12ºd cesário verde !!!

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Trabalho de alunos - 12ºD, 2014

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12ºd cesário verde !!!

  1. 1. Cesário VerdeCesário Verde Eis que me apaixonei por Cesário Verde. Descobri que ele escrevera sobre a minha cidade tal como eu a via e sobre a vida em geral tal como eu a sentia. - Maria Filomena Mónica, Um Génio Ignorado Eis que me apaixonei por Cesário Verde. Descobri que ele escrevera sobre a minha cidade tal como eu a via e sobre a vida em geral tal como eu a sentia. - Maria Filomena Mónica, Um Génio Ignorado Trabalho realizado por: Ana Catarina Pinto, Maria Inês Silva, Bárbara Machado, Hugo Areias, Vítor Santos -12ºD
  2. 2. IntroduçãoIntrodução 1. O contexto histórico-cultural; 2. Dados biográficos do poeta; 3. Estilo; 4. As temáticas estruturantes; 5. A especificidade da poética de Cesário; 6. Conclusão. 1. O contexto histórico-cultural; 2. Dados biográficos do poeta; 3. Estilo; 4. As temáticas estruturantes; 5. A especificidade da poética de Cesário; 6. Conclusão.
  3. 3. O contexto histórico-culturalO contexto histórico-cultural Situação política e social; O contexto cultural; Realismo. Situação política e social; O contexto cultural; Realismo.
  4. 4. O contexto histórico-culturalO contexto histórico-cultural Situação política e social: • Cesário Verde viveu entre 1855 e 1900. • Portugal vivia uma grande crise económica e social devido a independência do Brasil, invasões francesas e guerra civil. • Ocorreram algumas reformas a nível dos transportes, da agricultura, da industria e do ensino. • Estas reformas foram principalmente aplicadas nas cidades, o que causou uma bipolarização do país. Situação política e social: • Cesário Verde viveu entre 1855 e 1900. • Portugal vivia uma grande crise económica e social devido a independência do Brasil, invasões francesas e guerra civil. • Ocorreram algumas reformas a nível dos transportes, da agricultura, da industria e do ensino. • Estas reformas foram principalmente aplicadas nas cidades, o que causou uma bipolarização do país.
  5. 5. O contexto histórico-culturalO contexto histórico-cultural Situação política e social: • O Campo era bastante atrasado em relação à cidade. • O aparecimento de máquinas agrícolas aumentou a produção e causou desemprego aos camponeses. • O desemprego e a pobreza dos camponeses, fez com que saíssem dos campos para as cidades (êxodo rural), o que aumentou a população das cidades. • Surgiram as primeiras fabricas devido ao aparecimento da máquina a vapor, surgindo assim também uma nova classe social, o proletariado urbano. • Ocorreu a expansão do setor terciário, devido ao desenvolvimento industrial e comercial. Situação política e social: • O Campo era bastante atrasado em relação à cidade. • O aparecimento de máquinas agrícolas aumentou a produção e causou desemprego aos camponeses. • O desemprego e a pobreza dos camponeses, fez com que saíssem dos campos para as cidades (êxodo rural), o que aumentou a população das cidades. • Surgiram as primeiras fabricas devido ao aparecimento da máquina a vapor, surgindo assim também uma nova classe social, o proletariado urbano. • Ocorreu a expansão do setor terciário, devido ao desenvolvimento industrial e comercial.
  6. 6. O contexto histórico-culturalO contexto histórico-cultural O contexto cultural: • Quantidade e analfabetos muito elevada- 80% da população. • Aparecimento de revistas e livros vindos da Europa que levou ao aumento do interesse pelos acontecimentos políticos e sociais. • Gosto pela literatura, teatro e pelo romance. O contexto cultural: • Quantidade e analfabetos muito elevada- 80% da população. • Aparecimento de revistas e livros vindos da Europa que levou ao aumento do interesse pelos acontecimentos políticos e sociais. • Gosto pela literatura, teatro e pelo romance.
  7. 7. O contexto histórico-culturalO contexto histórico-cultural • “Geração de 70”: Antero de Quental, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro e Teófilo Braga. • Questão Coimbrã: oposição entre Antero de Quental e António de Castilho devido à divulgação, por parte de Antero de Quental, de novos ideais que se opunham ao Romantismo já envelhecido. • “Conferências Democráticas do casino”: marco importante na Geração de 70 pois ajudou na divulgação dos nossos ideais defendidos por esta geração. • “Geração de 70”: Antero de Quental, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro e Teófilo Braga. • Questão Coimbrã: oposição entre Antero de Quental e António de Castilho devido à divulgação, por parte de Antero de Quental, de novos ideais que se opunham ao Romantismo já envelhecido. • “Conferências Democráticas do casino”: marco importante na Geração de 70 pois ajudou na divulgação dos nossos ideais defendidos por esta geração.
  8. 8. O contexto histórico-culturalO contexto histórico-cultural Realismo: • Movimento artístico e literário. • Surgiu na Europa, nas ultimas décadas do século XIX. • Movimento de contestação do sentimentalismo e do idealismo romântico. Realismo: • Movimento artístico e literário. • Surgiu na Europa, nas ultimas décadas do século XIX. • Movimento de contestação do sentimentalismo e do idealismo romântico. •Representação fiel da realidade, denunciando problemas sociais e levando à construção de uma sociedade justa. •Representação objetiva do real •Atitude critica face à sociedade. •Na literatura deu-se preferência ao romance. •Criticas aos grupos sociais através de personagens tipo.
  9. 9. Dados biográficos do poetaDados biográficos do poeta José Joaquim Cesário Verde nasceu no dia 25 de Fevereiro de 1855. Filho de José Anastácio Verde e Maria da Piedade dos Santos Verde. O seu Pai era proprietario de uma loja de ferragens e de uma quinta em Linda-a-Pastora. Cesário passou grande parte da infância na quinta com os seus três irmãos Julia, Joaquim e Jorge. Começou a trabalhar na loja do seu pai como correspondente comercial com apenas 17 anos. Com apenas 24 anos susbtitui o pai na direção da firma,alargando os negócios. José Joaquim Cesário Verde nasceu no dia 25 de Fevereiro de 1855. Filho de José Anastácio Verde e Maria da Piedade dos Santos Verde. O seu Pai era proprietario de uma loja de ferragens e de uma quinta em Linda-a-Pastora. Cesário passou grande parte da infância na quinta com os seus três irmãos Julia, Joaquim e Jorge. Começou a trabalhar na loja do seu pai como correspondente comercial com apenas 17 anos. Com apenas 24 anos susbtitui o pai na direção da firma,alargando os negócios.
  10. 10. Dados biográficos do poetaDados biográficos do poeta A formação académica de Cesário passa pela aprendizagem de contabilidade,noções de comércio e linguas(francês e inglês) . Frequentou durante alguns meses o Curso Superior de Letras,onde conheceu Silva Pinto,amigo para o resto da vida. Publicou os seus primeiros poemas no Diário de Noticias. Apesar da receção negativa aos seus poemas.Cesário continua a escrever. Frequenta tertúlias literárias do Café Martinho e do restaurante Leão de Ouro,onde convive com pintores e escritores como Gomes Leal,Fialho de Almeida,Macedo Papança e Silva Pinto. A formação académica de Cesário passa pela aprendizagem de contabilidade,noções de comércio e linguas(francês e inglês) . Frequentou durante alguns meses o Curso Superior de Letras,onde conheceu Silva Pinto,amigo para o resto da vida. Publicou os seus primeiros poemas no Diário de Noticias. Apesar da receção negativa aos seus poemas.Cesário continua a escrever. Frequenta tertúlias literárias do Café Martinho e do restaurante Leão de Ouro,onde convive com pintores e escritores como Gomes Leal,Fialho de Almeida,Macedo Papança e Silva Pinto.
  11. 11. Numa carta de 1877 queixa-se de problemas de saúde. Tuberculose já vitimara em 1872 a sua irmã Julia,com 19 anos,e dez anos depois o seu irmão Joaquim com 25 anos. Cesário vê-se obrigado a procurar os ares do campo,refugiando-se na quinta de Linda-a-Pastora,depois em Caneças e ,finalmente, no Lumiar,onde a 19 de Julho de 1986 morre pelas 5 horas da manhã. As suas poesias foram reunidas e publicadas em 1887 pelo seu amigo Silva Pinto em “O Livro de Cesário Verde”. Numa carta de 1877 queixa-se de problemas de saúde. Tuberculose já vitimara em 1872 a sua irmã Julia,com 19 anos,e dez anos depois o seu irmão Joaquim com 25 anos. Cesário vê-se obrigado a procurar os ares do campo,refugiando-se na quinta de Linda-a-Pastora,depois em Caneças e ,finalmente, no Lumiar,onde a 19 de Julho de 1986 morre pelas 5 horas da manhã. As suas poesias foram reunidas e publicadas em 1887 pelo seu amigo Silva Pinto em “O Livro de Cesário Verde”. Dados biográficos do poetaDados biográficos do poeta
  12. 12. EstiloEstilo Cesário Verde é caracterizado pela utilização da busca da perfeição formal através de uma poesia descritiva e fazendo desta algo de escultórico, esculpindo o concreto com nitidez e perfeição. Sentia necessidade de objectivar ou despersonalizar a poesia e corresponde à reacção naturalista que aparece no romance. Há uma aproximação da poesia às artes plásticas, nomeadamente a nível da utilização das cores e dos dados sensoriais. Através desta busca ele propõe uma explicação para o que observa com objectividade e, quando recorre à subjectividade, apenas transpõe, pela imaginação transfiguradora, a realidade captada numa outra que só o olhar de artista pode notar. Cesário Verde é caracterizado pela utilização da busca da perfeição formal através de uma poesia descritiva e fazendo desta algo de escultórico, esculpindo o concreto com nitidez e perfeição. Sentia necessidade de objectivar ou despersonalizar a poesia e corresponde à reacção naturalista que aparece no romance. Há uma aproximação da poesia às artes plásticas, nomeadamente a nível da utilização das cores e dos dados sensoriais. Através desta busca ele propõe uma explicação para o que observa com objectividade e, quando recorre à subjectividade, apenas transpõe, pela imaginação transfiguradora, a realidade captada numa outra que só o olhar de artista pode notar.
  13. 13. EstiloEstilo Cesário utiliza também uma linguagem prosaica, ou seja, aproxima-se da prosa e da linguagem do quotidiano; Expressão clara, objectiva e concreta; Vocabulário preciso e expressivo; Recursos estilísticos predominantes: adjectivação expressiva, comparação, metáfora e sinestesia; Estrutura formal: regularidade métrica (versos decassilábico e alexandrino), rimática e estrófica. Atenção ao pormenor, ao detalhe. Cesário utiliza também uma linguagem prosaica, ou seja, aproxima-se da prosa e da linguagem do quotidiano; Expressão clara, objectiva e concreta; Vocabulário preciso e expressivo; Recursos estilísticos predominantes: adjectivação expressiva, comparação, metáfora e sinestesia; Estrutura formal: regularidade métrica (versos decassilábico e alexandrino), rimática e estrófica. Atenção ao pormenor, ao detalhe.
  14. 14. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes Binómio campo/cidade; A questão social; A imagética feminina; Poetização do real; O mito de Anteu; Binómio campo/cidade; A questão social; A imagética feminina; Poetização do real; O mito de Anteu;
  15. 15. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes Binómio campo/cidade: O contraste cidade/campo é um dos temas fundamentais da poesia de Cesário e revela-nos o seu amor ao rústico e natural, que celebra por oposição a uma certa recusa da crueldade e dos valores urbanos a que, no entanto, adere. Binómio campo/cidade: O contraste cidade/campo é um dos temas fundamentais da poesia de Cesário e revela-nos o seu amor ao rústico e natural, que celebra por oposição a uma certa recusa da crueldade e dos valores urbanos a que, no entanto, adere.
  16. 16. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes Binómio campo/cidade: Oposição cidade/campo, sendo a cidade um espaço de morte e o campo um espaço de vida – valorização do natural em detrimento do artificial. O campo é visto como um espaço de liberdade, do não isolamento; e a cidade como um espaço castrador, opressor, símbolo da morte, da humilhação, da doença. A esta oposição associam-se as oposições belo/feio, claro/escuro, força/fragilidade. “No campo eu acho nele a musa que me anima.” Binómio campo/cidade: Oposição cidade/campo, sendo a cidade um espaço de morte e o campo um espaço de vida – valorização do natural em detrimento do artificial. O campo é visto como um espaço de liberdade, do não isolamento; e a cidade como um espaço castrador, opressor, símbolo da morte, da humilhação, da doença. A esta oposição associam-se as oposições belo/feio, claro/escuro, força/fragilidade. “No campo eu acho nele a musa que me anima.”
  17. 17. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes Binómio campo/cidade: A cidade personifica a ausência de amor e, consequentemente, de vida. Ela surge como uma prisão que desperta no sujeito “um desejo absurdo de sofrer”. É um foco de infecções, de doença. É um símbolo de opressão, de injustiça, de industrialização, e surge, por vezes, como ponto de partida para evocações, divagações. Binómio campo/cidade: A cidade personifica a ausência de amor e, consequentemente, de vida. Ela surge como uma prisão que desperta no sujeito “um desejo absurdo de sofrer”. É um foco de infecções, de doença. É um símbolo de opressão, de injustiça, de industrialização, e surge, por vezes, como ponto de partida para evocações, divagações.
  18. 18. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes Binómio campo/cidade: O campo, por oposição, aparece associado à vitalidade, à alegria do trabalho produtivo e útil, nunca como fonte de devaneio sentimental. Aparece ligado à fertilidade, à saúde, à liberdade. A força inspiradora de Cesário é a terra-mãe, uma vez que a terra é força vital para Cesário. O poeta encontra a energia perdida quando volta para o campo, anima-o, revitaliza-o, dá-lhe saúde. Binómio campo/cidade: O campo, por oposição, aparece associado à vitalidade, à alegria do trabalho produtivo e útil, nunca como fonte de devaneio sentimental. Aparece ligado à fertilidade, à saúde, à liberdade. A força inspiradora de Cesário é a terra-mãe, uma vez que a terra é força vital para Cesário. O poeta encontra a energia perdida quando volta para o campo, anima-o, revitaliza-o, dá-lhe saúde.
  19. 19. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes Binómio campo/cidade: É no poema Nós que Cesário revela melhor o seu amor ao campo, elogiando-o por oposição à cidade e considerando-o “um salutar refúgio”. É a morte que cria em Cesário uma repulsa à cidade por onde gostava de deambular mas que acaba por aprisioná-lo (O Sentimento de um Ocidental). Binómio campo/cidade: É no poema Nós que Cesário revela melhor o seu amor ao campo, elogiando-o por oposição à cidade e considerando-o “um salutar refúgio”. É a morte que cria em Cesário uma repulsa à cidade por onde gostava de deambular mas que acaba por aprisioná-lo (O Sentimento de um Ocidental).
  20. 20. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes A questão social: “A mim o que me rodeia é o que me preocupa.” Simpatia pelas classes oprimidas; Identificação com os mais pobres , os mais desfavorecidos, os marginais; Consciência que a rudeza do povo é imprescindível; Revolta contra a sociedade pela miséria social; Solidariedade com as vítimas das injustiças sociais; Ausência de paternalismos quando se refere ao povo; Denúncia das arbitrariedades do poder; A questão social: “A mim o que me rodeia é o que me preocupa.” Simpatia pelas classes oprimidas; Identificação com os mais pobres , os mais desfavorecidos, os marginais; Consciência que a rudeza do povo é imprescindível; Revolta contra a sociedade pela miséria social; Solidariedade com as vítimas das injustiças sociais; Ausência de paternalismos quando se refere ao povo; Denúncia das arbitrariedades do poder;
  21. 21. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes A questão social: “A mim o que me rodeia é o que me preocupa.” O poeta coloca-se ao lado dos desfavorecidos, dos injustiçados, dos marginalizados e admira a força física, a força do povo trabalhador. O poeta preocupa-se com esta classe. O poeta interessa-se pelo conflito social do campo e da cidade, procurando documentá-lo e analisá-lo, embora sem interferir nele. • Anatomia do homem oprimido pela cidade • Integração da realidade quotidiana no mundo poético A questão social: “A mim o que me rodeia é o que me preocupa.” O poeta coloca-se ao lado dos desfavorecidos, dos injustiçados, dos marginalizados e admira a força física, a força do povo trabalhador. O poeta preocupa-se com esta classe. O poeta interessa-se pelo conflito social do campo e da cidade, procurando documentá-lo e analisá-lo, embora sem interferir nele. • Anatomia do homem oprimido pela cidade • Integração da realidade quotidiana no mundo poético
  22. 22. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes A imagética feminina: As varinas, as trabalhadoras genuínas, a quem o poeta reconhece a força física; A engomadeira tísica, mulher doente que esperta a revolta, a solidariedade e a emoção do poeta; A hortaliceira; A atriz (Tomásia – atriz lisboeta por quem Cesário tem uma grande paixão) A mulher frágil; A “milady”; A mulher que menospreza o sujeito poético mas ele não a consegue rejeitar; As prostitutas; A imagética feminina: As varinas, as trabalhadoras genuínas, a quem o poeta reconhece a força física; A engomadeira tísica, mulher doente que esperta a revolta, a solidariedade e a emoção do poeta; A hortaliceira; A atriz (Tomásia – atriz lisboeta por quem Cesário tem uma grande paixão) A mulher frágil; A “milady”; A mulher que menospreza o sujeito poético mas ele não a consegue rejeitar; As prostitutas;
  23. 23. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes A imagética feminina: A mulher fatal, altiva, aristocrática, “frígida”, opressora que atrai/fascina o sujeito poético de forma negativa, provocando-lhe o desejo de humilhação. Mulher nórdica, fria, símbolo da eclosão do desenvolvimento da cidade como fenómeno urbano, sinédoque da classe social opressora e, por isso, geradora da humilhação (ex: «Frígida», «Deslumbramentos» e «Esplêndida»), em que se reconhece a influência de Baudelaire; A imagética feminina: A mulher fatal, altiva, aristocrática, “frígida”, opressora que atrai/fascina o sujeito poético de forma negativa, provocando-lhe o desejo de humilhação. Mulher nórdica, fria, símbolo da eclosão do desenvolvimento da cidade como fenómeno urbano, sinédoque da classe social opressora e, por isso, geradora da humilhação (ex: «Frígida», «Deslumbramentos» e «Esplêndida»), em que se reconhece a influência de Baudelaire;
  24. 24. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes A imagética feminina: É o tipo citadino artificial, surge portanto associada à cidade servindo para retratar os valores decadentes e a violência social. Esta mulher surge na poesia de Cesário incorporando um valor erótico que simultaneamente desperta o desejo e arrasta para a morte. A imagética feminina: É o tipo citadino artificial, surge portanto associada à cidade servindo para retratar os valores decadentes e a violência social. Esta mulher surge na poesia de Cesário incorporando um valor erótico que simultaneamente desperta o desejo e arrasta para a morte.
  25. 25. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes A imagética feminina: A mulher angélica, “tímida pombinha”, natural, pura, acompanhada pela mãe, embora pertencente à cidade, encarna qualidades inerentes ao campo. Desperta no poeta o desejo de protecção e tem um efeito regenerador (Frágil). A imagética feminina: A mulher angélica, “tímida pombinha”, natural, pura, acompanhada pela mãe, embora pertencente à cidade, encarna qualidades inerentes ao campo. Desperta no poeta o desejo de protecção e tem um efeito regenerador (Frágil).
  26. 26. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes A imagética feminina: É o reflexo de uma entidade divina, símbolo de pureza campestre, com traços de uma beleza angelical, frequentemente com os cabelos loiros, dotada de uma certa fragilidade possuindo também um efeito regenerador por ser frágil, pura, natural, simples e representa os valores do campo na cidade, que regenera o sujeito poético e lhe estimula a imaginação (ex: as figuras femininas de a «A Débil» e «Num Bairro Moderno»). É considerada uma mulher objecto pois é vista enquanto estímulo dos sentidos carnais, sensuais, como impulso erótico (ex: actriz de «Cristalizações»). A imagética feminina: É o reflexo de uma entidade divina, símbolo de pureza campestre, com traços de uma beleza angelical, frequentemente com os cabelos loiros, dotada de uma certa fragilidade possuindo também um efeito regenerador por ser frágil, pura, natural, simples e representa os valores do campo na cidade, que regenera o sujeito poético e lhe estimula a imaginação (ex: as figuras femininas de a «A Débil» e «Num Bairro Moderno»). É considerada uma mulher objecto pois é vista enquanto estímulo dos sentidos carnais, sensuais, como impulso erótico (ex: actriz de «Cristalizações»).
  27. 27. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes Poetização do real: O poeta procura captar com objectividade e pormenor as impressões do real quotidiano (a cor, a luz, o movimento, os seres, as coisas...), ao longo das suas intermináveis deambulações pelo espaço urbano; A visão do poeta alia-se à visão do pintor (visualismo) nesta captação contínua das impressões do real; As sensações que o real desperta no poeta substituem, por vezes, a simples observação objectiva dos ambientes e estimulam a sua imaginação transfiguradora. Poetização do real: O poeta procura captar com objectividade e pormenor as impressões do real quotidiano (a cor, a luz, o movimento, os seres, as coisas...), ao longo das suas intermináveis deambulações pelo espaço urbano; A visão do poeta alia-se à visão do pintor (visualismo) nesta captação contínua das impressões do real; As sensações que o real desperta no poeta substituem, por vezes, a simples observação objectiva dos ambientes e estimulam a sua imaginação transfiguradora.
  28. 28. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes O mito de Anteu: De acordo com a mitologia grega, Anteu, filho da Gea (Terra) e de Poseidon, era um gigante muito possante, que vivia na região de Marrocos, e que era invencível enquanto estivesse em contacto com a mãe-terra. Desafiava todos os recém- chegados em luta até à morte. Vencidos e mortos, os seus cadáveres passavam a ornar o templo do Deus do mar, Poseidon. Hércules, de passagem pela Líbia, entrou em combate contra Anteu, descobrindo o segredo da sua invencibilidade, conseguiu esmagá-lo, mantendo-o no ar. O mito de Anteu: De acordo com a mitologia grega, Anteu, filho da Gea (Terra) e de Poseidon, era um gigante muito possante, que vivia na região de Marrocos, e que era invencível enquanto estivesse em contacto com a mãe-terra. Desafiava todos os recém- chegados em luta até à morte. Vencidos e mortos, os seus cadáveres passavam a ornar o templo do Deus do mar, Poseidon. Hércules, de passagem pela Líbia, entrou em combate contra Anteu, descobrindo o segredo da sua invencibilidade, conseguiu esmagá-lo, mantendo-o no ar.
  29. 29. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes O mito de Anteu e a sua relação com a poesia de Cesário: Em Cesário Verde, o campo, ou melhor, a terra, apresenta-se benéfico e produtivo. Afastado da terra da sua infância, como recorda no poema Em Petiz, e enfraquecido pela cidade doente, o poeta reencontra a energia perdida quando volta para o campo. Por isso, também, como refere em Nós, desde as pestes que alastraram em Lisboa, a sua família passou a encontrar no espaço rústico o fortaleço das suas forças, como exemplo temos o excerto "desde o calor de maio aos frios de novembro". O mito de Anteu e a sua relação com a poesia de Cesário: Em Cesário Verde, o campo, ou melhor, a terra, apresenta-se benéfico e produtivo. Afastado da terra da sua infância, como recorda no poema Em Petiz, e enfraquecido pela cidade doente, o poeta reencontra a energia perdida quando volta para o campo. Por isso, também, como refere em Nós, desde as pestes que alastraram em Lisboa, a sua família passou a encontrar no espaço rústico o fortaleço das suas forças, como exemplo temos o excerto "desde o calor de maio aos frios de novembro".
  30. 30. As temáticas estruturantesAs temáticas estruturantes O mito de Anteu e a sua relação com a poesia de Cesário: O mito de Anteu permite-nos caracterizar o novo vigor que se manifesta quando há um reencontro com as suas origens, com a mãe-terra. Deste modo, poderemos falar deste mito em Cesário Verde na medida em que o contacto com o campo parece reanimá-lo, dando-lhe forças, energias e saúde. O mito de Anteu surge em Cesário de modo a transmitir o seu esgotamento originado pelo afastamento da cidade para se refugiar no campo. O mito de Anteu e a sua relação com a poesia de Cesário: O mito de Anteu permite-nos caracterizar o novo vigor que se manifesta quando há um reencontro com as suas origens, com a mãe-terra. Deste modo, poderemos falar deste mito em Cesário Verde na medida em que o contacto com o campo parece reanimá-lo, dando-lhe forças, energias e saúde. O mito de Anteu surge em Cesário de modo a transmitir o seu esgotamento originado pelo afastamento da cidade para se refugiar no campo.
  31. 31. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário Interpretação dos poemas; O deambulismo; O realismo cinético e o visualismo; O aspeto pictórico; O carácter sensorial; A evasão do real e a pretensa objetividade. Interpretação dos poemas; O deambulismo; O realismo cinético e o visualismo; O aspeto pictórico; O carácter sensorial; A evasão do real e a pretensa objetividade.
  32. 32. Num Bairro Moderno Dez horas da manhã; os transparentes Matizam uma casa apalaçada; Pelos jardins estancam-se as nascentes, E fere a vista, com brancuras quentes, A larga macadamizada. Rez-de-chaussé repousam sossegados, Abriram-se, nalguns, as persianas, E dum ou doutro, em quartos estucados, Ou entre a rama dos papéis pintados, Reluzem, num almoço as porcelanas. Como é saudável ter o seu conchego, E a sua vida fácil! Eu descia, Sem muita pressa, para o meu emprego, Aonde agora quase sempre chego Com as tonturas duma apoplexia. E rota, pequenina, azafamada, Notei de costas uma rapariga, Que no xadrez marmóreo duma escada, Como um retalho de horta aglomerada, Pousara, ajoelhando, a sua giga. E eu, apesar do sol, examinei-a; Pôs-se de pé; ressoam-lhe os tamancos; E abre-se-lhe o algodão azul da meia, Se ela se curva, esguedelhada, feia E pendurando os seus bracinhos brancos. Do patamar responde-lhe um criado: "Se te convém, despacha; não converses. Eu não dou mais." E muito descansado, Atira um cobre ignóbil oxidado, Que vem bater nas faces duns alperces. Subitamente - que visão de artista! - Se eu transformasse os simples vegetais, À luz do Sol, o intenso colorista; Num ser humano que se mova e exista Cheio de belas proporções carnais?! Bóiam aromas, fumos de cozinha; Com o cabaz às costas, e vergando, Sobem padeiros, claros de farinha; E às portas, uma ou outra campainha Toca, frenética, de vez em quando
  33. 33. Num Bairro Moderno E eu recompunha, por anatomia, Um novo corpo orgânico, aos bocados. Achava os tons e as formas. Descobria Uma cabeça numa melancia, E nuns repolhos seios injectados. As azeitonas, que nos dão o azeite, Negras e unidas, entre verdes folhos, São tranças dum cabelo que se ajeite; E os nabos - ossos nus, da cor do leite, E os cachos de uvas - os rosários de olhos. Há colos, ombros, bocas, um semblante Nas posições de certos frutos. E entre As hortaliças, túmido, fragrante, Como dalguém que tudo aquilo jante, Surge um melão, que me lembrou um ventre. E, como um feto, enfim, que se dilate, Vi nos legumes carnes tentadoras, Sangue na ginja vívida, escarlate, Bons corações pulsando no tomate E dedos hirtos, rubros, nas cenouras. O Sol dourava o céu. E a regateira, Como vendera a sua fresca alface E dera o ramo de hortelã que cheira, Voltando-se, gritou-me prazenteira: " Não passa mais ninguém! ... Se me ajudasse?! ..." Eu acerquei-me dela, sem desprezo; E, pelas duas asas a quebrar, Nós levantámos todo aquele peso Que ao chão de pedra resistia preso, Com um enorme esforço muscular. (...) E pitoresca e audaz, na sua chita, O peito erguido, os pulsos nas ilhargas, Duma desgraça alegre que me incita, Ela apregoa, magra, enfezadita, As suas couves repolhudas, largas. E, como as grossas pernas dum gigante, Sem tronco, mas atléticas, inteiras Carregam sobre a pobre caminhante, Sobre a verdura rústica, abundante, Duas frugais abóboras carneiras.
  34. 34. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Bairro Moderno”: É exemplificativo de um dos traços característicos da poesia de Cesário Verde - a deambulação. O poeta percorre o bairro enquanto o sujeito poético se dirige para o emprego "Eu descia, / Sem muita pressa, para o meu emprego," e é o seu olhar que, como uma "câmara", vai "destacando" vários cenários: a "casa apalaçada", os "jardins" que se estendem ao longo da "larga rua macadamizada", os "rez-de-chaussée" cujas persianas abrem e deixam ver pormenores do interior das casas "quartos estucados", "papéis pintados", "porcelanas". Tanto estes pormenores como as referências anteriores ao espaço exterior sugerem bem-estar e evidenciam o conforto que se vive neste bairro moderno. O poeta explicita-o ao introduzir a terceira estrofe com um comentário pessoal "Como é saudável ter o seu conchego / E a sua vida fácil!" - “Bairro Moderno”: É exemplificativo de um dos traços característicos da poesia de Cesário Verde - a deambulação. O poeta percorre o bairro enquanto o sujeito poético se dirige para o emprego "Eu descia, / Sem muita pressa, para o meu emprego," e é o seu olhar que, como uma "câmara", vai "destacando" vários cenários: a "casa apalaçada", os "jardins" que se estendem ao longo da "larga rua macadamizada", os "rez-de-chaussée" cujas persianas abrem e deixam ver pormenores do interior das casas "quartos estucados", "papéis pintados", "porcelanas". Tanto estes pormenores como as referências anteriores ao espaço exterior sugerem bem-estar e evidenciam o conforto que se vive neste bairro moderno. O poeta explicita-o ao introduzir a terceira estrofe com um comentário pessoal "Como é saudável ter o seu conchego / E a sua vida fácil!"
  35. 35. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Bairro Moderno”: Nas estrofes IV e V o poeta refere-se à vendedora como se o seu olhar se fixasse sobre uma imagem da qual o poeta destaca aquilo que visualmente o impressiona - "uma rapariga / Que no xadrez marmóreo duma escada, / como um retalho de horta aglomerada, / Pousara, ajoelhando, a sua giga." É de notar o forte contraste visual (sugerido) entre o branco e o negro, dispostos em xadrez, e o colorido das frutas e legumes que estão dentro da cesta. A esta associam-se outras sensações. Ainda na quinta estrofe é o som que vem completar o quadro -"ressoam-lhe os tamancos"; "Bóiam aromas, fumos de cozinha;" (olfacto); "Com a cabaz às costas, e vergando, / Sobem padeiros, claros de farinha;" (visão); "E às portas, uma ou outra campaínha / Toca, frenética, - hipálage - de vez em quando." (audição). - “Bairro Moderno”: Nas estrofes IV e V o poeta refere-se à vendedora como se o seu olhar se fixasse sobre uma imagem da qual o poeta destaca aquilo que visualmente o impressiona - "uma rapariga / Que no xadrez marmóreo duma escada, / como um retalho de horta aglomerada, / Pousara, ajoelhando, a sua giga." É de notar o forte contraste visual (sugerido) entre o branco e o negro, dispostos em xadrez, e o colorido das frutas e legumes que estão dentro da cesta. A esta associam-se outras sensações. Ainda na quinta estrofe é o som que vem completar o quadro -"ressoam-lhe os tamancos"; "Bóiam aromas, fumos de cozinha;" (olfacto); "Com a cabaz às costas, e vergando, / Sobem padeiros, claros de farinha;" (visão); "E às portas, uma ou outra campaínha / Toca, frenética, - hipálage - de vez em quando." (audição).
  36. 36. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Bairro Moderno”: Os "padeiros", a "regateira" são tipos sociais característicos do espaço urbano descrito. Gente do povo, contrastam com a imagem elegante, requintada do bairro burguês. Os padeiros "sobem" "vergando" sob o peso do cabaz; a vendedora, frágil, é obrigada a um trabalho pesado. As indicações relativas ao aspecto físico - "pequenina", "esguedelhada”, “feia", "os bracinhos brancos", "magra", "enfezadita"; ao vestuário - "rota", "os tamancos", "abre-se-lhe o algodão azul da meia", "na sua chita" - caracterizam-na socialmente e repetem uma ideia de debilidade, de fragilidade (recurso a diminutivos) que acentua o peso da opressão de que é vítima. - “Bairro Moderno”: Os "padeiros", a "regateira" são tipos sociais característicos do espaço urbano descrito. Gente do povo, contrastam com a imagem elegante, requintada do bairro burguês. Os padeiros "sobem" "vergando" sob o peso do cabaz; a vendedora, frágil, é obrigada a um trabalho pesado. As indicações relativas ao aspecto físico - "pequenina", "esguedelhada”, “feia", "os bracinhos brancos", "magra", "enfezadita"; ao vestuário - "rota", "os tamancos", "abre-se-lhe o algodão azul da meia", "na sua chita" - caracterizam-na socialmente e repetem uma ideia de debilidade, de fragilidade (recurso a diminutivos) que acentua o peso da opressão de que é vítima.
  37. 37. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Bairro Moderno”: Expressividade nos verbos utilizados: "ajoelhando", "se curva", "pendurando", "Nós levantámos todo aquele peso / Que ao chão de pedra resistia preso / Com um enorme esforço muscular.", "Carregam sobre a pobre caminhante". Contudo, apesar de feia e desprezada é por ela que o sujeito poético nutre simpatia. Criado (um outro tipo social), "do patamar", isto é, de cima, altivo, "muito descansado", em contraste com a vendedora "Atira um cobre ignóbil" (hipálage), integrando deste modo no poema a crítica à desigualdade e injustiça social. A forte consciência da injustiça e de opressão parece ser exclusiva do poeta, pois a rapariga enfrenta-os com a coragem e alegria - "E pitoresca a audaz (...) / O peito erguido, os pulsos nas ilhargas, / Duma desgraça alegre que me incita, / Ela apregoa (...) / As suas couves repolhudas, largas." - “Bairro Moderno”: Expressividade nos verbos utilizados: "ajoelhando", "se curva", "pendurando", "Nós levantámos todo aquele peso / Que ao chão de pedra resistia preso / Com um enorme esforço muscular.", "Carregam sobre a pobre caminhante". Contudo, apesar de feia e desprezada é por ela que o sujeito poético nutre simpatia. Criado (um outro tipo social), "do patamar", isto é, de cima, altivo, "muito descansado", em contraste com a vendedora "Atira um cobre ignóbil" (hipálage), integrando deste modo no poema a crítica à desigualdade e injustiça social. A forte consciência da injustiça e de opressão parece ser exclusiva do poeta, pois a rapariga enfrenta-os com a coragem e alegria - "E pitoresca a audaz (...) / O peito erguido, os pulsos nas ilhargas, / Duma desgraça alegre que me incita, / Ela apregoa (...) / As suas couves repolhudas, largas."
  38. 38. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Bairro Moderno”: Cesário não se limita a descrever lugares e personagens. A descrição é com frequência impressionista e aos elementos descritos o poeta associa o seu estado psicológico, É o que acontece na terceira estrofe quando, para além de comentar o que vê, o sujeito afirma "quase sempre chega / Com as tonturas de uma apoplexia" ou se mostra "contagiado" pela força interior da rapariga - "Duma desgraça alegre que me incita”. - “Bairro Moderno”: Cesário não se limita a descrever lugares e personagens. A descrição é com frequência impressionista e aos elementos descritos o poeta associa o seu estado psicológico, É o que acontece na terceira estrofe quando, para além de comentar o que vê, o sujeito afirma "quase sempre chega / Com as tonturas de uma apoplexia" ou se mostra "contagiado" pela força interior da rapariga - "Duma desgraça alegre que me incita”.
  39. 39. O Sentimento dum Ocidental – Parte I “Avé-Marias” Nas nossas ruas, ao anoitecer, Há tal soturnidade, há tal melancolia, Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia Despertam-me um desejo absurdo de sofrer. O céu parece baixo e de neblina, O gás extravasado enjoa-me, perturba; E os edifícios, com as chaminés, e a turba Toldam-se duma cor monótona e londrina Batem os carros de aluguer, ao fundo, Levando à via-férrea os que se vão. Felizes! Ocorrem-me em revista exposições, países; Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo! Semelham-se a gaiolas, com viveiros, As edificações somente emadeiradas: Como morcegos, ao cair das badaladas, Saltam de viga os mestres carpinteiros. Voltam os calafates, aos magotes, De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos; Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos, Ou erro pelos cais a que se atracam botes. E evoco, então, as crónicas navais: Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado! Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado! Singram soberbas naus que eu não verei jamais! E o fim de tarde inspira-me; e incomoda! De um couraçado inglês vogam os escaleres; E em terra num tinir de louças e talheres Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda. Num trem de praça arengam dois dentistas; Um trôpego arlequim braceja numas andas; Os querubins do lar flutuam nas varandas; Às portas, em cabelo, enfadam-se os lojistas! Vazam-se os arsenais e as oficinas Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras; E num cardume negro, hercúleas galhofeiras, Correndo com firmeza, assomam as varinas. Vêm sacudindo as ancas opulentas! Seus troncos varonis recordam-me pilastras; E algumas, à cabeça, embalam nas canastras Os filhos que depois naufragam nas tormentas. Descalças! Nas descargas de carvão, Desde manhã à noite, a bordo das fragatas; E apinham-se num bairro aonde miam gatas, E o peixe podre gera os focos de infecção!
  40. 40. O Sentimento dum Ocidental – Parte II “Noite Fechada” Toca-se às grades, nas cadeias. Som Que mortifica e deixa umas loucuras mansas! O Aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças, Bem raramente encerra uma mulher de «dom»! E eu desconfio, até, de um aneurisma Tão mórbido me sinto, ao acender das luzes; À vista das prisões, da velha Sé, das Cruzes, Chora-me o coração que se enche e que se abisma. A espaços, iluminam-se os andares, E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos Alastram em lençol os seus reflexos brancos; E a Lua lembra o circo e os jogos malabares. Duas igrejas, num saudoso largo, Lançam a nódoa negra e fúnebre do clero: Nelas esfumo um ermo inquisidor severo, Assim que pela História eu me aventuro e alargo. Na parte que abateu no terremoto, Muram-me as construções rectas, iguais, crescidas; Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas, E os sinos dum tanger monástico e devoto. Mas, num recinto público e vulgar, Com bancos de namoro e exíguas pimenteiras, Brônzeo, monumental, de proporções guerreiras, Um épico doutrora ascende, num pilar! E eu sonho o Cólera, imagino a Febre, Nesta acumulação de corpos enfezados; Sombrios e espectrais recolhem os soldados; Inflama-se um palácio em face de um casebre. Partem patrulhas de cavalaria Dos arcos dos quartéis que foram já conventos: Idade Média! A pé, outras, a passos lentos, Derramam-se por toda a capital, que esfria. Triste cidade! Eu temo que me avives Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes, Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes, Curvadas a sorrir às montras dos ourives. E mais: as costureiras, as floristas Descem dos magasins, causam-me sobressaltos; Custa-lhes a elevar os seus pescoços altos E muitas delas são comparsas ou coristas. E eu, de luneta de uma lente só, Eu acho sempre assunto a quadros revoltados: Entro na brasserie; às mesas de emigrados, Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.
  41. 41. O Sentimento dum Ocidental – Parte III “Ao gás” E saio. A noite pesa, esmaga. Nos Passeios de lajedo arrastam-se as impuras. Ó moles hospitais! Sai das embocaduras Um sopro que arrepia os ombros quase nus. Cercam-me as lojas, tépidas. Eu penso Ver círios laterais, ver filas de capelas, Com santos e fiéis, andores, ramos, velas, Em uma catedral de um comprimento imenso. As burguesinhas do Catolicismo Resvalam pelo chão minado pelos canos; E lembram-me, ao chorar doente dos pianos, As freiras que os jejuns matavam de histerismo. Num cutileiro, de avental, ao torno, Um forjador maneja um malho, rubramente; E de uma padaria exala-se, inda quente, Um cheiro salutar e honesto a pão no forno. E eu que medito um livro que exacerbe, Quisera que o real e a análise mo dessem; Casas de confecções e modas resplandecem; Pelas vitrines olha um ratoneiro imberbe. Longas descidas! Não poder pintar Com versos magistrais, salubres e sinceros, A esguia difusão dos vossos reverberos, E a vossa palidez romântica e lunar! Que grande cobra, a lúbrica pessoa, Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo! Sua excelência atrai, magnética, entre luxo, Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa. E aquela velha, de bandós! Por vezes, A sua traîne imita um leque antigo, aberto, Nas barras verticais, a duas tintas. Perto, Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses. Desdobram-se tecidos estrangeiros; Plantas ornamentais secam nos mostradores; Flocos de pós-de-arroz pairam sufocadores, E em nuvens de cetins requebram-se os caixeiros. Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes Os candelabros, como estrelas, pouco a pouco; Da solidão regouga um cauteleiro rouco; Tornam-se mausoléus as armações fulgentes. «Dó da miséria!... Compaixão de mim!...» E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso, Pede-me sempre esmola um homenzinho idoso, Meu velho professor nas aulas de Latim!
  42. 42. O Sentimento dum Ocidental – Parte IV “Horas Mortas” O tecto fundo de oxigénio, de ar, Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras; Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras, Enleva-me a quimera azul de transmigrar. Por baixo, que portões! Que arruamentos! Um parafuso cai nas lajes, às escuras: Colocam-se taipais, rangem as fechaduras, E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos. E eu sigo, como as linhas de uma pauta A dupla correnteza augusta das fachadas; Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas, As notas pastoris de uma longínqua flauta. Se eu não morresse, nunca! E eternamente Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas! Esqueço-me a prever castíssimas esposas, Que aninhem em mansões de vidro transparente! Ó nossos filhos! Que de sonhos ágeis, Pousando, vos trarão a nitidez às vidas! Eu quero as vossas mães e irmãs estremecidas, Numas habitações translúcidas e frágeis. Ah! Como a raça ruiva do porvir, E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes, Nós vamos explorar todos os continentes E pelas vastidões aquáticas seguir! Mas se vivemos, os emparedados, Sem árvores, no vale escuro das muralhas!... Julgo avistar, na treva, as folhas das navalhas E os gritos de socorro ouvir, estrangulados. E nestes nebulosos corredores Nauseiam-me, surgindo, os ventres das tabernas; Na volta, com saudade, e aos bordos sobre as pernas, Cantam, de braço dado, uns tristes bebedores. Eu não receio, todavia, os roubos; Afastam-se, a distância, os dúbios caminhantes; E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes, Amareladamente, os cães parecem lobos. E os guardas, que revistam as escadas, Caminham de lanterna e servem de chaveiros; Por cima, as imorais, nos seus roupões ligeiros, Tossem, fumando sobre a pedra das sacadas. E, enorme, nesta massa irregular De prédios sepulcrais, com dimensões de montes, A Dor humana busca os amplos horizontes, E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
  43. 43. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”: No longo poema "O Sentimento dum Ocidental", constituído por quatro partes, o poeta deambula mais uma vez pela cidade de Lisboa passando pelo cais junto ao Tejo; à medida que vai passeando, anoitece (os subtítulos das quatro partes em que o poema se divide explicitam-no). O poeta descreve o espaço, a gente que passa ou que trabalha, ambientes, e enuncia as suas sensações, as impressões que vai recolhendo (o cheiro a gás, o ar acinzentado das casas envoltas na neblina). Ao longo do poema o sujeito revela, contudo, estar mais voltado para a sua própria interioridade por onde vai "deambulando" também. - “O sentimento dum Ocidental”: No longo poema "O Sentimento dum Ocidental", constituído por quatro partes, o poeta deambula mais uma vez pela cidade de Lisboa passando pelo cais junto ao Tejo; à medida que vai passeando, anoitece (os subtítulos das quatro partes em que o poema se divide explicitam-no). O poeta descreve o espaço, a gente que passa ou que trabalha, ambientes, e enuncia as suas sensações, as impressões que vai recolhendo (o cheiro a gás, o ar acinzentado das casas envoltas na neblina). Ao longo do poema o sujeito revela, contudo, estar mais voltado para a sua própria interioridade por onde vai "deambulando" também.
  44. 44. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Avé-Marias: A relação entre o espaço exterior e os sentimentos do sujeito poético são de causa-consequência: na 1ª estrofe - "Nas nossas ruas ao anoitecer / Há tal soturnidade, tal melancolia" (percepção subjectiva da realidade como causa); "Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia" (visão impressionista - sensações visuais, auditivas e olfactivas; "Que"- introduz oração consecutiva); "Despertam-me um desejo absurdo de sofrer" (consequência - o desencadear de um sentimento, de um estado psicológico que, por sua vez, vai condicionar a forma como encara a realidade objectiva); na 2ª estrofe - "O céu parece baixo e de neblina (visão subjectiva) / O gás extravasado enjoa-me, perturba" (sensação física provocada pelo gás, provoca um estado de perturbação psicológica). - “O sentimento dum Ocidental”, Avé-Marias: A relação entre o espaço exterior e os sentimentos do sujeito poético são de causa-consequência: na 1ª estrofe - "Nas nossas ruas ao anoitecer / Há tal soturnidade, tal melancolia" (percepção subjectiva da realidade como causa); "Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia" (visão impressionista - sensações visuais, auditivas e olfactivas; "Que"- introduz oração consecutiva); "Despertam-me um desejo absurdo de sofrer" (consequência - o desencadear de um sentimento, de um estado psicológico que, por sua vez, vai condicionar a forma como encara a realidade objectiva); na 2ª estrofe - "O céu parece baixo e de neblina (visão subjectiva) / O gás extravasado enjoa-me, perturba" (sensação física provocada pelo gás, provoca um estado de perturbação psicológica).
  45. 45. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Avé-Marias: A sensação de enclausuramento é sugerida pelo ambiente sombrio - "Há tal soturnidade", "as sombras", "os edifícios" (...) de cor monótona e londrina"; pela neblina. Há também referências a elementos que compõem o espaço e apontam para a mesma ideia: as edificações que se assemelham "a gaiolas" (est. 4); os carpinteiros que "Como morcegos" (est. 4) saltam no escuro; as ruas estreitas e sem saída "por boqueirões, por becos" (est. 5); por fim a referência às varinas, sujeitas à sua condição social - "Desde manhã à noite, a bordo das fragatas; / E apinham-se num bairro aonde miam gatas, / E o peixe podre gera os focos de infecção!" (est. 11). Por oposição a este universo fechado e doentio, a ideia de evasão está presente na 3ª estrofe - aí o poeta refere-se aos "que se vão", exclamando, no mesmo verso, "Felizes!". E logo de seguida, o pensamento do poeta "acompanha" imaginariamente essas partidas "Ocorrem-me em revista exposições, países: / Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!", estabelecendo um percurso mental por várias capitais, acabando por abranger todo o mundo, isto é, tudo o que não faz parte desta realidade que percorre fisicamente. - “O sentimento dum Ocidental”, Avé-Marias: A sensação de enclausuramento é sugerida pelo ambiente sombrio - "Há tal soturnidade", "as sombras", "os edifícios" (...) de cor monótona e londrina"; pela neblina. Há também referências a elementos que compõem o espaço e apontam para a mesma ideia: as edificações que se assemelham "a gaiolas" (est. 4); os carpinteiros que "Como morcegos" (est. 4) saltam no escuro; as ruas estreitas e sem saída "por boqueirões, por becos" (est. 5); por fim a referência às varinas, sujeitas à sua condição social - "Desde manhã à noite, a bordo das fragatas; / E apinham-se num bairro aonde miam gatas, / E o peixe podre gera os focos de infecção!" (est. 11). Por oposição a este universo fechado e doentio, a ideia de evasão está presente na 3ª estrofe - aí o poeta refere-se aos "que se vão", exclamando, no mesmo verso, "Felizes!". E logo de seguida, o pensamento do poeta "acompanha" imaginariamente essas partidas "Ocorrem-me em revista exposições, países: / Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!", estabelecendo um percurso mental por várias capitais, acabando por abranger todo o mundo, isto é, tudo o que não faz parte desta realidade que percorre fisicamente.
  46. 46. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Avé-Marias: Partindo da realidade circundante, o poeta vagueia sobre outros tempos, referindo um tempo passado "histórico" - 6ª estrofe. "E evoco, então, as crónicas navais: / Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!”(estas personagens povoam agora a imaginação do poeta) “Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!” (referência a "Os Lusíadas", conota as crónicas navais com o registo de feitos épicos) “Singram soberbas naus que eu não verei jamais!" (impossibilidade de se repetirem os feitos passados; as "soberbas naus" simbolizando os feitos heróicos na "conquista" do mundo). Faz a alusão ao futuro, repetindo o pessimismo do último verso da 6ª estrofe - "E algumas, à cabeça, embalam nas canastras / Os filhos que depois naufragam nas tormentas." (est. 10). As glórias do passado não se repetirão. - “O sentimento dum Ocidental”, Avé-Marias: Partindo da realidade circundante, o poeta vagueia sobre outros tempos, referindo um tempo passado "histórico" - 6ª estrofe. "E evoco, então, as crónicas navais: / Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!”(estas personagens povoam agora a imaginação do poeta) “Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!” (referência a "Os Lusíadas", conota as crónicas navais com o registo de feitos épicos) “Singram soberbas naus que eu não verei jamais!" (impossibilidade de se repetirem os feitos passados; as "soberbas naus" simbolizando os feitos heróicos na "conquista" do mundo). Faz a alusão ao futuro, repetindo o pessimismo do último verso da 6ª estrofe - "E algumas, à cabeça, embalam nas canastras / Os filhos que depois naufragam nas tormentas." (est. 10). As glórias do passado não se repetirão.
  47. 47. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Avé-Marias: Sob o ponto de vista estilístico, na estrofe nove, é possível verificar uma descrição dinâmica e impressionista através de: sugestão de movimento dada pelos verbos - "Vazam-se os arsenais e as oficinas", "apressam-se as obreiras", "Correndo com firmeza, assomam as varinas"; percepção sensorial - "Reluz, viscoso, o rio" (sinestesia), "E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras"; recurso à metáfora (elaborada a partir da associação entre as personagens e os seus "instrumentos" de trabalho - "cardume negro"; predominância de orações coordenadas assindéticas. - “O sentimento dum Ocidental”, Avé-Marias: Sob o ponto de vista estilístico, na estrofe nove, é possível verificar uma descrição dinâmica e impressionista através de: sugestão de movimento dada pelos verbos - "Vazam-se os arsenais e as oficinas", "apressam-se as obreiras", "Correndo com firmeza, assomam as varinas"; percepção sensorial - "Reluz, viscoso, o rio" (sinestesia), "E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras"; recurso à metáfora (elaborada a partir da associação entre as personagens e os seus "instrumentos" de trabalho - "cardume negro"; predominância de orações coordenadas assindéticas.
  48. 48. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Noite Fechada: Sob o ponto de vista estilístico, na estrofe nove, é possível verificar uma descrição dinâmica e impressionista através de: sugestão de movimento dada pelos verbos - "Vazam-se os arsenais e as oficinas", "apressam-se as obreiras", "Correndo com firmeza, assomam as varinas"; percepção sensorial - "Reluz, viscoso, o rio" (sinestesia), "E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras"; recurso à metáfora (elaborada a partir da associação entre as personagens e os seus "instrumentos" de trabalho - "cardume negro"; predominância de orações coordenadas assindéticas. - “O sentimento dum Ocidental”, Noite Fechada: Sob o ponto de vista estilístico, na estrofe nove, é possível verificar uma descrição dinâmica e impressionista através de: sugestão de movimento dada pelos verbos - "Vazam-se os arsenais e as oficinas", "apressam-se as obreiras", "Correndo com firmeza, assomam as varinas"; percepção sensorial - "Reluz, viscoso, o rio" (sinestesia), "E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras"; recurso à metáfora (elaborada a partir da associação entre as personagens e os seus "instrumentos" de trabalho - "cardume negro"; predominância de orações coordenadas assindéticas.
  49. 49. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Noite Fechada: As cadeias, onde se toca às grades (pede-se comida, é hora de dormir). O aljube, onde se recolhem velhinhas e crianças. O Poeta sente- se mortificado e com loucuras mansas, ao ouvir tocar às grades, nas cadeias, tece o comentário de que, no aljube, raramente se encontra uma mulher de "dom” e lamenta que velhinhas e crianças tenham de se recolher ao aljube. As prisões, a velha Sé, as Cruzes. O Poeta desconfia que sofre de um aneurisma, de tão mórbido que fica com o que vê. O coração dele é sensível ao deparar com estes espaços, o poeta sente chorar o coração. Quando há referência às igrejas, o sujeito poético revela pouca simpatia pelas igrejas e pelo clero. Perante a vista das duas igrejas, recria as antigas práticas repressivas da Igreja (a Inquisição). Pretende compensar a realidade negativa com invasões através da história (embora nem todos os motivos sejam felizes). - “O sentimento dum Ocidental”, Noite Fechada: As cadeias, onde se toca às grades (pede-se comida, é hora de dormir). O aljube, onde se recolhem velhinhas e crianças. O Poeta sente- se mortificado e com loucuras mansas, ao ouvir tocar às grades, nas cadeias, tece o comentário de que, no aljube, raramente se encontra uma mulher de "dom” e lamenta que velhinhas e crianças tenham de se recolher ao aljube. As prisões, a velha Sé, as Cruzes. O Poeta desconfia que sofre de um aneurisma, de tão mórbido que fica com o que vê. O coração dele é sensível ao deparar com estes espaços, o poeta sente chorar o coração. Quando há referência às igrejas, o sujeito poético revela pouca simpatia pelas igrejas e pelo clero. Perante a vista das duas igrejas, recria as antigas práticas repressivas da Igreja (a Inquisição). Pretende compensar a realidade negativa com invasões através da história (embora nem todos os motivos sejam felizes).
  50. 50. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Noite Fechada: O Poeta destaca a importância da figura de Camões (a resposta aos problemas do presente seria dada com soluções do passado), ao mesmo tempo que pretende homenageá-lo. Há uma ligação a Camões pois neste poema há uma referência ao largo onde foi levantada a estátua de Camões. Há uma sensibilidade devido ao sofrimento das pessoas, que pelos corpos enfezados, ele supões que sofreram de cólera. Assim, mostra pouca simpatia pelos soldados. Ocorre uma nostalgia pela Idade Média. - “O sentimento dum Ocidental”, Noite Fechada: O Poeta destaca a importância da figura de Camões (a resposta aos problemas do presente seria dada com soluções do passado), ao mesmo tempo que pretende homenageá-lo. Há uma ligação a Camões pois neste poema há uma referência ao largo onde foi levantada a estátua de Camões. Há uma sensibilidade devido ao sofrimento das pessoas, que pelos corpos enfezados, ele supões que sofreram de cólera. Assim, mostra pouca simpatia pelos soldados. Ocorre uma nostalgia pela Idade Média.
  51. 51. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Ao gás: O sujeito poético caminha solitário observando os cenários nocturnos da miséria humana, estes provocam-lhe uma espécie de estado alucinado. As imagens da cidadã estão associadas a imagens tristes e degradantes. O poeta evidencia a hipocrisia de certos comportamentos sociais e religiosos para mostrar que a burguesia é tão miserável como as “impuras” que se arrastam nas ruas da cidade. A comparação torna-se mais evidente quando o narrador realça o trabalho honesto daqueles que vivem a vida a trabalhar mas que a cidade aprisiona. A ultima estrofe sintetiza a dor do poeta perante esta realidade tão perversa. - “O sentimento dum Ocidental”, Ao gás: O sujeito poético caminha solitário observando os cenários nocturnos da miséria humana, estes provocam-lhe uma espécie de estado alucinado. As imagens da cidadã estão associadas a imagens tristes e degradantes. O poeta evidencia a hipocrisia de certos comportamentos sociais e religiosos para mostrar que a burguesia é tão miserável como as “impuras” que se arrastam nas ruas da cidade. A comparação torna-se mais evidente quando o narrador realça o trabalho honesto daqueles que vivem a vida a trabalhar mas que a cidade aprisiona. A ultima estrofe sintetiza a dor do poeta perante esta realidade tão perversa.
  52. 52. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Ao gás: “Ó moles hospitais! Sai das embocaduras” – apóstrofe “Com santos e fiéis, andores, ramos, velas,” – enumeração “Em uma catedral de um comprimento imenso.” – ironia “Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.” – sinestesia “Com versos magistrais, salubres e sinceros” – tripla adjectivação “Que grande cobra, a lúbrica pessoa,” – metáfora “nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso” – dupla adjectivação - “O sentimento dum Ocidental”, Ao gás: “Ó moles hospitais! Sai das embocaduras” – apóstrofe “Com santos e fiéis, andores, ramos, velas,” – enumeração “Em uma catedral de um comprimento imenso.” – ironia “Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.” – sinestesia “Com versos magistrais, salubres e sinceros” – tripla adjectivação “Que grande cobra, a lúbrica pessoa,” – metáfora “nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso” – dupla adjectivação
  53. 53. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Horas Mortas: Corresponde ao momento final do percurso do sujeito poético, percurso que se vai tornando mais angustiante e fechado. Estamos no domínio total da noite, as estrelas brilham no céu “Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras” e “os guardas, que revistam as escadas,/Caminham de lanterna”. É também o momento em que as personagens dominam a cidade: as “imorais”, os assassinos, os “tristes bebedores” e até os cães que se transformam em lobos “E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,/Amareladamente, os cães parecem lobos” - “O sentimento dum Ocidental”, Horas Mortas: Corresponde ao momento final do percurso do sujeito poético, percurso que se vai tornando mais angustiante e fechado. Estamos no domínio total da noite, as estrelas brilham no céu “Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras” e “os guardas, que revistam as escadas,/Caminham de lanterna”. É também o momento em que as personagens dominam a cidade: as “imorais”, os assassinos, os “tristes bebedores” e até os cães que se transformam em lobos “E sujos, sem ladrar, ósseos, febris, errantes,/Amareladamente, os cães parecem lobos”
  54. 54. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Horas Mortas: A agressividade é notável: - o colocar dos taipais e o ranger das fechaduras; - A visão da cidade como uma prisão, uma antecâmara marcante da morte “Mas se vivemos, os emparedados,/Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...” - o nojo da cidade “Nauseiam-me” - “O sentimento dum Ocidental”, Horas Mortas: A agressividade é notável: - o colocar dos taipais e o ranger das fechaduras; - A visão da cidade como uma prisão, uma antecâmara marcante da morte “Mas se vivemos, os emparedados,/Sem árvores, no vale escuro das muralhas!...” - o nojo da cidade “Nauseiam-me”
  55. 55. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Horas Mortas: Face a esta cidade opressiva o sujeito poético: - evoca a beleza e a serenidade do campo “Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,/As notas pastoris de uma longínqua flauta.” - expressa desejos impossíveis ou difíceis de realizar “Se eu não morresse, nunca! E eternamente/Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!” - esperar o regresso da grandeza perdida “Nós vamos explorar todos os continentes/E pelas vastidões aquáticas seguir!” - “O sentimento dum Ocidental”, Horas Mortas: Face a esta cidade opressiva o sujeito poético: - evoca a beleza e a serenidade do campo “Pois sobem, no silêncio, infaustas e trinadas,/As notas pastoris de uma longínqua flauta.” - expressa desejos impossíveis ou difíceis de realizar “Se eu não morresse, nunca! E eternamente/Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!” - esperar o regresso da grandeza perdida “Nós vamos explorar todos os continentes/E pelas vastidões aquáticas seguir!”
  56. 56. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “O sentimento dum Ocidental”, Horas Mortas: O poema é concluído com uma nota completamente disfórica “A Dor humana busca os amplos horizontes,/E tem marés, de fel, como um sinistro mar!” - “O sentimento dum Ocidental”, Horas Mortas: O poema é concluído com uma nota completamente disfórica “A Dor humana busca os amplos horizontes,/E tem marés, de fel, como um sinistro mar!”
  57. 57. Deslumbramentos Milady, é perigoso contemplá-la, Quando passa aromática e normal, Com seu tipo tão nobre e tão de sala, Com seus gestos de neve e de metal. Sem que nisso a desgoste ou desenfade, Quantas vezes, seguindo-lhe as passadas, Eu vejo-a, com real solenidade, Ir impondo toilettes complicadas!... Em si tudo me atrai como um tesouro: O seu ar pensativo e senhoril, A sua voz que tem um timbre de ouro E o seu nevado e lúcido perfil! Ah! Como me estonteia e me fascina... E é, na graça distinta do seu porte, Como a Moda supérflua e feminina, E tão alta e serena como a Morte!... Eu ontem encontrei-a, quando vinha, Britânica, e fazendo-me assombrar; Grande dama fatal, sempre sozinha, E com firmeza e música no andar! O seu olhar possui, num jogo ardente, Um arcanjo e um demônio a iluminá-lo; Como um florete, fere agudamente, E afaga como o pêlo dum regalo! Pois bem. Conserve o gelo por esposo, E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos, O modo diplomático e orgulhoso Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos. E enfim prossiga altiva como a Fama, Sem sorrisos, dramática, cortante; Que eu procuro fundir na minha chama Seu ermo coração, como um brilhante. Mas cuidado, milady, não se afoite, Que hão de acabar os bárbaros reais; E os povos humilhados, pela noite, Para a vingança aguçam os punhais. E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas, Sob o cetim do Azul e as andorinhas, Eu hei-de ver errar, alucinadas, E arrastando farrapos - as rainhas!
  58. 58. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Deslumbramentos”: O sujeito poético deambula pela cidade, observando e seguindo uma mulher que o atrai – Milady – uma mulher fatal e citadina. Estrutura externa: O poema é constituído por dez quadras. Os versos são decassilábicos. A rima é cruzada, segundo o esquema abab. - “Deslumbramentos”: O sujeito poético deambula pela cidade, observando e seguindo uma mulher que o atrai – Milady – uma mulher fatal e citadina. Estrutura externa: O poema é constituído por dez quadras. Os versos são decassilábicos. A rima é cruzada, segundo o esquema abab.
  59. 59. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Deslumbramentos”: Recursos estilísticos: - apóstrofe: “Milady” (v.1); “ó flor do Luxo” (v.37); - dupla adjetivação: “aromática e normal” (v.2); - metáfora: “gestos de neve e de metal” (v.4); - anáfora: “Com seu tipo…” / “Com seus gestos…” (vv.3 e 4); - comparação: “como um tesoiro” (v.9); “tão alta e serena como a morte” (v.16); “como a um brilhante” (v.32); - sinestesia: “timbre de oiro” (v.11) - hipálage: “lúcido perfil” (v.12); - antítese: “Um arcanjo e um demónio” (v.22); - aliteração: em “f” nos vv.23 e 24. - “Deslumbramentos”: Recursos estilísticos: - apóstrofe: “Milady” (v.1); “ó flor do Luxo” (v.37); - dupla adjetivação: “aromática e normal” (v.2); - metáfora: “gestos de neve e de metal” (v.4); - anáfora: “Com seu tipo…” / “Com seus gestos…” (vv.3 e 4); - comparação: “como um tesoiro” (v.9); “tão alta e serena como a morte” (v.16); “como a um brilhante” (v.32); - sinestesia: “timbre de oiro” (v.11) - hipálage: “lúcido perfil” (v.12); - antítese: “Um arcanjo e um demónio” (v.22); - aliteração: em “f” nos vv.23 e 24.
  60. 60. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Deslumbramentos”: O poema começa com uma apóstrofe - Milady. Não conhecemos esta mulher, mas sabemos logo que todo o poema é dirigido a uma mulher de um estatuto social superior, uma vez que o sujeito lírico se dirige a ela com a expressão de cortesia . Esta forma de tratamento também aponta para uma relação de criado- senhora entre o sujeito poético a mulher amada, encontrando-se ela num plano superior, aristocrático, e ele num plano inferior, subserviente. Perante o fascínio do eu lírico, Milady mostra-se fria, insensível. A sua postura altiva e solene fá-lo sofrer, uma vez que se sente humilhado por esta indiferença. Milady sabe que exerce este poder encantatório sobre os homens. Por isso, é orgulhosa na sua postura, mostrando-se superior e tratando com desprezo os inferiores. É perigoso contemplar Milady porque a paixão que é despertada por essa contemplação leva ao sofrimento. O seu olhar é caracterizado de " jogo ardente, Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo", pois fere e afaga ou conforta. - “Deslumbramentos”: O poema começa com uma apóstrofe - Milady. Não conhecemos esta mulher, mas sabemos logo que todo o poema é dirigido a uma mulher de um estatuto social superior, uma vez que o sujeito lírico se dirige a ela com a expressão de cortesia . Esta forma de tratamento também aponta para uma relação de criado- senhora entre o sujeito poético a mulher amada, encontrando-se ela num plano superior, aristocrático, e ele num plano inferior, subserviente. Perante o fascínio do eu lírico, Milady mostra-se fria, insensível. A sua postura altiva e solene fá-lo sofrer, uma vez que se sente humilhado por esta indiferença. Milady sabe que exerce este poder encantatório sobre os homens. Por isso, é orgulhosa na sua postura, mostrando-se superior e tratando com desprezo os inferiores. É perigoso contemplar Milady porque a paixão que é despertada por essa contemplação leva ao sofrimento. O seu olhar é caracterizado de " jogo ardente, Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo", pois fere e afaga ou conforta.
  61. 61. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Deslumbramentos”: Todavia, o fascínio que o sujeito poético experimenta leva-o a tentar derreter o gelo do coração de Milady (“procuro fundir na minha cham / Seu ermo coração”), embora esteja consciente de que as suas tentativas são vãs. Neste esforço inglório denota-se a subserviência amorosa em que o sujeito poético vive devido aos encantos desta mulher. Apesar de não ser correspondido - aliás, é ignorado por Milady -, ele tentará derreter o gelo por se submeter às disposições desta mulher: beijando-lhe “as brancas mãos” ou seguindo-a pelas ruas de Lisboa. Nas duas estrofes finais, o sujeito poético acautela Milady para que esta não se alegre com a sua condição de rainha. Sabendo que o seu poder advém da beleza efémera, o “eu” lírico avisa-a para não ser ousada (“não se afoite”), pois os seus poderes vão acabar um dia e “os humilhados” (i.e. os amantes desprezados), na sombra da sua beleza, "Para a vingança aguçam os punhais." Então, quando esta "flor do Luxo" perder os seus poderes encantatórios, o eu lírico vê-la-á vagueando pelas ruas, em farrapos. - “Deslumbramentos”: Todavia, o fascínio que o sujeito poético experimenta leva-o a tentar derreter o gelo do coração de Milady (“procuro fundir na minha cham / Seu ermo coração”), embora esteja consciente de que as suas tentativas são vãs. Neste esforço inglório denota-se a subserviência amorosa em que o sujeito poético vive devido aos encantos desta mulher. Apesar de não ser correspondido - aliás, é ignorado por Milady -, ele tentará derreter o gelo por se submeter às disposições desta mulher: beijando-lhe “as brancas mãos” ou seguindo-a pelas ruas de Lisboa. Nas duas estrofes finais, o sujeito poético acautela Milady para que esta não se alegre com a sua condição de rainha. Sabendo que o seu poder advém da beleza efémera, o “eu” lírico avisa-a para não ser ousada (“não se afoite”), pois os seus poderes vão acabar um dia e “os humilhados” (i.e. os amantes desprezados), na sombra da sua beleza, "Para a vingança aguçam os punhais." Então, quando esta "flor do Luxo" perder os seus poderes encantatórios, o eu lírico vê-la-á vagueando pelas ruas, em farrapos.
  62. 62. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário - “Deslumbramentos”: Estas duas últimas estrofes são também uma crítica social ao desdém da burguesia em relação ao proletariado, revelando a vontade de Cesário em ver as condições sociais alterarem-se, para que aqueles que labutam diariamente pudessem ver recompensados os seus esforços, e aqueles que vivem às custas do trabalho alheio fossem castigados pelo seu parasitismo. - “Deslumbramentos”: Estas duas últimas estrofes são também uma crítica social ao desdém da burguesia em relação ao proletariado, revelando a vontade de Cesário em ver as condições sociais alterarem-se, para que aqueles que labutam diariamente pudessem ver recompensados os seus esforços, e aqueles que vivem às custas do trabalho alheio fossem castigados pelo seu parasitismo.
  63. 63. - “Cristalizações”: - Poema representativo da cidade - Poesia do quotidiano - “Nós”: - Poema representativo do campo - Crítica à cidade - Campo: refúgio dos males da vida e recordação da família. - oposição entre sociedades industriais e sociedades rurais - oposição entre proprietários e trabalhadores - “A Débil”: - Mulher campesina retratada na cidade - “Cristalizações”: - Poema representativo da cidade - Poesia do quotidiano - “Nós”: - Poema representativo do campo - Crítica à cidade - Campo: refúgio dos males da vida e recordação da família. - oposição entre sociedades industriais e sociedades rurais - oposição entre proprietários e trabalhadores - “A Débil”: - Mulher campesina retratada na cidade A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário
  64. 64. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário O deambulismo: Em muitos dos seus poemas, Cesário transmite a ideia de passear pelo cenário dos seus poemas, associando as impressões transmitidas pelo real exterior com as suas reflexões poéticas O deambulismo: Em muitos dos seus poemas, Cesário transmite a ideia de passear pelo cenário dos seus poemas, associando as impressões transmitidas pelo real exterior com as suas reflexões poéticas
  65. 65. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário O realismo cinético e o visualismo: A poesia de Cesário Verde capta todos os motivos que a realidade lhe oferece, desde a epidemia que assola a cidade, à estadia no campo, e à morte. Cesário tem a preocupação pela ordem das descrições (primeiro os aspetos genéricos e depois os mais específicos) e por descrever tudo o que vê. O realismo cinético e o visualismo: A poesia de Cesário Verde capta todos os motivos que a realidade lhe oferece, desde a epidemia que assola a cidade, à estadia no campo, e à morte. Cesário tem a preocupação pela ordem das descrições (primeiro os aspetos genéricos e depois os mais específicos) e por descrever tudo o que vê.
  66. 66. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário O aspeto pictórico: O real aprendido através de impressões (a cor, a luz, o movimento os seres e as coisas fugazes) que estimulam o sujeito poético; Cesário é um poeta-pintor que capta as impressões da realidade. Próximo do realismo e do naturalismo, presta atenção aos pormenores mínimos que servem para transmitir as perceções sensoriais; Impressionista, procura surpreender o ‘momento’ em que os objetos “ganham a sua inteira individualidade”. O aspeto pictórico: O real aprendido através de impressões (a cor, a luz, o movimento os seres e as coisas fugazes) que estimulam o sujeito poético; Cesário é um poeta-pintor que capta as impressões da realidade. Próximo do realismo e do naturalismo, presta atenção aos pormenores mínimos que servem para transmitir as perceções sensoriais; Impressionista, procura surpreender o ‘momento’ em que os objetos “ganham a sua inteira individualidade”.
  67. 67. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário O aspeto pictórico: A obra de Cesário Verde caracteriza-se, pela técnica impressionista, ao acumular pormenores das sensações captadas pelo recurso às sinestesias, que lhe permitem transmitir sugestões e impressões da realidade; Sensível ao estímulo visual, Cesário procura reter diversas impressões visuais e outras para sobrepor imagens que acabem por traduzir e reiterar a visão do que o rodeia e traduzir a sua inspiração pessoal. O aspeto pictórico: A obra de Cesário Verde caracteriza-se, pela técnica impressionista, ao acumular pormenores das sensações captadas pelo recurso às sinestesias, que lhe permitem transmitir sugestões e impressões da realidade; Sensível ao estímulo visual, Cesário procura reter diversas impressões visuais e outras para sobrepor imagens que acabem por traduzir e reiterar a visão do que o rodeia e traduzir a sua inspiração pessoal.
  68. 68. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário O caráter sensorial: Inerente à dimensão pictórica, impressionista, da poesia da Cesário Verde, está, evidentemente, o seu carácter sensorial que resulta das sensações que a realidade exterior suscita no sujeito poético, são veiculadas através dos vários sentidos, como: -Os cheiros Um cheiro salutar e honesto ao pão no forno.- O Sentimento dum Ocidental O caráter sensorial: Inerente à dimensão pictórica, impressionista, da poesia da Cesário Verde, está, evidentemente, o seu carácter sensorial que resulta das sensações que a realidade exterior suscita no sujeito poético, são veiculadas através dos vários sentidos, como: -Os cheiros Um cheiro salutar e honesto ao pão no forno.- O Sentimento dum Ocidental
  69. 69. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário O caráter sensorial: -A luminosidade Uma iluminação a azeite de purgueira, De noite, amarelava os prédios macilentos. -Nós -A cor E abre-se-lhe o algodão azul da meia, (...) E pendurando os seus bracinhos brancos - Num Bairro Moderno -Os ruídos Um parafuso cai nas lajes, às escuras - O Sentimento dum Ocidental O caráter sensorial: -A luminosidade Uma iluminação a azeite de purgueira, De noite, amarelava os prédios macilentos. -Nós -A cor E abre-se-lhe o algodão azul da meia, (...) E pendurando os seus bracinhos brancos - Num Bairro Moderno -Os ruídos Um parafuso cai nas lajes, às escuras - O Sentimento dum Ocidental
  70. 70. A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário A evasão do real e a pretensa objetividade: Apesar da poesia de Cesário Verde se alicerçar no real objetivo, é possível verificar que a imaginação transfiguradora interfere, frequentemente, na visão objetiva que o sujeito poético tem da realidade. É frequente encontrarmos nos poemas de Cesário Verde outras realidades que estão para além da realidade primeira, imediata, observável, e que surgem por meio da imaginação criadora e transfiguradora, possibilitando ao sujeito poético a fuga, a evasão do real. A evasão do real e a pretensa objetividade: Apesar da poesia de Cesário Verde se alicerçar no real objetivo, é possível verificar que a imaginação transfiguradora interfere, frequentemente, na visão objetiva que o sujeito poético tem da realidade. É frequente encontrarmos nos poemas de Cesário Verde outras realidades que estão para além da realidade primeira, imediata, observável, e que surgem por meio da imaginação criadora e transfiguradora, possibilitando ao sujeito poético a fuga, a evasão do real.
  71. 71. A evasão do real e a pretensa objetividade: Detetamos essa evasão do real em poemas como: "Num Bairro Moderno" - a visão do cesto de vegetais da hortaliceira é transfigurada e dá lugar à visão de um corpo humano - "Há colos, ombros, boca, um semblante / Nas posições de certos frutos. (...) surge um melão que me lembrou um ventre." "O Sentimento dum Ocidental" - a deambulação do sujeito poético pelos cais da cidade suscita-lhe imagens de um passado longínquo - "Luta Camões no sul, salvando um livro a nado! / Singram soberbas naus que eu não verei jamais!" "Cristalizações" - a visão das "árvores despidas", realidade imediata, transforma-se em outras imagens que vão para além desse imediato - "Mastros, enxárcias, vergas!" A evasão do real e a pretensa objetividade: Detetamos essa evasão do real em poemas como: "Num Bairro Moderno" - a visão do cesto de vegetais da hortaliceira é transfigurada e dá lugar à visão de um corpo humano - "Há colos, ombros, boca, um semblante / Nas posições de certos frutos. (...) surge um melão que me lembrou um ventre." "O Sentimento dum Ocidental" - a deambulação do sujeito poético pelos cais da cidade suscita-lhe imagens de um passado longínquo - "Luta Camões no sul, salvando um livro a nado! / Singram soberbas naus que eu não verei jamais!" "Cristalizações" - a visão das "árvores despidas", realidade imediata, transforma-se em outras imagens que vão para além desse imediato - "Mastros, enxárcias, vergas!" A especificidade da poética de Cesário A especificidade da poética de Cesário
  72. 72. ConclusãoConclusão

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