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Camilo pessanha

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Camilo pessanha

  1. 1. APONTAMENTOS DISPERSOS Camilo Pessanha (1867-1926) Poesia: Clepsidra, 1920 Ensaio: China, 1944 Camilo Pessanha é o mais representativo e o mais puro poeta da escola simbolista, pois foi ele quem melhor aprendeu a lição de Verlaine (De la musique avant toute chose) e de Mallarmé. Ao contrário de Eugénio de Castro, que buscava a magia das palavras para com elas conseguir uma espécie de harmonia vocal sem grande conteúdo, Pessanha serviu-se das palavras para com elas criar um estado de sonho significante, mas não de todo inteligível. “…os estados de alma de Pessanha nunca são directamente expressos, mas apenas insinuados em breves acenos entrelaçados com farrapos de paisagem – imagens multívocas e fugidias…” Clepsidra é um relógio de água para marcar as horas que vão e nunca voltam mais. A angústia provocada pelo fluir da existência trouxe a Pessanha uma abdicação total da vida, um desejo de repouso absoluto, convergente com o budismo, com a impassibilidade nirvânica. Cada poesia de Pessanha é um mundo de símbolos orquestrados, cheios de profundas insinuações visuais e auditivas. As palavras perdem, por vezes, o seu significado etimológico para sugerir o mundo desarticulado do inconsciente.

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