreas de Selva ............................................................................................................. Pag.:04Animais Peçonhentos e Venenosos ............................................................................. Pag.:06Deslocamento na Selva ................................................................................................ Pag.:08Proteção na Selva ........................................................................................................ Pag.:09Trato com Indígenas ..................................................................................................... Pag.:1 2Doenças Tropicais......................................................................................................... Pag.:17 Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 2 de 26
  3. 3. Conservação da Saúde e Primeiros SocorrosGeneralidadesa. A capacidade de sobrevivência residirá basicamente numa atitude mental adequada paraenfrentar situações de emergência e na posse de estabilidade emocional, a despeito desofrimentos físicos decorrentes da fadiga, da fome, da sede e de ferimentos, por vezes,graves.b. Se o indivíduo ou o grupo de indivíduos não estiver preparado psicologicamente paravencer todos os obstáculos e aceitar os piores reveses, as possibilidades de sobreviverestarão sensivelmente reduzidas.c. Em casos de operações militares, essa preparação avultará então de valor. Daí porque oconhecimento das técnicas e dos processos de sobrevivência constituirá um requisitoessencial na formação do indivíduo destinado a viver na selva, quer em operações militares,quer por outra circunstância qualquer.d. Conservar a saúde em bom estado será requisito de especial importância, quando alguémse encontrar em situação de só poder contar consigo mesmo para salvar-se ou para auxiliarum companheiro. Da saúde dependerão, fundamentalmente, as condições físicasindividuais.e. Na selva, saber defender-se contra o calor e o frio, saber encontrar água e alimento, saberprestar os primeiros socorros, em proveito próprio ou alheio, serão tarefas de grandeimportância para a preservação da saúde. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 3 de 26
  4. 4. Áreas de SelvaConsiderações Gerais, Localização As áreas geográficas com características de selva situam-se, em sua quase totalidade, na zona tropical,limitada pelos paralelos de CÂNCER e de CAPRICÓRNIO. ssim é que, no continente americano, encontram-se a Selva AMAZÔNICA , a mais vasta do mundo, abrangendo porções territoriais do BRASIL, GUIANA FRANCESA, SURINAME, GUIANA, VENEZUELA, COLÔMBIA,PERU, EQUADOR e BOLÍVIA, e a Selva da AMÉRICA CENTRAL. Na ÁFRICA, encontram-se as grandes florestas das bacias dos Rios NÍGER, CONGO e ZAMBEZE, a da costaoriental e a da ilha MADAGÁSCAR. Na ÁSIA, as florestas do sul da ÍNDIA e do sudeste docontinente. Na OCEANIA, as ilhas em geral são cobertas por vegetação com característicasde selva.Selvas Tropicaisa. Não há tipo de selva que se possa chamar de padrão comum. A sua vegetação dependedo clima e, até certo ponto, da influência exercida pelo homem através dos séculos.b. As árvores tropicais levam mais de 100 anos para atingir a sua maturidade e somente nasflorestas primitivas, virgens, não tocadas pelo homem, encontram-se em completocrescimento.c. Essa selva primitiva, por sua abundância de árvores gigantescas, torna-se facilmenteidentificável. Apresenta uma cobertura densa, formada pelas copas de árvores que, porvezes, atingem mais de 30 metros de altura, e sob as quais hámuito pouca luz e uma vegetação suja, o que não impede a progressão através da mesma.d. A vegetação, nas florestas primitivas, tem sido destruída para permitir o cultivo emalgumas áreas. Estas áreas, mais tarde, deixando de ser cultivadas, propiciam ocrescimento de uma vegetação densa, cheia de enredadeiras, constituindo a selvasecundária, muito mais difícil de atravessar do que a selva primitiva.e. Em qualquer desses tipos de selva, são encontradas plantas e frutas nativas diversas,pássaros, animais e abundante variedade de insetos. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 4 de 26
  5. 5. Áreas de Selva no Brasila. No BRASIL, encontram-se áreas cobertas com vegetação característica das grandesflorestas. A principal e a maior do mundo é a Floresta AMAZÔNICA ou Selva AMAZÔNICA,como já é conhecida internacionalmente. As outras, bastante limitadas, quer pelas extensõesque ocupam, quer pelas condições de povoamento e conseqüente existência de núcleospopulacionais e de estradas, quer ainda pelas diferentes condições climáticas, topográficas ede vegetação, são encontradas formando os conjuntos florestais que se desenvolvem asudoeste do Estado do PARANÁ, a noroeste do Estado de SANTA CATARINA e próximo aolitoral, sendo conhecida por MATA ATLÂNTICA.b. Outras áreas de florestas existem, embora possam ser consideradas pequeninasmanchas se comparadas com as mencionadas; entretanto, dentro da finalidade a que sepropõe este manual, não serão consideradas, porquanto não justificam apreciaçõesespeciais relacionadas quer com sobrevivência, quer com operações militares na selva.c. As próprias áreas florestais PARANÁ - SANTA CATARINA e a MATA ATLÂNTICA nãoserão apreciadas em particular, uma vez que aquilo que for dito para a Selva AMAZÔNICAterá aplicação, feitos os ajustamentos relativos, para essas áreas. Entretanto, sobreviver eoperar militarmente nelas será menos difícil do que na Selva AMAZÔNICA, não só porque ascondições de clima, de topografia e de vegetação são diferentes, como também peloprogresso decorrente da ação do homem sobre a área. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 5 de 26
  6. 6. Animais peçonhentos e venenososPeçonhaGeneralidades Na selva há inúmeros animais que poderão atuar como inimigo do homem, se estenão estiver capacitado a evitá-los ou a debelar os malefícios que poderão decorrer da suapeçonha ou do seu veneno.a. Animal Peçonhento - É aquele que segrega substâncias tóxicas com o fim especial deserem utilizadas como arma de caça ou de defesa. Apresentam órgãos especiais para a suainoculação. Portanto, para que haja uma vítima de peçonhamento, é necessário que apeçonha seja introduzida por este órgão especializado, dentro do organismo da vítima.b. Animal Venenoso - É aquele que, para produzir efeitos prejudiciais ou letais, exige contatofísico externo com o homem ou que seja por este digerido. Como exemplos de animaisvenenosos existem o sapo-cururu (Fig 3-1), os sapi-nhos venenosos (Fig 3-21) e o peixebaiacu.Função da peçonha Possui uma dupla ação: paralisante e digestiva. Em virtude da reduzida mobilidadedas serpentes, elas necessitam de um meio para deter os movimentos da sua vítima, demodo a poder ingeri-la. Daí a função paralisante da peçonha. A digestão nos ofídios, comonos demais animais, faz-se por decomposição dos alimentos que é facilitada pela inoculaçãoda peçonha, anterior à ingestão da vítima. Sapo cururu. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 6 de 26
  7. 7. Ação patogênica da peçonha Vários fatores interferem na ação patogênica da peçonha. Será de acordo com estesfatores que haverá maior ou menor gravidade para uma vítima de empeçonhamento.a. Local da Picada No caso dos gêneros "Crotalus" (cascavel) e "Micrurus" (coral), cujas peçonhas têmação neurotóxica, quanto mais próxima dos centros nervosos a picada, maior a gravidadepara a vítima. E, também, no caso da picada de qualquer ofídio peçonhento, se a regiãoatingida for muito vascularizada maior será a velocidade de absorção e os efeitos serão maisprecoces.b. Agressividade A surucucu-pico-de-jaca e a urutu, além do grande porte e, conseqüentemente,glândula da peçonha também avantajada, são as mais agressivas, trazendo maior perigopara a vítima.c. Quantidade Inoculada Estará na dependência do período entre uma picada e outra, bem como da primeira edas subseqüentes picadas, quando realizadas no mesmo momento. As glândulas dapeçonha levam 15 dias para se completarem.d. Toxidez da PeçonhaA peçonha crotálica é mais tóxica do que a botrópica e ambas, menos que a elapídica.e. Receptividade do Animal Picado A receptividade à peçonha ofídica depende do animal haver sido picadoanteriormente, desenvolvendo imunidade, ou não. Estudos recentes comprovaram que ogambá não é exceção à regra, existindo dúvidas com relação ao urubu. Contudo os animaisque foram tratados com soro antiofídico ao receberem nova dosagem possuem maiorprobabilidade de apresentar uma reação anafilática, que pode levar ao choque, pois oorganismo conta com uma memória imunológica contra a proteína eqüina contida nomedicamento.f. Peso do Animal Picado A gravidade do caso será proporcional a uma maior ou menor diluição da peçonha nosangue. Quanto maior o animal, mais diluída estará a peçonha e menos grave será a suaação. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 7 de 26
  8. 8. Deslocamentos na SelvaIntroduçãoGeneralidades O indivíduo ou grupo de indivíduos, tomando parte ou não em operações militares, aover-se isolado na selva e tendo necessidade de sobreviver, tenderá naturalmente amovimentar-se em uma direção qualquer, em busca de salvação. Será normal estaprecipitação, mas totalmente errada, pois muitos já perderam a vida por se terem deixadodominar pela ânsia de salvar-se, andando a esmo e entrando, fatalmente, em pânico.Regra Gerala. Será aconselhável, em tal emergência, que sejam observadas rigorosamente as seguintesregras, mnemonicamente expressas pela palavra E-S-A-O-N:- E: - ESTACIONE - fique parado, não ande à toa.- S: - SENTE-SE - para descansar e pensar.- A: - ALIMENTE-SE - saciando a fome e a sede, qualquer um terá melhores condições pararaciocinar.- O: - ORIENTE-SE - procure saber onde está, de onde veio, por onde veio ou para ondequer ir, utilizando-se do processo que melhor se aplique à situação.- N: - NAVEGUE - agora sim, desloque-se na direção selecionada.b. O "estacionar" e "sentar-se" independerão de maiores conhecimentos; o "alimentar-se"exigirá, na falta de víveres e água, a aplicação de recursos de emergência para obtê-los daprópria selva, o que será apresentado em capítulo mais adiante. Quanto ao "orientar-se" e"navegar", serão a seguir abordados os seus diferentes processos, bem como noções sobresinalização terra-ar e de transposição de obstáculos.OrientaçãoGeneralidades A densidade da vegetação torna a selva "toda igual"; nela não haverá pontos dereferência nítidos. Mesmo aqueles que já possuem alguma experiência não confiam muitoem possíveis referências, porque tudo se confunde devido à repetição contínua e monótonada floresta fechada; os incontáveis obstáculos constantemente causarão desequilíbrio equedas, tornando difícil a visada permanente sobre determinado ponto; a necessidade desaber onde pisar ou colocar as mãos desviará, por certo, a direção do raio visual; e,finalmente, a própria densidade da vegetação só permitirá que se veja entre a distância de10 a 30 metros à frente, quando muito. À noite nada se vê, nem a própria mão a um palmodos olhos. O luar, quando houver, poderá atenuar um pouco essa escuridão, sem contudoentusiasmar o deslocamento noturno. O copado fechado das árvores não permitirá que seobserve o sol ou o céu, a não ser que se esteja em uma clareira, o que, ainda assim, nãosignificará que se possa efetivamente observá-los, de dia ou de noite, para efeito deorientação, pois haverá constantemente a possibilidade do céu nublado. Por tudo isso, osprocessos de orientação na selva sofrerão severas restrições e, por já constarem de outrosmanuais, serão aqui apresentados de modo muito geral. Serão, também, feitas referênciasao hemisfério norte tendo em vista que parte da Selva AMAZÔNICA pertence àquela partedo globo terrestre. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 8 de 26
  9. 9. Proteção na SelvaAbrigosGeneralidades Um homem na selva, em regime de sobrevivência, necessita de algum conforto, decondições psicológicas as mais favoráveis possíveis e de proteção contra o meio adverso.Ele necessita de um abrigo eficiente, limpo e de bom aspecto. As operações na selva podemser sinteticamente conceituadas como sendo o emprego da inteligência, do vigor físico e daadaptabilidade do combatente à selva. O combate, então, mais que qualquer outro, exigehomens com ótimas condições físicas e psicológicas, de sorte a poderem suportar, com omínimo desgaste, as influências mesológicas e, assim, apresentar um rendimento máximonas ações. Um dos meios de conseguir isto é construir um bom abrigo, sempre que possível.Definição Abrigos são construções preparadas pelo combatente, com os meios que a selva e opróprio equipamento lhe oferecem, para a proteção contra as intempéries e os animaisselvagens. Alimentação na SelvaGeneralidades Como sobreviver significa RESISTIR, ESCAPAR, a sobrevivência em plena selvaestará em íntima ligação com o tempo em que nela se permanecer. Para tanto o homemdeverá estar altamente capacitado para dosar suas energias e lançar mão de todos os meiosao seu alcance, a fim de não pôr em risco a sua vida. Esta capacidade envolveconhecimentos especializados, invulgares ao homem comum, onde o uso da imaginação, oempenho, o bom senso e o moral elevado, além do intrínseco instinto de conservação, sãofatores preponderantes. Quem pensar que é tarefa fácil sobreviver em plena selva, à custaexclusiva dos recursos naturais, equivoca-se. Pequenos grupos, quando devidamentepreparados, poderão, entretanto, fazê-lo. Boa comida e água são encontradas, desde que ohomem esteja apto a saber onde, como e quando procurá-las. Assim, em qualquer situação,deverá considerar como condições primordiais para uma sobrevivência as necessidades de:ÁGUA - FOGO – ALIMENTOS. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 9 de 26
  10. 10. ÁguaNecessidadea. Apesar do enorme caudal hidrográfico representado pela abundância de cursos de água edo alto índice pluviométrico da AMAZÔNIA, haverá situações em que não será fácil aobtenção de água. Sendo a primeira das necessidades para a sobrevivência do homem,abastecer-se dela deve constituir uma preocupação constante.b. O ser humano pode resistir vários dias sem alimento, estando, entretanto, com menorespossibilidades de sobreviver se lhe falta a água. Esta resistência estará condicionada àcapacidade orgânica e às condições físicas do indivíduo, as quais, na selva, estarão,contudo, sempre aquém das possibilidades normais deste mesmo indivíduo. É o tributocobrado pela própria selva.c. Na selva equatorial, o que mais ressalta de importância e a necessidade constante daágua, por sofrer o organismo sudação excessiva com eliminação de sais minerais, que,quando demasiada e constante, poderá acarretar a exaustão. Torna-se vital a manutençãodo equilíbrio hídrico do organismo.d. De modo algum deverá o sobrevivente lançar mão de outros líquidos, como álcool,gasolina, urina, à falta absoluta da água. Tal procedimento, além de trazer conseqüênciasfunestas, diminuirá as possibilidades de sobreviver, revelando indícios da proximidade dopânico que, quando não dominado, será fatal. Portanto, saber onde há água e estar sempreabastecido dela é importantíssimo e fundamental. FogoNecessidadeSe bem que não alcance a importância representada pela água, o fogo também é umanecessidade, para que seja possível prolongar a sobrevivência. Será mais um valiosorecurso para aumentar e melhorar as condições de vida na selva, pois através dele seconseguirá:– purificar a água; - cozinhar; - secar a roupa; - aquecer o corpo; - sinalizar; - iluminar e fazer uma segurança noturna. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 10 de 26
  11. 11. Alimentos de Origem VegetalIntrodução Cada região possui recursos naturais e os regionais utilizam formas e processospeculiares para procurá-los e prepará-los. O habitante local, o nativo, será sempre uma fontede referência útil. Caso não possa ele próprio fornecer algum recurso alimentar, poderáinformar quanto às possibilidades da região, nesse particular.Regras Geraisa. Existem mais de 300 mil espécies vegetais catalogadas no mundo, sendo a maioria delascomestíveis e pouquíssimas as que matam quando ingeridas em pequenas quantidades.Não há uma forma absoluta para identificar as venenosas. Seguindo-se a regra abaixo,poder-se-á utilizar qualquer vegetal, fruto ou tubérculo, sem perigo de intoxicação ou mesmoenvenenamento, NÃO DEVEM SER CONSUMIDOS os vegetais que forem cabeludos etenham sabor amargo e seiva leitosab. Qualquer fruto comido pelos animais poderá também ser consumido pelo homem.c. Se uma planta não for identificada, outra regra básica é utilizar exclusivamente os brotos,de preferência os subterrâneos, pois serão mais tenros e saborosos.d. Nas regiões onde houver igarapés, seguindo seus cursos, obter-se-ão alimentos vegetaiscom maior facilidade.e. Não há na área amazônica palmitos tóxicos; todos podem ser consumidos: buriti, bacaba,açaí, patauá. Apresentam-se sempre como prolongamento central do tronco, sendo o seutamanho proporcional à idade da palmácea.f. Os alimentos de origem vegetal estarão sempre na dependência da época do ano e dadistribuição geográfica.g. Para eliminar a toxidez de alguns vegetais basta fervê-los durante cinco minutos,realizando a troca de água por duas ou três vezes nesse período. Após isto o vegetal poderáser consumido. São exceções a esta regra os cogumelos.h. Se o sobrevivente consumir exclusivamente vegetais deverá fazê-lo de forma moderadaaté que seu organismo se acostume à nova dieta. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 11 de 26
  12. 12. Trato com IndígenasIntrodução O sobrevivente ou grupo de sobreviventes na selva não estará livre de um encontrocom indígenas que vivem na Região AMAZÔNICA. Este contato, via de regra, representará asalvação, desde que se esteja familiarizado com os seus hábitos ou se tenha conhecimentode certas regras de conduta a serem observadas durante o tratamento recíproco a manter.Algumas Características dos Silvícolasa. Os indígenas da Amazônia, em sua maioria, já mantiveram contato com o dito "homembranco", o que os fizeram assimilar costumes da civilização e aproximar-se das vilas ecidades. Muitos índios vêm, inclusive, prestando o Serviço Militar, o que se pode observarnos Pelotões de Fronteira situados nas reservas indígenas ou próximos destas.b. A estrutura familiar é muito considerada pelos índios. No trabalho, pode-se observar oseguinte:- Ao homem cabe combater, caçar, pescar, manufaturar instrumentos de madeira e prepararo terreno para a roça.- À mulher cabe o suprimento dágua, os encargos da mãe (normalmente até que os filhoscompletem sete anos), o transporte de fardos, o preparo dos alimentos, a manufatura deutensílios de cerâmica, a tecelagem, os trabalhos na roça e a colheita.- Os homens tomam banho separados das mulheres.- O namoro é respeitoso (só há beijos na testa).- Há casamentos endogâmicos (dentro da aldeia) e exogâmicos (fora da aldeia).Casamentos de viúvo(a) com cunhada(o) são freqüentes.- Entre os ianomâmis, o infanticídio é consentido pela mãe, quando esta não possuicondições para criar o filho. É comum o uso de ervas abortivas entre as mulheresianomâmis.- Aos doze anos a criança é considerada adulta.c. Em termos de habitação, o que mais se observa:- geralmente os índios vivem em malocas construídas à base de barro, madeira e palha;- as condições de higiene são precárias;- essas malocas normalmente englobam várias famílias;- como curiosidade: os ianomâmis vivem em malocas de até trezentos índios, denominadas"XABONÔ".d. O índio, para subsistir, dedica-se à agricultura, à caça, à pesca, à coleta (frutas, raízes,ovos etc..) e ao escambo (troca, por exemplo, de artesanato por comida e objetos gerais dodito homem branco - especialmente roupas e aparelhos eletrônicos). Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 12 de 26
  13. 13. e. O idioma português é conhecido pela maioria das tribos, como decorrência da televisão,da ação dos missionários e da própria miscigenação. Algumas famílias possuem escolascom professores bilíngües que praticam o ensino inclusive com cartilhas da língua nativa. Jáhá famílias, como as das tribos macuxi e wapixaras, que possuem até mesmo título deeleitor.f. Os ianomâmis, por sua vez, contrariamente a outras tribos que já aceitaram a aculturação,apresentam um considerável grau de subdesenvolvimento. Eles ignoram os trabalhos emmetais e as técnicas modernas de obtenção de fogo. Outros, como os piranãs, têmpéssimos hábitos de higiene: costumam comer piolhos e micuins.g. Numa tribo, a figura mais destacada é o tuxaua, responsável pela solução de todas aspendências. O índio, individualmente, não assume os problemas. A iniciativa para aresolução destes é do tuxaua.h. O processo sucessório, na maioria das tribos, é hereditário. Em algumas comunidadesmais avançadas, há um processo de eleição entre os chefes das famílias.i. Outra figura importante é o pajé, o responsável pela assistência médico-espiritual da tribo.j. Os principais conflitos existentes entre os índios geralmente envolvem questões de terra emulher. Normalmente, as desavenças intertribais são facilmente esquecidas. l. É preciso perspicácia e, se possível, contar com assessoramento de um elemento da FUNAI ou de um habitante da região, para identificar-se os indícios de que uma tribo está se preparando para a guerra, os quais costumam variar muito. Alguns deles: pintura do corpo com tinta de urucu (vermelha) e tinta de jenipapo (preta); aproximação de pequenos grupos em ações de reconhecimento; ficar arredios; entre outros. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 13 de 26
  14. 14. Caracterização da área Fisicamente a Amazônia, ou Região Norte, se caracteriza por extensa depressão deterras equatoriais formando vasta planície, situada entre o Maciço das Guianas de um lado eos primeiros degraus do Planalto Central do outro, tendo, a oeste a Cordilheira dos Andes. É dividida pelo equador terrestre, que deixa a menor e mais acidentada parte aonorte, dotando o conjunto de um clima quente-úmido bem regular, com pequena diferençaentre os meses mais quentes e os mais frescos. Amazonas, eixo principal da Bacia, é o maior rio do mundo, vindo depois o Mississipi-Missouri e Nilo; é, pois, duas vezes maior que o rio situado na América do Norte e duas vezes e meia que o africano. Percorrendo 7.025 Km, desde o Pico Huagro até o Atlântico, surge no Peru a partir das águas formadas pelo degelo andino; encontra-se então a 4.000 metros de altitude e, segundo o Instituto Amazônico da UNESCO, dista apenas 120 Km do Pacífico. Constitui-se, assim, num quase canal natural bioceânico que, ao entrar no Brasil pelacidade de Tabatinga já corre numa planície a 82 metros do nível do mar, faltando 3.200 Kmpara atingir o Atlântico; até Iquitos no Peru é permanentemente navegável em 3580 Km. Recebe mais de 500 afluentes, representando uma via permanente de navegaçãocom cerca de 19.000 Km, número que se poderá multiplicar várias vezes levando-se emconta a existência de furos e igarapés, pequenos cursos dágua que, durante as enchentes,unem entre si os lagos e rios, bem como os paranás, pequenos braços de rios quecontornam ilhas. O Amazonas apresenta profundidades que variam dos 20 aos 130 metros e larguraque vai dos 96 Km, na embocadura do Rio Negro, até 1,5 Km no Estreito de Óbidos. O volume normal de águas é avaliado em 80.000 m3, dando-lhe a classificação deprimeiro do mundo em caudal, correspondendo sua vazão a de todos os rios do planeta.Com calha quase paralela ao equador terrestre, recebe afluentes dos dois hemisférios daTerra, onde as estações se alternam. Daí se envolver com o fenômeno da interferência, quenada mais é do que a compensação anual que se estabelece entre as enchentes dostributários que vêm do Hemisfério Norte e os do Sul. Em contrapartida esses afluentes vêmde regiões mais altas - Planaltos das Guianas ou Central, formando cachoeiras, até seconformar à planície; donde seu potencial hidrelétrico ser estimado pelo IBGE conforme oquadro que se segue: Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 14 de 26
  15. 15. Potencial (Energia FirmeBacias em MW/Ano)Afluentes (Margem Esquerda) ao norte do Amazonas 7.770Afluentes (Margem Direita) ao sul do Amazonas 28.393Amazônia (Total) 36.163Rio Xingu 10.454Rio Tapajós 9.610Rio Madeira 8.170Rio Tocantins 12.660Recebendo águas dos Andes, dos afluentes e das correntes aéreas úmidas, a rede fluvialamazônica se enquadra em todas as características para se transformar no caminho naturalde mais alto valor econômico e social. A associação climática, topográfica e hidrográfica dota a área de vasto manto florestalque, além de não envolver todo o complexo amazônico, na descontinuidade se alterna commatas ciliares, campinas nas várzeas e campos nativos. A floresta cobre 70% da região, istoé 280 bilhões de hectares, perfazendo 75% das reservas brasileiras e 30% da mundial; nasencostas das cordilheiras e planaltos se encontram florestas de transição mistas,representadas por coqueirais, cerrados e savanas. Estimando-se, para o conjunto, a reservamadeireira em 50 bilhões de m3, com apenas 15 bilhões de m3 comerciáveis, nessa regiãoonde todas as eras geológicas são representadas em quase todos os seus estágios, emborana várzea predomine o cenozóico no período mais moderno. Com variedade vegetal emtorno de 200 espécies diferentes de árvores por hectare, 1.400 tipos de peixes, 1.300 tiposde pássaros e 300 tipos de mamíferos; a composição da biodiversidade, a abundância eregularidade das chuvas, a elevada umidade relativa do ar e temperatura média uniformecontribuem para que o ecossistema amazônico seja auto-suficiente e detentor de cerca de30% do estoque genético do Mundo, constituindo-se, potencialmente, na maior fonte naturalmundial de produtos farmacêuticos, bioquímicos e agronômicos. Eis, pois, um resumo desta maior bacia sedimentar do mundo, com a multiplicidadede fenômenos se refletindo na variedade dos pontos de interesse, despertando paixõesfalaciosas com foros aparentemente científicos, com projeção nos apetites internacionais.Cabendo bem a profecia na frase do discurso que Getúlio Vargas proferiu em Manaus a 10de Outubro de 1941, afirmando que a Amazônia estava prestes a "encerrar um capítulo naHistória da Terra e iniciar um capítulo na História da Civilização". Amazônia, cuja utilizaçãode recursos se constitui num autêntico desafio, quer por suas condições peculiares, querpela heterogeneidade de seus ecossistemas - múltiplos, únicos e diferenciados. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 15 de 26
  16. 16. Therezinha de Castro Retirado de Amazônia - Geopolítica do Confronto e Geoestratégia da Integração,editado pela Fundação Educacional Unificada Campograndense, Faculdade de Filosofia deCampo GrandeHidrografia O país possui 55.457 km² de águas internas e uma rede hidrográfica numerosa. A maioria dos seus rios é perene, ou seja, não se extingue na estação seca. A única exceção é no sertão nordestino, onde existem rios temporários.As bacias brasileiras podem ser divididas em dois tipos: planálticas, que permitem aproveitamento hidrelétrico, e de planície, de correnteza fraca, utilizadas para navegação. As principais bacias são a Amazônica, do Prata, São Francisco e Tocantins. A Bacia Amazônica tem a mais vasta superfície drenada do mundo. É o maiorpotencial hidrelétrico total do país, apesar da baixa declividade do seu terreno, queproporciona 23 mil km de rios navegáveis. Só o seu rio principal, o Amazonas, tem cerca de7 mil afluentes, sendo os principais o Negro, Trombetas e Jari (margem esquerda); Madeira,Xingu e Tapajós (direita). O Amazonas é o rio de maior vazão de água (100.000 m³/s) etambém o maior em extensão do planeta, com seus 6.868 km de comprimento. Obs: informações e mapas extraídos do Almanaque Abril/98, versão CD-ROM. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 16 de 26
  17. 17. Doenças tropicais Febre Amarela Mário Rosas Filho-Cap Med Infectologista do Hospital Geral de Manaus É uma doença infecciosa aguda , causada por um vírus RNA, arbovírus do grupo B,ou seja vírus transmitidos por artrópodes (Arthropod Borne Viruses) do gênero Flavivírus,família Togaviridae, podendo apresentar ciclo urbano ou silvestre, com transmissão atravésde vetores alados. É basicamente uma antropozoonose, isto é, uma doença de animaissilvestres, acometendo o homem acidentalmente, principalmente quando participa deatividades militares em área de selva, extrativismo vegetal, caça ou desmatamento. Ocorreno norte do Brasil, abrangendo toda a Amazônia, acometendo cerca de quinhentaspessoas/ano. Diferencia-se em dois padrões epidemiológicos: o urbano e o silvestre. O primeirodeve-se a ação de um mosquito de hábitos urbanos, o Aedes aegypti, que transmite adoença de pessoas doentes à uma população sensível, e que apesar de não ocorreremcasos há mais de cinquenta anos, volta a causar temor pela possibilidade de suareemergência, devido intensa proliferação do Aedes aegypti nos grandes centros urbanos doBrasil no momento atual. O ciclo silvestre, por sua vez, é mantido pelas fêmeas demosquitos antropofílicos (especialmente do gênero Haemagogos), as quais necessitam desangue para amadurecer seus ovos; têm atividade diurna na copa das árvores, ocorrendo ainfecção acidental do homem ao invadir o ecossistema viral. Após um período de incubação médio de três a seis dias surgem os primeirossintomas: febre alta, cefaléia, congestão conjuntival, dores musculares e calafrios. Algumashoras depois podem ocorrer manifestações digestivas, tais como, náuseas, vômitos ediarréia, correspondendo à fase em que o vírus está circulando no sangue (Período deInfecção), evoluindo em dois a três dias à cura espontânea (Período de Remissão). Formasgraves da Febre Amarela, podem surgir um ou dois dias, após a cura aparente, observando-se aumento da febre e dos vômitos, prostração e icterícia (Período de Intoxicação).Emseguida surgem outros sintomas de gravidade da doença, tais como, hematêmese (vômitonegro), melena (fezes enegrecidas), petéquias (pontos vermelhos) e equimoses (manchasroxas) em várias regiões da superficie corporal, desidratação, agitação, delírio, parada renal,torpor, coma e morte (em cerca de 50% dos casos). O diagnóstico é essencialmente clínico, sendo que nas formas graves, somente éobtido post-mortem, através de provas laboratoriais para isolamento do vírus e exameanátomo-patológico. Não existe tratamento específico para o vírus da Febre Amarela. O tratamentoconsiste no uso de medicação sintomática, evitando-se os salicilatos (Ácido Acetil Salicílico ederivados), em função do risco de hemorragias, utilizando-se preferencialmente oParacetamol. Pacientes com formas graves da doença necessitam de cuidados de TerapiaIntensiva. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 17 de 26
  18. 18. Na prevenção da Febre Amarela fundamental é a aplicação da vacina Anti-Amarílica,na dose de 0,5 ml por via subcutânea, com aplicação de reforço a cada dez anos. Não serecomenda a aplicação em gestantes e portadores de imunodeficiência (inclusive pelo Vírusda Imunodeficiência Humana). Deve-se ter especial cuidado na conservação (manter sobrefrigeração) e utilizar no máximo por duas horas após abrir o frasco, pois a partir daí háuma perda de 50% do poder imunogênico da vacina. Malária Mário Rosas Filho- Cap Med Infectologista - Hospital Geral de Manaus É uma doença infecciosa, febril, não contagiosa, sub-aguda, aguda e algumas vezescrônica, causada por protozoários do gênero Plasmodium, principalmente as espécies vivaxe falciparum, transmitida através da picada das fêmeas dos mosquitos do gênero Anopheles.Distribui-se por toda a Amazônia, onde tem grande importância, por infectar anualmente umcontingente expressivo de sua população e determinar frequentemente o aparecimento deformas graves, inclusive com elevada mortalidade. Os aspectos eco-epidemiológicos da Amazônia: calor e umidade excessivos e agrande extensão de seus rios, contribuem para o proliferação dos anofelinos, dificultando ocontrole da doença. A forma infectante dos plasmódios é o esporozoíta, encontrado nas glândulassalivares de fêmeas do anopheles infectadas, que inoculada na pele do ser humano,permanece cerca de uma hora na corrente sangüínea, localizando-se posteriormente nascélulas do fígado (hepatócitos), onde sofre multiplicações formando os esquizonteshepáticos, estes transformam-se em merozoítas, que rompem os hepatócitos e são liberadosna circulação sangüínea, onde invadem os eritrócitos, evoluindo para a forma de trofozoítas,os quais após sofrerem divisão nuclear originam os esquizontes sangüíneos, ocorrendo emseguida o rompimento das hemáceas, liberando merozoítas, alguns com capacidade paraparasitar novas hemáceas e reiniciar o ciclo vital do plasmódio, porém parte dos merozoítasno interior das hemáceas diferencia-se em gametócitos (macho e fêmea), os quais sugadospelos anofelinos promoverão o ciclo sexuado do plasmódio nos mosquitos, surgindo em umaa duas semanas esporozoítas, aptos a infectar novos hospedeiros. O período de incubação pode variar de nove a quarenta dias, em média quinze diaspara vivax e doze dias para falciparum, sendo os sintomas mais graves nos indivíduosprimo-infectados. O quadro clínico caracteriza-se por: cefaléia, mialgias, prostração, perda do apetite,mal-estar geral e calafrios seguidos de febre de início súbito, elevada ( acima de 40oC) eintermitente, que ao cessar desencadeia sudorese profusa. Nas formas graves o pacienteapresenta também vômitos, diarréia, cianose de extremidades, pele fria e pegajosa. Podehaver diminuição do volume urinário nas 24 horas evoluindo para Insuficiência Renal Aguda.Complicação frequente nos casos graves é o Edema Pulmonar e a Síndrome de AngústiaRespiratória do Adulto, além de sangramentos digestivos, subcutâneos e de outraslocalizações, que em geral levam à morte. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 18 de 26
  19. 19. O diagnóstico é clínico-epidemiológico e laboratorial, através da detecção deplasmódios no sangue periférico (esfregaço ou gota espessa), além da utlização de métodosimunoenzimáticos ou de radioimunoensaio nos casos de maior dificuldade diagnóstica. No tratamento utilizamos drogas antimaláricas como o uso de Cloroquina ePrimaquina para P. vivax e Quinino associado à antimicrobianos e mais recentementederivados da Artemisina, no tratamento de malária pelo P. falciparum. Os pacientes gravesnecessitam de cuidados em Unidade de Terapia Intensiva. Medidas de proteção individual, como uso de repelentes nas áreas expostas do corpoe a instalação de telas nas portas e janelas das habitações, são inviabilizadas pelascondições climáticas regionais ( calor e umidade excessivos) e tipo de habitação doamazônida( casas com paredes incompletas) .No momento não se dispõe de vacinas parauso clínico. Leishmaniose Tegumentar Americana Mário Rosas Filho - Cap Med Infectologista - Hospital Geral de Manaus É uma doença infecciosa, de evolução que tende a cronicidade, não contagiosa,causada por diferentes espécies de protozoários do gênero Leishmania e transmitida porinsetos hematófagos genericamente designados flebótomos. Trata-se de uma zoonose, poistem como reservatórios animais silvestres ( tamanduá, paca, bicho-preguiça, gambá ealgumas espécies de roedores), os quais são picados pelos flebotomíneos e o homemsomente é infectado acidentalmente quando invade o ecossistema do protozoário, ematividades de extrativismo animal, vegetal ou mineral; quando da implantação de projetosagrícolas ou habitacionais em áreas recentemente desmatadas ou ainda militares aoparticiparem de operações em área de selva. Na Região Amazônica é êndemica, com significativa incidência em todos os estadosda região. Atualmente encontram-se identificadas seis espécies do gênero Leishmania,implicadas no aparecimento da Leishmaniose Tegumentar Americana ou Cutâneo-mucosa,assim discriminadas: L. (Viannia) braziliensis; L. (Viannia) guyanensis; L. (Viannia) lainsoni;L. (Viannia) shawi; L. (Viannia) naiffi e L. (Leishmania) amazonensis. É caracterizada pelo polimorfismo lesional, comprometendo a pele, comumentemanifestando-se como uma lesão ulcerada, única ou múltipla, medindo entre 3 a 12 cm dediâmetro, com bordos elevados ,"em moldura de quadro", base granulosa e sangrante,frequentemente associada à infecção bacteriana secundária. Dependendo da espécie deLeishmania e de fatores imunogenéticos do hospedeiro podem ocorrer lesões mucosas ecartilaginosas, que geralmente iniciam-se na mucosa nasal, surgindo coriza e sangramentonasal, evoluindo para perfuraçào do septo nasal, destruição da fossa nasal, mucosa,cartilagem e nos casos mais severos comprometendo assoalho da boca, língua, laringe,traquéia e brônquios, com mutilações graves, podendo afetar as funções vitais levando aoóbito. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 19 de 26
  20. 20. O diagnóstico é clínico, baseado nas características das lesões cutâneas,principalmente da lesão ulcerada leishmaniótica e laboratorial através dos seguintesexames: Raspado da borda da úlcera, isolamento do parasita em cultura, isolamento doparasita em animais de laboratório ("hamster"), Intradermoreação de Montenegro,imunofluorescência indireta e exame anátomo-patológico da lesão. No tratamento da Leishmaniose Cutâneo-Mucosa as drogas de primeira escolhacontinuam sendo os antimoniais pentavalentes, ou seja, meglumina antimoniato estibogluconato de sódio. Em caso de insucesso com estas substâncias podemos utilizaroutras drogas, tais como, Anfotericina B e Pentamidina. Todas as drogas empregadas sãode administração injetável, com várias aplicações, dificultando a adesão dos pacientes. Poisfatores imunogenéticos podem retardar consideravelmente a cicatrização das lesões. As condições eco-epidemiológicas da Amazônia não permitem a instituição demedidas profiláticas adequadas. Não existe vacina disponível para uso clínico. As Grandes Endemias da Amazônia Médico José João Ferraroni Extrato do trabalho Política e Estratégia de Saúde para o Desenvolvimeto da Amazônia. ProtozoosesMalária A malária é a mais expressiva de todas as endemias amazônicas e, apesar de muitosesforços do governo, o número de casos continua aumentando sensivelmente nos últimosanos. Alguns fatores contribuem decisivamente para sua elevada incidência na região,incluindo as condições climáticas, bacia hidrográfica acidentada, índice pluviométrico anualelevado, ocorrendo constantes cheias dos rios formando imensos lagos artificiais, queproporcionam a formação e manutenção de criadouros de mosquitos. A elevada temperaturada região e o desconforto, faz com que os habitantes da área habitem em residênciaspraticamente sem paredes, facilitando a locomoção do vetor para dentro e fora das casas. Amalária tem sido considerada endêmica na Amazônia, especialmente nas últimas décadas.O número de casos relatados pela SUCAM, tem declinado em algumas áreas e se elevadoem outras, dependendo, ao que parece, do estreito relacionamento com as sociedadesmigratórias. Em todo o caso, a população nômade é a mais atingida. Dentre todos os anofelinos transmissores de malária (aproximadamente 200espécies), o Anopheles darlingi destaca-se como a espécie mais importante. Por não exigirboa qualidade de água para reprodução, esta espécie se desenvolve com incrívelcapacidade nos lagos artificiais, formados pelas vazantes dos rios amazônicos, o quejustifica o aumento do número de infecção naquela época do ano. Como não foi dado enfoque suficiente à prevenção da doença para a populaçãomigrante, o problema da malária agravou-se seriamente na Amazônia com os núcleos decolonização implantados na última década. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 20 de 26
  21. 21. A introdução da malária humana, em novas áreas de desmatamento, principalmentenas regiões tropicais, tende a seguir o desenvolvimento e está intimamente relacionado àquebra do ecossistema (Hayes & Ferraroni, 1980). Com a implantação de núcleos decolonização e construção de vias de acesso, como a criação de novas rodovias e estradas,trazendo, ao mesmo tempo, indivíduos infectados e sadios para as áreas virgens oumalarígenas (Ferraroni & Speer, 1980) a malária tende aumentar na região. Outro fatorimportante é a mobilidade das populações, uma vez que o nativo da área endêmicaapresenta certo grau de resistência natural à infecção malária (Ferraroni & Hayes, 1979;Hayes & Ferraroni, 1979). Este aspecto deve ser lembrado ante de qualquer plano decolonização a ser implantado em áreas malarígenas. Exemplificando, a colonização daAmazônia por indivíduos vindo do Sul do país, encontrará alguns problemas sérios ecertamente grande parte da população irá perecer com malária, a não ser que sériasmedidas profiláticas sejam aplicadas. Dentre as medidas para o controle da malária humana incluem-se o uso deinseticidas, larvicidas, controle biológico, quimioprofilaxia, quimioterapia e principalmenteinseticidas residuais. Mesmo assim, estes métodos de controle não têm encontrado totalsucesso em determinadas áreas do globo, onde as condições climatogeográficasapresentam características próprias, como nas regiões tropicais, onde as constantes chuvasestão presentes durante toda época do ano, favorecendo substancialmente odesenvolvimento de criadouros dos mosquitos transmissores do parasita. Ainda que o uso dos inseticidas tenha tido um grande efeito na erradicação damalária, o futuro uso dos mesmos precisa ser melhor orientado em determinadas áreas,onde começam a surgir resistência do vetor a determinados inseticidas, bem como osproblemas de poluição ambiental que causam. Uma vez que a ação residual do inseticida élonga (motivo de sua eficácia), não se pode deixar de lado a idéia de que consequênciaspoderão advir, com o uso contínuo destas substâncias, especialmente o DDT, Dieldrin eMalation, pois estes produtos afetam seriamente a balança ecológica. Por outro lado, éimportante que se defenda a utilização destes produtos, pois eles são as únicas armas deque se dispõe, no momento, para lutar contra os vetores da malária, em certas áreas dostrópicos como na região amazônica. O uso de produtos quimioterápicos e quimioprofiláticos no combate à maláriarepresenta o único método eficaz na eliminação do parasita. Portanto, é um modelo que nãose pode desprezar, mas, ao contrário, procurar desenvolver método de aplicação dosmesmos de uma maneira controlada para que possam produzir resultados, quandoaplicados em áreas de alta endemicidade. Sabe-se que os plasmódios e em especial oPlasmodium falciparum, que é o mais letal, está desenvolvendo resistência às drogasclássicas antimaláricas, num espaço de tempo muito curto. Os primeiros casos deresistência foram detectados logo no início do uso de medicamentos contra os plasmódios,como o que ocorreu com o uso de pirimetamina na década de 50 e cloroquina na década de60 (Mabert, 1960); (Moore & Lanier, 1961). Atualmente existem cepas de P. Falciparumresistentes praticamente a todas as drogas empregadas na Amazônia (Ferraroni & Hayes,1979; Ferraroni et al., 1981; Ferraroni et al., 1977; Ferraroni et al., 1983; Ferraroni, 1983).Sabe-se, a priori, que a resistência dos plasmódios às drogas antimaláricas é, única eexclusivamente, questão de tempo. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 21 de 26
  22. 22. Apesar de não se ter conhecimento ao certo do mecanismo de resistência dosplasmódios às drogas antimaláricas, sabe-se que a seleção espontânea deverá ocorrer. Poreste motivo é importante restringir-se o uso maciço das drogas dando-se preferência acombinações prévias das mesmas, a fim de retardar os fenômenos mutativos naturais. O ressurgimento da malária vem ocorrendo em áreas onde a doença era consideradasob controle. As razões para este fato permanecem obscuras, mas podem ser parcialmenteexplicadas pelo desenvolvimento de resistência dos mosquitos transmissores de malária aosinseticidas, pela resistência dos parasitas às drogas clássicas antimaláricas e também porproblemas administrativos e operacionais, associados à instabilidade política em algumasregiões e á falta de pessoal técnico para atuar nestas áreas. Assim sendo, a substituição dos inseticidas e dos quimioterápicos por outros métodosde erradiação da malária é uma necessidade imperativa, dando-se, desta maneira, ênfaseaos métodos alternativos de seu controle. Na tentativa de descobrir uma vacina, o primeiropasso já foi dado, pois já se cultivou o P. falciparum "in vitro" no Brasil, pela primeira vez em1977 (Ferraroni, 1982). É lógico que será necessário a descoberta de um método queobtenha extrato do parasita em larga escala, para que se possa conseguir antígenosuficiente na aplicação em massa da população. Haveria também a necessidade de queeste antígeno fosse imunogênico, sem contaminação viral, microbiana ou de material dohospedeiro. As características ecológicas próprias da região amazônica, associadas a fatoresambientais implícitos nos grandes projetos de colonização e desenvolvimento exigemesquemas preventivos de considerável complexidade que impeçam a transmissão damalária. A falta de tal planejamento tem resultado num sensível aumento de casos demalária na região. Existem fatores epidemiológicos de difícil entendimento quando a balança ecológicada área é atingida. Parece que esses fatores, na região amazônica pelo menos, favorecemao aumento do número de casos de malária, os quais têm apresentado aspectossemelhantes nas diversas áreas de colonização da bacia amazônica (Ferraroni et al., 1977).É necessário, portanto, a melhoria da efetividade dos métodos de controle, através deatividades especiais de pesquisa básica e aplicada. Estudos realizados em camundongos atímicos (destituídos de imunidade celular), têmdemonstrado satisfatória proteção contra casos de malária de roedores (Ferraroni et al.,1985). O soro de camundongos curados de altas infecções maláricas e inoculado emroedores, protegem estes animais de infecções maláricas mortais (Ferraroni et al., 1982). Ouso de adjuvantes, estimuladores inespecíficos da resposta imune, tem demonstradoaumentar a resistência de roedores quando infectados com parasitas da malária (Ferraroniet al, 1986). Estes estudos demonstram que uma vacina contra malária não será difícil numfuturo próximo, principalmente com o avanço tecnológico atual. A quebra da harmonia ecológica com os programas de colonização, promovidos pelogoverno através de projetos de assentamento dirigido, tem apresentado grandecomplexidade que é consideravelmente aumentada quando neles é introduzido o homem doSul do país. Não aculturado à região inóspita, mas de brilhante futuro, não tem eleconhecimento suficiente das endemias próprias desta área, lançando-se ele e sua famílianuma luta, em que nem mesmo o adversário conhecem. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 22 de 26
  23. 23. Leishmaniose A Leishmaniose Tegumentar Americana é endêmica na Amazônia desde longa data.Acredita-se mesmo que a sua existência venha desde a época das civilizações antigas. Écomumente designada de "ferida brava" e constitui o segundo maior problema parasitária daAmazônia. É uma infecção que tende a ser mais regional e focal, devido estar intimamenterelacionada com a quebra do meio ecológico. Em todos os projetos de assentamento dirigido, implantados pelo governo nas regiõesonde existem vetores do parasita, que são conhecidos como "mosquito palha" ou "catuqui" ,a protozoose está presente. Normalmente aparecendo em surtos epidêmicos e de difícilcontrole devido a dificuldades do combate ao transmissor. Existe um número muito grandede espécies de flebotomíneos transmissores de leishmaniose como também grande númerode espécies de Leishmaniose, principalmente dependendo da localidade da Amazônia. Porexemplo: no Estado do Maranhão a espécie predominante é a Leishmania braziliensis, quepode acometer inclusive a mucosa. Já no norte do Estado do Amazonas é comum aleishmaniose causada pela Leishmania guyanensis. Pelos estudos realizados na região nota-se que praticamente mais da metade dapopulação (51,8%) já teve contato com o parasita (Fonseca et al., 1973). O aparecimentodos focos da doença tende a seguir os núcleos de colonização, as construções das estradase grupamentos isolados, como a prática da garimpagem.A leishmaniose é uma zoonose. Portanto, de difícil erradicação, porque apresentareservatórios disseminados por toda a região, e também por estar seu vetor em toda aAmazônia. O gambá (Didelphys marsupialis) é um dos mais comuns reservatórios doparasita, assim como a preguiça-real (Choteopus didactylus) que é um animal muito comumna Amazônia. A leishmaniose cutânea-mucosa é o tipo mais preocupante, uma vez que causa lesãodeformante no hospedeiro. Atualmente o número de casos tem apresentado umconsiderável aumento da prevalência. Isolaram-se recentemente parasitas da mucosa depacientes portadores de lesão muco-cutânea causadas por Leishmania guyanensis, do quenão se tinha conhecimento até o ano passado (Naiff et al., 1988). Quanto à leishmaniose visceral (Kalazar), ela é pouco frequente e alguns casosesporádicos têm sido verificados na zona rural da Amazônia. Não existindo vacina preventiva para a leishmaniose, a profilaxia está única eexclusivamente ligada à prevenção do contato com o transmissor. A quase totalidade doscasos pode ser tratada com drogas disponíveis no mercado. No entanto, há relatos deparasitas resistentes às drogas convencionais, o que poderá ser problema sério para ofuturo.Toxoplasmose A infecção por Toxoplasma gondii é muito frequente na Amazônia. Contudo, a doençapassa, na maioria das vezes, despercebida e confundida com crises de resfriado comum.Dos inquéritos realizados na região nota-se alta prevalência, inclusive na população isoladae indígena, em média, 70% (Ferraroni et al., 1979). Sabendo-se que os felídeos são osúnicos animais em que se realiza o ciclo completo deste protozoário, e existindo muitosfelídeos na região, a prevalência da toxoplasmose deverá continuar alta por muito tempoainda na Amazônia. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 23 de 26
  24. 24. Amebíase A amebíase intestinal é muito comum na Amazônia. A Entamoeba histolyticaapresenta prevalência considerada elevada na região, tanto na área urbana como rural emesmo nas populações indígenas isoladas, ficando com cifras de 27,3% (Ferraroni et al.,1979) e 36,7% (Genaro & Ferraroni, 1984), respectivamente. A faixa etária mais acometida éa infantil com índice de alta mortalidade no primeiro ano de vida. Muitos casos degastroenterites estão associados a esta infecção. As drogas utilizadas para o tratamento daamebíase geralmente apresentam altos graus de toxicidade.Giardíase A Giardíase lamblia é uma protozoose de prevalência alta nas populações jovens daAmazônia. Este parasita, além de causar distúrbios gastrointestinais, é responsável pela máabsorção pelo hospedeiro das vitaminas liposolúveis. De acordo com os trabalhos deFerraroni et al., 1979, a prevalência está em torno de 28%. A infecção é mais prevalente nascrianças devido aos cistos, que são as formas contaminantes, ficarem no solo por longoperíodo de tempo.Tricomoníase Apesar de ser uma protozoose endêmica na área, não preocupa muito, em termos desaúde pública, uma vez que sua mortalidade é praticamente nula. A prevalência de infecçãopor Trichomonas vaginalis em mulheres na cidade de Manaus é de 63,9% (Ferraroni et al.,1978). Esta taxa é considerada altíssima, correspondendo aos índices encontrados nasclínicas de venereologia dos países desenvolvidos do primeiro mundo. BactriosesHanseníase Pode-se dizer que a hanseníase é uma doença infecciosa crônica, frequente daAmazônia, com um total de aproximadamente 30.000 casos. Este número é considerado umdos índices mais elevados do mundo. Nota-se que a prevalência aumentou nos últimos anos(Talhari & Neiva, 1984). Este aumento pode ter sido devido às maiores facilidades nodiagnósticos. No entanto, por ser a lepra uma doença ainda não aceita pela sociedade, temsido difícil a identificação de novos casos para tratamento inicial e mesmo profilaxia familiar. Há um centro de referência de hanseníase da Organização Mundial de Saúde (OMS)em Manaus. Estudos e acompanhamentos da doença realizados têm apresentadoresultados favoráveis dignos de nota.Tuberculose No ano de 1980 foram registrados na Região Norte 6.700 casos de tuberculose,lembrando ainda que a maioria dos casos não é detectada, devido às dificuldades dediagnósticos. Uma das grandes preocupações com a doença é a alta prevalência napopulação de faixa etária jovem. Estudos realizados na década de 70 evidenciaram umíndice de 16,9% nas crianças com idade escolar, onde o maior índice aceita o fato de que ainfecção está espalhada por toda Amazônia, inclusive nas tribos indígenas, nas quais é umadas grandes causas de óbitos. O tratamento da tuberculose está se tornando cada vez maisdifícil, devido à resistência do parasita às drogas clássicas e ao aparecimento de espéciesatípicas do parasita. É necessário um trabalho muito sério nesta área. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 24 de 26
  25. 25. Meningite A meningite meningocócita, apesar de ser endêmica na Amazônia, tem surgido comofocos epidêmicos isolados. A mortalidade é alta e acomete preferencialmente a faixa etáriajovem. Ainda não houve um trabalho sério sobre a sorotipagem das bactérias na região.Portanto, não se sabe ainda qual o sorotipo mais prevalente. Isto nos parece muitopreocupante.Verminoses As parasitoses intestinais causam implicações sócio-econômicas, comportando-seatravés de inúmeros aspectos e que culminam na chamada "Síndrome anêmico-parasitária".Este quadro clínico é um somatório de sintomas e sinais, tais como anemia, carência devitaminas e proteínas, e claro, o poliparasitismo intestinal. Apesar de se conhecer aprevalência das parasitoses, em determinados pontos da região não se conhece, narealidade, a magnitude do problema. Contudo, estima-se que 90% da população estejamparasitadas por, pelo menos, uma espécie de parasita. A ascaridíase é a parasitose mais prevalente na Amazônia com 88,3%, seguindo-se atricocefalíase com 62%, ancilostomíase com 47,4%, estrongiloidíase com 7,5% e aenterobiose com 1,5% (Fraiaha, 1984). Um fato importante é os indivíduos aparecerem, namaioria das vezes, poliparasitados. A obstrução intestinal por Ascaris lumbricoides éfrequente na região, principalmente na faixa etária de 3 a 6 anos de idade. Há relatos de altafrequência de apendicecopatia parasitária. Das parasitoses causadoras de microfilaremia, a bancroftose está mais focalizada noPará, especialmente em Belém e arredores. Com o intenso combate ao vetor o índice deprevalência da doença tem diminuído razoavelmente nos últimos anos. A mansonelose está bem difundida na região, inclusive na população indígena, ondecertas tribos apresentam índices de até 50% de positividade. Todavia não é patologiapreocupante devido sua baixa patogenicidade e mesmo sintomatologia discreta. A oncocercose é a filariose humana mais preocupante na região, uma vez seu vetorser um simulídeo abundante, fazendo com que a parasitose se alastre rapidamente. Sendo apatologia (cegueira) irreversível, cuidados profiláticos precisam ser adotados com urgência.Até o momento, a prevalência está mais focalizada na área fronteiriça do Brasil com aVenezuela e nas regiões do Auaris, Toototobi, Surucucus e Mucajaí (Moraes et al., 1979). Adificuldade na detecção dos casos, principalmente na população indígena, é a necessidadede se realizar biópsia cutânea. Este problema talvez possa ser resolvido com a introduçãode testes cutâneos de hipersensibilidade imediata. Trabalhos realizados neste sentidoparecem demonstrar que isso será possível num futuro próximo (Ferraroni & Moraes, 1982).A parasitose ainda está localizada em focos isolados, devendo por isso ter o cuidado de nãose construírem estradas nestas áreas, o que, certamente, seria uma catástrofe em termosde disseminação da doença. A doença de Chagas e esquistosomose, apesar de serem endêmicas em outrasregiões do país, ainda não são problemas para a Amazônia. Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 25 de 26
  26. 26. VirosesHepatites As hepatites causadas por vírus constituem patologia marcante na Amazônia,principalmente a hepatite B (antigamente denominada de hepatite por soro-homólogo). Estadoença é a endemia mais importante após a malária e a leishmaniose, mesmo porque sualetalidade é alta, chegando atingir até 10% da população no Estado do Pará. A prevalênciade sorologia positiva da população humana na Amazônia está entre 20% (Benzabath &Maroja, 1977) em regiões urbanas e 36% em comunidades isoladas do interior (Ferraroni etal., 1983). Devido à alta endemicidade a praticamente todas as hepatites viróticas, umagrande percentagem da população torna-se imune a elas. Assim, os surtos epidêmicosocorrem com mais frequência nas populações migratórias de outras regiões do país.Poliomielite A faixa etária até dois anos de idade é o grupo mais atingido pela doença naAmazônia. Ultimamente o número de casos tem declinado, talvez devido ao uso da vacinaSabin. Contudo, em trabalhos realizados nas diversas comunidades do interior, inclusivepopulações isoladas e tribos indígenas, evidenciaram que 70% dos indivíduos examinadosapresentam anticorpos protetores contra o vírus (Ferraroni & Ferraroni, 1981). Estandoassim 30% da população desprovidos de proteção.Raiva A raiva humana continua representando um sério problema de saúde pública naAmazônia, apesar dos esforços do governo no controle e vacinação dos cães. MicoseMicoses Profundas Dentre as micoses profundas, a esporotricose é a mais comum. Contudo casos decriptocose, paracoccidioidomicose e histoplasmose têm sido descritos. A lobomicose écaracterística e exclusiva da Amazônia. Mesmo com todos os recursos da farmacologiamoderna não se encontrou uma droga para o seu tratamento. Têm havido alguns surtosesporádicos de histoplasmose.Micoses Superficiais As dermatomicoses apresentam distribuição universal, correspondendo em cadaregião do globo a uma flora particular de dermatófitos, caracterizada pela predominância ouexigência de certas espécies. Acredita-se que 30% da população amazônica estejamacometidos de pelo menos a um tipo de dermatomicose. A Pityriasis versicolor é a micosesuperficial predominante. As tinhas, principalmente a tinha cruris é muito comum, assimcomo as onicomicoses. As micoses são frequentes devido ao clima ser quente e úmido,favorecendo substancialmente o desenvolvimento da flora fúngica. Os fungos anemófilossão causadores frequentes de síndromes alérgicas e muito constantes em ambientesfechados na Amazônia (Furtado & Ferraroni, 1982). Manual de Sobrevivência na Selva.sxw Página 26 de 26

×